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Sobre Hard Knocks e esperança

A introdução do Hard Knocks, documentário feito sobre a pré-temporada do Cleveland Browns, traz a pergunta que todos devem se fazer na cidade; o tipo de pergunta que dói só de pensar. Afinal, pela segunda vez em cinco anos, e após ter finalmente trazido o título que sentia que devia à sua cidade de nascença, LeBron James deixa Cleveland para uma cidade maior, mais uma vez deixando todos os habitantes apaixonados órfãos de esporte.

Para esse vazio nos corações, considerando que os Cavaliers já produziram alegrias demais e gastaram toda a sorte com jogadores ao ter LeBron por uns 10 anos (e os Indians jogam beisebol), temos os Browns. Um time que não chega aos playoffs desde 2002 (com Kelly Holcomb – não vamos fingir que conhecemos) e conseguiu a incrível façanha de não ganhar nenhum jogo em 2017.

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Também em Hard Knocks, vemos toda a mandinga de Hue Jackson, cumprindo a promessa de mergulhar no gelado Lago Erie (promessa feita caso não ganhasse nenhum jogo em 2017) na tentativa também de esfriar um pouco seu assento – sabe bem que, se não produzir em 2018, sua posição como Head Coach sequer durará até novembro.

Não à toa, para tentar fazer valer a promessa, com a primeira escolha do draft, além de seu estilo marrento (contrastante ao máximo com a dedicação sinistra de Tyrod Taylor, seu “mentor”) e sua altura levantando dúvidas durante os primeiros estudos no draft, aí está Baker Mayfield, vencedor do Heisman de 2017, que recebe a mesma pressão pela qual já passaram, por exemplo, Brandon Weeden, Johnny Manziel e outros 47 jogadores ao longo da história (QBs draftados pelos Browns, sim).

Como sempre, tudo leva a crer (e, no caso dos Browns, já estivemos errados com certa frequência) que ele tem todo o talento suficiente para trazer a virada para essa franquia.

Dilema de quarterbacks

Na verdade, chamar de dilema tem muito mais a intenção de criar impacto do que expor a realidade. Tyrod Taylor, que foi rejeitado pelos Bills (e substituído por um sem número de QBs bizarros, entre McCarron e Peterman) mesmo depois de ter sido o primeiro QB a levá-los aos playoffs desde Doug Flutie, veio através de uma troca por uma escolha de terceira rodada.

Se parece muito, vale lembrar que os Browns escolheram Cody Kessler e DeShone Kizer, hoje QBs reservas em Jacksonville e Green Bay, por esses rounds. E, apesar de claramente ter a capacidade de liderar um ataque com o talento que listaremos em Cleveland, os Browns precisavam de esperança de verdade para acertar de uma vez por todas.

Esse alguém é o dono do motorhome estacionado no CT dos Browns (que, divertido lembrar, contava até com um mordomo próprio chamado Brogan Roback, que se disfarçou de undrafted free agent para servir Mayfield e cia).

Jovem defesa, velho carrasco

Provavelmente, não existem muitos caras mais xaropes na NFL que Gregg Williams (sempre válido lembrar, a principal mente por trás do bountygate Saintista) – basta assistir suas entrevistas e aparições em Hard Knocks para ter vontade de desvalorizar a defesa e até simpatizar com Todd Haley, o coordenador ofensivo.

De qualquer forma, a reconstrução dessa defesa continua com novas jovens estrelas. Myles Garrett, que já aterrorizou a liga em apenas 11 jogos em 2017 com sete sacks, está finalmente saudável e o céu é o limite para ele. Oposto a ele, estará Emmanuel Ogbah, que teve como principal elogio ao seu potencial a decisão de Cleveland de não escolher Bradley Chubb na quarta posição desse draft por acreditar em sua força para complementar a grande estrela dessa defesa. Na posição de DE, sentiremos falta de Carl Nassib, cortado após os waivers, e que deu aula de investimento para os companheiros de linha defensiva.

Ao invés de Chubb, veio o CB Denzel Ward, de Ohio State (ou ali da esquina, como diriam em Cleveland), já com a responsabilidade de ser o CB1 oposto a Terrance Mitchell, que teve algumas boas aparições pelos Chiefs, mas será titular de verdade pela primeira vez na carreira – provavelmente marcando o slot, enquanto EJ Gaines, que foi trocado em 2017 por Sammy Watkins (junto com uma escolha de segunda rodada, claro). O único a retornar de 2017 nessa secundária é Jabrill Peppers, que será safety junto com Damarious Randall, CB vindo de Green Bay convertido (draftado como S, virou CB, e agora volta à posição original).

Complementando a defesa, Christian Kirksey, é o grande líder do sistema, e James Collins, aquele que tenta trazer a cultura dos Patriots para os Browns – vai dar certo, pode confiar.

Não sei como, apenas façam funcionar

Como tudo em Cleveland, a equipe de suporte do QB móvel (veja bem, em todos os sentidos) é um trabalho em construção. Ao menos, existe um ponto de referência, de um jogador acostumado a jogar em ataques medíocres, agora que Joe Thomas, o left tackle lendário e para sempre injustiçado, desistiu de jogar  e resolveu ser feliz: Jarvis Landry, WR que, ao menos ainda, não é tão lendário assim, aceitou 75,5M de dólares ao longo de cinco anos para tentar fazer parte da reconstrução da franquia – e ele se esforçou para parecer um líder dos jovens WRs dos Browns.

Landry é um recebedor extremamente confiável (vide os vídeos bizarros em que o vemos agarrando qualquer bola lançada de qualquer jeito); utilizado especialmente como válvula de escape com passes curtos em Miami, vide suas 400 recepções nos 4 primeiros anos de liga, um recorde.

