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Seja o que Deus quiser

Todos já passamos por isso: aquela prova complicada chegando, você não sabe nada, tampouco começou a estudar. Os dias se passam e, para não se desesperar, você simplesmente desiste: “na hora dou um jeito. Ninguém nunca tira 0, não vai acontecer comigo né?”. O resultado chega e, bem, digamos que agora você se planejará melhor para a prova (ou para o ano que vem, já que o semestre já era).

Essa estratégia, apesar de burra, é vista não apenas no seu mundinho particular. É algo que vemos no universo dos esportes o tempo todo, e o mais recente exemplo disso é o Miami Football Dolphins (sim, aquele). Não, não estamos comparando o Dolphins com um estudante incompetente. Estamos comparando com você. Se achou que a primeira frase estava errada, bem, aí é porque a carapuça serviu. Não podemos fazer nada.

Chegando aqui

Precisamos fazer um mea culpa. Se você leu o preview de Miami no ano passado sabe do que estamos falando. O panorama que traçamos apontava uma equipe em crescimento, e nem a ideia de Jay Cutler nos fez colocar a mão na consciência: “os Dolphins possuem boas chances de retornar aos playoffs.” Você já sabe que não rolou. Erramos feio, erramos rude.

Além de não chegar a pós-temporada, o time não jogou bem – por mais paradoxal que possa parecer. Não é só o record 6-10 que mostra isso. Nos rankings de DVOA (a única estatística possível), os Dolphins tiveram seu ataque ranqueado na 27a posição, e a defesa foi ainda pior, uma colocação abaixo.

Assim, em apenas um ano, a lua de mel com Adam Gase acabou. Se antes o técnico era apontado como uma das mentes mais promissoras da liga, agora sua situação é o inverso disso: caso sua equipe repita a temporada medíocre, é provável que Gase esteja sacando o FGTS em 2019.

O processo de (des)construção

Ainda em 2017 Miami trocou o RB Jay Ajayi para Philadelphia por quatro barrinhas de proteína. Na época, foi dito que a comissão técnica queria “punir” o jogador pela sua indisciplina. Provavelmente alguém viu os Patriots enviando Jamie Collins para os Browns e quis replicar o conceito, mas talvez esse alguém não tenha capturado a essência da questão.

A situação de Jarvis Landry, como era previsto, foi se arrastando até que o jogador recebeu a franchise tag apenas para ser trocado para Cleveland (ei! Talvez alguém tenha entendido) por não apenas outras quatro barrinhas, mas uma caixa delas.

Além deles, o Dolphins ainda cortou o DT Ndamukong Suh e o C Mike Pouncey. O primeiro de forma questionável, já que era o melhor jogador da equipe e um dos melhores defensores da liga. O segundo, apesar de ter sido um dos pilares da linha ofensiva no passado, sofria com lesões há algum tempo.

As reposições foram questionáveis. Para o lugar de Landry, chegaram Danny Amendola e Albert Wilson que, somados, totalizam 73% de um Wide Receiver. Robert Quinn, já bem longe do auge, e Josh Sitton, também velho mas ainda bom, chegaram em Miami.

Junta tudo e vê no que dá

No draft, Miami buscou o S Minkah Fitzpatrick, que pode vir a formar uma dupla interessante com Reshad Jones, talvez o melhor jogador da equipe hoje. Além dele, foi escolhido o TE Mike Gesicki, com o objetivo de substituir Julius Thomas, que conseguiu enganar na NFL por três temporadas após se divorciar Peyton Manning.

Como você já sabe, não fingimos entender sobre o processo de recrutamento da NFL, então as escolhas mais baixas não costumam ser comentadas – mas, nesse caso, vale citar o RB Kalen Ballage. Alguns relatos davam conta que o time esperava muito do jogador, mas recentemente ele ganhou as manchetes por ser xingado por Ryan Tannehill após fazer alguma merda. Irrelevante? Talvez. Divertido? Com certeza.

