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Super Bowl ou bust

O Los Angeles Rams foi o responsável pela maior reviravolta na NFL em 2017. Depois de ter o pior ataque da liga em termos de pontos em 2016, o time passou direto para a liderança no ano seguinte. Em sua triste primeira temporada de volta a Los Angeles, foram 224 pontos, uma média ridícula de 14 pontos por jogo. Não foi apenas o pior ataque da temporada 2016: o Rams de Jeff Fisher foi o pior ataque dos cinco anos anteriores. Em 2017, o contraste foi impressionante: o time produziu 478 pontos, média de 29,9 pontos por jogo, a melhor da Liga e mais do que o dobro do que a franquia tinha produzido na temporada anterior.

Em um esporte tão coletivo quanto o futebol americano, é difícil creditar os sucessos a apenas um dos personagens, mas é impossível não citar, em primeiro lugar, Sean McVay. Head Coach mais jovem a assumir o cargo na história da NFL, McVay era uma incógnita tanto pela sua idade quanto pela sua inexperiência. Apesar das dúvidas, transformou um dos ataques mais modorrentos da história em uma máquina de anotar pontos. Além do renascimento ofensivo, McVay foi o responsável por levar o time aos playoffs após mais de uma década.

Com times muito parecidos, Jeff Fisher e Sean McVay produziram resultados bastante diferentes. Jeff Fisher é um idiota? Provavelmente sim, pelo menos nos últimos anos de sua carreira como HC. Sean McVay é um gênio? É um pouco cedo para dizer, mas com certeza foi um excelente início.

De óculos escuros porque o futuro é brilhante.

Construindo muito a partir do que parecia pouco

O principal mérito de Sean McVay no ressurgimento do Los Angeles Rams como uma das principais forças da NFL foi ter conseguido montar um sistema ofensivo eficiente que obteve o máximo do que os seus jogadores poderiam dar. O principal beneficiado pela chegada de McVay foi o RB Todd Gurley. Com Jeff Fisher, em 2016, Gurley produziu 1212 jardas de scrimmage, seis TDs e já estava começando a ser pintado como um potencial bust, após as expectativas geradas sobre ele.

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Com McVay, porém, o RB totalizou 2093 jardas, 19 TDs e foi o segundo colocado na votação para MVP da temporada. Se o prêmio não fosse tão direcionado a QBs e levasse em conta a importância individual do jogador para o seu time, Gurley teria desbancado Tom Brady.

Em uma era de intensa desvalorização da posição de RB, os Rams não resistiram: a temporada maravilhosa de Gurley rendeu uma extensão contratual de quatro anos, valendo US$ 57,5 milhões, com US$ 45 milhões garantidos e um bônus de assinatura de contrato de US$ 21 milhões. Para efeito de comparação, o maior contrato de um RB até então era o de Devonta Freeman, do Atlanta Falcons, que tinha um valor total de US$ 41,25 milhões, com US$ 18,3 milhões garantidos, menos da metade do que recebeu Gurley.

Os números inflados não são apenas uma vitória pessoal do RB do Rams, mas representam também um alívio para toda a classe de RBs que está em busca de novos contratos e que agora finalmente tem um parâmetro favorável para negociações (alô, LeVeon Bell).

O sorriso inocente de um milionário.

O alto salário de Gurley demonstra exatamente o que o Rams espera dele para 2018 e por, pelo menos, outros 4 anos: um jogador forte, versátil, que é uma arma tanto no jogo terrestre quanto no jogo aéreo. E é exatamente isso que Gurley deve continuar sendo. Esperar que ele supere as duas mil jardas novamente em 2018 talvez seja uma expectativa exagerada, mas 1600 jardas totais, 14 TDs e um lugar cativo entre os três principais RBs da NFL são números razoáveis para se esperar de um jogador tão talentoso em um sistema tão eficiente.

Outro atleta que foi profundamente beneficiado pela chegada de Sean McVay foi o QB Jared Goff. Não se sabe exatamente o que McVay sussurra nos ouvidos de Goff antes de cada jogada, mas a transformação é visível. Novamente, não há como não usar uma enxurrada de números para comparar a Era Fisher com a Era McVay. Com Fisher, quando parecia um idiota em campo, Goff jogou sete partidas, teve sete derrotas, lançou sete INTs e apenas cinco TDs: um desastre para uma primeira escolha de draft. McVay chegou, tirou o adesivo de bust que já estava colado nas costas de Goff e moldou um novo jogador: Goff não chegou a ser espetacular em 2017, mas seus 28 TDs e apenas sete INTs o colocaram novamente entre os QBs jovens mais promissores.

Todd Gurley continuará sendo o foco ofensivo do Rams em 2018, mas o coringa desse ataque é Jared Goff. Se conseguir dar o próximo passo – ou pelo menos manter o que fez em 2017 – o Rams não terá problemas na posição de QB. Talvez nunca apareça entre os melhores QBs da liga, mas Jared Goff provou que é competente o suficiente para ser uma engrenagem importante para o sistema funcionar.

À sua disposição, Goff terá o WR Brandin Cooks, que chega como um claro upgrade em relação a Sammy Watkins, dispensado pelo Rams na offseason. Cooks é o típico jogador que pode se beneficiar de um esquema bem montado, exatamente como o que o Rams tem. Se não tem uma grande capacidade de quebrar tackles ou de ganhar bolas disputadas, Cooks pode causar estragos em profundidade ou quando recebe a bola com espaço. É provável que o sistema de McVay seja favorável as suas habilidades e que ele consiga em 2018 sua quarta temporada seguida com 1000+ jardas e 7+ TDs.