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Com esse estilo conservador (que deverá ajudar a abrir espaços para Tyrod/Mayfield), é preciso ter complementos interessantes para adicionar ideias ao ataque: na figura de Josh Gordon, outro da lista de “grandes talentos atrapalhados pela maconha” (tanto por estupidez da liga como dele), os Browns têm exatamente isso – se Gordon chegar a qualquer coisa próxima do que conseguiu quando entrou na liga (nos já distantes 2012/13), em que produziu 137 recepções, 14 TDs e 2451 jardas em 30 jogos, essa dupla é algo próximo do que todo QB sempre sonhou.

Ainda na linha de recebedores para os quais Hue Jackson e Todd Haley terão que ser criativos, podemos adicionar David Njoku, escolha de primeiro round que não teve oportunidades suficientes para explorar toda sua capacidade atlética, além de ter enfrentado probleminhas com drops. Outra arma interessante é Duke Johnson, RB que produz muito mais com recepções (74 para 693 jardas em 2017), e deverá fazer suas aparições no slot e em 3rd downs.

Como companhia, Johnson terá Carlos Hyde, que produziu 1290 em 299 toques no ataque de Kyle Shanahan em San Francisco, na primeira temporada saudável da carreira – para motivar, no seu cangote estará Nick Chubb, jovem estrela vinda de Georgia e escolhido no segundo round do draft e que fez uma boa pré-temporada, apenas para aumentar a competição por ali.

Se as skill positions parecem prontas para explodir, a responsabilidade da linha ofensiva fica ainda maior. Chris Hubbard, ex-titular dos Steelers, deve fazer companhia para Kevin Zeitler, uma grande aquisição na free agency de 2017, do lado direito da linha; JC Tretter, que também desembarcou no ano passado, é o Center; por último, as principais novidades vêm no lado esquerdo: Austin Corbett foi selecionado na primeira posição do segundo round para cuidar da lugar que era de Joel Bitonio, promovido ao blind side, com o desafio nada simples de substituir o cara mais legal que já pisou em Cleveland.

Com tantos nomes interessantes, será ao menos divertido assistir o desenvolvimento do ataque de Tyrod Taylor para, em seguida e ao longo de muitos anos, ser o ataque de Baker Mayfield, o QB que funcionou em Cleveland (você leu aqui primeiro).

Palpite:

Enfrentando times medianos na AFC North, como Ravens e Bengals e a duvidosa AFC West, está claro que Cleveland poderá fazer um número razoável de vitórias e trazer alguma alegria para seus torcedores. Se o ataque encaixar, nove vitórias e chegar aos playoffs é algo possível – apenas para vermos Tyrod Taylor surpreendendo a todos de novo. A aposta segura, porém, fica na casa das 6 ou 7 vitórias, Baker Mayfield jogando cinco jogos mais ao final da temporada e novas toneladas de esperança para o sofrido povo de Cleveland – convenhamos, já seria um 2018 brilhante.

Ainda há muito a ser feito

Não é segredo para ninguém que o Buffalo Bills estava insatisfeito com Tyrod Taylor – Rex Ryan (que Deus o tenha) sempre deu indiretas sobre a situação do QB e, bem, diante do Chargers na temporada passada o Bills optou por Nathan Peterman em uma das experiências mais constrangedoras que o football já presenciou. Mesmo assim, Tyrod superou a punhalada e conseguiu levar Bufallo aos playoffs após alguns séculos; como recompensa, não teve seu contrato renovado.

Mas ao quebrar uma seca de 17 anos sem chegar a pós-temporada, o Bills deu aos seus torcedores uma razão para sonhar – durante o caminho, o novo GM Brandon Beane e o HC Sean McDermott ganharam as chaves da cidade. É fato, porém, que caso Buffallo tivesse um ataque mais consistente, eles poderiam ter aproveitado um pouco mais sua aventura em janeiro – e não uma eliminação amarga para o Jacksonville Jaguars (10-3) no Wild Card.

Além disso, é notório que a classificação só veio após o evento, já cunhado na posteridade, como o MILAGRE DE ANDY DALTON – que venceu Baltimore quando nada mais estava em jogo, além do AMOR PRÓPRIO.

Um (não tão) belo futuro

Para 2018, Buffalo buscou AJ McCarron nos Bengals mas, claro, seus planos estavam passavam pelo draft e após uma suruba (troca de escolhas), a franquia selecionou Josh Allen – ninguém quer seu futuro nas mãos de um morfético como McCarron. Se o jogador não consegue sequer disputar posição com Andy Dalton, tem-se muito a refletir sobre tal.

O jovem de Wyoming é móvel e tem força no braço (marque na sua cartela), embora ainda seja considerado por especialistas (reforçamos: categoria na qual não nos enquadramos) extremamente cru. O plano inicial era que AJ fizesse a transição inicial enquanto o jovem QB é preparado, mas aparentemente McCarron morreu (mas passa bem) já na pré-temporada (tem que acabar a pré-temporada) e Allen será jogada aos leões já nos próximos dias.

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E talvez não no sentido figurado, visto que linha ofensiva está aos pedaços (e perdeu três bons nomes na última offseason: Richie Incognito e Eric Wood estão na fila do INSS e Cordy Gleen rumou para o Bengals). Dion Dawkins entra em seu segundo ano com mais responsabilidade – e há espaço para evolução, já que sua temporada como rookie foi empolgante para o então sofrido torcedor de Buffalo Ao seu lado ele terá Russel Rodine, titular por um bom tempo em Cincinatti (o que pode dizer muito e, ao mesmo tempo, nada). Wyatt Teller, rookie de Virginia Tech selecionado no 5º round também reforça o setor.

Por tudo isso, não restará muita opção (ao menos no início) além de entregar a bola para LeSean McCoy e torcer para que a magia aconteça – LeSean correu para 3300 jardas (média de mais de 4.5 por tentativa) e 22 TDs desde que desembarcou em Bufallo há três anos em uma troca com o Eagles que, a cada dia que passa, parece ser boa demais para ser verdade. Há, ainda, a adição de Chris Ivory – que se não empolga, servirá ao menos para dividir a carga de trabalho e dar alguns minutos para McCoy tomar seu Gatorade (e foder o seu fantasy).

