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Tentando permanecer relevante

“This one is for Pat!”. Quando John Elway ergueu o Lombardi após a vitória no Super Bowl 50, ele estava (talvez) no ponto mais alto de sua carreira. Depois de vencer a NFL duas vezes como jogador, ele finalmente conseguiu repetir o feito, agora como General Manager.

Não restavam dúvidas: John havia montado em 2013 um dos melhores ataques da história da liga, apenas para ver esse mesmo ataque sendo destroçado pela Legion of Boom. Elway, então, entendeu que “se não pode com eles, junte-se a eles”, e assim montou uma defesa quase tão poderosa quanto aquela unidade comandada por Peyton Manning.

Dois anos depois, Manning já não era mais o mesmo, e quem ficou marcado na conquista do Super Bowl foi o sistema defensivo montado por John. Três anos, dois Super Bowls e duas grandes equipes, bem diferentes entre si. Elway, que já estava no Hall da Fama como jogador, mostrava que poderia repetir o feito como dirigente.

Rostinho que passa credibilidade.

Você é bom, até que não é mais

Duas temporadas se passaram, e essa percepção foi praticamente apagada da cabeça dos torcedores. Se antes John era aplaudido por recrutar Peyton Manning, hoje a questão paira como uma dúvida: é tanto mérito assim contratar aquele que é pra muitos o melhor QB da história?

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Os questionamentos vêm em função dos substitutos escolhidos para O Testa. Brock Osweiler (HAHAHA) se tornou um dos piores exemplos possíveis na história da liga, Paxton Lynch só sabe jogar futebol americano se for no Madden e Trevor Siemian foi apenas um devaneio de algumas noites de setembro.

Some isso ao fato de que a defesa não conseguiu repetir as atuações dos playoffs de 2015/16 e você tem um time que, se antes era um dos destaques da liga, passou a ser uma daquelas equipes que você rola os olhos quando descobre que está no Primetime e/ou vai ser a transmissão do segundo horário da ESPN (essas equipes são um oferecimento do Dallas Cowboys™).

Virando a página?

Ciente das pataquadas que fez nos últimos drafts, Elway resolveu mudar a fórmula. Desistiu de apostar em prospectos na posição de QB e foi atrás de nomes de experiência e já consolidados na posição. Bem, Case Keenum não é necessariamente o nome que vem à mente quando falamos dessas características, mas era o que o mercado tinha a oferecer depois que Kirk Cousins resolveu agitar a economia de Minnesota. A escolha é extremamente questionável, ainda mais se considerarmos que a essa altura do ano passado Keenum não era nem nota de rodapé nas matérias que antecipavam a temporada.

Tem tudo pra dar errado.

A defesa também já não é aquela que fez Tom Brady sentir o gostinho dos gramados do Colorado por 60 minutos. Após o título do Super Bowl 50 a saída de Malik Jackson deixou um buraco no meio da linha defensiva. Ano passado o time se livrou de TJ Ward, que por sua vez foi encher o saco em Tampa Bay. E, em 2018, Aqib Talib foi trocado pra Los Angeles por quatro potes de Whey Protein. Além deles, DeMarcus Ware está curtindo a vida de aposentado já há algum tempo. E, claro, repetir o alto nível de jogo com essas ausências foi ainda mais difícil quando o ataque tinha dificuldades até mesmo de entrar em campo (acredite nos seus sonhos).

Por fim, a aposentadoria precoce de Gary Kubiak deixou a franquia sem o técnico que levou o time ao ponto mais alto do pódio (que na NFL não existe). O escolhido, Vance Joseph, fez um trabalho tão ruim em 2017 que haviam rumores de que ele poderia ser demitido após a temporada, colocando-o no hall de técnicos que passaram pelo one-and-done ao lado de lendas do esporte como Jim “cara de rato” Tomsula.

Ano novo, vida nova (mas nem tanto)

Para sair do limbo que é a mediocridade das últimas temporadas, o Broncos e John Elway apostam em um espécie de híbrido daquele time que venceu o Super Bowl com um bando de novas faces.

