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Homens causando (e passando) medo

Nunca é fácil escrever (e por escrever aqui queremos normalmente dizer “falar mal”) sobre o que time que se gosta, mesmo que tal tarefa não possa ser delegada a algum dos outros marginais que também fazem parte desta “mídia” (só os mais antigos entenderão).

Além disso, é ainda mais difícil escrever sobre um time que perdeu o que parecia ser sua grande chance na hora da verdade para ninguém menos que Nick Foles, enquanto se acredita que agora se pode chegar mais longe do que da última vez.

A razão disso, além da defesa sobre a qual dedicaremos mais linhas do que são devidas para contar suas fortalezas, é o novo quarterback que, quando Mike Zimmer chegou em Minnesota, era uma possibilidade inimaginável: Kirk Cousins, que assinou um contrato de três anos e 84 milhões de dólares com o único objetivo de ganhar o primeiro título da história dos Vikings. Qualquer coisa diferente disso será considerado um fracasso.

E não faltam razões para falarmos em fracassos e decepções na história recente de Minnesota: desde Christian Ponder (que, hoje, vemos que não tinha como dar certo), até as insistentes lesões de Teddy Bridgewater – que agora parece destinado a ser feliz em um lugar mais quente e Sam Bradford.

A efeito de potencial, podemos muito bem olhar para a carreira do próprio Nick Foles: QBs branquelos com cara de nerdões podem ganhar um Super Bowl dada a oportunidade correta. Cousins, inclusive, teve muito mais estabilidade do que Foles (isso depois, assim como um dia fizeram com Aaron Rodgers – alerta de comparação esdrúxula gratuita – passar três anos esquentando banco e aprendendo sobre a liga) e tem números para fortalecer seu posicionamento como um dos bons QBs da NFL: como titular, sempre passou para mais de 4.000 jardas e mais de 25 TDs, coisa que os Vikings não vêm desde Brett Favre – outra temporada feliz, mas deprimente.

Como última curiosidade, quando se enfrentaram em 2017, Cousins conseguiu marcar 2 TDs corridos. Quem sabe o homem seja até mesmo uma ameaça dupla (não é, ele correu para 5 jardas).

Diggs, Thielen & Cook

Se no momento em que falávamos sobre QBs importantes da história recente de Minnesota você sentiu falta do último, Case Keenum, saiba que foi intencional para usá-lo como exemplo de quão bom são esses jogadores de suporte: o eternamente medíocre Keenum teve um rating de 98.3, 22 TDs e 3547 jardas lançadas (das quais 2125 acumularam Diggs – hoje 72 milhões mais rico – e Thielen – o primeiro WR de 1000 jardas desde Sidney Rice), além de ter surpreendentemente vencido 11 jogos (mais do que no resto da carreira). Se Kirk Cousins teve um bom desempenho com Josh Doctson e Jamison Crowder, é válido sonhar com números absurdos com o novo trio.

É preciso mencionar também os complementos Kyle Rudolph e Laquon Treadwell. Rudolph foi um alvo importante na redzone para Keenum e produziu 8 TDs, mas segue sendo apenas um TE sólido, que colabora muito com o ataque sem trazer o brilho que outros têm na liga (como, por exemplo, tem Jordan Reed); Laquon Treadwell, por outro lado, teve uma segunda temporada tão decepcionante quanto a primeira, mas o fato de ter se solidificado como WR3 na equipe durante a pré-temporada lhe coloca como o principal coringa de Cousins (que curte distribuir a bola) e pode surpreender na temporada.

Um terror chamado linha (ofensiva)

É importante marcar que essa linha é o ponto de sustentação mais importante desse ataque com potencial absurdo que já falamos até aqui. E é facilmente o maior medo da torcida – vide o trabalho dos Eagles naquela final de conferência inesquecível (por mais que se tente).

LEIA TAMBÉM: Kirk Cousins, você gosta disso?

Ainda é impossível apontar exatamente a escalação completa dos Vikings (claro, tal qual os outros times em que erramos bastante também), mas aqui o problema especial é a própria OL. Mesmo após ter melhorado seu desempenho em relação aos tempos de Sam Bradford e Teddy (e talvez parte disso seja a “lendária” presença no pocket de Case Keenum), somente Riley Reiff estará presente na mesma posição de 2017.

Mike Remmers foi movido para o interior e será o RG, enquanto Rashod Hill (que jogou algumas partidas já no ano passado, mas, de acordo com ele mesmo, sentiu a falta de fôlego naquele jogo dramático contra os Eagles) provavelmente lhe substituirá como RT.

Pat Elflein, o C e melhor jogador da linha está machucado, enquanto o time trocou por Brett Jones, que não seria titular nos Giants nesse ano (apesar de ter sido o C titular em 2017), e contratou Tom Compton – desses três, deverão sair dois titulares (e se você não tem um titular definido a essa altura do campeonato, já sabemos que algum problema está aí).

Outro terror também chamado linha (defensiva) – e mais alguns amigos ricos

Se por um lado a estabilidade do ataque passa pela linha ofensiva, o caminho para a terra prometida passa pela defesa. Uma das histórias mais interessantes da offseason eram os Vikings tentando achar dinheiro para pagar Kirk Cousins, a melhor opção de QB no mercado, sem ter que abrir mão de importantes peças defensivas – e, ao que tudo indica, conseguiram até mais do que isso, pelo menos para 2018.

Principalmente porque a grande contratação de 2018 pode acabar sendo Sheldon Richardson ao invés de Cousins: no ano passado, a equipe não contava com um verdadeiro 3T como um dia teve Kevin Williams para destruir defesas pelo meio e agora tem, logo ao lado do monstruoso e imparável Linval Joseph.

Para piorar, do lado de cada um deles, estarão Everson Griffen, que dispensa comentários além dos seus 13 sacks (maior marca da carreira, ou seja, ainda está melhorando), e Danielle Hunter que, se não produziu números em 2017 (7 sacks em sua primeira temporada como titular absoluto), sua capacidade de cheirar cangotes de QB e empurrar gordinhos da OL está posta no papel na forma dos mesmos 72 milhões que recebeu Stefon Diggs.

Na rotatividade dessa linha, inclusive, deverá ser incluído o já mencionado Anthony Barr, única estrela de 2017 que ainda não recebeu um novo contrato, que com a saída de Brian Robison (dispensado), deverá ter a oportunidade de caçar QBs da linha como fazia na época da universidade. O seu companheiro, Erick Kendricks, também ganhou contrato novo, mas mais modesto: só 50 milhões.

A secundária, que disputou em 2017 e deverá disputar em 2018 com a dos Jaguars pelo posto de qual cede menos aos adversários, também tem reforços novos, tanto em campo como nas sidelines: ao invés de escolher um jogador de linha ofensiva como todos esperavam, na primeira rodada do draft os Vikings pegaram Mike Hughes, CB maloqueiro e aparentemente já tem dado resultados na difícil posição do slot, tirando a relevância de Mackesie Alexander. Como novo treinador, o time contou com a aposentadoria de Terrance Newman, que chegou ao fim de sua carreira interminável e seguirá como apoio.

Treinados por Newman (“técnico de defesa nickel”, no título oficial), deverá se repetir o grupo que jogou com ele em 2017: as estrelas Xavier Rhodes e Harrison Smith, que frequentemente são colocados como os melhores ou entre os melhores das suas posições, opostos por Trae Waynes e Andrew Sendejo, que um dia foram considerados medíocres, mas a temporada de 2017 apenas consolidou a evolução deles e o esperado é que isso siga para 2018 (sob pena de serem ameaçados por jogadores como o próprio Alexander e George Iloka, velho conhecido de Zimmer que veio por um salário mínimo para brigar pelo seu lugar ao sol).

Palpite:

13-3, sem medo de ser feliz. Uma das derrotas, a mais previsível de todas, será contra os Bears no Soldier Field – porque os Vikings nunca ganham lá e temos medo de Khalil Mack. Outra, será contra os Eagles para enterrar qualquer esperança de que a equipe possa chegar ao título da NFC – e motivará o time para a grande final da conferência. É importante, e devo falar aqui como torcedor, acreditar que a vingança virá. E aí o drama de enfrentar um Super Bowl fica para outro texto.

Podcast #9 – Uma coleção de asneiras IX

Estamos de volta!

Repercutimos, claro, o Super Bowl: como foi a vitória dos Eagles, os personagens envolvidos e mais algumas bobagens.

Discutimos os assuntos do momento, como a renovação de Jimmy Garoppolo e o pé na bunda que Josh McDaniels deu nos Colts.

Por fim, falamos da offseason e o que podemos esperar desse período maravilhoso.

Participação especial: João Paulo, do @EaglesBR.

 

Análise Tática #25 – Parte 1: A defesa dos Patriots

Por boa parte da temporada regular, a defesa dos Patriots foi alvo de críticas da torcida e dos especialistas – principalmente após as lesões do calouro Derek Rivers e de Dont’a Hightower, discutivelmente melhor jogador da unidade.

As atuações instáveis de Stephen Gillmore e Malcolm Butler, bem como a fragilidade do pass rush e dos linebackers em rotas laterais foram motivos de preocupação em Foxborough, mesmo que nós saibamos que no final das contas, Bill Belichick sempre encontra um jeito de fazer a unidade produzir.

As estatísticas

Contra Tennessee no divisional round o principal número a se mencionar é os oito sacks obtidos contra Marcus Mariota. Foram 61 jogadas e 27min04s em campo por 10 campanhas, cedendo 65 jardas terrestres em 16 tentativas. Foram 202 jardas aéreas em 22 passes completos de 37 tentados.

