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Homens causando (e passando) medo

Nunca é fácil escrever (e por escrever aqui queremos normalmente dizer “falar mal”) sobre o que time que se gosta, mesmo que tal tarefa não possa ser delegada a algum dos outros marginais que também fazem parte desta “mídia” (só os mais antigos entenderão).

Além disso, é ainda mais difícil escrever sobre um time que perdeu o que parecia ser sua grande chance na hora da verdade para ninguém menos que Nick Foles, enquanto se acredita que agora se pode chegar mais longe do que da última vez.

A razão disso, além da defesa sobre a qual dedicaremos mais linhas do que são devidas para contar suas fortalezas, é o novo quarterback que, quando Mike Zimmer chegou em Minnesota, era uma possibilidade inimaginável: Kirk Cousins, que assinou um contrato de três anos e 84 milhões de dólares com o único objetivo de ganhar o primeiro título da história dos Vikings. Qualquer coisa diferente disso será considerado um fracasso.

E não faltam razões para falarmos em fracassos e decepções na história recente de Minnesota: desde Christian Ponder (que, hoje, vemos que não tinha como dar certo), até as insistentes lesões de Teddy Bridgewater – que agora parece destinado a ser feliz em um lugar mais quente e Sam Bradford.

A efeito de potencial, podemos muito bem olhar para a carreira do próprio Nick Foles: QBs branquelos com cara de nerdões podem ganhar um Super Bowl dada a oportunidade correta. Cousins, inclusive, teve muito mais estabilidade do que Foles (isso depois, assim como um dia fizeram com Aaron Rodgers – alerta de comparação esdrúxula gratuita – passar três anos esquentando banco e aprendendo sobre a liga) e tem números para fortalecer seu posicionamento como um dos bons QBs da NFL: como titular, sempre passou para mais de 4.000 jardas e mais de 25 TDs, coisa que os Vikings não vêm desde Brett Favre – outra temporada feliz, mas deprimente.

Como última curiosidade, quando se enfrentaram em 2017, Cousins conseguiu marcar 2 TDs corridos. Quem sabe o homem seja até mesmo uma ameaça dupla (não é, ele correu para 5 jardas).

Diggs, Thielen & Cook

Se no momento em que falávamos sobre QBs importantes da história recente de Minnesota você sentiu falta do último, Case Keenum, saiba que foi intencional para usá-lo como exemplo de quão bom são esses jogadores de suporte: o eternamente medíocre Keenum teve um rating de 98.3, 22 TDs e 3547 jardas lançadas (das quais 2125 acumularam Diggs – hoje 72 milhões mais rico – e Thielen – o primeiro WR de 1000 jardas desde Sidney Rice), além de ter surpreendentemente vencido 11 jogos (mais do que no resto da carreira). Se Kirk Cousins teve um bom desempenho com Josh Doctson e Jamison Crowder, é válido sonhar com números absurdos com o novo trio.

É preciso mencionar também os complementos Kyle Rudolph e Laquon Treadwell. Rudolph foi um alvo importante na redzone para Keenum e produziu 8 TDs, mas segue sendo apenas um TE sólido, que colabora muito com o ataque sem trazer o brilho que outros têm na liga (como, por exemplo, tem Jordan Reed); Laquon Treadwell, por outro lado, teve uma segunda temporada tão decepcionante quanto a primeira, mas o fato de ter se solidificado como WR3 na equipe durante a pré-temporada lhe coloca como o principal coringa de Cousins (que curte distribuir a bola) e pode surpreender na temporada.

Um terror chamado linha (ofensiva)

É importante marcar que essa linha é o ponto de sustentação mais importante desse ataque com potencial absurdo que já falamos até aqui. E é facilmente o maior medo da torcida – vide o trabalho dos Eagles naquela final de conferência inesquecível (por mais que se tente).

LEIA TAMBÉM: Kirk Cousins, você gosta disso?

Ainda é impossível apontar exatamente a escalação completa dos Vikings (claro, tal qual os outros times em que erramos bastante também), mas aqui o problema especial é a própria OL. Mesmo após ter melhorado seu desempenho em relação aos tempos de Sam Bradford e Teddy (e talvez parte disso seja a “lendária” presença no pocket de Case Keenum), somente Riley Reiff estará presente na mesma posição de 2017.

Mike Remmers foi movido para o interior e será o RG, enquanto Rashod Hill (que jogou algumas partidas já no ano passado, mas, de acordo com ele mesmo, sentiu a falta de fôlego naquele jogo dramático contra os Eagles) provavelmente lhe substituirá como RT.

Pat Elflein, o C e melhor jogador da linha está machucado, enquanto o time trocou por Brett Jones, que não seria titular nos Giants nesse ano (apesar de ter sido o C titular em 2017), e contratou Tom Compton – desses três, deverão sair dois titulares (e se você não tem um titular definido a essa altura do campeonato, já sabemos que algum problema está aí).

Outro terror também chamado linha (defensiva) – e mais alguns amigos ricos

Se por um lado a estabilidade do ataque passa pela linha ofensiva, o caminho para a terra prometida passa pela defesa. Uma das histórias mais interessantes da offseason eram os Vikings tentando achar dinheiro para pagar Kirk Cousins, a melhor opção de QB no mercado, sem ter que abrir mão de importantes peças defensivas – e, ao que tudo indica, conseguiram até mais do que isso, pelo menos para 2018.

Principalmente porque a grande contratação de 2018 pode acabar sendo Sheldon Richardson ao invés de Cousins: no ano passado, a equipe não contava com um verdadeiro 3T como um dia teve Kevin Williams para destruir defesas pelo meio e agora tem, logo ao lado do monstruoso e imparável Linval Joseph.

Para piorar, do lado de cada um deles, estarão Everson Griffen, que dispensa comentários além dos seus 13 sacks (maior marca da carreira, ou seja, ainda está melhorando), e Danielle Hunter que, se não produziu números em 2017 (7 sacks em sua primeira temporada como titular absoluto), sua capacidade de cheirar cangotes de QB e empurrar gordinhos da OL está posta no papel na forma dos mesmos 72 milhões que recebeu Stefon Diggs.