De qualquer forma, se a OL for capaz de manter Allen em uma posição minimamente vertical (seja lá o que isso signifique), o conjunto ofensivo entregará melhores números – bom, não é como se existisse muito espaço para regredir, embora dependa de um ataque aéreo problemático.

Kelvin Benjamin chegou na offseason e seu passado inspira pouca (para não dizer nenhuma) confiança; já Zay Jones entra em sua segunda temporada precisando provar a que veio (spoiler: vai dar merda, vide suas aventuras durante as férias, devidamente registradas em vídeo na rede mundial de computadores).

Restam o WR Jeremy Kerley e o TE Charles Clay, que vem da melhor temporada de sua carreira – novamente: pode dizer muito, mas ao mesmo tempo pode não dizer nada (e é mais provável que não diga nada).

O perigo mora ao lado

O Bills cedeu menos de 17 pontos em 10 partidas em 2017 – e isso inclui a eliminação para o Jaguars. Muito disso se deve a uma das melhores secundárias da liga; o então rookie CB Tre’Davious White foi excepcional, enquanto os Safeties Jordan Poyer e Micah Hyde, também brilharam. Esperar uma nova temporada sólida e com poucos pontos cedidos é uma aposta quase certeira; os três combinaram para 246 tackles e 14 INTs.

A perda de EJ Gaines, agora em Cleveland, será sentida; para seu lugar o Bills trouxe os restos mortais de Vontae Davis e, por mais que a nostalgia encante, você sabe que não dará certo.

Outra seleção de primeira rodada no último draft foi o linebacker Tremaine Edmunds, para reforçar um setor que foi apenas digno no ano que passou – Edmunds terá ao seu lado Matt Milano, agora em sua segunda temporada, e o eterno Lorenzo Alexander – uma inegável referência em Buffalo, mas de quem se espera, compreensivelmente, uma queda de produção.

Já para exercer pressão no ataque adversário, o Bills conta com Jerry Hughes e Shaq Lawson – Kyle Williams e Adolphus Washington completam o quarteto que combinou para 12 sacks na última temporada. Espera-se também que o novo milionário do pedaço, Star Lotulelei (que recém assinou um contrato de cinco anos e US$50 milhões sem o menor sentido lógico), faça algo (spoiler: não fará. Você leu aqui – e em vários lugares – primeiro).

Palpite

Ao chegar aos palyoffs pela primeira vez desde o longínquo 1999 o Bills enlouqueceu as ruas de Buffalo. Foi bonito, mas é o momento de voltar à realidade: Tyrod Taylor pode ter suas limitações, mas tinha experiência e números dignos (22-20). O plano de McCarron dar tempo para Josh Allen se preparar ruiu antes mesmo do bom senso mandar abortá-lo. Em geral, se a defesa seguir em alto nível e McCoy carregar o ataque nas costas, é possível sonhar com a segunda colocação da AFC East, mas dessa vez sem playoffs. Para Josh Allen, o futuro imediato é negro: cinco das sete primeiras partidas serão fora de casa e sua adaptação não será facilitada. Como timing é uma mera questão de perspectiva, tudo pode dar certo daqui cinco ou seis anos, quando os WRs atuais forem substituídos por atletas profissionais e um certo Tom Brady já estiver aposentado.

Semana #12: os melhores piores momentos

75% da temporada da NFL já foi jogada. Já estreamos novos segmentos, consagramos jogadores e vimos muita desgraça até aqui. Porém, a coluna só trouxe uma certeza até hoje: se ela for continuar em 2018, certamente não serei eu que a farei. Eu não aguento mais. O leitor não liga para os meus desabafos, então vamos lá:

1 – Fuck It I’m Going Deep Fan Club

Quando o Quarterback (semana passada vimos que nem sempre só o quarterback) resolve jogar a bola longe sem medo de ser feliz.

1.1 – Matt Moore 

Quando o DB disputa com outro DB quem vai agarrar a bola, certamente não foi uma boa decisão.

1.2 – Marcus Mariota

Baseado na jurisprudência do caso anterior, além de que o drop do Darius Butler e o receiver escorregando mereceram ser destacados.

1.3 – Tyrod Taylor (part. especial: Marcus Peters)

Nada como ter o defensor do seu lado.

1.4 – Joe Flacco

Claramente procurando Rahim Moore na secundária.

2 – O Fumble Bowl 

2.1 – Malcom Jenkins

Sempre muito triste sofrer um fumble depois de interceptar um passe.

2.2 – Mitch Trubisky

Quando draftado, sabia-se que Trubisky precisaria de um tempo para se adaptar. Mas, porra, no College tu não segurava snap também não?

2.3 – Jay Ajayi

Quando a vontade de se consagrar é maior que a vontade de segurar a bola.

3 – Imagens que trazem PAZ

3.1 – Brock Osweiler

3.2 – Broncos @ Raiders 

3.3 – Robbie Anderson (assista com áudio)

3.4 – A defesa do Oakland Raiders, Paxton Lynch e… isto.

A primeira interceptação do Raiders na temporada veio em grande estilo.

3.5 – Este idiota dos Redskins

Repare como ele desconhece a regra do touchback. Seu companheiro de equipe conhecia, e ficou pistola.

3.6 – O center de New England

Tentou dar uma chance aos Dolphins. Não adiantou.

3.7 – Tyreek Hill e outro guerreiro de Kansas City 

A imagem que simboliza como o ataque dos Chiefs derreteu de algumas rodadas pra cá.

4 – Troféu Dez Bryant da Semana

Sabe quando seu time tem um jogo complicado e precisa que o jogador de nome apareça? O torcedor dos Cowboys sabe. O torcedor dos Cowboys também sabe que Dez Bryant não é o nome ideal para esses momentos.

Por tudo isso, o vencedor do troféu Dez Bryant da Semana é Leonard Fournette. Parabéns!

