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Análise Tática #10 – O Seattle Seahawks está de volta!

Um dos times mais consistentes e vencedores da NFL na última década, o Seattle Seahawks teve um início de temporada conturbado. Enquanto a defesa continuava sendo uma das melhores da liga, não permitindo mais do que 18 pontos nos quatro primeiros jogos, o ataque dava sinais de declínio. A linha ofensiva não bloqueava ninguém, o jogo corrido nos fazia ter saudades de Marshawn Lynch e Russell Wilson, com duas contusões que poderiam ter sido muito sérias, não estava nem perto de ser o QB dinâmico ao qual nos acostumamos.

Os problemas ofensivos eram refletidos nos placares: Seattle teve extrema dificuldade para fazer 12 pontos e vencer o Miami Dolphins, fez apenas 3 pontos e, obviamente, foi derrotado pelo Los Angeles Rams e empatou com o Arizona Cardinals, em um ridículo 6×6. O recorde de 4-2-1 atingido na semana 8 seria comemorado por mais de 50% dos times da NFL, mas para o Seattle Seahawks, que desde 2012 não fica fora dos playoffs e chegou a dois Super Bowls, não era suficiente, especialmente porque a performance ofensiva não convencia ninguém.

A partir da semana 9, porém, as coisas começaram a mudar. Russel Wilson voltou a jogar bem, Jimmy Graham mostrou que pode voltar a ser o jogador fantástico dos tempos de New Orleans Saints, o ataque corrido tem funcionado e a linha ofensiva passou a fazer um trabalho razoável. A evolução resultou em duas vitórias convincentes contra Buffalo Bills e New England Patriots, em que o ataque produziu 31 pontos em cada partida. Podemos dizer, sem medo, que o Seattle Seahawks está de volta e pode retomar o posto de principal força da NFC em breve.

Na vitória por 26×15 contra o Philadelphia Eagles, no último domingo, o ataque do Seattle Seahawks controlou totalmente a partida e fez basicamente o que quis. O rookie RB CJ Prosise, que saiu machucado da partida e deve ficar fora pelo menos da temporada regular, conseguiu um longo TD corrido e Russel Wilson RECEBEU um passe para TD do WR Doug Baldwin em uma trick play. Confira como as duas jogadas que exemplificam o reencontro do time com o sucesso ofensivo aconteceram:

CJ Prosise 72 yds TD:

O ataque do Seattle Seahawks posicionou três recebedores no alto da tela, que receberiam marcação individual da defesa do Philadelphia Eagles. Antes do snap, Doug Baldwin se deslocaria para o lado direito do ataque, para onde CJ Prosise correria, e se juntaria ao TE Luke Wilson como um bloqueador extra.

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Quando Prosise recebeu a bola de Russel Wilson, tanto Baldwin quanto Luke Wilson fizeram bloqueios excelentes e eliminaram os defensores. A chave para o sucesso da jogada seria o CB Jalen Mills (31), único defensor do Eagles sem bloqueio.

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Mills foi ridicularizado por Prosise, que só precisou usar sua velocidade, bater o Safety que estava do outro lado do campo e anotar um maravilhoso TD de 72 yds.

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Russel Wilson, o Wide Receiver:

O QB Russel Wilson recebeu um passe para TD do WR Doug Baldwin em uma jogada espetacular. Enquanto Russel Wilson fingia que entregava a bola para a corrida do RB Thomas Rawls, Doug Baldwin, posicionado na parte de baixo da tela, se deslocaria em direção a Russel Wilson para receber a bola e correr para o lado direito do ataque.

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Quando recebeu a bola, Baldwin deslocou toda a defesa do Eagles para o lado de cima da tela, enquanto Wilson iniciava sua rota de recebedor na direção oposta.

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Quando os defensores do Eagles perceberam que se tratava de uma trick play, já era tarde demais. Wilson estava completamente sozinho e anotou um belo TD recebido.

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Análise Tática #7 – Como provamos que kickers não servem para nada

Arizona Cardinals e Seattle Seahawks protagonizaram um dos jogos mais bizarros da história da NFL. Sem muita inspiração ofensiva no tempo normal, que terminou com o ridículo placar de 3×3, os times acabaram trocando FGs na prorrogação e empataram por 6×6, em uma sequência de eventos que desafia nossa capacidade de acreditar no impossível.

O Arizona Cardinals teve a primeira posse de bola no tempo extra e saiu na frente com um FG de 45 jardas do K Chandler Catanzaro. Para continuar vivo, o Seattle Seahawks precisava pelo menos chutar um FG e empatar a partida, o que acabou acontecendo, com um chute de 36 jardas de Steven Hauschka.

