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Em busca da redenção

Os Raiders terminaram a temporada passada com mais vitórias do que derrotas e retornaram a pós-temporada pela primeira vez desde 2002. Apesar disso, ela terminou de forma nada agradável, com um anunciado segundo divórcio com Oakland e um casamento com Las Vegas com data marcada – em um roteiro de traição digno das melhores (piores) novelas mexicanas.

Mas tudo começou a ruir quando Derek Carr fraturou sua perna direita em um lance sem nenhum sentido lógico, durante uma vitória por 33 a 25 contra o Colts na tarde anterior ao Natal. Depois, já sem Carr, Oakland foi destroçada por Denver (24-6), terminando a temporada regular 12-4, para depois ser derrotado por Houston por 27 a 14 no wild card em uma partida em que assistimos Connor Cook (cuzão) desfilar toda sua incompetência e ensinar ao HC Jack Del Rio uma importante lição: “Não perca seu quarterback”, declarou durante o último NFL Scouting Combine.

De qualquer forma, ao longo da temporada passada, abordamos a situação de Oakland diversas vezes no Pick Six; por um período extenso, a franquia foi uma grande confusão. Desde a perda do Super Bowl, passaram pelo Raiders nove treinadores e 18 QBs, até tudo mudar com a chegada de Del Rio e a consolidação de Carr em Oakland. E, após o fim trágico para uma temporada mágica, houve ainda a chega de Marshawn Lynch, quase como uma resposta aos fãs após a confirmação da mudança para Las Vegas.

Incertezas

Obviamente, se espera que Derek Carr se recupere de sua lesão, mas mesmo assim o Raiders enfrentará muita incerteza naquela que será sua primeira temporada no Oakland Coliseum (aliás, nunca o nome de um estádio fez tanto sentido) enquanto a nova casa em Las Vegas é construída.

Em 2016, Oakland teve um dos melhores desempenhos em casa da NFL, mas agora sabemos como os torcedores irão responder após a “traição” (ou ao business, como você preferir):

“Invariavelmente há o fato de que um determinado número de torcedores está desapontado até que chegará um ponto em que não apoiarão mais”, disse Jack.

Parabéns, é exatamente esse o tipo de pessoa que você quer irritar.

As boas notícias

Oakland teve um dos melhores sistemas ofensivos da NFL em 2016 e é bem provável que ele retorne melhor. Com Carr saudável e o retorno de Lynch após um ano de férias (ou aposentadoria, como você preferir), não há motivos para duvidar disso: Lynch correu para mais de 9 mil jardas e 74 TDs em nove temporadas e tirou férias (ou se aposentou, como você preferir), após lutar contra lesões em 2015.

Porém é inegável que, saudável, é uma adição e tanto para um jogo que corrido que até então tinha Latavius Murray como seu principal nome; agora a combinação de Lynch com Jalen Richard e DeAndre Washington dá a Oakland três boas armas – consideremos ainda que o Raiders tem também o FB Jamize Olawale, com (algumas) boas corridas na temporada passada.

Este, claro, é o cenário ideal, mas é preciso ressaltar o que citamos anteriormente: a última vez que Lynch entrou em campo foi em 2015, quando correu para 417 jardas e três touchdowns em sete partidas (média inferior a quatro jardas por tentativa). O que Oakland precisa é uma versão 70% próxima do running back do Seattle Seahawks que teve quatro temporadas consecutivas com mais de 1000 jardas entre 2011 e 2014. Se isso acontecer, Derek Carr terá o campo ainda mais aberto para encontrar seus alvos.

O preço que se paga

Antes da lesão, talvez por um delírio coletivo, Derek Carr era cogitado para o MVP – seus números eram dignos: 3937 jardas, 28 TDs e apenas seis interceptações. Seu rating anual, aliás, prova sua evolução: 76.6 em sua temporada como rookie, 91.1 no segundo ano e 96.7 no ano passado.

Tudo isto resultou em uma extensão contratual de cinco anos, o tornando o quarterback mais bem pago da NFL (ao menos por ora): US$ 125 milhões, 70 deles garantidos.

“RICO!!!”

Para justificar o valor pago, Carr terá como alvos Amari Cooper, quarta escolha geral do draft de 2015, um talento raro, embora não tenha dado o salto esperado em 2016. Michael Crabtree é a outra opção e se espera que continue sendo acionado na redzone: na temporada passada foram 8 TDs, boa parte deles no final das partidas.

Há, ainda, o TE Jared Cook; Cook sempre foi uma grande promessa, mas nunca entregou realmente aquilo que dele se esperava como profissional – o que pesa a seu favor é que, ao menos em Green Bay, ele teve alguns lampejos (méritos de Aaron Rodgers?), então ao menos há um resquício de esperança.

