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Quando tudo e nada gira em torno de Blake Bortles

Vamos direto ao que interessa: Blake Bortles. Você sabe quem é, você já riu dele e já até se aventurou com uma ou outra piadinha cretina. É assim com praticamente todos que acompanham a NFL: Bortles já deixou de ser apenas um QB para se tornar um personagem. A percepção que temos dele não vai mudar. Se fosse eliminado em New England, diríamos que ele não chegaria longe. Quando vencer o Super Bowl, diremos que “BLAKE BORTLES venceu o Super Bowl. Fechem a NFL etc etc”.

Ao longo do ano, Bortles alternou diversos momentos: na preseason ele quase perdeu o posto de titular; no início da temporada o time fez tudo para tirar a bola das suas mãos e; no meio da temporada, ele alternou momentos brilhantes (uma sequência avassaladora em dezembro em que foi o melhor QB em diversas métricas) e momentos ruins. Talvez o jogo contra Buffalo – o que mais gente assistiu  – tenha sido seu pior momento na temporada. Mas, no geral, Blake Bortles não foi terrível. Muito pelo contrário: ele mostrou que o time é capaz de vencer com ele. Ou apesar dele, se você preferir.

Não vamos analisar um milhão de estatísticas diferentes para mostrar os aspectos positivos e negativos do seu jogo, afinal a conclusão sobre ele já está tirada: é um dos piores QBs da liga, mas às vezes joga bem. E quando joga bem, é porque embalou. E Blake Bortles está embalado.

Vou ganhar.

O jogo contra Pittsburgh não muito bom, nem muito ruim. O que para Bortles é um tanto quanto atípico, tendo em vista que é um jogador muito 8 ou 60: ou é bom ou é péssimo. Foram 14 de 26 passes completos, para 214 jardas e um touchdown. Números um pouco abaixo do razoável, mas Blake não cometeu nenhum erro fatal na partida, o que, para ele, podemos considerar uma vitória.

A inconstância faz parte do seu jogo, mas ele já conquistou o respeito de seus companheiros, seja pela sua resiliência ou pelo que tem mostrado dentro de campo.

O ataque além de Bortles 

Leonard Fournette mostrou no jogo contra os Steelers porque foi escolhido com a quarta escolha geral do Draft. Suas 109 jardas em 25 tentativas e 3 TDs talvez não dêem a exata dimensão do quanto ele foi dominante e ajudou sua equipe a vencer o jogo. Depois de uma segunda metade de temporada um pouco abaixo do esperado, ele mostrou que está pronto para voltar ser a principal peça do ataque.

A linha ofensiva, uma das principais incógnitas no início do ano, mostrou que, além de dar conta do recado, pode ser uma das forças no ataque de Jacksonville. No duelo contra a defesa de Pittsburgh – a que mais sackou em 2017 -, nenhum sack foi permitido e Bortles não fez nenhuma jogada idiota por sofrer com a pressão. Os números de Fournette e Yeldon na partida mostraram que, apesar do jogo terrestre ser a principal preocupação das defesa que enfrentam os Jaguars, a OL também consegue trabalhar bloqueando para a corrida.

O corpo de recebedores sofreu com lesões ao longo do ano, mas Keelan Cole, Marqise Lee, Allen Hurns e Dede Westbrook já tiveram seus momentos durante a temporada. Não é um grupo recheado com grandes nomes, mas há profundidade na posição. Além deles, Marcedes Lewis também já mostrou que, além de ainda estar vivo, ainda consegue jogar.

Fournette talvez seja a única estrela do lado ofensivo dos Jaguars, mas isso não tem impedido o ataque de mostrar que pode enfrentar qualquer defesa.

Sacksonville 

Uma DL capaz de vencer o jogo sozinha. Um corpo de LBs rápidos e versáteis. Uma secundária que conta com a melhor dupla de CBs da NFL. Jacksonville não despendeu um caminhão de dinheiro no lado defensivo da bola à toa.

