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Análise Tática #27: Semana 1, 2018 – Fitzmagic™

Finalmente a temporada da NFL voltou para que possamos malhar as franquias ruins e reclamar daquele jogo de primetime que foi agendado em março, quando todos os times eram bons, além de cornetas totalmente gratuitas e sem aspecto lógico contra QBs e times que odiamos (no caso todos).

A semana 1 nos proporcionou jogos com tempo-recorde, alguns com “(insira seu time aqui) é isso aí mesmo, errado é quem espera diferente” e até mesmo algumas surpresas, que inclusive será o assunto da primeira análise tática do novo ano desse esporte maravilhoso (às vezes nem tanto).

Ryan Joseph Fitzpatrick, ou Fitzmagic™ (quando joga bem), ou Fitztragic™ (quando vai mal), de acordo com a preferência do leitor, é conhecido, além de por ter estudado em Harvard (marque sua cartela), por ter uma série de eventos coincidentes envolvendo os times que jogou e os QBs que eram titulares na ocasião de sua contratação. O genial @DrawPlayDave categorizou tais coincidências em um fenômeno conhecido como o “O Ciclo de Ryan Fitzpatrick”.

Fonte: @DrawPlayDave (Twitter).

Os Buccaneers entraram no momento do Ciclo Fitzpatrick em que o titular (Jameis Winston) sai de cena e ele assume e joga bem. Tampa Bay foi a maior surpresa da primeira rodada, conseguindo o upset contra os Saints no Superdome.

Análise Estatística

As estatísticas de Fitzpatrick na partida são sensacionais. 21/28, 417 jardas, 4 TDs, 97.1 de rating. Ryan, além disso correu 12 tentativas para 36 jardas e 1 TD. Em termos de estatísticas avançadas, Fitzpatrick teve incríveis 17.75 ANY/A, bem como foi o QB da semana em DVOA pelo Football Outsiders. Uma atuação de gala em um tiroteio contra a defesa dos Saints, que se acreditava que havia melhorado e apresentou os mesmos problemas do início de 2017.

Análise do Tape

Temos conceitos interessantes a se observar nas cinco jogadas de pontuação ofensiva de Fitzpatrick, seu TD corrido e seus passes lançados para touchdown.

Q1 9:41 TB 7-7 NO. 1st & 10 em TB 42.

Tampa Bay alinha-se em singleback 1×2 com Fitzpatrick undercenter. Os Saints demonstram uma formação com um safety single-high um pouco offset na jogada (Marcus Williams, aquele do tackle errado nos playoffs) tentando disfarçar um possível recuo para cover 2.

Apenas três recebedores atacarão o fundo do campo, sendo DeSean Jackson o destino do passe. O X corre uma rota dig, o Z corre uma comeback, ambas de 10 jardas, enquanto Jackson, partindo do slot, corre o que parece ser uma option-route.

Option-routes, similarmente ao jogo corrido em zone blocking, possuem mesh points. Esse conceito tirado da Run N’ Shoot de Glen “Tiger” Ellison, permite que recebedores aproveitem o espaço vazio no campo com base na leitura de comportamento sobre um defensor específico. No caso da jogada, DeSean Jackson, o recebedor que ataca mais fundo no campo, lê o comportamento do Safety. Observemos na imagem a seguir esse exato momento.

Jackson observa que o S dá um passe para a direção da rota do recebedor X (Mike Evans, quebrando uma dig 10 jardas adiante da linha de scrimmage), tendo essa ajuda, Jackson quebra a rota em direção ao pylon. A proteção é boa o suficiente para que Ryan Fitzpatrick espere essa rota se desenvolver e conecte um passe para TD de 52 jardas. O desenvolvimento completo da jogada.

Q1 1:58 TB 14-10 NO. 1st & Goal em NO 3

O leitor mais veterano de NFL provavelmente não esquece que em 2012 a zone read em formação pistol tomou de assalto a liga (quem pegou, pegou). Essa filosofia de ataque foi como uma tomada espremida até a última gota, o que gerou respostas defensivas nas temporadas seguintes. Apesar disso, esse tipo de jogada não foi completamente descartado, e aparece exatamente no TD corrido de Fitzpatrick na partida.