Contra Jacksonville no AFC Championship Game, a defesa passou 35min08s em campo, em 71 jogadas divididas em 12 drives. Foram 101 jardas terrestres em 32 tentativas e 273 jardas aéreas em 23 passes completos de 36 tentativas. Dessa vez, foram 3 sacks.

Apesar de boas atuações, em nenhuma das duas partidas a defesa dos Patriots forçou turnovers.

A importância dos sacks contra Tennessee

A defesa dos Patriots colocou o ataque de Tennessee em quinze situações de terceira descida, permitindo apenas cinco conversões.  Dos oito sacks, dois foram nessas ocasiões, em que a defesa forçou os punts.

Em uma unidade em que nenhum jogador é exatamente uma estrela da liga, New England se sobressai principalmente pela leitura pré-snap de cada jogador e a dedicação dos mesmos em cumprir sua função na jogada. Tennessee alinha seus recebedores em um set 2×2 em stack formation, concentrando a defesa no meio do campo.

Observe que o safety Patrick Chung lê o motion de Delanie Walker e o acompanha, dando a entender que o mesmo estará em cobertura individual contra o mesmo, apesar de seu posicionamento de quadril dizer o contrário.

Observe também que o jogador marcado com uma estrela (Corey Davis) está cercado por pelo menos três jogadores de New England. Esse sistema de cobertura é constantemente utilizado por Belichick e Patricia para anular recebedores velozes dos adversários. Pelo menos dois jogadores irão marcar o principal WR em uma combinação de marcação individual e zona half, semelhante à cobertura cover 2-man, porém acontecendo em apenas um lado do campo..

No momento em que a jogada se desenvolve, a secundária rotacional de um desenho de cover 2 para uma cover 1, com todas as rotas tendo pelo menos um jogador marcando individualmente. É como se New England tivesse uma superioridade numérica na cobertura, portanto, nenhuma rota dará uma janela de passe confiável para Mariota.

No front, temos os seguintes alinhamentos de techniques (9-0-3-8), enquanto o defensor na 3-tech (Rufus Johnson) ficará de QB-Spy em Mariota. Trey Flowers na 9 tech é o jogador que traz a pressão pelo speed rush, forçando Mariota a escalar o pocket. O espaço preenchido por Rufus Johnson tira a possibilidade do scramble de Mariota e ajuda a Deatrich Wise a fechar o sack.

Como mostramos no texto sobre a defesa do Jacksonville Jaguars, esse é um tipo de sack obtido graças à excelente cobertura, o chamado sack-coverage.

O cover 2-man aparece empregado em sua totalidade nessa jogada no terceiro quarto, o segundo sack em terceira descida conquistado pelo New England Patriots. Pela situação, consideremos que o alvo principal seja Delanie Walker no meio do campo, por ser o recebedor mais confiável e ter o melhor matchup em tese.

Walker é marcado de forma individual, enquanto no flat do lado esquerdo de campo, o esquema de cover 2 anula o checkdown de Marcus Mariota. Ele novamente está sem opções para passar a bola, enquanto enfrenta um 3-men rush com spy. Observemos o front de New England.

Dessa vez a linha varia o alinhamento das techs para 9-4-0-8, com o defensor na 4-tech em QB Spy. Com o objetivo de prender Mariota no pocket, o flat do lado esquerdo está coberto por uma marcação em zona, enquanto no lado com a marcação individual, está justamente posicionado o espião. Além disso, esse é o lado em que a pressão vem pelo speed rush.

Adam Butler (#70) ataca pelo A-gap do lado direito da linha enquanto Kyle Van Noy (#53) permanece em spy. Essa combinação é suficiente para gerar pânico em Mariota e fazer com que o mesmo tire o olho de suas progressões. Mais um sack em terceira descida.

Os ajustes contra o jogo corrido de Jacksonville

É de conhecimento geral que o ataque do Jacksonville Jaguars é uma unidade predicada ao jogo terrestre. Como mostrado anteriormente, foram 101 jardas em 32 tentativas, uma média 3.2 jardas por corrida, abaixo do ideal de 4 YPC (yards per carry). Considera-se tal valor para determinar que o jogo terrestre de uma unidade foi bem aplicado durante a partida.

Essa jogada no segundo quarto mostra como o Jacksonville Jaguars estava utilizando conceitos de misdirection para utilizar o jogo corrido de Leonard Fournette. O misdirection aplicado ao jogo terrestre tem o objetivo de tirar alguns jogadores da defesa da direção da jogada.

Aqui, os jogadores alinhados em trips-bunch se deslocarão para a direita, atraindo os defensores marcando em zona para aquele lado. O movimento de Blake Bortles vendendo o draw ajuda a dar veracidade a essa tentativa.

A corrida se desenvolve como uma outside zone para o lado direito, com Fournette atacando o espaço entre o left guard e o center (A-Gap). Observe que ficam apenas 5 jogadores do lado em que se desenvolve a jogada, e apenas o safety Patrick Chung não está bloqueado, podendo reagir ao tackle. Fournette consegue ganhar 13 jardas na jogada, em drive que terminaria em touchdown para os Jaguars.

Observemos agora os Jaguars realizando uma inside zone no início do último quarto da partida, quando os Patriots buscavam a virada no placar. Conter Leonard Fournette e Corey Grant foi um dos pontos chave para que o Patriots tivesse tempo de relógio, considerando o jogo quase limpo em termos de turnovers (apenas Myles Jack forçou um fumble em drives anteriores).

O leitor já deve estar familiarizado com o sistema de zone blocking, o jogador bloqueará o adversário à sua frente ou ajudará o bloqueio ao seu lado na direção em que a jogada se desenvolve, de olho na possibilidade de atacar o segundo nível da defesa.

Observe pelo alinhamento dos recebedores, que os Jaguars tentarão repetir o misdirection. Mas provavelmente pela análise de tendências e situação da partida, os Patriots basicamente sabem que será uma corrida. Bill Belichick se sobressai como técnico exatamente nesse ponto, New England quase sempre faz os ajustes corretos no segundo tempo de jogos importantes, mesmo nas derrotas.

Malcom Brown consegue fechar o tackle a partir da 0-tech, após receber apenas o bloqueio do center de Jacksonville. Com os linebackers fechando as opções no mesh point de Fournette, o mesmo não consegue ganhar mais que duas jardas.

Uma unidade que mesmo sem jogadores de elite é capaz de ajustar tão bem graças à competência de seu coaching staff. Essa capacidade foi importante para os Patriots diante dos Falcons no Super Bowl LI e deverá ser novamente fundamental em Minneapolis.

Dessa vez, Belichick e Matt Patricia deverão estar atento a uma arma que já os derrotou na temporada, a Run-Pass-Option, dessa vez empregada pelos Eagles.

Por mais um último milagre de Minneapolis

Assisti ao jogo na casa da minha namorada, pelo celular, porque afinal de contas ainda não tenho direito de pegar o controle e mandar na TV lá (palavra chave: ainda). O primeiro tempo foi assustadoramente tranquilo, a defesa tão dominante quanto se poderia sonhar (Andrew Sendejo era facilmente o melhor WR de Drew Brees com aquela catch incrível) e o ataque era tão letal quanto pode ser – logo falaremos mais sobre ambos. 17-0. Algo historicamente não usual para um time como os Vikings de Minnesota.

Como passei o tempo inteiro pulando e vibrando, aproveitei o intervalo para dar um pouco de atenção para ela e respirar um pouco (coloquei o despertador para soar ao fim dos 15 minutos de intervalo). Quando o despertador tocou, peguei o celular e liguei no jogo de novo; ao mesmo tempo, minha namorada me avisa:

“Ok, eu vou tomar um banho pra dormir, tá tarde e eu trabalho amanhã.”

Sobre o time do primeiro tempo

A verdade é que, ainda que espetacular, o primeiro tempo foi tudo o que se podia esperar (e, portanto, ainda se espera pelos próximos dois jogos,). A linha defensiva, mesmo com Everson Griffen baleado, e produzindo apenas 2 sacks o jogo todo, perturbou tanto Drew Brees que o fez lançar duas interceptações: a que já citamos, em que Andrew Sendejo mais pareceu um WR que um S; e a outra, num desvio sem querer de Griffen, com a parte de trás da mão, que caiu no colo de Anthony Barr.

Créditos também para o gigantesco Linval Joseph e o do-it-all Eric Kendricks que, como sempre, taparam todos os espaços possíveis, limitando todas as corridas da dupla Kamara e Ingram assim como conseguiram os Panthers.

Diferente dos Panthers, entretanto, a secundária de Minnesota também foi gigante: Xavier Rhodes também manteve Michael Thomas no bolso, assim como Trae Waynes e Mackensie Alexander controlaram Ted Ginn Jr (afinal, apesar de 8 bolas recebidas, o maior ganho do velocista foi de 15 jardas). Harrison Smith, candidato a melhor jogador defensivo do ano mesmo estando fora do Pro Bowl, estava sempre na cobertura quando qualquer outro jogador (de qualquer outra posição: CB, LB  DL ) bobeava.

Do outro lado, no ataque, o time de Minnesota não é espetacular (válido lembrar, também, que a defesa de New Orleans não é de se jogar fora; mas não sobrou em nenhum momento nesses playoffs), mas conseguiu ser eficiente. Diggs e Thielen formam uma das melhores duplas de WRs da NFL hoje e agarram simplesmente qualquer coisa que Keenum joga na direção deles. Eles produzem first downs numa eficiência surpreendente junto com Rudolph e Wright (que se solidifica como WR3 porque sempre consegue converter terceiras descidas) – todos os recebedores de Case parecem estar sempre no lugar certo, na hora certa, sempre se esticando ao máximo e chegando a bolas que Dez Bryant com certeza não chegaria.