Calais Campbell é candidato a MVP na liga esse ano, além de ser First Team All Pro. E prefeito de Sacksonville. Campbell ganhou a honraria quando, ainda no início de dezembro, já havia quebrado o recorde de sacks da franquia em uma temporada. Ele ainda joga ao lado de Yannick Ngakoue (ianiq ngaqüe), que teve 12 sacks no ano, e nessa pós-temporada já se fez presente quando tirou a bola de Ben Roethlisberger. Malik Jackson – aquele – e Marcell Dareus, dois caras que juntos recebem o suficiente para comprar o Carolina Panthers completam a linha defensiva: e eles têm jogado tão bem quanto recebem (tá, talvez nem tanto, mas ainda são melhores que aquele DT estranho que seu time escolheu na quinta rodada dois anos atrás. Muito melhores, aliás).

Telvin Smith foi escolhido Second Team All Pro: seus 102 tackles, maior número da equipe no ano, juntamente com 3 interceptações, certamente contribuíram pra isso. Você deve se lembrar dele rindo de um Steeler enquanto terminava de trotar rumo à endzone. Ele joga ao lado de Myles Jack (90 tackles no ano), que também é bem versátil. Por fim, os restos mortais de Paul Posluszny ainda conseguem uma jogada aqui e acolá, afinal, é muita gente boa jogando ao seu redor e eventualmente sobra algo pra ele: amigo, acredite, até você, que não consegue nem levantar pra pegar uma água durante o jogo por preguiça, conseguiria algum highlight jogando nessa defesa.

Sacksonville: é você que financia.

Você já parou pra ouvir a palavra de Jalen Ramsey? Faça isso agora. “As pessoas falam: “ele é AJ Green, ele nunca passou por isso [um jogo frustrante em que perdeu a cabeça]”, bem, ele nunca enfrentou Jalen Ramsey antes.” Note a eloquência e serenidade em seu olhar ao falar de Green: quisera eu insultar (e poder insultar) dessa forma. Você pode continuar pesquisando sobre seu trash talking, e saiba que ele já garantiu a vitória no Super Bowl. Até Tom Brady se recusou a confrontá-lo nessa declaração. Medo, talvez? Acreditamos que sim.

Jalen também é First Team All Pro, e já está na conversa para ser considerado o melhor CB da NFL. Ao seu lado está AJ Bouye, Second Team All Pro e que teve 6 interceptações no ano. Fecham a secundária Barry Church e Tashaun Gipson, que tiveram cada um 4 interceptações na temporada, mesmo número de Ramsey. Some essas 18 interceptações. O Oakland Raiders de 2017 precisaria de mais de 3 temporadas e meia (3,6 – 57 jogos e dois quartos) para alcançar essa marca.

A unidade defensiva mostrou sua força também no coletivo: Sacksonville foi número 2 em interceptações e sacks, e ainda foi a primeira colocado no ranking do Football Outsiders, melhor que as métricas tradicionais para definir os melhores grupos da NFL.

O sentimento não vai parar

E quem é que vai parar tudo isso? Nick Foles vai conseguir lançar algum passe nessa secundária? A defesa contra o jogo corrido não é muito boa, mas se tirar Foles do jogo os Jaguars poderão focar em parar os RBs dos Eagles.

Case Keenum não vai conseguir outro milagre de Minneapolis, porque seus passes balão serão completados, mas não da forma que ele imaginou.

Tom Brady? Estude mais. Contra um time que tem Tom Coughlin, uma defesa com pass rush dominante e um QB inconstante, New England treme nos playoffs. E não somos nós que estamos falando. São os números (0 vitórias e duas derrotas). Já adiantamos: fechem a NFL antes que aconteça.

A nova esperança e uma mentira chamada Blake Bortles

Uma das verdades inexoráveis do mundo dos esportes é que não há nada que resista a magia de um nome campeão. E talvez seja nisto que residam as expectativas do sofrido torcedor do Jacksonville Jaguars: duas décadas depois, Tom Coughlin está de volta a Flórida.

Contratado no já distante mês de janeiro, Tom tem a responsabilidade de trazer um pouco de respeito, qualquer resquício que seja, para uma franquia que insiste em nos encher de esperanças ano após ano apenas para, no final das contas, despedaçá-las, enterrá-las e nos encher de vergonha.

Com o pomposo cargo que em uma tradução amadora para a língua tupiniquim poderia ser resumido em “vice-presidente executivo de operações de football”, Coughlin chega cercado de expectativas, mas o fato é que, embora o Jaguars tenha feito alguns (bons) movimentos na free agency, tudo dependerá de… Blake Bortles. Um grande bust ou um quarterback pronto para a redenção?

