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Análise tática #9 – Saints e 49ers convidam: vem correr com a gente!

San Francisco 49ers e New Orleans Saints têm duas das três piores defesas da NFL. Enquanto o Saints é o número 30 da liga em pontos (29,8) e jardas (408,5) cedidas por jogo, o 49ers é o pior, cedendo 32,5 pontos e 428 jardas por jogo. Os dois só não ocupam as duas últimas posições nas estatísticas de defesa porque o Cleveland Browns “existe” e ocupa a posição 31.

Com números tão horrorosos, quando os dois times se enfrentam existe apenas uma certeza: muitos pontos serão anotados e big plays acontecerão. Nesse tipo de confronto, é natural pensar que, como não há grande resistência defensiva, o melhor ataque deve vencer o jogo. E foi isso que aconteceu: o New Orleans Saints anotou cinco TDs e venceu por 41×23.

Os sete TDs anotados nesse confronto épico já comprovam que os números totais das defesas são ruins. Mas quando analisamos as estatísticas específicas de defesa contra o passe e contra o jogo corrido conseguimos explicar por que dois TDs longos aconteceram. A defesa do Saints é a pior da liga defendendo o passe e cede 300 jardas por jogo aos QBs adversários. Enquanto isso, o 49ers é absolutamente incapaz de parar o jogo corrido adversário e cede 193 jardas por jogo, quase 50 jardas a mais que a segunda pior defesa contra RBs (Browns). Não é à toa que os RBs DuJuan Harris e Mark Ingram anotaram TDs de 47 e 75 jardas. Confira como aconteceu:

DuJuan Harris 47 yds TD:

Posicionado ao lado do QB Colin Kaepernick, o RB DuJuan Harris tem rota lateral, em direção a parte de baixo da tela. Na linha ofensiva, o San Francisco 49ers colocou dois TEs do lado direito da linha, que têm a função de bloquear na secundária do Saints.

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Kaepernick identificou rapidamente a blitz do defensor do Saints e fez um passe rápido para Harris, que nesse momento contava com os dois TEs bloqueando e enfrentava quatro defensores.

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Os TEs fizeram bons bloqueios, mas mesmo assim Harris ainda teria que bater dois defensores que tinham boa vantagem.

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Porém, a defesa do Saints, especialmente o Safety, é tão ruim que, mesmo com 20 jardas de vantagem, não conseguiu evitar o longo TD.

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Mark Ingram 75 yds TD:

Na jogada mais espetacular da partida, o RB Mark Ingram anotou um TD de 75 jardas. A linha ofensiva do Saints tinha confrontos individuais pelo lado direito e ainda contou com o deslocamento do Left Guard, que congestionou ainda mais o lado para onde Ingram correria.

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Os bloqueadores, em maioria numérica, não tiveram dificuldade em abrir um corredor para o RB.

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Depois foi só bater o Safety e anotar o longo TD.

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Torcemos para um milagre de Brees, mas no fundo só esperamos varrer o Falcons

Em três das últimas quatro temporadas, o New Orleans Saints terminou com recorde negativo: um não tão honroso 7-9. O mais estranho é que para New Orleans alcançar uma campanha positiva, a receita parece simples: melhore a defesa e possivelmente você irá aos playoffs.

Por que a receita é simples? Bem, Drew Brees segue sendo Drew Brees! Novamente, ele liderou a liga em jardas lançadas, com um rating de 101. Drew lançou ainda 32 touchdowns e apenas 11 interceptações, com mais de 68% dos passes completos. Porém os números indicam que, apesar do esforço de Brees, o Saints não consegue deixar a mediocridade. E nas três temporadas citadas, é possível culpar a defesa: em todas elas, eles sempre estiveram entre as últimas posições da NFL em rankings defensivos.

Podemos dizer que o New Orleans Saints conhece seu principal problema. Para eles, porém, resolvê-lo tende a ser mais difícil do que parece.

O começo do fim

Se um ataque comandado por Drew Brees sempre merecerá atenção, o único elogio possível para o sistema defensivo de New Orleans é a consistência: são seguidos anos entre os piores da NFL. Em 2015, aliás, a média de pontos sofridos foi superior a 29 pontos por jogo. E graças as limitações no salary cap, para o setor New Orleans buscou apenas um jogador notável: o DT Nick Fairley, que estava no Rams.

Outro reforço será o também DT Sheldon Rankins, originário de Louisville e 12º selecionado no último draft. Mesmo que possa ainda não estar pronto para a NFL, Rankins contribuirá imediatamente, já que poderá exercer alguma pressão no quarterback adversário. E, claro, ele terá o benefício de ter alguém como o DE Cameron Jordan ao seu lado, o que tende acelerar seu desenvolvimento. O fato é que a evolução de todo o sistema passa diretamente pela evolução de Sheldon.