O jogo corrido de Latavius Murray e Jerick McKinnon não deixa a torcida sentir saudades de Adrian Peterson: dificilmente eles correrão para 80 jardas de uma vez só, mas igualmente difícil é vê-los correndo para -2 três vezes seguidas como nosso lendário RB fazia. Com uma linha ofensiva que consegue abrir espaços no jogo corrido especialmente no interior com Elflein, Beger e agora Remmers (movido de RT para LG com a ascensão de Rashod Hill), mesmo contra uma boa defesa, de first down em first down, os Vikings vão sempre chegando. Não à toa, tinham uma boa vantagem quando acabou o segundo quarto de partida.

Como a gente estava indo pro vestiário?

O banho

Quando ela falou em parar de ver o jogo, gelei. E se fosse ela quem estava dando sorte? O que eu fiz em seguida foi pior ainda.

“Mas e se for você quem está dando sorte? E se você for tomar banho e a gente tomar a virada?” – Ziquei. Forte. Tentei bater na madeira, tentei todo tipo de reza para tirar toda a desgraça que atraí para mim e para o meu time, tentei IMPEDI-LA de ir. Mas ela foi do mesmo jeito. Pois cheirosa.

E como vocês ainda devem lembrar, era realmente ela quem estava dando sorte. Afinal, o terceiro quarto foi um dos piores da temporada dos Vikings: um drive de sete minutos que acabou em punt, um TD fácil em que Xavier Rhodes perdeu na corrida para Michael Thomas, uma interceptação bizarra de Case Keenum e mais um TD bizarro em que, com Rhodes sentindo, o experiente Terrence Newman caiu no balanço do excelente Michael Thomas.

Nota da edição: Lembrem-se sempre de respeitar o meu Michael Thomas. 

Além disso, provavelmente o jogador mais surpreendente dessa equipe, Andrew Sendejo, foi apagado por uma trombada desnecessária (vindo logo da cidade do Bountygate, também podemos chamar de “trombada bem estranha”) do mesmo Michael Thomas e caiu travado no chão.

Nota da edição.2: Meu Michael Thomas não é desleal. 

O time que não jogou o segundo tempo

Assim como o primeiro tempo foi tudo aquilo que se espera da equipe de Minneapolis, o segundo foi exatamente o que o pior pessimista poderia esperar: a defesa regrediu a 2016 e o ataque mostrou aquela mediocridade latente. Obviamente, como é esperado desde a semana 2 da temporada, os que puxaram o ataque para trás foram a linha ofensiva e Keenum. Um, por ceder à crescente pressão que a defesa adversária trouxe, o que acabou também dificultando o jogo corrido e fazendo com que Keenum não conseguisse trabalhar em paz dentro do pocket e encontrar aquele micro-espaço que precisam os recebedores (o que acabaram tornando-se passes bizarros que passam longe).

Não à toa, Keenum lançou uma interceptação bizarra enquanto era atingido, o que preparou o segundo TD dos Saints no jogo, e Minnesota só pontuou em FGs muito longos (de 49 e 53 jardas), de um Kai Forbath que… Esquece. Não vai ter elogio para kicker até ganhar o Super Bowl.

A defesa, que dominou por dois quartos inteiros, desmontou-se quando perdeu a segurança de Andrew Sendejo. Foi aparente a falta de um “último homem” ali atrás e, mesmo que razoável, Anthony Harris não é metade do homem que é Sendejo – e, considerando que Andrew sofreu uma concussão, a pior lesão possível para se curar, sua recuperação é algo pela qual vale a pena acender uma vela. Ainda na secundária, Xavier Rhodes precisa recuperar o foco de quem parou Antonio Brown e Julio Jones na temporada regular para ajudar o time a ter sucesso nesses playoffs; além disso, é necessário perceber que talvez Terrence Newman já não seja assim uma grande opção que foi nos últimos anos – pelo que Waynes e Alexander tem evoluido a cada snap.

The Minneapolis Miracle

Em algum momento entre a interceptação e o segundo TD a minha namorada estava de volta (o suficiente para ajudar Kai Forbath a acertar os dois FGs que só ela, insensível ao histórico do meu time com kickers, teve coragem de olhar), mas Alvin Kamara enfrentando um simples linebacker, mesmo que Eric Kendricks, é apenas crueldade. 23-21.

Com um minuto e meio de jogo, Drew Brees lançava a bola e conquistava first downs com velocidade. Minha respiração trancava a cada passe completo e vibrava com cada stop. Obviamente, sabemos que Nova Orleans chegou à linha de 25 jardas e, com Zimmer podendo pedir apenas mais dois tempos, esteve a uma jarda (3-and-1) de garantir a vitória. Defensive stop. Ainda assim, era um chute fácil. Não quis olhar, sabendo que um erro bizarro seria basicamente a última esperança, minha namorada também se manteve em silêncio.

“Acertou?”, perguntei um minuto depois. “Aham.”, respondeu ela, já segurando o celular porque eu tremia de raiva. 24-23, 25 segundos restantes. “Acabou.”, simplesmente anunciei e, se estivesse sozinho, com certeza teria largado o celular e ido xingar os pipoqueiros no twitter do site. “Mas, assim, acabou mesmo? Não tem nenhuma chance de eles fazerem pontos?”, perguntou minha namorada, como disse, inocente às dores do futebol americano. Não resisti à esperança: “Tem, até, acho, 0,1% de chance, mas do jeito que estamos jogando, só um milagre”.

Sentei. Primeira jogada, false start de Mike Remmers – agora sim estava tudo perdido. Logo em seguida, Keenum acerta um passe de 19 jardas para Stefon Diggs, no meio do campo, gastando o último pedido de tempo roxo-e-dourado. 18 segundos para o fim.

“Ok, precisamos de mais umas 25 jardas e sair de campo.”, expliquei mais para mim mesmo que para ela. Me frustrei no primeiro passe errado para Jarius Wright e, com 14 segundos, sabia que Keenum sequer tinha braço para vencer a secundária dos Saints já marcando as laterais e assistia apenas porque, afinal, já estava ali mesmo e VAI QUE. Mais um passe errado para McKinnon. 10 segundos.

“Bom, último lance. É agora ou nunca.” – minha cabeça já estava trabalhando nos palavrões dos quais eu xingaria Forbath mesmo que o time entrasse em posição de chutar. Como se diz: o resto é história. Minha namorada tinha razão.

Nota da edição.3: o autor do texto tem uma namorada, caso vocês não tenham percebido até aqui.

Griffen (1,91m, 124kg) depois do milagre e de ter sido girado no ar por Linval Joseph. Gente como a gente.

O que esperamos de Case Keenum?

Estamos vivendo um playoff de defesas: Jaguars, Eagles e um amontoado qualquer controlado malignamente por Belichick – as três igualmente assustadoras. Entretanto, basta olhar o que a defesa dos Vikings foi capaz de produzir durante toda a temporada regular e no primeiro tempo contra Drew Brees para saber que ela é melhor do que as outras – e será a grande responsável por controlar os jogos e permitir que o time ganhe com poucos pontos. Simples assim. Obviamente, será necessário aprender com a falta de concentração que aconteceu no segundo tempo e especialmente torcer pela volta de Andrew Sendejo – ou ajustar o time para jogar sem ele, como fez em 3 jogos na temporada, com destaque para a semana 8, contra os até então imparáveis Los Angeles Rams.

Do outro lado, jogando contra grandes defesas, será necessário contar com um ataque que produza pontos suficientes. Está claro que os recebedores são excelentes, no mínimo no mesmo nível de qualquer um dos outros 3 restantes (mas provavelmente melhores). Considerando que a linha manterá o seu nível médio, o jogo cai na mão de Case Keenum.

Se a vida real fosse igual Madden, certamente Sam Bradford seria uma opção muito superior. Entretanto, e especialmente depois do que aconteceu no domingo 14 à noite, esse time morre ou vive nos braços de Keenum – contando com a sua habilidade ou com sua sorte. Sua habilidade de controlar bem o pocket será colocada a prova contra Philadelphia e seus pés imparáveis (perceba como ele simplesmente não fica fincado enquanto passa pelas suas opções, mas sim sempre se movimentando e evitando a pressão) serão essenciais para isso.

Além disso, colocar os seus recebedores em boa posição evitando, pelo menos alguma vezes, mandar um passe alto demais (vamos ser sinceros, deu certo, mas o passe derradeiro para Diggs, assim como algumas outras catches espetaculares de Thielen, simplesmente não estavam no lugar certo) poderá ser a diferença entre a vida e a morte. Explorar a secundária de um time que basicamente não permite corridas, mas é apenas razoável contra o passe será o caminho da vitória de Minnesota.

Por último e certamente crucial para os Vikings: para alguém que nunca tinha visto um jogo completo, também, a Lu aceitará a sua condição de talismã. E sem banhos no meio do jogo dessa vez.

Tá na agenda!

Podcast #4 – uma coleção de asneiras IV

Discutimos as principais surpresas da NFL e, depois, com o objetivo de fazer ainda mais inimigos, apresentamos jogadores supervalorizados ao redor da liga.

Também apontamos nosso Super Bowl dos sonhos – sem essa de Patriots x Seahawks, ninguém aguenta mais. Por fim, como já é comum, sugerimos alguns jogos para o amigo leitor ficar de olho!

Participação especial: Vitor, do @tmwarning.

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor.

31 times que não irão ganhar o Super Bowl (e o Indianapolis Colts)

Finalmente acabamos de produzir todos os previews da temporada de 2017! Talvez você, leitor, nessa vida atribulada, não tenha tido tempo ou sequer vontade de ler todos, mas para facilitar sua vida, trazemos agora, um compilado de todos os textos.