Falando em Ryan Tannehill, vale mencionar a situação do QB. Após sofrer nova lesão no joelho, ele teve que assistir a inaptidão de Jay Cutler comandando seu ataque em 2017. Para esse ano, imaginava-se até que ele não seria opção, já que o Dolphins estava em posição de ir atrás de um substituto no draft. Não aconteceu, e como o roster tem apenas David Fales, Brock Osweiler e Bryce Petty (somados não dão 0,73% de um quarterback), Tannehill será o signal caller sem controvérsia.

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O ataque comandado por Ryan terá uma linha interessante. Laremy Tunsil, Josh Sitton e Daniel Killgore não estão entre os melhores de suas posições, mas o primeiro um dia pode chegar lá, o segundo já esteve lá e o terceiro flutua na linha da mediocridade – o que, para um OL, é melhor do que muito do que vemos pela liga. O lado direito ainda é incerto, já que Ja’Wuan James tem oscilado e o segundo-anista Isaac Asiata não conseguiu se firmar.

Dentre os WRs, preocupa a falta de um grande nome. Kenny Stills e DeVante Parker não conseguem nada acima da média, sendo que esse último não consegue desenvolver o seu jogo, mesmo entrando no quarto ano na NFL. Albert Wilson e Danny Amendola não são o complemento necessário, apenas mais do mesmo.

O corpo de Running Backs conta com o promissor Kenyan Drake, que já mostrou flashes quando ganhou a titularidade ano passado. Além dele, temos o calouro já citado Ballage e os restos do que um dia acredita-se ter sido Frank Gore.

A defesa ainda depende de Cameron Wake gerando pressão na linha defensiva, já que Charles Harris ainda precisa se provar e não esperamos muita coisa de Robert Quinn. Sem Suh, a DL não tem nenhum nome de impacto, apenas veteranos de calibre médio para baixo. Vale mencionar a adição de William Hayes, faamoso por não acreditar em dinossauros, mas acreditar em sereias.

O miolo do sistema defensivo não conta mais com Lawrence Timmons se arrastando em campo, mas mesmo assim Kiko Alonso ainda precisa se provar em Miami. Se eles jogarem tudo que já foi dito sobre eles, pode ser uma dupla interessante, entretanto esse cenário é pouco provável.

Por fim, a secundária conta com uma dupla de Safeties interessante e alguns CBs de potencial, como Xavien Howard e Cordrea Tankersley. Se eles continuarem a trajetória de crescimento, talvez esse seja o ponto mais forte não apenas da defesa, mas de toda a equipe – o que, bem, diz muito sobre aquilo que o futuro reserva.

Palpite:

Miami montou um time de forma esquisita. As movimentações na offseason, principalmente o mercado, não apontaram para nenhuma estratégia bem definida na construção da equipe. Porém, o Dolphins ainda tem bons jogadores e conta com a sorte de jogar em uma das piores divisões da NFL. Sendo razoável, é possível crer que cenário não seja tão catastrófico como alguns apontam (1st pick), e um record 6-10 ou até mesmo 8-8 não seria surpresa.

No meio do caminho tinha uma pedra

Durante boa parte do século o Miami Dolphins foi um dos principais representantes da palavra mediocridade na NFL. Após chegar aos playoffs em 2000 e 2001 a equipe ficou seis temporadas longe da pós-temporada, voltando para lá só em 2008. Depois disso foram mais sete longas temporadas sem jogar em janeiro, passando por anos sombrios de Joe Philbin como Head Coach.

2016 começou como um ano normal para o torcedor dos Dolphins. O ínicio de temporada 1-4, e o iminente duelo contra os Steelers praticamente sepultaram qualquer sonho do time de ser pelo menos razoável. Mas, naquele jogo, a realidade começou a mudar em Miami. Jay Ajayi correu para mais de 200 jardas – naquela que seria a primeira de três vezes que isso aconteceria no ano – e os torcedores puderam comemorar a primeira vitória sobre um time de verdade (claro, o Cleveland Browns não conta) na temporada.

