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Mudando para (tentar) vencer

É impossível falar de sucesso no mundo esportivo sem pensar em títulos e troféus. Um time que não consegue atingir a glória máxima – ou, ao menos, chegar perto dela – dificilmente é considerado bem sucedido, mesmo que apresente resultados muito acima da média. É, de certa forma, injusto, porém é natural que o verdadeiro reconhecimento seja um privilégio apenas dos campeões.

Na NFL, o Kansas City Chiefs é o mais claro exemplo da subjetividade da palavra “sucesso”. Desde que Andy Reid assumiu o cargo de Head Coach, em 2013, o time tem tido “sucesso” – a subjetividade, aqui, precisa ser ressaltada. Foram 53 vitórias e 27 derrotas em jogos de temporada regular: um respeitável e invejável aproveitamento de 66%. Nas cinco temporadas de Reid como técnico, o Chiefs só ficou de fora dos playoffs em 2014, apesar de ter sido também um ano vitorioso, com o recorde de 9-7.

O problema é que a franquia parece incapaz de dar o próximo passo e se tornar realmente bem sucedida. Nas quatro aparições em pós-temporada, o Chiefs conseguiu apenas uma vitória: um sonoro 30×0 no Wild Card Round da temporada de 2015 contra o Houston Texans, time que compartilha a mesma dificuldade de vencer jogos eliminatórios. Foram cinco jogos, com um aproveitamento de 20%, um contraste enorme com o desempenho na temporada regular.

Com exceção da derrota para o Indianapolis Colts nos playoffs da temporada 2013, um jogo que terminou 45×44 e se tornou instantaneamente um clássico, o Chiefs nunca jogou bem nos playoffs. Apesar de ter perdido por placares não muito elásticos para o New England Patriots em 2015 e para o Pittsburgh Steelers em 2016, a impressão que ficava era de que faltava algo.

A certeza de que mudanças eram necessárias veio na temporada passada. A derrota em casa para o modorrento Tennessee Titans, em uma partida em que era o franco favorito, parece ter sido a gota d’água para um time que parece bom demais para a temporada regular e ruim demais para os playoffs. Algo precisava ser feito.

Confiem no menino.

Mudanças

Também contratado em 2013, o QB Alex Smith era o retrato da bipolaridade do Kansas City Chiefs. Ao mesmo tempo em que fazia jogos bons (alguns muito bons) na temporada regular, que inclusive o colocaram na disputa pelo prêmio de MVP em 2017, decepcionava na pós-temporada. Os números em seus cinco jogos de playoffs pelo Chiefs, com exceção dos quatro TDs no jogo contra o Colts, são bastante medíocres. É claro que a culpa não é apenas dele, mas, assim como o resto do time, parecia que faltava algo.

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Com o QB Patrick Mahomes, primeira escolha da equipe em 2017, sentado no banco havia uma decisão a tomar: manter a segurança do experiente veterano, que parecia já ter mostrado tudo que podia dar, ou acreditar no potencial do talentoso sophomore, no qual investiu alto.

A idade e o alto salário de Alex Smith, porém, parecem ter facilitado uma decisão que já não parecia difícil, especialmente quando o Washington Redskins ofereceu uma escolha de terceiro round do draft de 2018 e o CB Kendall Fuller em troca do QB. O Kansas City Chiefs de 2018 se tornava, oficialmente, o time de Patrick Mahomes.

Não é exagero dizer que Mahomes é a antítese de Smith. O QB veterano, com seus passes curtos e sua hesitação em explorar jogadas longas, talvez seja o que mais se aproxime da clássica definição de game manager. O Chiefs precisa e quer exatamente o oposto disso: um QB com o braço forte que não tenha medo de explorar as virtudes de seu ataque explosivo. Esse é Patrick Mahomes.

Em sua única partida como titular em 2017, contra o Denver Broncos na semana 17, Mahomes causou uma boa impressão e confirmou as expectativas quanto as suas habilidades. Apesar de não ter lançado nenhum TD e ter sido interceptado em um claro overthrow, o então rookie QB foi responsável por liderar o time reserva do Chiefs para a vitória com belos lançamentos.

Analisando uma das jogadas espetaculares de Mahomes no jogo, o analista Brian Baldinger disse que “há muitos QBs nessa liga que jogaram muito tempo que nunca lançaram um passe como esse em suas vidas”. Baldinger não hesitou em colocar Mahomes no mesmo patamar de talento que Carson Wentz, Jimmy Garopollo e DeShaun Watson.

