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Homens trabalhando em reconstrução

Na offseason, todos os times são bons. Afinal, é durante ela que você pode acreditar que Sam Bradford não se machucará (estatística: ele jogou mais de 14 jogos em quatro de suas oito temporadas na liga; exato, trabalhamos com 50% de probabilidade), que Tyrann Mathieu era muito mais mídia do que bola, que David Johnson se recuperará de uma lesão como um X-Men e, como em qualquer esporte que não faz sentido, um novo técnico trará uma nova filosofia que fará perebas verdadeiros craques.

Entretanto, parafraseando algum porco (acho) daquele livro do George Orwell (não li), alguns times são melhores do que os outros. Carson Palmer era um QB sólido e injustiçado, que, mesmo com problemas na hora da verdade como qualquer quarterback de USC (alô Sam Darnold), ao menos era confiável para executar o ataque de Bruce Arians até um braço quebrado ser a última cena de sua carreira na semana 7 de 2017; uma lesão que tira um jogador de toda a temporada sempre é perigosa (e David Johnson tem apenas uma boa temporada na carreira); e, bem, Steve Wilks pode ter operado verdadeiros milagres com a secundária dos Panthers sem um grande nome sequer, mas a dos Cardinals está reduzida a reservas de jogadores medianos.

E, não, torcedores, não há como a 15ª temporada de Fitzgerald não pesar, mesmo que as 109 recepções para 1156 jardas e 6 TDs de 2017 insistam em dizer o contrário.

Quem leva a bola ao craque

Já mencionamos Carson Palmer e hoje ele, talvez, é apenas história. Apesar de parecer estar na liga há 30 anos (chegou em 2003), infelizmente não há jogadas muito memoráveis, tampouco títulos, então seus bons números serão encontrados por nerds daqui a 15 anos e todos diremos “nossa, Carson Palmer, nem lembrava que ele existia”. Bom, que Palmer tenha uma feliz aposentadoria.

Arizona trouxe três candidatos para substituí-lo. Ou melhor, um para substituí-lo e dois para dar tempo ao garoto: Mike Glennon vem de Chicago, após ter feito parte de uma experiência estranha com Mitch Trubisky, e dispensa comentários em relação a potencial futuro; já Sam Bradford é o Mike Glennon desse ano, com impensáveis 20 milhões de salário, fruto de um excelente trabalho de seu empresário.

Quebrando a banca.

É inegável que Bradford pode fazer boas temporadas, como conseguiu nos Vikings em 2016, mas sua incapacidade em manter-se saudável lhe permitirá apenas seguir como uma opção secundária. Convenhamos: nem mesmo Arizona espera que Bradford se mantenha saudável e vista vermelho por anos a fio, vide seu contrato curto e, bem, o QB do futuro já definido.

Josh Rosen, que passou pela montanha-russa típica do draft, indo de melhor jogador para quarto melhor QB em poucos meses, mesmo depois de anos (dizem) sendo estudado por olheiros das 32 equipes, é o primeiro QB de 1st round em Phoenix desde Matt Leinart (USC, 2006) e terá a responsabilidade de ser a cara dos Cardinals pelos próximos anos.

Palpite: Cinco jogos serão suficientes para que Rosen aprenda o que, hoje, é um ataque super complexo (mesmo que ele já operasse um ataque complexo em UCLA) desenhado por Mike McCoy, já que os quatro meses de pré-temporada, acreditem, duram menos que as cinco semanas iniciais da NFL.

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Esperamos também que Rosen se torne logo uma estrela na liga; afinal é um jogador que não evita dar a sua opinião, ou pelo menos não evitou quando estava na faculdade. Infelizmente, como rookie, ele deve se comportar para aumentar suas chances de efetivamente jogar. Quando se estabelecer, ficamos na expectativa de ter um bom QB que não tenha receio em falar.

Fitzgerald, Johnson e pouco mais

Assim como veremos na defesa, o núcleo de bons jogadores no ataque de Arizona é limitado. Larry Fitzgerald é eterno enquanto dure (parafraseando aquele poema que só sabemos algumas estrofes) e David Johnson deverá voltar no ritmo de 2016, pelo bem da sanidade dos analistas de plantão; Justin Pugh, G que vem dos Giants, também deverá ajudar a fortalecer a linha ofensiva e abrir espaços para o RB. Fora esses, a equipe de suporte que Rosen receberá é duvidosa.

Os recebedores, além dos já citados, serão o rookie Christian Kirk, que vem bem cotado do Texas, Brice Butler, um daqueles nomes aleatórios de Dallas, e Jermaine Gresham, que já está há alguns anos nos Cardinals sem superar as 400 jardas sequer. Faça sua mágica, Rosen (ou Bradford, com seus passes curtos precisos).

A linha ofensiva troca Jared Veldheer por Andre Smith que, saudáveis, estão hoje no mesmo nível. O lado esquerdo se mantém com os mesmos nomes que seguraram Palmer em pé e saudável em 2016, e conseguiram criar espaços para sub-RBs em 2017, ou seja, DJ Humphries e Mike Iupati seguem confiáveis – elementos importantes para desenvolvimento de um jovem lançador.

“Veja bem, Wilks, aqui você tem Patrick Peterson”

Deve ter sido o argumento da diretoria de Arizona enquanto viam Tyrann Mathieu, Justin Bethel e Tramon Williams deixarem a equipe. Com Peterson e Budda Baker, eles formaram os cinco jogadores da secundária titular dos Cardinals em 2017, que já foi 14ª em número de jardas aéreas cedidas, um número (no máximo) razoável.

Budda Baker, válido lembrar, rookie de segunda rodada que aproveitou a oportunidade em 2017 (até jogou o Pro Bowl e foi votado All-Pro), pode e deve ser o outro ponto de alívio no back-seven, que também perdeu o LB eterno Karlos Dansby.

Bethel já não é grande coisa e Williams está velho, mas devem ser substituídos apenas pelo velho S Antoine Bethea, o CB Jamar Taylor que veio do Browns e o S Tre Boston, que já trabalhou com Wilks em 2016; como CB2, deverão contar com Brandon Williams, o CB4 de 2017.

Não se vá.

Mas Tyrann Mathieu, como ele mesmo apontou no Twitter, é considerado o 5º melhor Safety da liga até no Madden, e ter sido cortado por não querer reduzir o salário acordado apenas dois anos antes é absurdo – especialmente em um time com tão pouca profundidade, Mathieu é insubstituível, maloqueiro ou não.

Na linha defensiva, Chandler Jones segue como a âncora assustadora com 17 sacks em 2017, mesmo sem muito mais apoio ao longo dela. E, bom, falando em estrelas na defesa sempre haverá Patrick Peterson. Exceto quando o time enfrente mais de um WR.

Palpite

Muito mais para Seattle que San Francisco. É difícil visualizar os Cardinals melhorando a campanha 8-8 de 2017, especialmente considerando que duas dessas vitórias vieram contra os 49ers pré-Garoppolo (existiu mesmo? Graças a deus não precisamos lembrar mais) e outras três contra uma fraca AFC South (claro, Titans e Jaguars caíram em Phoenix e foram para os playoffs. Mas ainda são Titans e Jaguars). 2018 traz enfrentamentos contra a NFC North e AFC West, além de 49ers e Rams muito mais fortalecidos dentro da divisão – enquanto Arizona enfraqueceu através de toda a lista já citada. Dessa forma, não dá para esperar mais do que um ano de reconstrução para os Cardinals.

Tudo depende do desenvolvimento de Josh Rosen e uma campanha ruim o suficiente para garantir uma boa escolha no ano que vem para continuar montando um novo time – se Wilks também fizer um pouco mais de sua mágica e com isso acabar encontrando dois ou três jovens valores defensivos, 2018 já terá sido um sucesso.

