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A volta dos que não foram

Após um 2017 decepcionante, mudanças pareciam inevitáveis em Cincinnati. Pareciam, mas na verdade, os Bengals seguem apostando na mesma espinha dorsal que, para o bem ou para o mal, os levou para cinco aparições consecutivas nos playoffs durante a primeira metade da década: o HC Marvin Lewis, apesar dos rumores de que já estava com a senha na fila do INSS, retorna para sua 16ª temporada na NFL.

Lewis, aliás, chegou a pegar seu número: no último dia 17 de dezembro, o divórcio chegou a ser anunciado; naquela época para a surpresa de exatamente ninguém:

O fato é que Marvin não teria durado tanto tempo em qualquer outra franquia, sobretudo com seus números na pós-temporada: 0-7. 2017 também havia sido o segundo ano seguido com mais derrotas do que vitórias e seu contrato estava espirando. Poderia ter sido o fim para uma boa história de amor que durara 15 anos, afinal já era hora de injetar sangue novo na fria Cincinnati. Mas então Lewis não foi a lugar algum e renovou por mais dois anos. Quando você pensou que ele estava morto, ele retornou das cinzas.

O caso de Lewis mostra que a baixa rotação em seus principais pilares, ao menos indica que o Bengals é uma franquia estável – algo um tanto incomum em uma NFL cada vez mais sedenta pelo imediatismo.

Andy Dalton, o queridinho de Buffalo, será o QB titular pelo oitavo ano consecutivo – e terá AJ Green ao seu lado mais uma vez. Além disso, Vontaze Burfict, mesmo suspenso (novidade) pelas quatro primeiras partidas, será um dos líderes do sistema defensivo – para ele, já são sete anos em Ohio.

Estabilidade, porém, não basta. E será preciso que algumas peças ressurjam para que Cincinnati possa retornar a pós-temporada pela primeira vez em três anos. 

Ponto de partida

Dalton esteve longe de mostrar a consistência e os números que conquistou em 2015, mas mesmo assim ele está longe de ser uma peça descartável – ou mesmo dar indícios para o Bengals considerarem uma mudança na posição. 2018 será sobre Andy ser mais efetivo dentro da redzone e, sobretudo, conseguir vencer defesas sólidas; em 2017 foram cinco derrotas em que a equipe conseguiu apenas um TD ofensivo, e em nenhuma destas derrotas Dalton teve um rating superior a 80.

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Para isso, claro, ele precisa que suas armas estejam saudáveis – isso passa pelo TE Tyler Eifert deixar a enfermaria; Tyler somou apenas 10 partidas nas últimas duas temporadas, com apenas 5 TDs (todos em 2016); em comparação com seu melhor ano (2015), em que anotou 13 TDs e esteve em campo 13 vezes, a queda de produção de Eifert está diretamente ligada ao declínio ofensivo do Bengals. Também é fato que, quando saudáveis, Eifert e AJ Green, são opções que se completam a Dalton, tornando o ataque do Bengals dinâmico e eficiente.

O histórico, porém, indica que é improvável que Tyler consiga reviver seus melhores dias, então ajudaria se John Ross, agora em seu segundo ano, fosse capaz de receber UM PASSE – desculpem, mas ao que consta, aparentemente esta é a função de um WR.

Ross lidou com uma lesão no ombro em 2017 (foram apenas três partidas, mas zero passes tentados em sua direção) e agora espera-se que entregue algo nesta temporada. Pelo chão, a esperança está em Joe Mixon – extremamente talentoso em sua carreira universitária, mas aparentemente um maloqueiro que lida com problemas extracampo.

Mixon teve uma média ridícula de 3.5 jardas por tentativa em sua temporada como rookie, mas é possível dividir esta fatura com uma péssima OL; agora com melhores jogadores no setor, Mixon pode ser muito mais eficaz e ir além das 626 jardas conquistadas com muito suor em 2017. Giovani Bernard também segue no backfield, uma alternativa razoavelmente confiável em 3rd downs e boa opção para o jogo aéreo.

Sobre a OL, Cincinatti fez um movimento ousado para tentar solucionar o problema, adquirindo o OT Cordy Glenn, ex-Buffalo Bills, um bom upgrade para um setor combalido. Do draft veio o C Billy Price, de Ohio State, enquanto nomes como Jake Fisher e Bobby Hart (ex-Giants) devem brigar por posição. O G Clint Boling, um dos melhores da anêmica OL de 2017, também está de volta.