Na rotatividade dessa linha, inclusive, deverá ser incluído o já mencionado Anthony Barr, única estrela de 2017 que ainda não recebeu um novo contrato, que com a saída de Brian Robison (dispensado), deverá ter a oportunidade de caçar QBs da linha como fazia na época da universidade. O seu companheiro, Erick Kendricks, também ganhou contrato novo, mas mais modesto: só 50 milhões.

A secundária, que disputou em 2017 e deverá disputar em 2018 com a dos Jaguars pelo posto de qual cede menos aos adversários, também tem reforços novos, tanto em campo como nas sidelines: ao invés de escolher um jogador de linha ofensiva como todos esperavam, na primeira rodada do draft os Vikings pegaram Mike Hughes, CB maloqueiro e aparentemente já tem dado resultados na difícil posição do slot, tirando a relevância de Mackesie Alexander. Como novo treinador, o time contou com a aposentadoria de Terrance Newman, que chegou ao fim de sua carreira interminável e seguirá como apoio.

Treinados por Newman (“técnico de defesa nickel”, no título oficial), deverá se repetir o grupo que jogou com ele em 2017: as estrelas Xavier Rhodes e Harrison Smith, que frequentemente são colocados como os melhores ou entre os melhores das suas posições, opostos por Trae Waynes e Andrew Sendejo, que um dia foram considerados medíocres, mas a temporada de 2017 apenas consolidou a evolução deles e o esperado é que isso siga para 2018 (sob pena de serem ameaçados por jogadores como o próprio Alexander e George Iloka, velho conhecido de Zimmer que veio por um salário mínimo para brigar pelo seu lugar ao sol).

Palpite:

13-3, sem medo de ser feliz. Uma das derrotas, a mais previsível de todas, será contra os Bears no Soldier Field – porque os Vikings nunca ganham lá e temos medo de Khalil Mack. Outra, será contra os Eagles para enterrar qualquer esperança de que a equipe possa chegar ao título da NFC – e motivará o time para a grande final da conferência. É importante, e devo falar aqui como torcedor, acreditar que a vingança virá. E aí o drama de enfrentar um Super Bowl fica para outro texto.

Por mais um último milagre de Minneapolis

Assisti ao jogo na casa da minha namorada, pelo celular, porque afinal de contas ainda não tenho direito de pegar o controle e mandar na TV lá (palavra chave: ainda). O primeiro tempo foi assustadoramente tranquilo, a defesa tão dominante quanto se poderia sonhar (Andrew Sendejo era facilmente o melhor WR de Drew Brees com aquela catch incrível) e o ataque era tão letal quanto pode ser – logo falaremos mais sobre ambos. 17-0. Algo historicamente não usual para um time como os Vikings de Minnesota.

Como passei o tempo inteiro pulando e vibrando, aproveitei o intervalo para dar um pouco de atenção para ela e respirar um pouco (coloquei o despertador para soar ao fim dos 15 minutos de intervalo). Quando o despertador tocou, peguei o celular e liguei no jogo de novo; ao mesmo tempo, minha namorada me avisa:

“Ok, eu vou tomar um banho pra dormir, tá tarde e eu trabalho amanhã.”

Sobre o time do primeiro tempo

A verdade é que, ainda que espetacular, o primeiro tempo foi tudo o que se podia esperar (e, portanto, ainda se espera pelos próximos dois jogos,). A linha defensiva, mesmo com Everson Griffen baleado, e produzindo apenas 2 sacks o jogo todo, perturbou tanto Drew Brees que o fez lançar duas interceptações: a que já citamos, em que Andrew Sendejo mais pareceu um WR que um S; e a outra, num desvio sem querer de Griffen, com a parte de trás da mão, que caiu no colo de Anthony Barr.

Créditos também para o gigantesco Linval Joseph e o do-it-all Eric Kendricks que, como sempre, taparam todos os espaços possíveis, limitando todas as corridas da dupla Kamara e Ingram assim como conseguiram os Panthers.

Diferente dos Panthers, entretanto, a secundária de Minnesota também foi gigante: Xavier Rhodes também manteve Michael Thomas no bolso, assim como Trae Waynes e Mackensie Alexander controlaram Ted Ginn Jr (afinal, apesar de 8 bolas recebidas, o maior ganho do velocista foi de 15 jardas). Harrison Smith, candidato a melhor jogador defensivo do ano mesmo estando fora do Pro Bowl, estava sempre na cobertura quando qualquer outro jogador (de qualquer outra posição: CB, LB  DL ) bobeava.

Do outro lado, no ataque, o time de Minnesota não é espetacular (válido lembrar, também, que a defesa de New Orleans não é de se jogar fora; mas não sobrou em nenhum momento nesses playoffs), mas conseguiu ser eficiente. Diggs e Thielen formam uma das melhores duplas de WRs da NFL hoje e agarram simplesmente qualquer coisa que Keenum joga na direção deles. Eles produzem first downs numa eficiência surpreendente junto com Rudolph e Wright (que se solidifica como WR3 porque sempre consegue converter terceiras descidas) – todos os recebedores de Case parecem estar sempre no lugar certo, na hora certa, sempre se esticando ao máximo e chegando a bolas que Dez Bryant com certeza não chegaria.

O jogo corrido de Latavius Murray e Jerick McKinnon não deixa a torcida sentir saudades de Adrian Peterson: dificilmente eles correrão para 80 jardas de uma vez só, mas igualmente difícil é vê-los correndo para -2 três vezes seguidas como nosso lendário RB fazia. Com uma linha ofensiva que consegue abrir espaços no jogo corrido especialmente no interior com Elflein, Beger e agora Remmers (movido de RT para LG com a ascensão de Rashod Hill), mesmo contra uma boa defesa, de first down em first down, os Vikings vão sempre chegando. Não à toa, tinham uma boa vantagem quando acabou o segundo quarto de partida.

Como a gente estava indo pro vestiário?

O banho

Quando ela falou em parar de ver o jogo, gelei. E se fosse ela quem estava dando sorte? O que eu fiz em seguida foi pior ainda.

“Mas e se for você quem está dando sorte? E se você for tomar banho e a gente tomar a virada?” – Ziquei. Forte. Tentei bater na madeira, tentei todo tipo de reza para tirar toda a desgraça que atraí para mim e para o meu time, tentei IMPEDI-LA de ir. Mas ela foi do mesmo jeito. Pois cheirosa.