O sacrifício de Carson Wentz em nome do terceiro homem de Fisher

De atuações no mínimo duvidosas em 2016 (inclusive acumulando mais turnovers, 21, que touchdowns, 18), para principal candidato a MVP em 2017 – dependendo apenas de duas derrotas de Nick Foles nas próximas semanas para demonstrar sua vital importância -, Carson Wentz derrubou haters a cada semana. Jogos como os contra San Francisco e Kansas City, à la Kaepernick com menos de 60% de passes completos, deixavam os críticos preparados, apenas para acabarem respondidos por atuações como a contra Denver, com 4 TDs dominando a defesa dos Broncos mesmo sem Jason Peters protegendo seu lado cego.

O jogador favorito de LeBron James, teoricamente daqueles torcedores duplos, de Cowboys e Browns, virou muitas cabeças em 2017. Melhor de tudo, frio como os invernos em Fargo, Wentz não está nem aí para tanto hype.

Origens

Carson Wentz nasceu na Carolina do Norte, mas se mudou cedo para Bismarck; é a carinha do midwest rural e sempre lhe veremos como um menino da Dakota do Norte que está se aventurando muito longe – mesmo que na pré-temporada ele chame seus colegas para treinar em Fargo, onde, como definiu Jordan Matthews, “não tem nem uma estação de rádio que toque hip-hop”.

Fargo é onde está a sede de North Dakota State, a universidade onde vimos Carson surgir (por puro esquecimento das grandes universidades dessa parte do país). Esta, inclusive, uma universidade dominante da FCS, ou como preferimos chamar, a segunda divisão do futebol americano universitário (como prova o Fargodome comporta apenas 19 mil espectadores). Ele inclusive demorou para ter sua oportunidade como titular, já que o time era campeão todo ano e Brock Jensen, o então QB titular, era razoável – como definiu Tim Polasek: “estava claro quão talentoso Wentz era, mas estávamos de mãos amarradas. Estávamos satisfeitos com Brock, ele tinha o time nas mãos e o liderava.”

Com a saída de Brock Jensen e dois anos de experiência acumulados (e, não surpreendentemente, mais dois títulos somados), Wentz entrou para o draft. Somente Steve McNair (que teve uma boa carreira nos Titans, saído de Alcorn State) e Joe Flacco (que passou por Pittsburgh, da NCAA, antes de ir para Delaware) foram draftados diretamente da FCS no primeiro round – e Carson entrou bem contato para ser o terceiro da lista.

Esquecido anteriormente, foi colocado lado a lado com Jared Goff no draft de 2016 – enquanto Goff tinha mais pedigree, saído de uma universidade da Pac-12, Wentz tinha mais tempo de campo (com boas atuações, mas contra competição duvidosa) e todos os atributos físicos. Em uma decisão que hoje soa incompreensível, mas na época a maioria de nós aplaudimos, os temidos Browns trocaram a oportunidade de escolhê-lo pelos apaixonados Eagles de Doug Pederson – que já tinham Sam Bradford recém-renovado e Chase Daniel recém-contratado brigando pela titularidade na época.

Com a troca de Sam, Carson imediatamente assumiu as rédeas da equipe. Como já dito, a primeira temporada foi cheia de altos e baixos, além das dores típicas de crescimento de um novato: a inconstância no acerto de passes ou de medir a força deles, que animavam os críticos que afirmavam que ele só parecia jogar bem porque enfrentava jogadores fracos na universidade. Os últimos quatro jogos com a temporada dos Eagles já acabada, entretanto, pareciam uma forte indicação de que a NFL estava ficando mais lenta para Carson.

A temporada atual

Previmos na intertemporada que os Eagles estavam caminhando na direção correta, buscando a evolução de Wentz e Pederson, adicionando peças interessantes de apoio para quem sabe conseguir sonhar com uma pós-temporada agarrada pelos cabelos – doce ilusão. Depois de um início parecido com a temporada de 2016, os Eagles pegaram fogo e emendaram nove vitórias seguidas entre outubro e novembro.

Como nos sentimos obrigados a adicionar asteriscos (que, como veremos no próximo ponto, é o que poderá trazer esperança para Philadelphia), é importante relembrar que a defesa dos Eagles é uma das mais dominantes da liga atualmente, especialmente contra o jogo corrido.

Além disso, Wentz tem sido mais clutch que dominante all-around, conseguindo vitórias como o 37-9 contra Dallas ou 51-23 contra Denver com apenas 168 e 199 jardas, respectivamente, além de contar com mais de 100 jardas de seus running backs em quase todos (menos dois) jogos na temporada.

De qualquer forma, um QB ideal é aquele que aproveita as oportunidades que a vida (defesa adversária) oferece (vide Brady, Tom). Não importa como, 33 touchdowns (inclusive superando o recorde de Donovan McNabb com 3,5 jogos a menos) são o tipo de coisa que um jogador mais valioso do time conquista – garantindo o melhor aproveitamento na redzone da liga e o segundo melhor em conversão de terceiras descidas. Se ajudar a equipe a fabricar vitórias é em que Carson é bom, aposto que ninguém na Wentzylvania vai reclamar.

Vai ficar tudo bem.

Lesão

2017, porém, não pode deixar ninguém em paz. Em uma jogada corajosa, Wentz mergulhou para a endzone (o que seria seu primeiro TD corrido da temporada), sendo esmagado por dois defensores: um batendo na sua cintura, outro na sua canela. É assustador, já que suas pernas parecem moles, não de ossos; naturalmente, o seu joelho não aguentou o impacto, rompendo o ligamento anterior e, notícias mais recentes indicam, mais algum ligamento que pode prejudicar a sua volta. Para adicionar o “toque 2017” ao lance, o TD marcado pelo menino Carson Wentz não foi válido, já que foi marcado holding de Lane Johnson.

Nick Foles e o que janeiro traz

Se algo de bom podemos tirar, é o retorno do lendário Nick Foles, que produziu em sua segunda temporada (tal qual a atual de Wentz) um ratio de 27 TDs para apenas quatro turnovers (duas interceptações), e só não recebeu consideração real para um título de MVP naquele ano de 2013 porque Peyton Manning bateu o recorde de touchdowns lançados em uma só temporada. E porque, bem, era Nick Foles.

Obviamente, pouco tempo depois ele acabou voltando ao esperado, com duas temporadas medíocres na Philadelphia e posteriormente em St Louis, ao ser trocado por Sam Bradford em 2015. Acabou em Kansas City em 2016 antes de voltar para onde tudo começou.

Desde sua grande temporada, as oportunidades foram bem menores devido a lesões e, também, a pura mediocridade, não podemos negar. Ainda assim, substituindo Alex Smith em dois jogos ano passado, Foles lançou 35 passes, com três TDs e nenhum turnover. Contra os Giants no domingo, lançou quatro TDs novamente (sem turnovers) e sem muita ajuda da defesa ou do jogo corrido, em uma apresentação em que só faltou dar o golpe final para não passar tanto aperto.

Seja o que Deus quiser.

Talvez Nick não seja exatamente o homem dos sonhos para o Super Bowl, mas na NFL atual não se pode escolher muito – e dentre os backups possíveis, ele vem mostrando estar entre os melhores (já que profundidade é crucial para um time que está na sua “quarta lesão pesada”, depois de Darren Sproles, Jordan Hicks e Jason Peters).

Considerando que Foles entra na lista de “ex-reféns de Jeff Fisher”, como Keenum e Goff, o ano parece propício para que Nick tenha suas chances. Inclusive, talvez os homens realmente ideais para Seahawks e Chargers chegarem à pós-temporada sejam os também lendários Austin Davis e Kellen Clemens. Você ouviu primeiro aqui.