Nas 5 rodadas subsequentes, as boas atuações da equipe – e de Ajayi – continuaram vindo, e os Dolphins se viram de volta na briga pelos playoffs. Nem a derrota contra os Ravens desanimou os ânimos de um time embalado, que voltaria a vencer logo na semana seguinte, contra os Cardinals.

Nesse jogo, porém, a sorte foi embora. Apesar da vitória, Miami viu seu QB sair de campo com uma lesão grave. Ryan Tannehill havia parcialmente rompido o ligamento cruzado anterior, e não jogaria mais naquele ano. Tal fato não impediu a classificação para a pós-temporada, já que o backup Matt Moore foi capaz de derrotar os poderosíssimos Jets e Bills. Se vencer um jogo de playoff em Pittsburgh com Tannehill já seria difícil, sem ele se mostrou uma missão impossível. Moore fez o que pode, mas o time foi facilmente derrotado: 30-12.

Apesar da eliminação em janeiro, os Dolphins chegaram em 2017 de cabeça erguida. No primeiro ano de Adam Gase a equipe finalmente mostrou estar em um caminho promissor, tanto por parte da comissão técnica quanto dos jogadores dentro de campo. O bom draft ajudou a alavancar as expectativas ainda mais, e Miami chegou ao seu Training Camp mais otimista do século cheio de confiança.

Porém, como dizem os torcedores de qualquer equipe, inclusive parem com isso, se não é sofrido, não é Dolphins. Logo no início dos treinos Ryan Tannehill voltou a sentir o mesmo joelho que havia lesionado anteriormente, e foi constatado que ele não jogaria a temporada. Poderíamos criticar o amadorismo da equipe diante da situação, já que a escolha de não realizar uma cirurgia no franchise QB foi bastante questionável, mas vamos deixar essa passar, afinal Miami nos deu uma grande alegria: o retorno de Jay Cutler. Contratado para salvar o ano, Jay voltou a NFL da mesma forma que saiu: nem aí.

“Cutler não sabia onde estava quando acordou no hotel”, foi a sua primeira manchete como QB dos Dolphins.

E é assim que os Dolphins chegam na temporada: se por um lado a expectativa é alta, por outro alguns problemas surgem no meio do caminho – e dessa vez eles não atendem pelo nome de Tom Brady e Bill Belichick.

Jay Cutler presents: o ataque dos Dolphins

Já citamos Jay Ajayi como uma das principais peças do ataque, e agora em seu segundo ano como titular, segundo ano saudável, e segundo ano no ataque de Adam Gase, ele tem tudo para jogar ainda mais bola. Além dele, Kenyan Drake, que teve bons momentos em 2016, retorna para ajudar no backfield.

Os recebedores também são os mesmos do ano passado: o excelente slot receiver Jarvis Landry; DeVante Parker, que (dizem) está preparado para ter um ano monstruoso depois de duas primeiras temporadas medianas; Kenny Stills, que agradou o suficiente para receber um contrato novo; e os segundo-anistas Leonte Carroo e Jakeem Grant, que esperam ter uma contribuição maior que na última temporada. O time ainda conta com a chegada do TE Julius Thomas, que teve seus melhores anos sob a batuta de Adam Gase, mas esteve de férias em Jacksonville nos últimos anos.

A linha ofensiva tem tudo para continuar progredindo, mesmo com a saída de Branden Albert. Laremy Tunsil agora jogará como Left Tackle; Mike Pouncey, se conseguir se manter saudável – um baita desafio para ele -, retorna como Center. O grupo ainda tem Ja’Wuan James, antiga escolha de primeira rodada, como Right Tackle; e o calouro Isaac Asiata podendo assumir a titularidade como Guard ao longo do ano. Como você já sabe, esse site preza por não encher linguiça citando nomes de jogadores que o fã-médio não conhece, logo não estranhe se a matemática da OL não fechou: não nos importamos.

E, claro, deixamos o melhor para o final. Jay Cutler. O homem que levou o editor desse site a passar uma madrugada destilando todo seu ódio contra ele – mesmo sendo um torcedor dos Packers. Cutler saiu da aposentadoria porque Adam Gase ligou desesperado procurando ajuda após a re-lesão de Tannehill.

