Posts com a Tag : Washington Redskins

A terceira (e última) chance

Tirando alguns poucos idosos que insistem em, vez ou outra, aparecer no Twitter PickSix para dar palpite e relembrar que acompanham os Titans desde 1992, quando eles ainda sequer existiam (acho), alguns de nós somos parte da primeira geração a acompanhar NFL – pelo menos, a primeira a ver insistentemente (mesmo perdendo com uma constância absurda) e consumir informação diária sobre a liga americana. Aceitemos, tudo isso começou há, no máximo, 9 ou 10 anos.

E talvez uma das intrigas mais impressionantes, um daqueles círculos fechados do qual lembraremos em 2036 esteja se formando em 2018: um dia diremos com saudades, “ah, que grande besteira eles fizeram, como a NFL era legal e a XFL hoje é sem graça”. Bom, os Redskins, que não são relevantes para muita coisa desde aquela troca épica com os Rams, são parte dessa história.

A melhor parte é que não falaremos de RG3 aqui porque é hora de SEGUIR EM FRENTE. Tudo começa, na verdade, na falta de fé em Kirk Cousins, que lucrou 300 trilhões com três franchise tag (que poderiam ter aparecido como garantia em um contrato de 5 anos), para ser substituído por Alex Smith, que também ganhará uns bons milhões em fim de carreira – às vezes, é fácil esquecer que Smith tem o mesmo tempo de liga que Aaron Rodgers.

LEIA TAMBÉM: Você gosta disto, Redskins?

Mas Smith só estava disponível no mercado, mesmo após uma temporada de quase-MVP – mais sobre isso à frente – porque o seu time, os Chiefs, investiram muito no draft para pegar Pat Mahomes, um “braçudo lá” que o time acredita que trará mais verticalidade ao ataque, enquanto Smith foi o cara com mais jardas em passes longos em 2017 (muito bom se livrar de Todd Haley).

Esse texto havia prometido um círculo, certo? Pois não paramos por aí. Os Chiefs gastaram muito na troca no draft de 2017 porque precisavam estar na frente dos Saints, que teoricamente via em Mahomes o QB do seu futuro, substituto de Brees.

E na última quarta-feira, como não conseguiu selecionar Mahomes, os Saints arrumaram outro que pode ser o substituto de Brees quando ele seguir rumo à aposentadoria: Teddy Bridgewater, ex-QB dos Vikings, cujo joelho assustou Rick Spielman, que resolveu buscar uma alternativa mais segura e teoricamente confiável em Kirk Cousins, saído dos Redskins – que acredita que Alex Smith é realmente quem pode levá-los ao Super Bowl.

Alex Smith

A história de vida de Smith já conhecemos (mesmo que pareça bizarro imaginar que o jogador já tenha 14 temporadas na liga) – e já é a segunda vez na sua carreira que, quando parece que ele chegará ao topo e se tornará um QB sólido e inquestionável, a vida lhe puxa o tapete. Em seu tempo de Chiefs, somente Wilson e Brady ganharam mais jogos, mas o tombo veio até antes da temporada com Pat Mahomes, duvidando da possibilidade de Alex chegar lá como os grandes – mesmo que o QB claramente tenha sido um dos melhores da temporada passada, especialmente no início, lançando apenas 1 INT e 18 TDs antes da bye.

Obviamente, é válido lembrar que poderes sobrenaturais de ganhar títulos são mera especulação – apesar de todos sabermos que também são a mais pura realidade; ou, como melhor dizem os espanhóis: “eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem”.

Como sempre, entretanto, tem alguém (normalmente algum bobo) que compra o resto dos outros: Washington investiu Kendall Fuller (um bom CB), uma escolha de 3ª rodada e 94M ao longo de 5 anos (barato, para os padrões atuais), com 71 milhões que basicamente garantem que Smith se aposentará na capital.

A esperança é de que essa aposentadoria seja acompanhada de resultados históricos, mantendo a consistência que o pintou como um jogador até conservador, mas conquistando o grande número de TDs que conseguiu em 2017 (26, máximo na carreira) e o grande desempenho nas bolas longas; inclusive 30% das suas jardas (4.042, também máximo na carreira) vieram através de lançamentos longos para Tyreek Hill e cia.

VEJA TAMBÉM: Alex Smith como você nunca viu

Aos 34 anos, Smith parece ter descoberto como jogar o seu melhor football e, no seu terceiro time, tem novamente a oportunidade de se mostrar a solução e um grande QB da liga. Resta assistir e acompanhar se, ao contrário do que acreditaram as grandes mentes ofensivas dos últimos anos da NFL em Jim Harbaugh e Andy Reid, Alex terá capacidade de elevar a capacidade dos seus companheiros de ataque e apoiar o trabalho de uma defesa que ainda passa um sentimento que não alcança ainda o nível das top da NFC.

O WR de 40 milhões de dólares

Paul Richardson. Esse é o homem que é pago para ser o principal alvo de Alex Smith pelos Redskins – levando em consideração que não sabemos direito de onde ele saiu, afinal o seu despertar das luzes para o resto da NFL (703 jardas, 6 TDs pelos Seahawks) não foi grande coisa, parece muita responsabilidade e pressão no jogador, mesmo que os 40M de dólares sejam distribuídos ao longo de 5 anos.

Para dividir as atenções, Jamison Crowder, queridinho de Kirk Cousins, tem produção parecida com a de Richardson. Talento de verdade temos nos frequentadores do DM da equipe: Jordan Reed, TE que ainda não jogou na pré-temporada, e Josh Doctson, que mesmo tendo passado 2017 saudável, não justificou a sua posição de titular, recebendo apenas 35 passes (e precisa fazer mais do que isso para parar de ser xingado por nós – não que ele esteja preocupado, claro).