Podcast #5 – uma coleção de asneiras V

Voltamos com o tradicional #spoiler: equipes relevantes (e o Tennessee Titans) que não vão para os playoffs em 2017.

Depois discutimos qual equipe assistiríamos se só pudéssemos acompanhar um time até o final da temporada – graças a Deus não acontecerá.

Em seguida, trazemos algumas proposições que sequer acreditamos, mas nos obrigamos a explicar porque é verdade – não sabemos porque fizemos isso.

E, no final, como já é comum, damos dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas duas semanas!

 

Podcast #3 – uma coleção de asneiras III

Trazemos as lesões mais recentes da NFL e discutimos jogadores injury prone. Realidade? Mentira? O que comem? Onde habitam? Em seguida, apresentamos a realidade de alguns times, se são bons ou ruins. Por fim, sugerimos alguns jogos para o amigo leitor ficar atento nas próxima semanas!

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor.

Ano novo, novas esperanças e novas decepções

2016 foi uma montanha-russa para o calmo povo de Minnesota. Da derrota para Seattle no chute mais fácil da carreira de Blair Walsh (curiosamente, hoje jogador dos Seahawks), à esperança de repetir e chegar mais longe em 2017 com um Teddy Bridgewater cada vez jogo mais maduro e um novíssimo estádio. Passamos também pela brutal lesão do quarterback, o desembarque de Sam Bradford e o início como melhor time da NFL até chegarmos a decadência (um dos poucos times da história a iniciar a temporada com 5-0 e mesmo assim não ir aos playoffs.

Mas ano passado, claro, já é passado, de mesma forma que 2017 traz seus próprios desafios. Teddy ainda está em processo de recuperação (válido lembrar que as previsões originais para sua recuperação eram de dois anos), mas as expectativas e os vídeos que ele adora colocar no Instagram indicam que o menino prodígio voltará ainda esse ano (também para poder ser um free agent na próxima temporada).

Se tudo correr dentro da normalidade, voltará para ser banco de Sam Bradford, outro que ficará desempregado no final da temporada e precisa mostrar serviço para garantir um grande contrato – com os Vikings ou qualquer outro time.

Volta.

O pior grupo da história

Comecemos com as notícias ruins, daquelas que desgraçam a cabeça do torcedor dos Vikings. Esqueçamos o desempenho do ano passado, já que toda a linha ofensiva foi reformulada (apenas Joe Berger seguirá como titular, mas saindo da posição de center para se tornar right guard), com demissões até surpreendentes como a de Alex Boone, provavelmente o segundo melhor daquela que foi apontada como pior linha de todos os tempos pela avaliação do PFF.

Os tackles serão jogadores experientes: Riley Reiff, ex-Detroit Lions que sempre foi razoável protegendo Stafford por lá durante 5 anos, protegerá o lado cego após receber um contrato de quase 60 milhões, mesmo com as lesões que lhe limitaram durante toda a pré-temporada; do outro lado, Mike Remmers vem de Carolina também com um grande contrato (5 anos, 30 milhões).

No interior, além do já citado veteraníssimo Joe Berger, o time adiciona juventude: Pat Elflein, escolha de terceira rodada, já assumiu a posição de center e terá ao seu lado esquerdo Nick Easton, jovem que chegou à equipe após uma troca com San Francisco e jogou algumas partidas como C em 2016 devido às inúmeras lesões que acometeram a unidade.

Perceba: nenhum desses caras é excepcional ou sequer pode ser considerado bom. Entretanto, tudo que o time precisa é de um desempenho abaixo da média – e não o pior da história -, para que cada um dos cinco seja considerado herói.

A defesa mais rica do mundo

Não surpreendentemente, nas últimas semanas de pré-temporada, três dos principais jogadores da equipe receberam gordas ampliações contratuais – todos da defesa; afinal de contas, ela é a que será responsável por carregar o time novamente onde quer que ele chegue. O grande destaque fica para Xavier Rhodes e seus 70 milhões ao longo de cinco anos, afinal, uma performance anulando Odell Beckham (e qualquer outro que tenha caído na ilha do jovem cornerback) não poderia ser melhor recompensada.

A secundária é completada por outro craque, Harrison Smith, além de Andrew Sendejo, que a cada ano que passa parece ser um safety bem mais seguro que aquele que a torcida dos Vikings tinha como principal candidato “a ser substituído” a cada intertemporada. Na secundária também está a grande interrogação: Terrence Newman parece estar sentindo o peso da idade, enquanto Trae Waynes pode não ser o CB2 dos sonhos e um alvo a ser explorado; no slot, o substituto de Captain Munnerlyn deveria ser Mackensie Alexander, escolha de segunda rodada em 2016, mas Mike Zimmer visivelmente não estava satisfeito com ele, já que o time foi atrás de um veterano, Tramaine Brock, para a posição.

O front-seven tem como principal dúvida a capacidade de Anthony Barr voltar à forma que lhe rendeu comparações com Von Miller em 2015 – e dessa forma, ter bons argumentos para garantir um novo contrato gordo. Os outros dois jogadores que ficaram mais ricos durante a pré-temporada são da linha defensiva: Linval Joseph, pago como um dos melhores NT da liga e esperança para ocupar todos os espaços possíveis, e Everson Griffen, agora assumindo a condição de “defensive end veterano secundário”. Veterano porque o grande pass-rusher da equipe deverá ser Danielle Hunter, que produziu 12.5 sacks na temporada passada sem iniciar nenhum jogo e com snaps limitados; agora, como titular, seu objetivo é causar ainda mais terror nos QBs adversários.

Sorriso maroto de quem vai te agarrar.

As armas de Pat Shurmur

Uma das ideias mais repetidas durante o training camp foi que “agora, com tempo para treinar e entender bem as ideias do novo coordenador ofensivo, o ataque vai ser mais potente” – coordenador ofensivo que é melhor conhecido por o OC que treinava e chamava as jogadas com Chip Kelly na Philadelphia.

Além disso, Sam Bradford também teve finalmente tempo para trabalhar com seus colegas e ganhar confiança neles – recordes à parte, o principal stat a definir o estilo de jogo do QB deve ser a “quantidade de passes lançados antes da marca do first down” com 80%, 22º na NFL. Ousar um pouco mais deve ser o principal ponto para Sammy mudar e levar esse ataque em frente.

Stefon Diggs e Adam Thielen voltam para sua segunda temporada como titulares, o que também deve proporcionar uma melhora – válido lembrar que ambos quase chegaram às 1000 jardas recebidas em 2016 (ainda que, para os dois, quase metade das jardas foi conquistada em apenas 3 ou 4 jogos excepcionais), fato que não acontece para um WR dos Vikings desde Sidney Rice com Brett Favre em 2009. Laquon Treadwell, depois de receber apenas um passe ano passado, e Malcolm Floyd, quando voltar de suspensão, deverão ser as opções secundárias que podem crescer ao longo da temporada.

O alvo mais veterano de Bradford será Kyle Rudolph, TE que teve sua melhor temporada da carreira em 2016 e deverá voltar a ser uma opção de segurança enfatizada no estilo de jogo de Pat Shurmur (pelo menos é o prometido).

Para finalizar, a grande mudança entre os skill players será a partida de Adrian Peterson, mesmo que ele não tenha praticamente jogado já no ano passado. Para a sorte do time, que não tinha uma escolha de primeiro round (investida em Sam Bradford), um jogador que poderia ter sido draftado bem antes caiu tanto que Minnesota não teve alternativa a não ser subir umas escolhas e selecioná-lo: Dalvin Cook.