Será, no mínimo, interessante ver o que um QB com a força de Mahomes fará por Tyreek Hill, um dos jogadores mais rápidos e versáteis da liga. Se Hill já causou estragos jogando com Alex Smith, é assustador o que pode acontecer quando são misturados o braço de Mahomes e a criatividade ofensiva de Andy Reid.

O grupo de WRs ainda foi reforçado com Sammy Watkins, que tinha o pedigree para ser um dos melhores recebedores da liga, mas nunca teve seu potencial totalmente atingido devido a seguidas contusões. Se conseguir permanecer saudável, Watkins ocupará a negligenciada posição de WR2 do time, que nos últimos anos não teve nenhum nome de importância.

A adição de Watkins tem o potencial de tornar o Chiefs um dos times com mais talento ofensivo na liga. Resta saber se ele finalmente conseguirá jogar o que sempre se esperou dele e nunca se concretizou. Pode ser sua última chance.

O RB Kareem Hunt poderia – e deveria – ter sido escolhido como o Offensive Rookie Of The Year em 2017. Hunt foi o RB com mais jardas terrestres na liga (1327) e apresentou um dinamismo e uma capacidade de participação também no jogo aéreo que o coloca automaticamente entre os melhores RBs da liga.  Não fosse o surgimento de Alvin Kamara no final do ano, Hunt certamente teria vencido o prêmio. Sua presença, além de exigir o respeito das defesas adversárias com o jogo corrido, representa um excelente porto seguro para Mahomes.

Com um jogo corrido a ser respeitado e recebedores como Hill e Watkins, que exigem que os safeties fiquem um passo atrás para evitar passes longos, é inimaginável o que Travis Kelce pode fazer nesse ataque se for bem aproveitado. Kelce é o melhor TE da liga entre os mortais (Gronk não é mortal) e ainda poderá ser beneficiado por um sistema ofensivo que não focará apenas nele.

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Em teoria, o ataque de Kansas City tem tudo para funcionar e ser um dos melhores da liga, mas não há como fugir do clichê “como será a transição de Patrick Mahomes para a NFL?”. Será que ele estará pronto para, além de aproveitar seus atributos físicos, conseguir fazer a leitura das defesas e limitar os turnovers? Será que ele teria a capacidade de liderança exigida de um franchise QB?

O primeiro entre os mortais.

Defesa

As questões sobre a capacidade de Patrick Mahomes liderar o ataque de Kansas City são legítimas, mas o verdadeiro ponto de interrogação do time em 2018 é a defesa, com uma menção especial à secundária.

Marcus Peters, o principal nome da defesa nas últimas três temporadas e um dos CBs mais talentosos da liga, foi trocado para o Los Angeles Rams por uma lata de cerveja e um pacote de bala de goma. A analogia parece exagerada, e talvez seja, já que o Chiefs recebeu uma escolha de segundo round do draft de 2018 e uma de quarto round em 2019. O problema é que Peters e seus 24 turnovers forçados em três temporadas valem mais do que isso. Questões sobre o temperamento forte do jogador parecem ter pesado para não dar um contrato de longo prazo para o jogador e aceitasse perder seu principal defensor.

Além de Peters, o Chiefs perdeu os CBs Phillip Gaines e Terrence Mitchell, que se tornaram unrestricted free agents, e o S Ron Parker, que foi dispensado. Os nomes não são exatamente de peso e foram responsáveis por uma performance bem medíocre em 2017, mas, contando com Peters, são quatro dos seis principais jogadores que formaram a secundária em 2017.

Para suprir as partidas, chegaram os CBs Kendall Fuller, via troca que mandou Alex Smith para Washington, e David Amerson, que perdeu mais da metade da temporada passada machucado. Fuller teve uma boa temporada em 2017 e é um dos melhores cornerbacks defendendo o slot – o Pro Football Focus o considerou o segundo melhor slot CB da liga na temporada passada.

O S Eric Berry, que retorna ao time após se recuperar de um rompimento do tendão de Aquiles que encerrou precocemente sua temporada de 2017, é um retorno considerável, mas não se sabe exatamente em que forma estará. É provável que o time tenha que depender do S Armani Watts, rookie selecionado no quarto round. É uma secundária mediana que, sem dúvidas, está longe de inspirar confiança, com potencial de apresentar resultados desastrosos.

O front seven também teve suas baixas. Os LBs titulares em 2017 Derrick Johnson e Ramik Wilson trocaram de time na free agency. A linha defensiva perdeu Bennie Logan e não conta mais com o veterano, e um dos símbolos do time, Tamba Hali.