Um bando de malucos

Cincinatti recebeu más notícias na offseason quando foi anunciada a suspensão do LB Vontaze Burfict. Vontaze é maluco, mas é fato inegável que o Bengals é significativamente pior sem ele. Para suprir sua ausência, a franquia buscou Preston Brown (ex-Bills); Preston foi sólido em 2017, mas está longe de ser espetacular – e terá que lutar para suprir a incapacidade de nomes como Vincent Rey e Nick Vigil (já dizia o sábio: “o problema de ter perebas no elenco é que, hora ou outra, eles precisaram jogar”).

Enquanto o corpo de LBs (sem Burfict) é o elo mais fraco do sistema defensivo, a DL é ponto forte: Geno Atkins segue como um dos melhores DTs da liga. Ryan Glasgow teve bons momentos em sua temporada de estreia, e tudo aponta para uma evolução. Além deles, Carlos Dunlap teve ao menos 7 sacks em cada uma de suas últimas sete temporadas e segue eficiente no combate ao jogo corrido. Do draft veio Sam Hubbard, de Ohio State, cotado para as primeiras rodadas, mas selecionado pelo Bengals apenas no terceiro round.

Na secundária também há talento: o CB William Jackson, selecionado no primeiro round em 2016, perdeu seu primeiro ano devido a lesões, mas mostrou potencial em 2017. Outra escolha de primeira rodada (2014), Darqueze Dennard, decepcionou em seus primeiros três anos, mas vem de um bom 2017, e há espaço para melhorar. Espera-se, também, que Dre Kirkpatrick consiga se recuperar de problemas no ombro. Já os Safeties preocupam: com a partida de George Iloka (graças aos Deuses), Jessie Bates III, rookie selecionado no segundo round, é a esperança para que, em algum momento, seja possível compensar as inúmeras deficiências do setor.

Palpite:

A verdade é que Cincinnati não é um time muito bom; Andy Dalton foi capaz de levar a franquia aos playoffs anos atrás, a OL será melhor (não é como se fosse possível piorar), Burfict está fora de 25% da temporada e não há razão para crer que Tyler Eifert ressurgirá dos mortos. Um novo 7-9 é uma hipótese mais provável, mas também está longe de ser absurdo acreditar que, com um pouco de sorte, ele se transforme em um 9-7 e uma vaga no Wild Card se torne realidade. No melhor dos cenários, Marvin Lewis atualizará seu recorde em jogos de playoffs para 0-8 em janeiro.

Andy Dalton e um calvário que parece eterno

Onde você estava em 6 de janeiro de 1990?

Muitos leitores não eram nem nascidos, ou pelo menos nem se entendiam como gente na época. Alguns anciões podem argumentar que não é preciso ser tão velho assim para ter vivido o dia, e não vamos discutir isso. Mas e se essa data fosse a última em que você realizou determinada ação?

É assim que o Cincinnati Bengals se sente. A vitória no Wild Card contra o Houston Oilers foi a última da franquia em um jogo de playoffs. Desde então, cinco head coaches já passaram pela equipe, sendo que apenas o atual – e último da lista – disputou uma partida de pós-temporada. Sete partidas, no caso.

Para mostrar a dor das múltiplas derrotas que o time de Cincinnati sofreu, podemos pegar como exemplo a mais recente, contra o Pittsburgh Steelers, em casa. Após conseguir uma interceptação que praticamente selava a vitória, o LB Vontaze Burfict saiu correndo para os vestiários – o ataque só precisava não estragar tudo que o jogo estava ganho. Mas, como você já sabe, eles estragaram tudo. Os Steelers, novamente com a bola, marcharam o campo para vencer o duelo, contando ainda com a ajuda de algumas faltas estúpidas da defesa.

Voltando pra casa mais cedo – só para variar.

Na temporada seguinte – a passada -, os Bengals ficaram de fora dos playoffs pela primeira vez desde 2011. O ataque não conseguiu repetir o desempenho de outros anos, em que foi entre razoável e bom. Muito disso se deve a queda de rendimento da linha ofensiva e do jogo corrido. A defesa também não foi tão bem e a apatia deixou o time no terceiro lugar da divisão, a frente, apenas, obviamente, do Cleveland Browns.