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Cooper Kupp, que fez uma ótima temporada de calouro, e Robert Woods, que foi a grande surpresa do time na temporada passada, são ótimos complementos a Cooks e devem dar a Goff a segurança necessária para que o ataque aéreo continue eficiente.

O ataque do Rams deve sofrer com um leve declínio na performance ofensiva em 2018: tudo que fica muito fora da curva, como a temporada 2017, tende a voltar ao chão (ver Atlanta Falcons, 2016). Mas o time deve, pelo menos, fazer o suficiente para manter a qualidade acima da média e figurar entre os cinco melhores ataques da NFL.

Defesa: a criação do Dream Team

Se o ataque permaneceu praticamente o mesmo em relação a 2017, o que realmente mudou no Los Angeles Rams para 18 é a defesa. As adições de Marcus Peters, Aqib Talib e Ndamukong Suh transformam uma unidade que andava em cima da linha da mediocridade na temporada passada no primeiro dream team da NFL desde o Philadelphia Eagles de 2011 (desculpem).

É tudo bom demais para ser verdade: Peters e Talib formam uma das melhores duplas de CBs da liga, talvez apenas atrás dos grupo de Jacksonville; Lamarcus Joyner é um dos melhores Safeties da liga; e Suh aumenta ainda mais a pressão pelo interior da linha defensiva, que já era grande apenas com Aaron Donald. O potencial da defesa é imenso e pode ser o grande diferencial na competitiva NFC.

Porém, há uma questão que precisa ser resolvida para que o sucesso defensivo do Rams em 2018 se concretize: o holdout de Aaron Donald, talvez o melhor jogador defensivo da NFL atualmente. Donald está em busca de um novo contrato e ainda não se apresentou para o training camp do Rams.

A distribuição de vastas quantidades de dinheiro nos contratos de Gurley, Suh, Peters e Talib deve estar povoando a mente do jogador, que pode inclusive não jogar a temporada regular. A chave da temporada defensiva do Rams está aí: se a renovação contratual acontecer e não houver um holdout que se estenda até a bola rolar, a defesa do Rams pode, tranquilamente, ser a melhor da liga.

A NFL talvez nunca tenha visto uma dupla de interior rushers como Donald e Suh, que podem compensar qualquer defeito nas posições de edge rushers e linebackers, já que o time perdeu os veteranos e eficientes Robert Quinn e Alec Ogletree e não fez grandes esforços para substituí-los.

Insistimos: paguem o homem!

Há quem acredite que personalidades explosivas e controversas como as de Suh, Peters e Talib, que não deixaram muitos amigos por onde passaram, podem acabar criando um ambiente explosivo, mas a experiência do coordenador defensivo Wade Philips deve ser suficiente para controlar eventuais rebeldias. Além disso, enquanto o time estiver ganhando, não há motivo para briga. E isso deve acontecer com bastante frequência, já que, ao contrário do Eagles de 2011, o Rams não deve cair na armadilha do dream team e se transformar em piada.

Palpite

O cheirinho de Super Bowl está tomando conta das ruas de Los Angeles. Se o Rams estivesse na AFC, poderíamos cravar pelo menos a chegada à final de conferência, quando inevitavelmente (e infelizmente) perderia para o New England Patriots. Mas a NFC apresenta desafios maiores e há vários times que podem ser um empecilho na caminhada para o título de conferência. Mesmo que não jogue tudo o que se espera dele, o Rams deve vencer com tranquilidade a NFC West e talvez até conseguir um bye na primeira semana de playoffs. Uma campanha 12-4 é um cenário bastante provável. Porém, se o potencial de dream team for plenamente atingido, pelo menos a posição de favorito na final da NFC é quase certa. A partir daí, seja o que Sean McVay quiser.

Análise Tática #16 – Semana #9: Jared Goff, o ex-bust

Bust é o termo utilizado para denominar jogadores que não justificam em campo a crença neles depositada. Todo o processo do Draft da NFL é baseado em julgar atletas em fundamentos que podem ou não se traduzir no futebol americano profissional (baseado em porra nenhuma).

Jared Goff é um desses casos. Primeira escolha geral em 2016, com direito a uma troca que penhorou o futuro do Los Angeles Rams. O primeiro ano de Goff na NFL foi sofrível. Apesar de Jeff Fisher, o signal caller dos Rams sobreviveu.

A chegada de Sean McVay trouxe um novo fôlego a uma carreira que parecia destinada ao fracasso antes mesmo ter começado direito. Um ataque mais criativo e com leituras mais simples, foi o suficiente para renascer as carreiras de Goff e Todd Gurley, peças principais do time. As chegadas de Robert Woods, Sammy Watkins e o recém-draftado Cooper Kupp (caro leitor, pesquise tweets da época do Draft e você verá críticas ferrenhas a esta escolha) acrescentaram armas para um QB que tem a missão de não estragar tudo. Como dissemos semana passada, técnicos são pagos para maximizar o rendimento de seus atletas, e é exatamente isso que Sean McVay vem fazendo em LA.

Com objetivo de trazer sempre uma perspectiva nova do football ao leitor da coluna, e também para não desgastar o formato, essa semana focaremos no papel de Jared Goff para o esquema dos Rams, utilizando a partida contra os Giants como exemplo. Ao se analisar o desempenho de um quarterback dentro de campo, costumo observar os seguintes traits: mecânica de passe, trabalho de pés, velocidade das leituras e progressão ao longo do campo e o uso dos olhos e corpo para deslocar defensores. Evidentemente, não somos a palavra final e nem pretendemos ser, portanto, o debate é sempre bem-vindo.