E para dar um pouco mais de graça e não ser apenas um índice, adicionamos aquela razão pela qual seu time inevitavelmente morrerá na praia mais uma vez: com vocês, o guia final de previews – basta clicar no nome da equipe que desejar ler uma análise aprofundada e isenta de clubismo!

Enfim, reeditando o texto do ano passado: 31 times que não vencerão o Super Bowl (e os Colts) versão 2.0.

OBS: Na versão 1.0 acertamos 31 de 32 comentários. Esperamos repetir o aproveitamento!

AFC South

Houston Texans: Uma defesa que simplesmente não consegue ter todos os melhores jogadores juntos (por exemplo, AJ Bouye se destacou e já vazou – agora que JJ Watt volta. E também um head coach especialista em QBs que não consegue escolher um; não é exatamente um receita para o sucesso.

Jacksonville Jaguars: Blake Bortles, caras! Blake Bortles – aliás, não percam nossa promoção no Twitter!

Tennessee Titans: Dissemos que EVENTUALMENTE Mariota pode chegar lá – não que a grande (?) torcida dos Titans já deveria estar preparando os fogos para o Super Bowl LII.

Pensa em um dia massa.

NFC South

Atlanta Falcons: Provavelmente o preview que menos vale a pena ler: não importa se Matt Ryan e Julio Jones são os melhores do mundo; ressaca pós-perda de Super Bowl é uma realidade. E a regressão ao perder o verdadeiro gênio desse ataque (Kyle Shanahan) também.

Carolina Panthers: Lenta e dolorosamente começaremos a aceitar que, no final das contas, talvez Cam Newton não seja tudo aquilo.

New Orleans Saints: Drew Brees e Adrian Peterson seria a dupla dos sonhos para se ter no Madden NFL 2012. E, bem, essa defesa é de gelatina.

Tampa Bay Buccaneers: Jameis Winston pode muitas vezes parecer promissor ou mesmo uma realidade, mas ele ainda tem que lançar menos (bem menos) interceptações para poder sonhar com Super Bowl.

AFC West

Denver Broncos: Não é apenas uma questão de que somente com um bom QB é possível ganhar o grande título, mas é que a defesa já não é mais aquilo que um dia foi.

Kansas City Chiefs: Seria a franquia mais indicada para ganhar o Super Bowl depois do jogo de estreia, mas qual foi o último time que ganhou a grande final do futebol americano com o QB do futuro no banco?

Los Angeles Chargers: Lesões. Amamos a franquia secundária de Los Angeles muito mais do que o povo da cidade, mas é difícil acreditar que esse time possa estar saudável em novembro – quanto mais em fevereiro.

Oakland Raiders: Tudo bem que, no final das contas, tudo acaba em dinheiro. Mas um time cujo dono se vendeu para Las Vegas não merece ganhar nem rifa de escola.

NFC West

Arizona Cardinals: Vamos combinar que Drew Stanton não tem bola para ganhar nada na pós-temporada, não é? O que? Você realmente acredita que Carson Palmer aguenta vivo 19 jogos?

Los Angeles Rams: O espírito de Jeff Fisher ainda ronda os corredores, o que deverá garantir mais uns três anos de campanhas com 8 vitórias em ritmo de “reconstrução”.

San Francisco 49ers: Sabe qual o título do nosso preview? “Eu escolhi esperar”. Então esperem.

Seattle Seahawks: Porque, eventualmente, algum jogador da linha defensiva que tem tantas opções vai ter que passar para o outro lado e jogar pela linha ofensiva, que tem como melhor jogador os dibres de Russel Wilson.

AFC East

Buffalo Bills: Se eles não tentarão ganhar, nós também não perderemos tempo tentando justificar porque eles não ganharão.

Miami Dolphins: Se Jay Cutler ganhar um Super Bowl, é melhor mudarmos o nome do site para, sei lá, fly out ou double play e começar a cobrir baseballque pelo menos tem Tim Tebow, uma pessoa bem mais legal do que o Cutler.

New England Patriots: Todo mundo viu o jogo de quinta-feira. Parece bem claro que Tom Brady e a sua dinastia está acabada. É hora de começar a dar ritmo de jogo para o Garoppolo pensando em um 2018 melhor.

New York Jets: Se eles não tentarão ganhar, nós também não perderemos tempo tentando justificar porque eles não ganharão, parte 2.

NFC East

Dallas Cowboys: Qual foi o último time que gerou muitas expectativas na imprensa e não decepcionou? Com Dallas não será diferente.

New York Giants: Não vai ganhar o Super Bowl porque se perde muito tempo elogiando um ataque mediano, sendo que o time terá que ser carregado pela defesa.

Philadelphia Eagles: Porque só de imaginar pessoas comemorando a noite inteira pelas ruas da Filadélfia cantando “fly Eagles fly” incessantemente, o próprio universo atua e bloqueia qualquer alegria que esse povo poderia receber.

Washington Redskins: Kirk Cousins já está pensando e estudando em que cidade da Califórnia ele poderá ser mais rico e feliz.

AFC North

Baltimore Ravens: Cite três jogadores dos Ravens que podem ser considerados Top 15 na liga.

Cincinnati Bengals: Vencer o Super Bowl para os Bengals seria ter mais uma temporada bosta com cinco vitórias e que o dono decidisse fazer uma limpa neste roster desgraçado.

Cleveland Browns: Pequenos passos, pequenos passos. Ao menos já evoluiu o suficiente para ser considerado entre os 31 times sérios da NFL. Nesse ritmo, quem sabe lá por 2031.

Pittsburgh Steelers: Defense wins championships. E esse time é puro ataque – o que fará ser muito divertido, mas não ganhar títulos.

NFC North

Chicago Bears: Até elogiamos bastante, mas não nos EMPOLGUEMOS tanto.

Detroit Lions: Matthew Stafford vai levar Detroit pelo caminho que Drew Brees e Flacco levaram seus times: ganhando muito mais dinheiro do que o time poderia pagar e sacrificando a qualidade do elenco. A diferença é que os outros dois ganharam um Super Bowl antes.

Green Bay Packers: Seria uma pena se football fosse um esporte coletivo e você dependesse da ajuda de outros 52 animais para ganhar algo, não é mesmo, Aaron Rodgers?

Minnesota Vikings: Quem tem dois quarterbacks, na verdade, não tem nenhum. O retorno de Bridgewater vai bagunçar o time e, para ajudar, o Super Bowl é em Minnesota.

*Indianapolis Colts: Eles só perderam os dois melhores jogadores do ataque e o melhor da defesa. E não fazem ideia de quando qualquer um deles voltará. Por ora, não dá mais para chamar os restos mortais de Indy sequer de time.

O que foi, o que poderia ter sido e o que certamente não será

I feel, after what I’ve done in my career, I deserve to be paid $18M next year

Ah, isso é um site sobre NFL em português, traduz

Melhor ainda: vamos à história. Do porquê Peterson é um hall of famer e, ao mesmo tempo, uma das figuras que você não desejaria ter no seu time no próximo ano. Em 2004, como calouro em Oklahoma, ele já se tornou, na época, o novato melhor posicionado em um Heisman Trophy (perdeu para o saudoso QB Matt Leinart, de USC). Em 2006, ele resolveu se jogar de cabeça na endzone e quebrou uma clavícula (história que já contamos aqui), sendo que nos anos anteriores a “saúde do seu ombro” já tinha levantado dúvidas.

Mesmo sendo considerado um dos melhores jogadores daquele draft (ali, ao lado de Joe Thomas e Calvin Johnson), tendo participado do Combine um dia após ter o meio-irmão assassinado, seis times decidiram que Adrian não valia o risco. Até que o Minnesota Vikings, mesmo contando com o útil Chester Taylor (1504 jardas em 2006), se apaixonou por ele e não deixou a oportunidade passar. Lembrancinha para o draft, também, crianças: só é necessário que um time se apaixone por você.

Como rookie, All-Day fez chover, inclusive batendo o recorde de maior número de jardas corridas em um só jogo contra os pobres Chargers, com 296 jardas em 30 tentativas (SIM ISSO É UMA MÉDIA DE 10 POR CORRIDA). Em 2008, ele já chegava à temporada prometendo que, mais cedo ou mais tarde, correria para 2000 jardas e seria MVP da NFL; conseguiu 1760 em seu primeiro ano como titular absoluto do time, liderando a liga, carregando o time de Tarvaris Jackson aos playoffs (e morrendo na praia rapidinho em duas ou três big plays de Donovan McNabb).

Após dois anos carregando o time nas costas e tendo que receber bolas do medíocre Tarvaris (que futuramente seria campeão do Super Bowl 48 com os Seahawks, rs), em 2009, os Vikings finalmente trouxeram um QB de verdade para liderar o ataque: a lenda do maior rival, Brett Favre. E talvez nada pudesse ser mais mágico.

Mas, obviamente, morrer na praia é, ironicamente, a cara dos Vikings.Contra o New Orleans Bountygaters, todos nos lembramos daquela jogada crucial em que Brett Favre não quis (ou não pôde?) correr: alerta a qualquer pessoa que tem coração: dói.

O sorriso de 18 milhões de dólares.

A criação da lenda

2010 foi um ano merda porque os Vikings não souberam aceitar a aposentadoria de Favre. 2011 foi ainda pior com toda a greve da liga, seguida da mediocridade de McNabb e logo a do rookie Christian Ponder. Se já parecia ruim, 2011 acabou pior ainda: contra Washington, em um tackle normal, daqueles baixos nas pernas (única maneira de derrubar Adrian), ele sentiu o joelho. Rompeu os ligamentos, o tipo de lesão que, se já é difícil para um jogador normal voltar, para um que vive de encarar pancadas parecia praticamente impossível.

