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O grande dilema do capitão Kirk

Você provavelmente já ouviu isto nos últimos anos, mas aqui vamos nós mais uma vez: o Washington Redskins foi, novamente, um caos na offseason. E desta vez a confusão teve protagonista o então GM Scot McGloughan, demitido poucas semanas antes do draft e transformando a franquia em um prato cheio para especulações sensacionalistas – sobretudo quando Washington relutava em comentar a demissão, supostamente movida por problemas com álcool de McCloughan.

Tudo isto em uma franquia que foi capaz de vencer sua divisão em 2015 e disputou a primeira posição em 2016 até a semana final, perdida apenas após uma derrota para o New York Giants. Mas os problemas não se restringem apenas a demissão do seu então GM; eles passam também pela constante incerteza com o futuro de seu quarterback (pelo segundo ano consecutivo jogando com a franchise tag) e a partida de diversos integrantes chave da comissão técnica.

O “x” da questão

A questão Cousins, aliás, é um capítulo particular: Washington parece não ter certeza de que Kirk é o futuro da franquia – ao menos não proporcionalmente a sua pedida salarial. Dessa forma, ambos os lados seguem paralisados em meio a rumores de que o 49ers, agora sob o comando de Kyle Shanahan, seu antigo parceiro, seria o destino do quarterback – de qualquer forma, resta a certeza que uma eventual negociação com San Francisco terá que esperar até a próxima primavera.

O argumento do Redskins, de que Cousins não é um franchise quarterback (mesmo, repetimos, tendo jogado as duas últimas temporada com a franchise tag), soa um pouco contraditório: os números estão a favor de Kirk; o quarterback lançou para quase 5 mil jardas na temporada passada (exatas 4917), completando mais de 67% dos passes nos dois últimos anos (foram 7,7 e 8,1 jardas por tentativa em 2015 e 2016, respectivamente).

Somando os dois anos, Kirk teve 54 touchdowns e apenas 23 interceptações, ou seja, os números estão lá para confirmar seu talento, da mesma maneira que se pode afirmar que ele não teria conseguido tanto êxito caso não contasse com um excelente elenco de apoio ao seu redor. 2017, porém, pode trazer as respostas definitivas.

Ele é bom, caras.

Partidas e chegadas

Washington viu partir dois de seus principais recebedores durante a offseason: os WRs Pierre Garçon (San Francisco) e DeSean Jackson (Tampa Bay) procuraram novos ares. A perda de Jackson talvez não seja tão sentida, sobretudo pela adição de Terrelle Pryor na free agency.

Pryor será uma válvula de escape para que Cousins melhore o trágico aproveitamento na redzone – um QB durante o college, Pryor completou com sucesso sua transformação para WR em Cleveland, sobrevivendo a um ataque quase anêmico; foram 77 recepções para 1007 jardas pelo Browns.

Há ainda Jamison Crowder, que teve 67 recepções para 847 jardas e seis TDs em 2016. E é nele que deve estar a resposta para o sucesso do ataque aéreo de Washington – e, talvez por confiar em seu WR, o Redskins tenha deixado Pierre e DeSean partirem.

Pelo ar, Kirk contará ainda com o TE Jordan Reed, uma das melhores opções da NFL na posição quando saudável (vale lembrar que Reed nunca jogou uma temporada completa em sua carreira profissional) e Josh Doctson, escolha geral número 22 no draft de 2016 que teve uma temporada como rookie digna de esquecimento – Washington espera que agora ele efetivamente consiga estrear.

O foco, inegavelmente, será o jogo aéreo, já que as perspectivas de sucesso por terra estão a muitas jardas de serem animadoras – mesmo contando com uma excelente OL. Os RBs Robert Kelley e Samaje Perine competirão pelo posto de titular, enquanto Chris Thompson seguirá como terceira opção.

O cenário se torna assustador se você levar em conta que em uma equipe séria, Kelley, titular em Washington, seria a terceira opção – e não há indícios, seja na pré-temporada ou em seu passado na universidade, de que Perine se tornará algo próximo de um jogador minimamente relevante.

Vai que dá.

Não mais tão confiável

Há um ano, os Redskins concentram seus esforços no draft no setor ofensivo, o que lhes custou caro – algo como uma vaga nos playoffs em 2016. Na temporada passada, o sistema defensivo de Washington cedeu uma média de 377,9 jardas por partida; a quinta maior da NFL.

O DC Joe Barry e dois de seus assistentes foram demitidos por aquilo que se convencionou chamar de justa causa, e no draft de 2017 o Redskins investiu pesado no setor, selecionando nas três primeiras rodadas jogadores de defesa: o DE / DT Jonathan Allen, o OLB Ryan Anderson e o CB Fabian Moreau.

Allen chegou a ser cotado como melhor jogador universitário durante sua carreira, mas caiu para a escolha número 17 devido a algumas lesões – que, no entanto, não devem afetar seu desempenho. Além disso ele é exatamente o que o Redskins precisava após perder o melhor jogador de sua linha defensiva, Chris Baker, para Tampa Bay.

Já Moreau por muito tempo foi cotado como escolha de primeira rodada, mas despencou no draft devido a problemas de saúde. Se ele puder entrar em campo, porém, deve ganhar a vaga de Bashaud Breeland e formar uma boa dupla com Josh Norman.

Palpite: Você pode ter uma certeza: este ataque vai funcionar – desde que esteve sob o comando de Jay Gruden, Washington sempre liderou rankings ofensivos. Mas mesmo assim tudo pode dar errado enquanto as especulações sobre o futuro de Kirk Cousins continuarem. E, acredite, elas durarão até meados de janeiro. Ao menos para 2017, Kirk estará bem armado – mas as distrações e a falta de um jogo terrestre confiável farão com que, mais uma vez, eles nadem e morram na praia.