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Análise Tática #3 – Eli Manning é o (segundo) mais idiota da rodada

Eli Manning é conhecido por ser um QB que costuma resolver nos momentos decisivos. De acordo com o site Pro Football Reference, Eli é o segundo quarterback em atividade com mais viradas no último quarto. Desde 2004, quando estreou na NFL, foram 28 viradas no quarto período, atrás apenas de Tom Brady, com 37. Quando o busto de Elisha Nelson Manning for colocado no Pro Football Hall of Fame, em Canton, Ohio,  o que virá à mente são duas performances espetaculares no último quarto de dois Super Bowls, quando levou o New York Giants a duas viradas contra o New England Patriots.

O que aconteceu no último domingo, porém, não será digno de menções no futuro. Eli foi, provavelmente, o grande responsável pela derrota do Giants para o Washington Redskins. No jogo que marcava o reencontro do WR Odell Beckham Jr e do CB Josh Norman, que quase se mataram dentro de campo na temporada passada, o destaque negativo foi Eli Manning. Com leituras equivocadas, passes forçados e TDs fáceis perdidos, Manning foi decisivo para o resultado final.

Analisamos três jogadas que aconteceram no último quarto que mostram por que o New York Giants não conseguiu sua terceira vitória na temporada.

Odell Beckham COMPLETAMENTE LIVRE para o TOUCH… NÃO:

A primeira jogada do último quarto foi uma play action em que Eli Manning teria três rotas de WRs à disposição. Odell Beckham, na parte de baixo da tela, era o único recebedor com rota em profundidade. O Safety do Washington Redskins posicionado na linha de 35 jardas iria para blitz, enquanto Josh Norman, marcando Odell, se deslocaria para o meio do campo.

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Com a jogada em andamento, percebemos que o Safety que foi para blitz não chegou nem perto de Eli e que Josh Norman deixou Odell Beckham completamente sozinho. Eli Manning, porém, jamais olhou para o seu lado esquerdo enquanto Beckham entrava em completo desespero pedindo a bola.
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No momento do passe, é possível perceber que Odell estava completamente livre e seria um TD fácil. Eli Manning acabou completando o passe para Sterling Shepard, no meio do campo, porém perdeu o que seria um touchdown de 75 jardas e o primeiro de OBJ na temporada.

Passe forçado (e interceptado) #1:

Mesmo com a oportunidade perdida, o Giants seguiu avançando. Algumas jogadas depois, no mesmo drive, Eli já estava na redzone de Washington. No shotgun, Eli percebeu que Washington mandaria blitz e pediu a proteção do RB Shane Vereen.

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Washington mandaria blitz com sete jogadores, deixando os quatro recebedores com marcação individual. Mesmo enfrentando a tentativa de pressão da defesa, Eli teve o pocket praticamente limpo.

Victor Cruz e Sterling Shepard, no alto da tela, tinham rotas cruzando o campo e tinham uma certa separação dos defensores. O problema é que Eli não estava muito disposto a procurar alvos livres e focou no TE Will Tye, bem marcado, na parte de baixo da tela.

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Enquanto Vitor Cruz estava a cinco jardas do defensor mais próximo, Manning forçou o passe para Tye; ele não conseguiu brigar pela bola, que acabou interceptada.

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Por outro ângulo, é possível perceber claramente que o marcador tinha uma visão muito mais clara do que estava acontecendo e acabou levando vantagem.

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Passe forçado (e interceptado) #2:

Na última jogada da partida, precisando de um field goal para vencer, o Giants colocou em campo uma formação 11, ou seja, com 3 WRs, 1 TE e 1 RB. O WR no slot e o TE, ambos no meio do campo, tinham rotas em profundidade. Victor Cruz e Odell Beckham rotas comeback nas laterais. Washington mandou apenas um LB para blitz.

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Todos os recebedores tinham marcação individual, com um Safety no fundo do campo fazendo a leitura da jogada. Assim como na primeira interceptação, Eli Manning não esperou a jogada se desenvolver e forçou um passe para o RB Shane Vereen, com rota cruzando o campo.