O fator Andy Dalton

Antes de apresentarmos o ataque e a defesa de Cincinnati, precisamos falar sobre Andy Dalton. Mais especificamente, da Dalton Scale. O que ela é? Basicamente, uma lista que envolve todos os quarterbacks da NFL, e os classifica de acordo com seu nível de jogo. Essas todos nós conhecemos. Mas a Dalton Scale adiciona um elemento à essa classificação: se o seu QB está acima de Andy Dalton no ranking, ele serve para comandar a equipe. Se ele está abaixo, ele não serve para porcaria nenhum e você deve procurar outro cara.

Ser o divisor de águas entre QBs que prestam e não prestam não é um bom cartão de visitas. Afinal, isso significa que Dalton pode ter anos bons ou ruins, nunca ótimos. E, talvez mais que qualquer outro signal caller, Andy precisa de um bom time ao seu redor para vencer. Ele não é, por exemplo, um Andrew Luck, que consegue mascarar a ruindade de seus companheiros. E também não é um Blake Bortles, que puxa todo o nível da equipe para abaixo, quase como um imã da desgraça. Ele é só Andy Dalton. Não fede, nem cheira. E também não ganha jogos de playoffs.

Dalton convida: 10 azarados para jogarem ao seu lado.

O ataque dos Bengals é comandado pelo já citado Andy Dalton. Felizmente o texto já o abordou o suficiente, e não precisamos mais falar dele. Obrigado, Deus.

Falemos agora da linha ofensiva. Ela, como já dissemos, mostrou alguns sinais de retrocesso em 2016: em 2015, foi a melhor bloqueando para a corrida, e a décima quinta bloqueando para o passe. Em 2016, caiu para as décima quarta e vigésima sexta posições, respectivamente.

Para 2017, a perspectiva não é boa, já que dois dos melhores jogadores deixaram Cincinnati. Andrew Whitworth está agora em Los Angeles, e Kevin Zeitler está em Cleveland. Seus substitutos serão, respectivamente Cedric Ogbuehi, que não inspirou confiança quando jogou; e Andre Smith, que já teve bons momentos com o time, mas vem de um ano ruim em Minnesota. O bom Center Russell Bodine Bodine, o LG Clint Boling e o RT Jake Fisher fecham o grupo.

No corpo de recebedores, o destaque fica com AJ Green. Green deveria receber uma parcela do salário de seu QB, por motivos óbvios: se não fosse por ele, Andy Dalton estaria hoje na CFL. Para ajudar AJ, os Bengals escolheram John Ross na primeira rodada deste draft. Ross é extremamente veloz, e também um bom receiver, mas precisa se manter saudável, talvez seu principal problema. Há ainda Brandon LaFell, o jogador mais sem graça da liga; Tyler Boyd, escolha de segunda rodada em 2016; e Josh Malone, escolha de quarta rodada esse ano. Por fim, para não fazer um parágrafo só pra ele, vamos incluir aqui também o Tight End Tyler Eifert, que é bom jogador.

A expressão facial de cada um diz tudo.

Já na posição de Running Back, a paciência com Jeremy Hill acabou, e Joe Mixon foi selecionado na segunda rodada para assumir o papel de RB 1. Mixon era apontado por muitos analistas como o melhor jogador da posição na classe, mas problemas extra-campo o tiraram do primeiro round. Giovani Bernard, que volta de grave lesão, continuará com o seu papel de recebedor saindo do backfield, que ele faz muito bem.

Tentando vencer os jogos para o ataque e falhando miseravelmente: os outros coleguinhas de Andy Dalton.

A linha defensiva dos Bengals é uma unidade de respeito. O DE Carlos Dunlap e o DT Geno Atkins estão entre os melhores jogadores da liga em suas posições. Jogam ao seu lado o  DE Michael Johnson, que traz experiência mas já não está mais no auge da forma. Complementando esses veteranos, o time tem o DT Andrew Billings, bem cotado no draft passado, mas que não conseguiu ir bem conta de lesões; Jordan Willis, escolha de terceira rodada esse ano; e Ryan Glasgow, escolha de quarta, também em 2017.

No corpo de LBs, o melhor jogador, Vontaze Burfict cumpre suspensão nos três primeiros jogos, por motivos de ser um babaca mau caráter. A adição de Kevin Minter, que vem de um bom ano em Arizona deve ajudar o grupo, que contará também com Carl Lawson, escolha de quarta rodada nesse ano, e Vincent Rey, que tem sido um reserva de confiança desde que chegou a equipe.

Fechando a defesa, a secundária conta com boa profundidade, especialmente quando falamos nos Cornerbacks. Adam Jones, Dre Kirkpatrick, William Jackson e Darqueze Dennard são todos escolhas de primeira rodada, permitindo aos Bengals uma certa tranquilidade na posição. George Iloka e Shawn Williams devem ser os safeties que complementarão a formação titular.