Nenhuma dessas perdas é profundamente lamentada em Kansas City, talvez exceto pela liderança que jogadores como Johnson e Hali exerciam, mas o Chiefs dependerá novamente do ótimo pass rusher Justin Houston e do retorno de Dee Ford, que volta ao time após jogar apenas seis partidas em 2017 devido a uma contusão nas costas. Apesar de Houston ser muito bom, é preciso que jogadores secundários, como Ford, tenham sucesso nas investidas contra os QBs, evitando que marcações duplas das linhas ofensivas adversárias simplesmente anulem o All-Star DE.

Palpite

Em uma divisão razoavelmente acima da média e tendo que enfrentar todos os times da também forte NFC West, além de Pittsburgh Steelers, Jacksonville Jaguars e New England Patriots, é difícil imaginar um cenário em que o Kansas City Chiefs vença mais do que oito jogos. Se a previsão se concretizar, será apenas o segundo ano que o time não estará nos playoffs desde que Andy Reid assumiu o comando. Talvez não faça tanta diferença assim, pois se é difícil imaginar uma temporada regular com mais vitórias do que derrotas, é mais difícil ainda considerar realista uma aparição bem sucedida na pós-temporada.

Quem pode mudar esse cenário? Patrick Mahomes, que terá que justificar o investimento feito pelo time e mostrar que pode ser um franchise QB, carregando o time nas costas e sabendo aproveitar todo o potencial ofensivo que tem a sua disposição.

Em uma liga em que os ataques têm se sobressaído consideravelmente sobre as defesas (alguém assistiu o último Super Bowl?), não seria nenhuma surpresa se o ataque do Chiefs superasse as deficiências defensivas e surpreendesse com uma campanha muito melhor do que a esperada. Entretanto, é claro que ninguém vai colocar a mão no fogo por isso. Espere um 8-8, a certeza de que Patrick Mahomes é o QB do futuro e uma lista de compras para a defesa.

Semanas #8 e #9: os melhores piores momentos

Depois de uma semana de férias, estamos de volta! O motivo das férias é simples: se os GIFs demoram a carregar para você (recomendamos acessar a coluna de um computador – ainda mais o da firma, consuma os dados, ninguém pode te impedir), imagine para quem tem que caçar nos arquivos do Gamepass. Por 10 reais mensais de cada leitor dessa página, prometemos que a coluna sai logo depois do Monday Night Football.

*Os lances que aconteceram na Semana 8 estão sinalizados.

Vamos ao que interessa:

1 – Fuck It, I’m Going Deep Fan Club 

Durante muitos anos, sexy Rexy Grosmann conquistou a liga com seus passes longos, daqueles que você olha e pensa “que caralhos está acontecendo?”. Em sua homenagem, foi criado o “Fuck It, I’m Going Deep Fan Club“, algo que poderia ser traduzido como “Fã Clube do Foda-se, Vou Tentar o Lançamento Longo”.

1.1 – Semana 8: 

1.1.1 – Phillip Rivers

Apresentando o famoso conceito de punt com braço.

1.1.2 – Trevor Siemian

Prometemos nunca mais cair no conto de Trevor Siemian.

1.2 – Semana 9: 

1.2.1 – Brock Osweiler 

HAHAHAHAHAHA

Agora, com o auxílio da SUPER-CÂMERA™, veja que Brock Osweiler lançou o passe de olhos fechados.

1.2.2 – Joe Flacco 

Nem a deep ball é elite mais.

1.2.3 – Brock Osweiler (sim, de novo)

A cobertura era tripla. Afinal, o que poderia dar errado?

O segredo para evitar passes como esses é mirar no buraco do peru, tal qual recomenda Jon Gruden, técnico campeão de Super Bowl.

2 – O hat trick da desgraça, estrelando Blair Walsh: 

Blair Walsh (aquele). O homem havia errado um chute de 28 jardas contra os Seahawks nos playoffs. Como parte do acordo (única explicação possível), ele recebeu um contrato em Seattle algum tempo depois. E recompensou o time como sabe: errando três Field Goals na derrota apertada contra os Redskins. Foram erros de 44, 39 e 49 jardas. Separamos a reação dele em cada um.

3 – Homens que queriam voar:

3.1 – Semana 8: Antonio Brown

3.2 – Marshall Newhouse

4 – Jameis Winston 

Jameis é um cara muito energético, e seu espírito de liderança é invejável. Porém, como tudo nessa vida, em excesso faz mal. E Jameis se excedeu. Muito. Em seu discurso antes da pelada contra o Saints, Jameis disse algo como “comer o W” (eat the W, que seria algo como comer a vitória – nem em inglês faz sentido mesmo). A reação dos seus colegas de equipe diz tudo. 