Ao lado de Smith, ainda não está bem definido quem carregará a bola pelo gramado: Samaja Perine liderou o time em jardas corridas em 2017, mas com uma média de 3.4 jardas por corrida; Chris Thompson é uma opção mais sólida para o jogo aéreo; e Darrius Guice, escolhido no segundo round, estourou o joelho ainda no training camp. De quebra, até o fim da escrita desse texto, o time ainda tinha Adrian Peterson no roster, o que só adiciona mais drama – caso ele fique, muito mais do que potencial.

LEIA TAMBÉM: Adrian Peterson: o que foi e o que poderia ter sido

De alto nível mesmo, é válido apontar a linha ofensiva: Trent Williams e Scherff são eternos pro bowlers; Morgan Moses e Shawn Lauvao são titulares sólidos há anos, inclusive com contratos longos para garanti-los ali; e Chase Roullier, da sexta rodada do draft de 2017, já se garantiu como Center titular e não deve ser tirado do posto.

A defesa sem Kendall Fuller

Kendall Fuller, empatado com o safety D.J. Swearinger, foi o que mais produziu interceptações na defesa, com 4 cada – e, especialmente enfrentando recebedores no slot, deverá fazer falta, já que era um excelente complemento para Josh Norman, eterno marcador em zona. Além disso, uma secundária que teve um bom 2017 também viu Bashaud Breeland, o CB que complementava a marcação em nickel, partir. Os substitutos deverão ser Fabian Moreau e Quinton Dunbar, mas ainda fica a dúvida sobre quem jogará no slot, uma posição tradicionalmente difícil.

A estrela do front seven é Ryan Kerrigan, que produziu 13.5 sacks em 2017 e nunca menos de 7.5 na carreira. Preston Smith seguiu evoluindo em 2017 e é um bom complemento para Kerrigan; de quebra, a equipe ainda adicionou Pernell McPhee, chutado pelos Bears por não corresponder ao grande contrato que recebeu, mas ainda assim útil para uma rotação.

Direto do draft, a linha defensiva conta com a adição de Da’Ron Payne para abrir espaços, segunda vez seguida que Washington investe uma alta escolha em sua linha; em 2018, Jonathan Allen busca ficar saudável ano para usar todo seu potencial.

Palpite:

O time não parece ter qualquer chance de desafiar Philadelphia pelo título da divisão a menos que Alex Smith consiga fazer mais do que produziu em 2017, e durante a temporada completa – isso enquanto a defesa evolui um nível mesmo perdendo peças. Entretanto, como dessa liga tudo podemos esperar e sempre nos surpreendemos, Washington talvez seja um time que valha esperar um pouco para ver, mesmo que saibamos que, na maioria das vezes, o benefício da dúvida acaba em frustração ou fracasso.

Podcast #6 – uma coleção de asneiras VI

Trazemos as análises mais acertadas do mundo sobre o último dia de trocas na NFL. E, de brinde, apresentamos algumas trocas que não aconteceram, mas gostaríamos de ter visto.

Em seguida, voltamos com o #spoiler: dessa vez, quais jogadores vencerão os prêmios de MVP, Defensive Player of the Year Offensive Rookie of the Year. Já pode fazer suas apostas que o dinheiro é garantido.

Depois abrimos espaço para cada um destacar uma pauta que chamou a atenção nessa temporada – inclusive uma tentativa medonha de defender o Cleveland Browns (!!!). Por fim, damos as tradicionais dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas semanas. Só jogão.

Kirk Cousins: você gosta disso, Redskins?

Antes de entrarmos nessa discussão é preciso ter consciência de que salários de quarterbacks raramente fazem sentido, sobretudo porque a própria realidade da NFL raramente permite que eles sejam pautados pela lógica. Lembre-se: Jay Cutler recebeu mais dinheiro garantido na assinatura de sua renovação com o Bears do que contrato vigente de Aaron Rodgers. Mais que os mesmos aproximados US$ 30 milhões que estão pingando na conta de nomes como Matt Ryan, atual MVP, e Alex Smith, futuro MVP. Não podemos esquecer também que Brock Osweiler já fez muito, muito dinheiro.

O fato é que, muitas vezes, os melhores quarterbacks são ridiculamente mal pagos em comparação com jogadores abaixo da linha de mediocridade, mas que calharam estar no lugar certo, na hora certa. Um jogador, porém, pode alterar novamente a perspectiva dessa mercado: Kirk Cousins. Talvez não esteja exatamente no lugar certo, mas seu contrato, mais uma vez, acabará na melhor hora – ao menos para ele.

Cousins é um Teste de Rorschach (“o que você vê neste borrão, caro amigo?”) em forma de quarterback: ainda há um debate constante sobre o quão bom ele realmente é. Claro, você pode enxergá-lo da forma que lhe convir, mas sua opinião final revelará muito mais sobre como você enxerga o football e a NFL atual, do que sobre o talento do QB do Redskins. Kirk é um quarterback capaz de vencer na pós-temporada? Ou é um mero produto de estatísticas que apenas evidenciam que passar para mais de 4 mil jardas já não é algo mais tão extraordinário?

Afinal, lembre-se: Andy Dalton tem mais temporada de 4 mil jardas do que John Elway e Joe Montana somados – hoje, qualquer QB com o mínimo de coordenação motora é capaz de esticar o campo e produzir números capazes de impressionar.

Um bom malandro, conquistador…

Oferta e demanda

O preço a se pagar por um bom quarterback aumentou consideravelmente conforme a importância de um bom quarterback dentro de campo também cresceu (menos em Jacksonville, mas lá a coisa é meio louca mesmo). E se antes a posição já era considerada de forma quase unânime a mais importante entre todos os esportes, em algum momento ela se tornou ainda mais importante.

E antes de Matthew Stafford, nesta última offseason, Derek Carr já havia quebrado o recorde de maior contrato da NFL – que Andrew Luck, indiscutivelmente mais talentoso que ambos, quebrara em sua renovação mais recente.