O quão longe se pode ir

Oakland tem um ataque intenso que pode levá-los aos playoffs, mas na verdade é seu sistema defensivo que nos mostrará o quão longe eles podem chegar em janeiro, por isso o Raiders focou em posições defensivas durante a free agency.

O LB Jelani Jenkins veio do Dolphins – em 2016 ele lutou contra uma lesão no joelho, mas tem apenas 25 anos e sua presença pode reforçar uma unidade historicamente pobre; em contrapartida, os Raiders perderam o LB Perry Riley. A linha defensiva também perdeu Dan Williams e Stacy McGee, mas trouxe o DT Eddie Vanderdoes, selecionado na terceira rodada do draft, mas visto como uma escolha de primeira até lesões invadirem sua carreira no college.

Por outro lado, há alguns pontos fortes no sistema defensivo de Oakland: Khalil Mack é um dos melhores defensores da NFL. Mack começou em 2016 em marcha lenta, com apenas um sack em seus primeiros cinco jogos, mas mesmo assim terminou o ano com 11. Se você precisasse apostar em alguém para ter um 2017 excelente, poderia escolher Khalil sem medo – que deve ter grande ajuda de Bruce Irvin (7 sacks em seu primeiro ano em Oakland).

A secundária pode evoluir com a adição de Gareon Conley, escolha 24 do último draft – ele, porém, enfrenta sérias acusações de estar envolvido em um caso de estupro. Mas como sabemos que nossa querida NFL aparentemente não se importa com esta situações, é bem provável que ele esteja em um campo de football em setembro como se nada estivesse acontecendo fora das quatro linhas.

Palpite: Esse ataque é capaz de levar Oakland aos playoffs, assumindo que Carr permaneça saudável. Mas inegavelmente eles precisam evoluir defensivamente para chegar ao Super Bowl. De qualquer forma, cedo saberemos o destino do Raiders: eles têm uma das tabelas mais difíceis da NFL e serão testados logo de cara, com três jogos fora de casa (?) nas quatro primeiras semanas. Mais de 10 vitórias e o título da AFC West, de qualquer forma, é uma realidade palpável – tal qual uma decepção em janeiro.

Entre um dono querendo fugir e vizinhos quase-campeões

A offseason dos Raiders começou agitada já em fevereiro. Bom, janeiro, na verdade, ou até antes, considerando que eles não tinham chances de playoffs na temporada passada. Começou agitada porque os Raiders eram um dos times envolvidos, junto com Chargers e Rams, em um possível retorno à Los Angeles (já foram Los Angeles Raiders entre 1982-94), com um projeto solitário.

No final das contas, o tal projeto não foi aprovado pelos donos da NFL e coube ao owner, Mark Davis (e seu corte de cabelo maravilhoso), voltar a buscar opções para conseguir um novo estádio: Las Vegas, San Antonio ou mesmo um acordo com a própria prefeitura de Oakland – afinal, não é como se faltasse paixão na torcida alvinegra na cidade.

Também durante a offseason, os torcedores da cidade viram seus vizinhos, o Golden State Warriors (a Oracle Arena é anexa ao Oakland Coliseum), realizarem a melhor campanha da história da temporada regular da NBA, só para terem sua alegria destruída por LeBron James e o Cleveland Cavaliers na final. Um time de Cleveland campeão? Claro que não seria na NFL! Bom, quem sabe os Raiders não usam isto como motivação e se vingam dos Browns nos playoffs da NFL? Não, não se vingarão porque os Browns não vão aos playoffs.

Mas entre várias historinhas, há um bom time de football. Mais do que isso, um time jovem cheio de potencial, com um ataque interessante liderado por Derek Carr em sua terceira temporada (aquela temporada que já se convencionou nomear de “AGORA VAI”) e uma defesa feroz liderada pelo candidato a DPOY Khalil Mack que, se chegar próximo às expectativas, vai ser uma presença constante nos playoffs pelos próximos anos, quebrando uma seca de 13 temporadas sem chegar lá (desde que perderam o Super Bowl para o Bucs em 2003. Sim, para o Bucs).

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Markinho, filho do lendário Al Davis, cansou do playground em Oakland.

Ou vai ou racha

Historicamente, o terceiro ano é um período muito importante no desenvolvimento dos QBs, o que separa homens dos meninos, já que é ali que acabam desculpas clássicas como “ele ainda não teve tempo suficiente para se adaptar” ou “é a primeira temporada que ele é o titular indiscutível desde o training camp”. Não, a hora é agora, especialmente para a classe de quarterbacks de 2014 (que inclui ainda nomes como Bridgewater, Bortles, Garoppolo), que além do próprio desempenho, também terão o desempenho dos “colegas” para ser comparado.