E como vocês ainda devem lembrar, era realmente ela quem estava dando sorte. Afinal, o terceiro quarto foi um dos piores da temporada dos Vikings: um drive de sete minutos que acabou em punt, um TD fácil em que Xavier Rhodes perdeu na corrida para Michael Thomas, uma interceptação bizarra de Case Keenum e mais um TD bizarro em que, com Rhodes sentindo, o experiente Terrence Newman caiu no balanço do excelente Michael Thomas.

Nota da edição: Lembrem-se sempre de respeitar o meu Michael Thomas. 

Além disso, provavelmente o jogador mais surpreendente dessa equipe, Andrew Sendejo, foi apagado por uma trombada desnecessária (vindo logo da cidade do Bountygate, também podemos chamar de “trombada bem estranha”) do mesmo Michael Thomas e caiu travado no chão.

Nota da edição.2: Meu Michael Thomas não é desleal. 

O time que não jogou o segundo tempo

Assim como o primeiro tempo foi tudo aquilo que se espera da equipe de Minneapolis, o segundo foi exatamente o que o pior pessimista poderia esperar: a defesa regrediu a 2016 e o ataque mostrou aquela mediocridade latente. Obviamente, como é esperado desde a semana 2 da temporada, os que puxaram o ataque para trás foram a linha ofensiva e Keenum. Um, por ceder à crescente pressão que a defesa adversária trouxe, o que acabou também dificultando o jogo corrido e fazendo com que Keenum não conseguisse trabalhar em paz dentro do pocket e encontrar aquele micro-espaço que precisam os recebedores (o que acabaram tornando-se passes bizarros que passam longe).

Não à toa, Keenum lançou uma interceptação bizarra enquanto era atingido, o que preparou o segundo TD dos Saints no jogo, e Minnesota só pontuou em FGs muito longos (de 49 e 53 jardas), de um Kai Forbath que… Esquece. Não vai ter elogio para kicker até ganhar o Super Bowl.

A defesa, que dominou por dois quartos inteiros, desmontou-se quando perdeu a segurança de Andrew Sendejo. Foi aparente a falta de um “último homem” ali atrás e, mesmo que razoável, Anthony Harris não é metade do homem que é Sendejo – e, considerando que Andrew sofreu uma concussão, a pior lesão possível para se curar, sua recuperação é algo pela qual vale a pena acender uma vela. Ainda na secundária, Xavier Rhodes precisa recuperar o foco de quem parou Antonio Brown e Julio Jones na temporada regular para ajudar o time a ter sucesso nesses playoffs; além disso, é necessário perceber que talvez Terrence Newman já não seja assim uma grande opção que foi nos últimos anos – pelo que Waynes e Alexander tem evoluido a cada snap.

The Minneapolis Miracle

Em algum momento entre a interceptação e o segundo TD a minha namorada estava de volta (o suficiente para ajudar Kai Forbath a acertar os dois FGs que só ela, insensível ao histórico do meu time com kickers, teve coragem de olhar), mas Alvin Kamara enfrentando um simples linebacker, mesmo que Eric Kendricks, é apenas crueldade. 23-21.

Com um minuto e meio de jogo, Drew Brees lançava a bola e conquistava first downs com velocidade. Minha respiração trancava a cada passe completo e vibrava com cada stop. Obviamente, sabemos que Nova Orleans chegou à linha de 25 jardas e, com Zimmer podendo pedir apenas mais dois tempos, esteve a uma jarda (3-and-1) de garantir a vitória. Defensive stop. Ainda assim, era um chute fácil. Não quis olhar, sabendo que um erro bizarro seria basicamente a última esperança, minha namorada também se manteve em silêncio.

“Acertou?”, perguntei um minuto depois. “Aham.”, respondeu ela, já segurando o celular porque eu tremia de raiva. 24-23, 25 segundos restantes. “Acabou.”, simplesmente anunciei e, se estivesse sozinho, com certeza teria largado o celular e ido xingar os pipoqueiros no twitter do site. “Mas, assim, acabou mesmo? Não tem nenhuma chance de eles fazerem pontos?”, perguntou minha namorada, como disse, inocente às dores do futebol americano. Não resisti à esperança: “Tem, até, acho, 0,1% de chance, mas do jeito que estamos jogando, só um milagre”.

Sentei. Primeira jogada, false start de Mike Remmers – agora sim estava tudo perdido. Logo em seguida, Keenum acerta um passe de 19 jardas para Stefon Diggs, no meio do campo, gastando o último pedido de tempo roxo-e-dourado. 18 segundos para o fim.

“Ok, precisamos de mais umas 25 jardas e sair de campo.”, expliquei mais para mim mesmo que para ela. Me frustrei no primeiro passe errado para Jarius Wright e, com 14 segundos, sabia que Keenum sequer tinha braço para vencer a secundária dos Saints já marcando as laterais e assistia apenas porque, afinal, já estava ali mesmo e VAI QUE. Mais um passe errado para McKinnon. 10 segundos.

“Bom, último lance. É agora ou nunca.” – minha cabeça já estava trabalhando nos palavrões dos quais eu xingaria Forbath mesmo que o time entrasse em posição de chutar. Como se diz: o resto é história. Minha namorada tinha razão.

Nota da edição.3: o autor do texto tem uma namorada, caso vocês não tenham percebido até aqui.

Griffen (1,91m, 124kg) depois do milagre e de ter sido girado no ar por Linval Joseph. Gente como a gente.

O que esperamos de Case Keenum?

Estamos vivendo um playoff de defesas: Jaguars, Eagles e um amontoado qualquer controlado malignamente por Belichick – as três igualmente assustadoras. Entretanto, basta olhar o que a defesa dos Vikings foi capaz de produzir durante toda a temporada regular e no primeiro tempo contra Drew Brees para saber que ela é melhor do que as outras – e será a grande responsável por controlar os jogos e permitir que o time ganhe com poucos pontos. Simples assim. Obviamente, será necessário aprender com a falta de concentração que aconteceu no segundo tempo e especialmente torcer pela volta de Andrew Sendejo – ou ajustar o time para jogar sem ele, como fez em 3 jogos na temporada, com destaque para a semana 8, contra os até então imparáveis Los Angeles Rams.