Contexto é fundamental para um QB conseguir um contrato de seis dígitos e, goste você ou não, Cousins atingiu o topo da lei de oferta e procura nas duas vertentes do mercado: mesmo que não seja um cenário dos sonhos, Kirk é bom o suficiente para qualquer boa equipe. Do outro lado da moeda, para franquias que insistem em maltratar nossos olhos, ele alcançou o melhor status possível: simplesmente está disponível.

Um sonho de verão na capital

Mesmo que o futuro de Kirk tenha sido debatido a exaustão durante a última offseason, todos sabíamos que ele não acabaria em lugar algum além de Washington: os US$ 24 milhões de sua franchise tag soaram como decisão óbvia em um liga onde Mike Glennon é considerado um free agent de US$ 15 milhões e, bem, não vamos lembrar quanto o Houston Texans “investiu” em Brock Osweiler.

Lógico, fãs de football, sobretudo do Washington Redskins, podem considerar o valor exorbitante, mas jogadores como Kirk são caros porque se provaram extremamente confiáveis – e quase nunca estão disponíveis. O próprio Redskins, por exemplo, não escalava o mesmo quarterback por quatro temporadas desde 1993. Quem quebrou esse cenário de incertezas? Kirk, titular indiscutível desde as últimas seis partidas da temporada de 2014.

Também é compreensível demonstrar certo receio em distribuir valores entre US$22 e US$27 milhões ao longo de cinco temporadas – a receita básica e usual para destruir um salary cap – se você não tem a absoluta certeza de estar diante de um quarterback cujo a habilidade é capaz de preencher grande parte das falhas em um elenco com seu talento.

Mas após dois anos de ótimas atuações, Kirk tem mostrado esse talento, sobretudo em um Washington Redskins já plenamente moldado ao seu estilo de jogo – agora restam pouco mais de dois meses para a franquia encontrar a certeza que está diante de seu futuro.

Controlando as ações

Joe Banner, com passagens em cargos gerenciais em franquias como Eagles, Browns e Falcons, afirmou recentemente ao Washington Post que nunca viu um atleta com tanto controle sobre as negociações e seu futuro quanto Kirk: ele simplesmente não precisa assinar com o Redskins por menos que um contrato enorme que o fará, ao menos durante próximo verão, o quarterback mais bem pago da NFL.

É uma alteração significativa em todo o sistema econômico de uma liga multimilionária: Kirk Cousins será o FA mais cobiçado desde Peyton Manning em 2012. Sim, você leu isso. O “porém” é que, além disso, o contexto em que Cousins está inserido é melhor que o de Manning há cinco anos: ele estará completando 30 anos, o que o fará assinar o maior contrato da história ou obrigará o Redskins a usar a franchise tag novamente, dessa vez por algo em torno de US$34 milhões (!).

Os reflexos em toda a NFL serão diretos: considere que a média salarial de Aaron Rodgers é, hoje, algo em torno de US$22 milhões. Parece óbvio, então, que qualquer renovação com um nome de seu calibre seja pautada por um cenário em que ele receba ao menos US$ 30 milhões anuais – ao menos em um mundo onde Kirk está tendo seus vencimentos nesta faixa.

Ao Redskins, só há um cenário em que sua situação pode melhorar (pouco) diante de todo o contexto: os números de Kirk em campo diminuírem significativamente. Mesmo assim, Cousins seguirá no controle: ele sabe que a taxa de sucesso para quarterbacks selecionados na primeira rodada do Draft gira em torno de 50% – e talvez o próprio Washington ainda esteja curando as feridas da escolha gasta com o RGIII (descanse em paz). E caso a franquia deixe Kirk escapar, precisará mergulhar na free agency, um território em que eles sabem que nunca encontrarão alguém como Kirk; o mesmo território em que Mike Glennon conseguiu encontrar alguém para depositar US$ 16 milhões em sua conta bancária (#dabears).

Kirk terá ainda muitos pretendentes; se o 49ers, agora comandado por seu antigo coordenador, Kyle Shanahan, parece o favorito e o cenário ideal (não mais pois Cousins perdeu a disputa para um QB mais bonito), é preciso considerar que há muitas equipes além de San Francisco com espaço disponível para pagar o que Cousins pretende receber; o Jets, por exemplo, terá mais de US$56 milhões livres em seu salary cap.

You Like That?

Claro, alguns QBs poderiam conseguir um bom nível de sucesso em Washington, mas não há garantia alguma de que deixar Kirk partir traria um deles para o Redskins. E, independente da forma como esta temporada termine – parece difícil chegar aos playoffs em um cenário em que o Eagles mantenha o nível e já com duas derrotas para o rival direto – a decisão de Washington para o próximo ano se resumirá a o quão confiante a franquia está em seu sistema ofensivo, e se ele por si só é capaz de transformar qualquer quarterback em um atleta que funcione dentro da estrutura já existente.

Por ora, Cousins pode pensar em pedir o quanto quiser, mas sua melhor arma para conseguir o maior contrato da história é continuar mostrando que pode transformar o ataque aéreo de Washington em um dos mais eficientes da NFL – em uma liga em que Joe Flacco está recebendo US$25 milhões para lançar passes de 3 jardas, talvez a melhor alternativa seja dar a Kirk o valor que ele realmente merece – ou que o mercado diz que ele merece. 

Show me the money!

Semana #7: os melhores piores momentos

A NFL segue se mostrando cada vez mais estranha. Os jogos de quinta-feira estão sendo os mais divertidos, Joe “Iron Man” Thomas (conversou conosco, nunca esqueceremos) se machucou e o Piores Momentos da Semana voltou a sair na terça-feira. Agora que já cumprimos o requisito do editor de sempre introduzir os textos com algo, vamos ao que interessa:

1 – Defesas passando vergonha

Miami Dolphins e Indianapolis Colts. Quem diria.

1.1 – Miami Dolphins

A cabeça até doeu contando quantos defensores perderam o tackle. Paramos em 73.