Bem, por mais segurança que uma defesa liderada por Jalen Ramsey e os recém chegados AJ Bouye, Calais Campbell e Barry Church possam proporcionar, o Jaguars não irá a lugar algum caso não marque pontos.

Apenas um dia normal na Flórida.

O fundo do poço é logo ali

Não nos furtemos em reconhecer que, na temporada passada, Jacksonville enganou boa parte do mundo da NFL: de apaixonados a especialistas, passando para pobres coitados (nós), muitos confiaram em Blake Bortles. Tanto que ao final da primeira partida, quando foi derrotado pelo Green Bay Packers em uma péssima chamada em um 4th down no minuto final, John Lynch, então analista da Fox e hoje GM do San Francisco 49ers, cravou: “Eu realmente creio que o Jaguars será um bom time de football nesta temporada” – acreditem, está gravado!

A verdade, porém, é que Jacksonville esteve longe, muito longe, de ser uma equipe minimamente respeitável, conquistando apenas três vitórias – e nos últimos cinco anos, venceu, atenção, dois, quatro, três, cinco e três partidas, respectivamente.

Claro, há culpa sobre os ombros de Blake, mas a temporada que passou também escancarou algo que já era evidente: Gus Bradley é um dos piores HCs que já passou pela NFL – sua porcentagem de vitórias (míseros 22%) é a segunda pior da história da liga para treinadores com ao menos 50 partidas.

Já sobre seu quarterback, resta esperar que ele melhore ou encontrar uma forma de vencer apesar dele – os movimentos da offseason e do draft, como a seleção de Leonard Fournette, dão a entender que a franquia aposta na segunda opção, mas falaremos disso depois; por enquanto, aproveitemos estas linhas para destilar nosso ódio por Bortles.

Confissão de culpa

Em 2015, quando enganou inocentes (nós), Bortles teve números decentes. Mas em 2016, tudo implodiu: Blake fedia cada vez mais conforme os minutos passavam. Vê-lo lançar um passe fazia nossos olhos sangrarem – era como se um jovem estivesse jogando beisebol em um campo de football.

Estamos cansados de estar abaixo da média e não ter sucesso, quando sentimos que temos capacidade de ser uma boa equipe”, declarou o quarterback ao Jacksonville.com. “Não temos tido êxito e é hora de mudar. É preciso fazer algo a respeito”, completou.

O tempo e as desculpas, porém, estão se esgotando, afinal Jacksonville acredita ter fornecido boas armas para seu QB: embora não ao mesmo tempo, o corpo de recebedores mostrou diversos sinais de consistência – Marqise Lee sempre pareceu um WR3 confiável, enquanto os irmãos Allen (Robinson & Hurns) ultrapassaram as 1000 jardas em 2015, mas caíram de produção no ano seguinte, seja por ser o novo foco das defesas adversárias (Robinson) ou por lesões (Hurns).

A maior frustração da última temporada é que eu era um jogador melhor”, disse Robinson. “Eu corria rotas melhores, pensei que estava criando mais separação. Mesmo que o resultado não chegasse, eu estava certo disso”.

Para 2017, uma nova chance para o trio, além da adição de Dede Westbrook (na pior das hipóteses, um dos nomes mais divertidos da liga), que pode ser tornar uma opção válida como slot – em sua última temporada no college, Westbrook teve 80 recepções, mais de 1500 jardas e 17 TDs; uma média de mais de 19 jardas por recepção, a melhor do football universitário entre jogadores com ao menos 75 recepções.

Outro alento é que a experiência com o TE Julius Thomas foi um fracasso – alguém acreditava em outro final? – e, ao menos, Thomas não atrapalhará mais o sistema ofensivo, já que foi enviado para o Miami Dolphins em troca de um pacote de balas (na verdade, o LT Branden Albert, que se aposentou antes de sofrer com Bortles).

Coitado.

Uma nova esperança

Enquanto o jogo aéreo de Jacksonville retorna com as mesmas peças, a dinâmica ofensiva por terra tem um novo ator principal: com a quarta escolha no último draft, o Jaguars selecionou o RB Leonard Fournette, já comparado com Hershel Walker (a imprensa norte-americana usa drogas).