 

Quando derrotas chegam mais cedo que o esperado

Como o leitor já deve ter visto no texto sobre Tampa Bay, cada membro do site escolheu os times sobre os quais queria escrever. Quando escolhi os Bills, acreditando que eles tinham feito a escolha certa com Tyrod Taylor, esperava um time que finalmente fosse dar um passo extra e se firmaria como um desses candidatos anuais de wild card por algum tempo e finalmente romperia a sequência de 17 temporadas sem playoffs (o único time que ainda não chegou lá no século XXI).

Entretanto, as ideias começaram a desandar quando o GM que se dispôs a dar um novo contrato para o novo potencial franchise quarterback e tinha acabado de escolher novos jogadores no draft de 2017, Doug Whaley, foi demitido no dia seguinte, junto com toda a sua equipe de olheiros (ou seja, os caras que deram as informações que motivaram as escolhas de seis novos jogadores – três deles nos dois primeiros rounds – que, teoricamente, serão a base do time nos próximos anos).

Além disso, é válido lembrar que Whaley com certeza esteve envolvido na escolha de um novo HC: Sean McDermott, antigo coordenador defensivo do Carolina Panthers – onde conseguiu ter uma defesa top 10 em quatro (2012-2015) dos seus seis anos ali -, que recebe sua primeira oportunidade como treinador principal de alguma equipe na sua carreira. Ao menos não deverá faltar entrosamento entre ele e o novo GM, Brandon Beane, que também era funcionário dos Panthers e foi ganhando importância e valor com o decorrer dos anos na Carolina do Norte.

A troca de Sammy Watkins

O novo comandante do pedaço chegou determinado a estabelecer uma mentalidade vencedora. No entanto, algumas das principais peças do regime anterior não pareciam cumprir as condições desejadas: inclusive o craque do ataque (sério, fale com alguém pouco viciado em NFL, que jogue aquele fantasy casual, e provavelmente os dois únicos nomes conhecidos de Buffalo serão McCoy e Watkins). E, no passado 11 de agosto, trocas aconteceram, dando aquela tradicional chacoalhada no twitter.

Para resumir tudo, Beane trocou o seu WR 1, o já citado Sammy, e o seu CB1 bastante razoável, Ronald Darby (que deveria ocupar o espaço deixado por Stephon Gilmore, agora em Boston), pelos medíocres EJ Gaines e Jordan Matthews (um slot receiver defeituoso, considerando que o time já tinha o seguro veterano Anquan Boldin), além do mais importante: escolhas de segundo e terceiro round no draft de 2018, para iniciar uma outra reconstrução com essa “cara vencedora” (leia: jogadores que serão chutados da cidade daqui 3 anos, quando a diretoria mudar de novo).

Que porra tá acontecendo?

Ainda que a questão do contrato de Sammy seja relevante (ele só tinha mais um ano jogando com os Bills), ele seria peça crucial para este ataque funcionar, especialmente levando em conta a mudança do antigo-WR2 Robert Woods para Los Angeles. Seu substituto, Matthews, se lesionou no primeiro treino com a nova equipe, assim como o importante LT titular, Cordy Glenn (que pode acabar na IR). Já Boldin, que chegou ao norte de Nova York sonhando com o Super Bowl, pediu a aposentadoria depois de poucos dias de contrato “para se dedicar a trabalhos sociais”.

De qualquer forma, a mensagem que foi passada é que a temporada está largada e, ainda na segunda semana da pré-temporada, o clima ali é de fim de feira. Assim, tentar prever como funcionará o grupo em Buffalo em 2017 é impossível. Mais do que isso: é irrelevante. Portanto, façamos um favor para a NFL e abramos o balcão de negócios do senhor Beane: venham e peguem!

Valores da defesa

O craque dessa defesa é o DT Marcell Dareus, mas, com um cap hit anual de 16M, ele não sairá de Buffalo tão cedo (coitado), assim como Micah Hyde, que ainda em março assinou com Doug Whaley um contrato de 5 anos e 30 milhões de dólares. Além deles, são poucos os valores que poderiam fazer uma diferença real por aí:

  • Shaq Lawson: escolha de primeira rodada de 2016 (12 sacks e meio por Clemson em 2015), jogou 10 jogos meio baleado na temporada passada depois de piorar uma lesão no ombro ainda da época da universidade. Como a sua saúde está em dúvida, tem o seu valor prejudicado para que apareça algum time atrás dele com uma oferta decente, de maneira que talvez McDermott tenha que tentar tirar algo dele;
  • Jerry Hughes: desde que foi trocado pelos Colts, se encontrou com os Bills e é o principal pass rusher da equipe (o número de sacks diminuiu, mas mais por falta de ajuda que por queda nas capacidades). Um bom pass rusher com um cap hit de 10M poderia resolver problemas em defesas especialmente pobres no tema, como a do Dallas Cowboys;
  • Lorenzo Alexander: aos 34 anos, teve em sua 12ª temporada o seu breakout year, sendo finalmente titular em todos os 16 jogos (o máximo que já tinha conseguido era 12, em 2010 em Washington, e com 6 temporadas sem ser starter mesmo jogando os 16 jogos) e produzindo 12.5 sacks. Se algum time que joga num 3-4 quiser apostar em um veterano, que certamente sairia por troco de bala, valeria a pena tentar busca.

Valores do ataque

Por outro lado, no ataque Brandon Beane poderia sim mudar temporadas da NFL. Os únicos jogadores que certamente não serão trocados desse lado são Cordy Glenn, porque está machucado, e o FB Patrick DiMarco, porque assinou recentemente por 4 anos (outro coitado). No mais, separamos aqui alguns grandes jogadores que os times deveriam vir buscar em Buffalo e livrá-los do sofrimento:

Corre, cara!