Do outro lado, jogando contra grandes defesas, será necessário contar com um ataque que produza pontos suficientes. Está claro que os recebedores são excelentes, no mínimo no mesmo nível de qualquer um dos outros 3 restantes (mas provavelmente melhores). Considerando que a linha manterá o seu nível médio, o jogo cai na mão de Case Keenum.

Se a vida real fosse igual Madden, certamente Sam Bradford seria uma opção muito superior. Entretanto, e especialmente depois do que aconteceu no domingo 14 à noite, esse time morre ou vive nos braços de Keenum – contando com a sua habilidade ou com sua sorte. Sua habilidade de controlar bem o pocket será colocada a prova contra Philadelphia e seus pés imparáveis (perceba como ele simplesmente não fica fincado enquanto passa pelas suas opções, mas sim sempre se movimentando e evitando a pressão) serão essenciais para isso.

Além disso, colocar os seus recebedores em boa posição evitando, pelo menos alguma vezes, mandar um passe alto demais (vamos ser sinceros, deu certo, mas o passe derradeiro para Diggs, assim como algumas outras catches espetaculares de Thielen, simplesmente não estavam no lugar certo) poderá ser a diferença entre a vida e a morte. Explorar a secundária de um time que basicamente não permite corridas, mas é apenas razoável contra o passe será o caminho da vitória de Minnesota.

Por último e certamente crucial para os Vikings: para alguém que nunca tinha visto um jogo completo, também, a Lu aceitará a sua condição de talismã. E sem banhos no meio do jogo dessa vez.

Tá na agenda!

Podcast #8 – Uma coleção de asneiras VIII

É clima de playoffs na redação do PickSix e com um convidado especial… que não está lá, afinal, o Giba é torcedor do Baltimore Ravens, o time que fez a cagada do ano 2017.

Mesmo assim, tentamos fazer ele passar pela nossa tradicional tortura “Schadenfraude” e acabamos aprendendo um pouco mais sobre o amor dos corvos por Joe Flacco.

Obviamente, falamos das nossas expectativas, torcidas (VAI TITANS!), esperanças (afinal, temos um torcedor dos Vikings entre nós) e sobre o medo dos Falcons.

Fechamos com o típico “jogo que queremos ver” – para variar, com mais ilusões que, acreditamos, o leitor cobrará  em breve. Se acertarmos, seremos insuportáveis – acompanhe.

Um peru amargo, um golpe de marketing e um time ruim

Você deve se perguntar porque diabos, ano após ano, o Lions passa vergonha no dia de Ação de Graças. A resposta óbvia é, que bem, é uma tradição – e todos sabemos que tradições devem ser respeitadas. Então, todos os anos, desde 1934 – excetuando uma pequena interrupção durante o período da segunda Guerra Mundial -, o Detroit Lions entra em campo na quinta-feira de Thanksgiving.

O fato é que hoje os Lions não são sinônimo de muitas coisas boas, então talvez a associação com o dia de “Ação de Graças” seja a melhor delas.

História

Há quase oito décadas, na última quinta-feira de novembro, Detroit se divide entre perus e a bola oval – seja nas épocas boas (qualquer ano com Barry Sanders carregando a pelota em direção ao nada), ou nas más (volte na linha do tempo até 2008 e relembre a gloriosa temporada 0-16).

A tradição, porém, começou com um golpe publicitário de fazer inveja a qualquer agência descolada da Vila Olimpia (SP) nos dias atuais: em 1934 os Lions estavam em sua primeira temporada em Detroit, após deixar Portsmouth (Ohio), ainda como Spartans; uma bela cidade, dizem os registros, mas pequenas demais para uma franquia da NFL.
Mas, mesmo com uma campanha com 10 vitórias e apenas uma derrota, os registros de público eram constrangedores: em média 10 mil #guerreiros acompanhavam o time, em uma cidade cujo a grande paixão era o baseball – o próprio Detroit Tigers tinha vencido um bilhão de jogos naquele distante ano, ocupando todo o espaço no coração daquele sofrido povo de Michigan.

À essa altura ainda havia esperança.

Desesperado para parar de passar vergonha, George A. Richards, proprietário de uma rede de rádios e que havia comprado a franquia e a levado para Detroit teve então a brilhante ideia de “adiantar” o duelo contra o Bears alguns dias – além de usar sua influência para que mais de 90 estações de rádios ao redor dos EUA transmitissem a partida.

Detroit, claro, perdeu, mas uma multidão para os padrões da época (26 mil desocupados) passou pelas catracas, além de muitos (10 mil, esses ainda mais desocupados), terem acompanhado a partida nos arredores do University of Detroit Stadium.

Hoje o Lions tem um campanha de 36 vitórias, 39 derrotas e 2 empates em jogos no dia de Ação de Graças. Entre 2004 e 2012, aliás, uma sequência de 9 derrotas – interrompida por quatro animadores triunfos nos anos seguintes. De qualquer forma, frustrar uma torcida também parece ser tradição em Motor City.

Tradição

Por que passar o feriado mais importante do país sentado ao longo da avenida Woodward enquanto suas extremidades congelam lentamente? Tradição e família, responderá qualquer morador de Detroit, que chegou à Woodward antes mesmo das 8 horas da manhã.

Um povo sofrido.

Então resta acompanhar um dos maiores desfiles do país por cerca de três horas e entao rumar para o Ford Field, assistir o Lions. A casa da franquia, aliás, traz um pouco de calor: é um dos estádios mais charmosos da NFL e, quase como aquela sua tia simpática, o presenteia logo na chegada.c

Dias antes do jogo, em entrevista à imprensa local, o S Glover Quin foi questionado sobre sua memória favorita do dia de Ação de Graças: “Vencer, eu acho. Eu estou invicto”, respondeu. E até então, o Lions vinha com uma campanha incrível em novembro sob o comando de Jim Caldwell (11 vitórias e 3 derrotas, desde 2014). Aliás, com Caldwell como HC, foram 4 vitórias na tradicional data.

“O duelo contra o Eagles foi muito divertido”, relembrou o QB Matthew Stafford, se referindo a partida de 2015. “Sempre que você vence, o peru tem um gosto melhor”, completou.