Case Keenum, como já falamos, vem pra ser a decepção na posição de Quarterback da vez. Paxton Lych é palavra proibida dentro da franquia, a não ser que o assunto seja “troca”. Chad Kelly (sim, aquele), pode acabar levando o posto de backup.

Pode apostar que vai dar merda.

O corpo de Wide Receivers é basicamente aquele que você se acostumou a ver: Emmanuel Sanders e Demaryius Thomas revezando boas e más atuações, com algumas lesões no meio. Chegaram para ajudar, pelo Draft, Courtland Sutton e DaeSean Hamilton. Se considerarmos o histórico de Elway draftando jogadores da posição, podemos esperar, dentre outras coisas, vários nada.

Já nas posições de Running Back e Tight End, temos o que podemos descrever como um bando de incógnitas. Se Devontae Booker ainda não mostrou muito serviço, podemos falar o mesmo de Jake Butt. E, tal qual Royce Freeman, Troy Fumagalli (sim!) é um calouro que, ao contrário da indústria do draft, não vamos fingir saber o que esperar deles. Se você está sentindo falta de alguém, CJ Anderson está nos Panthers (nós também esquecemos).

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Por fim, a linha ofensiva, que já vinha melhorando desde as chegadas de Ronald Leary e Garett Bolles, conta agora com o reforço (?) de Jared Veldheer. Pode não ser a melhor unidade da liga, mas já é muita coisa se considerarmos que a NFL é lar de times como o Seattle Seahawks.

A defesa ainda é um esboço daquilo que nos habituamos a ver. Derek Wolfe e Von Miller comandam a linha defensiva, que agora pode contar com a monstruosa adição de Bradley Chubb. Basicamente, a ideia dos Broncos é reeditar a parceria de sucesso que Miller teve com DeMarcus Ware.

Os LBs ainda são comandados por Brandon Marshall e Todd Davis, enquanto a secundária ainda conta com Chris Harris e Darian Stewart. Além deles, a equipe parece esperar boas contribuições de Bradley Roby e Justin Simmons. Por fim, a adição do problemático Xavier Su’a Cravens traz uma opção versátil para a unidade. Se tudo sair como o planejado, Denver pode voltar a ter uma das melhores defesas da NFL.

Palpite

A ideia de mesclar os veteranos do time com novas caras parece boa, mas a vida útil do jogador da NFL é muito curta. Acreditar que alguns atletas vão retomar as grandes atuações e que os novatos vão emplacar requer muito boa vontade. Case Keenum está longe de empolgar como QB. Por tudo isso, e por jogar em uma das divisões mais complicadas da liga, dificilmente o Broncos volta aos playoffs. Uma temporada entre 7-9 e 9-7 pode ser o limite para esse time.

Semanas #8 e #9: os melhores piores momentos

Depois de uma semana de férias, estamos de volta! O motivo das férias é simples: se os GIFs demoram a carregar para você (recomendamos acessar a coluna de um computador – ainda mais o da firma, consuma os dados, ninguém pode te impedir), imagine para quem tem que caçar nos arquivos do Gamepass. Por 10 reais mensais de cada leitor dessa página, prometemos que a coluna sai logo depois do Monday Night Football.

*Os lances que aconteceram na Semana 8 estão sinalizados.

Vamos ao que interessa:

1 – Fuck It, I’m Going Deep Fan Club 

Durante muitos anos, sexy Rexy Grosmann conquistou a liga com seus passes longos, daqueles que você olha e pensa “que caralhos está acontecendo?”. Em sua homenagem, foi criado o “Fuck It, I’m Going Deep Fan Club“, algo que poderia ser traduzido como “Fã Clube do Foda-se, Vou Tentar o Lançamento Longo”.

1.1 – Semana 8: 

1.1.1 – Phillip Rivers

Apresentando o famoso conceito de punt com braço.

1.1.2 – Trevor Siemian

Prometemos nunca mais cair no conto de Trevor Siemian.