  • G Richie Incognito: mais famoso pelo episódio de bullying contra Jonathan Martin em Miami (lembra? Válido lembrar que Martin já está aposentado), que fez ele ser despachado para o norte, o bom guard tem sido bastante sólido protegendo o QB e especialmente chato abrindo espaço para os RBs. Precisando de uma ajudinha na OL, vem com uma escolha de 5º round e leve esse poço de simpatia para casa;
  • RB LeSean McCoy: chegando aos 30 anos, McCoy vem de uma temporada em que conseguiu 5.4 jardas por corrida e 14 TDs totais, sendo que teve apenas 284 toques na bola, longe daqueles 350 do tempo de Chip Kelly. Se o objetivo dos Bills é perder a temporada, McCoy provavelmente é a maior ameaça que encontrarão. Também para o bem do fantasy, esperamos que ele vá para um time que queira ver ele correndo contente por aí aproveitando seu potencial enquanto ainda tem idade para aguentar carregar um ataque. LeSean vale uma escolha de segundo round, mas provavelmente sairia por uma de quarto;
  • QB Tyrod Taylor: já demos argumentos suficientes pró-Tyrod, mas, quando acreditamos que Buffalo havia entendido, essa reviravolta acontece. Existem times que já estão cansados de perder e têm mais estrutura para chegar aos playoffs com esse bom QB – só falta tê-lo. Siemian parece ter sido confirmado como titular em Denver, mas Blake Bortles está balançando. Vamos lá, Shahid Khan! Joga pra frente, paga aquela escolha de terceira rodada que vocês desperdiçam em punter em Jacksonville e leva o menino Tyrod para o Super Bowl!

Preview: “Tão longe dos playoffs, mas tão perto do New England Patriots” – poderia ser a grande frase para contar a história dos Bills. Como leio sempre no Twitter, se eles não tentarão fazer algo nessa temporada, não sei porque deveríamos tentar prever algo também. Entretanto, fica uma previsão ousada: Bills conseguirá mais vitórias que o New York Jets (2, porque eles têm obrigatoriamente que se enfrentar e New York está muito determinado em ser rebaixado para empatarem).

Esqueçam Tony e Jimmy: tudo o que o Bills precisa está em Tyrod Taylor

A temporada de 2016 chegou ao fim da maneira mais eletrizante possível, com um dos melhores Super Bowls dos últimos tempos. Infelizmente, junto com ele vem a depressão que chamamos de inter ou pré-temporada, afinal, como já disse Belichick, o trabalho para 2017 já começou na segunda feira passada: o show não para.

Mas como preencher o grande vazio em nossos corações. Explorar outros esportes? Priorizar outras partes importantes da vida? Obviamente não. Vamos especular fatos que podem acabar não acontecendo, criticar decisões que podem acabar sendo as corretas e tudo isso envolvendo a principal peça de cada time: o quarterback.

Logicamente, se já nessa época da temporada seu time não tem definido quem será o titular que o levará aos playoffs, saiba que tudo começará mal. Pare de ler um instante e confira os participantes dos últimos SBs: nos últimos 30 anos, somente Trent Dilfer, que venceu o SB XXXV pelo Baltimore Ravens, chegou no time e no mesmo ano disputou (e no caso dele, ganhou) o grande jogo. Para colaborar com a história, ele foi dispensado no ano seguinte, o que prova que ele mais “não atrapalhou” do que realmente ajudou aquela incrível defesa campeã.

Entretanto, existem times que acham que podem repetir o feito dos Ravens – e, inevitavelmente, irão quebrar a cara tentando. Com vocês, a participação especial do Buffalo Bills, que sequer chegou aos playoffs nas últimas 17 temporadas, pior marca da NFL, querendo se livrar de Tyrod Taylor – o QB que, provaremos, é melhor do que as demais opções.

Além de tudo, com o salário “mixaria” que deverá ter: US$ 27.5 milhões garantidos apenas por quatro anos. Lembra do salário do Osweiler? Não olharei porque não quero me deprimir. Enfim, tudo o que Bills deveria fazer era nada e deixar o contrato ativar-se no dia 12 de março de 2017. Mas parece que Buffalo resolverá “tomar uma atitude”.

Spoiler: será uma grande besteira.

“Confiem em mim, porra!”

Por que optar pela imobilidade

E quando falo em imobilidade, quero dizer que os Bills não deveriam fazer nada e não que eles deveriam trocar o veloz Tyrod Taylor pelos pocket passers que estão como opção no mercado. Primeiramente, vamos ter claras as opções: Jay Cutler deve ser dispensado, mas não seríamos loucos de propor um absurdo desses a qualquer time, o tempo de Cutler já passou e ele fracassou. Já Kirk Cousins também pode acabar sem contrato, mas os Redskins serão obrigados a dar os 20 e poucos milhões de dólares que ele peça simplesmente porque é assim que a vida funciona.

Também temos a classe de rookies, que pode ser resumida em um “talvez um ou outro se torne um bom jogador, mas certamente não será em 2017”.

Isso tudo acabará restringindo nossa discussão a dois QBs de mesma origem: Eastern Illinois, universidade que basicamente tudo o que produziu de útil para o mundo da NFL dentro das quatro linhas possivelmente estará restrito a estes nomes: Tony Romo, quarterback de melhor rating e pior ombro da história da NFL, e Jimmy Garoppolo, mais um rostinho bonito, desses que estão em falta na liga. Mas entre estes nomes, a decisão sábia seria manter Taylor.

Primeiro, porque os dois devem custar escolhas do draft para consegui-los. Jerry Jones pode até ser amigável e imitar o que Indianapolis fez com Peyton Manning, dispensando Romo por gratidão para que ele possa estender um pouco mais sua carreira (ainda que declare o contrário, já que “Romo ainda pode ser útil”, “me doeria muito vê-lo com outra camisa” e blablabla). Mas Garoppolo certamente não sairá de graça. Sequer barato. Porque quem manda em Garoppolo é Belichick e “it’s all business”.

Estabelecidos custos, ainda há mais motivos para não ir atrás de Romo. Com Romo, o seu time deve estar pronto para tentar o Super Bowl por dois ou três anos, para em seguida começar todo o processo de buscar uma solução na posição novamente (ou ficar preso com um QB que nunca se sabe quando te deixará na mão, não é mesmo, Arizona Cardinals?).

