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Semana #3: os melhores piores momentos

A semana 3 já virou história. Entenda como quiser.

Porém, ao contrário dos milhões de veículos que falaram sobre a rodada da NFL (abraço para os amigos do Jornal Nacional, em especial William Bonner, leitor frequente do site), você sabe que aqui não teremos os melhores momentos ou uma análise política do que vem acontecendo nos EUA.

Sem mais enrolações, vamos para o que de pior aconteceu na rodada!

1 – Começando com o pé direito – Los Angeles Rams @ San Francisco 49ers

Antes do jogo todos nós, especialistas, acreditávamos que seria uma pelada. Talvez a partida não tenha sido a mais técnico da história do futebol americano, mas certamente foi a mais divertido da temporada (pelo menos até então).

Mesmo vencendo o jogo, os Rams protagonizaram um show de horrores. Especificamente os Special Teams dos Rams protagonizaram um show de horrores. Foram três turnovers gerados por algo que acreditamos ser ruindade aliada a burrice extrema. Confira conosco no replay:

Tavon Austin (sempre divertido lembrar do seu salário) não conseguiu segurar um punt e a bola ficou com San Francisco. Clique aqui para ver a merda sendo feita.

O guerreiro #10 dos Rams não percebeu que era só não fazer merda que a vitória estaria encaminhada e retornou o kickoff. A bola acabou com os 49ers. Clique aqui para ver a merda sendo feita, parte II.

São necessários muitos idiotas juntos para que um Onside Kick não seja recuperado. Verifique por conta própria os responsáveis pela pataquada. Clique aqui para ver a merda sendo feita, parte III.

Devolvam o Special Teams dos Rams que aprendemos a amar e respeitar.

2 – Richard Sherman: vai chorar na cama que é lugar quente.

Sherman conseguiu algo que poucos jogadores podem se orgulhar de ter no currículo. Ele cometeu três faltas em uma mesma jogada. Sua inteligência anulou uma interceptação do próprio time e ainda catapultou o ataque dos Titans da própria linha de 44 para a linha adversária de 30 jardas. Gênio.

Durante a jogada, ele cometeu uma pass interference e, após a INT, um holding.

Não satisfeito com as marcações dos juízes, ele reclamou e foi advertido por conduta antidesportiva.

3 – O mundo está repleto de imbecis.

O título é autoexplicativo.

3.1 – Por que alguns defensores são tão idiotas?

Uma coisa que nos incomoda – e deveria incomodar você também -, é quando algum defensor é batido, mas, por algum motivo que não a ação dele próprio na jogada, o passe é incompleto. A câmera então corta para esse defensor e ele celebra como se tivesse feito algo extraordinário. Não fez.

Na jogada que separamos vemos que o CB (desconhecido para nós) está um ou dois passos atrás do recebedor, mas o passe é muito longo e o avanço é zero. Isso não impede o jovem guerreiro #20 de achar que ele fez um ótimo trabalho.

3.2 – Ainda sobre comemorações idiotas de gente imbecil.

Quanto mais palavras dedicarmos a esse jovem, mais perderemos. Basicamente, o imbecil não viu o pedido de fair catch e fez um tackle nervoso. Saiu comemorando, até o momento que percebeu a bandeirinha amarela. Tem que malhar mais o cérebro e menos o braço, colega.

Como eu sou burro!

3.3 – Soltando a bola na beira da endzone 2: o inimigo agora é outro.

O lance mais sensacional da semana 3 ficou por conta do imbecil que esqueceu que você só marca touchdown quando entra na endzone. A jogada é inexplicável e só dá para entender vendo.

4 – Andy Dalton: ele é quem pensamos que ele era.

Pela terceira vez seguida, o famoso hat-trick, Andy Dalton está nos piores momentos da semana.

Dessa vez foi por não ver um recebedor livre logo a sua frente. Talvez a jogada não estivesse aqui se não fosse o ótimo trabalho de Tony Romo, que mostrou como Andy Dalton é burro – ou cego.

5 – Imagens que trazem PAZ.

5.1 –  Porque ver Pacman Jones passando vergonha é muito divertido.

5.2 – Todo mundo já ficou para trás quando andando em grupo porque parou pra amarrar o cadarço. Na NFL esse problema também existe.

5.3 – Se você vai ser um Linebacker ruim, pelo menos seja discreto. Além disso, o site não gosta de LBs que escolhem camisas na casa dos 40. Por tudo isso, sempre que possível traremos Alex Anzalone passando vergonha.

5.4 – Não é um momento horrível, mas ver Larry Fitzgerald em campo é muito divertido. Nesta jogada, ficou feio para o CB. Amamos você, Fitz.

6 – Virou passeio.

Porque nenhum fake punt com uma vantagem de 37 pontos deve passar batido. Parabéns ao Jacksonville Jaguars pela iniciativa. Tem é que pisar no pescoço mesmo.

7 – Prêmio Dez Bryant da Semana

O único prêmio que premia uma atuação desastrosa de um jogador de renome.

Cam Newton lançou três interceptações – uma delas de forma muito especial – contra o que os Saints alegam ser uma defesa. Isso colaborou para que Carolina marcasse apenas 13 pontos contra New Orleans. Talvez os tempos de MVP nunca voltem mais. Parabéns, Cam!

Chateado.

Você pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

Um grande hype enfrentando enormes expectativas

Após o surpreendente sucesso na temporada passada, Dallas, ao que tudo indica, está agora em uma nova direção; 11 atletas deixaram a equipe na última free agency, enquanto outros dois se aposentaram. Aliás, estes 11 jogadores começaram mais de 500 jogos de suas carreiras com o Cowboys – incluindo 94 no último ano.

Mesmo assim, o dono e novo hall of famer Jerry Jones mantém o otimismo. “Perdemos um número significativo de atletas, mas fomos seletivos nestas perdas”, justificou o proprietário da franquia durante a offseason.

É importante que os novatos joguem, eles realmente precisam de oportunidades. Eu não ousaria projetar nosso número de vitórias, mas acredito que temos uma equipe melhor do que a que terminou a temporada passada; temos a chance de sermos melhores do jeito correto: mais novos”.

Jaqueta em homenagem a todo o ouro que este homem trouxe para liga.

Pequenos fantasma

Tony Romo sofreu uma lesão durante a pré-temporada de 2016 e, como em qualquer outro dia, todas as perspectivas se dissiparam em Dallas. Naquela ano, porém, tudo foi diferente: havia uma pequena esperança no Texas de que Dak Prescott poderia fazer o trabalho com dignidade até Romo estar recuperado.

Mas Prescott foi tão eficiente que não deixou brechas e assumiu a posição: foram 23 touchdowns e apenas quatro interceptações – e outros 6 TDs corridos. Com mais de 67% dos passes completos, Dak teve média aproximada de 8 jardas por tentativa. Claro, ele tem um ótimo elenco de apoio para auxiliá-lo, mas de qualquer forma é pouco provável que grande parte dos quarterbacks da NFL teriam atuado no mesmo nível que Dak – menos ainda se considerássemos que Prescott era um mero rookie.

Voltando ao elenco de apoio, o integrante de maior destaque, também foi um novato: o RB Ezekiel Elliott correu para 1631 jardas e 16 TDs – ele ainda teve 32 recepções para outros 363 jardas. O fato é que algumas equipes não tiveram respostas para Elliott em seu primeiro ano. Mas tudo pode ser diferente em 2017.

O grande hype a espera de uma grande decepção

Diante do exposto, Prescott terminou o ranking dos 100 melhores jogadores para esta temporada organizado pela NFL Network na 14ª posição. Releia com atenção: 14ª posição.

E que fique claro que aqui não há nada contra Prescott; ele talvez tenha tido a melhor temporada de um quarterback rookie da história da NFL. Mas também é fato que ele não é sequer o melhor jogador ofensivo de Dallas – o já citado Eliott, o WR Dez Bryat, o G Zack Martin e o C Travis Frederick são melhores jogadores que Dak.

Inegavelmente, Prescott é mais valioso, sobretudo por sua posição. E achamos Dak extremamente talentoso e um potencial grande QB para os próximos anos, mas a verdade é que será muito difícil para ele evoluir seus números de maneira proporcional ao hype em sua segunda temporada – entenda que os adversários, agora, tiveram uma offseason toda para estudá-lo e a tabela está longe de ser fácil.

E não é apenas as expectativas em torno de Prescott que podem fazer os sonhos de Dallas desmoronarem: há também a dúvida sobre a possível suspensão de Elliott, que ainda não sabemos como acabará – hoje, ela é de seis jogos, mas o recurso ainda será julgado. A defesa, que já era mediana, perdeu peças-chave, sobretudo na secundária e torce para que alguns novatos consigam preencher os buracos – vale lembrar que Dallas terminou com 7 vitórias e uma derrota em partidas decididas por sete pontos ou menos na última temporada.