Quanto aos atributos físicos, a mecânica do movimento de passe tem por objetivo fazer com que a bola oval entre em espiral e atinja uma velocidade favorável para chegar ao recebedor. Existem vários tipos e técnicas de passe no nível profissional que se adequam à árvore de rotas e a situação descida-distância em campo, mas no contexto geral, o movimento perfeito deve ser curto e encerrando na altura da orelha do QB. O trabalho de pés é importante para que o jogador possua o equilíbrio necessário para executar qualquer um dos passes na jogada, bem como gerar a força que é transferida ao longo do corpo até chegar na ponta dos dedos e ser direcionada à bola.

Quanto aos apectos mentais, o QB deve conhecer a jogada a ser realizada, possibilitando a leitura  do posicionamento da defesa em campo. Novamente fazendo um jabá do livro Take Your Eye off the Ball (ainda estamos esperando o contato, Amazonde Pat Kirwan, em seu capítulo destinado a quarterbacks, o autor menciona a quantidade assustadora de elementos que um jogador profissional precisa processar ao longo da jogada. Primeiramente, deve-se reconhecer o posicionamento e a quantidade de safeties em campo, seguindo aos cornerbacks. Isso permite ao atleta reconhecer o tipo de cobertura e ajustar as rotas, se o mesmo tiver essa liberdade. De forma resumida, em seguida, deverá reconhecer a existência ou não de blitz e de onde a mesma vem, comunicando o ajuste de proteção à linha ofensiva.

É comum observar QBs gritando pré-snap, “54 (ou outro número) is the Mike!”. Isso sinaliza à OL o inside linebacker, ponto de referência dos bloqueios da jogada, corrida ou passe. A partir do momento em que ocorre o snap, o QB precisa processar tudo o que reconheceu na fase anterior da jogada e perceber se o mesmo está realmente acontecendo. É nesse ponto que entra a velocidade das leituras: 2,5 segundos já são suficientes para gerar um sack na jogada, e antes desse tempo, o QB precisa reconhecer padrões de defesa e soltar a bola no ponto certo, um trabalho quase impossível.

Contra marcações em zona, bons QBs movem os jogadores de secundária para longe de onde se desenvolve o melhor matchup em campo com o uso dos olhos. Marcadores em zona observarão para onde o QB está movendo a cabeça, e isso pode ser usado como isca.

Agora depois de todo essa longa e resumida (e ao mesmo tempo, ainda insuficiente) explanação do trabalho de um quarterback da NFL em campo (não é à toa tem tanto cidadão ruim jogando no seu time, caro leitor, o trabalho é difícil mesmo), vamos ao tape. Lembrando que hoje o objetivo não é dizer por que os Rams ganharam dos Giants, e sim observar como Sean McVay está ajudando Jared Goff, e esse por sua vez, o ataque como um todo.

Jogada 1 – Rotas Cruzadas

Uma das formas de ajudar um QB a ESMERILHAR uma defesa é utilizar rotas que se cruzam. Isso faz com que a defesa precise se comunicar devidamente para que ninguém fique livre em uma cobertura em zona, ou que os defensores se atrapalhem entre si no tráfego de uma cobertura mano-a-mano. Aqui, os Rams estão em uma 3rd & 2 na linha de 8 do campo de ataque. Goff em shotgun, stack formation com 1-1 personnel.

Sean McVay abusa das crossing routes, desenhando um padrão que intercala praticamente todos recebedores da jogada, fazendo com que apenas Sammy Watkins execute uma fade route. A defesa dos Giants responde com a tentativa de mostrar uma blitz do nickel corner, que recua. Os demais jogadores de secundária protegem a linha de gol em um padrão semelhante a um cover 3.

Observe que mesmo com alguns tropeções de recebedores, a defesa dos Giants fica confusa com o cruzamento, abrindo um espaço no meio da endzone. Jared Goff executa um 3-step droback. Seu footwork é bem deficitário, mas trabalhando em um ambiente favorável, Goff consegue vender a ameaça de Todd Gurley olhando em direção à sua wheel route. Ele observa que sua OL limpa o caminho em direção ao TE no meio da endzone, projeta seu corpo em direção a essa rota e lança um dagger para o touchdown.

Jogada 2 – A eficiência do No Huddle 

Vimos no texto sobre o drive da vitória dos Raiders contra os Chiefs, que campanhas no huddle, além de clock management, têm por objetivo explorar um pacote errado colocado pela defesa. Por exemplo, caso o adversário esteja esperando a corrida e coloca jogadores mais pesados em campo para contê-la, aproveitar-se do no huddle vale a pena para cansar esse personnel com jogadas de passe.

Além disso, o no huddle também pode ser usado fora de situações de pouco tempo no relógio, aumentando o fator surpresa. Com mesma formação vista no touchdown anterior, o Rams aproveita a tentativa dos Giants (alinhados com formação base de defesa 3-4) em conter a corrida para surpreender com uma big play.

Como é Jared Goff em campo, essa chamada foi feita por Sean McVay via ponto eletrônico no capacete do quarterback (jogadores mais experientes ou melhores teriam a liberdade de escolher a melhor jogada para a situação dentro de um pacote). Ele usa Todd Gurley como isca para a defesa dos Giants, que pressiona com 5 rushers. Enquanto isso, Sammy Watkins executa uma rota vertical. Conceito semelhante ao dagger, porém com rotas saindo de pontos opostos do campo. A quebra de rota de Cooper Kupp deixa Watkins no mano-a-mano com Landon Collins.