Como eles já haviam trabalhado juntos em Chicago, Jay achou interessante a ideia de uma reunião. Se olharmos os stats, veremos que Cutler e Tannehill tiveram números parecidos no esquema de Gase. Podemos, assim, confiar que ele comandará o ataque sem maiores problemas.

Aqui a bruxa também come solta: a defesa dos Dolphins

Miami se reforçou na defesa durante a offseason. Os reforços eram necessários, mas a linha defensiva é tão boa que, pelo menos inicialmente, não terá nenhum novo titular. Cameron Wake e Ndamukong Suh continuarão fazendo o que fazem de melhor – embora em alguns estados isso não seja permitido.

Jordan Phillips e Andre Branch compõe o resto do grupo. Participarão da rotação Charlie Harris, escolha de primeira rodada, e William Hayes – que não poderíamos deixar de citar, afinal ele não acredita em dinossauros, mas acredita em sereias.

Suh e Cameron caçando QBs.jpg

O corpo de LBs estava fechado: Kiko Alonso, que foi muito bem, obrigado, no ano passado; Lawrence Timmons, recém-chegado de Pittsburgh; e Raekwon McMillan, escolha de segunda rodada. Infelizmente Raekwon também sofreu uma lesão e não jogará a temporada, então os Dolphins ainda estão por definir quem será o titular na sua posição. Não se assuste se um free agent for contratado, mas é bem provável que o titular acabe sendo alguém que você não conhece.

Na secundária Miami também já teve outra grande perda: o CB Tony Lippett, que não seria titular, mas provavelmente o reserva imediato de Byron Maxwell e Xavien Howard. Maxwell e Howard foram bem em 2016, e esse ano a expectativa em torno deles é alta. Reshad Jones, um dos melhores Safeties da NFL volta de lesão e jogará ao lado de Nate Allen, que substituirá Isa Abdul-Quddus, outro fora por de conta lesão.

Palpite: A corrida por Wild Card na AFC esse ano está complicada, mas, jogando em uma divisão em que apenas dois times podem vencer, os Dolphins tem boas chances de retornar aos playoffs. Resta saber se dessa vez eles terão forças para chegar mais longe esse ano – acreditamos que seja possível, mas o time não deve conseguir passar de Steelers ou Patriots quando enfrentar um deles.

Não acredite em Ryan Tannehill e Arian Foster; aproveite seu dia na praia!

Adoramos números e estatísticas. Na verdade, eles são um grande escudo para qualquer fã de esportes americanos. Mas, ao mesmo tempo em que podem embasar teses e ajudar a provar que estamos falando de grandes jogadores ou equipes, muitas vezes também podem esconder atletas abaixo da linha da mediocridade. Como este é um texto sobre o Miami Dolphins, está claro que estamos falando de Ryan Tannehill, não é?

A verdade é que mesmo superando as quatro mil jardas pelo segundo ano consecutivo, Ryan foi uma grande decepção na maior parte da última temporada; seu percentual de passes completos não chegou a 65%, isto aliado a uma média menor que 8 jardas por passe. Com estes números não surpreende constatar que o Dolphins terminou com média inferior a 20 pontos por partida.

A última chance de Tannehill

Por mais estranho que possa parecer, há alguns motivos para (tentar) acreditar que o destino do Dolphins em 2016-2017 será diferente e um deles é o head coach Adam Gase. Todos concordamos que Joe Philbin foi demitido com um ano de atraso – na verdade um ano e quatro jogos, já que Stephen Ross, proprietário da equipe, é tão teimoso quanto uma mula empacada. E, apesar do significativo apoio do elenco para manter Dan Campbell, Ross fez a escolha correta ao contratar Gase.

Um dos trunfos de Adam na NFL é obter o máximo de quarterbacks em diferentes estágios de sua carreira. Foi assim ao, digamos, “recuperar” Peyton Manning no Denver Broncos; ao potencializar bons momentos do também medíocre Jay Cutler ano passado quando ocupou o cargo de coordenador ofensivo em Chicago e, bem, vocês lembram de Tim Tebow no início de sua carreira, não é mesmo?