Mas 2012 não era um ano qualquer para a história. Lembro tão claramente quanto lembro dos dias seguintes à lesão no joelho, em que ainda tínhamos esperança de que não fosse tão grave quanto um rompimento. O gênio do começo daquele ano se chamava Percy Harvin, não Adrian. Toda vez em que ele recebia a bola do eficiente Ponder, bonitas coisas aconteciam. All-Day, para fechar o trio, era trazido de volta ao seu jogo com um snap count bem administrado.

Entretanto, na metade da temporada, Harvin voltou ao seu antigo problema com lesões (agora com uma lesão no tornozelo e, conta a história, sem a vontade necessária para retornar ao time, o que o fez ser trocado no ano seguinte para o fim da sua carreira). Foi aí SAIU DA JAULA O MONSTRO™. Com uma média superior a 6 jardas por corrida e mesmo sendo o ponto focal do ataque, Adrian carregou Ponder e o time inteiro, novamente, nas costas à última rodada. All-Day tinha 1897 jardas corridas em 15 jogos.

Ali, precisando de uma vitória contra o time de Aaron Rodgers, claramente superior, a mágica que é esperada daquele que foi conhecido como MVP e jogador ofensivo do ano de 2012, aconteceu: 199 jardas, 2 TDs e o recorde de Eric Dickerson mantido por apenas 8 jardas; a vitória que levou o time aos playoffs veio e com ela toda a consagração necessária. Desnecessário lembrar que, no final das contas, o então sólido Ponder machucou o braço e Joe Webb acabou insuficiente para aprontar alguma coisa em Green Bay. E que Peterson só perdeu o “comeback player of the year” porque, bom, Peyton Manning tinha que ganhar algo.

A culpa é sempre dos Vikings?

Não vamos negar: o time roxo do centro-norte dos Estados Unidos tem uma forte tendência ao fracasso. Não tenho nem 10 anos como torcedor deles e já tive decepções para uma vida. E Adrian faz parte delas.

Que ele é um monstro com a bola nas mãos, tem uma visão de jogo invejável e uma combinação de velocidade-força inigualável, ninguém poderá negar. Mas isso não o torna um jogador capaz de ser útil em todas as fases do jogo. Mesmo após prometer ano após ano, em cada training camp, que aprendeu a bloquear e receber passes, são necessárias apenas duas ou três rodadas para saber que, mais um ano, ele falhará nisso. Provavelmente com um fumble crucial aqui e ali.

Além disso, ele não será feliz sendo apenas um auxiliar em algum ataque – hey, pode parecer que já não dá mais, mas Adrian provavelmente ainda acredita que alcançará o recorde de Emmitt Smith (18355 jardas na carreira, em comparação às atuais 11747 de Peterson) e vai querer receber as oportunidades para isso. Mais do que isso, como diz a primeira frase desse texto, ele vai querer ser pago como tal.

E ele pode falar o quanto quiser de Super Bowl, mas não acredito que seja essa a sua grande prioridade. Futuros empregadores: cuidem com os detalhes.

O polêmico Adrian Peterson

O Deus estava criado, mas as conquistas coletivas não haviam chegado. 2013 veio e se foi e, em meio ao fracasso de Christian Ponder, Josh Freeman, Leslie Frazier, Bill Musgrave (sim, o atual mago dos Raiders) e alguns demitidos mais, a temporada passou rápido. Também em 2013, um filho que Peterson não conhecia, aproximadamente da mesma idade de Adrian Peterson Jr (o filho que ele tem com sua esposa), foi assassinado pelo padrasto.

A exemplo de 2011, lembro bem do drama de 2014. Os Vikings tinham novamente um QB novato, muita esperança e vontade de contar com seu HOFer para facilitar as coisas para Teddy Bridgewater. Depois de uma bela estreia do time de Mike Zimmer, surrando os então St Louis Rams, Peterson não apareceu no treino na semana seguinte; poucas horas depois, foi anunciado que Adrian estava sendo indiciado por maltrato de menor e não jogaria a segunda semana. No fim das contas, ele não voltaria mais em 2014.

Em uma comunidade já revoltada com as atitudes de Ray Rice e o seu vídeo no elevador, o mesmo TMZ conseguiu e postou fotos do que Adrian, conhecido por ter o aperto de mãos mais forte da NFL e fazer coisas como isso, fez com um de seus filhos quando este foi visitá-lo por alguns dias em Minnesota. Para tentar ser o mais breve possível, uma surra com vara por todo o corpo do garoto – de acordo com ele, o mesmo que ele sofria quando não se comportava de criança.

Como essa história acabou? Com um aumento. Depois de ficar um ano inteiro sem jogar, suspenso ao lado de figuras como Rice e Greg Hardy (na “lista de exceção do Comissário da NFL”), tudo o que Peterson tinha a dizer era que se sentiu traído porque os Vikings não ficaram ao seu lado naquele momento complicado.

Após declarações do nível “a NFL na verdade é um modo de escravidão moderno” em referência ao poder que os times têm em relação a contratos garantidos/não garantidos, como pedido de desculpas, Rick Spielman e Mike Zimmer foram buscar Adrian Peterson em sua casa, no Texas, pedir para que ele voltasse e “corrigindo” seu contrato, adicionando dois anos mais de salários garantidos (um total de 27.4 milhões de dólares), com os quais All-Day voltou feliz a ser um Viking – talvez sempre tivesse sido sempre sobre dinheiro?

Just another day.

Voltando ao “normal”?

2015 foi novamente um ano típico para Adrian (liderando o ataque de Minnesota e a liga em jardas e TDs), voltando aos playoffs ao lado de Bridgewater – e, não fosse por Blair Walsh (e, ADIVINHA, um fumble crucial de Peterson), talvez o Vikings tivesse ido mais longe.

Já 2016, não foi típico de uma maneira boa. Após o time perder Teddy para a temporada em uma lesão bizarra nos treinamentos, novamente se contava com todo o poder do running back para que o ataque pudesse ajudar um pouco a poderosa defesa, foco do time.

Contra Tennessee, na primeira rodada, algo não encaixou e Adrian correu para uma média de 1.6 jardas por corrida. Contra os Packers, na inauguração do seu novo estádio, essa média se repetiu até que ele machucasse o joelho. Tudo bem que talvez a de 2016 tenha sido a pior linha ofensiva da história de Minnesota, mas já lhe vi fazendo coisas incríveis com Ryan Cook, Anthony Herrera e Vlad Ducasse “abrindo” espaços. Mesmo sem o craque do time, os Vikings tiveram o incrível começo que vimos; em seguida a ainda mais surpreendente decadência.

Então, sem que o time tivesse chances de playoffs, Adrian mostrou toda a sua competitividade e comprometimento com os companheiros e deu o tradicional “migué”, mesmo recuperado da lesão: voltou contra os Colts, na rodada 16, correu para 22 jardas em 6 corridas e voltou a sentir o joelho. Naquele que provavelmente foi seu último jogo vestindo roxo.

É preciso especular

Com tudo isso resumido, como vai o desejo em ter Adrian no seu time? Ainda que a idade possa bater a qualquer momento (ou talvez já tenha batido, não temos certeza), o seu corpo biônico também pode simplesmente voltar e produzir mais algumas temporadas de 1000 e poucas jardas. Ele já não é mais o MVP ou o melhor RB da liga como foi outrora (especialmente em meio a jogadores completos como LeVeon Bell e David Johnson).

Seu desejo original seria voltar ao Texas, como repetiu e flertou tantas vezes com Jerry Jones. Entretanto, com Lamar Miller e Zeke Elliot com opções por ali, lhe faltaria o espaço necessário. Giants e Raiders são opções faladas, mas estas têm um problema grave: Peterson não sabe correr da formação shotgun (3 WRs; QB posicionado ao lado do RB), muito utilizada por estes dois times em que o passe é prioridade.

Entre os times em que a formação seria mais adequada a ele, estariam Patriots e Packers, acostumados aos trombadores Lacy e Blount. Entretanto, estes são times que certamente não abrirão os cofres da maneira que ele gostaria, o que dificulta as negociações.

É inegável que, mesmo que decadente, Peterson ainda seria um upgrade para metade da NFL; entretanto, o draft também tem uma quantidade absurda de opções muito mais baratas. E, apesar de que a sua prioridade seja inflar números e solidificar-se como a lenda que é, é difícil imaginá-lo jogando em Cleveland ou San Francisco.

Então talvez, no final da história, Adrian volte e encerre a carreira nos Vikings, por duas razões: no final das contas, Minnesota será o time que aceitará pagar uns 8,5 milhões de dólares anuais para ele e, como uma velha ex-namorada, o único a aguentar toda sua chatice. Com sorte, ele também volte grato e disposto a dividir oportunidades com McKinnon e algum outro jovem – obviamente há de se duvidar, mas um torcedor pode ter esperanças, certo?

Patriots, Tom Brady e Bill Belichick: quando tudo e nada fazem sentido

Tom Brady tem a equipe ao seu redor, instantes antes de ir para o snap. Ele dá um leve sinal com a mão para Julian Edelman. New England estava oito pontos atrás no marcador, em uma 1&10 na linha de 36 jardas de seu próprio campo. O passe é desviado e paira no ar por segundos que, na verdade, soaram como uma eternidade. Quando três defensores de Atlanta convergiram em direção a bola, Edelman passou entre as pernas de um deles. Ele segura a bola, mas dessa vez por um milésimo de segundo, também quase eternos, ela escapa. Mero capricho antes de Julian agarrá-la definitivamente, sem que ela tocasse a grama.