O safety dos Giants, fora de posição no início da jogada devido à ameaça de corrida, é batido em profundidade. Sean McVay aproveita-se dos tempos de Goff em Cal, em que executava um ataque da filosofia air-raid, resumidamente se trata de execução de rotas longas. A adição de um bom jogo terrestre permite ao QB explorar o play-action e pegar a defesa desguarnecida. Outro ponto importante dessa jogada é a noção de Goff de onde está a pressão, protegendo-se no ponto oposto ao qual a linha desliza.

Jogada 3 – Queimando a blitz 

Defesas que não encontram respostas em campo costumam mandar mais blitzes que o normal a fim de criar um fato novo. Já outras defesas, como o Titans de Dick LeBeau, o Jets de Todd Bowles e o Cardinals de Bruce Arians baseiam-se em métodos específicos de pressionar o QB com homens a mais que o normal. Para todos esses casos, existe a resposta: ou você tem um jogador da velocidade de raciocínio de Tom Brady ou você precisa ser criativo com as rotas.

Observe as rotas que se cruzam no meio. Elas formam o núcleo de um conceito popular em ataques West coast conhecido como mesh concept. Os Giants sinalizam a overload blitz pelo lado do right tackle, enquanto a secundária está com marcação individual.

Fonte: @ITPylon

No conceito mesh, a marcação individual indica que os recebedores X e Y executantes da shallow-cross devem seguir até o outro lado do campo. O tráfego no box fará com que o recebedor Y esteja livre do outro lado do campo. E é exatamente isso o que aconteceu no MetLife Stadium. Execução de manual de um conceito simples do futebol americano.

Quanto ao trabalho de Goff na jogada, trata-se de um 5-step dropback (conte os passos após o snap, leitor). Quanto ao trabalho de olhos, ele não precisa necessariamente atrair marcadores para determinado ponto do campo, nem conseguiria, já que em marcações individuais, os defensores preocupam-se apenas em acompanhar as rotas – nesse caso, Goff só precisa não ser estúpido o suficiente a ponto de telegrafar o passe. Contra a blitz, o principal fator é a velocidade de processamento da jogada. Observe que o mesmo mantém o olho focado na região em que se desenvolverá o conceito mesh. Goff reconhece o camisa #17 livre após cruzar as hashmarks e manda o passe no mesmo momento em que é atingido pelo pass rusher. Touchdown.

  • Diego Vieira aparentemente capturou os GIFs com uma pedra e obrigou o editor a ir atrás do gametape. 

Jared Goff estrelando “O verdadeiro bust era Jeff Fisher”

O que faz um bom jogador? Talvez essa seja a pergunta mais difícil de se responder no futebol americano – e se soubéssemos a resposta já estaríamos ricos. Anualmente, milhares de jovens deixam suas faculdades para entrar na NFL, onde as franquias procuram filtrar esses atletas para selecionar os melhores. Mas como isso é feito? Algumas equipes apostam no atleticismo, outras apostam no conhecimento de jogo, outras no potencial e algumas tentam aliar as três características.

E, anualmente, percebemos que não sabemos qual desses atributos é o mais importante ao avaliar quem será a próxima estrela da liga. Tom Brady teve testes ridículos no Combine e seu talento não era visto por ninguém como algo transcendental. Mas o que permitiu a Brady atingir o (enorme) sucesso que ele alcançou?

Primeiramente, seu próprio mérito, principalmente o comprometimento com o jogo e como ele se prepara para ele. Além, claro do seu talento, temos que avaliar o contexto: quando estreou na liga, Tom não precisou carregar um bando de imbecis – o bando de imbecis não era um bando de imbecis, mas jogadores que ajudaram a tirar a pressão e o peso de seus ombros. Além disso, Brady contou uma comissão técnica extremamente eficiente e que permitiu a ele jogar de acordo com suas capacidades.

Nosso último texto também discutiu essa questão, ao abordar o caso de Alex Smith: até que ponto o ambiente em torno de um jovem prospecto influencia seu jogo? Mais uma vez, não sabemos a resposta exata para essa pergunta, mas uma coisa podemos ter certeza: é melhor ser treinado por Andy Reid e Jim Harbaugh do que por seja lá quem treinou Alex no início de sua carreira. Ou por Jeff Fisher.

Como tentar estragar a carreira de um jovem e ainda gastar múltiplas escolhas do draft no processo

Quando foi selecionado com a primeira escolha geral do draft em 2016, Jared Goff se encaixava na categoria do “jogador com potencial”. Sabia-se que ele era “cru”, muito em função do esquema em que estava inserido na faculdade. Jared talvez precisasse até mesmo não jogar em sua temporada de calouro, primeiro porque ele não tinha a capacidade de fazê-lo, segundo porque um ano ruim pode desgraçar a cabeça de alguém para sempre – e aí já era.

Os Rams sabiam de tudo isso quando escolheram Goff, mas o que talvez a franquia não sabia (nós sabíamos, você sabia, o mundo sabia) era que Jeff Fisher é um péssimo técnico. Além disso, na comissão comandada por Fisher, não havia nenhuma mente ofensiva brilhante capaz de ajudar a desenvolver o talento de seu quarterback: Rob Boras, o coordenador ofensivo, é hoje técnico de Tight Ends no Buffalo Bills. Chris Weinke, o técnico de QBs, é hoje “analista ofensivo” em Alabama (seja lá o que isso queira dizer).