Naquele dia, Stafford completou 27 passes em 38 tentativas, para 5 TDs e mais de 300 jardas. E, bem, foi um bom dia em Detroit.

Ganhar é melhor que perder. Mas perder faz parte. 

“Tudo bem perder”

Nesta quinta-feira de Ação de Graças o Lions recebeu o Vikings, disputando o topo da NFC North, já que o Bears não merece ser levado a sério e o Packers sem Aaron Rodgers é, na melhor das hipóteses, um amontado de figurantes de The Walking Dead.

E o Lions perdeu, é claro. Como quase sempre perde. Stafford foi irreconhecível nos primeiros trinta minutos e Jim Caldwell ainda não percebeu que tem um time física e mentalmente incapaz de correr com a bola. Mesmo assim, Eric Ebron não dropou nenhuma bola, chocando a torcida local em um claro milagre de Thanksgiving.

A calmaria antes da tempestade.

Mas, por um momento, Detroit empatou o jogo nos instantes finais, bloqueando um FG e retornando-o para TD (confira o lance aqui). Durante aqueles poucos segundos, desconhecidos se abraçaram, o Lions ganhou alguns novos torcedores e tudo fez sentido – mesmo que na realidade, Darius Slay tenha cometido uma falta e Nevin Lawson tenha corrido 85 jardas em vão.

 

Por muito tempo, o jogo de Ação de Graças trazia consigo uma dualidade para Detroit: uma equipe horrível em campo, mas que por um dia o país pararia assisti-la. Perder, no esporte, normalmente lhe faz mais forte e, de qualquer forma, jogar (e perder) no maior feriado nacional, ano após ano, provavelmente seria uma tradição insignificante para torcedores de Patriots, Packers ou Steelers, franquias acostumadas aos holofotes e ao frio de fevereiro.

Mas ir ao Ford Field após congelar na Woodward Avenue ainda é a única a coisa que os Lions têm – e, graças a Deus, esporte não é sobre vencer.

Podcast #7 – uma coleção de asneiras VII

E aí, galera, beleza? Com novidades na locução, estamos de volta! Voltamos a falar sobre lesões! Dessa vez, discutimos como seria liga se os jogadores que se machucaram (basicamente todo mundo) ainda estivessem saudáveis.

Em seguida, apresentamos nossa visão sobre alguns dos principais candidatos a Head Coach of The Year; e para sair do comum, candidatos a ANTI-Head Coach of The Year – seja lá o que isso signifique.

Depois, o novo estagiário é obrigado a responder proposições que ele não concorda, como por exemplo “Por que vitórias são o único stat que importa na carreira de um QB“. De alguma fora, o segmento termina falando sobre Jacoby Brissett. Por fim, como já é tradição, cada um traz um jogo para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas semanas!

Revisando e resumindo o melhor (e pior) do primeiro quarto

Assim como fazem empresas, apresentando resultados a cada trimestre para que a bolsa e os acionistas entendam o que está acontecendo, resolvemos fazer o mesmo com a NFL. Mais do que isso, traremos agora um resumão de cada uma das divisões da liga, para quem esqueceu que a liga começava em setembro ou acha que perdeu algum detalhe (todos perdemos), assim podendo começar a partir daqui.

Como já era esperado, a maioria dos resultados foge do esperado. Afinal de contas, se detendo a analisar os playoffs, desde que temos 32 times na liga, nunca conseguimos menos de 4 times novos chegando lá, sonhando com Super Bowl, com uma média de 5,8, ou seja, quase metade do mata-mata final se renova em relação ao ano anterior.

Além disso, times bizarros começaram com o número mágico de 3 vitórias em 3 jogos, que leva times aos playoffs em quase 90% dos casos, como Baltimore e New England sem Brady (que deveria aparecer como salvador, e não apenas para fazer a manutenção do bom desempenho).

Pese ainda o fato de que a liga parece ainda mais equilibrada do que normalmente é, o que dá destaque para times medianos com sorte: por exemplo, os Rams, que foram surrados por Blaine Gabbert (que acabará no banco), deram aula de bola para os garantidos nos playoffs Cardinals e Seahawks.

Previsões infalíveis

Como um quarto da temporada já passou para quase todos os times (Eagles e Packers são os que faltam), nada mais justo do que um quarto da liga, pelo menos no quesito quem vai ou não aos playoffs, já estar definido. E é isso que adiantarei por aqui: mais comentários sobre o porquê de cada time logo abaixo.

Times garantidos: Patriots, Broncos (AFC) e Vikings (NFC).

Times fora: Browns, Colts (AFC), 49ers, Bears e Lions (NFC).

“Meu salário é o que está acabando com esse time.”

AFC South

Sei que serei xingado por já ter tirado os Colts da briga dos playoffs – ou por, pelo menos, ter adiantado que de uma maneira ou de outra eles vão acabar morrendo na praia. Mas é que não consigo mais acreditar em Andrew Luck (8 TDs para 5 turnovers não são números de elite, são números de Eli Manning); pelo menos não enquanto ele estiver em um time que é inevitavelmente freguês dos Jaguars. Jacksonville que, apesar de grande favorito desse site, TOMA PAU de todo mundo (menos dos Colts) porque não consegue estabelecer domínio em nenhum elemento do seu jogo: seja o aéreo, seja a defesa, ou muito menos o jogo corrido (MESMO ASSIM O CHRIS IVORY TÁ RICO).

Para completar a desgraça que é essa divisão, temos Mariota sendo inapelavelmente atrapalhado pelo seu próprio head coach com suas chamadas bizarras e o Houston Texans, que mesmo sem JJ Watt, conseguem ter até o momento a melhor defesa contra o passe da NFL (praticamente apenas 150 jardas por partida), mas não conseguem produzir muito no ataque devido às limitações de Brock Osweiller, mesmo com Will Fuller (rookie WR) brilhando.

AFC North

A grande divisão que tem apenas três times (que, talvez por isso, são quase sempre muito competitivos) – já que se os Browns não eram considerados para algo antes da temporada, menos ainda com a perda de RG3 e descobrindo que essa defesa é pior do que horrível (lembre-se: é o ataque da dupla Kessler e Pryor que tem mantido o time com chances nos jogos – antes, claro, da inevitável decepção). E falando em mediocridade, o 2-2 até agora parece dizer que os Bengals (6 TDs marcados contra 10 sofridos) deixarão de enganar esse ano; infelizmente para a torcida, isso significa nem ir aos playoffs.