A zone-read é uma jogada de option com uma leitura (!!!!) simples. O QB lê o movimento de um edge rusher e decide se entrega a bola para o RB ou corre ele mesmo. Se o defensor atacar o meio da linha, o QB corre por fora, se o defensor ficar na posição, o QB faz o handoff.

Nessa jogada específica, o defensor que será vítima da leitura é o EDGE #94 Cameron Jordan. Em situação de linha de gol, Jordan ataca a corrida de Peyton Barber, enquanto Fitzpatrick corre para a endzone. No desenvolvimento, Ryan ainda quebra um tackle na linha de gol para completar o TD.

Q2 4:42 TB 24-17 NO. 3rd & 6 em NO 9

O leitor que viu os últimos playoffs e o jogo de abertura da temporada assistiu o coirmão de ambos os times da NFC South morrer em jogadas de fade na endzone. Essa rota de baixa probabilidade de conversão depende de fatores com um passe preciso como uma linha na agulha pelo QB e que o recebedor consiga vencer o duelo físico contra a press coverage.

O leitor também deve estar pensando que uma jogada dos Bucs nessa situação provavelmente seria para um recebedor como Mike Evans, mas aqui é Chris Godwin quem recebe o TD em uma fade em direção ao pylon. Tampa está com um conceito mirrors com duas fades nas extremidades de campo, enquanto rotas no seam tendem a prender os linebackers e os safeties no miolo. Teoricamente, a jogada está armada para funcionar, resta a execução por meio de Fitzpatrick e Godwin.

Chris Godwin consegue vencer o bump-and-run e ganha a vantage física na jogada, resta a Ryan executar o famigerado backshoulder fade. Fazendo um nitpicking, o passe sai um pouco baixo, mas como Godwin teve a vantagem física na jogada, o recebedor não consegue defender, nem fazer a falta. Touchdown com requintes de crueldade que colocou os Saints em uma desvantagem de 14 pontos próximo ao intervalo.

Q3 2:58 TB 41-24 NO. 3rd & 6 em 50

Agora Fitzpatrick inaugura a sessão incendiária da análise, em que ele torna o dia muito difícil para o single-high Safety de New Orleans. Enfrentando formações com zona no fundo do campo, o QB deve manipular tais marcadores com os olhos, fazendo com que eles ataquem espaços errados, abrindo as janelas de passe.

Nessa jogada, os Saints mostram blitz e um Safety em profundidade, enquanto os Bucs irão atacar o fundo do campo novamente com três rotas longas. O RB terá funções de bloqueio para que as rotas tenham tempo de se desenvolver. O alvo da jogada é Mike Evans, no canto superior da imagem, marcado individualmente por Marshon Lattimore.

Experiente, Fitzpatrick tem a paciência suficiente de olhar para o X receiver no início da jogada, levando o Safety para aquele lado do campo. Evans vence o duelo individual e tem uma grande janela de recepção. Bomba no fundo do campo e touchdown. Acompanhe o desenvolvimento do lance.

 Q4 12:19 TB 48-24 NO. 1st & 10 em NO 36

No último drive em que Tampa Bay pontuou na partida, mais uma vez Fitzpatrick aproveitou-se da indecisão causada no Safety. Mesmo em um espaço mais curto em relação à jogada anterior e os Saints estarem mostrando um formato de dois Safeties em profundidade (afinal, a coisa estava feia), Tampa inunda o weakside e explora a rota mais profunda partindo do strongside.

Formação singleback com set de 1×2 em 11 personnel. DeSean Jackson é o alvo principal da jogada. Como falamos anteriormente, todas as demais rotas quebram para o lado esquerdo do campo, portanto é natural que a defesa reaja dessa forma. Por causa disso, Jackson fica mano-a-mano com o CB do seu lado do campo que estava em posicionamento de marcação em zona. A ajuda do Safety marcado em vermelho não existe e Jackson tem a vantagem do espaço ao ganhar o meio do campo.

  • Diego Vieira está bolando soluções para não deixar a análise tática monótona como um jogo de quinta à noite.