1.2 – Semana 9: 

1.2.1 – Brock Osweiler 

HAHAHAHAHAHA

Agora, com o auxílio da SUPER-CÂMERA™, veja que Brock Osweiler lançou o passe de olhos fechados.

1.2.2 – Joe Flacco 

Nem a deep ball é elite mais.

1.2.3 – Brock Osweiler (sim, de novo)

A cobertura era tripla. Afinal, o que poderia dar errado?

O segredo para evitar passes como esses é mirar no buraco do peru, tal qual recomenda Jon Gruden, técnico campeão de Super Bowl.

2 – O hat trick da desgraça, estrelando Blair Walsh: 

Blair Walsh (aquele). O homem havia errado um chute de 28 jardas contra os Seahawks nos playoffs. Como parte do acordo (única explicação possível), ele recebeu um contrato em Seattle algum tempo depois. E recompensou o time como sabe: errando três Field Goals na derrota apertada contra os Redskins. Foram erros de 44, 39 e 49 jardas. Separamos a reação dele em cada um.

3 – Homens que queriam voar:

3.1 – Semana 8: Antonio Brown

3.2 – Marshall Newhouse

4 – Jameis Winston 

Jameis é um cara muito energético, e seu espírito de liderança é invejável. Porém, como tudo nessa vida, em excesso faz mal. E Jameis se excedeu. Muito. Em seu discurso antes da pelada contra o Saints, Jameis disse algo como “comer o W” (eat the W, que seria algo como comer a vitória – nem em inglês faz sentido mesmo). A reação dos seus colegas de equipe diz tudo. 

5 – Tentativas de truques engraçados que deram errado

Apenas parem.

5.1 – Semana 8: Tyreek Hill

Isso que dá ser exposto a Trevor Siemian.

 

5.2 – O “retorno” de kickoff dos Saints

Temos certeza que no papel estava lindo.

Por esse ângulo fica ainda mais bizarro.

6 – Defesas fazendo o impossível

Já vimos drills em que cones apresentaram mais resistência. Vamos deixar as imagens falarem por si só.

6.1 – New York Giants

6.2 – Dallas Cowboys

7 – Tretas.

As famosas CENAS LAMENTÁVEIS. O retorno da NFL raiz.

7.1 – AJ Green vs Jalen Ramsey 

7.2 – Mike Evans vs Marshon Lattimore

8 – Imagens que trazem PAZ

8.1 – Semana 8: Ainda na NFL raiz, quando o gato invadiu o campo

8.2 – O Special Teams dos Chiefs

Por isso não gostamos de trabalhos em grupo.

8.3 – Semana 8: Lances raros

Entenda porque o jogo entre Ravens e Dolphins não foi tão encantador quanto se imaginava.

9 – Troféu Dez Bryant da Semana 

O Prêmio que premia o jogador de nome que desaponta quando precisamos dele. Só vamos dar um prêmio para semana 9 (já mostramos como você pode ajudar a coluna a crescer – e, por mais 20$ mensais, teremos dois Troféus Dez Bryants por semana).

Foram 6 recepções para 118 jardas (em 12 alvos), mas Julio Jones, ao dropar a bola sendo marcado por ninguém mais ninguém menos que GASPARZINHO, o CB camarada, levou pra casa o Troféu Dez Bryant da Semana. O jogo terminou 20-17 para Carolina, e os torcedores de Atlanta não podem deixar de imaginar o que aconteceria se Jones tivesse feito o que até aquele seu tio velho e racista teria feito: agarrar a bola.

10 – Nossos lances preferidos da semana

10.1 – Semana 8: Travis Benjamin

Você que joga Madden (paga nóis, EA Sports) com certeza já correu pra trás e acabou se fodendo por isso. Travis Benjamin achou razoável correr para trás (“agora eu se consagro!”, pensou ele), e acabou sofrendo um Safety. Gênio.

10.2 – Kirk Cousins

O homem que sacrificou o seu running back para os deuses do futebol americano. Descanse em paz, Rob Kelley.