Por outro lado, temos dois times aparentemente bons. Os Steelers deixaram todos com um pé atrás após não conseguirem marcar um TD sequer no clássico da Pensilvânia, mas pareceram ter voltado ao bom ritmo com um 43-14 nos pobres Chiefs – e com Le’Veon Bell chegando inspirado (meu time no fantasy que o diga). Além disso, temos o surpreendente Ravens (só o Murilo já sabia, porque avisou no podcast #1), que tem Mike Wallace e Terrance West como jogadores importantes para a campanha, além de uma defesa que é primeiro lugar na NFL em jardas cedidas – posição que ainda tem que provar merecer, já que começaram a temporada contra ataques medíocres (e quando enfrentaram o razoável Raiders, perderam).

AFC East

Essa divisão também dá a impressão de ser disputada por três times, mas de maneira inversa à AFC North. Por aqui, já sabemos que vai dar Patriots – e assim será enquanto Belichik estiver no comando, como eu mesmo escrevi há uns dias (ignore a derrota para os Bills, foi tudo planejado para manter os pés da garotada no chão). Além disso, temos dois times 1-3 na divisão: o primeiro deles, os Dolphins, cuja vitória (!) no tempo extra contra os Browns deverá ser a desculpa perfeita para a falta de respeito que seguiremos tendo por eles pelos próximos anos (e também a razão para a demissão de Adam Gase logo logo, porque Stephen Ross é doente).

O outro já dois jogos atrás dos Patriots é o New York Jets, de Ryan Fitzpatrick e suas 10 INTs, além de um decadente Darrelle Revis, que já não vale toda a grana que recebe – e ainda assim, a defesa é muito sólida, especialmente o front seven, que trava o jogo corrido adversário e produz muitos sacks. Por último, temos o Buffalo Bills de Rex Ryan, tão imprevisíveis quanto seu treinador. Os Bills que surraram Arizona e diminuíram New England, estão no top 4 em número de sacks, mas tem menos de 28 minutos de posse por jogo (mesmo com LeSean McCoy), pelo que ainda vão ter que fazer mais para convencer alguém que brigarão pelos playoffs.

Seja sincero: há três semanas atrás, você pediria o autógrafo desse cara na rua?

Seja sincero: há três semanas atrás, você pediria o autógrafo desse cara na rua?

AFC West

Adivinhem que defesa continua maravilhosa? Isso mesmo, a liderada pelo MVP do Super Bowl Von Miller, que já tem 5.5 sacks e ajuda os Broncos a estarem 4-0 mesmo sem QB – já sabemos, pode ser Peyton Manning, Trevor Siemian ou Paxton Lynch (afinal, o ano é dos rookies!), essa defesa irá carregá-lo longe. Enquanto isso, em uma direção exatamente oposta  está o San Diego Chargers, que demonstrou potencial na primeira metade do primeiro jogo, especialmente por parte de Philip Rivers e Melvin Gordon, mas vai sendo a cada dia mais dizimado pelas lesões, fazendo o time já pensar em 2017.

Os outros dois times da divisão deverão estar nas disputas de wild card até o final, porque produzem bem em algumas partes do jogo – mas são horríveis em outras. Derek Carr (9 TDs, 1 INT) e Michael Crabtree (308 jardas, 4 TDs) começaram a temporada on fire, mas o fraquíssimo desempenho da defesa dá a impressão de que esse 3-1 pode acabar em um 11-5 tão facilmente quanto num 6-10. Pobre Raiders.

E tal qual uma montanha-russa, vem os Chiefs, que deveriam ser um dos times mais constantes da liga – o bye da semana 5 virá em boa hora, para que Jammal Charles volte de verdade (até se machucar de novo) e para quem sabe o Sr. Leôncio (ou Andy Reid para os íntimos) bote ordem na casa – e que o time que enfrentou os Jets (e interceptou Fitzmagic 6 vezes) volte para os 12 jogos seguintes e não o massacrado pelos Steelers.

NFC North

A NFC North está bem claramente dividida, tanto por número de vitórias quanto por simples qualidade das equipes. De um lado temos os Vikings de Minnesota, que veem somente a defesa dos Broncos (talvez) a sua frente no quesito dominar adversários, sentindo que falta apenas estabelecer o ataque (mesmo dizimado por lesões dos principais jogadores) para tornar-se unanimidade na liga. Além disso, temos os Empacotadores que, além de simplesmente terem Aaron Rodgers, que é capaz de ganhar qualquer jogo sempre, estão mandando bem na defesa – inclusive sendo os melhores contra o jogo corrido até o momento.

Do outro lado, temos os Bears e os Lions: Chicago que até tentou enganar com boas jogadas da defesa (mas que já voltou ao normal) e Detroit que não consegue defender contra o passe (12 TDs aéreos já sofridos), além de sentir falta de Abdullah para equilibrar o ataque com um jogo corrido decente. Mas ainda assim não são os piores times da NFL, então por que já estão eliminados? Por estarem em uma divisão que faz com que faltem 4 e 3 jogos, respectivamente, contra dois dos melhores times da liga, o que quase garante mais 4 e 3 derrotas cada, que exigiriam um aproveitamento perfeito nos demais jogos.

Então chora, Eminem: não vai ser dessa vez que vai dar para os Lions.

NFC South

Se tivesse que prever um líder para divisão sul da NFC com quatro jogos, provavelmente Atlanta seria minha última escolha. De qualquer forma, até agora o ataque parece ter sido suficiente (mais do que suficiente, na verdade, já que é o melhor da história em jardas até o momento) para cobrir o grande vazio que é essa defesa (metade dos sacks é do eterno gira-gira Dwight Freeney) – resta saber por quanto tempo. Os outros três times simplesmente não conseguem vencer. Por exemplo, Jameis Winston, a exemplo de Blake Bortles, não está conseguindo o salto de produção que esperávamos para levar os Bucs a outro nível; pelo contrário, suas 8 interceptações são grande parte do problema.

