Troféu Alternativo Pick Six #2: premiando aquilo que realmente importa

04/set/19


O ser humano é fascinado por premiações, não importa o quão relevantes elas sejam. Do Miss Universo ao vencedor do Prêmio Puskas, da final do BBB a eleição para síndico do condomínio, invariavelmente queremos contemplar alguém com um troféu, mesmo que imaginário.

Na NFL não seria diferente e passamos horas e horas discutindo ou mesmo procurando uma hipotética justiça em premiações definidas de maneira arbitrária – e diversas vezes um tanto quanto óbvias. Pensando nisso e inspirados na já tradicional premiação que os colegas do Bola Presa fazem para as bizarrices da NBA, a Pick Six Enterprises traz a segunda edição de sua premiação alternativa. Antes de conhece os vencedores, relembre as categorias.

TROFÉU WES WELKER: com ele premiamos o “melhor” drop da temporada e homenageamos o WR (indiretamente?) responsável por um dos melhores momentos de Gisele Bundchen na NFL. Além, claro, de estar no hall dos grandes drops que o SB já nos proporcionou.

TROFÉU SKIP BAYLESS: uma homenagem a uma das maiores metralhadoras de bosta que a imprensa norte-americana já produziu. Dá nome a este glorioso prêmio o cidadão que já afirmou que Manti Te’o seria o próximo Ray Lewis, que preferia RGIII a Andrew Luck, Josh Freeman a Cam Newton e, bem, vamos parar por aqui. Então o vencedor desta honraria é o integrante da dita “imprensa especializada” responsável por proferir mais asneiras ao longo da temporada.

Metralhadora de bosta.

TROFÉU MICHAEL FABIANO: ele é o guru do fantasy da NFL.com. Mas também já destruiu muitos sonhos dourados com suas dicas imbecis, então nada mais justo que o atleta que foi uma decepção na temporada de Fantasy Football levar para casa uma estatueta com o nome do mito Michael Fabiano.

TROFÉU SEXY REX(y) GROSSMAN: Rex Grossman deve ser o garoto propaganda do que é ser um quarterback medíocre: com menos de 50 partidas iniciadas, ele tem mais derrotas do que vitórias – e mais interceptações do que touchdowns. Mesmo assim, escorado por uma forte defesa, ele chegou ao Super Bowl XLI, quando silenciou os críticos com vitórias contra Seahawks e Saints nos playoffs – para logo depois voltar a realidade e ser destruído por Peyton Manning e companhia na grande decisão. Por isso o prêmio para melhor atuação de jogador irrelevante homenageia o ex-QB do Chicago Bears (e de mais uma dúzia de outros times).

TROFÉU BLAKE BORTLES: Blake é um dos reis da irrelevância, o cara mais clutch quando nada importa, possivelmente o único capaz de fazer três touchdowns nos seis minutos finais, quando seu time precisaria de meia dúzia, mas isso pouco interessa. Por isso o troféu que leva seu nome premia o verdadeiro MVP: o MVP DO GARBAGE TIME.

TROFÉU JIM KELLY: Kelly levou o Buffallo Bills a quatro Super Bowls seguidos. E perdeu todos. Nada mais justo que dar nome ao prêmio que agraciará o melhor jogador de time que só perde.

TROFÉU NOT COMEBACK PLAYER OF THE YEAR: sejamos honestos: o prêmio original, Comeback Player of The Year, é um dos mais sem sentido já criados pela NFL – não pela mensagem, claro, mas pelo simples fato de que todo ano três ou quatro jogadores merecem ganhar essa desgraça e raramente temos uma unanimidade. Então criamos o NCPOY, para premiar aquele ser que teoricamente teria um grande retorno, mas na verdade era melhor nem ter voltado dos mortos.

TROFÉU CRAQUE NETO: “Acabei de saber que o Ronaldo está trazendo o Seedorf para o Corinthians”. Mais não precisamos falar. E com esta honraria premiamos a maior besteira escrita ou falada por um integrante do Pick Six – acreditem: falamos muita besteira.