1.2 – Indianapolis Colts

“O time está mal por que Andrew Luck não joga”, disse o iludido torcedor.

2 – O pior onside kick da história

Alguém avise o rapaz que a bola só precisa viajar 10 jardas. E é ideal também que ela suba.

3 – Kelvin Benjamin 

Você sabe o que é awareness? Entenda o significado da palavra ao ver um exemplo de um rapaz que não o tem. Aparentemente Kelvin Benjamin ficou paralisado por ter feito uma boa jogada (não mostramos ela de propósito – ele não merece). Ainda bem que o juiz estava lá para ajudá-lo.

Preste atenção no relógio e no momento do jogo.

4 – Jeff Heath, verdadeiro herói americano

Quando Dan Bailey se machucou, o Safety Jeff Heath assumiu os kickoffs Extra Points dos Cowboys, e o resultado vai te surpreender. Infelizmente ele não teve a oportunidade de chutar um Field Goal de 47 jardas para se consagrar ainda mais.

5 – Imagens que trazem PAZ

Até hoje não sabemos pAra quem.

5.1 – Trabalhe pra NFL, eles disseram. Vai ser divertido, eles disseram.

A sensibilidade de Mike Evans é comovente. Ele se preocupa apenas em mostrar que pegou a bola.

Strike

5.2 – Khalil Mack

Especialista em fazer os outros passarem vergonha.

5.3 – Ainda sobre verdadeiros heróis nacionais

Repare como o nosso ídolo sequer derruba o copo.

5.4 – Le’Veon Bell 

Nosso amigo @oQuarterback disse tudo.

6 – Jimmy Graham 

Não gostamos dele e não escondemos de ninguém (ver: http://picksix.com.br/podcast-4-uma-colecao-de-asneiras-iv/). Deixaremos as imagens falarem por si só.

6.1 

6.2 

7 – A saga de um torcedor dos Colts

Estragar um carregador. Atropelar o seu celular. Lançar o seu celular no campo. E essa nem é a pior parte. Acompanhe esse emocionante relato de um sofredor.

8 – Prêmio Dez Bryant da Semana

O prêmio que premia o jogador de nome que, quando você mais precisa dele, desaparece. Lembre-se disso quando pensar em criticar a escolha da semana.

TY Hilton. Sempre evito colocar WRs aqui sem que eles recebam muitos targets – é o caso de TY. Mas depois de duas semanas com jogos medíocres (menos de 50 jardas no total), ele se tornou um forte candidato. Então ele resolveu botar a culpa de sua ineficiência na linha ofensiva. Assim levou o Troféu Dez Bryant para casa. Parabéns!

Foda certas situs.

Você pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

Podcast #5 – uma coleção de asneiras V

Voltamos com o tradicional #spoiler: equipes relevantes (e o Tennessee Titans) que não vão para os playoffs em 2017.

Depois discutimos qual equipe assistiríamos se só pudéssemos acompanhar um time até o final da temporada – graças a Deus não acontecerá.

Em seguida, trazemos algumas proposições que sequer acreditamos, mas nos obrigamos a explicar porque é verdade – não sabemos porque fizemos isso.

E, no final, como já é comum, damos dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas duas semanas!

 

Semana #4: os melhores piores momentos

A cada semana que passa, percebemos que não entendemos nada sobre futebol americano. A única certeza é que a NFL continua nos brindando com momentos grotescos para manter essa coluna – uma das poucas instituições que ainda funcionam no Brasil – de pé.

1 – Começando com o pé direito (mais uma vez): o Thursday Night Football

Football Starts Here é o slogan do jogo de quinta-feira a noite. Em uma adaptação livre, acreditamos que Bad Football Starts HereO último jogo, claro, não foi diferente. Mike Glennon mostrou porque sua melhor característica como QB é ser alto.

2 – Ainda sobre jogadas estranhas de gente estranha.

Admita, Travis Kelce é, sim, um cara estranho. Estranho, mas com sorte.

3 – Jimmy Graham: até quando?

Graham é overrated, mas não é ruim. Porém os Seahawks abriram mão de um dos melhores Centers da liga (que viria a calhar no meio daquele bando de retardados que eles chamam de linha ofensiva) e de uma escolha de primeira rodada para adquiri-lo junto aos Saints. Ele até já fez algumas jogadas aqui e acolá, mas, em meio a lesões, Jimmy também protagonizou momentos como os de domingo, em que as duas INTs de Russell Wilson foram em passes na sua direção. Veja uma delas aqui, e a outra, gerada por um drop de Graham, abaixo.

4 – Imagens que trazem PAZ.

4.1 – Eli Manning correndo

Uma mistura de tartaruga manca com tijolos nos pés. Por algum motivo, deu certo.

4.2 – Blake Bortles correndo

Sabemos que Blake não possui as melhores capacidades cognitivas do mundo, e ele deixa isso bem claro quando vai pra trombada ao invés de sair de campo. Em um universo paralelo, ele é um gênio. Ao menos foi uma oportunidade única (para ele) de fazer um defensor passar vergonha.

4.3 – Malik Hooker <3

Porque o mundo merece ver isto. Esse stiff arm foi lindo demais (o adversário morreu, mas passa bem).

4.4 – Josh McCown

Josh McCown é um game manager, eles disseram. Ele não vai estragar tudo, eles disseram.

4.5 – As definições de “totalmente livre” foram atualizadas

Acabem com o New York Football Giants enquanto ainda há tempo.

5 – Gente errada no lugar errado

Jay Cutler e Matt Ryan no Wildcat. Porque ninguém nunca pensou nisso antes?

5.1 – Motivo um: 

5.2 – Motivo dois:

6 – Os intocáveis

Algumas defesas têm dificuldades com conceitos simples, como a ideia de que, para parar uma jogada, você deve derrubar o coleguinha.

6.1 – Bilal Powell

Porque a defesa de Jacksonville é a força do time.