De Jordan se espera que ele seja o motor desta defesa. Em 2015, porém, assim como todo o sistema, ele sucumbiu, mas não se nega seu talento. Agora com um companheiro consistente sua produtividade tende a crescer.

Já da free agency viram dois LBs: Nate Stupar (ex-Falcons) e Craig Robertson (ex-Browns). Nada que possa animar torcedores mais atentos. Aliás, o corpo de LBs causa calafrios: a situação é tão ruim que James Laurinaitis, ex-Rams, é tido como salvador. O Saints é praticamente um deserto de talento na posição que até a chegada de um jogador como Laurinaitis é comemorada.

Na secundária permanecem Delvin Breaux e Kenny Vaccaro que agora, ao menos, não serão atrapalhados por Brandon Browner, que rumou para o Seahawks. Qualquer pessoa com dois neurônios sabe que o simples fato de não contar mais com um jogador como Browner é o maior reforço que uma secundária pode ter.

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“Alguém quer colaborar comigo nessa porra?”

Oremos por Drew Brees

É difícil imaginar o Saints sem Drew Brees. Ele é o rosto da franquia e o melhor jogador de sua história. Mas em breve será preciso considerar que, bem, ele está com quase 40 anos e talvez seja a hora de dizer adeus. Não será fácil e, de qualquer forma, podemos garantir que não será nesta temporada – e nem na próxima.

Como afirmamos, Brees teve bons números em 2015. Mesmo assim, foram suas piores médias desde… 2010. Foi seu menor número de touchdowns desde 2007. E, pela primeira vez desde 2009, ele perdeu uma partida (sim, uma partida).

Mas estamos falando de Drew Brees e suas piores médias são melhores que as de 90% dos QBs da NFL: com 32 passes para TDs, ele ocupou o sétimo lugar na liga. Suas 4870 jardas lideraram a NFL e, bem, se ele não tivesse perdido um jogo (repito: um jogo em seis anos), com certeza ultrapassaria as 5 mil jardas lançadas. Está claro que estamos longe do final da estrada.

O que pesa, porém, é que não há talento ao seu redor. Cooks é seu principal alvo e podemos argumentar que seus números em 2015 foram excelentes: 84 recepções, para 1138 jardas e nove touchdowns. Ok, mas até Willie Snead chegou perto das 1000 jardas, o que apenas evidencia que estamos diante de bons números, mas todos produtos diretos da qualidade de Brees, e não do talento de seus recebedores; em times minimamente decentes, tanto Snead como Cooks, não seriam as primeiras opções.

O TE Benjamin Watson rumou para Baltimore e para substituí-lo o Saints achou uma ótima ideia dar US$36 milhões e um contrato de cinco anos para Coby Fleener – e vale lembrar que Fleener já não funcionara com Andrew Luck. Estamos falando que Fleener não teve êxito com alguém como Andrew Luck, não com alguém como, Ryan Tannehill ou Nick Foles. Por que ele funcionará com Drew Brees? Bom, apesar da imprensa local ter elogiado o desempenho de Coby em alguns treinamentos, é difícil apostar em seu sucesso.

Um pouco de esperança, talvez, venha do jogo corrido. Mark Ingram finalmente teve uma temporada eficiente, com quase 800 jardas e média de 4,6 jardas por tentativa (ele ainda teve 50 recepções). Mas perdeu diversos jogos por lesão, o que sobrecarregou CJ Spiller – Spiller, aliás, justificou seu desempenho abaixo das expectativas alegando enfrentar diversas pequenas lesões. Não duvidamos, mas Spiller lida com lesões a carreira inteira, o que o torna pouco confiável.

Já a linha ofensiva apresenta um pouco de solidez. O OT Terron Armstead é extremamente eficiente e joga ao lado de Zach Strief, um dos melhores atletas da posição; em alguns aspectos, o C Max Unger teve os melhores números de sua carreira desde 2009 e o também OT Andrus Peat tem tudo para evoluir em sua segunda temporada.

Mas a verdade é que para o Saints chegar a algum lugar novamente, Drew Brees terá que carregá-los. Ele é capaz de inflar números de receptores medianos e, no meio do caminho, até mesmo fabricar algum TE (beijos, Jimmy Graham), mas sem uma defesa com uma produção minimamente aceitável, não há como Brees vencer sozinho.

A maior conquista da temporada de Brees.

A maior conquista da temporada de Brees. (isso mesmo, dois peixes com uma isca. Incrível!)

Palpite: uma quarta temporada negativa, com um novo 7-9. A defesa irá implodir e mesmo assim Brees lançará poucas interceptações e fará mais do que 35 TDs. Mas novamente todos irão discutir que se está gastando muito com Drew e que seria melhor investir na reconstrução da equipe. Papo entediante. Graças ao QB, Cooks fará 15 TDs e no ano seguinte algum imbecil oferecerá muito por ele – afinal, para existir um mau negócio, tudo que precisa existir é um idiota. E sabemos que a NFL está cheia deles.