Dessa vez foi preciso respirar por alguns segundos, quando agora eram necessários minutos, para perceber que estávamos diante do instante definitivo que escancarava a inevitabilidade da vitória de New England – e o consequente fracasso de Atlanta. E mesmo que possam ser apontados outros momentos tão densamente significativos quanto aquela recepção, como o fumble forçado por Hightower ou o sack de Trey Flowers empurrando Matt Ryan em um abismo particular, o lance protagonizado por Edelman flertou com o surreal.

Ali, naquela fração de tempo, se encontravam diversos instantes que definiram a história do esporte, como a recepção de David Tyree anos antes diante do mesmo New England, o arremesso de Ray Allen contra o Spurs no Jogo 6 ou mesmo os minutos derradeiros de Cleveland e Warriors na última decisão da NBA. Havia um pouco também do Chicago Cubs quebrando sua maldição particular e de Patrick Kane com seu Phantom Goal.

Aconteceu ou não aconteceu?

O caminho até aqui

Tudo o que aconteceu no último domingo só foi possível porque Brady e Belichick colocaram o Patriots em condições de vencer, na maior atuação que um quarto período de um Super Bowl já viu. Claro, eles contaram com um auxílio fundamental do sistema defensivo, que após ir para os vestiários retornou avassalador e talvez tenha sido o maior responsável pela vitória. De qualquer forma, não foi uma sensação estranha, após tudo que já vimos esta dupla fazer. Mas há um quê de ironia, quando voltamos duas temporadas no tempo: na week #4 da temporada 2014-2015, contra Kansas City, Tom Brady e o New England Patriots como conhecemos pareciam finalmente ter chegado ao fim.

O destino daquela temporada, porém, terminou com a conquista de mais um Vince Lombardi. E cada vez que alguém credita o sucesso de New England a sorte por Brady ter parado em Foxborough ou a Belichick e seu sistema perfeito, esquece a melhor parte da história: qualquer destes elementos poderiam ter ido para qualquer outro lado.

Além de tudo isto há diversos fatores quase intangíveis que ajudaram a moldar Belichick, New England e, sobretudo, o próprio Brady: quando Adam Vinatieri acertou aquele field goal em meio a uma nevasca, Brady se tornou um pouco do que é hoje. Dois anos depois o mesmo Adam ajudou o Patriots a vencer um jogo de playoff contra o Titans com outra bomba de mais de 45 jardas com termômetros congelados. Se essas bolas não tivessem entrado, talvez não estivéssemos tendo esta conversa.

Talvez isso ajude você a argumentar que a sorte sempre esteve ao lado de Brady e Belichick. Há uma dose de verdade, claro: no segundo Super Bowl da dupla, contra o Panthers em 2004, Carolina havia empatado a partida com menos de dois minutos para o fim. Mas John Kasay inexplicavelmente chutou o kickoff pela lateral, dando a chance para o Patriots começar sua caminhada já na linha de 40 jardas de seu campo; para azar de Kasay (ou sorte de New England), Brady e seu jogo aéreo estavam próximos da perfeição naquele dia, então eles só precisaram fazer seu trabalho. Na história há ainda a interceptação de Malcolm Butler na linha de uma jarda, quando tudo já parecia perdido diante do Seattle Seahawks em 2014 e diversos outros momentos favoráveis a New England.

Mas também se há uma dose de sorte ao lado de New England, o que dizer da já citada recepção de David Tyree em um Super Bowl que provavelmente o Patriots merecia vencer – o mesmo jogo, aliás,  reservou um drop em uma interceptação quase certa de Asante Samuel, quase tão sofrível como o drop de Wes Welker quatro anos depois. E se no passe para Tyree há a inegável carga de “sorte”, a conexão de Eli Manning para Mario Manningham provavelmente foi o mais próximo que o Giants já chegou da perfeição – ou o mais próximo do azar com que New England flertara.

A história do New England, de Brady e Belichick é marcada por toda a casualidade possível a qualquer narrativa, em que de forma quase poética “sorte” e “azar” se relacionam: se o Patriots já viveu a melhor sorte com que você pode sonhar, ele também já conheceu o pior lado do infortúnio que você pode imaginar.

Filme repetido.

As pedras na estrada

Vamos falar a verdade: a NFL é uma liga paranoica e para todos os lados sempre há alguém pensando que Belichick e companhia estão fazendo algo fora das regras. E talvez para a liga o grande legado do Super Bowl LI seja a oportunidade perfeita para enterrar definitivamente o Deflategate.

O fato é que a coisa toda já soa como ridícula, uma histeria não compensada entre evidências e ingenuidade. Desde então várias teorias surgiram com a mesma velocidade em que foram descartadas. Não que seja possível desconsiderar que Brady sabia o que estava fazendo, longe disso; é ingênuo crer que, coincidentemente, Tom passou a ter contato regular com John Jastremski, responsável pelos equipamentos de jogo, logo após aquela partida em que amassou Indianapolis.

Ao mesmo tempo, talvez finalmente nada disso importe, já que no auge da discussão gente como Boomer Esiason e Rich Gannon sugeriram que em tudo isto não há nenhum impacto real sobre desempenho e que equipes manipulam bolas de football por anosAaron Rodgers, aliás, declarou diversas vezes que se sente mais confortável com bolas mais cheias e eu não passo minhas tardes imaginando que Rodgers está sentando em seu sofá criando estratégias não convencionais para inflá-las.

De qualquer forma, se você crê que Brady e Belichick fizeram e fazem algo contra as regras, talvez você consiga provar. Mas se você parte da premissa que Tom faz algo que lhe permita ter uma grande vantagem em relação as outras franquias, você estará apenas alimentando a narrativa de “todos estamos contra o Patriots”, tão entediante quanto aquela que vem do próprio New England: “todos estão contra nós”.

Enfim, nenhum problema, você só está escolhendo o caminho mais cômodo. De qualquer forma, os odeie pelo motivo que quiser, por qualquer outra razão. Os odeie até mesmo sem motivo algum – apenas deixe de lado esta muleta.

A chave do sucesso

Todo o êxito de New England, porém, não pode ser resumido a dupla construída entre seu quarterback e seu head coach; não são apelas eles que permaneceram os mesmos ao longo dos últimos 15 anos: o núcleo e a essência do sistema ofensivo do Patriots se aperfeiçoou neste período, estabilizando as transições necessárias e, sobretudo, permitindo a próxima evolução, afinal sua concepção e organização são as mais adequadas para se adaptar a uma NFL em que mudar de pessoas e tendências é a única certeza.

Tudo isto se torna mais absurdo quando consideramos que a liga é construída e planejada para ser homogênea: há o draft que prioriza o equilíbrio e cada franquia, a grosso modo, tem os mesmos recursos e as mesmas instalações. É um cenário em que a homogeneidade faz todo sentido.

Mas por algum motivo que nunca conseguiremos mensurar, no mesmo sexto round em 2000, 16 escolhas antes, o Browns selecionou Spergon Wynn. No primeiro round daquele mesmo ano, o Jets escolheu Chad Pennington. Já na terceira rodada, o 49ers, time da infância de Tom, escolheu Giovanni Carmazzi. E, claro, citamos tudo isso sabendo que o draft está longe de ser uma ciência exata; relembramos apenas para termos a real dimensão do que talvez a humanidade um dia tenha convencionado como “destino”.

Browns, Jets, 49ers e tantos outros o deixaram escapar para que Brady acabasse ao lado do treinador mais brilhante que a NFL já viu. Para que Tom, por muito tempo, estivesse ao lado de uma grande defesa e, ao menos nos primeiros de sua carreira, protegido por uma das melhores linhas ofensivas do football, que o manteve saudável em seus melhores anos enquanto, por exemplo, Andrew Luck é violentado jogo após jogo.

Bem louco.

Sorte por estar ao lado de um grande head coach? Por estar em uma franquia que soube compreender suas necessidades para potencializar suas qualidades? Reduzir a trajetória de Brady a estes elementos seria ignorar todo o caminho que ele percorreu, ignorar o que faz sua carreira cada vez mais incrível. Michael Jordan, por exemplo, teve a “sorte” de passar a maior parte de sua carreira ao lado de Scottie Pippen, alguém que o completava em todos os sentidos possíveis dentro de uma quadra de basquete. Jordan também esteve sob a tutela de Phil Jackson, um dos melhores treinadores que a NBA já viu. Tim Duncan teve a sorte de estar ao lado de Gregg Popovich ou talvez Popovich teve a sorte de estar ao lado de Duncan por duas décadas. Magic Johnson teve Kareem Abdul-Jabbar e depois teve James Worthy. Joe Montava teve Bill Walsh e Jerry Rice.

E se Bill Belichick não tivesse tropeçado com aquela escolha de sexto round há quase 20 anos, não estaria hoje comemorando seu quinto Super Bowl. É assim que a vida funciona e o esporte é o melhor reflexo dela: às vezes é sobre estar no lugar certo na hora certa e todas as peças naturalmente vão convergir, então você só precisará fazer seu trabalho. O ser humano ama a grandeza, se fascina pela glória, mas esquece quão arbitrária ela pode ser. É como nossa própria vida: pensemos o quão aleatórios são os momentos e interseções que definiram exatamente onde estamos hoje?

Nunca torci para o New England Patriots, mas sempre vou admirar a maneira como Brady e Belichick construíram a história da franquia. Sempre olharei para a carreira de Tom Brady com um misto de admiração e inveja saudável por tudo isto não ter ocorrido no meu time, mesmo que a história de cada franquia seja repleta de grandes momentos particulares, que não as fazem maiores ou menores que a história construída por New England.