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O passe foi tão telegrafado que o defensor não teve dificuldades em adiantar a jogada e fazer a interceptação. TODOS (nota da edição: O CADU) nós te amamos, Elisha, mas pare com isso, por favor.eli11

BÔNUS

Read Option é uma jogada em que o QB recebe o snap, faz a leitura da defesa e decide se fica com a bola, se entrega para o RB ou mesmo se faz um passe rápido. Esse tipo de jogada, como o próprio nome já diz, é baseada em OPÇÕES. A falta delas não parece afetar Blaine Gabbert. Flagramos o QB do San Francisco 49ers fingindo que entregaria a bola para um RB que só existe em sua imaginação e ainda sair correndo surpreendido para 1 jarda. Lamentável, Blaine.

Destinados à decepção: quanto maior a expectativa, maior o tombo

Era algo que não esperávamos, mas a verdade é que Kirk Cousins impressionou em seu primeiro ano como quarterback titular do Washington Redskins; com ele foram nove vitórias e sete derrotas, além do título da NFC East. O que mais chamou a atenção, porém, foi que tudo ocorreu de maneira despretensiosa, afinal, no início desta história, ninguém em sã consciência acreditaria que ele levaria o Redskins tão longe.

De qualquer forma, exceto por um ou outro motivo esquecível, como ajoelhar na bola a cinco jardas do touchdown ou ainda a explosão que viralizou (“You like that?”, amigos?), Kirk raramente esteve próximo das manchetes ou de declarações desagregadoras: seu jogo falou por si só e, ao menos parece, era o que ele buscava. E é o que ainda diz buscar.

Gostaria de ser o San Antonio Spurs da NFL”, disse Cousins recentemente em entrevista à NBC. “Seja entediante e talvez, ao final da temporada, as pessoas apenas pensem ‘eles tiveram um bom ano’. E em nenhum momento precisamos falar sobre isso”.

A busca por um modelo de gestão consagrado é justificada e o espelho para o Redskins não poderia ser melhor: ano após ano o Spurs é um dos melhores times da NBA e levou cinco títulos desde 1999, além de marcar presença na pós-temporada consecutivamente desde 1998.

Há, no entanto, alguns poréns: enquanto San Antonio se restringe as quadras, nos últimos anos, Washington tem vivido em ebulição constante, ocupando o noticiário mais por polêmicas extra campo do que pelos resultados conseguidos nele.

Não preciso me promover. Temos muitas pessoas aqui são boas o suficiente no que fazem. Só quero jogar football, não quero me preocupar com outra coisa: se você ganhar seus jogos, o resto é consequência. É uma receita simples”, pondera o mesmo Cousins.

O fato é que, em qualquer grande liga norte-americana, muitos usam San Antonio como modelo. E a mudança entre como o Spurs deixou de ser o “time que todo mundo odeia” para exemplo de “gestão e basquete bem jogado” deixa claro os motivos deles estarem no topo há tanto tempo: sempre elogiamos a escolha de um projeto a longo prazo e ideia de transpor o modelo pode soar tentadora, mas o Redskins tem alguém como Tim Duncan disponível para construir um projeto ao seu redor? Há um Manu Ginobili em início de carreira FedEx Field? A teoria parece simples, mas a verdade é que todo este sistema depende de algumas peças bem difíceis de se encontrar. E depende, sobretudo, de talento.

O lado bom

Os números de 2015 de Kirk Cousins são os melhores da franquia: 4166 jardas, 379 passes completos (69,8%). O mais importante é que tudo indica que Kirk aprendeu a proteger a bola – algo de que ele parecia muito longe em seus primeiros anos na NFL: foram apenas 11 interceptações e 4 fumbles. Ele também foi mais eficiente ao escapar de sacks que seu antecessor. Números estes que fizeram o Redskins a usar a frachise tag em Cousins.

Também é inegável que Kirk tem bons alvos a sua disposição: o TE Jordan Reed liderou Washington em recepções (87), jardas (952) e touchdowns (11) em sua terceira temporada. DeSean Jackson se destacou em rotas longas, com média superior a 17 jardas por recepção e Pierre Garçon, apesar da idade, ainda se mostra confiável.