De todo modo, o currículo de Gase já elimina qualquer desculpa para, daqui em diante, Ryan Tannehill estar abaixo da mediocridade. Pesa ainda fato de que o QB tem a sua disposição um sólido corpo de recebedores: Jarvis Landry vem se consolidado como um dos melhores WRs da NFL (110 recepções para 1157 jardas e 4 touchdowns – além de um TD corrido – em 2015) e DeVante Parker, mesmo não tendo um primeiro ano de encher os olhos, demonstrou talento (quatro jogos com mais de 80 jardas nas últimas seis partidas da temporada; ao todo foram 26 recepções, para pouco menos de 500 jardas e 3 touchdowns).

Há, ainda, a chance de Jordan Cameron responder após um ano tenebroso – Gase, sobretudo, acredita que ele não foi utilizado corretamente na temporada que passou.

QBs medíocres também precisam de proteção

É evidente que questionamos o talento e não somos grandes fãs de Ryan Tannehill, mas qualquer QB precisa do mínimo de proteção para mostrar algo e, por muito tempo, a linha ofensiva do Dolphins simplesmente fedeu. Apenas para ficar com Tannehill: desde 2012, ele sofreu 184 sacks.

Agora a pressão está ali: Ryan sabe que se não mostrar alguma evolução em seu quinto ano na liga, provavelmente não haverá para ele uma sexta temporada. Mas para isso ele precisa de ajuda. A temporada que passou beirou o caos; quando o OT Ja’Wuan James e o C Mike Pouncey se lesionaram, simplesmente não havia profundidade no elenco para manter um nível sequer próximo ao proporcionado pelos titulares.

Com ambos saudáveis, espera-se que a história seja diferente. Some-se a eles as adições dos OTs Jermon Bushrod, que veio de Chicago, e do rookie Laremy Tunsil. Tunsil, aliás, tem uma das histórias mais curiosas do último draft. E é preciso parabenizar o Dolphins por escolhê-lo (e este é o Pick Six elogiando o Dolphins; definitivamente não temos nenhuma credibilidade).

Bem, Laremy era cotado para ser uma das primeiras escolhas da última seleção, mas no dia do draft, um vídeo do atleta inocentemente curtindo seu bong de maconha acabou viralizando nas redes sociais.

O OT caiu no colo de Miami e a verdade é que se trata de um atleta pronto para a NFL, com capacidade atlética e velocidade proporcionalmente assustadoras. É um protetor sólido contra o pass rush e deve resolver problemas históricos e constantes na OL de Miami, que pode ser construída ao seu redor: Ja’Wuan James e Mike Pouncey podem se focar no centro da defesa adversária e Branden Albert, se saudável, pode render como RT – Albert tem talento, mas perdeu 16 jogos nas últimas quatro temporadas.

De qualquer forma a empolgação com o novato é tanta que o G Billy Turner declarou que a equipe tem “potencial para ser a melhor linha ofensiva da NFL”. Calma, Turner: não feder e estar acima da 15ª colocação já será surpreendente e deixará os torcedores felizes.

Defender é para os fracos

É fácil prever que o sistema defensivo do Dolphins irá implodir, afinal, eles contrataram o defensive end Mario Williams. Será um fracasso: Mario está com 31 anos e há muito tempo não é o jogador que chegou a impressionar no Houston Texans. Na última temporada, com os Bills, ele mal conseguiu fingir algum interesse.

Para piorar, Williams estará ao lado de Cameron Wake, um DE de 34 primaveras que não possui sequer uma fibra muscular saudável em seu corpo, o que nos leva a crer que dificilmente voltará a ser o atleta que um dia foi. Cenário este que torna pouco provável que o Dolphins pressione o quarterback adversário.