A partir daí, qualquer pontuação venceria o jogo. Mas o improvável aconteceu: depois de dois bons drives, em que os ataques conseguiram chegar muito perto de marcar o TD da vitória, Catanzaro e Hauschka perderam FGs de 24 e 28 jardas, respectivamente, e nos presentearam com o primeiro empate na NFL desde 2014. Além da emoção dos dois chutes perdidos no final da prorrogação, tivemos também a consolidação da nossa certeza de que kickers não são seres humanos e não merecem respeito. Pelo menos não foi nos playoffs, não é verdade, Blair Walsh?

Assim como a capacidade dos kickers de acertar chutes curtos, a performance ofensiva de Cardinals e Seahawks no tempo normal foi péssima, na prorrogação os ataques conseguiram mover a bola e quase marcaram TDs que evitariam a vergonha dos kickers. A seguir analisaremos duas jogadas que poderiam ter vencido a partida na última posse de bola de cada time.

David Johnson:

O Arizona Cardinals teve a bola na linha de 5 jardas do Seattle Seahawks, na melhor chance de marcar o TD e acabar com o jogo ali mesmo. A melhor opção para entrar na endzone era entregar a bola para o RB David Johnson, certamente o melhor RB da liga nesse ano. O Cardinals colocou dois WRs na parte de baixo da tela que fariam o bloqueio para Johnson, enquanto o Seahawks congestionou o meio do campo. Com o bloqueio dos WRs, Johnson teria apenas um marcador individual na parte de baixo da tela.

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Quando recebeu a bola, o RB do Cardinals percebeu que não conseguiria nada pelo meio e cortou rapidamente em direção à lateral. A movimentação do jogador do Seahawks no meio do campo, em cima da linha da endzone, seria decisiva para o desfecho da jogada.

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Johnson conseguiu abrir vantagem em relação aos defensores e parecia ter caminho livre para marcar o TD da vitória.

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Mas a persistência dos defensores do Seahawks fez com que Johnson parasse a cerca de 5,37 cm da endzone e forçou a demonstração de brilhantismo do K do Cardinals.

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Doug Baldwin:

Após o chute errado de Arizona, foi a vez de Seattle mover a bola desde a sua linha de 1 jarda e chegar em posição de anotar os pontos da vitória. A jogada mais espetacular do drive foi uma recepção do WR Doug Baldwin, posicionado no slot e com rota em direção à lateral. A movimentação em direção ao meio do campo do WR posicionado na parte de baixo da tela foi decisiva para que Baldwin recebesse o passe e pudesse tentar o avanço.

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Quando recebeu a bola, Baldwin tinha apenas um CB em marcação individual. O Safety, na linha de 20 jardas, já se movimentava em direção à bola. Ambos seriam vergonhosamente batidos.

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Primeiro foi o CB que não conseguiu acompanhar a velocidade de Baldwin e perdeu o tackle.

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Depois foi a vez do S, que tentou um tackle baixo e foi basicamente humilhado.

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Baldwin só foi parado na linha de 10 jardas, em uma excelente posição para que o kicker ganhasse o jogo. Infelizmente, como já mencionamos, kickers não servem pra nada.

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A única OL no caminho da Legion of Boom é a de Seattle

E chegamos ao final dos previews dos times da NFL, assim como chegou ao fim da carreira do sempre polêmico, mas muito eficiente dentro de campo, running back Marshawn Lynch, depois de uma temporada em que sofreu muito com lesões e atrapalhou a vida dos repórteres (alegrando a nossa) com seu tradicional “só estou aqui para não ser multado”.

De qualquer forma, mesmo perdendo um de seus melhores jogadores, não é como se o time de John Schneider e Pete Carroll parecesse sentir – sempre parece haver um substituto pronto, como vimos com Brandon Browner para Byron Maxwell para Jeremy Lane, ou com o surgimento de Thomas Rawls substituindo Lynch no ano passado. Ano vai, ano vem, e Seattle novamente parece presença certa nos playoffs e um candidato certo para o Super Bowl.

Obviamente não há uma razão clara apenas para o sucesso dos Seahawks, porque muitas coisas são muito bem-feitas: como o bom trabalho dos coordenadores de Carroll (mais raro nessa liga do que deveria) e a capacidade de encontrar novos jovens jogadores constantemente (terão 16 rookies no time em 2016).

E a sorte é uma componente muito presente nesse sucesso também: desde ter encontrado um QB elite, Russell Wilson, na terceira rodada do draft, que não se machuca nunca, até o erro de Blair Walsh no final do jogo de wildcard – que eu, como torcedor de Minnesota, não superarei tão cedo.

O resto é muito bom, mas a OL é um lixo

Antes de escrever sobre os Seahawks, consultei alguns amigos em busca de alguma história importante que tivesse deixado passar durante a pré-temporada, mas além de críticas gratuitas sobre Jimmy Graham (mais a seguir), a única grande impressão que deixaram é: a linha ofensiva que já era ruim, conseguiu ficar pior (último lugar no ranking da PFF) com as saídas de Russell Okung (que apesar de ter perdido vários jogos por lesão, tem qualidade) e do já mediano J.R. Sweezy.