6.2 – Giovani Bernard

Em Alabama isso não seria um touchdown, pelo menos não intocado após não fazer nada além de correr em linha reta.

7 – Chegando ao fundo do poço – e lá encontrando uma pá.

Marquette King é divertido, mas é só um punter, e punters, por natureza, são destinados a fazer pouca coisa. Insatisfeito com a forma como as coisas são, Marquette resolveu ter seu minuto de fama. “O campo tem 100 jardas… Eu só preciso de 11… Eu consigo!”, ele deve ter imaginado. Então decolou, por conta própria, para conseguir o 1st Down em um Fake Punt. Você já deve saber o resultado: não deu certo. Ainda descontente com o resultado, King descontou sua frustração jogando a bola no adversário. O que era pra ser um simples punt se tornou um pesadelo.

8 – Troféu Dez Bryant

Você já sabe: o troféu Dez Bryant é o único que premia aquele jogador de nome que desaparece quando você mais precisa dele.

Nessa semana, Amari Cooper com 2 recepções para 9 jardas em 8 (!!!) targets. Essa atuação inesquecível rendeu uma alfinetada em nosso Podcast e garantiu a Cooper o Prêmio Dez Bryant da semana. Parabéns, garoto!

Cena rara ultimamente.

9 – Bônus:

9.1 – O Pick Six Brasil ganha um inimigo

Porque se Josh Doctson tivesse segurado a bola não precisaríamos sortear um prêmio.

9.2 – O Pick Six Brasil ganha um amigo

Porque Blake Bortles não quer que tenhamos que sortear mais prêmios.

Você pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

PS: Gostaríamos de saber se esse modelo de post, com as imagens ao invés dos links, é mais interessante. Quem puder dar o retorno lá no Twitter será de grande valia. Amamos (mentira) todos vocês!

O grande dilema do capitão Kirk

Você provavelmente já ouviu isto nos últimos anos, mas aqui vamos nós mais uma vez: o Washington Redskins foi, novamente, um caos na offseason. E desta vez a confusão teve protagonista o então GM Scot McGloughan, demitido poucas semanas antes do draft e transformando a franquia em um prato cheio para especulações sensacionalistas – sobretudo quando Washington relutava em comentar a demissão, supostamente movida por problemas com álcool de McCloughan.

Tudo isto em uma franquia que foi capaz de vencer sua divisão em 2015 e disputou a primeira posição em 2016 até a semana final, perdida apenas após uma derrota para o New York Giants. Mas os problemas não se restringem apenas a demissão do seu então GM; eles passam também pela constante incerteza com o futuro de seu quarterback (pelo segundo ano consecutivo jogando com a franchise tag) e a partida de diversos integrantes chave da comissão técnica.

O “x” da questão

A questão Cousins, aliás, é um capítulo particular: Washington parece não ter certeza de que Kirk é o futuro da franquia – ao menos não proporcionalmente a sua pedida salarial. Dessa forma, ambos os lados seguem paralisados em meio a rumores de que o 49ers, agora sob o comando de Kyle Shanahan, seu antigo parceiro, seria o destino do quarterback – de qualquer forma, resta a certeza que uma eventual negociação com San Francisco terá que esperar até a próxima primavera.

O argumento do Redskins, de que Cousins não é um franchise quarterback (mesmo, repetimos, tendo jogado as duas últimas temporada com a franchise tag), soa um pouco contraditório: os números estão a favor de Kirk; o quarterback lançou para quase 5 mil jardas na temporada passada (exatas 4917), completando mais de 67% dos passes nos dois últimos anos (foram 7,7 e 8,1 jardas por tentativa em 2015 e 2016, respectivamente).

Somando os dois anos, Kirk teve 54 touchdowns e apenas 23 interceptações, ou seja, os números estão lá para confirmar seu talento, da mesma maneira que se pode afirmar que ele não teria conseguido tanto êxito caso não contasse com um excelente elenco de apoio ao seu redor. 2017, porém, pode trazer as respostas definitivas.

Ele é bom, caras.

Partidas e chegadas

Washington viu partir dois de seus principais recebedores durante a offseason: os WRs Pierre Garçon (San Francisco) e DeSean Jackson (Tampa Bay) procuraram novos ares. A perda de Jackson talvez não seja tão sentida, sobretudo pela adição de Terrelle Pryor na free agency.

Pryor será uma válvula de escape para que Cousins melhore o trágico aproveitamento na redzone – um QB durante o college, Pryor completou com sucesso sua transformação para WR em Cleveland, sobrevivendo a um ataque quase anêmico; foram 77 recepções para 1007 jardas pelo Browns.

Há ainda Jamison Crowder, que teve 67 recepções para 847 jardas e seis TDs em 2016. E é nele que deve estar a resposta para o sucesso do ataque aéreo de Washington – e, talvez por confiar em seu WR, o Redskins tenha deixado Pierre e DeSean partirem.

Pelo ar, Kirk contará ainda com o TE Jordan Reed, uma das melhores opções da NFL na posição quando saudável (vale lembrar que Reed nunca jogou uma temporada completa em sua carreira profissional) e Josh Doctson, escolha geral número 22 no draft de 2016 que teve uma temporada como rookie digna de esquecimento – Washington espera que agora ele efetivamente consiga estrear.

O foco, inegavelmente, será o jogo aéreo, já que as perspectivas de sucesso por terra estão a muitas jardas de serem animadoras – mesmo contando com uma excelente OL. Os RBs Robert Kelley e Samaje Perine competirão pelo posto de titular, enquanto Chris Thompson seguirá como terceira opção.

O cenário se torna assustador se você levar em conta que em uma equipe séria, Kelley, titular em Washington, seria a terceira opção – e não há indícios, seja na pré-temporada ou em seu passado na universidade, de que Perine se tornará algo próximo de um jogador minimamente relevante.

Vai que dá.