Carinha de quem tem poucos amigos, porque tem poucos amigos.

Palpite: Os Bengals tem uma boa defesa, mas não dá pra esperar muito do ataque. A linha ofensiva é um ponto de interrogação, e Andy Dalton não deve conseguir superar as limitações decorrentes disso. A única forma de Cincinnati sonhar com algo é se o jogo corrido for muito bem, mas ele também depende da OL. Uma campanha média, algo como 7-9, é o que esperamos.

Até somos bons (mas também somos muito idiotas)

A dor da pancada nem sempre é assimilada e normalmente após o baque nos arrastamos agonizantes. Olhando para o horizonte, em qualquer canto de Cincinatti, é bem provável que ainda haja sofrimento em suas esquinas, potencializado quando um visitante de Pittsburgh sorri irônica e discretamente.

Aos que sobreviveram resta apenas esperar as feridas cicatrizarem, torcer para que alguma entidade divina conserte as fraturas deixadas e, enquanto o processo de luto ainda está ali, encontrar um lugar confortável para guardar uma das derrotas mais vexatórias de sua história.

Mesmo assim é preciso estar consciente que as derrotas que mais machucam devem de alguma forma ser cultivadas e lembradas: grandes quedas, se bem aproveitadas, ajudam a forjar caráter, algo que vitória alguma proporciona, afinal sobreviver ao martírio exige empenho e dedicação. Já sobreviver a uma grande vitória possui o mesmo mérito que sobreviver a uma grande ressaca.

Chamem um exorcista

Para o Cincinatti Bengals é impossível pensar no futuro enquanto não forem exorcizados todos os demônios que foram revelados no Paul Brown Stadium naquela noite chuvosa. E tampouco é possível saber se todos eles foram expulsos nesta offseason. Aliás é mais provável que a maioria deles ainda esteja lá e por lá permaneçam por muito tempo.

Não é fácil se livrar da imagem do fumble de Jeremy Hill a um minuto do fim, o mais próximo que o Bengals chegou de vencer um jogo de playoff desde janeiro de 1991. Ou apagar da memória a tentativa de assassinato do LB Vontaze Burfict contra Antonio Brown, com a bola já próxima ao meio campo. E em meio ao caos, quando ao mesmo tempo nada, tudo e coisa nenhuma seguiam algum princípio lógico, entender os motivos que levaram o CB Adam Jones a “trombar” com, Joey Porter, assistente do Steelers.

A vida é a bola e nós somos as mãos do Jeremy Hill.

A vida é a bola e nós somos as mãos do Jeremy Hill.

É difícil encontrar um só culpado pela implosão de Cincinatti naqueles minutos finais, mas doa a quem doer, Marvin Lewis é hoje a cara deste Bengals ainda imaturo, que mais lembra uma bomba relógio ou um adolescente problemático. Mesmo assim Lewis é o treinador com o maior número de jogos na história da franquia e também o head coach com mais vitórias. E das 14 vezes que o Bengals foi aos playoffs, sete delas foram sob seu comando, assim como quatro de seus 10 títulos de divisão.

De qualquer forma, é natural crer que uma derrota como esta irá afetar a franquia pelos próximos anos; é uma perda angustiante, mas Marvin argumenta que ela fará o Bengals um time melhor. “Você não pode se esconder atrás de uma derrota, você aprende com ela e cresce a partir dela. Então ela se torna parte de sua identidade, parte de sua história e só assim você saberá lidar com o que está por vir”, disse o treinador em entrevista a Sirius XM NFL.

Porém, para o Bengals, vencer nos playoffs parece impossível: são sete derrotas, quatro em Ohio. E na última delas com 30 jardas doadas para o maior rival nos últimos segundos. 30 jardas de graça para quase 30 anos sem vitórias na pós-temporada. Tudo isto enquanto um Big Ben manco ria da sua cara.

Olhando para o futuro

O lado bom é que AFC North parece cada vez mais frágil. É uma janela de oportunidade para Dalton que talvez ele não encontre novamente: claro, sempre há o Steelers, mas em contrapartida também existe um Ravens que reúne anciões cambaleantes que pouco ou nada prometem e, bem, jogar duas vezes contra o Browns é um presente que não se recusa.