O melhor jogador da linha provavelmente é o razoável center Justin Britt, e daí é só ladeira abaixo. O guards serão o rookie German Ifeidi, escolhido no final da primeira rodada, que terá sua oportunidade de provar seu valor junto com Mark Glowinski, escolhido no draft de 2015, mas que não jogou muito no ano passado. A situação dos tackles, por último, não dá qualquer esperança: afinal de contas, provavelmente só sabemos que Bradley Sowell e Garry Gilliam existem porque anunciamos já que eles matarão Russell Wilson.

Essa cena deverá ser mais comum essa temporada. E não por vontade de Wilson.

Essa cena deverá ser mais comum essa temporada. E não por vontade de Wilson.

Russell Wilson é a esperança

De qualquer forma, pelo menos na temporada regular contra defesas medianas ou não tão motivadas (difícil fazer os gordões darem o máximo de si o tempo inteiro, né), Wilson deverá ser o suficiente para livrar a cara dessa OL, porque além de realizar um bom trabalho dentro do pocket (mesmo que esse não deva se formar bem), ele trabalha muito bem com as pernas, como mostram seu rating de 110.1 e suas 553 jardas corridas no ano passado.

Thomas Rawls e Christine Michael também parecem que conseguirão dar um jeito de trabalhar atrás dessa linha, se a preseason e o ano passado são alguma indicação. Rawls teve uma média absurda de 5.6 jardas por corrida quando conseguiu tomar a posição de Lynch no time titular, enquanto Michael parece destinado a finalmente mostrar seu potencial de segunda rodada (depois de muitas idas e vindas nesses quatro anos de NFL), tendo uma média de 6 jardas por corrida nos jogos amistosos de começo de temporada.

Por último, os recebedores, apesar de não serem grandes nomes (a exceção de Jimmy Graham, que foi envolvido em uma grande troca em 2015 e até agora só decepcionou em meio as lesões), são no mínimo extremamente sólidos. Doug Baldwin era um WR2 de carreira até assustar a liga com 14 touchdowns no ano passado, enquanto também deveremos ter grandes jogadas de Jermaine Kearse e especialmente Tyler Lockett (664 jardas ano passado), agora em seu segundo ano, que foi o único rookie a ser nomeado All-Pro como retornador.

Legion of Boom versão 5.0

Já faz quatro anos que a defesa do Seattle Seahawks é a que menos sofre pontos na NFL e não há uma razão para acreditar que isso vá mudar, já que considerando que ano passado eles começaram muito mal, com um Kam Chancellor mal preparado por conta de brigas contratuais, e ainda assim deram a volta por cima e chegaram à média (à sua média, obviamente, acima de todos os outros times com seus 17.6 pontos cedidos por jogo – inclusive se lembramos que a defesa dos Broncos é teoricamente a melhor da liga e vencedora do Super Bowl).

Cliff Avril e Michael Bennett retornam à titularidade e assumem novamente a responsabilidade de ser os principais a chegar ao QB adversário, e deverão conseguir mais que os 19 sacks que produziram ano passado, o que só irá melhorar o desempenho da defesa. Também contarão com a ajuda de Frank Clark para executar bem sua tarefa, já que o jogador deverá seguir evoluindo em seu segundo ano, além do veterano Chris Clemons, que já teve grandes momentos em Jacksonville, especialmente para substituírem a produção de Bruce Irvin, que partiu para Oakland.

O back seven, por último, deverá seguir sendo incrível e o principal responsável por acabar com a vida dos ataques adversários. Os linebackers KJ Wright e Bobby Wagner seguirão dominando todos os níveis de jogo, tornando impossível correr contra e lançar nas rotas curtas e intermediárias.

E tampouco é como se lançar as rotas longas vá ser fácil: Kam Chancellor estará de volta, dessa vez até fazendo uma aparição em dois jogos da pré-temporada, enquanto Earl Thomas seguirá sendo Earl Thomas e Richard Sherman seguirá bloqueando o seu lado do campo, como já é tradicional.

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Mais um ano aguentando Richard Sherman e tendo que aplaudir sua arrogância, sim.

Palpite: 12-4 e fé para os playoffs. Entretanto, por mais que a boa campanha garanta a vantagem de jogar pelo menos um dos jogos ao lado da sua infernal torcida, ter problemas com a linha ofensiva é o tipo de coisa que acaba voltando quando a coisa fica séria contra defesas de alto nível. É exatamente o que acabará acontecendo com Seattle e não será esse ano que eles voltarão ao Super Bowl.