A dúvida paira sobre o jogo corrido: Matt Jones, após um bom ano como rookie, assume a responsabilidade do jogo terrestre substituindo o veterano Alfred Morris – outro que deixou a equipe foi o fullback Darrel Young. Como Jones irá reagir dirá muito sobre as pretensões do Redskins na temporada.

Já o meio termo está na linha ofensiva: se a linha ofensiva não é extremamente confiável, ao menos deixou de feder. O LT Trent Williams, quatro vezes selecionados para o Pro Bowl, continua a ser sustentação do sistema, enquanto LG Brandon Scerff, quinto selecionado no draft de 2015, foi brilhante em sua temporada de estreia.

GLENDALE AZ, OCTOBER 12: Washington quarterback Kirk Cousins (8), left, sits with injured quarterback Robert Griffin III (10) on the bench very late in the 4th quarter as the Arizona Cardinals defeat the Washington Redskins 30 - 20 in Glendale AZ, October 12, 2014 (Photo by John McDonnell/The Washington Post via Getty Images)

Cousins também pode ter problemas essa temporada porque perdeu seu segurador de prancheta.

O lado não tão bom

A outra grande história que gerou muita expectativa na offseason em Washington foi a chegada de Josh Norman, dando-lhe rapidamente um mega-contrato de 5 anos que poderá valer até 75 milhões de dólares – um contrato que os Panthers, seu ex-time, não tinha intenção de oferecer, o que talvez fale um pouco sobre quão duvidosa é essa contratação.

De qualquer maneira, o cornerback Norman, que complicou a vida de quase todos os wide receivers que enfrentou no ano passado, deverá melhorar imediatamente a secundária ao lado de Bashaud Breeland, DeAngelo Hall (que trocou de posição e jogou razoavelmente como safety) e Duke Inehacho. Mais reforços também foram trazidos: Greg Toler, que era apenas mediano nos Colts, e Kendall Fuller, que era cotado para a primeira rodada do draft, mas caiu para a terceira por ter sofrido uma micro fratura no joelho – se estiver saudável, será com certeza um grande reforço, mesmo que CBs novatos demorem a se desenvolver.

A frente deles, o rookie Su’a Cravens foi trazido para tentar ajudar um corpo de linebackers que foi especialmente ruim em 2015 – ninguém parecia adequado para jogar como inside LB. Além disso, Cravens deverá executar uma função híbrida de LB/S, fazendo uma ligação entre os dois extremos da defesa e colaborando contra a corrida e o jogo aéreo.

Junto a ele estarão Preston Smith, agora mais maduro após um ano de estreia eficiente (foi inclusive apontado como um dos melhores jogadores com menos de 25 anos pela NFL.com) e Ryan Kerrigan, talvez finalmente jogando uma temporada inteira saudável (ele atuou em parte da passada com a mão quebrada) e com um novo contrato, buscando melhorar um pass rush que conseguiu apenas 38 sacks ano passado – sem conseguir pressão suficiente.

Por último, a linha defensiva perdeu provavelmente o seu melhor jogador em Terrance Knighton, que foi para New England – por pura falta de esforço da diretoria de Washington. Assim, sobraram Trent Murphy, que mudará de posição e começará a correr atrás dos QBs partindo com a mão no chão (depois de dois anos como OLB) e Chase Baker pelas laterais, enquanto Knighton será substituído por outro gigante no nose tackle Kendric Golston, mas bem menos habilidoso: não é um bom cenário.

Sep 27, 2015; Charlotte, NC, USA; Carolina Panthers cornerback Josh Norman (24) celebrates after intercepting a pass in the fourth quarter against the New Orleans Saints at Bank of America Stadium. Carolina defeated the Saints 27-22. Mandatory Credit: Jeremy Brevard-USA TODAY Sports

Ok, Odell, olhamos para essa carinha e também temos vontade de dar uma cabeçada.

Palpite: podemos acreditar que Cousins repetirá o feito incrível do ano passado? E Josh Norman é realmente um craque ou apenas mais um que é produto de um bom esquema de jogo? De qualquer forma, parece que os Giants fizeram bem mais para evoluir, enquanto os Redskins parecem destinados a repetirem o 9-7 do ano passado. Mas, dessa vez, sem playoffs.