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Esperando sentado

A terceira temporada com Todd Bowles no comando não foi exatamente diferente da segunda, permitindo que, como pessoas de bem, esquecêssemos a de 2015 com o lendário Ryan Fitzpatrick (e Chan Gailey, o milagreiro) no comando do ataque, que fez parecer que o time havia encontrado um novo messias no seu Head Coach. Ao menos, se 2017 deixou alguma nova lição foi a de que não se vai longe sem um QB legítimo, por mais que Josh McCown tenha cumprido seu papel tão bem quanto possível.

Não à toa, o time trocou três escolhas de segunda rodada (para o único time que, teoricamente, não precisava de um QB e estava escolhendo no topo, os Colts) para subir no draft – mesmo ganhando apenas dois jogos dos últimos 11, os Jets estavam em sexto lugar na ordem de escolha – atrás daquele que acreditavam ser o lançador ideal para seu futuro: Sam Darnold, de USC.

É interessante apontar a sequência de decepções que têm sido os QBs saídos da universidade do sul da Califórnia nesse século: o mais marcante para os verdes, obviamente, será Mark Sanchez, que chegou duas vezes à final da AFC antes de cair na realidade da sua mediocridade e virar piada nacional; além disso, temos Matt Leinart, vencedor do Heisman (e 10ª escolha do primeiro round de 2006) que passou muita vergonha em Arizona e faz parte da extensa lista de QBs que tentaram atrapalhar a carreira de Larry Fitzgerald; J.D. Booty e Matt Barkley tinham boas expectativas, mas foram desmascarados até mesmo antes do draft e não jogaram muito na NFL apesar do destaque na universidade; por último, Cody Kessler teve suas chances em Cleveland, mas hoje é apenas reserva do grande Blake Bortles.

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O único exemplo favorável é Carson Palmer, que fez boas temporadas por alguns times medianos da NFL, e apesar dos bons números, não chegou a conquistar exatamente tudo o que se gostaria de uma primeira escolha geral (2003); Sam Darnold, para ser considerado um verdadeiro sucesso, deve conseguir mais do que isso (#qbwinz).

Até o momento, as performances têm sido encorajadoras (29 passes completos, 244 jardas, 2 TDs e 1 interceptação) e Sam sequer deve dar a oportunidade para seus competidores começarem a temporada enquanto Bowles nos enganaria dizendo que “era tudo uma competição e o melhor joga”, apenas para colocar Darnold em campo depois de duas derrotas.

Sobre McCown e Bridgewater

Os que estivessem mais desconfiados da capacidade da turma de QBs de 2018 – ou mais fiéis ao valor de três escolhas de segunda rodada – têm, após alguns jogos da pré-temporada, argumentos também para ir contra a escolha de Darnold. Josh McCown não foi horrível em 2017 (enquanto o ataque ao seu redor é, esse sim, abaixo da média) e é tão sólido quanto se esperaria de um veterano (venceu, por exemplo, Jaguars e Chiefs em 2017) e talvez aguentasse mais uma temporada esperando um reforço realmente diferenciado.

Por outro lado, Teddy Bridgewater chegou em Nova York por uma miséria (6M, mas apenas 1M de dólares garantidos) pelo famoso VAI QUE. E, não fosse pela necessidade óbvia de utilizar Darnold porque ele é a primeira escolha, o desempenho na pré-temporada de Teddy seria mais do que suficiente para colocá-lo como titular que traria um futuro melhor para os Jets.

Nota: o autor é um fã e não falará mais sobre o assunto para não ficar chorando sobre joelhos explodidos.

A defesa de Mark Sanchez

Já que aproveitamos mais um ano de texto sobre os Jets para mencionar Mark Sanchez e cutucar a ferida, usemos ele também para reviver boas memórias e trazer esperança para a galera – naquela época, é válido lembrar, a defesa comandada por Darrelle Revis engolia os ataques adversários. A de agora está em processo de construção para tentar igualar a receita.

Já no começo da temporada passada, Sheldon Richardson foi trocado por um dos second round que se tornou Sam Darnold, e agora Muhamad Wilkerson vazou para os amigos de Aaron Rodgers, transformando uma linha defensiva outrora dominante, especialmente no jogo corrido – nessa linha de trabalho, o time também perdeu Demario Davis, maior número de tackles e sacks (5!) do time em 2017.

Para tentar ocupar o espaço na linha ao lado de Leonard Williams e Steve McLendon, 143kg de Nathan Shepherd foram draftados para New York. Além disso, o time realizou outra troca com os Colts para trazer Henry Anderson com o objetivo de melhorar a pressão nos QBs adversários: mesmo que não tenha nunca conseguido produzir em Indianapolis (ninguém consegue sem Luck por lá), saiu da universidade muito bem cotado e ainda é jovem, além de ter passado muito tempo lutando contra lesões.