Resta confiar em Ndamukong Suh. E para confiar em Suh é preciso olhar além de sua temporada passada dos Dolphins. O fato é que ele não teve um primeiro ano ruim na Flórida – porém também é verdade que, pelo que Miami paga por ele, qualquer coisa diferente de “incrível” seria criticada. Mas precisamos ser justos: nada funcionava e, além do seu trabalho, Ndamukong precisava compensar as deficiências de três ou quatro colegas de equipe.

SUUUUUH

Que crime cometerá Suh em campo nessa temporada?

Fedemos, não sabemos contratar e mesmo assim fazemos trocas estúpidas

O inexplicável paira sob o Dolphins e eles foram atrás de dois jogadores que certamente gostariam de apagar 2015-2016 de seus currículos. Em uma troca até agora difícil de compreender com o Eagles, Miami adquiriu o LB Kiko Alonso, que teve um ano terrível – embora seja preciso considerar que Alonso vinha de uma lesão no joelho que o fez perder toda a temporada em 2014. Não contentes com Alonso, os Dolphins ainda trouxeram o cornerback Byron Maxwell, possivelmente uma das maiores enganações que já pisou em um campo de football.

Vamos reconhecer que nos Eagles, pela primeira vez na carreira, Byron foi responsável por marcar o WR1 dos adversários. E falhou miseravelmente. Agora Maxwell deve ter o mesmo papel em Miami, que conta com uma das piores secundárias da NFL: no ano passado, a defesa contra o passe do Dolphins cedeu um percentual de conclusão superior a 65% e um passer rating de 97,4. Além disso, terminou na 28ª colocação em terceiras descidas (43,4% de conversão). Está longe de ser animador.

Só para completar os “bons” números, vamos a mais dois: Miami também ocupou a 28ª colocação em jardas corridas cedidas (126,2) por partida e a 21ª em jardas por jogada (5,6).

Você sentirá saudades de Lamar Miller

Acreditem: Lamar Miller será uma perda difícil de superar. Sem dúvida ele terá ótimos jogos em Houston e o torcedor do Dolphins sofrerá ao ver os touchdowns anotados por ele em alguma tarde quente de domingo.

Para Miami, restou Jay Ajayi, mas é provável que nem os pais de Ajayi confiem em seu talento como RB. Já do draft veio Kenyan Drake, que demonstrou potencial em Alabama, mas devido a sua fragilidade está longe de ser uma aposta confiável: no college football sofreu com diversas lesões, sobretudo no tornozelo.

Da free agency vem a maior (ou única) esperança e ela está em Arian Foster, que em 2010 liderou a NFL com 1616 jardas quando jogava em Houston – e por mais três vezes (2011, 2012 e 2014) Foster superou a marca das 1000 jardas. Mas as lesões o perseguem e aos 29 anos é pouco provável que um RB sem um tendão confiável recupere a velha forma: é uma lesão muitas vezes definitiva para atletas da posição, potencializada naqueles que beiram os 30 anos e terrível para quem perdeu praticamente metade das últimas três temporadas combinando diferentes lesões.

De qualquer forma, não podemos negar que Foster está no melhor lugar que poderia imaginar para recuperar seu prestígio: um time com um quarterback que nunca se mostrou efetivamente confiável e que precisará desesperadamente correr. É um caminho longo a ser percorrido e, no meio do percurso, Foster precisará convencer uma franquia que está saudável o suficiente para, aos poucos, se tornar protagonista. Spoiler: não vai acontecer.

Em um mundo perfeito ele teria auxílio de Jay Ajayi. Mas, como já foi dito, ninguém em sã consciência confiaria em Ajayi. Resta ao Dolphins confiar nos tendões de Arian Foster. Não é o melhor dos cenários, mas talvez fosse ainda pior se a franquia tivesse um QB horrível.

Palpite: Garoppolo é melhor que Tanehill e anotará 6 TDs contra Miami. Na semana 5, Foster desistirá da carreira, Suh será suspenso por tentar matar Mariota e Adam Gase lembrará de seus dias treinando Tebow. Na oitava semana tudo já estará perdido e o Dolphins estará em algum lugar entre o limbo, o nada e a última posição da divisão. O objetivo deve ser alcançar cinco vitórias, mas com três já será possível comemorar.