Mais do que isso: uma pancada bem dada e você acaba na mão de um reserva medíocre como estava em março. Tudo bem, você pode até acreditar que o próximo ano será saudável para Romo, mas 2016 também deveria ter sido. E melhor ainda: os números de Dak Prescott, que mantiveram Romo no banco em 2016, foram os seguintes: 1,8 TDs, 0,5 turnovers e 247 jardas por jogo. Os de Tyrod Taylor? 1,5 TDs, 0,5 turnovers e 240 jardas por jogo, sem o seu melhor alvo e sem a melhor OL da liga – aliás, muito longe disso.

Jimmy Garoppolo tem um asterisco ainda maior ao lado do seu nome. Em apenas duas partidas, ele certamente pareceu muito bom, dominante, seguro. Mas extrapolar de 2 a 16 é sempre temerário, como aprendemos todos os anos na NFL. Essencialmente, Garoppolo ainda é um rookie em termos de tempo de jogo, o que clama por erros estúpidos até ele se acostumar com a vida real.

A lógica também diz que quarterbacks de segunda rodada não chegam prontos à liga e precisam sofrer para crescer. Somados a isso, voltemos a Belichick: se talvez nem Tom Brady seria Tom Brady não fosse o trabalho de Bill, por que vamos nos deixar levar pela mesma situação que produziu pérolas como Matt Cassel e Brian Hoyer?

Por que Tyrod Taylor?

Seguindo o raciocínio aplicado a Garoppolo, Tyrod Taylor está entrando em seu terceiro ano prático de NFL. Obviamente, seus quatro anos em Baltimore após ser escolhido na sexta rodada do draft de 2011 (aquele maravilhoso, de Locker, Gabbert e Ponder) lhe ajudaram a se acostumar à velocidade do football profissional, mas observando sua produção nesses anos anteriores, percebe-se que ele também não teve snaps significativos na posição, algumas vezes até sendo utilizado como running back ou em trick plays. Desta forma, sua carreira começou com Rex Ryan em 2015, após assinar um contrato de apenas três milhões de dólares em 2 anos e ainda assim vencendo uma disputa contra E.J. Manuel e Matt Cassel pela titularidade.

Com boas atuações enquanto efetivamente “aprendia” a ser um QB titular, especialmente protegendo a bola e não se “auto-destruindo” em nenhum jogo, elevando o nível da estrela do ataque, Sammy Watkins, ao final da temporada de 2015 Taylor recebeu um novo contrato, de possíveis 6 anos/92 milhões de dólares (15,3 ao ano, 16º na NFL), com letras pequenas que diziam: “esse contrato só valerá após o final de 2016, caso os Bills não decidam dispensá-lo e ir atrás de outro QB”.

Bora lá, caras…

2016 veio e, não surpreendentemente, sua produção foi praticamente a mesma. Entretanto, tudo o que deu errado para o time (como acabar a temporada com apenas 7 vitórias) acabou caindo na conta do jogador – que cometeu mais de um turnover apenas uma vez, enquanto a defesa de Rex Ryan definhava (19ª em jardas, 16ª em número de pontos) ou Greg Roman, seu coordenador ofensivo, era demitido após a segunda semana de temporada. Também é válido lembrar que Tyrod manteve sua produção tendo como principais alvos disponíveis o TE Charles Clay e o RB LeSean McCoy, já que Robert Woods e Sammy Watkins somaram “18 starts” e 79 recepções apenas, números que deveriam ter individualmente.

Ainda assim, seus números foram acima da média (3 TDs para cada turnover é, insistimos, trabalho de alguém que merece ser titular na NFL), somados a flashes de que não é um mero QB medíocre, como contra a sempre assustadora defesa de Seattle. Inclusive o quarterback dos Seahawks, Russel Wilson, é facilmente uma das melhores comparações do potencial que Taylor pode alcançar, assim como RGIII ou Michael Vick que, coincidentemente, saiu da mesma universidade, Virginia Tech.

Observem: ainda que às vezes percam as jogadas mais fáceis, como aquele tight end livre entre os safeties e os linebackers (com uma leve insistência em lançar para os lados do campo), têm a capacidade de lançar bombas a 50 jardas (quando tem WR capaz de recebê-las) e são tão perigosos com os pés, tanto para escapar de sacks claros como para produzir corridas absurdas dignas de running back – o que, sabemos, é uma ameaça que sempre ajuda o verdadeiro corredor, vide as 5.4 jardas por corrida de LeSean McCoy.

Tudo isso de maneira frequente, não somente em situações esporádicas. Além disso, podemos notar dois problemas também comuns aos quatro: a altura abaixo do ideal (o que ainda, sabe-se lá os motivos, broxa muitos front-offices da NFL) e a necessidade de que o OC se adapte ao jogador que tem. Mas quando seu QB pode fazer isso qual a dificuldade em se adaptar?

Para mim, especialmente com o salário devido, Taylor é uma melhor opção que Kirk Cousins. Ele não se apoia em bons recebedores nem em uma grande proteção. A consistência que ele tem com suas habilidades mostra que você pode criar um bom ataque ao seu redor. Ele não é um Jay Cutler, é um cara que pode criar jogadas, estendê-las e melhorar os jogadores que tem no seu time”, declara Cian Fahey, colaborador do site Pre-Snap Reads e autor de um livro com estatísticas após observar cada snap de cada QB da liga.

Os coaches

Existe um problema a mais em relação a Tyrod ficar em Buffalo: por mais que saibamos que Rex Ryan era um estorvo, Taylor era um de seus homens, desde quando ganhou a posição em 2015. “Nós acreditamos que temos um grande jogador em Tyrod, mas também um líder”, enfatizava o antigo treinador, antes da última temporada, sobre a crença no jogador e em sua evolução.

Entretanto, uma das principais razões para a demissão de Rex antes do fim da temporada também foi sua fidelidade a Taylor, já que os Bills, sem chances de chegar aos playoffs, queriam que o jogador não disputasse o último jogo da temporada sob o risco de sofrer uma lesão (na verdade, agravar uma lesão já existente no seu ombro) que garantiria o seu contrato. Demitido o head coach, Tyrod esquentou o banco.