E se a sua posição de escolha nos drafts de fantasy football é indicação de produção que virá por aí, Cook fará uma dupla muito potente no backfield seja lá o quarterback que a equipe escolha manter.

Estádio do Super Bowl

É válido lembrar, antes de ousar na previsão, que nenhum time jamais disputou o Super Bowl no seu próprio estádio; caso você não soubesse, a sede da grande final de número 52 é o U.S. Bank Stadium, em Minnesota. Para repetir o final pessimista da prévia escrita no ano passado, é fácil concluir que não devem ser os Vikings a quebrar esse tabu.

Palpite: Com a proximidade do jogo de estreia já no domingo, fica um palpite mais específico: na vingança de Adrian Peterson, quem deverá fazer o seu nome em rede nacional será a linha defensiva dos Vikings. A campanha final será de entre 10 e 11 vitórias, com os jogos das semanas 5 e 16, em Chicago e Green Bay, responsáveis por decidir se esse time vai recuperar o título da NFC North ou se contentar com um wild card.

Jared Goff não pode ser pior do que Case Keenum, certo?

Em meio ao crescimento de Dak Prescott, as oscilações normais para um novato que Carson Wentz vem sofrendo até aqui, ao menos um dos QBs selecionados no último draft tem tido uma temporada tranquila: Jared Goff.

E enquanto o Rams caminha para sua já tradicional campanha 8-8, Goff não cometeu os mesmos erros tão comuns a rookies que Prescott cometeu ou oscilou como Wentz oscilou após um início quase irretocável. O único “porém” para Jared é que, até a semana 10, ele não participou de um mísero snap: o Los Angeles Rams trocou duas escolhas de primeira rodada, outras duas picks de segundo round e mais duas escolhas de terceira rodada para conseguir Goff e, por longas semanas, ele se restringiu a esquentar o banco.

Após Sam Bradford não ter se tornado o messias que salvaria a franquia e Nick Foles ter se revelado um presente de grego, Jared Goff deveria ser a solução dos problemas para o Rams.

Parecia que a franquia que não vai aos playoffs desde 2004 estava pronta para um recomeço, para apostar seu futuro em um jovem talentoso, certo? Parecia, mas na verdade ele permaneceu sentado enquanto Case Keenum levava a equipe às piores médias da NFL em todos os quesitos ofensivos.

Ninguém entendeu essa merd*.

Ninguém entendeu essa merd*.

E ressalte-se que nunca louvamos Jeff Fisher como um guru ofensivo, muito pelo contrário. Mas mesmo assim os números atuais soam ofensivos até para alguém com tamanha atração pela mediocridade como Fisher.

Na contramão da liga

Hoje o Dallas Cowboys é a melhor equipe da NFL com Dak Prescott comandando as ações. Carson Wentz tem momentos de instabilidade, mas em geral tem jogado razoavelmente bem e conseguido manter o Eagles na disputa por uma vaga na pós-temporada em umas das divisões mais disputadas da liga.

Se formos além, teremos ainda outros bons exemplos: Jacoby Brissett suportou a pressão e conseguiu levar o Patriots à vitória quando exigido e, se ampliarmos o leque até o pior time da NFL, veremos que tanto Cody Kessler como Kevin Hogan tiveram a mesma eficiência que Josh McCown teve com o Cleveland Browns (infelizmente isso quer dizer nenhuma).

Considerando todo este cenário podemos afirmar, sem medo, que todos os atletas acima citados são melhores que Case Keenum – enquanto, aparentemente, ao menos para o Rams, Jared Goff não era.

As razões para a ausência de Goff soam inexplicáveis. O Los Angeles Rams conta com um bom sistema defensivo e, em uma temporada marcada pela igualdade, jogando em uma divisão com um Seattle Seahawks claramente um passo a frente, um San Francisco 49ers que sofreria no primeiro quarto contra algumas equipes do college football e um Arizona Cardinals que pouco lembra a equipe dos últimos dois anos, com um ataque minimamente decente Los Angeles poderia brigar por uma vaga nos playoffs; mas com Keenum este ataque esteve longe, muito longe, de poder ser considerado minimamente decente: foram apenas 139 pontos em 10 semanas, pior marca da liga.

#exausta

#exausta

Talvez Fisher tenha pensado que manter Goff esperando era o melhor para seu desenvolvimento a longo prazo? É uma tese até certo ponto coerente, mas podemos discordar, apesar de muitos especialistas afirmarem que expor Goff nesta situação poderia ser extremamente prejudicial porque erros poderiam abalá-lo, além de, por estar em um sistema ofensivo caótico, seria necessário adquirir hábitos que posteriormente seriam difíceis de serem corrigidos.

Tudo isso, porém, cai por terra quando assumimos que evolução só é possível através da experiência. E se o Rams viu algum talento em Jared durante a faculdade, eles desperdiçaram algumas semanas em que ele poderia estar em campo descobrindo como adequá-lo, como aperfeiçoar suas virtudes e, sobretudo, quais características precisaria deixar para trás na NFL.

Por outro lado, se a preocupação era preservá-lo psicologicamente, tentemos olhar tudo a partir da perspectiva de Jared. O Rams poderia ter selecionado Carson Wentz. O Rams poderia ter mantido suas escolhas de primeira e segunda rodadas e selecionado Dak Prescott, ao que tudo indica o quarterback mais “pronto” desta classe, no terceiro ou quarto round. O Rams poderia ainda ter decido continuar com Keenum, assumindo mais um ano medíocre e preparando o terreno para o draft de 2017. Mas o Rams trocou meia dúzia de escolhas para selecionar Goff e, semana após semana, o preteriu em favor de Keenum.

Goff pode simplesmente ter passado dez semanas entendo aquilo como um simples “Case é melhor que Jared”. É um cenário aterrorizante: o que faz um quarterback ser pior do que Case Keenum? Ele saberia segurar uma bola? Ele poderia pisar em um estádio de football? (Considerando a ficha criminal de alguns jogadores, o que faria alguém ser proibido de entrar num estádio?)

"Sério mesmo que eu sou pior que esse cara?"

“Sério mesmo que eu sou pior que esse cara?”

Olhemos então um pouco mais para o passado: os últimos seis quarterbacks selecionados na primeira rodada que chegaram a novembro sem iniciar uma partida na NFL foram Johnny Manziel, Jake Locker, Tim Tebow, Josh Freeman, JaMarcus Russell e Brady Quinn. Tudo bem, não iremos supor que nenhum deles teve sucesso na NFL por não terem iniciado uma partida como profissional em seus primeiros meses na liga, sabemos que eles provavelmente estão desempregados hoje por simplesmente serem ruins.

Mas a verdade é que first picks normalmente são diretamente colocados na linha de fogo, prova disso são os cinco últimos QBs escolhidos na primeira posição do draft antes de Goff: Jameis Winston (bônus para Marcus Mariota, segundo selecionado no mesmo ano), Andrew Luck (também com o bônus de Robert Griffin III), Cam Newton, o já citado Sam Bradford e Matthew Stafford. Todos iniciaram como titulares logo no primeiro ano.

Mas agora isso pouco importa, já que com mais da metade da temporada perdida, enfim Jeff Fisher anunciou que Jared Goff será titular na semana #11. Se Fisher precisou de dez semanas para assumir que este ano não resultará em nada além da já habitual mediocridade, ao menos restam seis partidas para observar Goff em situações reais de jogo.

(Não) há luz no fim do túnel

Durante a derrota para o Panthers, há algumas semanas, os torcedores (?) do Rams perderam a paciência e gritaram “Queremos Goff” (e, dizem, “Queremos Tebow” também ecoou no estádio). Muitos, aliás, deixaram o Memorial Coliseum antes mesmo do final da partida.