E quem olha os números de Derek Carr por cima verá um futuro Tom Brady, com seus 32 TDs e apenas 13 interceptações? Contenha a empolgação: sabemos que valores como 7 jardas por passe tentado e pouco mais de 60% de passes completos não colocam nenhum QB no hall da fama; Carr ainda precisa e pode evoluir significativamente.

Mas mais do que capacidade para evoluir, Carr terá ajuda para provar que é realmente o franchise QB que Oakland busca desde Rich Gannon (MVP em 2002 que jogou seus últimos cinco anos na Califórnia): o Raiders provavelmente teve melhor linha ofensiva da NFL junto com os Cowboys na temporada passada, e ainda fizeram um investimento de 58 milhões de dólares em 5 anos para trazer Kelechi Osemele (LG, mas que jogou bem sendo improvisado como LT pelos Ravens ano passado), o que só poderá torná-la ainda melhor e garantir que o time terá tempo para desenvolver o jogo aéreo, além de espaços para o jogo corrido, qualidades importantes para quem enfrenta Kansas City e Denver duas vezes por ano.

Por fim, mas certamente não menos importante, Carr conta com alvos de respeito. Além do running back Latavius Murray que serve como escape para momentos de pressão (41 passes recebidos ano passado), o time tem uma dupla de wide receivers sólida: Amari Cooper, que tende a melhorar após uma primeira temporada rara entre rookies (1070 jardas, 6 TDs), na qual ainda enfrentou diversos problemas com lesões, e Michael Crabtree, com 9 TDs recebidos ano passado – Crabtree, aliás, parece estar reencontrando aquele potencial que demonstrou em seus primeiros anos em San Francisco: como as defesas focam em Amari Cooper, sobram espaços, que devem ser aproveitados.

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Marca o touchdown e ainda mostra a língua.

Khalil Mack e amigos vão pegar você

O que Khalil Mack, Bruce Irvin e Mario Edwards têm em comum além de atropelarem linhas ofensivas, serem muito rápidos e, se possível fosse, comerem QBs no café da manhã? Todos eles compõem o front seven do Raiders (que é ancorado pelo gigante – literalmente – Dan Williams) e vão trabalhar em um dos pass rush mais ferozes da liga. Mais do que isso, Khalil Mack é um dos melhores (melhor?) jogadores defensivos da liga e o primeiro jogador escolhido para All-Pro Team em duas posições (LB e DE).

É incrível pensar que poderiam ser ainda melhores se Aldon Smith, suspenso por um ano e que virou hit no twitter após postar um vídeo fumando maconha falando “ninguém sabe que sou eu, não tá escrito Aldon Smith em lugar nenhum“, fosse menos idiota e pudesse colaborar na perseguição aos adversários.

Além disso, a secundária também foi reforçada, mesmo com a aposentadoria de Charles Woodson depois de 18 grandes anos na NFL. A chegada de Sean Smith (40 milhões em 4 anos) como CB e de dois novos safeties, o veterano Reggie Nelson e o rookie Karl Joseph, deve ser benéfica para o setor, responsável por ter cedido quase 25 pontos por jogo na temporada anterior.

O time é inteiro bom, mas…

No meio do caminho há uma pedra. No caso, algumas pedras. O caminho para os playoffs será muito difícil, a começar pela briga dentro da própria divisão: a defesa dos Broncos segue nada menos que incrível (mesmo que Mark Sanchez seja o QB. Aceitem: estamos em 2016 e Mark Sanchez ainda é o quarterback de algum time), os Chargers talvez estejam finalmente saudáveis e os Chiefs são candidatos aos playoffs com um time tão equilibrado quanto e mais experiente que o Raiders.

Além disso, os piores QBs no caminho de Oakland serão Brock Osweiller e Tyrod Taylor, ambos teoricamente com capacidade próxima a do próprio Derek Carr – excluindo, obviamente, o Broncos: sabemos que eles não dependem de um QB para ganhar nada.

Provavelmente, os primeiros cinco jogos (@NO, ATL, @TEN, @BAL, SD), aparentemente mais fáceis que o restante da tabela, serão cruciais para definir o destino do Raiders esta temporada – se ganhar menos de quatro partidas das cinco iniciais, mais um ano longe dos playoffs. E a razão é bem simples: ganhar mais da metade dos outros 11 jogos será uma grande superação.

Palpite: 8-8, terceiro lugar na AFC West, jogando bem e perdendo vários jogos no detalhe (dois por erros de kicker) e, novamente, muita esperança para sair da fila na temporada 2017-2018. Além disso, Mark Davis vai visitar mais três cidades interessadas em ser a nova casa dos Raiders e Derek Carr verá mais dinheiro do que você em toda sua vida antes da metade do ano que vem.