Los Angeles até começou fiel ao plano de manter Jared no banco ao início da temporada, mas as atuações errantes de Case Keenum (mais um nome que compõe a lista de pessoas-que-você-não-quer-ensinando-o-seu-franchise QB) fizeram com que Goff assumisse a posição de titular. Vamos poupar sua visão dos números, mas acredite, eles são horríveis – coloque no Google estando ciente dos riscos.

Novos amigos

O tempo passou, Jeff Fisher (sdds) foi demitido e os Rams iniciaram o processo de consertar as merdas feitas. Abordamos elas aqui (spoiler: são muitas). A franquia sabia que poderia resolver todos seus problemas, mas de nada adiantaria se Jared Goff continuasse sendo um QB abaixo da linha da crítica (em linguagem popular: ruim para caralho). Para isso, o foco na contratação do novo treinador era apenas um: encontrar alguém que fosse capaz de fazer Jared jogar bola como gente.

Sean McVay foi o escolhido e teve a liberdade de remontar o ataque da forma como entendia (e ele entende para caralho). No draft (nós criticamos, é verdade) as escolhas de Cooper Kupp e Gerald Everett deram a Goff duas armas confiáveis: um TE  atlético e um slot receiver confiável (até certo ponto). Na free agency, o LT Andrew Whitworth foi contratado para melhorar uma linha ofensiva que era qualquer coisa, menos confiável.

“Aquilo ali é um hater?”

Esses movimentos têm se mostrado acertados: Kupp tem 19 recepções, 265 jardas e 2 TDs; Everett não tem números brilhantes, mas já foram três jogadas para mais de 20 e uma para mais de 40 jardas – em 2016 os Rams simplesmente não tinham peças explosivas como ele na posição. Já Whitworth tem sido sólido como era esperado, e se não sabemos como ele estará nos próximos anos em função da sua idade, pelo menos agora ele tem proporcionado mais segurança do que alguém como Greg Robinson (hahahahaha) um dia proporcionou.

Adicione a isso duas novas dimensões: Todd Gurley voltou a correr como gente e Sammy Watkins é uma ameaça perigosa. Gurley deixou o péssimo ano de 2016 para trás, e tem sido uma arma confiável tanto recebendo passes como correndo com a bola. Assim, o ataque fica mais balanceado e a ameaça de um jogo terrestre eficiente abre espaços para os Rams lançarem passes. Sammy Watkins ainda não teve uma atuação astronômica, mas seu talento e ameaça em profundidade abrem novas dimensões para o jogo de Los Angeles. Além disso, quantos jogadores na liga fazem jogadas como essa?

Os tempos de “dar um jeito de colocar a bola nas mãos de Tavon Austin” ser a principal jogada da equipe acabaram. Hoje, Austin é só mais um role player que, devido ao seu salário, mais um grande legado de Jeff Fisher, não deve durar muito tempo em Los Angeles.

Você é com quem você anda

Criada toda uma estrutura em seu entorno, Goff finalmente recebeu a oportunidade de brilhar: sua primeira partida no ano, um duelo contra os Colts de Scott Tolzien, serviu para dar confiança na temporada que começava; sua defesa jogou bem, marcou pontos e, contra a fragilizada secundária de Indianapolis, Jared lançou mais de trezentas jardas pela primeira vez na carreira.

Na semana seguinte, vimos que ainda havia muito a ser feito: os números pioraram, e uma interceptação no final do jogo custou aos Rams a chance de vencer o jogo. Repare como a jogada foi juvenil: Goff olha para o seu recebedor desde o momento que recebe o snap. O LB, percebendo isso, consegue interceptar o passe.

Em seguida, duas vitórias maiúsculas: contra os 49ers, em que Goff lançou 3 TDs e completou mais de 78% de seus passes naquele que foi o primeiro jogo de horário nobre da sua carreira: o país todo viu que ele não era mais a desgraça em forma de QB. A segunda vitória, em Dallas, mostrou para todos que Goff, mesmo com números razoáveis, não ia estragar tudo: os Rams merecem ser levados a sério.

O duelo contra Seattle foi duro. Jared completou menos da metade de seus passes e lançou duas interceptações, mas, incrivelmente, o saldo final foi positivo. Contra uma das melhores defesas da liga, Goff levou seu time até o campo de ataque no final do jogo e, se não fosse pelo drop de Cooper Kupp, os Rams teriam vencido a partida. Repare uma evolução em relação ao último drive que Goff teve para tentar vencer o jogo. Veja esse belo passe:


Agora, com o auxílio do All 22, perceba que Goff olhou para o outro lado o tempo todo e assim conseguiu tirar Earl Thomas da jogada.

O mesmo aconteceu no já citado drop de Kupp, e o próprio Thomas reconheceu isso.

Somos amadores e mesmo assim temos uma chance 74% maior de perceber esses detalhes do jogo que Jeff Fisher.

Afinal, quem é Jared Goff?

Goff não é o bust que seu primeiro ano indicava, disso podemos ter certeza: afinal, ser ruim daquele jeito constantemente talvez seja humanamente impossível (até Blake Bortles já conseguiu enganar). Mesmo assim, ainda não sabemos quem ele será. Talvez não se torne um Aaron Rodgers – aquele tipo de QB que transforma qualquer grupo de palermas ao seu redor em bons jogadores; mas o início da atual temporada indica que Jared pode ser capaz de levar longe um grupo bem treinado e recheado de boas peças – veja o quanto vale um Kirk Cousins, por exemplo.