Provavelmente a grande questão para eles é a mesma que persegue aqueles que acompanham a NFL: Jared Goff não pode ser pior do que Case Keenun, certo? A realidade, porém, é que Goff não impressionou na pré-temporada. Na verdade ele foi… horrível. Foram apenas 22 passes completos em 49 tentativas, para 232 jardas, dois touchdowns e duas interceptações.

Aliás, na última partida da pré-temporada, contra o Vikings, Jared protagonizou momentos constrangedores, completando apenas seis passes em 16 tentados para 67 jardas. Neste lance, em formação shotgun, ele dropa o snap e cai com a cara no chão tentando recuperar a bola que, claro, acabou com o Vikings. Pouco tempo depois, uma obra prima difícil de descrever.

Em linhas gerais, o saldo final da participação de Jared na pré-temporada foi um quarterback que parecia distante das condições físicas ideias (e não nos referimos a preparo) para suportar um jogo tão intenso como o football profissional e completamente inseguro de suas capacidades.

O fundo do poço

Agora tudo está jogando contra Jared Goff – assim como, no Rams, jogou contra Sam Bradford. O Los Angeles Rams é um time construído para ganhar com sua defesa, enquanto o quarterback coloca a bola nas mãos de Todd Gurley.

Até aqui, não saiu como o planejado e, claro, Case Keenum não é o único culpado: a linha ofensiva é digna de risos e não há nenhum WR confiável. E enquanto o Rams insiste em dar a bola para Gurley, basta a defesa adversária congestionar a linha de scrimmage e desafiar QB e WRs a jogarem. E aqui entra a parcela de culpa de Keenum: ele não é tão inocente quanto Fisher quer que você pense.

E além deste cenário caótico, Goff encontrará ainda um técnico que historicamente não soube trabalhar com quarterbacks novatos (McNair é a famosa exceção que confirma a regra) e lutando por sua reputação após quatro temporadas colecionando derrotas.

Jared Goff, claro, pode não estar pronto, mas ainda paira sobre ele o benefício da dúvida – algo que Case Keenum já perdeu. Ele pode não melhorar o Rams imediatamente, mas é inconcebível não imaginá-lo como QB da franquia nas duas próximas temporadas pelo menos. É preciso honrar a aposta, é necessário cobrir o alto valor pago para subir no draft e selecioná-lo.

Na última offseason, o Rams se apaixonou por Goff quando foi a Berkeley vê-lo treinar em sua universidade. Choveu muito e mesmo assim Los Angeles aguardou mais um dia, já que Goff queria jogar, queria mostrar seu valor. Naquela offseason, o mau tempo não os assustou. Agora, se os Rams possui alguma real pretensão de em breve deixar a mediocridade, ele também não pode assustá-los.

O caminho até aqui, parte 2: já chegamos à metade da temporada

E já chegamos à metade da temporada. Passando rápido, não é? E nunca parece que dá tempo de acompanhar tudo o que está acontecendo, nem como a divisão do outro lado do país, da outra conferência do seu time, está jogando. Mas para isso existe o resumão do PickSix: tentamos recuperar tudo o que está acontecendo de principal nesse grande circo que é a NFL.

Previsões infalíveis

Até agora, podemos garantir que os times que disse anteriormente que não iam aos playoffs realmente não foram (não importando o fato de que eles não chegaram ainda). Por isso, as apostas seguem, com os times adicionados em negrito. E, novamente, melhores justificativas no resumo por divisões.

Times garantidos: Patriots, Broncos, Raiders (AFC); Vikings, Cowboys, Seahawks (NFC).

Times fora: Browns, Colts, Dolphins, Jaguars, Ravens (AFC); 49ers, Bears, Lions, Bucs, Rams (NFC).

AFC South

Confesso que Andrew Luck, às vezes, me dá medo. Ele teria capacidade de levar um time mediano (como os Chargers, Lions ou Redskins) muito longe, como seu jogo contra os Titans prova. Entretanto, a exemplo daquele seu amigo ruim de bola que às vezes acerta um lance maravilhoso, de Indianapolis você pode esperar que a natureza (no caso, o resto do time montado por Ryan Grigson) cuida. Parecido com eles, temos os Jaguars, outra grande decepção da temporada, inclusive culminando com a demissão do guru que ia levar Bortles à elite, Greg Olson (sorte do time que contratá-lo para o ano que vem).

A disputa pela divisão não é entre times muito menos medíocres que os dois primeiros. De um lado temos um Houston que carrega Brock Osweiler (“praticamente um rookie”, diz o head coach) com a quinta melhor defesa da liga e usando Lamar Miller até o seu limite (finalmente alguém!), contra Tennessee que está no top 10 de jardas de ataque e de defesa, tem um ataque corrido potente com o retorno de DeMarco Murray a boa fase, mas que conta com um treinador medíocre que pode acabar sendo o diferencial para deixar o time como a eterna “potência para o ano que vem”.

AFC North

Cleveland é o primeiro time a ser totalmente eliminado das chances de playoffs esse ano e fortíssimo candidato a acabar 0-16. Como ponto interessante, é de se observar que apesar da fase horrível, metade das partidas foram perdidas por menos de um touchdown e que a defesa é, de longe, o problema do time – já que o ataque de Terrelle Pryor e companhia parece estar no caminho correto para receber um QB que lhe dê forma. Junto com eles na metade de baixo vêm os Ravens, que apesar de sofrerem menos de 20 pontos por partida, não conseguem produzir o suficiente com um ataque composto por Mike Wallace e Terrance West, além de ir acumulando lesões – se ajustando muito mais ao que esperávamos antes da temporada (como a derrota para o Jets sem QB indica).

Ainda na briga, temos os Bengals que conseguiram empatar em Londres – dando exatamente aos ingleses o que eles merecem: um time que não empolga nada e que no fundo torcemos para que finalmente fiquem fora dos playoffs um ano, para que quem sabe assim mudar algo para sair da rotina dos últimos anos. E por fim, como líder por exclusão, vem Pittsburgh, que sente falta de Big Ben e cuja defesa não consegue sustentar e vencer jogos com Landry Jones – sob o risco ainda pior de Roethlisberger querer acelerar a sua volta, piorar a lesão e enfiar toda a temporada no lixo.

FILE - This is a 2015 file photo showing Terrelle Pryor of the Cleveland Browns NFL football team. Terrelle Pryor may be down to his last chance to make Cleveland's roster. The former Raiders quarterback trying to switch to wide receiver and prolong his NFL career is expected to finally take the field in an exhibition game on Thursday night, Sept. 3, 2015, when the Browns visit the Chicago Bears. (AP Photo/File)

Por trás desse sorriso há um coração sofrendo.

AFC East

Rei dos power rankings, lorde das trevas, grande pedra no sapato do comissário, melhor time da NFL. Essa é a divisão do nosso querido New England Patriots, que dispensa mais comentários; pior, se Jamie Collins (provavelmente um dos 10 melhores linebackers da NFL) foi trocado por Bill Belichik para os Browns, por mais bizarro que isso seja, sabemos que as chances de descobrirem drogas em seu carro, ou que ele é um espião russo ou ainda um eleitor de Donald Trump, são maiores do que cogitar que os Patriots saiam perdendo nesse rolê.

Os outros três times não merecem muita menção. Os Dolphins vêm de uma bye depois de duas vitórias consecutivas e grande partidas de Jay Ajayi – nas quais não convenceram nada além de sua eterna razoável mediocridade. Buffalo, por outro lado, se prova absurdamente dependentes de McCoy, ainda que isso possa indicar que o time brigará por uma vaga de wildcard se o running back se mantiver saudável. Por último, o Jets é o time em que mais confio dessas três porcarias: o ataque pode voltar à velha forma e a sequência de jogos é benéfica. Olho nesses verdinhos.