TROFÉU DAVE SHULA: Dave Shula nunca fez muita coisa para justificar um cargo como HC na NFL. Exceto, claro, ser filho de Don e irmão de Mike Shula. Tanto que quando chegou ao cargo e lá ficou por cinco longos anos alcançou uma gloriosa carreira em Cincinnati, com 19 vitórias e 52 derrotas. Por isso o troféu que premia o conjunto da obra de piores e mais bizarras decisões de um HC na temporada leva seu nome!

TROFÉU JAMARCUS RUSSELL: JaMarcus talvez seja o maior bust da história da NFL. Primeira escolha geral do draft de 2007 pelo Oakland Raiders, em três temporadas Russell deixou a liga com um recorde de 7-18, 18 TDs e 23 INT. Ah, a escolha seguinte a ele foi um tal de Calvin Johnson, mas não vamos falar sobre isso. De qualquer forma, a honraria que leva seu nome premia a escolha de primeiro round que em sua temporada de estreia provou ter potencial para se tornar um tremendo bust.

TROFÉU TRENT RICHARDSON: Trent chegou a NFL como terceira escolha de primeira rodada do draft e, sendo gentil, sua carreira se resume a corridas de três jardas seguidas por um tombo com a cara no chão. Além de um especialista na arte dos bloqueios, já que sendo o próprio bloqueio, ele era poupado do trabalho de bloquear. Para homenageá-lo, este troféu premia a decepção do ano – e, algumas vezes, da vida.

TROFÉU CHUCK PAGANO: Chuck Pagano foi um dos responsáveis por uma das jogadas mais ridículas da história da NFL (relembre este momento mágico). Por isso o troféu que premia a jogada mais imbecil da temporada leva seu nome!

Agora vamos aos vencedores da temporada 2018-2019

TROFÉU WES WELKER: Alshon Jeffery vs Saints – Divisional Round

O New Orleans Saints vencia por 20 a 14 já dentro do two-minute warning. E quando todos pensávamos que BIG DICK NICK iria cometer o crime mais uma vez, Alshon Jeffery, alvo em tese confiável do ataque dos Eagles, deixou a bola pipocar em suas mãos e cair no peito de Marshon Lattimore quase como quem passa o filho recém-nascido para um amigo ninar. Suficiente para sacramentar a eliminação e a presença nesta categoria do Troféu Pick Six.

Troféu Skip Bayless: Stephen A. Smith analisando o Los Angeles Chargers

Nada mais POÉTICO que o premiado do troféu Skip Bayless desta edição ser seu antigo “parceiro” de ESPN First Take, Stephen A. Smith. Claro que fizemos isso de propósito, pois valorizamos acima de tudo a NARRATIVA, e não  os FATOS. Embora os fatos também apontem para Smith analisando jogadores que não estavam mais no Chargers.

Troféu Michael Fabiano: Leonard Fournette

Fournette foi uma escolha top 5 overall em toda e qualquer liga de fantasy com o mínimo de bom senso. O que ninguém esperava era sua temporada absolutamente nula em um Jaguars em completa implosão. Leonard passou boa parte da temporada lesionado com direito a um retorno quando não valia mais nada, apenas para alimentar o ódio de quem o escolheu.

Troféu Sexy Rex(y) Grossman: Nick Mullens em como ganhar uma conta verificada

Antes da semana 9 contra os Raiders, ninguém conhecia Nick Mullens (e quem disser que sim, estará mentindo). Uma atuação com os seguintes números – 16/22, 3 TDs, 262 jardas – serviu para colocar o jogador de Southern Mississippi no radar da vida e do Twitter também.

Troféu Blake Bortles: Lamar Jackson no Wild Card

Em sua estreia nos playoffs, Lamar Jackson, nosso RB que sonha em ser QB emulou os melhores momentos de Blake Bortles. O Baltimore Ravens iniciou o quarto período perdendo por 23 a 3, após aproximadamente 16 FGs. Foi quando Lamar acordou e explodiu em busca da redenção: foram dois TDs no último quarto e o placar findou em (falsos) honrosos 23 a 17, sugerindo uma partida extremamente disputada.