5 – Tentativas de truques engraçados que deram errado

Apenas parem.

5.1 – Semana 8: Tyreek Hill

Isso que dá ser exposto a Trevor Siemian.

 

5.2 – O “retorno” de kickoff dos Saints

Temos certeza que no papel estava lindo.

Por esse ângulo fica ainda mais bizarro.

6 – Defesas fazendo o impossível

Já vimos drills em que cones apresentaram mais resistência. Vamos deixar as imagens falarem por si só.

6.1 – New York Giants

6.2 – Dallas Cowboys

7 – Tretas.

As famosas CENAS LAMENTÁVEIS. O retorno da NFL raiz.

7.1 – AJ Green vs Jalen Ramsey 

7.2 – Mike Evans vs Marshon Lattimore

8 – Imagens que trazem PAZ

8.1 – Semana 8: Ainda na NFL raiz, quando o gato invadiu o campo

8.2 – O Special Teams dos Chiefs

Por isso não gostamos de trabalhos em grupo.

8.3 – Semana 8: Lances raros

Entenda porque o jogo entre Ravens e Dolphins não foi tão encantador quanto se imaginava.

9 – Troféu Dez Bryant da Semana 

O Prêmio que premia o jogador de nome que desaponta quando precisamos dele. Só vamos dar um prêmio para semana 9 (já mostramos como você pode ajudar a coluna a crescer – e, por mais 20$ mensais, teremos dois Troféus Dez Bryants por semana).

Foram 6 recepções para 118 jardas (em 12 alvos), mas Julio Jones, ao dropar a bola sendo marcado por ninguém mais ninguém menos que GASPARZINHO, o CB camarada, levou pra casa o Troféu Dez Bryant da Semana. O jogo terminou 20-17 para Carolina, e os torcedores de Atlanta não podem deixar de imaginar o que aconteceria se Jones tivesse feito o que até aquele seu tio velho e racista teria feito: agarrar a bola.

10 – Nossos lances preferidos da semana

10.1 – Semana 8: Travis Benjamin

Você que joga Madden (paga nóis, EA Sports) com certeza já correu pra trás e acabou se fodendo por isso. Travis Benjamin achou razoável correr para trás (“agora eu se consagro!”, pensou ele), e acabou sofrendo um Safety. Gênio.

10.2 – Kirk Cousins

O homem que sacrificou o seu running back para os deuses do futebol americano. Descanse em paz, Rob Kelley.

 

Você pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

Entre o presente e o futuro

Ao contrário da visão que muitos veículos da mídia especializada brasileira passam, o Kansas City Chiefs é muito mais que apenas o seu kicker tupiniquim Cairo Santos. Claro, Cairo tem um importante papel como embaixador do esporte no país e é uma atração à parte para nós brasileiros. Mas os Chiefs não são só Santos, muito pelo contrário: o time tem sido um dos mais interessantes de se assistir na NFL – ao menos durante a temporada regular. E a própria NFL concorda: KC jogará seis jogos de horário nobre em 2017 – mais que qualquer outro time da liga.

O hype em torno dos Chiefs pode ser atribuído ao desempenho nas últimas duas temporadas: em 2015 a equipe emplacou uma sequência de 10 vitórias consecutivas nos últimos 10 jogos, saindo de uma campanha 1-5 para 11-5 e chegando até o Divisional Round dos playoffs, onde foi derrotada pelo New England Patriots. Já em 2016, a segunda posição na classificação da AFC garantiu acesso direto à mesma rodada do Divisional, dessa vez em casa. A vantagem de jogar diante da torcida mais barulhenta do mundo não se fez valer, e os Chiefs acabaram apanhando do Pittsburgh Steelers, em derrota muito doída pela torcida.

Confie seu futuro nas mãos deste ser.

Recomeço

E é dessa derrota que partimos para explicar o ano de 2017 em Kansas City. Após mais uma eliminação nos playoffs, a percepção ao redor da liga – e dentro da franquia – era de que o time comandado por Alex Smith dava conta da temporada regular, mas não tinha forças para vencer em janeiro. Pensando nisso, os Chiefs subiram no último Draft para escolher o QB Patrick Mahomes.