É um cenário favorável, mas precisamos reconhecer que já conhecemos o melhor de Andy Dalton: é aquilo que vimos em 2015. Também é verdade que seu braço é extremamente limitado; Dalton tem inteligência, capacidade para reconhecer seus erros, mas não pode lançar a bola 40 vezes por partida. Não se você espera vencer algo.

Não esqueçamos também que o corpo de recebedores do Bengals perdeu Marvin Jones e Mohamed Sanu na free agency. Ok, nenhuma dessas despedidas é capaz de provocar lágrimas nos torcedores, e AJ Green e Tyler Eifert, que combinaram para 138 recepções, 1912 jardas e 23 touchdowns no último ano, ainda estão lá. Porém o próprio Eifert deve perder boa parte do início da temporada após passar por uma cirurgia no tornozelo no final de maio.

De AJ Green, aliás, agora se espera que ele assuma a liderança que sempre lhe pareceu destinada. Hoje ele é o sexto em recepções (415) na história da franquia; quinto em jardas (6171) e quarto em touchdowns (45). Na temporada que passou, Green foi espetacular: foram 86 recepções para 1297 jardas e 10 touchdowns – pelo quinto ano consecutivo, ele superou as 1000 jardas.

Para compor o elenco de WRs, buscou-se Tyler Boyd no draft. Boyd quebrou inúmeros recordes na Universidade de Pittsburgh que pertenciam a um tal de Larry Fitzgerald. É um recebedor eficaz, que dropa poucos passes e capaz de ganhar jardas significativas após a recepção. A outra opção será o veterano Brandon LaFell, que hoje está mais próximo de uma piada de mau gosto do que de um atleta profissional.

O jogo corrido é outro que precisa se recuperar. Após uma temporada de estreia brilhante, Jeremy Hill fedeu em seu segundo ano, com média de 3,6 jardas por tentativa. Mesmo com 12 TDs, Hill foi extremamente ineficiente, isto que esteve durante boa parte do tempo protegido por uma das melhores OLs da NFL.

Mas mais do que recuperar seu bom football, Jeremy precisará também recuperar a confiança perdida com aquele fumble. Já Bernard tem bons momentos, mas é incapaz de ser um RB1; Gio consegue correr, receber e bloquear de maneira digna, mas não pode ser o foco do jogo corrido de uma equipe com alguma pretensão, seja ela qual for.

Você diria não para este homem?

Você diria “não” para este homem?

Temos talento, mas não tanta inteligência

Não podemos negar que o Bengals teve um dos melhores conjuntos defensivos da NFL em 2015. Mas que implodiu no jogo mais importante do ano.

Para 2016-2017, eles perderam o free safety Reggie Nelson, que mesmo aos 33 anos era um jogador excelente e agora defenderá o Oakland Raiders. Confia-se em Shawn Williams para substituí-lo e ao lado de George Iloka, eles devem dar conta do recado. Já o CB Adam Jones estará com 33 anos e não será surpresa se uma queda de produção chegar. Enquanto isso, Dre Kirkpatrick, saudável, tende a ter uma temporada superior a que passou.

Por outro lado, Geno Atkins (DT), segue como um dos defensores mais dominantes da liga, capaz de enfrentar com a mesma eficiência tanto o jogo aéreo como o jogo corrido. Mas ele está cercado por jogadores medianos e precisa compensar as deficiências de colegas como Rey Maualuga (MLB), Vincent Rey (OLB) e Carlos Dunlap (DE). Se o Bengals não quer sobrecarregá-lo, precisa buscar mais profundidade para o elenco – e, bem, Vontaze Burfict só retornará na semana 4, não precisamos relembrar os motivos.

O setor perdeu ainda Emmanuel Lamur e AJ Hawk, mas ambos tiveram uma temporada decepcionante e não devem fazer falta alguma. Para o lugar de Hawk, Karlos Dansby, que veio de Cleveland, deve assumir a posição. Dansby completará 35 anos em novembro e não sabemos ao certo o quanto ele pode render nesta altura da carreira: a única certeza é que ele será mais eficiente que os restos mortais de AJ Hawk que desfilaram pelos gramados na temporada passada.

Palpite: jogar duas vezes contra o Browns garantirá duas vitórias. A tabela, como sempre, deve enganar e o time estará novamente nos playoffs. Mas na hora que separa os homens dos meninos, o Bengals será o Bengals: Burfict ou Jones (ou ambos) darão algum chilique, colocando tudo a perder e, em 2017, Marvin Lewis desistirá de Cincinatti. E possivelmente da vida.