O duelo, hoje conhecido como “Lamar Jackson no multiverso“, teve pedidos para que Joe Flacco assumisse o posto após o intervalo (quem viveu sabe). Gritos de desespero justificados, afinal, pressupõe-se que um QB saiba passar. Ou ao menos tente.

Troféu Jim Kelly: George Kittle em “quebrando recordes em jogos que não servem para nada”

Depois que Jimmy Garoppolo deixou este mundo e o experimento C.J Beathard (mano, esse cidadão nem nome de QB tem) não durou muito tempo, restou a George Kittle carregar o piano em San Francisco. 1336 jardas recebidas, recorde histórico para a posição, mas que ninguém viu acontecer. Apenas acreditamos que aconteceu por que está nos registros oficiais.

Troféu Not Comeback Player of The Year: David Johnson em “Esqueceram de mim”

Uma temporada como primeira escolha geral de fantasy football desperdiçada por conta de um PULSO QUEBRADO. Passada a decepção Michaelfabianesca, aparentemente Mike McCoy resolveu SE VINGAR simplesmente ignorando a existência de David Johnson enquanto seu QB novato Josh Rosen sofria com um time nojento, para a tristeza dos nossos alunos da quarta série. 

Troféu Craque Neto: 40% do site em “A neve é boa para o Colts”

Completamente empolgados e cegos pelo clubismo após uma vitória no Wild Card contra os Texans, nossa dupla de sofredores Diego Vieira & Rafael Baltazar já CANTAVAM VITÓRIA CERTA quando as notícias de que o jogo da rodada divisional contra o Kansas City Chiefs seria debaixo de neve. Não somente o ataque de Patrick Mahomes passou o carro por cima da defesa dos Colts, o ataque terrestre comandado por Marlon Mack aparentemente não embarcou para o Missouri, e jogo no Arrowhead Stadium ainda ficou marcado como o CANTO DO CISNE da carreira de Andrew Luck. Ainda dói. E vai doer por bastante tempo.

Troféu Dave Shula: Hue Jackson em “Hard Knocks”

Já diria o sábio: respeito se conquista. Hue Jackson decidiu ir por caminhos contrários quando resolveu ignorar todas as sugestões de seu staff durante o training camp simplesmente para mostrar QUEM É QUE MANDA. Não continuou mandando muito tempo, mas deixou memórias que jamais iremos esquecer.

Troféu Jamarcus Russell: Hayden Hurst

Não conseguimos justificar, afinal Hayden Hurst sequer existe. E assim nasceu a justificativa perfeita para o vencedor deste ano.

Troféu Trent Richardson: Kirk Cousins em “errado é quem esperava diferente”

3 ANOS 84 MILHÕES. 2 anos restantes, 56 milhões ainda por pagar. Depois de mandar uma previsão de 13-3 sem medo de ser feliz, o torcedor do Vikings e ex-membro da diretoria do site não vê a hora de que o contrato de Kirk Cousins acabe para que possa seguir sua vida fingindo que isso nunca aconteceu.

O QB com o primeiro contrato totalmente garantido da história da NFL, apesar disso, justificou a quantia no aspecto entretenimento: desde as atuações contra times de campanha positiva, as derrotas em primetime, até as discussões com colegas de equipe (Adam Thielen). Sabem os deuses da bola oval como, mesmo assim os Vikings ainda tinham chances de playoffs até o jogo em casa contra os Bears na semana 17, bastava vencer, mas quem depende de Kirk Cousins sabe o que acontece. E errado é esperar diferente.

Troféu Chuck Pagano: Bill Belichick colocando Gronk (in memoriam) como Safety na Hail Mary

Rob Gronkowski no fundo do campo para defender uma possível Hail Mary partindo da linha de 31 jardas do campo de defesa. Foi isso mesmo que Bill Belichick fez. O vídeo do lance fala por si.

Antes de sair relembre os vencedores da primeira edição!

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