Mahomes é um prospecto notadamente cru, que ainda não tem todos os conhecimentos para jogar na NFL devido ao sistema de jogo em que estava inserido na faculdade. Porém, o talento, o braço e a promessa estão lá, e acredita-se que em pelo menos um ano ele estará pronto para ser titular; de qualquer forma Alex Smith ainda está lá para segurar a posição enquanto Patrick não está pronto.

No papel, a ideia é excelente – concordamos que Alex Smith não vai te levar muito longe nem que ele compre uma companhia aérea chinesa -, mas talvez o elenco dos Chiefs não consiga esperar o desenvolvimento de Mahomes para atuar com ele. Especialmente na defesa, alguns veteranos (óbvio) estão cada vez mais velhos, e não podemos cravar que manterão o desempenho de outros tempos.

O lado bom

Derrick Johnson e Tamba Hali já estão organizando os papéis da aposentadoria; e Justin Houston, que após anos estelares, não foi o mesmo depois da lesão que sofreu em 2015. Recuperado, Houston talvez retome o auge da sua forma, mas não seria surpresa se, após mais uma temporada decepcionante, ele sequer esteja no roster em 2018. A ascensão de Dee Ford pode ajudar nessas posições, mas, se você fez a matemática, ela não bate: são três jogadores em baixa contra um em alta.

Além disso, Dontari Poe, que era uma força no meio da linha defensiva, já não está mais na cidade. Para o seu lugar chega Bennie Logan, e podemos acreditar que não haverá uma perda de qualidade, pois Chris Jones, que se destacou como calouro, está mais experiente em seu segundo ano na liga. E, para piorar, caso o front 7 mostre uma notável regressão, é importante lembrar que KC não tem a escolha de primeira rodada do ano que vem, visto que ela foi utilizada em troca para selecionar Patrick Mahomes.

A secundária, por sua vez, será o ponto forte do grupo: Eric Berry é capaz de ganhar jogos que já estejam perdidos, e Marcus Peters já se consolidou como um dos principais Cornerbacks da NFL. Fecham o grupo o Safety Ron Parker e o CB Steven Nelson.

A verdadeira esperança.

Um grande tristeza

No ataque, pouca coisa muda. O esquema do bom técnico Andy Reid será mantido, assim como o péssimo trabalho controlando o relógio ao final das partidas. Já Alex Smith será aquele QB que não estraga tudo, mas é incapaz de lançar a bola por mais de 15 jardas – mesmo que ele tenha um recebedor livre na 3rd and 17.

A linha ofensiva, que em 2016 não comprometeu, mas também não encheu os olhos, será a mesma (lesões à parte, como sempre): os Chiefs não perderão nenhum jogo porque a OL não conseguiu jogar, e isso já pode ser considerada um vitória em uma liga onde jogam Indianapolis Colts, Minnesota Vikings e Seattle Seahawks.

Já na posição de RB, Jamaal Charles deixa o departamento médico da equipe, mas Charcandrick West e Spencer Ware, que já se mostraram confiáveis, seguem no elenco. Além deles, Kareem Hunt, que chegou no draft com expectativas em torno de seu nome, e CJ Spiller, completam o versátil grupo, que ainda deve contar com algumas jogadas de Tyreek Hill.

Hill, por sua vez, adquire a posição de WR1, que ficou vaga após a saída de Jeremy Maclin pela porta dos fundos. Os outros WRs dos Chiefs são desconhecidos pelo fã-médio do esporte, então não vale nem a pena citá-los. Travis Kelce, por outro lado, é bastante conhecido e, quando Rob Gronkowski não está em campo (aproximadamente 63% do tempo, de acordo com estatísticas oficiais), é considerado por muitos o melhor TE da NFL.

Normalmente não apontamos para os Special Teams das equipes ao fazer nossas previsões, mas em Kansas City a história é um pouco diferente. Tyreek Hill anotou dois TDs em retorno de Punts e um retornando Kickoffs. Cairo Santos, com exceção de um início de carreira errante, não decepciona quando é chamado. Logo, os ST dão aos Chiefs uma dimensão que muitas equipes da liga não sonham.

Palpite: Podemos ir junto com a corrente e falar que os Chiefs terão mais um bom ano, mas a verdade é que o cenário está desenhado para uma catástrofe. A torcida já não aguenta mais Alex Smith e, após uma atuação questionável em uma derrota no Primetime, sua cabeça estará em jogo. Ele sucumbirá a pressão e, eventualmente, perderá a posição para um Patrick Mahomes despreparado. Jogando em uma divisão complicada como a AFC West, o time ficará de fora dos playoffs e Alex Smith irá levar sua mediocridade para outra franquia em 2018. Vocês viram aqui primeiro.