Outros, aliás, afirmaram que Fournette é a melhor perspectiva de corrida que a NFL tem desde Adrian Peterson (já dissemos que a imprensa norte-americana trabalha sob o efeito de entorpecentes?). De qualquer forma, já é um cenário mais alentador do que um ataque terrestre comandado por TJ Yeldon e Chris Ivory; Leonard abrirá espaços e ótimas janelas de oportunidade para Bortles, resta saber se o quarterback conseguirá reconhecê-las e aproveitá-las.

Spoiler: não.

Claro, o sucesso do novo RB dependerá da linha ofensiva, historicamente mais triste do que a fome – agora, porém, há um alento, já que a escolha de segunda rodada foi usada em Cam Robinson, que deve rapidamente se tornar um oásis em meio ao deserto trágico que se tornou a OL de Jacksonville.

De todo modo, Fournette pode mudar o panorama do Jaguars – é um tanto “velha guarda” construir seu futuro em torno de um running back em uma NFL moderna que, cada vez mais, foca no jogo aéreo. O próprio Doug Marrone, novo HC, que fugiu de Buffalo na calada da noite sem maiores explicações, já declarou que pretende correr com a bola como se sua vida dependesse disso – e, enfim, talvez ela realmente dependa.

E, obviamente, também é arriscado depositar tanta esperança em um rookie, mas é algo que pode funcionar com um jogo corrido extremamente físico personificado no novo RB e, do outro lado da bola, uma defesa sólida e consistente.

Um filme repetido

Como mencionamos, Jacksonville mais uma vez fez (teoricamente) boas adições na free agency, boa parte delas focando em reforçar o sistema defensivo. Seria lindo, se eles já não fizessem o mesmo todos os anos e sempre acabasse dando m**da: o Jaguars talvez seja a prova ambulante de que tentar construir um sistema durante a FA normalmente não funciona.

De qualquer forma, o DT Calais Campbell, vindo de Arizona, talvez seja o grande novo (velho) nome na Flórida – mas como estamos falando do Jaguars e de sua sina particular, fica a questão se a franquia não está pagando pelo passado de Calais.

Outro nome que desembarca para curtir o clima agradável da cidade é o CB AJ Bouye, trazido para substituir os restos mortais de Prince Amukamara. Inegavelmente, Bouye vem de uma excelente temporada com o Texans, mas novamente, estamos falando de Jacksonville, então é justo questionar se ele teria sido tão eficaz fora de um sistema em que Whitney Mercilus e Jadeveon Clowney trituram QBs adversários apenas com a força do olhar. Outro ponto discutível é que poucas franquias compreendem tão bem a importância de seu sistema defensivo e o papel de suas peças como Houston, então o fato do Texans sequer ter esboçado qualquer esforço para manter seu antigo CB já deveria ser suficiente para levantar dúvidas nas piscinas do Everbank Field.

Na secundária, vindo do Dallas Cowboys, o S Barry Church supostamente deveria formar uma dupla de respeito ao lado de Tashaun Gipson – isso se Gipson não tivesse sido uma piada de péssimo gosto em seu primeiro ano com o Jaguars e Church fosse humanamente capaz de voltar alguns anos no tempo.

Palpite: Jacksonville é uma das piores equipes da NFL há um bom tempo, mas sempre esperamos que isto mude na temporada que irá nascer. Não vão nos enganar novamente: embora sua defesa pareça melhor e permita que eles se mantenham vivos em determinadas partidas, o Jaguars continuará perdendo enquanto Blake Bortles estiver em campo. Sério, Blake: você não nos engana mais!

A paciência está acabando; agora é hora de curar a ressaca

Talvez nenhuma outra torcida na NFL tenha tanto para comemorar na última década quanto a do New York Giants. As duas vitórias em Super Bowls em um intervalo de quatro anos contra o poderoso New England Patriots eram tão improváveis que se tornaram instantaneamente momentos clássicos do esporte.  Em uma liga em que o equilíbrio ­predomina ­– vale lembrar que nos últimos dez anos a NFL teve nove campeões diferentes, sendo o Giants o único a conquistar dois títulos ­–, vencer dois em tão pouco tempo é uma missão muito difícil. Bater Tom Brady e Bill Belichick em duas decisões é (era) praticamente impossível.