É apenas sua segunda temporada, que poderíamos estar chamando de primeira. Jared ainda tem muito que jogar, evoluir e aprender. Afinal, agora, como você definiria o estilo de jogo dele? Ainda é cedo pra dizer. O que sabemos é que hoje Goff está em posição de mostrar suas habilidades: não precisando mais se preocupar com seu entorno, ele depende só de si para ser a cara do Los Angeles Rams por muitos anos.

Mais do que tudo, o exemplo de Goff nos mostra como é difícil avaliar um jogador em um esporte tão coletivo como a NFL. Se mesmo com carreiras longas não sabemos o que pensar de alguns jogadores (oi de novo, Alex Smith!), tirar uma conclusão sobre alguém em 13 jogos é mais que precipitado: é burrice.

Um final feliz.

OBS: Acontece que ser burro é muito mais fácil que esperar para tirar conclusões. É o que fazemos aqui no Pick Six e por isso falamos tanta bobagem.

Deixando o fantasma de Jeff Fisher para trás

Existem grandes momentos. E existem momentos que nós não vamos esquecer. A demissão de Jeff Fisher é um deles. Após empatar o recorde de maior número de derrotas de um head coach na história da NFL, Fisher foi chutado do Los Angeles Rams. O momento da demissão e o discurso final foram gravados pela HBO em sua série All or Nothing, que acompanha a temporada de algum time da liga e, em 2016, deu o azar de acompanhar os Rams.

Resolver os problemas que cinco anos de Fisher trouxeram não será fácil. O time ainda colhe frutos das decisões tomadas por seu antigo técnico, mas não podemos deixar de apontar também para o GM Les Snead. À seu favor consta que o histórico no draft não é dos piores – vejam Ryan Grigson, por exemplo.

Claro, algumas escolhas deram muito errado, outras deram muito certo, é assim em toda NFL. Porém Snead falhou completamente em um lado da bola: o ataque. Seleções como as de Tavon Austin e Greg Robinson não vingaram e o dispêndio de escolhas altas nesses jogadores criou buracos no elenco, pois acreditava-se que eles resolveriam problemas existentes nas suas posições. Além deles, nenhum WR escolhido pelos Rams desde a chegada de Snead, seja em St. Louis ou em LA, vingou na liga.

Para piorar, esse exemplo de modelo de “gestão” tem outra dificuldade: superar seus erros. A demora para demitir Fisher demonstra isso claramente. Além disso, renovar com jogadores como  Austin por quantias absurdas fez com que os Rams se tornassem, hoje, a equipe com menos espaço disponível no Salary Cap (Sério, já pararam pra pensar no quão absurdo isso é? Existem elencos muito mais talentosos ao redor da liga com muito mais espaço para gastar com salários.). E esse feito foi conquistado sem ao menos ter sido realizada a astronômica renovação de contrato do DT Aaron Donald. Concomitantemente, a franquia deixou o CB Janoris Jenkins partir em favor do CB Trumaine Johnson. Jenkins teve uma temporada de destaque em Nova York, enquanto Johnson está em sua sua segunda franchise tag: além de optarem pelo cara errado, os Rams ainda não sabem o que fazer com Trumaine e seu contrato.

Virando a página

O homem encarregado de resolver as cagadas supracitadas atende pelo nome de Sean McVay. Sean chega a Los Angeles principalmente para resolver os problemas do ataque. Para isso, ele terá que fazer mágica, tendo em vista que Jared Goff, quando jogou, pareceu qualquer coisa, menos um QB titular da NFL.  Não acreditamos que Goff tenha um futuro promissor, mas é preciso ser justo com ele: todos sabiam que Jared era um jogador cru, e ter seu primeiro ano no sistema de Jeff Fisher não ajudou em nada o seu desenvolvimento. Podemos até taxá-lo como bust, mas Goff ainda pode mostrar resultados.

Ainda no ataque, McVay terá o trabalho de reencontrar o futebol de Todd Gurley, perdido no meio dos buracos que a OL de Los Angeles abre – para os defensores adversários. Gurley estava claramente insatisfeito com a comissão técnica anterior, afirmando inclusive que o sistema parecia um “ataque de escola”. Essa talvez seja a missão mais fácil que o novo técnico encontrará: Todd tem muito talento e, a situação, pior que estava, dificilmente ficará.

Ele arruinou o Fantasy de milhões de pessoas.

E falando em linha ofensiva, ela terá algumas mudanças importantes: Andrew Whitworth, um dos melhores LTs da NFL, chega para o lugar de Greg Robinson, que foi trocado para Detroit por um saco de bolas vazias e um pirulito. O resto do grupo deve se manter o mesmo e, agora em um novo sistema, os jogadores terão chances de mostrar mais resultado. Intriga um pouco, porém, a inércia da equipe no draft em relação a OL, já que nenhum jogador da posição foi escolhido.

Já no corpo de WRs, a principal mudança é a chegada de Sammy Watkins, trocado junto aos Bills. Todos conhecemos o potencial de Sammy – quando ele está em campo, embora essa seja sua maior dificuldade. Robert Woods também chega de Buffalo e, ainda falando em mudanças,  o time crê que Cooper Kupp e Josh Reynolds, escolhidos no último draft, possam ajudar a suprir a perda de Kenny Britt, líder da equipe em recepções na temporada passada. Por fim, espera-se que Tavon Austin consiga produzir no sistema de McVay; do contrário, ele dificilmente continuará em LA por muito tempo.