Onde realmente mora a esperança

Se você crê que Dallas pode repetir as mais de 10 vitórias da temporada passada, saiba que a esperança para isso ainda mora na linha ofensiva, uma das melhores da NFL nos últimos anos. Zeke foi incrível e Dallas construiu seu sistema ofensivo em torno dele – ele era a base do ataque, e não Prescott. E, claro, Elliott deveria ter conquistado o ROY caso o hype não vencesse.

Pode vir.

O fato é que a linha ofensiva permite que Dallas controle o ritmo das partidas, conquistes caminhões de jardas por terra, mantenha o ataque adversário fora de campo e dê tranquilidade ao seu jovem quarterback. Essa fórmula permanece inalterada: enquanto a OL continuar dominante, os Cowboys podem chegar longe.

Já os WRs Cole Beasley, Dez Bryant e Terrance Williams somaram para 169 recepções, 2223 jardas e 17 touchdowns, uma das melhores unidades da NFL. E enquanto Bryant continua a ser a grande estrela, Beasley, que liderou a equipe em recepções (75), se mostrou uma opção de segurança para Dak. Há ainda o TE Jason Witten, que renovou seu contrato durante a offseason e terminará sua carreira em Dallas – mas apesar de ter jogados as 16 partidas pela 13ª temporada consecutiva, aos 36 anos, parece difícil que Witten siga produzindo efetivamente.

Preenchendo o vazio

Não parece surpresa que Dallas tenha investido suas três primeiras escolhas de draft para reforçar o setor defensivo: a unidade foi fraca quando comparada ao ataque, terminando na 14ª posição da NFL.

Foram 36 sacks, cinco a mais que em 2015, mas mesmo assim a temporada  foi a quinta consecutiva em que a defesa dos Cowboys terminou fora do top 10 da liga. Dallas, aliás, não tem um jogador com dígitos duplos em sacks desde que o DE Jason Hatcher conseguiu 11 em 2013.

Talvez por isso a escolha de primeira rodada tenha sido usada no DE Taco Charlton, de Michigan, trazido para reforçar a linha defensiva (adendo: nenhum jogador da equipe teve mais que seis sacks na temporada passada). Além dele, o setor também espera mais de Demarcus Lawrence, que teve oito sacks em 2015, mas viu o número despencar para apenas um na temporada passada – pese o fato de que ele esteve em campo em apenas nove partidas, devido a uma cirurgia nas costas.

Já na secundária, Dallas perdeu os CBs Brandon Carr e Morris Claiborne e os S Barry Church e JJ Wilcox. Claro, nenhum dos quatro possui números que saltam aos olhos e podem ser considerados perdas irreparáveis, mas enquanto grupo eles contribuíram com 254 tackles, 5 interceptações e 28 passes defendidos na temporada passada – a responsabilidade agora está com uma turma de novatos, que têm potencial, mas não sabemos como se sairão.

Palpite: em Dallas, tudo parece um pouco demais. É, ainda, muito cedo, para o nível de otimismo que se instalou. Prescott pode ter uma segunda temporada maravilhosa, e ainda assim não ter os mesmos números de seu ano de estreia. A defesa está longe de ser uma das melhores da NFL; e um ou dois contratempos, envolvendo Dak, Bryant, Elliott ou mesmo a OL, pode fazer tudo desmoronar – além disso, o calendário não será fácil. De qualquer forma, um número maior que 10 vitórias é factível e o Cowboys pode estar na pós-temporada. Mas também pode facilmente perder o controle da divisão.

Retrospectiva: uma coleção das besteiras que falamos

A longa offseason da NFL é um período de muita reflexão para todos nós que, de alguma forma, estamos envolvidos com o melhor esporte do mundo. Não há muito o que falar sobre football: o draft já está no passado, tanto calouros quanto free agents já têm seus contratos assinados e tudo que os jogadores têm que fazer no momento é engordar, gastar seus milhões de dólares e aproveitar o tempo livre para se envolver em problemas com a polícia. No verdadeiro período de férias da NFL, não há notícias e nem nada de novo para ser analisado.

Mas nós do Pick Six decidimos usar esse período de marasmo para fazer uma auto-crítica e exorcizar alguns demônios. Em comemoração ao quase um ano de atividades do site, fui escolhido para ser uma espécie de ombudsman e conduzir uma investigação profunda sobre as bobagens que foram ditas por nossos integrantes  em 2016. Sim, disparamos vários absurdos que merecem ser relembrados e expostos. Acertamos um pouco, também, mas erramos bastante.

E você, leitor, que teve seus olhos maltratados por um monte de lixo, merece a verdade e a justiça. Se não temos bobagens novas para escrever, temos bobagens antigas para ressuscitar e expor no grande tribunal da internet. Vamos a algumas delas.

Atlanta Falcons

Talvez a principal mea culpa que precisamos fazer seja em relação a praticamente tudo que foi publicado a respeito do Atlanta Falcons. Nós conseguimos menosprezar um time que chegou ao Super Bowl com um dos melhores ataques da história durante todo o ano que passou. Em agosto, por exemplo, Murilo publicou um texto fazendo previsões patéticas sobre a temporada do Falcons e disparou a seguinte pérola:

“A grande e dura verdade é que NINGUÉM SE IMPORTA. O Falcons cumpriu sua missão na NFL quando deu Brett Favre para Green Bay. Poderia ter acabado ali e nos poupado de todo o resto – inclusive deste preview. Seis vitórias e fechem a franquia na temporada que vem; não queremos escrever sobre eles novamente.”

Ivo, responsável pelos primeiros Power Rankings do site, não ficou muito atrás e publicou as seguintes pérolas em sequência nas três primeiras semanas da temporada:

Semana 1

“Será muito legal ver Matty Ice lançando TDs para Julio Jones e perdendo jogos. Este será o Falcons deste ano, com uma defesa que não pára ninguém e um ataque que depende quase exclusivamente de Julio – sabemos que Devonta Freeman é uma mentira e estava sob o efeito de entorpecentes no início da temporada passada.”

Semana 2

“Todos sabemos que o Falcons não chegará longe, mas se derrotar o Saints duas vezes terá seu título moral.”

Semana 3

“Segue o sonho de vencer New Orleans duas vezes e conquistar o seu título moral. Freeman, Coleman e Ryan atuaram como se a defesa do Saints não existisse – e na verdade não existe. A dúvida fica se o ataque conseguirá repetir a atuação contra uma defesa de verdade. Spoiler: não.”

Simplesmente épico.

Para fechar com chave de ouro, em seu ranking de Quarterbacks, Digo limitou Matt Ryan à mediocridade eterna quando escreveu as seguintes palavras:

“Ryan, já é hora dos torcedores dos Falcons aceitarem, chegou ao seu melhor com aquela vitória nos playoffs (ainda que siga com boas campanhas na temporada regular) contra os Seahawks.”

Murilo completou a cagada:

“De qualquer forma, a pergunta que fica para esta temporada é até onde pode ir o Atlanta Falcons? Querendo ou não, ela está ligada a outra importante questão: até onde pode ir Matt Ryan? [Spoiler I: nenhum deles irá a lugar nenhum]”

Como todos sabem, o Falcons chegou ao Super Bowl destruindo as defesas adversárias e Matt Ryan foi eleito o MVP da temporada, transformando as nossas previsões pessimistas em grandes piadas de mau gosto.  Porém, é necessário fazermos uma ressalva: o segundo tempo do Super Bowl e a maior pipocada de todos os tempos mostraram que, bem lá no fundo, tínhamos um pouco de razão.

Desculpa, cara!

Carolina Panthers

Ainda na NFC South, enquanto o Atlanta Falcons era subestimado, o Carolina Panthers era extremamente supervalorizado. Ainda sob os efeitos da temporada de MVP de Cam Newton e da aparição no Super Bowl perdido para (a defesa do) o Denver Broncos, não hesitamos em disparar  previsões extremamente otimistas para o Panthers. Novamente, Murilo foi responsável por iniciar a metralhadora de bosta:

“Não há um time na NFC South que tenha hoje um front seven tão potente nem, me arrisco a dizer, um QB tão talentoso. Logo, os Panthers vão chegar tão longe enquanto a sorte de não enfrentar grandes defesas ou ataques aéreos inspirados (ou pegá-los baleados, vide Cardinals) permitir.”

Ele ainda completou a cagada ao dizer que “não tem como o Carolina Panthers perder essa divisão” no nosso primeiro e único podcast (sim, acredite, ele existe e está disponível para download no site).

Ivo, seguindo a mesma “linha editorial”, afirmou em seu primeiro Power Ranking, que tinha o Panthers em quinto, que “mesmo com a derrota na estreia, o Panthers levará com facilidade sua divisão e tem tudo para chegar forte nos playoffs”.

Tudo que podemos fazer nesse momento de glória é rir e, talvez, cogitar o encerramento das atividades do site por vergonha. O Carolina Panthers não só não venceu a divisão como terminou em último, com apenas seis vitórias. Além disso, Cam Newton sofreu colapsos épicos e nem de longe lembrou o jogador que venceu o prêmio de MVP em 2015.