AFC West

Depois dos Patriots, vem a divisão oeste. É basicamente a isso que se resume o bom da AFC: basta observar e, em uma suposta classificação de toda a conferência americana, as posições 2-4 seriam ocupadas por essa divisão. E por mais que me doa admitir, se tivesse Joey Bosa desde o começo, é provável que os Chargers fossem os quintos – o que é uma pena, especialmente para Philip Rivers. Na parte de cima, inclusive, outro QB se destaca: Derek Carr lidera o quinto melhor ataque da liga e sonha, graças a partidas como 513 jardas e 4 TDs contra os Bucs, com o título de MVP (tem 17 TDs totais para apenas 5 turnovers), especialmente porque compensa a segunda pior defesa (no caso, a pior defesa de jogadores profissionais).

Denver também, com sua defesa assustadora (26 sacks, 8,5 só por Von Miller) e Booker substituindo C.J. Anderson como se este nunca houvesse existido, é outro time que está praticamente garantido para brigar nos playoffs e se plantear como maior rival a New England (Trevor Siemian x Tom Brady? Queremos). Por último, o ignorado Kansas City Chiefs: calmamente, sem alardes, por pouco (14ª e 15ª posições) na parte de cima em número de jardas no ataque e na defesa, nem sequer sofreu riscos desde o massacre que lhes aplicou Pittsburgh e também deve levar Alex Smith a mais uma oportunidade de tentar algo nos playoffs. E perder logo na primeira rodada.

NFC North

Do ataque de Sam Bradford já sabíamos: tinha prazo de validade. Tanto foi que, após duas derrotas seguidas, Norv Turner, o coordenador ofensivo, decidiu que realmente não tinha solução e pediu o boné. Para piorar, a defesa tampouco está conseguindo manter o nível de outrora, especialmente contra Chicago e Jay Cutler – que deveriam ter servido de reabilitação, não criação de crise. Para piorar (para os Vikings, claro), Aaron Rodgers dá sinais de estar voltando ao normal (7 touchdowns nas últimas duas semanas) e de que por isso os Packers e sua defesa também top10 deverão brigar pelo título da divisão.

Azar, obviamente, de Lions e Bears. Os fãs dos ursos, especialmente, deveriam aproveitar e comemorar o título dos Cubs e esquecerem do football pelo menos por 2016: a vitória sobre os Vikings diz muito mais sobre tradição e problemas em Minnesota do que sobre uma reviravolta que esteja acontecendo em Chicago. Ao contrário deles, Detroit já até poderia ter um pouco mais de esperança: o segundo quarto de temporada tem feito bem a Matthew Stafford, a defesa de Teryl Austin cede muitas jardas, mas não tantos pontos e uma vitória (ainda que improvável) em Minneapolis poderia criar uma situação muito interessante na divisão norte.

12-13-2009---Chicago Bears host the Green Bay Packers---Bears quarterback Jay Cutler waits for a challange call regarding a possible Bears TD in the 2nd quarter--Sun-Times photo by Tom Cruze

“Te iludi? Porque eu já estou aceitando o fracasso.”

NFC South

O ataque de Atlanta é uma das coisas mais bonitas da NFL em 2016. Matt Ryan sonhando com o MVP (já percebeu como a lista de candidatos desse ano é meio merda? Ainda bem que Tom Brady vai acabar ganhando de novo), com seus coadjuvantes Julio Jones e a dupla de RBs chatos trabalhando bem para produzir mais de 420 jardas por jogo orquestrados por Kyle Shanahan, futuro head coach do seu time.

Porém seria uma pena se a defesa estivesse disposta a destruir tudo, como conseguiu contra os Chargers, por exemplo. Coincidentemente, o segundo melhor ataque é de Drew Brees, mas este é acompanhado de uma defesa ainda mais determinado em afundá-lo.

Na segunda metade, dois times sem grandes aspirações a não ser lutar por respeito. Jameis Winston conseguiu diminuir o número de interceptações nesse segundo quarto de temporada, mas junto com sua melhora, parece que a defesa dos Bucs piorou (que bela coleção de defesas tem a divisão sul da NFC!). E continuamos batendo na tecla de que quem tem Roberto Aguayo (7/12 chutes apenas)…

Enquanto isso, os Panthers seriam nossa escolha de time da parte de baixo da tabela para uma recuperação bonita e histórica, mas sonhar com playoffs com a schedule que vem por aí já parece ousado demais.

NFC East

Como acontece sempre, a costa leste (e Dallas?) da conferência gosta de criar boas histórias, especialmente porque os quatro times tem campanhas com mais vitórias que derrotas. Primeiramente, os Cowboys que têm a disputa mais interessante (já que sua posição como líderes da divisão parece que se manterá até o final): Dak Prescott, o rookie maravilha, contra o possível retorno do veterano Tony Romo – que, apostaria, nunca melhorará da lesão que lhe tirou de atividade.

Logo em seguida, temos outro rookie: Carson Wentz, que lidera os Eagles e flutua junto com o time, como corresponde a um novato, ainda assim se mantendo no páreo (e ganhando de times como o até então imbatível Minnesota Vikings).

New York é o Kansas City Chiefs da NFC. Silenciosamente, medianamente, ganhando os jogos que tem que ganhar, especialmente contando com seus (grandes) talentos individuais, está ali beliscando uma vaga nos playoffs, como a grande esperança de parar Bill Belichik no Super Bowl (LEMBRE-SE: você leu aqui primeiro). Por último, o time de Kirk Cousins – que, também como breaking news, certamente será um dos FAs mais disputados de 2017 e um dos mais novos ricos (de maneira discutivelmente merecida). Kirk, aliás, tem o terceiro melhor ataque da liga em número de jardas, mesmo que infelizmente não consiga as traduzir em pontos e vitórias, especialmente por causa dos turnovers.

NFC West

A divisão de Chandler Catanzaro e Steven Hauschka, o que já indica onde queremos chegar falando dela. Mas, para começar, vale lembrar que essa também é a divisão de San Francisco, que ao contrário dos Browns, não tem mostrado absolutamente nada de valor para se pensar em anos seguintes mais felizes que o atual, e de Jeff Fisher, que após um começo escandaloso, estabilizou e trouxe Los Angeles ao lugar que lhe corresponde enquanto ele for o treinador: a busca sagrada pelo 8-8 enquanto é liderado bravamente por um Case Keenum que sabe que Jared Goff tomará seu lugar (mais cedo que tarde, já que ele tem tido cada vez mais chances nos treinos).

A defesa dos Cardinals é a que menos cede jardas aos adversários, o ataque conta com o brilhante David Johnson, que será uma estrela em breve, mas o time tem uma campanha de 3-4-1 (o tal empate em 6-6 com Seattle, que poderia levá-los à uma briga séria por playoffs) e não parece que chegará a lugar nenhum. Assim, por eliminação, a defesa dos Seahawks e o sempre capaz, ainda que baleado, Russel Wilson deverão vencer a divisão por simples incompetência dos rivais – quer você goste ou não.

A dura realidade daqueles que não são facilmente iludidos

Começo a escrever no momento do segundo TD lançado pelo rookie Carson Wentz, em um jogo horroroso dos dois ataques (ou incrível das duas defesas, como você preferir), com trezentos turnovers para cada lado. Espero que, quando estiver chegando ao fim, possa comentar sobre uma virada incrível. Enfim, parece cada vez mais difícil, então falemos um pouco mais sobre de onde esse time saiu e perceberemos que a simples existência do 5-0 atual já é algo incrível.