A defesa dos Saints, ao contrário da dos Falcons, não está conseguindo ser coberta por Drew Brees & amiguinhos (que tem feito a sua parte, como sempre) – inclusive perdendo um confronto direto. Ou talvez ela seja simplesmente pior do que a de Atlanta, o que é sim uma grande ofensa. Por último, os atuais vice-campeões estão realmente naquela ressaca de vice: só ganharam de San Francisco até agora, sendo completamente obliterados por Minnesota e essa semana com certeza rolou aquela ligação no meio da noite de Dave Gettleman pedindo para Josh Norman voltar quando ele acordou suando frio depois de um pesadelo que envolvia Julio Jones e 300 jardas.

NFC East

Assim como não apostaria nos Falcons, muito menos alguém apostaria nos Eagles para serem líderes dessa divisão – em qualquer momento da temporada. Incrivelmente, o general manager da equipe trabalhou bem e se livrou de Sam Bradford antes de que a polêmica de sua disputa com Carson Wentz atrapalhasse a equipe, dando a chance ao rookie desde o começo da temporada – o que, até agora, em meio a big plays, tem sido um sucesso. Logo em seguida temos outro rookie, Dak Prescott, que vem a cada semana tentando se provar melhor opção para Dallas do que Tony Romo – e visivelmente evoluindo nesse processo, mesmo sem ter todas as grandes jogadas de Wentz, ele e Zeke Elliott (outro rookie), são donos do segundo melhor ataque da liga.

Outros times traídos pelas defesas e por lesões é o New York Giants que, ao que parece, ainda terá que dar mais um ano para o treinador novato conseguir tudo o que esse time aparentemente pode produzir (não sabemos se Eli Manning aguentará até lá), porque com um ratio de turnovers de -8, ninguém consegue ir longe. Os Redskins, por outro lado, estão simplesmente voltando ao normal: Cousins não era mesmo tudo aquilo, nem Matt Jones, nem mesmo a defesa e Josh Norman.

“Toca pro pai que ele resolve.”

NFC West

Por último, uma divisão que tem o Browns da NFC, que se chama San Francisco 49ers, que teve como grandes contribuições nessa temporada as polêmicas de Colin Kaepernick (e ele ainda vai acabar sendo titular do time e trazendo as polêmicas ainda mais à luz) e ter ganhado de Jeff Fisher, impedindo que ele estivesse invicto a essa altura da temporada. Los Angeles Rams que, depois da lavada incrível sofrida nas mãos e pernas de Blaine Gabbert, parece ter acordado para a vida e no momento lidera a divisão mesmo com Case Keenum como QB.

Os Cardinals vão seguindo por um caminho deprimente junto com a decadência de Carson Palmer e a defesa não sendo a mesma de antigamente – e só ganharam com Drew Stanton (e seu acerto de menos de 50% dos passes) porque enfrentaram os 49ers.

Já a defesa dos Seahawks, por outro lado, não está decepcionando e carrega uma OL que parece ter como grande objetivo ver Russel Wilson machucado – e, ainda assim, o 3-1 indica que o time tinha muito a piorar para chegar ao nível dos times normais da NFL.

Cheios de esperanças, mas sabemos como isso acaba em Minneapolis

Alerta: texto cheio de esperança clubista. O editor não pode me controlar. Esse time vai para o Super Bowl, queira Blair Walsh ou não.

Obviamente, a menos que você seja um torcedor dos Browns, nessa época da temporada qualquer um acredita que o seu próprio time irá fazer o que os Patriots de 2007 não foram capazes: ganhar todos os jogos e se consagrar campeão da NFL.

Com os Vikings, a história não seria diferente. É a terceira temporada do HC Mike Zimmer e do QB Theodore Edmond Bridgewater II no comando do time e eles vêm do primeiro título da NFC North desde o ano mágico propiciado por Brett Favre em 2009. Sim, lembro como ele acabou. Falemos de desgraças em breve.

Para somar a tudo isso, depois de dois anos jogando no frio estádio da Universidade de Minnesota, o time inaugurará sua nova e belíssima casa de vidro, sede do Super Bowl LII, no segundo Sunday Night Football da temporada já contra o maior rival e principal adversário pelo título da divisão, Green Bay. E o retorno a um estádio fechado como casa deve trazer benefício para as duas principais armas do ataque, o quarterback Bridgewater e o running back Adrian Peterson, que tem números bem melhores quando não estão expostos às intempéries.

O que realmente importa para o treinador: a defesa

Mike Zimmer foi coordenador defensivo por quase 20 anos antes de ter a sua primeira oportunidade como treinador principal de uma equipe e, até por isso, não deixou suas raízes no passado. Ele, em conjunto com bons drafts realizados pelo GM Rick Spielman, pegou uma defesa que era a última em pontos concedidos em 2013 e a transformou em uma defesa top 10 – com sérios argumentos para desafiar defesas como a dos Broncos ou dos Seahawks como melhor defesa da NFL.

E tudo começa com o domínio nas trincheiras. Everson Griffen tem valido cada centavo do contrato de 42.5 milhões de dólares assinado em 2014 e é presença constante na cara dos quarterbacks adversários, enquanto Danielle Hunter (6.5 sacks em tempo limitado como rookie) parece a alternativa do futuro para pressionar pelo outro lado. O meio da linha é ocupado por Linval Joseph e Sharrif Floyd, que estão acostumados a dominar dois bloqueadores sozinhos quando saudáveis (12 e 13 partidas jogadas ano passado respectivamente, e ainda assim figuraram entre os melhores da posição de acordo com o site PFF).

No back seven o time conta com suas duas maiores estrelas: Anthony Barr (All-Pro de acordo com o mesmo PFF) e Harrison Smith (que assinou o contrato mais caro de um safety da NFL, valendo mais de 10 milhões por ano). Também é nessa área que se encontram três importantes dúvidas: Trae Waynes (uma interceptação como rookie, no jogo dos playoffs) precisa conquistar seu espaço e tomar a posição do veteraníssimo Terrence Newman; a competição pelo posto de terceiro linebacker, para acompanhar Barr e Eric Kendricks (que pode ser quase ignorada, considerando que o time está mais da metade do tempo na formação nickel, com 3 CBs e somente dois LBs); e a aparentemente eterna busca por uma dupla minimamente decente para Smith na posição de safety (o mais provável parece ser Michael Griffin, de 31 anos, pro bowler em 2010).

