Um bom quarterback pode levar esta defesa ao Super Bowl?

09/ago/16


Já sabemos do que a defesa liderada por JJ Watt, melhor jogador defensivo e provavelmente um dos melhores jogadores da NFL contemporânea, é capaz. Também sabemos perfeitamente que não foram Brian Hoyer ou TJ Yates ou Brandon Weeden ou qualquer um dos aparentemente infinitos quarterbacks que jogaram pelo time na temporada passada os responsáveis pelo time vencer a AFC South e chegar aos playoffs pela primeira vez sob o comando do head coach Bill O’Brien, em seu segundo ano, repetindo a campanha de 9 vitórias de 2014. A defesa e o constantemente monstruoso DeAndre Hopkins no ataque são os que fizeram esse time ir além das expectativas em uma liga na qual QBs são donos.

Mas, como mostra o massacre de 30-0 por parte de Kansas City na primeira rodada da pós-temporada, um time com um QB abaixo da linha da mediocridade só pode chegar até certo ponto na NFL. E, na esperança de resolver esse problema, o Texans assinou com Brock Osweiller (1967 jardas, 10 TDs e 6 INTs em 7 jogos em 2015) um contrato de 4 anos valendo 72 milhões de dólares – a prova clara da seca que vive a NFL de franchise quarterbacks; aqueles que podem liderar sua franquia por anos e anos mantendo uma razoável taxa de sucesso e bom desempenho.

Um dia normal para Justin James Watt.

Um dia normal para Justin James Watt.

A decisão é questionável, mas o consenso geral é de que o Texans realmente não tinha outra opção: esse time parece pronto para ir longe e nenhum jogador da classe de QBs rookies deste ano parecia sequer um pouco pronto para chegar e liderar uma equipe. Como fez, por exemplo, Russel Wilson ou mesmo Jameis Winston em menor escala.

A dura realidade é que Brock Osweiller era realmente o único com idade e habilidade suficiente para ser um franchise QB disponível no mercado. O maior ponto de interrogação fica pelo fato de que os próprios Broncos – time anterior de Osweiller, campeão do Super Bowl, pelo qual ele jogou metade das partidas da temporada regular no lugar de Peyton Manning – não fizeram muito esforço para mantê-lo na equipe. A temporada de 2016 deve servir para pelo menos dar-nos uma ideia de quem tomou a decisão correta. Palpites?

A melhor situação possível

Qualquer quarterback que “assumisse” esse time de Houston na condição de titular indiscutível não poderia reclamar da situação em que está entrando. Ao contrário da tradicional cultura da NFL que é encontrar seu QB do futuro e depois montar um time ao redor dele (não é necessário nem sair da divisão para observar isso, vide a constante luta de Luck em levar um time que parece incapaz de ganhar um jogo sem ele), a dupla Rick Smith (GM) e Bill O’Brien fez um bom trabalho em montar um time antes de buscar um líder.

Brock terá a sua disposição provavelmente o WR mais constante da NFL em DeAndre Hopkins (1521 jardas, 11 TDs com aquele carrossel de QBs medíocres lançando para ele). Do outro lado, quando Hopkins receber muita atenção das defesas, Osweiller poderá lançar para Jaelen Strong, agora em seu segundo ano; Cecil Shorts, que teve problema com lesões no ano passado, mas já demonstrou potencial no seu tempo de Jaguars; ou um dos rookies Will Fuller, veloz alvo de Notre Dame, e Braxton Miller, que chegou ao time com a denominação de offensive weapon, ou seja, que poderá ser utilizado em várias posições no ataque enquanto o time tentará maximizar seu potencial e sua produção no ataque (ele, inclusive, começou sua carreira como QB antes de ser transformado em WR em Ohio St).

Um QB ou uma gazela?

Um QB ou uma gazela?

Além de bons alvos, Brock também terá boa companhia no backfield. Depois de muitos anos de Arian Foster sendo o principal corredor dos texanos, o time decidiu deixá-lo ir após sua mais nova lesão (essa, ainda mais grave) e assinar com o eternamente subutilizado running back de Miami, Lamar Miller – ele nunca teve a oportunidade de ser um legítimo RB1 pelo Dolphins e nunca tivemos exatamente claros os porquês disso, já que Lamar perdeu toques para jogadores medíocres como Daniel Thomas ou Jay Ajayi. Se espera que, agora com os Texans e com um QB inexperiente liderando o time, Miller receba os 350+ toques que lhes parecem devidos (como comparação, Adrian Peterson tocou na bola 357 vezes ano passado), ao contrário dos, em média, 250 toques que Miller teve como teto em Miami.

Como adendo, vale ressaltar que para o backfield Houston também trouxe o fullback Soma Vainuku. Fica nossa expectativa imatura para que ele esteja entre os 53 do time depois da pré-temporada.

Liderados pelo melhor jogador da NFL?

JJ Watt é o cara de Houston. Além de ser capaz de vender um tênis horrível como se fosse o melhor do universo (sério, JJ Watt Reebok Signature ou algo assim: mais feios que os do Steph Curry), extremamente dedicado (ano passado ele passou um mês isolado em uma cabana na floresta apenas treinando durante as férias), ainda é um monstro dentro de campo e candidato a bater o recorde de 22.5 sacks em uma temporada, aterrorizando constantemente linhas ofensivas e quarterbacks, para não mencionar defesas quando o treinador dá a ele a oportunidade de brincar de TE em jogadas de goal line nas horas vagas.

No começo de julho, JJ passou por uma cirurgia nas costas que lhe deixará fora por volta de dois meses, perdendo assim todo o período de pré-temporada, mas tudo indica que ele deve (deve, uma lesão nas costas é sempre algo complicado) estar 100% para a temporada regular. Mas a saúde de Watt não deverá ser a maior pedra no caminho para os playoffs dos Texans: em uma AFC South reforçada, mais jogadores da defesa terão que ajudar, como o LB Whitney Mercilus (12 sacks) ou o CB Johnathan Joseph que, espera-se, repitam o bom trabalho de 2015.

Entre todos esses, talvez o com maiores capacidades de destacar-se seja Jadeveon Clowney, primeira escolha do draft de 2014, um gigante nos seus três anos de college, mas que sofreu uma lesão (que levou a uma cirurgia de micro fratura, conhecida por acabar ou pelo menos dificultar bastante carreiras na NFL) no seu primeiro jogo e, talvez por isso, ainda não demonstrou todo aquele potencial. Agora, com dois anos já passados, fica a expectativa para que Clowney seja o demônio que todos esperavam e tome um pouco do protagonismo para si.

Palpite: Tudo pode dar certo e tudo pode dar errado nessa temporada para Houston. Se Brock Osweiller for realmente o QB do futuro e JJ Watt estiver saudável, por mais que a AFC South esteja realmente muito mais forte esse ano, Super Bowl é uma realidade tangível para os próximos anos. Porém aposta que fica é que Osweiller está longe de ser a última Trakinas do pacote, Watt não estará no seu melhor e o time repetirá o 9-7 do ano passado. No fundo, Jaguars e Colts são melhores e vão para os playoffs no lugar dos Texans.

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