Lembro bem quando conheci o Minnesota Vikings: aquela derrota deprimente para o New Orleans Saints – estaria torcendo contra qualquer time que jogassem contra eles, estava cansado de todo o hype em volta do time. Mas entre Brett Favre mito (mesmo que ele tenha lançado aquela interceptação na qual DEVERIA TER CORRIDO) e um nome legal (além de eu ser um tradicionalmente trouxa em escolher times para torcer) e mesmo após ter flertado com alguns times na intertemporada de 2010 (minha campanha no Madden no PC com o Detroit Lions foi espetacular), lá no fundo foi amor a segunda ou terceira vista.

Lembro também de ter acompanhado ansioso a visita de Jared Allen, Ryan Longwell e Steve Hutchinson a Favre em alguma fazenda no Mississippi (é fácil imaginar os três chegando a cavalo em uma daquelas plantations de filme) para convencê-lo a voltar – pior, torcendo muito que ele voltasse logo. Certo mesmo estava Allen que, recentemente, junto com sua também recente aposentadoria, aproveitou para contar que, na verdade, ele foi ao Mississippi para aconselhar Brett a não voltar a jogar – o que o quarterback infelizmente não seguiu, voltando para uma última temporada fracassada, que teve como seu ponto alto uma partida de terça-feira com Joe Webb. Contra o Eagles. O mesmo Eagles que estã chegando na redzone novamente e, bem, acho que hoje não vai dar.

De qualquer forma, o período pós-Favre trouxe, como a cartilha da NFL manda, novo head coach (Leslie Frazier) e novo quarterback (Christian Ponder). Foram três anos de, como manda a cartilha dos Vikings, novas decepções. Até houve uma época que tivemos um tal running back que foi MVP da liga, antes de voltarmos a Joe Webb nos playoffs (nunca esqueçamos) e perdermos. Foi a única vez que o time chegou nas fases finais da liga entre 2010 e a chegada de Mike Zimmer.

Mestre dos magos.

Mestre dos magos.

Um pouco sobre Mike Zimmer

Zimmer é uma das grandes histórias de injustiças que a NFL produziu. Se diz que, mesmo após ter produzido grandes defesas nos Cowboys, onde se tornou discípulo de Bill Parcells, sempre pedindo conselhos ao lendário treinador, e nos Bengals (além de uma grande entrevista no seu breve tempo de Falcons, em meio a polêmicas com Michael Vick preso e Bobby Petrino, o treinador chamado de “gutless motherfucker”, abandonando o barco), ele nunca recebeu uma oportunidade como head coach porque era sincero demais nas entrevistas – sua participação no Hard Knocks é um show à parte.

Até que Rick Spielman, o GM do time, resolveu dar uma chance e tentar mudar a cultura do time, que teve uma das piores defesas do ano de 2013 e, além disso, tinha problemas disciplinares a cada semana (ou pelo menos parecia assim) – aqui incluímos todo o drama de Adrian Peterson e seu filho que atrapalhou muito o time logo no começo de 2014. E funcionou.

A defesa de Zimmer

Anthony Barr, Harrison Smith, Linval Joseph, Everson Griffen, Xavier Rhodes e muitos mais que facilmente seriam titulares em qualquer equipe da NFL. Todos são grandes nomes por si só, já mais ou menos estabelecidos, e merecem crédito por serem simplesmente craques. Mas mais do que isso, seu denominador comum é: são frutos da espetacular parceria entre Mike Zimmer e Rick Spielman na sua aquisição.

Dos hoje ‘14’ titulares (considerando nickel e rotações na linha defensiva) dessa defesa, somente Andrew Sendejo, que chegou em uma época que Spielman ainda não era o chefe-mor do time, e Chad Greenway e Brian Robinson não foram trazidos por Spielman, seja via draft (com sua tática sagrada de buscar 10 escolhas por ano), via free agency (como as aquisições de Linval Joseph, um monstro no miolo da defesa, ou Terrence Newman, que parece melhor a cada ano que passa) ou ainda via renovações duvidosas a princípio, mas que se confirmaram indiscutíveis, como Everson Griffen.

E ao que Rick Spielman traz, cabe a Mike Zimmer produzir. E o treinador, que já tinha feito isso em Cincinnati, continua tirando o máximo dos seus jogadores, como Xavier Rhodes e Trae Waynes, a quem lhes botavam dúvidas sobre serem muito dados às pass interference nos tempos de universidade e hoje têm anulado WRs como Kelvin Benjamin e Odell Beckham, ou Anthony Barr, que tinha apenas dois anos de experiência como LB, mas joga desde sua chegada como um veterano, produzindo em todas as fases do seu jogo.

Ponte para o futuro

Depois de anos difíceis com Christian Ponder, a lógica também apontava que Minnesota precisava de um franchise quarterback legítimo. Lembro bem também desse dia, já que desisti do primeiro round do draft quando Johnny Manziel foi selecionado, acreditando que os Vikings acabariam sem um QB de alto nível naquele ano. Para então, na madrugada, na última escolha, Rick Spielman fazer de suas mágicas e acabar com Teddy Bridgewater, que durante toda a temporada de 2013 era apontado como o melhor QB da classe, antes de acabar perdendo posições por não aparecer bem nos combines e afins pré-draft.

Obviamente, quando ele parecia o homem a dar o passo seguinte, superando as deficiências de rookie e se cimentando como um QB de alto nível, e assim dar uma ajudinha a essa defesa incrível montada (que apesar da derrota contra Wentz e companhia, continua se mostrando imbatível se o ataque colaborar), sofreu uma lesão bizarra, sozinho, em um lance normal de treino, para o desespero de todos.

Até que Sam Bradford entrou em seu lugar. Já falamos demais sobre Sam Bradford e, na verdade, até este domingo, ele estava indo além das melhores expectativas. Infelizmente, nenhum turnover, mesmo com a sua proteção destruída, não era algo que se manteria – e com a atuação horrível na última semana, não acho que ele esteja merecendo muitas palavras mais da minha parte. Pelo menos, considerando que os Bears ajudarão o time a voltar ao normal (curaram até Aaron Rodgers!), Bradford é a melhor opção para comandar o ataque dos Vikings e rezamos para que ele consiga seguir saudável – mesmo com essa proteção horrenda.

Lançando umas bolas enquanto aguardo um raio-x preventivo.

Lançando umas bolas enquanto aguardo um raio-x preventivo.

O que ainda podemos esperar

Já temos confirmada a primeira derrota dos Vikings. Inclusive, já temos também confirmadas as entrevistas REVOLTADAS do treinador Zimmer sobre a atuação do time – uma bosta completa, em resumo, especialmente a linha ofensiva, que ele chamou de “soft” e disse estar cansado de desculpas. Isso, lembrando, em entrevista à imprensa. Imagine que delícia deve ter sido o clima no vestiário.

Pelo menos a atitude de Zimmer dá a segurança de que o time dará a volta por cima (ano passado, depois de cada jogo complicado parecia vir um jogo de assertividade, como estava acontecendo entre o primeiro e segundo tempo esse ano). Mais do que isso, é importante atentar-se de que o grande questionamento está sobre o ataque (e algo sob os special teams, que não podem dar os vacilos que deram) – a alma do time, a defesa, continuou jogando bem contra os Eagles e cedeu somente 13 pontos (seguindo com a melhor média da NFL), mesmo estando pressionada o tempo inteiro pelos erros constantes do ataque.