 

Você pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

Semana #6: os melhores piores momentos

Semanalmente, grandes jogadas são feitas. Mas também, semanalmente, péssimas jogadas são feitas. Esta coluna está interessada apenas no segundo grupo: porque os highlights você pode assistir em qualquer lugar, o que houve de ruim, só aqui, no Pick Six.

1 – Sequências assustadoras

Não tão boas quanto a franquia Sharknado, mas mostrando que tudo que está ruim, pode piorar.

1.1 – O Detroit Lions 

Em um primeiro momento, o jovem Jamal Agnew (já retornou algumas bolas para a endzone, mas tem o azar de jogar em Detroit, logo você não o conhece) conseguiu sofrer um fumble medonho ao tentar retornar um punt: ele jogou a bola pra trás, e escapou de um Safety por pouco.

Um passe incompleto depois, Matthew Stafford conseguiu a lendária Pick Six na Endzone. Diz a lenda que ver muitas dessas na vida é um sinal de sorte.

1.2 – Kansas City Chiefs e Pittsburgh Steelers 

Não é porque são bons times que eles estão imunes as cãibras mentais. Acompanhe aqui como Alex Smith está inspirado na sua campanha de MVP: está jogando como Peyton Manning.

O Steelers queria jogo e, em um belo momento de fair play, decidiu que os dois pontos já eram suficientes e o Chiefs poderia reaver a bola. Antonio Brown e cia. ainda fizeram um belo teatro para disfarçar. Parabéns pela atitude!

2 – Decisões assustadoras 

Não tanto quanto aquela sua ideia de apostar no Tennessee Titans como o time a ser batido na AFC em 2017.

2.1 – Denver Broncos

Brock Osweiler teve sua oportunidade de ouro ao ser contratado pelo Denver Broncos. E então a sorte sorriu novamente para Brock: Trevor “is he good enough?” Siemian se machucou e ele pôde comandar o ataque de Denver por algumas jogadas. Mas os Broncos sabiam que era melhor não se arriscar e, mesmo depois que Osweiler fez um spike para parar o relógio, o time decidiu que era melhor acabar com a brincadeira ali mesmo.

Poesia.

2.2 – Jacksonville Jaguars

Os Jaguars descobriram da pior maneira que, perdendo por 10 pontos, chutar um Field Goal de 54 (!) jardas na segunda (!!) descida (!!!) não era uma boa ideia.

Pra enquadrar.

3 – Punts: uma ciência muito mais complexa que você imaginava.

Depois de Jay Cutler, definitivamente a jogada que mais traz alegria para a nossa coluna. Já apareceu duas vezes hoje, e ainda há espaço pra mais.

3.1 – “A bola tá vindo, o que é que eu faço?”

Porque o Thursday Night Football NUNCA falha.

3.2 – O momento que você conheceu a posição de Long Snapper 

Com todo respeito, mas essa é a única posição do esporte que até cegos podem jogar. Você não pode ser pago pra isso e ser ruim. Nunca.

3.3 – Os times especial do Los Angeles Rams

Uma presença constante por aqui. Algumas vezes de forma positiva, outras de forma negativa. Dessa vez, foi lindo.

4 – Joe Flacco

Um ótimo lance para você usar de exemplo quando estiver explicando o esporte pra @: não pode lançar a bola pra frente depois que você passou da linha de scrimmage. Apesar de ter gente que joga o jogo (e ganha muito dinheiro para isso) que não sabe da regra, ela ainda é muito importante.

Caso você não tenha percebido, a linha de scrimmage é ali na linha de 10.

5 – Pessoas entrando de bunda na endzone

A tendência mais forte do inverno americano.

5.1 – Golden Tate III

O homem que imortalizou essa arte. Nós amamos Golden Tate. (Veja o touchdown, também vale a pena.)

5.2 – Braxton Miller

Nada como enfrentar o Browns. Você talvez nem conhecia esse homem. Nós o conhecemos deste lance.

5.3 – O guerreiro #13 de Kansas City 

6 – Imagens que trazem PAZ.

6.1 – Kevin Hogan 

Tem que ser muito gênio pra lançar um Intentional Grounding em que a bola sequer sai da endzone.