Para reforçar o grupo de LBs, o time contratou Avery Williamson de Tennessee e Kevin Minter, que vem dos Bengals, mas foi importante nos anos anteriores em Arizona, mas nenhum dos dois como pass-ruhers. A menos que alguma troca aconteça (deveria) por Khalil Mack por exemplo, ou algum dos jogadores disponíveis hoje (como o atlético Darron Lee, o jovem Jordan Jenkins ou o veterano Josh Martin) dê uma virada absurda, é bem provável que qualquer linha ofensiva semi-competente gere bastantes espaços contra a equipe.

Uma nova ajuda disponível para a luta contra o jogo aéreo adversário (sempre válido lembrar que estamos na divisão de Tom Brady) é a existência, agora sim, de um CB1 para acompanhar uma jovem dupla de safeties (duas primeiras escolhas do time em 2017, inclusive), além de Morris Claiborne e Buster Skrine. Trumaine Johnson recebeu aproximadamente 1 bilhão de reais (72,5M de dólares) para ficar até morrer (5 anos) com os Jets e ancorar uma defesa que tem altas expectativas da torcida e, como vimos, não tem muita ajuda à frente.

Apoio para o rookie

Outro ponto essencial para formação de uma carreira feliz para um rookie é o grupo que lhe dá suporte. E enquanto a defesa produz uma miséria de sacks, o ataque cedeu 47 – aproximadamente três por partida. Sendo Sam Darnold um pocket passer do estilo tradicional e amado pelos clássicos, a linha ofensiva tem que fazer um trabalho melhor (de acordo com o site PFF, é a segunda pior da NFL, na frente apenas do seu time. Exato, qualquer fã de futebol americano sabe que a linha ofensiva é a pior da liga e matará seu QB).

Para isso, complementando Kevin Beachum e James Carpenter, que estiveram bem do lado esquerdo da OL, o resto deve evoluir: o C Spencer Long veio de Washington, onde era mediano; Brian Winters já deve jogar saudável, o que também é uma evolução em relação a 2017; e, por último, Brandon Shell deve ser o RT, um ano mais experiente.

O grupo de RBs deverá ajudar também na proteção do QB, já que Bilal Powell é bom nessa linha e o time ainda trouxe Charcandrick West, outro que é conhecido por ser um bom apoio no pass block. Em relação a realmente produzir jardas, a expectativa ficará por conta do rookie de 6ª rodada Trenton Cannon (63 jardas na pré-temporada), de Virginia State, e Isaiah Crowell, que foi produtivo nos últimos anos pelos Browns.

Como alvos interessantes para Darnold, temos Terrelle Pryor, o ex-QB maloqueiro de Oakland e Washington, que inevitavelmente deve evoluir para WR1 por razões de talento, além de Robby Anderson (que foi de zé-ninguém para relevante a partir da metade de 2017) e Jermaine Kearse, mesmo que este esteja lutando contra lesões. De novo, é difícil enxergar um grande alvo no time dos Jets, e a produção deles é difícil de prever até enxergarmos do que Darnold é realmente capaz.

Palpite:

Como qualquer time que começa a temporada com um novo QB, especialmente um novato de 21 anos, os planos são apenas ver o garoto florescer e evoluir ao longo da temporada. Porrada nele não deverá faltar ao enfrentar Jaguars, Broncos e Vikings em uma sequência de apenas quatro semanas, por exemplo. Além disso, é até bom que ele demore um pouco para se desenvolver e assim a gente não perde tempo falando de competição na AFC East – divisão que Tom Brady ganhará outra vez ou enquanto estiver vivo.

O grande dilema do capitão Kirk

Você provavelmente já ouviu isto nos últimos anos, mas aqui vamos nós mais uma vez: o Washington Redskins foi, novamente, um caos na offseason. E desta vez a confusão teve protagonista o então GM Scot McGloughan, demitido poucas semanas antes do draft e transformando a franquia em um prato cheio para especulações sensacionalistas – sobretudo quando Washington relutava em comentar a demissão, supostamente movida por problemas com álcool de McCloughan.

Tudo isto em uma franquia que foi capaz de vencer sua divisão em 2015 e disputou a primeira posição em 2016 até a semana final, perdida apenas após uma derrota para o New York Giants. Mas os problemas não se restringem apenas a demissão do seu então GM; eles passam também pela constante incerteza com o futuro de seu quarterback (pelo segundo ano consecutivo jogando com a franchise tag) e a partida de diversos integrantes chave da comissão técnica.