O que o histórico aponta? O que podemos esperar para os próximos 10 jogos? Vamos listar, para depois sermos cobrados:

  • A defesa de Mike Zimmer seguirá dominante e ganhará pelo menos mais 6-8 jogos para Minnesota;
  • Sam Bradford ainda irá, infelizmente, se machucar (porque certamente não será Jake Long a solução para nossa odiável linha ofensiva) – nem que seja por excesso de raios-x preventivos;
  • Blair Walsh errará muito mais chutes do que deveria;

E os Vikings chegarão, apesar de todos os pesares, com moral aos playoffs, apenas para acontecer algo bizarro e, novamente, morrer na praia. Ou pior, ao Super Bowl, para que a dor e sofrimento sejam maiores ainda. Porque é isso que acontece quando se tem esperança com esse time: algo sempre dá muito errado.

Podcast #1 – uma coleção de asneiras

Olá amigos do Pick Six! Um dia histórico: está no ar nosso primeiro podcast!

Nele falamos sobre nada (Jared Goff) e coisa nenhuma (Sam Bradford). Também distribuímos pitacos, discutimos racismo e prevemos tudo que irá ocorrer nesta temporada em nossa querida NFL (se você não gosta de spoilers e não quer saber quem leva o Super Bowl, não ouça).

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos amadores e estamos em processo de aprendizagem.

Prometemos que, se existir um próximo, será melhor.

Não há luz no fim no túnel (tampouco uma equipe confiável)

O quarto quarterback a iniciar a temporada em quatro anos, sexto a iniciar uma partida nesse mesmo período de tempo (o último a conseguir começar duas temporadas foi o grande Michael Vick em 2012-13): essa é a condição em que estreará Carson Wentz na principal liga de futebol americano, depois de apenas dois anos como titular na “segunda divisão” do football universitário, sob uma pressão que ele jamais teve na vida.

Pressão essa que vai muito além do valor investido em escolhas do draft para subir à segunda posição para levá-lo à Filadélfia. A torcida dos Eagles é conhecida por ser uma das mais impacientes dos Estados Unidos (e já estamos todos ansiosos por essa revolta constante quando o draft aterrissar na cidade ano que vem) – eles vaiam até o Papai Noel. E também há salários em jogo: só esse ano, o time vai pagar mais de 15 milhões de dólares a Chase Daniel e Sam Bradford para não jogarem; um absurdo, considerando-se que esses contratos foram feitos meses antes do draft e Doug Pederson e companhia poderiam ter se adiantado e economizado alguns trocado (e espaço no cap).

Sam Bradford, inclusive, cuja saída abriu as portas para Wentz atropelar Chase Daniel (que, inclusive, com certeza foi enganado com a oportunidade de tomar a posição assim que Bradford se machucasse). A proposta de troca do Minnesota Vikings, dando a oportunidade ao time de recuperar a escolha de primeira rodada investida na troca por Wentz, foi boa demais para ser recusada.

O sorriso de quem não sabe onde está se metendo.

O sorriso de quem não sabe onde está se metendo.

Desistindo da temporada

É valido lembrar já no começo do texto ao mais otimista dos torcedores que a temporada de 2016 será de muito aprendizado e surras para os Eagles. Por mais brilhante que seja o futuro de Carson Wentz, a velocidade do jogo na FCS (a já mencionada segunda divisão em que ele jogava) é muito reduzida em relação a da NFL – e abrir mão de Bradford, assim como voltou a dar esperança a Minnesota, levou o último QB suficientemente adaptado a liga de Philadelphia.

Além disso, Wentz perdeu treinamentos e oportunidades da pré-temporada (mais um motivo pelo qual Chase Daniel deve estar felizão com o comando da equipe) por conta de uma lesão nas costelas, além de disputas contratuais, e não há talento ou físico que possa superar isso, especialmente no caso de um jogador tão cru.

Mas pelo menos o rookie entra em uma condição boa, né?

Não. Na verdade, muito pelo contrário, a começar pela companhia no backfield. Ryan Mathews já realizou boas partidas na NFL, mas nunca conseguiu ser constante quando titular (sua média de 5.1 jardas por corrida veio sendo o RB2 atrás de DeMarco Murray), especialmente por ser mais sensível a lesões que o já citado Bradford (jogou as 16 partidas somente em 2013, em seus 6 anos de liga); a outra opção é Darren Sproles, que aos 33 anos parece eminente a sua decadência.

Falando em opções, Wentz também não terá grandes recebedores (talvez o mais seguro seja o próprio Sproles): o grupo foi apontado pela PFF como o pior da NFL e o único reforço trazido foi Dorial Green-Beckham (em uma troca por um OL sem nome), que fracassou nos Titans, outro time que tampouco é conhecido pelos seus WRs.

Suas melhores opções deverão ser Jordan Matthews, que apesar de suas quase 1000 jardas e 8 TDs atrapalhou muito a vida de Bradford com drops, Nelson Agholor, que teve apenas 23 recepções como novato, e Zach Ertz, que assinou um novo contrato com o valor de 42 milhões de dólares (5 anos) mesmo sem nunca ter recebido mais de 4 touchdowns em uma temporada (mas 853 jardas ano passado).

Por último, a proteção também vai mal das pernas. Os melhores jogadores da linha, os tackles, têm problemas: Jason Peters, left tackle, está sentindo o peso da idade e seu nível já vem caindo desde o ano passado, enquanto Lane Johnson, o homem da direita, está suspenso por 10 jogos pelo uso de esteroides e será substituído por um jogador que deveria ser guard ou por um rookie. Por dentro, Wentz ao menos receberá os snaps do confiável Jason Kelce e Brandon Brooks foi trazido de Houston para reforçar a linha – quem começará como left guard ainda é uma incógnita, pois Allen Barbre pode acabar como RT.

Ao menos temos Fletcher Cox

A situação do outro lado da bola é um pouco mais otimista, especialmente com a chegada de Jim Schwartz (medíocre como head coach, um grande coordenador defensivo). O DT Fletcher Cox (9.5 sacks em 2015) assinou em junho um merecido novo contrato com 63 milhões garantidos e deverá trazer terror por dentro da linha defensiva dos Eagles, que volta a jogar na formação 4-3. No pass rush, ele terá a companhia de Brandon Graham, Connor Barwin (7 sacks ano passado) e Vinny Curry, que também recebeu um novo contrato e parece destinado a despontar nessa nova formação, mesmo após um 2015 decepcionante.

Atrás deles, Philadelphia sofreu reformas importantes no seu back seven. O LB Kiko Alonso e o CB Byron Maxwell foram enviados para o Miami Dolphins para que os times trocassem as escolhas de primeira rodada (manobra que depois permitiu a troca pela segunda escolha, Carson Wentz), mas não é como estejam prestes a fazer muita falta, especialmente o segundo.

O dono da bola.

O dono da bola.

Alonso será substituído por Nigel Bradham, também vindo do Buffalo Bills, mas tendo uma passagem bem menos impressionante por ali. Ele será acompanhado de Jordan Hicks, voltando de uma lesão no peitoral que interrompeu um bom início que teve como novato, e Mychal Kendricks, que protege bem contra a corrida e… só.

A secundária estará bem servida dos safeties Malcolm Jenkins e Rodney McLeod, vindo dos Rams por 37 milhões de dólares. Além disso, Leodis McKelvin e Ron Brooks deverão ser substitutos mais do que suficientes à mediocridade de Byron Maxwell, jogando do lado oposto a Nolan Carroll – mesmo que isso não signifique que qualquer um desses CBs será grande coisa.

Palpite: A defesa pode até tentar nos enganar e gerar um pouco de otimismo com bons jogadores, mas a situação do ataque é de reforma total e não ilude: esse é o pior time da NFC East. De qualquer forma, com a troca de Bradford o próprio time admite estar mais interessado em seguir trabalhando e construindo uma nova equipe ao redor de Wentz nos próximos anos – a disputa pela primeira escolha de 2017 será intensa. Seria uma pena se ela já tivesse sido trocada para os Browns.