Jacksonville Jaguars

O Jacksonville Jaguars é um time que consegue enganar todo mundo em todos os anos. É impressionante. Sempre acreditamos que o time tem talento e está próximo de vencer, mas sempre temos nossos sonhos frustrados. É muito parecido com o Brasil: queremos acreditar que um dia possa se tornar uma potência, mas acaba sempre destruído pela podridão. Nada vai mudar isso. A falsa esperança coletiva no Jaguars levou ao seguinte diálogo no já mencionado podcast:

Murilo: “Jaguars tem o melhor coletivo da AFC South!”

Digo: “Eles são o melhor time e vão ganhar a divisão.”

Cadu: “Eu concordo!”

Três idiotas discutindo football e nenhum foi capaz de impedir que isso se tornasse público.

Em um trecho de artigo que previa a temporada de Jacksonville e que tinha o sugestivo título de “Bortles é foda, o resto é moda” (vomitei), Murilo foi um visionário e previu a própria existência desse texto e das cobranças que estariam por vir:

“Adoramos errar previsões e você, querido leitor, está autorizado a nos cornetar daqui três ou quatro meses, mas afirmamos que Blake Bortles está pronto para dar o próximo passo.”

Na verdade, ele estava certo: Bortles acabou dando o próximo passo, porém em direção ao abismo. Para finalizar, Digo teve um momento de brilhantismo em um texto sobre o que seria do Patriots em 2016 e previu uma vitória do Jaguars em New England. É simplesmente ridículo:

“Brady não mostra nenhum sinal de ter 39 anos, até uma derrota bizarra para os Jaguares de Jacksonville debaixo de muita neve em Boston. Você ouviu aqui primeiro.”

Enganou vários trouxas.

Fantasy

Xermi foi o responsável por escrever nossas colunas sobre Fantasy em 2016. Entre conselhos maravilhosos como “escale Nelson Agholor sem medo”, Xermi levou seu time a uma honrosa 11ª posição entre 12 times na liga de Fantasy mais importante do mundo. Além disso, conseguiu levar o time do Pick Six apenas a uma desastrosa 9ª colocação na liga com leitores do site, com apenas seis vitórias na temporada regular. Você já sabe em quem não confiar para o Fantasy 2017.

Diversas

Completamos esse texto com alguns aforismos que merecem ser mencionados. Digo, por exemplo, em sua birra com Joey Bosa disse o seguinte: “esse time (Chargers) parece destinado à mediocridade e torceremos contra eles por alguns anos até que alguém admita que fez cagada em relação a Joey Bosa”.

A parte sobre a mediocridade do Chargers é bastante compreensível, porém Bosa mostrou em pouco tempo que pode ser um talento raro. Digo ainda garantiu em seus balanços sobre a temporada que Denver Broncos e Minnesota Vikings estavam garantidos nos playoffs. E para fechar sua contribuição com o universo, disse que “se RGIII jogar tudo o que sabe, esse time (Browns) pode passar o Ravens”. Não temos como justificar isso.

Já Murilo desconsiderou completamente a qualidade do Miami Dolphins, que acabou se mostrando um time razoável e conseguiu chegar aos playoffs: “na oitava semana tudo já estará perdido e o Dolphins estará em algum lugar entre o limbo, o nada e a última posição da divisão. O objetivo deve ser alcançar cinco vitórias, mas com três já será possível comemorar”.

Ivo também se mostrou bastante pessimista quando colocou o Dallas Cowboys na posição 25 de seu Power Ranking (atrás de New York Jets e San Francisco 49ers, acreditem) e desconsiderou a ascensão de Dak Prescott: “resta a Dallas torcer para Romo voltar logo (e então se lesionar novamente).”

Ainda tivemos a capacidade de colocar o modorrento Los Angeles Rams na 13ª posição de um de nossos rankings, o que é completamente inaceitável e é a maneira certa de encerrar um texto com tantas cagadas.

Futuro

Você deve estar se perguntando se todas essas admissões de culpa servirão para que erremos menos no futuro. A resposta é simples e óbvia: não, não nos importamos com isso e vamos continuar por tempo indeterminado. Preparem seus olhos. Eles ainda vão sangrar bastante. Além disso, se você chegou até aqui é porque adora ler uma bobagem.

Tony Romo ou o melhor quarterback que não soubemos valorizar

Era uma tarde de 28 de dezembro de 2008 quando Tony Romo nos mostrou, sem pudor algum, tudo aquilo que o definia; na semana 17 daquela temporada regular, o Eagles anotara 38 pontos na cabeça do Dallas Cowboys e a franquia do Texas estava mais uma vez fora da pós-temporada. Após o jogo, Romo encara os repórteres e diz:

“Se está é a pior coisa que irá acontecer comigo, então tive uma vida muito boa”.

Se naquele dia parecia que Romo não tinha a real noção da importância do football hoje, olhando em retrospecto, percebemos que na verdade nós estávamos errado: Romo tinha a noção exata do que significava, de sua representatividade e da pessoa que se tornara. Somente aquele mesmo Tony Romo seria capaz de sentar ao lado do gramado e assistir a ascensão de Dak Prescott, somente ele saberia a hora exata de sair de deixar os holofotes.

Perspectivas

Quando Romo foi ao chão em setembro passado em duelo desimportante da pré-temporada contra o Seattle Seahawks, a pior parte da notícia em si foi que, no fundo, ninguém pareceu surpreso. Quando tudo ganhou forma e soubemos que uma lesão nas costas o tiraria de ação por algo entre 6 a 10 semanas, não houve choque: houve apenas um misto de tristeza e resignação.

O ar de inevitabilidade, a constatação que Tony tinha à sua disposição provavelmente o melhor Dallas desde que assumira a condição de titular em 2006, tornava tudo ainda mais decepcionante. O que importava, naquela situação, era mais do que a lesão ou o que o Dallas Cowboys perderia com ela: era um momento sobre o que Tony acabaria perdendo.

Não se vá.

Construindo uma equipe para Romo

Entre 2010 e 2014 o Dallas Cowboys seguiu um plano desenvolvido sob medida de maneira perfeita; naquele período, eles usaram quatro de suas cinco escolhas de primeira rodada nos drafts seguintes em peças que se tornariam fundamentais à franquia: o WR Dez Bryant, inegavelmente um dos grandes nomes da NFL, e os integrantes daquele que se consolidaria como uma das melhores linhas ofensivas da liga (Tyron Smith, Travis Frederick e Zack Martin).

O resultado foi um jogo corrido extremamente eficiente, combinado a uma proteção sólida, que permitia a Romo o tempo necessário para encontrar Dez livre 30 ou 40 jardas após o snap. Era um esquema moldado para potencializar o impacto de um quarterback já flertando com seus 35 anos e, enfim, após muitas temporadas em que Romo precisava fazer muito, encontrar soluções e escapar da pressão, agora ele tinha a oportunidade de fazer o que ele sempre fez com eficiência: passes rápidos e precisos e, quando necessárias, bombas de mais de 35 jardas.

Dessa forma, aos 34 anos, ele registrava a melhor temporada de sua carreira: foram 12 vitórias como titular, o primeiro lugar da NFL em porcentagem de conclusão de passes (69,9%) e em jardas por tentativa (8,5) – Aaron Rodgers terminaria aquele ano como MVP indiscutível, mas mesmo assim é inegável que Romo teve uma temporada digna de ser também um real candidato ao prêmio.

Mas quando Dallas foi eliminando em uma decisão polêmica após um passe incompleto para Dez Bryant, a sensação predominante era que Romo e o Cowboys haviam perdido apenas uma oportunidade, afinal, com um ataque terrestre dominante, Bryant em seu auge e Tony na sua melhor forma desde que iniciara sua carreira profissional, era razoável crer que a franquia iria se manter no topo da NFC por mais duas ou três temporadas. Porém, desde aquela derrota, Romo entrou em campo em apenas cinco oportunidades, terminando partidas somente duas vezes.

Um dos caras mais fáceis de gostar (mas o mais difícil de depositar suas esperanças)

Você sabe como Antonio Ramiro entrou nas nossas vidas? Da mesma forma que Tom Brady, em um jogo transmitido nacionalmente, substituindo Drew Bledsoe. Ok, ele nunca levou o Cowboys à glória como Tom levou New England, mas desde seus primeiro momentos injetou energia em um ataque até então inerte, levando uma franquia aparentemente quebrada aos playoffs em 2006 após nove vitórias. O que vem a seguir, porém, todos sabemos.

E a primeira grande frustração, em um FG potencialmente vencedor, deu tom a uma narrativa que seguiria Tony Romo desde aquele dia: para qualquer sucesso de sua trajetória (e foram muitos), sempre haveria mais densidade em suas falhas.

Já no ano seguinte, o Cowboys conquistou 13 vitórias, Romo lançou para 36 TDs, mas no fundo, ele estava muito ocupado passeando com Jessica Simpson pelo México – e, acreditem, a reação da imprensa foi semelhante a ocorrida após o passeio de barco de Odell Beckham e seus amigos.