O “x” da questão

A questão Cousins, aliás, é um capítulo particular: Washington parece não ter certeza de que Kirk é o futuro da franquia – ao menos não proporcionalmente a sua pedida salarial. Dessa forma, ambos os lados seguem paralisados em meio a rumores de que o 49ers, agora sob o comando de Kyle Shanahan, seu antigo parceiro, seria o destino do quarterback – de qualquer forma, resta a certeza que uma eventual negociação com San Francisco terá que esperar até a próxima primavera.

O argumento do Redskins, de que Cousins não é um franchise quarterback (mesmo, repetimos, tendo jogado as duas últimas temporada com a franchise tag), soa um pouco contraditório: os números estão a favor de Kirk; o quarterback lançou para quase 5 mil jardas na temporada passada (exatas 4917), completando mais de 67% dos passes nos dois últimos anos (foram 7,7 e 8,1 jardas por tentativa em 2015 e 2016, respectivamente).

Somando os dois anos, Kirk teve 54 touchdowns e apenas 23 interceptações, ou seja, os números estão lá para confirmar seu talento, da mesma maneira que se pode afirmar que ele não teria conseguido tanto êxito caso não contasse com um excelente elenco de apoio ao seu redor. 2017, porém, pode trazer as respostas definitivas.

Ele é bom, caras.

Partidas e chegadas

Washington viu partir dois de seus principais recebedores durante a offseason: os WRs Pierre Garçon (San Francisco) e DeSean Jackson (Tampa Bay) procuraram novos ares. A perda de Jackson talvez não seja tão sentida, sobretudo pela adição de Terrelle Pryor na free agency.

Pryor será uma válvula de escape para que Cousins melhore o trágico aproveitamento na redzone – um QB durante o college, Pryor completou com sucesso sua transformação para WR em Cleveland, sobrevivendo a um ataque quase anêmico; foram 77 recepções para 1007 jardas pelo Browns.

Há ainda Jamison Crowder, que teve 67 recepções para 847 jardas e seis TDs em 2016. E é nele que deve estar a resposta para o sucesso do ataque aéreo de Washington – e, talvez por confiar em seu WR, o Redskins tenha deixado Pierre e DeSean partirem.

Pelo ar, Kirk contará ainda com o TE Jordan Reed, uma das melhores opções da NFL na posição quando saudável (vale lembrar que Reed nunca jogou uma temporada completa em sua carreira profissional) e Josh Doctson, escolha geral número 22 no draft de 2016 que teve uma temporada como rookie digna de esquecimento – Washington espera que agora ele efetivamente consiga estrear.

O foco, inegavelmente, será o jogo aéreo, já que as perspectivas de sucesso por terra estão a muitas jardas de serem animadoras – mesmo contando com uma excelente OL. Os RBs Robert Kelley e Samaje Perine competirão pelo posto de titular, enquanto Chris Thompson seguirá como opção alternativa.

O cenário se torna assustador se você levar em conta que em uma equipe séria, Kelley, titular em Washington, seria a terceira opção – e não há indícios, seja na pré-temporada ou em seu passado na universidade, de que Perine se tornará algo próximo de um jogador minimamente relevante.

Vai que dá.

Não mais tão confiável

Há um ano, os Redskins concentram seus esforços no draft no setor ofensivo, o que lhes custou caro – algo como uma vaga nos playoffs em 2016. Na temporada passada, o sistema defensivo de Washington cedeu uma média de 377,9 jardas por partida; a quinta maior da NFL.

O DC Joe Barry e dois de seus assistentes foram demitidos por aquilo que se convencionou chamar de justa causa, e no draft de 2017 o Redskins investiu pesado no setor, selecionando nas três primeiras rodadas jogadores de defesa: o DE / DT Jonathan Allen, o OLB Ryan Anderson e o CB Fabian Moreau.

Allen chegou a ser cotado como melhor jogador universitário durante sua carreira, mas caiu para a escolha número 17 devido a algumas lesões – que, no entanto, não devem afetar seu desempenho. Além disso ele é exatamente o que o Redskins precisava após perder o melhor jogador de sua linha defensiva, Chris Baker, para Tampa Bay.

Já Moreau por muito tempo foi cotado como escolha de primeira rodada, mas despencou no draft devido a problemas de saúde. Se ele puder entrar em campo, porém, deve ganhar a vaga de Bashaud Breeland e formar uma boa dupla com Josh Norman.

Palpite: Você pode ter uma certeza: este ataque vai funcionar – desde que esteve sob o comando de Jay Gruden, Washington sempre liderou rankings ofensivos. Mas mesmo assim tudo pode dar errado enquanto as especulações sobre o futuro de Kirk Cousins continuarem. E, acredite, elas durarão até meados de janeiro. Ao menos para 2017, Kirk estará bem armado – mas as distrações e a falta de um jogo terrestre confiável farão com que, mais uma vez, eles nadem e morram na praia.