Não mais tão confiável

Há um ano, os Redskins concentram seus esforços no draft no setor ofensivo, o que lhes custou caro – algo como uma vaga nos playoffs em 2016. Na temporada passada, o sistema defensivo de Washington cedeu uma média de 377,9 jardas por partida; a quinta maior da NFL.

O DC Joe Barry e dois de seus assistentes foram demitidos por aquilo que se convencionou chamar de justa causa, e no draft de 2017 o Redskins investiu pesado no setor, selecionando nas três primeiras rodadas jogadores de defesa: o DE / DT Jonathan Allen, o OLB Ryan Anderson e o CB Fabian Moreau.

Allen chegou a ser cotado como melhor jogador universitário durante sua carreira, mas caiu para a escolha número 17 devido a algumas lesões – que, no entanto, não devem afetar seu desempenho. Além disso ele é exatamente o que o Redskins precisava após perder o melhor jogador de sua linha defensiva, Chris Baker, para Tampa Bay.

Já Moreau por muito tempo foi cotado como escolha de primeira rodada, mas despencou no draft devido a problemas de saúde. Se ele puder entrar em campo, porém, deve ganhar a vaga de Bashaud Breeland e formar uma boa dupla com Josh Norman.

Palpite: Você pode ter uma certeza: este ataque vai funcionar – desde que esteve sob o comando de Jay Gruden, Washington sempre liderou rankings ofensivos. Mas mesmo assim tudo pode dar errado enquanto as especulações sobre o futuro de Kirk Cousins continuarem. E, acredite, elas durarão até meados de janeiro. Ao menos para 2017, Kirk estará bem armado – mas as distrações e a falta de um jogo terrestre confiável farão com que, mais uma vez, eles nadem e morram na praia.

Um novo messias em Los Angeles

Sean McVay. Nessa altura do campeonato, você já deve ter ouvido seu nome algumas vezes no noticiário, afinal ele é o novo head coach da principal (eles são os donos do futuro estádio, não é) franquia da segunda maior cidade dos Estados Unidos: o fracassado Los Angeles Rams.

Após cinco temporadas abaixo de 50% de aproveitamento com o histórico Jeff Fisher, Stan Kroenke e cia resolveram inovar. E, por inovar, entendam de todas as maneiras possíveis: McVay é o HC mais jovem da história da NFL, com apenas 30 anos; quando ele nasceu, Jeff Fisher estava começando sua carreira como treinador. Além disso, Sean era também um ilustre desconhecido: seu trabalho na ascensão de Kirk Cousins era visível, mas se cruzássemos com ele na rua, provavelmente pensaríamos estar vendo Carson Wentz; se ouvíssemos seu nome, provavelmente pensaríamos em algum destes novos atores que surgem no Netflix – e desaparecem na mesma velocidade.

O início

Como é de se imaginar, Sean tem bons contatos no mundo NFL. Seu avô, John McVay, foi treinador do New York Giants no final da década de 70 (demitido após o primeiro “Miracle in the Meadowlands”). John também foi uma das peças principais do front office da dinastia que levou cinco Super Bowls em San Francisco – Sean, por outro lado, não era sequer nascido nas duas primeiras conquistas.

McVay cresceu em Atlanta e teve uma boa carreira no ensino médio, quando foi eleito jogador de ataque do ano da Georgia como QB e ainda jogou dois anos na Universidade de Miami (Ohio) até 2007, sem grandes aspirações a NFL. Novamente, para dar uma ideia de sua juventude: o último jogador com carreira na liga a sair desta universidade foi Ben Roethlisberger, draftado em 2004.

Tempo bom que não volta mais.

Assim que se graduou, conseguiu uma vaguinha como assistente em Tampa Bay, com o irmão daquele que lhe daria a grande oportunidade, Jon Gruden. No ano seguinte, foi trabalhar na extinta UFL, em um time em que Jay Gruden era coordenador ofensivo. Em 2010, foi contratado pelos Redskins como “assistente de treinador de tight ends” e, no final dessa mesma temporada, acabou promovido porque o responsável pela posição abandonou o cargo para virar HC de uma equipe de college football.

Dessa forma, com 24 anos, ele era responsável por um jogador como Chris Cooley, um veterano estabelecido três anos e meio mais velho que ele e em uma de suas melhores temporadas; a princípio, ele desconfiou das capacidades do jovem treinador, mas assim que Sean abriu a boca, Cooley acabou impressionado: “Aprendi mais sobre football em quatro semanas do que tinha aprendido em toda a minha carreira”.

Washington Redskins

Uma rápida pesquisa é suficiente para encontrar diversas declarações apaixonadas dos TEs que trabalharam com McVay. Jordan Reed, que teve grandes temporadas sempre sob a tutela do treinador, pediu especificamente para continuar realizando trabalhos individuais com ele quando Sean foi promovido a coordenador ofensivo entre a demissão de Mike Shanahan (e do treinador dos 49ers, Kyle Shanahan) e a contratação de Jay Gruden (em 2014).

Logan Paulsen, hoje nos 49ers, ressalta a facilidade que McVay tem de recordar nomes e tratar de maneira extremamente pessoal cada pessoa que trabalhava nos Redskins, desde outros treinadores às tias da limpeza. Essa mesma habilidade foi apontada por jornalistas que lhe entrevistaram durante o encontro anual de treinador em Phoenix: estudioso, conhecia e se referia a cada repórter pelo primeiro nome ao dar as respostas. O já citado Cooley, talvez seu maior fã depois do próprio pai, falava já no início de 2016 para quem quisesse ouvir que McVay ia ser head coach em 2017. A princípio, riram dele.

Entretanto, o novo treinador dos Rams não ganhou a sua posição por um bom trabalho com TEs. Talvez não por ter sido excepcional em suas duas entrevistas com o seu novo chefe – durante a qual Kevin Demoff, da diretoria dos Rams, enviou uma mensagem para Jon Gruden dizendo “meu deus, ele é igualzinho a você”.