Sean McDermott, o novo treinador em Buffalo, por outro lado, chegou com declarações políticas sobre Taylor: “Tomemos o nosso tempo para tomar decisões em relação à uma posição tão crítica”. Apesar disso, Rick Dennison, novo coordenador ofensivo da equipe de McDermott, é conhecido por utilizar um ataque West Coast, que poderia servir bem para Taylor, ainda que o treinador tenha mais experiência em trabalhar com jogadores mais “tradicionais”, mesmo que de diferentes níveis, como Peyton Manning, Jay Cutler e a aposta em Trevor Siemian.

De qualquer forma, fica estabelecido que Taylor será uma boa opção e que fará algum time feliz em 2017, seu terceiro ano como titular, normalmente um período de breakout para muitos jogadores. Palpite? 4 mil jardas totais e um ratio de 5 TDs para cada turnover, além de finalmente aterrorizar nos playoffs. Resta saber se os Bills serão sábios o suficiente para serem os vencedores dessa brincadeira ou Tyrod levará seus talentos para algum outro lugar – que não seja Cleveland, que não seja Cleveland, que não seja Cleveland…

O complicado conto de fadas do quarterback e seu treinador

Quando assumiu o comando do Buffalo Bills, no início de 2015, Rex Ryan foi logo garantindo que o time conseguiria a classificação aos playoffs. É o tipo de declaração ousada e irresponsável, especialmente para o novo técnico de um time que há anos não faz nada digno de ser lembrado e que sustenta a indesejável marca de mais tempo sem disputar uma partida de pós-temporada – aliás, a última aparição do Bills lá foi há 16 longos anos. Desde então, foram apenas duas temporadas com mais vitórias do que derrotas e uma série de vexames dentro da divisão: entre 2008 e 2013, por exemplo, foram seis temporadas consecutivas terminando em último lugar na AFC East.

Se o passado precisa ser esquecido, tudo que resta ao torcedor do Buffalo Bills é a esperança de um futuro melhor. E quando surge um técnico que vem logo garantindo glórias, alguns desavisados podem acabar acreditando. O problema é que todo mundo sabe que Rex Ryan é um grande fanfarrão. Nunca esqueceremos que, quando era o head coach do New York Jets, chegou a garantir que o time ganharia um Super Bowl. A confiança na transcendência daquele Jets que ele ajudou a construir era tanta que Rex tatuou uma imagem de sua esposa vestindo a inesquecível camisa 6 de Mark Sanchez. Você provavelmente não acredita que algo tão bizarro e doentio possa ser verdade, mas temos provas do crime.

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A imagem mais incrível que a NFL pode nos proporcionar.

Rex chegou muito perto de cumprir sua promessa, é verdade – o Jets perdeu dois AFC Championship Games consecutivos, logo em seus dois primeiros anos. Se tivesse vencido pelo menos um Super Bowl, provavelmente ainda estaria no Jets e a tatuagem de Sanchez talvez não nos parecesse um sinal de algum transtorno psiquiátrico ainda desconhecido. Mas não venceu, assim como o Buffalo Bills não foi aos playoffs em 2015. As promessas foram em vão.

Quando se trata do Buffalo Bills– ou de qualquer outro time que coleciona fracassos recentes– não podemos nos ater muito ao que passou. Se Rex não cumpriu sua promessa, ao menos conseguiu desenvolver uma base sólida para os próximos anos, especialmente no ataque. O Bills, depois de muito tempo, tem estrelas: LeSean McCoy e Sammy Watkins, quando saudáveis, estão entre o top 5 de suas posições em termos de talento. Tyrod Taylor ainda não alcançou o mesmo status, mas é um quarterback que dá sinais de que talvez possa evoluir ao nível de um titular acima da média.

Se juntarmos esse ataque talentoso a uma defesa sólida, que vem evitando vexames ainda maiores, podemos criar a ilusão de que o Bills chegará a algum lugar em 2016. Porém, ao contrário de Rex Ryan, não vamos prometer nada. Afinal, trata-se de um time que conseguiu perder quatro Super Bowls consecutivos na década de 90 e que, simplesmente, não consegue dar o próximo passo.

Tyrod Taylor, o semideus

Tyrod Taylor talvez tenha sido o QB mais improvável de 2015. Venceu a disputa pela titularidade em uma batalha com o veterano Matt Cassel e com E.J. Manuel, uma das escolhas de primeiro rodada mais absurdas de todos os tempos e que ainda permanece no elenco do Bills. Como titular, teve uma temporada de um sucesso que no máximo pode ser classificado como moderado. Porém, em um time que já dependeu de E.J. Manuel, foi logo colocado em um pedestal e recebeu o exagerado apelido de TyGOD Taylor. A admiração da torcida e a temporada razoável em 2015 renderam uma extensão contratual de cinco anos valendo US$ 92 milhões.

Você deve estar pensando que um QB mediano, abaixo da média de peso e altura e que teve apenas uma temporada razoável como titular não valha tudo isso. E não vale mesmo. Assim como Rex Ryan, o salário de Taylor promete algo que provavelmente não vai cumprir. O Bills se cercou de cuidados e acrescentou cláusulas que proporcionam total flexibilidade, permitindo que o time se livre de Tyrod a partir de 2017 sem grandes consequências no salary cap. Basicamente, trata-se de um contrato de um ano que vale apenas US$ 9,5 milhões.

É um excelente negócio para o Bills, que dá mais uma oportunidade de crescimento para um QB promissor sem colocar em risco o futuro do time. Para Taylor, é a oportunidade de jogar em um nível muito mais alto do que já jogou para fazer com que o contrato seja cumprido até o fim.