As lágrimas vêm ao rosto quando nós, torcedores desse time maravilhoso, lembramos de Plaxico Burres recebendo o passe perfeito de Eli Manning em 2008. Não conseguimos conter o choro quando nos recordamos de Ahmad Bradshaw caminhando indeciso e permitindo que sua nádega relutante tocasse a endzone do Patriots em 2011. Desde então, as lágrimas continuam a rolar, porém o motivo é outro: desgosto profundo. Depois das duas glórias máximas, uma fonte inesgotável de mediocridade predomina em East Rutherford. Desde 2012, o Giants coleciona exatamente zero aparições em playoffs e apenas um ano com recorde positivo. Depois de um razoável 9-7 em 2012, as três últimas temporadas foram um fracasso quase total: 7-9 em 2013 e 6-10 em 2014 e 2015.

Em 2015, apesar do recorde pífio, o Giants mostrou alguns lampejos de qualidade, exclusivamente no ataque. Ficou em sexto na NFL em pontos por jogo, com 26, à frente de ataques considerados superiores, como New Orleans Saints e Green Bay Packers. Foi o número oito em jardas por jogo e, apesar do número ridículo de apenas cinco TDs corridos, foi o sétimo da liga em TDs totais. Em um dos números mais relevantes, o Giants liderou a liga junto com o New England Patriots em TDs aéreos, com 36.

Os bons números ofensivos não foram suficientes para a permanência de Tom Coughlin, técnico que comandou o time por 12 anos. Erros estratégicos que, tranquilamente, podem ser classificados como bizarros levaram o time a perder seis jogos por menos de um TD, com o adversário marcando os pontos da vitória nos últimos dois minutos. Essa estatística, vista com bons olhos, mostra que o time esteve muito perto de vencer seis partidas a mais e que, talvez, não esteja tudo perdido. Porém, a demissão de Coughlin também mostra que a paciência está acabando e que o Giants na era Ben McAdoo não pode mais usar as lembranças das vitórias contra o Patriots como muleta. É preciso curar a ressaca e tudo leva a crer que qualquer evolução, por menor que seja, já será suficiente para brigar pela sempre aberta NFC East.

"Fiz merda".

“Fiz merda”.

Defesa historicamente horrorosa

O ataque acima da média não foi capaz de mascarar a podridão de uma das defesas mais vulneráveis da história da liga. Em 2015, o Giants cedeu 420 jardas por jogo aos ataques adversários, a segunda pior marca dos últimos dez anos em toda a NFL. Foi o pior contra o passe, cedendo quase 300 jardas aéreas por partida. Foram apenas 23 sacks durante todo o ano, a terceira pior marca da liga.

Sem alternativa e com bastante espaço no teto salarial, o Giants foi, disparado, o time que mais gastou contratando free agents. Os US$ 106,3 milhões em salários garantidos foram gastos quase exclusivamente com jogadores de defesa. Entre os contratados está o DE Olivier Vernon, um dos jogadores mais disputados na free agency e que assinou um contrato de US$ 85 milhões, com US$ 52 milhões garantidos. Junto com Jason Pierre-Paul, que renovou o contrato por um ano após ter grande parte da mão amputada em um acidente com fogos de artifício, Vernon chega para tentar dar um pouco mais de energia a um pass rush que, com muita boa vontade, pode ser chamado de anêmico.

Além de colocar mais pressão nos QBs adversário, o Giants precisava pelo menos tentar melhorar a secundária responsável pela pior defesa da liga contra o passe. O CB Janoris Jankins veio do Saint Louis Los Angeles Rams recebendo US$ 29 milhões garantidos e se junta ao veterano CB Dominique Rodgers-Cromartie. O DT Damon Harrison recebeu US$ 24 milhões garantidos e deve colaborar com uma das partes da defesa que não comprometeram tanto em 2015: a defesa contra o jogo corrido.

Além dos gastos astronômicos, o time também deu ênfase à defesa no draft, escolhendo três jogadores de defesa nas quatro primeiras escolhas: CB Eli Apple, S Darian Thompson e LB B.J. Goodson. Eli Apple deve ser exigido logo no início da temporada e tem a missão de provar que as escolhas de primeiro round do Giants que não se chamam Odell Beckham Jr. podem ser jogadores de sucesso na NFL.