Seu trabalho com Kirk Cousins, um jogador draftado na quarta rodada exclusivamente para ser reserva de RG3, levando ele ao nível que sempre se esperou alcançar com Griffin, foi o que lhe garantiu um novo emprego. Recordes consecutivos de jardas lançadas em Washington foram quebrados (4.917 em 2016), além de um rating de elite e 63 TDs ao longo de dois anos inteiro juntos, resultando também em mais de 40 milhões de dólares que Kirk recebeu com sua franchise tag dupla; como princípio de funcionamento do ataque, o objetivo era sempre ter Cousins em uma posição favorável de terceiras descidas.

Brothers.

É fato que muito se fala de Kyle Shanahan em San Francisco como destino de Kirk quando ele inevitavelmente não consiga o contrato que ele quer em Washington para continuar ali nas próximas temporadas; entretanto, seu sucesso realmente veio com McVay. Obviamente, o jovem treinador tem um desafio interessante em Los Angeles, mas se tudo der errado com Jared Goff, atenção a esse leilão em 2018.

O desafio Goff

Pouco preocupa a defesa dos Rams. Esse lado do time está muito bem resolvido ancorado pelo monstruoso Aaron Donald; melhor do que isso, McVay agiu rapidamente e contratou Wade Phillips (Texans, Broncos) para ser seu coordenador defensivo. Se alguma coisa vai mudar por ali, será para melhor. Isso dá uma boa base para um setor ofensivo que precisará fazer o mínimo para chegar longe, especialmente em uma NFC sempre tão disputada.

Todd Gurley também deverá voltar a jogar bem – é difícil acreditar que aquele talento do primeiro ano tenha desaparecido; é bem mais fácil botar a culpa em Jeff Fisher e sua incapacidade generalizada. O time também trouxe reforços para a linha ofensiva, como os veteranos Andrew Witworth, ex-Bengals, e John Sullivan, ex-Vikings – inclusive, dois dos três únicos jogadores que são mais velhos que McVay: o Rams é o time mais jovem da liga já há alguns anos.

Mas a eficiência do setor ofensivo passa pelo QB. O dos Rams, de quem já falamos aqui e zoamos sempre que possível, não é grande coisa. Na verdade, até o momento, provou ser um bust daqueles. Tentando observar por outra perspectiva, seus números podem equivaler-se àqueles que Kirk Cousins tinha antes de encontrar seu guru em McVay – como última curiosidade etária, se pode esperar ao menos que McVay se entenda bem com Goff, somente oito anos mais jovem que ele; Belichick, por exemplo, tem 25 anos a mais que Brady.

Novo no pedaço.

Além disso, não se deve riscar qualquer jogador depois de apenas sete partidas: sempre soubemos, Goff era um “projeto” a ser desenvolvido e não é culpa dele que os Rams tenham investido tudo o que investiram; eles não têm o direito de esperar retorno imediato.

De qualquer forma, não será por falta de trabalho da parte do treinador. Dormir entre 22h e 23h é comum para Sean, assim como acordar no dia seguinte às 4 da manhã. E, como brinca Chris Cooley, dá um soco no ar de animação para mais um dia de football. Esperemos apenas que Goff ou, vai saber, Sean Mannion ou algum outro desavisado que passe na frente do CT e saiba, realmente, lançar uma bola, não destrua todo este entusiasmo.

Robert Griffin III: do céu ao inferno, com escala em Cleveland

No dia 5 de Fevereiro de 2013, logo depois de uma das mais eletrizantes temporadas de um quarterback estreante na história da NFL, que inclusive lhe rendeu o prêmio de Offensive Rookie Of The Year, Robert Lee Griffin III convocou os técnicos do Washington Redskins para uma reunião. Griffin disse que era importante, mas se recusou a revelar o assunto. Compareceram à reunião o então head coach do Redskins, Mike Shanaham, seu filho e coordenador ofensivo, Kyle Shanahan, e o técnico de quarterbacks, Matt LaFleur. Com os técnicos na sala de reuniões do ataque, na sede do time, em Ashburn, Virginia, RGIII se dirigiu a um quadro negro e pediu que não fosse interrompido enquanto falava. No quadro, escreveu quatro tópicos:

“1 – Mudanças

2 – Mudanças na proteção (da linha ofensiva)

3 – Inaceitável

4 – Conclusão”

Griffin então passou a fazer diversas reclamações, apontando mudanças que considerava necessárias desde no esquema de proteção da linha ofensiva a jogadas que, de acordo com ele, deveriam ser excluídas do playbook, tudo com o apoio de vídeos que ilustravam seu ponto de vista. Quando chegou ao último tópico do quadro negro, RGIII disse que a conclusão era que ele era um pocket passer e não um quarterback corredor.

You like that, Robert?

You like that, Robert?

A cena, que foi relatada por Mike Shanahan e publicada em um artigo de Jason Reid, para o site The Undefeated, é tão surreal que é difícil acreditar que realmente aconteceu, principalmente por se tratar de um QB que tinha acabado de terminar sua primeira temporada.

Shanahan acreditava que a petulância de Griffin tinha apoio do dono do Washington Redskins, Dan Snyder, já que palavras usadas por Griffin na reunião, como “inaceitável”, eram usadas frequentemente por Snyder, que investiu muito alto em Griffin e pode ter se rendido aos seus caprichos. O possível apoio do dono não limita a incapacidade de Griffin de lidar com hierarquia e, muito menos, diminui a petulância do episódio. É importante lembrar que se trata da versão contada por Shanahan, que saiu de Washington depois do fracasso da segunda temporada de Griffin e pode ter manipulado os fatos para aliviar para o seu lado. De qualquer forma, aumentada ou não, a história revela o princípio do fim de um conto de fadas que durou pouco ou quase nada.