Entre os cenários disponíveis, o mais provável é que Tyrod mantenha o que mostrou em 2015, o que pode ser difícil para um QB que depende muito das pernas para ganhar jardas. Nos últimos anos vimos Colin Kaepernick, Robert Griffin III e Michael Vick conseguirem bastante sucesso correndo com a bola e logo em seguida desaparecerem completamente. As defesas da NFL se adaptam muito rapidamente às novidades e Tyrod já não é mais o desconhecido que até pouco tempo esquentava o banco de Joe Flacco no Baltimore Ravens. Taylor terá que melhorar, principalmente, em passes de curta e média distâncias, já que em 2015 foi um dos QBs mais eficientes da liga em passes longos. Quando não corria com a bola, lançava passes longos em play actions, o que é muito pouco para quem quer ser um franchise quarterback. Ele precisa aprimorar sua capacidade de leitura rápida em jogadas com rotas curtas/médias. Precisa, resumidamente, ser um pouco mais pocket passer.

Sammy Watkins, LeSean McCoy e quem mais?

O sucesso de Tyrod Taylor – e de qualquer QB mediano – passa, em grande parte, pelo desempenho de seus recebedores. WRs acima da média, como Calvin Johnson e Odell Beckham Jr., conseguem potencializar o jogo de seus QBs.

Sammy Watkins é, sem dúvida, um dos melhores recebedores da NFL atualmente. Mas para que seu potencial seja plenamente atendido, ele precisa se manter saudável, o que parece ser um grande desafio se levarmos em conta seus dois anos como profissional. Ainda se recuperando de uma cirurgia para corrigir um osso quebrado no pé, Watkins começa a temporada de 2016 como a grande chave para o sucesso ofensivo do Bills. Se conseguir participar de pelo menos 12 jogos na temporada, é praticamente certo que passará de 1000 jardas recebidas e se aproximará de 10 TDs.

Se olharmos para o grupo de recebedores do Buffalo entenderemos por que Sammy Watkins é tão importante. Tirando o WR Robert Woods e o TE Charles Clay, que já tiveram alguns momentos produtivos, o restante dos jogadores faz parte de um grupo de desconhecidos que poderiam estar fritando hamburger em um fast food qualquer.

Talvez o Buffalo Bills nem precise de muitas opções em seu ataque aéreo. Além de falar bastante, Rex Ryan gosta muito de ver seu ataque correndo com a bola: Buffalo liderou a NFL em jardas terrestres e foi o segundo em tentativas de corrida em 2015.

LeSean McCoy já foi o melhor RB da liga e só não permaneceu no posto devido a contusões e a um comportamento questionável fora de campo, que inclusive colaboraram com a troca que o mandou para Buffalo pelo LB Kiko Alonso, que foi para o Philadelphia Eagles. Assim como Watkins, a questão para McCoy é a saúde. Se conseguir permanecer saudável, com o volume de carregadas que receberá, é difícil imaginar um cenário em que não termine no top 10 da liga em jardas e TDs.

Karlos Williams, o reserva de McCoy que foi uma das revelações de 2015, quando marcou 7 TDs, está suspenso por quatro jogos pelo uso de substâncias proibidas. Além da suspensão, Williams já tinha aparecido para treinar muito acima do peso. Segundo ele, a culpa dos quilos a mais era da gravidez de sua namorada, já que ele não podia deixar que ela atendesse aos desejos de grávida sozinha. Bizarrices à parte, pelo menos durante a sua suspensão, não há nenhuma opção além de LeSean McCoy. Com o histórico de contusões do titular, o jogo corrido do Bills pode se tornar rapidamente uma grande bagunça.

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Destrói lá, Tyrod. Mas sem pressão, tá?

Uma defesa desfigurada

Com esquemas complexos, que envolvem muito movimento e blitz exóticas, Rex Ryan criou a fama de ser um especialista em defesa. Nos anos em que levou o NY Jets à final da AFC, sua defesa foi a número dois da liga. Porém, como já vimos antes, Rex também é especialista em falar demais. Logo que assumiu o comando do Bills, além de prever a classificação aos playoffs, afirmou também que sua defesa seria a melhor da NFL em 2015. Como todas as suas promessas, essa também não se realizou. Muito pelo contrário: o Bills foi a quarta melhor defesa da liga em 2014, enquanto em 2015, o primeiro ano da era Rex, a defesa foi apenas a número 19. Uma queda vertiginosa.

O péssimo desempenho pode ser explicado pela ausência de pass rush. O Bills foi o segundo pior time da liga em 2015 em sacks, com apenas 21. Para efeito de comparação, o Denver Broncos, vencedor do Super Bowl, conseguiu 52.

O Bills até tentou melhorar nesse aspecto e procurou suprir as necessidades defensivas no draft. As três primeiras escolhas do time foram defensores. No primeiro round, draftou o DE Shaq Lawson, que acabou tendo que fazer uma cirurgia no ombro e não deve fazer sua estréia até  sexta semana. A escolha de segundo round, LB Reggie Ragland, que deveria ser titular, deve perder toda a temporada com os ligamentos do joelho rompidos.

Além dos calouros, o Bills perdeu também o DT Marcell Dareus, suspenso por quatro jogos por uso de substâncias ilícitas. A perda de Dareus, que no início da temporada de 2015 assinou um contrato de seis anos com US$ 60 milhões garantidos, deve colaborar com a piora tanto da defesa contra o jogo corrido quanto da pressão no quarterback adversário.

Outra perda, que não deve ser tão sentida quanto a de Dareus, foi a do LB IK Enemkpali, famoso por ser o responsável pelo soco que tirou Geno Smith dos primeiros jogos do Jets em 2015, que rompeu os ligamentos do joelho no jogo contra o Indianapolis Colts pela pré-temporada.

Como não consegue se conter, Rex Ryan já foi avisando que, mesmo com as contusões e suspensões, a defesa do Bills em 2016 será melhor do que a da temporada passada. Já não acreditamos mais, Rex.

Palpite: LeSean McCoy e/ou Sammy Watkins perderão vários jogos com contusões, Tyrod Taylor mostrará que não passa de um bom reserva e o Bills não irá aos playoffs. Rex Ryan será demitido e terá que se reinventar na arte de confeccionar promessas inviáveis como coordenador defensivo de um time ainda mais irrelevante.