Na posição de Tight End, os Rams esperam ver uma evolução de Tyler Higbee, escolha de quarta rodada, agora em seu segundo ano na liga, além de boas atuações de Gerald Everett, escolha de segunda rodada neste draft, a primeira da equipe. Se eles conseguirem um bom desempenho – o que é de se esperar, visto que McVay fez um bom trabalho com TEs em Washington -, Los Angeles terá mais força tanto no ataque aéreo quanto terrestre.

Um novo xerife na cidade

Não, não estamos falando de Dan Orlovsky, mas sim do “novo” coordenador defensivo, Wade Phillips. Wade dispensa apresentações, mas, se você não sabe quem ele é, saiba que estamos falando do arquiteto da defesa dos Broncos que carregou aquilo-que-diziam-ser-Peyton-Manning para o Super Bowl. Phillips chega para o lugar de Gregg Williams – chamado por muitos de, simplesmente, “um babaca”.

Se com Williams a defesa já era forte, agora ela pode dar o próximo passo e se tornar uma das melhores da NFL. Aaron Donald é um dos cinco melhores jogadores da liga por apresentar capacidades que nenhum outro atleta da sua posição possui. Capaz de gerar pressão no QB adversário, além de parar as corridas, tudo isso pelo interior da DL, Donald é o melhor Defensive Lineman do país.

Paguem o homem!

Porém ele está em busca de um contrato novo, como já havíamos mencionado. Aaron ainda não se apresentou para os treinos, mas esperamos que ele não deixe de jogar durante a temporada regular, apesar dos rumores de que se trata de uma possibilidade real (seria muita burrice dos Rams se isso acontecesse).

O front 7 é a principal força dessa defesa, que conta, na linha defensiva, com o já citado Donald (que sozinho já vale mais que muitas defesas inteiras) e com o bom Michael Brockers, antiga escolha de primeira rodada. No corpo de LBs Alec Ogletree e Mark Barron formam uma dupla versátil; e agora o grupo também conta com Robert Quinn, que deixou de ser DE para se tornar um OLB no novo esquema tático. Além deles, Connor Barwin, recém-chegado da Philadelphia, promete ajudar, tanto com suas jogadas como com sua experiência.

No entanto, a secundária ainda é um ponto de interrogação. Trumaine Johnson e Maurice Alexander são os titulares da última temporada que retornam para uma nova aventura. Nas outras posições, brigam pela titularidade na posição de cornerback Nickell Robey-Coleman e Kayvon Webster. Já entre os safeties, John Johnson, escolha de terceira rodada no último draft, e Lamarcus Joyner, disputam a última vaga de titular.

Não é só isso

Assim como fizemos com Kansas City, é importante lembrar dos Special Teams dos Rams. Esse, que foi o grupo mais bem-sucedido da era-Jeff Fisher, segue inalterado: Greg “The Leg” Zuerlein continua como kicker, assim como Johnny Hekker como punter e Tavon Austin retornando chutes. O técnico John Fassel, que assumiu a equipe interinamente após a demissão de Fisher, retorna para o cargo de coordenador. Esperamos, assim, que Los Angeles continue com suas jogadas divertidas nos times especiais – especialmente aquelas que enganam Seattle.

Palpite: Os Rams ainda não são um time bem balanceado. O ataque precisa de playmakers, já que, hoje, não podemos confiar 100% em Sammy Watkins e Todd Gurley. A defesa fará o suficiente para vencer muitos jogos, mas, no final, o time esbarrará nas limitações técnicas de Jared Goff e da linha ofensiva. Após esse ano, o experimento com Goff terminará. E, quem sabe com a iminente campanha medíocre, Los Angeles possa escolher um verdadeiro franchise QB na suposta classe recheada de 2018.

Um novo messias em Los Angeles

Sean McVay. Nessa altura do campeonato, você já deve ter ouvido seu nome algumas vezes no noticiário, afinal ele é o novo head coach da principal (eles são os donos do futuro estádio, não é) franquia da segunda maior cidade dos Estados Unidos: o fracassado Los Angeles Rams.

Após cinco temporadas abaixo de 50% de aproveitamento com o histórico Jeff Fisher, Stan Kroenke e cia resolveram inovar. E, por inovar, entendam de todas as maneiras possíveis: McVay é o HC mais jovem da história da NFL, com apenas 30 anos; quando ele nasceu, Jeff Fisher estava começando sua carreira como treinador. Além disso, Sean era também um ilustre desconhecido: seu trabalho na ascensão de Kirk Cousins era visível, mas se cruzássemos com ele na rua, provavelmente pensaríamos estar vendo Carson Wentz; se ouvíssemos seu nome, provavelmente pensaríamos em algum destes novos atores que surgem no Netflix – e desaparecem na mesma velocidade.

O início

Como é de se imaginar, Sean tem bons contatos no mundo NFL. Seu avô, John McVay, foi treinador do New York Giants no final da década de 70 (demitido após o primeiro “Miracle in the Meadowlands”). John também foi uma das peças principais do front office da dinastia que levou cinco Super Bowls em San Francisco – Sean, por outro lado, não era sequer nascido nas duas primeiras conquistas.

McVay cresceu em Atlanta e teve uma boa carreira no ensino médio, quando foi eleito jogador de ataque do ano da Georgia como QB e ainda jogou dois anos na Universidade de Miami (Ohio) até 2007, sem grandes aspirações a NFL. Novamente, para dar uma ideia de sua juventude: o último jogador com carreira na liga a sair desta universidade foi Ben Roethlisberger, draftado em 2004.

Tempo bom que não volta mais.