Tudo era condicionado a fortalecer a narrativa de que Tony podia ser um excelente quarterback, mas lhe faltava aquele fator decisivo, aquele timing que só aqueles que têm a real importância do significado do football possuem: ele era bom o suficiente para ganhar jardas e mais jardas, mas não tinha consigo algo intangível, que só gente como Troy Aikman tinha, que só quem não parecia distraído tinha, já que Romo estava ocupado jogando golfe nas horas vagas e tentando participar do US Open. Ou perdia tempo namorando estrelas como a já citada Jessica Simpson e Carrie Underwood – não importando que Carrie tenha declarado que o relacionamento acabou porque “Tony se importava muito com football”.

Romo viveu o football, mas também viveu além do football. E talvez esse tenha sido seu único “erro”.

Um cara massa.

Você ainda não sabe que sentirá saudades

A hipótese de que qualquer atleta teve sua carreira, seus melhores anos roubados por lesões, é extremamente dolorosa. Mas com Romo, de alguma forma, é ainda pior: a ideia de que Tony é realmente um dos melhores quarterbacks da NFL contemporânea demorou anos para se inserir no inconsciente coletivo.

Tudo isto é traduzido naquele que foi, sem dúvida, seu maior momento como atleta. E naquela fração de tempo, ele não estava levantando um troféu ou anotando touchdowns; ele estava em uma sala, expondo aquilo que melhor o definia.

“Você está triste e para baixo e se pergunta por que isso aconteceu. E neste momento você descobre quem você realmente é, qual sua essência. Você vê que o football é uma meritocracia e nada lhe é dado de graça. Você tem que ganhar tudo, todo dia, tudo de novo. Você tem que provar. É assim que a NFL funciona e é assim que o football funciona”.

A lesão contra o Seahawks o colocara em um lugar em que ele jamais estivera:

“Machucado dois anos em sequência, no meio de seus 30 anos. A imprensa está falando. Todos têm dúvidas, você passou sua carreira trabalhando para chegar aqui. E agora tem que começar tudo de novo. Você se sente quase um estranho. É um lugar sombrio”.

Naquele 15 de novembro, Tony esteve em sua encruzilhada particular, um momento entre ser Tony Romo ou um quarterback definido pelas oportunidades perdidas. Mas você consegue imaginar Tom Brady na sideline enquanto assiste Jimmy Garoppolo levantar o Vince Lombardi? Consegue imaginar Drew Bledsoe aceitando o papel de backup de um calouro selecionado no sexto round? Consegue imaginar Brett Favre estendendo um tapete vermelho para Aaron Rodgers? Bem, se para a primeira situação é possível argumentar que não existe uma resposta concreta, não é possível dizer o mesmo sobre as duas seguintes.

“Há momentos especiais que aparecem, nos quais há um comprometimento compartilhado, tendo um papel enquanto todos fazem as coisas juntos. É isso que você se lembra, não suas estatísticas ou seu prestígio, mas seus relacionamentos e os feitos que você criou junto de um grupo. É difícil fazer isso, mas há muita alegria em fazê-lo. Ao mesmo tempo, queima o desejo de ser o melhor que você jamais foi. Você pode ser ambos”.

As mesmas características que fizeram Romo um quarterback distante da perfeição, lhe ofereceram um outro tipo de grandeza – maior que qualquer esporte pode conferir. O Tony Romo naquela sala de imprensa em 15 de novembro de 2016 era exatamente o mesmo que em dezembro de 2008 afirmara que tivera “uma vida muito boa”: alguém ciente de que há algo além do football do que podemos supor.

Por muito tempo, Tony entrou em um campo e jogou football – e ele foi muito, muito bom naquilo que se propôs a fazer. Mesmo que, apesar de todo seu esforço e sua luta contra lesões, alguns insistissem em não enxergar. Hoje, seu corpo e mente dizem que é hora de ir e, bem, ele já fez alguns milhões de dólares enquanto se divertia nesse esporte, ele não precisa mais jogar.

Agora é hora de continuar se divertindo enquanto assiste Dak e seus antigos companheiros lutarem em campo: é hora de viver, Tony. E, como você mesmo disse, “se isto é o pior que lhe aconteceu, você teve uma vida muito boa”.

Bons e maus negócios: Texans, Brock Osweiler e o Browns

Na NFL, assim como no mundo empresarial, existem bons e maus negócios. Também há negócios horríveis e há, ainda, aqueles que se revelam tão desgraçados que uma das partes envolvidas precisa assumir o erro e apenas se livrar dele – porque, afinal, um erro por si só pode ser compreensível, mas insistir nele é imperdoável.

O melhor exemplo destas negociações vergonhosas foi protagonizado pelo Houston Texans, e o atestado de culpa foi o envio de Brock Osweiler (e uma escolha de segunda rodada no draft de 2018) para o Cleveland Browns para simplesmente se livrar de seu contrato – e, claro, de um quarterback com aparentes problemas de coordenação motora.

Paralelamente, isso significava também que os Texans estariam preparando terreno para receber Tony Romo (o que, pouco mais de um mês depois, ainda não ocorreu – mas aguardemos com a devida paciência. Nota: aguardamos e um dia após a publicação destas tortas linhas, Antonio Ramiro se aposentou. Chupa, Texans!): seria um ajuste perfeito para uma equipe que nas últimas temporadas construiu uma das melhores defesas da liga e possui talentos razoáveis em diversas posições ofensivas; DeAndre Hopkins é inegavelmente um dos grandes WRs da NFL e Lamar Miller, senão entrará para a história, ao menos é um ótimo RB.

O problema é que, em 2016, tudo isso esteve à disposição de um QB abaixo da linha de mediocridade, que após faturar um Super Bowl graças a Von Miller e amigos, garantiu quase US$40 milhões em sua conta bancária. E, após sua primeira temporada como titular, com média de 5.8 jardas por tentativa, só foi melhor do que Ryan Fitzpatrick – o que sabemos, não quer dizer nada.

O último ato

Houston chegou a semifinal da AFC e o jogo que pôs fim a temporada do Texans é um retrato perfeito da franquia nos últimos anos: o sistema defensivo interceptou Tom Brady duas vezes naquela tarde de sábado (igualando o que o então futuro MVP do Super Bowl tinha feito em toda a temporada). No que essas interceptações resultaram? Dois field goals. E embora o placar final, 34 a 16 para New England, não mostre, até o Super Bowl Houston fora o adversário que mais proporcionara problemas para o Patriots na pós-temporada.

Agora, em uma análise fria graças a distância temporal, fica ainda mais nítido que o desempenho de Houston foi traído por um ataque comandado por Brock Osweiler, que converteu apenas três de 16 terceiras descidas. Foi um choque de realidade, um pequeno novo lembrete do quão distante eles estão de se tornarem contenders, afinal, ali estava evidenciado que com uma defesa deste nível, até mesmo um ataque minimamente eficiente poderia ter causado reais problemas para o Patriots – no entanto, no final da história, eles conseguiram apenas 285 jardas totais e 16 pontos.

Alô, galera de cowboy!

Choque de realidade

Brock terminou sua última partida com a camisa do Texans com média inferior a 5 jardas por tentativa (198 em 40 passes), um TD e 3 INT. Ele teve um bom momento, um passe profundo para o touchdown de Will Fuller, mas foi apenas um lampejo, logo apagado porque por quase 60 minutos ele foi o mesmo quarterback que havia sido o ano todo.

Lamar Miller, Jadeveon Clowney e DeAndre Hopkins, nos seus melhores anos, tiveram mais uma temporada desperdiçada (JJ Watt, o deus, lesionado, tinha o 2016 jogado no lixo já, o que não deixa de ser uma desculpa). E se o trabalho de Bill O’Brien parecia seguro – merecidamente – agora havia o que se questionar: por três anos ele conseguiu extrair o máximo de uma equipe com péssimos quarterbacks, mas seu papel na contratação de Brock não havia sido preponderante?

Era evidente que todos os fatores envolvendo Osweiler colocava o Texans em uma situação complexa: uma grande defesa, bons talentos ofensivos, mas tudo isso preso a um QB inerte?

O processo

Assim que a notícia da troca entre Texans e Browns se tornou pública, as especulações de que Cleveland nem mesmo manteria Brock em seu roster ganharam a internet; mesmo que fosse preciso desperdiçar alguns milhões de dólares mantendo ou dispensando Osweiler, Cleveland tinha essa flexibilidade e os ganhos nos próximos drafts compensariam qualquer movimento.

De qualquer forma, a negociação apenas evidenciou o processo que o Browns estava adotando (algo semelhante ao que Sam Hinkle fez com o Philadephia 76ers na NBA): desde o início eles sabiam que Osweiler não seria o futuro da franquia, que Brock sequer seria um QB decente, mas eles sabiam que precisavam “queimar” US$100 milhões na próxima temporada e, graças a isso, conseguiram mais um ativo valioso.

Inegavelmente, é um processo de reconstrução genial para uma franquia que por muito tempo não passou de uma piada: nos dois próximos drafts, Cleveland terá 11 escolhas em cada um deles; dez delas nas cinco primeiras rodadas deste ano, e 8 nos cinco rounds iniciais de 2018.