6.2 – Adrian Peterson quebrando tornozelos

Diretamente do túnel do tempo, mais precisamente do ano 2009.

6.3 – “Os Intocáveis”

A série que conquista fãs a cada semana.

6.4 – Kiko Alonso

Porque não apenas crianças gostam de voltar pra casa com souvenirs.

6.5 – Frank Gore

Assassinando o Edge, Gore entra aqui na cota do clubismo.

7 – Prêmio Dez Bryant da Semana

Não tem Prêmio Dez Bryant nessa semana. Quando a coluna for paga, você poderá reclamar.*

*Nenhuma atuação medonha chamou muito a atenção, e já tínhamos conteúdo suficiente dessa vez.

8 – Artie Burns

No touchdown que o guerreiro #13 dos Chiefs entra na endzone com a bunda, Burns protagonizou um momento, no mínimo, curioso. Ele para na jogada pra reclamar. E ainda perde o tackle na sequência. Burns é o camisa 25.

 

As dores e alegrias de Denver

Mais uma temporada que se inicia em Denver, e mais uma vez Von Miller será a verdadeira face do Broncos – uma máquina de demolir quarterbacks adversários em um sistema defensivo capaz de aterrorizá-los por terra ou pelo ar. Mas infelizmente, nada disso parece adiantar, já que Denver não aparenta ter um quarterback mentalmente capaz de vencer jogos – na verdade, se Trevor Siemian ou Paxton Lynch forem algo próximo a um ser humano com coordenação motora, já será uma vitória.

O novo HC Vance Joseph herdou um time recém campeão do Super Bowl – parece distante, mas há apenas dois anos Peyton Manning e companhia levantavam o Lombardi Trophy. E se o ano que seguiu a conquista foi quase trágico, John Elway tratou de reformular o corpo técnico da equipe: Mike McCoy, ex-HC do Chargers, é o novo OC.

Além dele, desembarcaram no Colorado nomes como Bill Musgrave, Jeff Davidson e Geep Chryst, todos com responsabilidade de reconstruir um sistema ofensivo que agrediu nossos olhos ao longo da última temporada. Elway argumenta que, para retornar aos playoffs pela sexta vez nos últimos sete anos, é necessário trabalhar com pessoas com “atitude, que odeiam perder” – para ele, o caminho para a pós-temporada começa nas trincheiras.

Quase decolando

Em 2016, o ataque do Broncos sempre parecia prestes a decolar – embora isso nunca tenha acontecido de fato. Mesmo assim, Trevor Siemian terminou seu primeiro ano com 8 vitórias (e 6 derrotas), 18 TDs e 10 INT – Siemian, porém, passou por uma cirurgia em seu ombro esquerdo e perdeu boa parte dos treinos de pré-temporada. Mesmo assim, estamos falando de uma franquia que entregou o comando de seu ataque para alguém como Trevor Siemian após alguns anos com Peyton Manning, certo?

E, bem, se perguntássemos se aquele ataque, liderado por um dos maiores QBs de todos os tempos, vencedor do Super Bowl em 2016, era significativamente melhor que o comandado por Trevor no ano seguinte, o que você responderia? Possivelmente ouviríamos um “sim” tão certo quanto o próximo fiasco do Jacksonville Jaguars, mas isso não pode ser considerado uma verdade absoluta: em 2015-2016, o ataque do Broncos teve média de pouco mais de 22 pontos por partida; na temporada seguinte, o número ficou um pouco acima de 20.

Logicamente não estamos sequer cogitando que Siemian é tão bom quanto Manning, mesmo em sua versão figurante de The Walking Dead; os números apenas ajudam a entender que nem Trevor ou mesmo Paxton Lynch podem ser apontados como o principal motivo da derrocada do Broncos; o maior culpado é a linha ofensiva, que passou a figurar entre as piores unidades de bloqueio da NFL.

Se juntar os dois, não dá um.