Hoje, Brady tem cinco Super Bowls, foi quatro vezes MVP da decisão e duas vezes MVP da liga. Teve também uma temporada regular sem derrotas, tem mais títulos da AFC East do que cabem em meus dedos e foi responsável pelos melhores 20 minutos finais que uma partida de football já viveu. Trabalho e talentos são tão cruciais para o sucesso quanto qualidades intangíveis como paixão e a sinergia necessária para que todos estes elementos estejam em sincronia.

Ah, claro, a sorte também precisa estar ali e, com altas doses dela, você pode até chegar ao topo, mas nunca conseguirá se manter nele por tanto tempo – e ninguém que está no topo chegou lá sem alguns acidentes no meio caminho.

Na hora e lugar certos: Lady Gaga, a NFL e o Super Bowl LI

Um dos maiores desafios daqueles que se aventuram na cultura pop talvez não seja atingir o topo, mas sim se manter nele: no caso da música, em linhas gerais, uma carreira é construída ao redor de sucessos e, conforme eles param de nascer, seu público também irá parar de crescer. Já um esporte, no instante em que se torna global, precisa acompanhar a evolução social, ou rapidamente se tornará obsoleto. É neste momento que você procura alternativas ou invariavelmente acabará se restringindo a nichos cada vez mais específicos.

Primeiro falando especificamente sobre a música, Lady Gaga, que se apresenta no Halftime Show do Super Bowl LI, é um desses casos que conseguiu transcender os limites da cultura pop justamente após se tornar extremamente popular. O curioso é que ela não foi moldada para um evento das proporções do SB, longe disso: Lady Gaga estar lá era algo impensável quando “The Fame” foi lançado em agosto de 2008.

E quase que como uma resposta ao título de seu álbum de estreia, na primavera de 2009, ela já era um fenômeno cultural, falando sobre fama, fortuna e “loiras quentes em posições estranhas”: era alguém chegando com os dois pés na porta, marcando seu território. Mas também era bizarro e estranho, não era fácil compreender que, na verdade, tudo sempre se tratou dela provando que Lady Gaga é sua arte pura e não uma máscara. Que aquela Lady Gaga, ao mesmo tempo bizarra e cada vez mais popular, no fundo era a vida de Stefani Germanotta.

Se tornando Lady Gaga

Dizem que Lady Gaga surgiu quando ela e seu ex-produtor Rob Fusari inventaram o apelido inspirados pela canção “Radio Gaga”, do Queen. Mas obviamente tudo sempre tem alguma conexão com corações partidos: seja na relação conturbada com seu pai após Stefani abandonar a faculdade ou no rompimento com a gravadora Island / Def Jam logo após a assinatura de seu primeiro contrato. Ou ainda fruto de um relacionamento “complexo” pouco tempo antes de ficar famosa – o único namorado que ela afirma ter amado, para então prometer nunca mais se envolver emocionalmente com o mesmo nível de intensidade e, claro, fazer com que ele se arrependesse do dia em que duvidou dela; aqui provavelmente a data em que ela deixou de ser Stefani para se tornar Lady Gaga.

Hoje, um show de Lady Gaga, antes de um espetáculo pop, é uma performance densamente pessoal: um convite a deixar de lado pressões para se adaptar, um convite à fuga daqueles que tentam controlá-lo ou defini-lo. Ali você deve agir como ela e, ao menos durante a apresentação, o sucesso de Gaga é a melhor vingança para aqueles que um dia foram rejeitados.

Adaptação

Se a Lady Gaga de “The Fame” abalou a cultura pop, ao longo de sua carreira, ela precisou reconhecer que estava mais exposta à fama e assim encontrar novas perspectivas para seu trabalho. Um momento dessa nova Lady Gaga, já saturada pelos holofotes mesmo em com um curto período de carreira, logo provou sua capacidade de adaptação: em um versão de “Paparazzi” durante o VMA de 2009, ela entregou uma apresentação inspirada na morte da Princesa Diana e, repleta de sangue, abordou todos os aspectos negativos da fama – incluindo, talvez, o próprio medo que tinha da fama que conseguira.

Can’t read my poker face.

Evolução

Seja o Ano Novo, Ação de Graças ou mesmo o 4 de Julho, não há evento norte-americano mais midiático que o Super Bowl que, mesmo sem ser um feriado oficial, revisita tradições (bandeiras, reuniões familiares ou entre amigos e altas doses de bebidas e comidas gordurosas) e reivindica as maiores audiências televisivas.

Tornar-se um marco da cultura pop dos EUA, claro, não foi obra do acaso: aliar estratégias de marketing para ampliar o público, sobretudo o feminino, em uma relação que ainda engatinha enquanto a NFL tenta compreender a real dimensão da figura feminina para o esporte a medida em que erra diariamente na forma como gere  cada caso de violência contra a mulher que estoura na liga; são esforços genéricos e ainda pequenos quando comparados, por exemplo, ao trabalho realizado ao longo das décadas para estabelecer uma ligação direta entre football e patriotismo (em uma das nações mais patrióticas do globo). De qualquer forma, todos estes fatores ajudaram a potencializar a expansão da NFL, algo impensável para um esporte que em seus primórdios não passava de um passatempo para indivíduos que não tinham nada para fazer após a faculdade em uma situação que permaneceu até início dos anos 70.

Richard Crepeau, professor de história na Universidade de Central Flórida, aponta em seu livro “NFL Football: A History of America’s New National Pastime (Sport and Society)”, alguns momentos definitivos para a NFL se tornar pop. Um deles foi a presença do quarteback Joe Namath no New York Jets – Namath venceria o Super Bowl III e seria também o MVP da partida.

Crepeau explica que quase imediatamente as pessoas passaram a conhecê-lo como “Broadway Joe”. O motivo era claro: Namath era presença frequente na mídia e sempre esteve conectado a última moda. Ele também frequentava os mais importantes bares e casas noturnas de uma Nova York em ebulição cultural, se tornando a imagem perfeita para atrair um público jovem para a National Football League; foi Joe que disse à América que a NFL era cool.

Outro ponto desta curva crescente de popularidade foi mérito do então comissário Pete Rozelle. Em 1970 ele ofereceu o Monday Night Football à ABC e, com Howard Cosell e Don Meredith comandando as transmissões, quase que instantaneamente o MNF se consolidou como um acontecimento semanal vital para a sociedade norte-americana, se tornando maior que a própria partida em si.

Além disso, a década de 70, também remete a um dos períodos mais significativos da Guerra Fria: em sua essência, football é sobre proteger seu território do oponente, enquanto se espera a oportunidade certa para explodir uma bomba de 80 jardas em seu adversário e apreciar o dano causado. Era um exercício de “civilidade” e um espelho de um período social – e, claro, a liga aproveitou a oportunidade para vendê-lo.

Um cara massa.

Ponto de encontro

De maneira simplória, uma perspectiva sociológica de como algo se torna tão significativo para a cultura pop concebe a fama como fruto da interação entre aquilo a quem ela é atribuída e o público que participa desta atribuição; quase toda a sociedade é marcada por essa estrutura, é uma característica da modernidade essa integração.

E é aqui que as histórias da NFL e de Lady Gaga se cruzam e encontramos uma grande história por trás do próximo Halftime Show; quando notamos que para chegar ali, ela e a NFL trilharam o mesmo caminho. Guardadas as devidas proporções temporais, tanto Gaga como a NFL precisaram se adequar às constantes mudanças sociais a que estiveram expostos, para então atingir a real dimensão que cada um possui atualmente.

Durante anos a liga buscou mais fãs para participarem da contagem regressiva pelo Super Bowl. E ela encontrou isso, voluntaria ou involuntariamente, no público feminino. Agora, nos EUA, domingo não é mais o dia da mulher sair de casa enquanto uma figura masculina se senta em frente à televisão com um pack de cerveja, como mostra o crescimento de cerca de 25% na última década da audiência feminina na NFL . Mesmo no Brasil o crescente interesse do público feminino pelo esporte é notável.

Foi uma simples questão de enxergar a oportunidade e então se adaptar a um novo jogo e novas regras. O mesmo aconteceu com Gaga ao longo de sua carreira. Se no já citado “The Fame” e posteriormente em “Born This Way”, ambos extremamente populares, ainda havia resquícios de aversão ao seu trabalho por parte de alguns setores da sociedade, quando Gaga se juntou a Tony Bennett em “Cheek to Cheek”, não foi mais possível negar que nela havia muito mais do que “Poker Face” e “Bad Romance”.

Claro, foi um movimento estratégico, assim como foi a capacidade da NFL tornar o esporte mais palatável a um novo público e uma nova sociedade, seja através do Halftime Show ou das medidas para tornar o que acontece dentro de campo menos “violento”. Tudo isso considerando a real dificuldade que é fazer uma “reforma pública”, que requer um choque direto com uma base de fãs já consolidada que precisa desapegar do passado e aceitar esta nova roupagem.

Por tudo isso, estamos diante a junção ideal entre momento e personagens para o recorte de tempo e significado que ambos possuem atualmente: hoje Gaga é perfeita para o Halftime Show e o Halftime Show é perfeito para Lady Gaga, afinal, uma das histórias que a NFL oferece é o próprio EUA, repleto de nacionalismo, 22 homens em uma mesma faixa de campo, imersos em tensões étnicas, cada equipe trazendo consigo características únicas da comunidade em que está inserida que, somente se unidos, conseguirão chegar ao objetivo. Já uma das histórias que Gaga conta é que aqueles que são colocados de lado não precisam ceder às pressões e podem sim se adaptar e se reconstruir à sua maneira. Também como o próprio EUA.