Tem sido assim desde que Paul DePodesta, ex-MLB, assumiu o comando de Cleveland: independente do que o Browns faça com Osweiler, é uma tentativa válida. Nenhuma equipe da NFL tentou o que ele vem tentando. Obviamente, outras equipes flertaram com a linha da mediocridade por longos períodos, mas nenhuma equipe buscou reconstruir seu futuro ao redor de jovens escolhas de forma tão intensa: eles possuem a escolha de primeira rodada do Eagles e a de segunda de Tennessee em 2017, as escolha de segunda rodada de Houston e do mesmo Eagles em 2018 e até mesmo a escolha de quarta rodada do Panthers, que conseguiram em uma troca por um punter. Sim, um punter!

Não foque no óbvio, que o Browns buscaram em Osweiler um quarterback, posição que tem sido a encarnação de todas as falhas da franquia ao longo dos últimos anos. Concentre-se no quão profundo é o movimento: os Browns estão aberto a negócios ou dispostos a preencher salary cap em troca de picks. Para eles, não é um negócio sobre Osweiler, se ele permanece ou seguirá seu caminho: ele é apenas um bônus – na medida em que um quarterback com problemas de coordenação motora pode ser considerado um bônus, mas ainda um bônus (Hue Jackson é o cara que fabricou Andy Dalton, válido lembrar).

“Que porra é essa?”

Novas perspectivas

Olhando em retrospecto a contratação de Osweiler se tornou uma piada, mas não se pode criticar a tentativa de Houston – poderíamos, claro, se eles não tivessem reconhecido o erro. De qualquer forma, contratá-lo após meia dúzia de partidas em que, evidentemente, foi carregado por uma das grandes defesas da história em seu auge, foi apenas um reflexo do que a NFL se tornou: uma liga desesperada por quarterbacks, afinal, o número de tentativas de passes cresceu aproximadamente 20% na última década; infelizmente, para as equipes, o crescimento do número de bons QBs não acompanhou esta demanda e o resultado disto é que, para preencher a posição mais importante do jogo, vemos alguns absurdos, como o próprio Brock ganhando mais dinheiro do que Russel Wilson em 2017.

É extremamente raro franchise quarterbacks chegarem a free agency, então é natural que erros sejam cometidos. O Chicago Bears, por exemplo, foi maltratado por Jay Cutler por quase uma década após uma tentativa frustrada. Houston errou, mas seu erro não mudou só a franquia, alterou também a NFL.

Podemos então traçar um paralelo com Kirk Cousins: o quarterback do Washington Redskins está longe de ser um gênio, mas por outro lado, possui um histórico real e efetivo de adaptação – o que de cara já prova que ele é muito superior a Brock. Então, mais uma vez, foi preciso usar a franchise tag em Cousins e ele será pago como um franchise quarterback.

O exemplo do que ocorreu com o Texans em 2016 assusta qualquer franquia minimamente séria: não ter um quarterback confiável pode ser um pesadelo; não é uma opção viável. E seria ainda mais terrível para Washington, que vem lutando por vaga na pós-temporada a quatro anos, com mais acertos do que erros.

Cousins sabe que está em um nível intermediário entre as grandes estrelas e um mercado recheado de mediocridade e o medo do desconhecido, de repetir erros do passado, lhe dá o poder necessário para ficar milionário. E, claro, ele gosta disso.

O sistema defensivo de Houston é outro que, paradoxalmente, foi auxiliado pelo fator Osweiler: sem JJ Watt e liderados por Jadeveon Clowney e Whitney Mercilus, eles cederam o menor número total de jardas na última temporada. E também foram a segunda melhor unidade contra o passe. Mas nada disso pesa mais que a “estatística de vitórias apesar de Brock Osweiler”: foram nove!

Até mesmo John Elway, GM do Denver Broncos, pode comemorar – mesmo que o The Denver Post afirme que Elway tentou segurar Brock, mas ele preferiu a proposta de Houston. “Muitas vezes os melhores negócios são aqueles que você não faz”, justificou em meados de setembro passado. Já o Browns, como mencionamos, ganhou escolhas e melhores perspectivas para o futuro.

O maior vencedor e os perdedores

Nada que Brock Osweiler mostrou em 2016 e mesmo que ele inicie a temporada como titular no Browns, indica que ele terá perspectivas futuras na NFL; na verdade, tudo nos leva a crer que ele será mais um jogador cuja carreira será definida por um contrato ruim. Dentro de campo, em dezembro, ele já era reserva de Tom Savage. E só recuperou a posição graças a uma concussão de Tom.

Mas nada disso importa, já que mesmo sem capacidade mental para lançar um passe, mesmo sendo um dos piores QBs da atualidade, Brock Osweiller pode dizer que venceu um Super Bowl e está milionário – enquanto nós nos divertimos falando mal dele de graça e nunca mais teremos de volta aquelas tardes de domingo em que ele maltratou nossos olhos.

Tony Romo e a eterna busca pelo quarterback ideal

A situação de desespero completo enfrentada por alguns times evidencia uma das verdades mais inconvenientes da NFL: encontrar um franchise QB é uma tarefa muito complicada. Pode parecer difícil de acreditar, mas aparentemente não existem 32 seres humanos capazes de comandar um ataque com a mínima competência e se tornar a base ao redor da qual uma franquia de sucesso é construída.

Em 2017, a ausência de oferta em um mercado com alta demanda para preencher vagas disponíveis na posição mais importante parece ainda mais acentuada. Se você acha que é exagero, reflita: dos 32 times da NFL, pelo menos oito (25% da liga) vivem situações que vão do desespero completo a dúvidas significativas quanto à capacidade de seus QBs.

Se existisse um ranking do desespero na busca por um quarterback, certamente San Francisco 49ers, New York Jets, Cleveland Browns e Chicago Bears estariam brigando acirradamente pelo topo, já que não têm absolutamente nenhuma opção viável na posição.

O 49ers, depois de dispensar Blaine Gabbert e de Colin Kaepernick ter optado por deixar o time, chega ao cúmulo de não ter nenhum QB em seu roster atual e é a escolha óbvia para time mais desesperado. O Jets não fica muito atrás, contando apenas com os inexperientes e fracos Bryce Petty e Christian Hackenberg no elenco. Em 2016, Browns e Bears até conseguiram extrair de Robert Griffin III, Cody Kessler e Matt Barkley algumas apresentações que se aproximaram um pouco da linha da mediocridade, mas é difícil acreditar que estejam cogitando iniciar a temporada 2017 apenas com essas opções.

Já Los Angeles Rams e Houston Texans vão pagar em 2017 por erros cometidos em momentos de desespero: na busca por um QB, ambos fizeram investimentos altos em Jared Goff e Brock Osweiler e viram a coisa desandar de maneira retumbante. Mas justamente por terem investido tanto em dois jogadores tão ruins, talvez seja necessário mais um ano de sofrimento para que então a ficha caia definitivamente; hoje, são equipes que vão pensar no futuro da posição, mas que não serão tão agressivas quanto os quatro primeiros aqui citados.

Outras duas incógnitas são Buffalo Bills e Jacksonville Jaguars, que estão em uma espécie de purgatório, já que Tyrod Taylor e Blake Bortles já deram sinais de que podem ser o futuro das franquias, mas também deram indícios de que podem colocar tudo a perder. A situação de Bortles em Jacksonville parece ser mais confortável, já que o time vai esperar que sua escolha de primeiro round volte a ter o desempenho apresentado em 2015. Tyrod tem um futuro mais incerto em Buffalo: o time está visivelmente incomodado em se comprometer com os altos salários do contrato atual do QB. Mas diante das opções disponíveis e de um bom potencial de crescimento do jogador, o Bills não deveria pensar duas vezes em ficar com Taylor e evitar entrar no grupo dos times verdadeiramente sem nada a se apegar.

O número de desesperados não é ainda maior porque não consideramos situações potencialmente complicadas, como a do Miami Dolphins, com a contusão e com as performances medianas de Ryan Tannehill, a do Denver Broncos, com um jogador mediano em Trevor Siemian e um projeto a longo prazo em Paxton Lynch, e a do Minnesota Vikings, que não sabe quando ou mesmo se Teddy Bridgewater voltará a jogar e, enquanto isso, terá que depender do modorrento Sam Bradford. Se esses três times entrassem na estatística dos desesperados, um terço da liga não teria um QB decente. É assustador.

Flw, vlw.

Procurando soluções

Para suprir a demanda pela posição mais importante do football, nada como gastar um bom dinheiro na Free Agency, não é mesmo? Infelizmente, a coisa não é tão simples assim. Colin Kaepernick, Jay Cutler e Ryan Fitzpatrick encabeçam uma lista de Quarterbacks Free Agents nada inspiradora, que ainda conta com nomes obscuros como Brian Hoyer, Josh McCown, Blaine Gabbert, Case Keenum e Mark Sanchez. Nenhum desses jogadores, seja pela qualidade técnica ou por habilidade de liderança, é a solução para times fracos que precisam de performances consistentes.