Tapando buracos

Pensando nisso, todos os esforços da offseason foram focados em fortalecer a OL, seja via draft com a escolha do OT Garet Bolles na primeira rodada ou na free agency, com as contrações do LG Ron Leary e do RT Menelik Watson (grandes bost*) – além disso, Vance Joseph já demonstrou que o novo esquema ofensivo exigirá que o QB libere a bola mais rapidamente o que, invariavelmente, deverá trazer consigo uma redução no número de sacks.

Outro fator já apontado pelo corpo técnico é que, com o reforço da OL, Denver tentará também se impor através do jogo terrestre: CJ Anderson entra em uma temporada decisiva para sua carreira; Devontae Booker pode ganhar mais oportunidades e há, ainda, o restos mortais de Jamaal Charles – que com cinco temporadas com mais de 1000 jardas, se conseguir parar em pé, dará ao Broncos oportunidades para diversificar ainda mais seu sistema ofensivo.

Voa, cavalinho!

A melhora da linha ofensiva é uma necessidade fundamental para que Paxton Lynch assuma o posto de QB titular – convenhamos, ninguém espera que uma escolha de primeira rodada, mesmo que ainda em estado bruto e precisando de desenvolvimento, vá esquentar o banco de Trevor Siemian por muito tempo, certo?

Quando isto acontecer, naquele período obscuro que compreende o limbo entre a última semana da pré-temporada e a week 6, Lynch precisará que Demaryus Thomas consiga agarrar passes; não se nega o talento de Demaryius, mas também não podemos fazer vistas grossas aos inúmeros drops de 2016 – Joseph, aliás, já desafiou Thomas a voltar “a ser uma estrela”.

O fato é que Sanders tem sido uma arma mais confiável para Denver do que Demaryius e, para que eles consigam atingir todo seu potencial, precisarão de ajuda, sobretudo na redzone – é aqui que a seleção do TE Jake Butt, que deve entrar em campo apenas em meados de outubro, pode auxiliar a dupla de WRs.

A esperança

O principal motivo pelo qual os Broncos conseguiram vencer o Super Bowl 50, apesar do desempenho horrível de Manning, foi a solidez de seu sistema defensivo; Denver bloqueou o ataque mais explosivo da liga na época sem maiores problemas.

Se juntar os dois, dá quatro.

Mesmo que seja nítido alguns passos para trás, a narrativa de que a defesa dos Broncos não consegue mais fazer jus às expectativas não passa de uma grande bobagem – desmentida por qualquer estatística. E a verdade é que ela foi a principal razão para a franquia terminar a temporada passada com um recorde positivo e quase beliscar uma vaga nos playoffs.

Para 2017, Denver trouxe os NTs Domata Peko, que procura reverter a queda que mostrou ano passado em Cincinnati, e Zach Kerr, que deve se adaptar ao esquema sem maiores problemas. Mesmo assim, o Broncos precisa que o LB Brandon Marshall se recupere efetivamente de uma lesão no tendão que o acompanhou na temporada que passou.

Já Von Miller é uma entidade sobrenatural, uma força da natureza, e deve perseguir o prêmio de melhor jogador defensivo, que perdeu em 2016 por um voto para Khalil Mack. Shane Ray substituirá o aposentado DeMarcus Ware e a secundária, comandada por Chris Harris e Aqib Talib, que aparenta não envelhecer, tentará liderar a NFL na defesa contra o passe pela terceira temporada consecutiva.

Palpite: Os Broncos acreditam que os problemas da OL começaram a ser solucionados. Mesmo assim, ainda há a questão do quarterback: essa defesa foi capaz de carregar um decrépito Peyton Manning até a glória, mas conseguirá fazer o mesmo com Lynch ou Siemian? Não é sábio duvidar – mas também seria pouco inteligente apostar nisso. Mesmo assim, seria burrice acreditar um time comandado por Alex Smith, além do fato de que o Chargers é pouco ou nada confiável. Em uma divisão em que apenas o Oakland Raiders parece a frente, algo entre sete ou nove vitórias é uma realidade palpável – mas talvez, ainda assim, insuficiente para retornar aos playoffs.