O início

Draftado na segunda posição geral do draft de 2012, através de escolha adquirida do Saint Louis Rams, Robert Griffin III teve números maravilhosos logo em sua primeira temporada na NFL; da mesma classe de Andrew Luck e Russel Wilson, Griffin foi o melhor dos três. Passou para 3200 jardas, 20 TDs e apenas 5 INTs, estatísticas de passe apenas medianas e que lhe renderam apenas a posição número 22 da liga em jardas passadas. Se os passes não saltavam aos olhos, as corridas traziam outra dimensão ao ataque do Redskins — e à NFL. Em 2012, RGIII correu para 815 jardas e anotou 7 TDs, números que foram suficientes para colocá-lo na posição 20 em jardas corridas, apenas 25 jardas atrás do RB LeSean McCoy, por exemplo. Tudo deu tão certo que o Washington Redskins conseguiu um recorde de 10-6, venceu a NFC East e foi aos playoffs, quando foi derrotado em casa, logo partida de Wild Card, para o Seattle Seahawks, do também rookie QB Russel Wilson.

Então por que algo que estava dando tão certo afundou de maneira catastrófica a partir da fatídica reunião, em 2013? Um dos aspectos que deve ser considerado foi a contusão que Griffin sofreu no jogo contra o próprio Seahawks — rompimento dos ligamentos do joelho, ao que muitos creditam a dificuldade que RGIII teve para correr desde então. Seu sucesso dependia muito de sua mobilidade, mesmo que ele não quisesse acreditar nisso e quisesse se tornar um pocket passer. Não se sabe, até hoje, se o sucesso do Washington Redskins de 2012 aconteceu pelas qualidades de Griffin ou por um sistema de jogo inovador para os padrões da NFL. Baseado na read option (em que o QB faz a leitura do movimento do linebacker e decide se mantém a bola ou se a entrega para o RB), o sistema ofensivo limitava os defeitos de RGIII como pocket passer, potencializava suas qualidades de corredor e era muito difícil de ser defendido. O que antes era uma novidade complexa para os adversários lidarem se tornou obsoleta com a falta de mobilidade do RGIII pós-contusão e com a natural adaptação das defesas.

Fu-deu.

Fu-deu.

Na temporada 2013, RGIII disputou apenas 13 partidas, dois jogos a menos que na sua temporada de estreia. Mesmo assim, seus números como passador se mantiveram constantes: 3203 jardas, 16 TDs e 12 INTs. O que despencou profundamente foram seus números como corredor: foram apenas 489 jardas corridas e nenhum TD.

Duas explicações podem ser encontradas para os números: Shanahan, pressionado por sua jovem estrela, permitiu que Griffin passasse mais e corresse menos; ao mesmo tempo, Griffin, com a mobilidade reduzida, não conseguia correr mais. De qualquer forma, o Washington Redskins terminou a temporada com apenas três vitórias e Shanahan foi demitido.

Recomeço?

O que poderia ser um recomeço para Griffin, pelo menos na relação com seu head coach, acabou sendo um pesadelo. Jay Gruden assumiu o comando no início de 2014. Logo percebeu que RGIII tinha muitas falhas e parecia acreditar ainda menos na sua capacidade de ser um QB na NFL. Foram apenas nove jogos disputados e números ridículos: 1694 jardas, 4 TDs , 6 INTs. Robert Griffin acabaria a temporada esquentando o banco para Kirk Cousins e nunca mais pisaria no campo com a camisa do Washington Redskins. Resignado, assistiu Cousins levar o time aos playoffs na temporada 2015 sem sequer vestir os pads.  

RGIII talvez apenas não seja um bom QB. Citado no artigo de Reid, um jogador da defesa do Washington Redskins, que preferiu permanecer anônimo, disse que Griffin tinha dificuldades inclusive nos treinos. “Ele não é muito bom no pocket. Quando você pede que ele leia defesas, dava pra perceber que era difícil pra ele. Nos treinos, quando ele era o quarterback contra a defesa titular, dava pra perceber que as jogadas ainda pareciam rápidas demais pra ele. Ele não sabia de onde o pass rush vinha, ele não tinha certeza de onde estavam os safeties. Era difícil pra ele”, afirmou o defensor.

Reid também menciona que, dentro do vestiário, a preferência dos jogadores era por Kirk Cousins, QB surpreendentemente draftado no mesmo ano que Griffin. Os jogadores acreditavam que Cousins era, simplesmente, melhor.

O comportamento de RGIII fora dos campos também parecia não ajudar. Além de não conseguir estabelecer um bom relacionamento com os técnicos, recusava a ajuda de qualquer um que tentasse se aproximar. Donavan McNabb e Doug Williams, vencedor do Super Bowl pelo Redskins, foram alguns dos que tentaram aconselhar RGIII, que nem sequer se deu ao trabalho de ouvi-los.

Vou voar é só eu querer

Vou voar é só eu querer.

Griffin parecia refém do próprio ego e preocupava-se mais em fazer publicidade para diversas marcas. Nas entrevistas coletivas, sempre falava demais. Era comum, nas derrotas, que não assumisse seus erros, colocando a culpa em seus colegas de time. Juntando todos os aspectos, Griffin era uma tragédia anunciada que foi mascarada por um primeiro ano maravilhoso. Nós só não conseguíamos enxergar.

Em 2016, Robert Griffin será o 25º QB do Cleveland Browns desde 1999. Cleveland é um ambiente tóxico para o desenvolvimento de QBs e é um time que está em estado de reconstrução permanente. Se Griffin aceitar que também está em estado de reconstrução, talvez consiga dar a volta por cima em sua carreira. Para isso, terá que ter a humildade de ouvir seus técnicos, melhorar como QB e perceber que o mundo não gira ao seu redor.

Em sua primeira coletiva como um Brown, Griffin disse: “Você ama muito fazer uma coisa. E quando ela é tirada de você, duas coisas podem acontecer: você pode afundar e permitir que te destrua ou pode deixar que te construa”. Veremos, Robert.