Se a Free Agency não vai trazer soluções, o otimista pode pensar que do draft podem surgir algumas surpresas, como Dak Prescott. Pode acontecer, é claro, mas se apegar a isso é como dar um tiro no escuro. A chance de acertar é muito pequena, especialmente porque o calouro, por mais talentoso que seja, teria que carregar um New York Jets ou um San Francisco 49ers nas costas.

Além disso, não existem unanimidades na classe de calouros de 2017: não há nenhum Andrew Luck e nenhum Cam Newton, por mais que os agentes tentem nos fazer acreditar no contrário. Escolher um QB no draft desse ano será a prova de fogo para os scouts e dificilmente um milagre acontecerá. Nunca se esqueçam: para cada Russell Wilson descoberto no terceiro round, aproximadamente 37 Christian Ponders são draftados no primeiro.

A melhor opção

No meio dessa bagunça toda está um dos melhores QBs da NFL quando saudável e, provavelmente, o principal nome entre os disponíveis no mercado: Tony Romo.

Sem espaço no Dallas Cowboys após a inesperada ascensão de Dak Prescott, é bem provável que Romo seja trocado ou dispensado pelo Cowboys. Apesar de carregar a fama de “amarelão”, principalmente por situações que aconteceram no início de sua carreira, Tony tem sido um dos quarterbacks mais produtivos e regulares dos últimos anos na NFL.

E não seria exagero nenhum dizer que Romo é melhor que Prescott, se desconsiderados os fatores idade e tendências a contusões. Dallas tem a sorte de ter dois jogadores que poderiam tranquilamente ser a solução para qualquer time da liga, mas pensando no futuro, terá que dispensar ou trocar o melhor deles: é difícil imaginar um cenário em que Tony Romo esteja vestindo a camisa do Cowboys em 2017 e, certamente, todos os 11 times já mencionados até aqui estão salivando para tê-lo.

O problema é que a escolha será, principalmente, do próprio Romo. Em caso de dispensa, o jogador se tornaria Free Agent e poderia negociar com qualquer time da liga. Se Dallas resolver trocá-lo, em respeito pelo que tudo que Tony já fez pela franquia, é provável que o jogador seja consultado antes que negócio seja concretizado. De qualquer forma, Romo é o senhor do seu próprio destino e, nesse ponto de sua carreira, já com muito dinheiro no bolso, é provável que escolha um time que lhe dê uma possibilidade mais palpável de título, o que colocaria um ponto final em uma carreira consistente.

Seguindo essa lógica e pensando também nas necessidades dos times, vamos especular sobre os melhores destinos para Tony Romo. E também sobre situações em que, bem, seria melhor considerar aposentadoria – ou o suicídio.

I’ve been waiting all day for Sunday Night.

O paraíso: Denver Broncos

Denver parece ser um time que está a um QB de distância de voltar para o Super Bowl. A defesa segue dominante e o ataque conta com jogadores talentosos, como Demaryus Thomas e Emmanuel Sanders. Nesse contexto, Tony Romo não chegaria como o salvador da pátria, mas sim como a peça que faltava para completar um time que já é muito bom. Como Denver não toma muitos pontos e prefere correr com a bola, a escolha seria a ideal para Romo inclusive se forem considerados os riscos de contusão, já que no esquema do Broncos, o QB não é tão exigido. Para Denver, além de aumentar bastante as chances de um retorno ao SB, ter Romo como uma ponte para o início da era Paxton Lynch também não é uma má ideia.

Um relacionamento quase perfeito: Houston Texans

O Texans é um time muito parecido com o Broncos: tem sua principal força na defesa, adora correr com a bola e tem bons jogadores no ataque. A diferença é que o conjunto do Texans, apesar de DeAndre Hopkins e JJ Watt, não é tão talentoso quanto o de Denver e Romo estaria um pouco mais distante de um título. As vantagens estão em permanecer no Texas e não estar submetido ao clima de Denver. Além do fato de que vencer a AFC South também é bem mais fácil que vencer a AFC West.

Nem o céu, nem o inferno: Chicago Bears

Pode parecer estranho citar o Chicago Bears, que terminou 3-13 na última temporada, como uma boa opção para Tony Romo, mas o time parece ter o tipo de talento ofensivo do qual ele conseguiria tirar proveito. É claro que essa afirmação depende muito da nada certa renovação de contrato do WR Alshon Jeffery. Se renovar, além de Jeffery, Romo teria à disposição Kevin White, que apesar de ainda não ter mostrado todo seu potencial desde que chegou à NFL, era considerado um dos WRs mais talentosos da classe de 2015. O Bears também tem um jogo corrido muito forte com o surpreendente Jordan Howard. Em Chicago, Romo ainda estaria bem distante de um título, mas é uma opção melhor que as demais – exceto se o Minnesota Vikings decida se livrar de Sam Bradford.

O fundo do poço: San Francisco 49ers

O 49ers é muito ruim e ainda está em uma das divisões mais difíceis da NFL em termos de defesas adversárias. A não ser que queira apanhar constantemente das defesas de Arizona Cardinals, Los Angeles Rams e Seattle Seahawks, é melhor para Romo ficar bem longe da lixeira que é San Francisco hoje.

Martírio sem fim: New York Jets

O Jets acaba de perder o WR Brandon Marshall e o C Nick Mangold, um dos melhores da liga. Sobraram apenas os já não tão novinhos Erick Decker e Matt Forte em um ataque bem fraco. Não existe motivo algum para Tony Romo ir para New York passar frio, enfrentar uma imprensa insuportável e não ter chance nenhuma nem de ganhar a divisão, que já tem dono há anos. Não faça isso, Tony!

É preciso estar louco: Buffalo Bills

O Bills não vai aos playoffs há 17 anos. E não é apenas um Tony Romo que vai mudar essa situação. O time tem muitos pontos de interrogação, tanto no ataque quanto na defesa. Não se sabe com certeza o real estado de saúde do WR Sammy Watkins e o RB LeSean McCoy já tem dado declarações desmotivadas. Junte isso a uma comissão técnica nova, ao frio de Buffalo e terá a receita perfeita para o desastre.

Esqueçam Tony e Jimmy: tudo o que o Bills precisa está em Tyrod Taylor

A temporada de 2016 chegou ao fim da maneira mais eletrizante possível, com um dos melhores Super Bowls dos últimos tempos. Infelizmente, junto com ele vem a depressão que chamamos de inter ou pré-temporada, afinal, como já disse Belichick, o trabalho para 2017 já começou na segunda feira passada: o show não para.

Mas como preencher o grande vazio em nossos corações. Explorar outros esportes? Priorizar outras partes importantes da vida? Obviamente não. Vamos especular fatos que podem acabar não acontecendo, criticar decisões que podem acabar sendo as corretas e tudo isso envolvendo a principal peça de cada time: o quarterback.

Logicamente, se já nessa época da temporada seu time não tem definido quem será o titular que o levará aos playoffs, saiba que tudo começará mal. Pare de ler um instante e confira os participantes dos últimos SBs: nos últimos 30 anos, somente Trent Dilfer, que venceu o SB XXXV pelo Baltimore Ravens, chegou no time e no mesmo ano disputou (e no caso dele, ganhou) o grande jogo. Para colaborar com a história, ele foi dispensado no ano seguinte, o que prova que ele mais “não atrapalhou” do que realmente ajudou aquela incrível defesa campeã.

Entretanto, existem times que acham que podem repetir o feito dos Ravens – e, inevitavelmente, irão quebrar a cara tentando. Com vocês, a participação especial do Buffalo Bills, que sequer chegou aos playoffs nas últimas 17 temporadas, pior marca da NFL, querendo se livrar de Tyrod Taylor – o QB que, provaremos, é melhor do que as demais opções.

Além de tudo, com o salário “mixaria” que deverá ter: US$ 27.5 milhões garantidos apenas por quatro anos. Lembra do salário do Osweiler? Não olharei porque não quero me deprimir. Enfim, tudo o que Bills deveria fazer era nada e deixar o contrato ativar-se no dia 12 de março de 2017. Mas parece que Buffalo resolverá “tomar uma atitude”.

Spoiler: será uma grande besteira.

“Confiem em mim, porra!”

Por que optar pela imobilidade

E quando falo em imobilidade, quero dizer que os Bills não deveriam fazer nada e não que eles deveriam trocar o veloz Tyrod Taylor pelos pocket passers que estão como opção no mercado. Primeiramente, vamos ter claras as opções: Jay Cutler deve ser dispensado, mas não seríamos loucos de propor um absurdo desses a qualquer time, o tempo de Cutler já passou e ele fracassou. Já Kirk Cousins também pode acabar sem contrato, mas os Redskins serão obrigados a dar os 20 e poucos milhões de dólares que ele peça simplesmente porque é assim que a vida funciona.

Também temos a classe de rookies, que pode ser resumida em um “talvez um ou outro se torne um bom jogador, mas certamente não será em 2017”.