Razões para o Atlanta Falcons vencer o Super Bowl (e não só esse ano)

As histórias dos esportes muitas vezes são contadas através de narrativas. Aspectos do jogo e dos personagens envolvidos são cuidadosamente selecionados para que seja criado um roteiro com começo, meio e fim. Como em toda história, as narrativas esportivas envolvem o mocinho contra o bandido, o bem contra o mal, a luta pela justiça e a busca pelo final feliz. No Super Bowl LI, a narrativa predominante parece ser a cruzada por vingança do poderoso New England Patriots e de seu QB superstar, submetidos a punições controversas em um caso que chega a murchar nossas bolas de tão ridículo que foi. Mesmo os que não gostam do Patriots sentiriam um gostinho especial se Roger Goodell fosse obrigado a entregar o troféu para Tom Brady. Para o Patriots, vencer o próximo Super Bowl vai muito além de Brady conquistar seu quinto anel e tornar a equipe um dos times mais vitoriosos da história da NFL: é a oportunidade de obrigar a poderosa liga a se curvar diante do time que superou todas as adversidades e, mais uma vez, atingiu o topo.

É uma história realmente muito interessante. Ou, talvez, seja apenas a história mais fácil de se tornar uma bela narrativa, mas não é a única desse Super Bowl. Do outro lado do campo, o New England Patriots encontrará o inexpressivo Atlanta Falcons, time que chega apenas pela segunda vez à grande final da NFL e nunca conquistou o título. Seu líder é um QB que tem menos carisma que um poste e que até a temporada 2016 poucas vezes tinha passado da linha da mediocridade.

Contar uma história sobre Matt Ryan definitivamente não é fácil. Seus coadjuvantes também não chamam muita atenção. São competentes, mas estão longe de ser grandes estrelas e poderiam ser substituídos tranquilamente por grande parte dos jogadores da NFL. A exceção talvez seja o WR Julio Jones, que é um dos melhores recebedores da liga quando é considerada a mescla de tamanho, velocidade e talento natural. Julio, porém, tem uma ética de trabalho admirável e é avesso às polêmicas que envolvem outros WRs, como Odell Beckham Jr e Antonio Brown. Ou seja, é mais um personagem difícil de virar parte central de uma bonita história.

A sorte do Atlanta Falcons é que as narrativas esportivas são superestimadas e tendem a distorcer um pouco a percepção que as pessoas têm do que realmente importa quando o objetivo é lançar uma bola e marcar mais pontos do que o adversário. Não, não é uma tentativa de menosprezar Tom Brady, mas é muito mais fácil enxergar nele um QB com poderes sobrenaturais do que reconhecer e valorizar tudo que Matt Ryan fez nessa temporada. É muito mais fácil perceber as virtudes de um QB que disputará seu sétimo SB do que dar o valor adequado a um time que tem, entre todos os seus jogadores, cinco participações na grande decisão. Existe um contraste midiático muito grande entre Patriots e Falcons. Porém, narrativas à parte, o fato é que o Atlanta Falcons é um time melhor que o New England Patriots. Mesmo que não seja uma história bonita, que vá emocionar e trazer lágrimas aos olhos, não há motivo algum para ter receio de dizer: não vai ser fácil, mas Matt Ryan levantará o Lombardi Trophy no próximo domingo.

Fiquem sussa, caras.

Um ataque perfeito

Poucos ataques na história da NFL se aproximaram da perfeição. O Atlanta Falcons de 2016 é um deles. Mesmo com apenas uma grande estrela, Julio Jones, o sistema ofensivo do Falcons funciona com uma eficiência poucas vezes vista. Na temporada regular, foram 33,8 pontos por jogo, melhor da NFL, 415,8 jardas totais, segundo melhor, 295,3 jardas passadas e 120,5 jardas corridas, terceiro e quinto melhores números da liga, respectivamente. Ou seja, eles estão no top 5 da NFL em todas as estatísticas ofensivas relevantes.

Desavisados podem pensar que a temporada regular pode não ser o parâmetro ideal, já que o Falcons enfrentou times fracos que poderiam ter colaborado com a inflação dos números. Mas a resposta veio rápida: nos dois jogos de pós-temporada que disputou, inclusive contra a defesa do Seattle Seahawks, Atlanta marcou 80 pontos. OITENTA, uma média de sete pontos a mais que na temporada regular e a terceira melhor marca da história dos playoffs.

O ataque explosivo começa com Matt Ryan, virtual vencedor do prêmio de MVP da temporada. Ryan é o cérebro que distribui a bola como nenhum outro e, além de ter sido o melhor jogador da temporada regular, parece ainda melhor na pós temporada. Nos jogos contra Seahawks e Packers foram 730 jardas passadas, 7 TDs e 0 INT, que gerou um rating de 132,6. Voltando à história inicial das narrativas, como esses números foram produzidos por Matt Ryan, e não por Tom Brady, eles parecem um pouco menosprezados. Mas a verdade é que estamos diante de uma performance histórica que tem grandes chances de continuar no Super Bowl.

Mesmo que Bill Belichick seja conhecido por criar esquemas eficientes para barrar os pontos fortes dos ataques adversários, o Falcons é equilibrado o suficiente para tornar essa missão praticamente impossível. Não adianta criar um esquema de marcação dupla, ou mesmo tripla, para parar Julio Jones. Se isso acontecer, Matt Ryan encontrará Mohamed Sanu, Taylor Gabriel, Austin Hooper e outros ilustres desconhecidos completamente livres. Se Bill decidir enfatizar a defesa contra o passe, o Falcons tem em Devonta Freeman e Tevin Coleman a dupla de RBs mais dinâmica e produtiva da NFL que certamente vai causar estragos.

O cobertor é curto e, por mais genial que Belichick seja, a defesa do Patriots (ou qualquer defesa da NFL) não parece ser capaz de neutralizar ou reduzir significativamente os estragos provocados pelo ataque do Falcons. Esse argumento pode parecer falho, já que a defesa de New England é a melhor da NFL em termos de ponto por jogo. Mas é necessário lembrar que trata-se de uma defesa que ainda não foi verdadeiramente testada, especialmente nos playoffs. Convenhamos que o Houston Texans de Brock Osweiler e o Pittsburgh Steelers sem Le’Veon Bell não estão nem perto do que é o Atlanta Falcons. No duelo ataque do Falcons contra defesa do Patriots, a vantagem é de Atlanta.

Defesa arroz com feijão

Como o Super Bowl LI tem como protagonistas dois ataques prolíficos, que dificilmente serão parados, há quem considere que o jogo será um duelo de defesas: quem fizer o melhor trabalho, ganha. Esse pode ser um dos motivos que abalam levemente a convicção de que o título vai acabar na Georgia, já que a defesa do Atlanta Falcons não é um primor, muito longe disso. O Falcons tem a sexta defesa que mais cedeu pontos na temporada regular da NFL, em contraste com a defesa do Patriots, a melhor neste quesito. Nos playoffs, porém, Atlanta mostrou uma evolução significativa e só permitiu 41 pontos combinados para o razoável ataque do Seattle Seahawks e para o excelente Green Bay Packers.

O segredo da boa performance nos dois jogos de playoff que venceu parece ser a capacidade de colocar pressão no QB adversário. Mesmo que não tenha conseguido um número significativo de sacks contra Wilson e Rodgers, o Falcons conseguiu mover a linha ofensiva adversária o suficiente para que os QBs ficassem incomodados e apressassem suas decisões. A mesma fórmula deve funcionar com Tom Brady, que perdeu dois SBs para o New York Giants, que não tinha uma defesa espetacular, mas contava com um pass rush eficiente. Vic Beasley, que liderou a liga em sacks em 2016, pode acabar se tornando uma espécie de Von Miller no SB L, fazendo a diferença no jogo.

Esse dia foi massa.

Além de incomodar Tom Brady, o Atlanta Falcons terá que usar uma estratégia completamente diferente as usada pelo Pittsburgh Steelers, que preferiu colocar cones em campo e acabou comido vivo por Julian Edelman e Chris Hogan. Pelas características do ataque e dos recebedores do Patriots, é fundamental optar por mais marcação homem a homem e menos marcação por zona. Edelman e Hogan são recebedores pequenos, que têm dificuldade em ganhar disputas físicas com os marcadores e buscam sempre o espaço vazio que as marcações em zona permitem. É claro que é impossível parar completamente o ataque do Patriots, mas se conseguir marcar fisicamente os recebedores na linha de scrimmage, acabando com a precisão das rotas e com o timing das jogadas, o Atlanta Falcons aumenta significativamente suas chances. É necessário fazer o arroz com feijão e limitar possíveis ganhos grandes de jardas: se ficar assistindo Chris Hogan anotar TDs de 60 jardas, como o Steelers fez, estará escrita a receita para o fracasso.

O sucesso da defesa do Falcons no SB também está atrelado ao ataque. Se abrir uma boa vantagem no começo do jogo, como costuma fazer, New England terá que abandonar, em parte, o jogo corrido e terá um ataque unidimensional que, teoricamente, será mais fácil de ser marcado. Se seguir essa cartilha básica, é provável que o Atlanta Falcons pelo menos não seja ridicularizado, como o Pittsburgh Steelers foi, o que aumentará significativamente as chances de Atlanta vencer seu primeiro Super Bowl.

Palpite: 33×27, em um jogo em que o Falcons abrirá uma boa vantagem no primeiro tempo, mas permitirá uma reação no segundo. Haverá um pouco de emoção no final, mas a vantagem de seis pontos será mantida e Matt Ryan ajoelhará para a glória.