Assim que se graduou, conseguiu uma vaguinha como assistente em Tampa Bay, com o irmão daquele que lhe daria a grande oportunidade, Jon Gruden. No ano seguinte, foi trabalhar na extinta UFL, em um time em que Jay Gruden era coordenador ofensivo. Em 2010, foi contratado pelos Redskins como “assistente de treinador de tight ends” e, no final dessa mesma temporada, acabou promovido porque o responsável pela posição abandonou o cargo para virar HC de uma equipe de college football.

Dessa forma, com 24 anos, ele era responsável por um jogador como Chris Cooley, um veterano estabelecido três anos e meio mais velho que ele e em uma de suas melhores temporadas; a princípio, ele desconfiou das capacidades do jovem treinador, mas assim que Sean abriu a boca, Cooley acabou impressionado: “Aprendi mais sobre football em quatro semanas do que tinha aprendido em toda a minha carreira”.

Washington Redskins

Uma rápida pesquisa é suficiente para encontrar diversas declarações apaixonadas dos TEs que trabalharam com McVay. Jordan Reed, que teve grandes temporadas sempre sob a tutela do treinador, pediu especificamente para continuar realizando trabalhos individuais com ele quando Sean foi promovido a coordenador ofensivo entre a demissão de Mike Shanahan (e do treinador dos 49ers, Kyle Shanahan) e a contratação de Jay Gruden (em 2014).

Logan Paulsen, hoje nos 49ers, ressalta a facilidade que McVay tem de recordar nomes e tratar de maneira extremamente pessoal cada pessoa que trabalhava nos Redskins, desde outros treinadores às tias da limpeza. Essa mesma habilidade foi apontada por jornalistas que lhe entrevistaram durante o encontro anual de treinador em Phoenix: estudioso, conhecia e se referia a cada repórter pelo primeiro nome ao dar as respostas. O já citado Cooley, talvez seu maior fã depois do próprio pai, falava já no início de 2016 para quem quisesse ouvir que McVay ia ser head coach em 2017. A princípio, riram dele.

Entretanto, o novo treinador dos Rams não ganhou a sua posição por um bom trabalho com TEs. Talvez não por ter sido excepcional em suas duas entrevistas com o seu novo chefe – durante a qual Kevin Demoff, da diretoria dos Rams, enviou uma mensagem para Jon Gruden dizendo “meu deus, ele é igualzinho a você”.

Seu trabalho com Kirk Cousins, um jogador draftado na quarta rodada exclusivamente para ser reserva de RG3, levando ele ao nível que sempre se esperou alcançar com Griffin, foi o que lhe garantiu um novo emprego. Recordes consecutivos de jardas lançadas em Washington foram quebrados (4.917 em 2016), além de um rating de elite e 63 TDs ao longo de dois anos inteiro juntos, resultando também em mais de 40 milhões de dólares que Kirk recebeu com sua franchise tag dupla; como princípio de funcionamento do ataque, o objetivo era sempre ter Cousins em uma posição favorável de terceiras descidas.

Brothers.

É fato que muito se fala de Kyle Shanahan em San Francisco como destino de Kirk quando ele inevitavelmente não consiga o contrato que ele quer em Washington para continuar ali nas próximas temporadas; entretanto, seu sucesso realmente veio com McVay. Obviamente, o jovem treinador tem um desafio interessante em Los Angeles, mas se tudo der errado com Jared Goff, atenção a esse leilão em 2018.

O desafio Goff

Pouco preocupa a defesa dos Rams. Esse lado do time está muito bem resolvido ancorado pelo monstruoso Aaron Donald; melhor do que isso, McVay agiu rapidamente e contratou Wade Phillips (Texans, Broncos) para ser seu coordenador defensivo. Se alguma coisa vai mudar por ali, será para melhor. Isso dá uma boa base para um setor ofensivo que precisará fazer o mínimo para chegar longe, especialmente em uma NFC sempre tão disputada.

Todd Gurley também deverá voltar a jogar bem – é difícil acreditar que aquele talento do primeiro ano tenha desaparecido; é bem mais fácil botar a culpa em Jeff Fisher e sua incapacidade generalizada. O time também trouxe reforços para a linha ofensiva, como os veteranos Andrew Witworth, ex-Bengals, e John Sullivan, ex-Vikings – inclusive, dois dos três únicos jogadores que são mais velhos que McVay: o Rams é o time mais jovem da liga já há alguns anos.

Mas a eficiência do setor ofensivo passa pelo QB. O dos Rams, de quem já falamos aqui e zoamos sempre que possível, não é grande coisa. Na verdade, até o momento, provou ser um bust daqueles. Tentando observar por outra perspectiva, seus números podem equivaler-se àqueles que Kirk Cousins tinha antes de encontrar seu guru em McVay – como última curiosidade etária, se pode esperar ao menos que McVay se entenda bem com Goff, somente oito anos mais jovem que ele; Belichick, por exemplo, tem 25 anos a mais que Brady.

Novo no pedaço.

Além disso, não se deve riscar qualquer jogador depois de apenas sete partidas: sempre soubemos, Goff era um “projeto” a ser desenvolvido e não é culpa dele que os Rams tenham investido tudo o que investiram; eles não têm o direito de esperar retorno imediato.

De qualquer forma, não será por falta de trabalho da parte do treinador. Dormir entre 22h e 23h é comum para Sean, assim como acordar no dia seguinte às 4 da manhã. E, como brinca Chris Cooley, dá um soco no ar de animação para mais um dia de football. Esperemos apenas que Goff ou, vai saber, Sean Mannion ou algum outro desavisado que passe na frente do CT e saiba, realmente, lançar uma bola, não destrua todo este entusiasmo.