Isso tudo acabará restringindo nossa discussão a dois QBs de mesma origem: Eastern Illinois, universidade que basicamente tudo o que produziu de útil para o mundo da NFL dentro das quatro linhas possivelmente estará restrito a estes nomes: Tony Romo, quarterback de melhor rating e pior ombro da história da NFL, e Jimmy Garoppolo, mais um rostinho bonito, desses que estão em falta na liga. Mas entre estes nomes, a decisão sábia seria manter Taylor.

Primeiro, porque os dois devem custar escolhas do draft para consegui-los. Jerry Jones pode até ser amigável e imitar o que Indianapolis fez com Peyton Manning, dispensando Romo por gratidão para que ele possa estender um pouco mais sua carreira (ainda que declare o contrário, já que “Romo ainda pode ser útil”, “me doeria muito vê-lo com outra camisa” e blablabla). Mas Garoppolo certamente não sairá de graça. Sequer barato. Porque quem manda em Garoppolo é Belichick e “it’s all business”.

Estabelecidos custos, ainda há mais motivos para não ir atrás de Romo. Com Romo, o seu time deve estar pronto para tentar o Super Bowl por dois ou três anos, para em seguida começar todo o processo de buscar uma solução na posição novamente (ou ficar preso com um QB que nunca se sabe quando te deixará na mão, não é mesmo, Arizona Cardinals?).

Mais do que isso: uma pancada bem dada e você acaba na mão de um reserva medíocre como estava em março. Tudo bem, você pode até acreditar que o próximo ano será saudável para Romo, mas 2016 também deveria ter sido. E melhor ainda: os números de Dak Prescott, que mantiveram Romo no banco em 2016, foram os seguintes: 1,8 TDs, 0,5 turnovers e 247 jardas por jogo. Os de Tyrod Taylor? 1,5 TDs, 0,5 turnovers e 240 jardas por jogo, sem o seu melhor alvo e sem a melhor OL da liga – aliás, muito longe disso.

Jimmy Garoppolo tem um asterisco ainda maior ao lado do seu nome. Em apenas duas partidas, ele certamente pareceu muito bom, dominante, seguro. Mas extrapolar de 2 a 16 é sempre temerário, como aprendemos todos os anos na NFL. Essencialmente, Garoppolo ainda é um rookie em termos de tempo de jogo, o que clama por erros estúpidos até ele se acostumar com a vida real.

A lógica também diz que quarterbacks de segunda rodada não chegam prontos à liga e precisam sofrer para crescer. Somados a isso, voltemos a Belichick: se talvez nem Tom Brady seria Tom Brady não fosse o trabalho de Bill, por que vamos nos deixar levar pela mesma situação que produziu pérolas como Matt Cassel e Brian Hoyer?

Por que Tyrod Taylor?

Seguindo o raciocínio aplicado a Garoppolo, Tyrod Taylor está entrando em seu terceiro ano prático de NFL. Obviamente, seus quatro anos em Baltimore após ser escolhido na sexta rodada do draft de 2011 (aquele maravilhoso, de Locker, Gabbert e Ponder) lhe ajudaram a se acostumar à velocidade do football profissional, mas observando sua produção nesses anos anteriores, percebe-se que ele também não teve snaps significativos na posição, algumas vezes até sendo utilizado como running back ou em trick plays. Desta forma, sua carreira começou com Rex Ryan em 2015, após assinar um contrato de apenas três milhões de dólares em 2 anos e ainda assim vencendo uma disputa contra E.J. Manuel e Matt Cassel pela titularidade.

Com boas atuações enquanto efetivamente “aprendia” a ser um QB titular, especialmente protegendo a bola e não se “auto-destruindo” em nenhum jogo, elevando o nível da estrela do ataque, Sammy Watkins, ao final da temporada de 2015 Taylor recebeu um novo contrato, de possíveis 6 anos/92 milhões de dólares (15,3 ao ano, 16º na NFL), com letras pequenas que diziam: “esse contrato só valerá após o final de 2016, caso os Bills não decidam dispensá-lo e ir atrás de outro QB”.

Bora lá, caras…

2016 veio e, não surpreendentemente, sua produção foi praticamente a mesma. Entretanto, tudo o que deu errado para o time (como acabar a temporada com apenas 7 vitórias) acabou caindo na conta do jogador – que cometeu mais de um turnover apenas uma vez, enquanto a defesa de Rex Ryan definhava (19ª em jardas, 16ª em número de pontos) ou Greg Roman, seu coordenador ofensivo, era demitido após a segunda semana de temporada. Também é válido lembrar que Tyrod manteve sua produção tendo como principais alvos disponíveis o TE Charles Clay e o RB LeSean McCoy, já que Robert Woods e Sammy Watkins somaram “18 starts” e 79 recepções apenas, números que deveriam ter individualmente.

Ainda assim, seus números foram acima da média (3 TDs para cada turnover é, insistimos, trabalho de alguém que merece ser titular na NFL), somados a flashes de que não é um mero QB medíocre, como contra a sempre assustadora defesa de Seattle. Inclusive o quarterback dos Seahawks, Russel Wilson, é facilmente uma das melhores comparações do potencial que Taylor pode alcançar, assim como RGIII ou Michael Vick que, coincidentemente, saiu da mesma universidade, Virginia Tech.

Observem: ainda que às vezes percam as jogadas mais fáceis, como aquele tight end livre entre os safeties e os linebackers (com uma leve insistência em lançar para os lados do campo), têm a capacidade de lançar bombas a 50 jardas (quando tem WR capaz de recebê-las) e são tão perigosos com os pés, tanto para escapar de sacks claros como para produzir corridas absurdas dignas de running back – o que, sabemos, é uma ameaça que sempre ajuda o verdadeiro corredor, vide as 5.4 jardas por corrida de LeSean McCoy.

Tudo isso de maneira frequente, não somente em situações esporádicas. Além disso, podemos notar dois problemas também comuns aos quatro: a altura abaixo do ideal (o que ainda, sabe-se lá os motivos, broxa muitos front-offices da NFL) e a necessidade de que o OC se adapte ao jogador que tem. Mas quando seu QB pode fazer isso qual a dificuldade em se adaptar?

Para mim, especialmente com o salário devido, Taylor é uma melhor opção que Kirk Cousins. Ele não se apoia em bons recebedores nem em uma grande proteção. A consistência que ele tem com suas habilidades mostra que você pode criar um bom ataque ao seu redor. Ele não é um Jay Cutler, é um cara que pode criar jogadas, estendê-las e melhorar os jogadores que tem no seu time”, declara Cian Fahey, colaborador do site Pre-Snap Reads e autor de um livro com estatísticas após observar cada snap de cada QB da liga.

Os coaches

Existe um problema a mais em relação a Tyrod ficar em Buffalo: por mais que saibamos que Rex Ryan era um estorvo, Taylor era um de seus homens, desde quando ganhou a posição em 2015. “Nós acreditamos que temos um grande jogador em Tyrod, mas também um líder”, enfatizava o antigo treinador, antes da última temporada, sobre a crença no jogador e em sua evolução.

Entretanto, uma das principais razões para a demissão de Rex antes do fim da temporada também foi sua fidelidade a Taylor, já que os Bills, sem chances de chegar aos playoffs, queriam que o jogador não disputasse o último jogo da temporada sob o risco de sofrer uma lesão (na verdade, agravar uma lesão já existente no seu ombro) que garantiria o seu contrato. Demitido o head coach, Tyrod esquentou o banco.

Sean McDermott, o novo treinador em Buffalo, por outro lado, chegou com declarações políticas sobre Taylor: “Tomemos o nosso tempo para tomar decisões em relação à uma posição tão crítica”. Apesar disso, Rick Dennison, novo coordenador ofensivo da equipe de McDermott, é conhecido por utilizar um ataque West Coast, que poderia servir bem para Taylor, ainda que o treinador tenha mais experiência em trabalhar com jogadores mais “tradicionais”, mesmo que de diferentes níveis, como Peyton Manning, Jay Cutler e a aposta em Trevor Siemian.

De qualquer forma, fica estabelecido que Taylor será uma boa opção e que fará algum time feliz em 2017, seu terceiro ano como titular, normalmente um período de breakout para muitos jogadores. Palpite? 4 mil jardas totais e um ratio de 5 TDs para cada turnover, além de finalmente aterrorizar nos playoffs. Resta saber se os Bills serão sábios o suficiente para serem os vencedores dessa brincadeira ou Tyrod levará seus talentos para algum outro lugar – que não seja Cleveland, que não seja Cleveland, que não seja Cleveland…

O nascimento da lenda de Dak Prescott (ou 8 jogos com saudade de Romo)

O potencial para ser o melhor ataque da NFL está ali, dormente. A melhor proteção, um dos melhores recebedores, um dos QBs com melhor rating da história também. O problema é que todos esses elementos já estavam disponíveis no ano passado e o time de Jerry Jones parecia destinado a ir longe nos playoffs, mas parece que Tony Romo não suportou tanta pressão sobre seus ombros (mais exatamente, sobre sua clavícula esquerda, que ele já havia quebrado em 2010) e o sonho acabou já na terceira semana da temporada. Bem, ainda houveram alguns dias de esperança em Brandon Weeden e Matt Cassel, mas quando se nota que ambos não estão no time para essa temporada, nem precisamos relembrar como isso acabou. Na verdade, somos sádicos, então precisamos: de 2-0 para 2-7.