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Mike Zimmer feliz (ele nunca está feliz).

O treinador que pode estragar tudo: Norv Turner

No começo de 2015, muito se falou do quão importante seria esse time depender cada vez menos das capacidades de Adrian Peterson e deixar o jogo nas mãos de Teddy Bridgewater, já que ele é (e precisa provar ser) realmente o futuro desse time. Não foi o que se viu. Mais do que isso, o coordenador ofensivo Norv Turner, talvez o grande responsável pelo ataque que ficou na 29ª posição em jardas totais em 2015, seguiu limitando as jogadas ao tradicional run, run, pass (que frequentemente traz situações claras de passe no 3rd down e assim mais pressão) e insistindo em correr da formação shotgun, que não favorece as capacidades do MVP de 2012.

Com as oportunidades limitadas, as estatísticas de Bridgewater não saltam aos olhos. 17 TDs totais para 12 turnovers são números bem medíocres, especialmente se comparado aos seus dois principais companheiros de draft, Blake Bortles e David Carr, que lançaram mais de 30 touchdowns cada. Ainda assim, outras métricas trazem esperança para os fãs do ex-QB de Louisville como, por exemplo, seus quase 80% de passes completos ajustados (um cálculo da PFF que exclui drops e passes desviados na linha de scrimmage).

Outra razão para a baixa produtividade de Bridgewater também foi a proteção recebida por parte da linha ofensiva – ruim a ponto de o técnico de linha ofensiva Jeff Davidson ter sido demitido na segunda-feira seguinte à derrota nos playoffs. Para o seu lugar, Mike Zimmer trouxe o ex-head coach dos Dolphins, Tony Sparano. Também foram trazidos dois novos jogadores, o RT Andre Smith e o LG Alex Boone (o único com a titularidade assegurada pelo treinador), que já tiveram grandes temporadas apesar de não terem jogado seu melhor em 2015.

Além deles, Minnesota também espera contar com um Matt Kalil motivado pela busca por um novo contrato e pela primeira offseason sem cirurgias desde a sua primeira temporada (na qual jogou em alto nível) protegendo o lado cego de seu QB. Nas demais posições, a promessa é de uma competição intensa durante o training camp entre diversos jogadores (C Joe Berger, RG Brandon Fusco, RT Andre Smith – como palpite de vencedores) mesmo com o anúncio de aposentadoria do gigante RT Phil Loadholt, devido a uma lesão no tendão de Aquiles.

Teddy também contará pela primeira vez em sua carreira com uma grande gama de bons alvos no ataque aéreo: o retorno de Stefon Diggs (primeiro rookie a ter pelo menos 87 jardas em seus primeiros quatro jogos na NFL) à titularidade é garantido e o recém-draftado Laquon Treadwell deve causar impacto nas suas primeiras semanas na liga especialmente em rotas intermediárias, as favoritas de Bridgewater. Também fica a esperança de temporadas saudáveis para o TE Kyle Rudolph, um alvo importante especialmente na endzone, e para o WR Charles Johnson, alvo favorito de Teddy em sua época de rookie. Ainda há Cordarrelle Patterson como última incógnita, jogando por um contrato essa temporada (os Vikings optaram por não ativar a opção automática de um quinto ano a que teriam direito), que será muito maior se ele se mostrar uma opção no jogo aéreo além de um grande retornador.

Por último, no jogo corrido, além da presença óbvia e importante de Adrian Peterson, que dispensa apresentações, fica a curiosidade pelas oportunidades que pode receber o jovem running back Jerick McKinnon, que demonstrou qualidade quando teve a titularidade em 2014 (enquanto Peterson estava suspenso) e manteve uma média de 5.2 jardas por corrida nas poucas oportunidades que teve em 2015, talvez iniciando uma lenta transição no time, já que All-Day pode parecer eterno, mas fez 31 anos em março e tem 18 milhões de dólares a receber em 2017 – que talvez Rick Spielman acredite poder ser investido melhor em outras áreas no time.

Discutindo quem vai ser o dono do time em 2016.

Discutindo quem vai ser o dono do time em 2016.

Blair Walsh

Impossível querer fazer uma análise completa do time e ignorar os special teams. Blair Walsh, VAI TOMAR NO CU! ATÉ O IDIOTA DO CORDARRELLE PATTERSON ACERTAVA AQUELE CHUTE! E já passou da hora de você tomar o rumo para o buraco do qual você saiu, Jeff Locke (30º punter da NFL em jardas netas, holder que segurou a bola de maneira incorreta para aquele chute do Walsh). Seu corno.

Palpite: Teddy lança para 21 TDs, exatamente ¼ do que lançarão Carr, Bortles e Garoppolo somados, mas ele pelo menos vai para os playoffs. 13-3 e mais um título da NFC North para decorar o novo estádio, no qual o time vencerá todas as partidas. Alguma desgraça acontecerá pelo caminho porque é assim que as coisas funcionam para os Vikings, mas sinceramente não quero me esforçar para prevê-la e antecipar o sofrimento.

O desastre aconteceu

Como já deve ser conhecimento geral, aproximadamente uma hora após esse preview ser publicado, a temporada dos Vikings sofreu um forte golpe: Teddy Bridgewater se machucou sozinho num treinamento, deslocando o joelho e rompendo ligamentos. Apesar do susto das primeiras horas, em que sua carreira parecia ameaçada, as primeiras notícias indicam que Teddy não sofreu danos em nervos e artérias e, apesar de estar fora da temporada, estará de volta em 2017.

Seu substituto, a princípio, apesar das muitas especulações que deverão surgir nos próximos dias, será o veterano Shaun Hill. Ele dificilmente chegará próximo do desempenho de Teddy, mas terá o apoio do jogo corrido e conseguirá ajudar a defesa a ganhar partidas, especialmente enquanto proteger bem a bola. Obviamente as grandes expectativas de Super Bowl que o time tinha foram pelo ralo, mas uma boa campanha ainda parece possível nas costas de Peterson (palpite: no mínimo 400 corridas) e cia – e como disse Mike Zimmer, o sol voltará a nascer amanhã.