Normalmente, gastos exorbitantes como esses não dão o resultado esperado. Times desesperados acabam pagando muito mais do que deveriam para jogadores que talvez não valham tanto (oi, Olivier Vernon!). Mas a situação da defesa do Giants é tão caótica que não há outra alternativa senão melhorar. É claro que o time não terá uma das melhores defesas da NFL da noite para o dia, mas se ao menos chegar à linha da mediocridade ­– o que deve acontecer –, a torcida já pode comemorar.

Fala aqui com a minha mão.

Fala aqui com a minha mão.

Elisha Nelson Manning

Após um ano com números terríveis em 2013, Eli Manning logo se aproveitou do sistema ofensivo de Ben McAdoo, que assumiu o cargo de coordenador ofensivo do Giants em 2014, e melhorou em todas as estatísticas que medem a eficiência de um QB. Se compararmos os números de 2013 com os de 2015, por exemplo, perceberemos que os TDs quase dobraram e as interceptações foram reduzidas pela metade.

Mesmo tendo Odell Beckham Jr. à disposição, é difícil acreditar que Eli conseguirá melhorar ainda mais os números que obteve nas duas últimas temporadas, já que parece ter atingido seu teto. O cenário mais provável é que a produtividade permaneça semelhante aos dois anos no sistema de McAdoo.

Eli terá à sua disposição uma linha ofensiva mediana, que foi colocada na posição 20 da NFL pelo site Pro Football Focus. Do lado esquerdo da linha, o guard Justin Pugh e, especialmente, o tackle Ereck Flowers ainda têm que provar que valem as escolhas de primeiro round no draft investidas neles. O lado direito da linha sofreu bastante já na pré-temporada e é o que muitos consideram o verdadeiro ponto fraco da proteção ao QB. O tackle Marshall Newhouse terá que melhorar a performance que lhe rendeu a não tão desejada avaliação de sexto pior pass blocker pelo PFF. Espera-se que, com um pouco mais de entrosamento, a linha ofensiva tenha um desempenho levemente melhor e seja ao menos regular.

OBJ e o resto

Odell Beckham Jr. talvez seja o grande responsável por uma crise gigantesca ainda não ter se instalado permanentemente em East Rutherford. Com recepções espetaculares, rotas perfeitas e velocidade assustadora, Beckham bateu o recorde de Randy Moss de jardas recebidas nas duas primeiras temporadas como jogador profissional. Foram 2744 jardas em 2014 e 2015 que ajudaram a esconder a ruindade do resto do ataque. Mas nenhuma narrativa ou estatística é capaz de traduzir em palavras ou em números o que OBJ faz dentro de campo. Se conseguir evitar episódios de descontrole emocional, como o que aconteceu no confronto contra Josh Norman no ano passado, Odell tem tudo para ser um dos grandes WRs da história da NFL. E não há nada que indique que isso possa mudar em breve.

Do lado oposto de Beckham, o principal contribuinte deve ser Sterling Shepard, rookie escolhido no segundo round do draft. Shepard tem criado bastante expectativa com sua performance no training camp, mas não mostrou muito nos jogos da pré-temporada. Além dele, Victor Cruz volta (ou pelo menos espera-se que volte) de lesão grave e, apesar da esperança da torcida, não deve chegar nem perto do jogador que levantou o troféu Vince Lombardi em 2011.

RBs: a prateleira de mediocridade

O principal ponto fraco do ataque do Giants é, sem dúvida, o jogo corrido. Rashad Jennings, Andre Willians, Orleans Darkwa e Bobby Rainey são a própria personificação da mediocridade. Sem muito mérito, Jennings deve ser o titular, mas não seria nada surpreendente se, além dele, outros dois ou mais jogadores iniciarem jogos como titulares, inclusive o rookie Paul Perkins. O grupo não anima, mas também não deve comprometer, até porque o ataque do Giants deve depender muito mais do passe do que do jogo corrido.

Palpite: o Giants iniciará a temporada com cinco vitórias em seus sete primeiros jogos, antes da folga na semana oito. No pacote de vitórias, estão incluídas as revanches de derrotas que doeram muito em 2015, contra Cowboys e Saints, logo nas primeiras duas semanas. No final, a temporada trará um redentor recorde de 11-5, que é mais do que suficiente para, depois de quatro anos, vencer a NFC East e avançar para uma frustrante derrota em casa logo no Wild Card round.