Em 2016, novamente, a maior torcida da NFL tinha grandes razões para ser otimista, pelo menos quando falamos de seu ataque. Apesar dos 36 anos, Tony Romo realizou uma cirurgia para tentar reforçar e evitar novas lesões na clavícula, a única que pareceu capaz de tirá-lo de mais de um jogo em uma temporada (ele esteve presente em pelo menos 15 em 7 das últimas 10) – até o momento em que, em uma jogada duvidosa da preseason (Romo precisava mesmo correr? O tackle foi exagerado?), uma vértebra quebrada e tudo caiu nas mãos do rookie Dak Prescott.

Por outro lado, quando falamos sobre o setor defensivo… bem, a estupidez de alguns jogadores e sua constante dificuldade em largar as drogas deve dificultar bastante os primeiros jogos da temporada.

O que Jerry Jones tem na cabeça? Explicamos.

O que Jerry Jones tem na cabeça? Explicamos.

Um draft interessante

Qualquer coisa em que Jerry Jones, dono e general manager dos Cowboys desde 1989, coloque a mão tende a se tornar mais divertida, ainda que discutível; vide o maior telão do mundo colocado no AT&T Stadium, que vai de redzone a redzone e é frequentemente atingida por punts e kickoffs. E apesar dos rumores de que seu filho está tomando as rédeas da equipe e tentando controlar suas excentricidades, o draft desse ano provou que ele não tem tanto poder assim – ou está aprendendo a seguir o mesmo caminho do veterano GM, produzindo escolhas que, no geral, tem potencial para serem as melhores do ano ou uma grande oportunidade perdida. Com o Cowboys, não há meio termo.

Depois de grandes movimentações nas primeiras picks pela escolha dos dois principais QBs da classe (os medianos e inexperientes Jared Goff e Carson Wentz) e da estranha seleção de Joey Bosa por parte dos Chargers, Dallas teve em seu colo Jalen Ramsey, CB e S de Florida St, provavelmente o melhor jogador do draft de 2016, e Ezekiel Elliot, RB de Ohio St. A decisão sábia seria escolher Ramsey sem olhar para trás; Jones, porém, preferiu ver Elliot correndo atrás de sua monstruosa linha ofensiva, na expectativa de ter ali o Offensive Rookie Of the Year e um Adrian Peterson (com quem sempre sonhou) pelos próximos anos – mas também seria prudente rezar desde já para que ele não acabe sendo mais um Trent Richardson.

Porém as decisões duvidosas não pararam por aí. Com a terceira escolha da segunda rodada, Jones escolheu o LB Jaylon Smith, de Notre Dame, que a exemplo de Jalen Ramsey poderia ser considerado uma escolha segura não fosse pela lesão gravíssima que sofreu em seu último jogo universitário. Além de romper todos os ligamentos possíveis de seu joelho (ou praticamente), Smith também sofreu danos no nervo, o que pode significar várias coisas além do longo período de recuperação (não é esperado que ele jogue em 2016): uma carreira mais curta do que se espera de um jogador de elite na NFL ou ainda que ele nunca mais alcance o mesmo nível de jogo que alcançou no college.

A lenda de Dak Prescott

O último destaque do draft fica para Dak Prescott, selecionado no fim do quarto round. Era considerado um sério candidato a terceiro ou quarto quarterback escolhido (especialmente pelos Broncos) antes de ser preso por dirigir alcoolizado poucas semanas antes do draft, o que lhe fez ser apenas o oitavo. De qualquer forma, seu nome foi chamado bem antes do esperado.

Romo inesperadamente se estourou em plena pré-temporada e, já que Dak estava se destacando na pré-temporada (78% de passes acertados, 5 TDs e nenhum turnover até o momento, com ratings quase perfeitos nos dois primeiros jogos), a imprensa e os treinadores lhe promoveram rapidamente à titularidade.

E quais são os prognósticos, para além dos jogos amistosos? Ele foi titular por 3 anos em Miss St, onde bateu todos os recordes possíveis, inclusive cometendo somente 22 interceptações em 37 jogos. Seu estilo de jogo foi comparado ao de Tim Tebow na universidade, mas com um passe muito mais profissional. Obviamente é difícil de esperar que um novato não cometa erros graves que acabem atrapalhando a equipe em um jogo ou dois, mas Prescott parece capaz de criar vitórias em um jogo ou dois pelas suas próprias capacidades também.

“Sim, tenho contatos com o Tebow e todas as cagadas do draft foram pensadas. Vim para complementar a trindade.”

Todos nessa defesa são idiotas

Outra grande razão pela qual Jalen Ramsey seria a melhor opção no draft é a quantidade de vacilões e consequente falta de talento no lado defensivo desse time. A linha defensiva, por exemplo, não contará com nenhum pass rusher conhecido pelo menos até a semana 5, quando Demarcus Lawrence (8 sacks em seu segundo ano na NFL) volta de sua suspensão por uso de substâncias proibidas. Ou seja, nas quatro primeiras rodadas, os Cowboys dependerão dos poucos conhecidos DE Jack Crawford e DT Tyrone Crawford (nenhuma relação de parentesco apurada) para tentar exercer alguma pressão no QB.

Randy Gregory, que seria outra opção interessante para jogar do lado oposto de Lawrence após mostrar potencial como rookie, voltou a usar drogas mesmo após estar suspenso pelos quatro primeiros jogos de 2016, o que deverá levar a uma punição por tempo indefinido. Mais do que isso, o jogador se internou em uma clínica de reabilitação e não deve participar da pré-temporada com o time, apenas confirmando as dúvidas sobre seu caráter que lhe levaram a ser draftado somente no segundo round em 2015, mesmo sendo apontado como um dos melhores pass rushers de sua classe.

A situação no grupo de linebackers é ainda mais dramática. Teoricamente, os Cowboys contariam com uma dupla de respeito em Rolando McClain e Sean Lee. Teoricamente. O primeiro segue sendo pouco inteligente e punido pelo uso de substâncias ilícitas (ficará 10 jogos fora em 2016) e Sean Lee infelizmente não consegue se manter saudável – e sinceramente não sabemos quem irá substituí-los; uma competição interessante entre vários jogadores medíocres deve rolar durante a pré-temporada.

Pelo menos a secundária parece estar em razoável (para baixo) estado. Byron Jones foi bem como rookie na posição de safety no ano passado, e o CB Orlando Scandrick volta após uma lesão no joelho. Morris Claiborne (famoso por ter acertado 4/50 no teste de inteligência pré-draft) e Brandon Carr foram mal em 2015, mas pelo menos têm habilidade para mostrar mais e tentar tapar alguns buracos nessa temporada.

O ataque dos sonhos

Não há qualquer razão para imaginar que a linha ofensiva deixe de ser a monstruosidade que tem dominado a NFL nos últimos anos, especialmente com uma temporada de experiência de La’El Collins e a máquina repetindo a formação de sucesso do ano passado. Sabemos que continuidade e entrosamento são essenciais para uma linha ofensiva.

Atrás dela, Prescott e o coordenador ofensivo Scott Linehan terão muitas opções de corredores. Além do rookie Ezekiel Elliot, que deve ser o ponto focal do jogo corrido e uma opção importante no jogo aéreo, os Cowboys também roubaram Alfred Morris dos rivais Washington para complementar o talentoso, mas sempre machucado, Darren McFadden – que talvez se mantenha saudável sendo apenas um jogador complementar.

A única área em que os Cowboys podem parecer um pouco limitados é nas opções de alvos que Prescott terá. O TE Jason Witten ainda é uma opção segura, mas já dá sinais da idade; os WRs Cole Beasley e Terrance Williams (840 jardas e 3TDs em 2015, sendo o que parece demonstrar mais potencial nesse grupo) também serão importantes, mas não se espera muito de ambos. Pelo menos Dak contará com o gigante WR Dez Bryant, que recuperado da lesão do pé que lhe atrapalhou muito em 2015 e com o jogo corrido ganhando atenção, aliado a um QB de verdade lhe lançando bolas, é sério candidato a bater seu recorde pessoal de 1382 jardas conseguidas e igualar seus 16 TDs recebidos em 2014.

Ohio State’s Ezekiel Elliott poses for photos upon arriving for the first round of the 2016 NFL football draft at the Auditorium Theater of Roosevelt University, Thursday, April 28, 2016, in Chicago. (AP Photo/Nam Y. Huh)

Se tudo der errado na liga, Zeke virará estilista.

Palpite: Esse ataque irá eletrizar a NFL e a imprensa americana irá pirar com as 11 vitórias na temporada regular, comemorando o ano novo de 2017 como principal favorito ao Super Bowl. Da maneira mais cruel, nos playoffs, os Cowboys serão lembrados que defense wins championships e tomarão um massacre do Vikings ou do Seahawks (ou de seja lá quem os enfrente). Quem sabe para a temporada que vem Jerry Jones aprenda a lição.