Semana #10: os melhores piores momentos

Em uma realidade desconexa em que o Los Angeles Rams e o Jacksonville Jaguars possuem times de respeito, e o New Orleans Saints tem uma defesa, já estamos na semana 10 e a única conclusão que chegamos é que não entendemos nada de futebol americano (e não cansamos de usar esse comentário batido pra introduzir aproximadamente 87% dos textos do site).

Então vamos logo ao que interessa.

1 – Fuck It, I’m Going Deep Fan Club 

Se você entende inglês, a imagem já é auto-explicativa. Se não entende, as imagens abaixo te mostrarão do que se trata o fã clube que mais cresce no Brasil.

1.1 – Ben Roethlisberger 

Como o jogo era contra os Colts, Big Ben deve ter pensado “dá nada pá nóis”. E então, na segunda jogada do jogo, ele viu que seria fácil, mas nem tanto.

1.2 – Blake Bortles 

Existem motivos para a nossa promoção da temporada ser essa. Este é um deles.

1.3 – Ryan Fitzpatrick versus Josh McCown

Deixemos as imagens falarem por si só.

2 – Chaz Green, ou “acredite em seus sonhos”

Tyron Smith é um dos melhores Left Tackles da liga, e com uma lesão na virilha, era de se esperar que o Dallas Cowboys sentiria falta dele.

Seu substituto, Chaz Green, provavelmente é um sócio-torcedor que venceu a promoção de poder entrar em campo pelo seu time do coração. Deu certo (para os Falcons).

 

Repare que o que Adrian Clayborn faz nas jogadas é basicamente a mesma coisa: correr na direção de Dak Prescott. Ainda descontentes com a situação, os Cowboys colocaram um substituto à altura: Byron Bell. Clayborn não precisou mudar sua estratégia para conseguir o sack, o sexto (!!!) dele no jogo.

3 – Decisões questionáveis

Tão questionáveis quanto aquelas que você toma na sua vida.

3.1 – John Fox

Imagine se você desafiasse uma jogada na esperança de conseguir um touchdown, mas acabasse recebendo um turnover em troca. Qual seria a sua reação? A de John Fox foi essa:

3.2 – Hue Jackson

O relógio, a distância, o tempo de jogo, a situação, tudo mostrava que a jogada certa a se fazer era qualquer uma, menos a que foi escolhida.

4 – Imagens que trazem PAZ

4.1 – Antonio Brown e a secundária dos Colts

Os defensores bateram cabeça. Aparentemente isso atrapalhou Antonio Brown, que deixou a bola passar entre suas mãos. Talvez tenha sido apenas um belo gesto de fair play. Nunca saberemos.

4.2 – Brock Osweiler

Temos certeza que ele enxerga como um QB de NFL deveria?

4.3 – Los Angeles Chargers of Carson by the way of San Diego, California 

Infelizmente não temos como colocar os últimos 4 minutos de tempo regulamentar daquele jogo por aqui. Mas você pode assistir sem medo. O jogo nos rendeu sequências como esta:

5 – Prêmio Dez Bryant da Semana

Nenhum jogador nos chamou atenção essa semana a ponto de ser digno de merecer o prêmio. Triste, porém verdade.

Você pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

Quem quer ter um quarterback?

É difícil dizer o que será mais difícil: a temporada dos Jets, ou escrever este texto, que deve conter pelo menos mil palavras. Se você leu algum dos outros previews (Colts, Chiefs, Rams, Seahawks, Dolphins – sim, estou citando-os para preencher espaço) deste autor, já percebeu que esse começou de uma forma diferente. Além de ser escrito na primeira pessoa do singular (um abraço para o editor, que pede o contrário), ele começa justamente falando de si mesmo, e não do time em questão. Essa escrita diferente é um reflexo da temporada do time verde de Nova York: diferente. Afinal, ninguém entra em uma temporada com o objetivo de perder.

Para começar, sempre que vou escrever um preview penso na visão que gostaria de passar: nos Colts, as mudanças; nos Chiefs, a probabilidade do plano não dar certo; nos Rams, o legado de Jeff Fisher; nos Seahawks, os problemas decorrentes da interceptação de Malcom Butler; nos Dolphins, o futuro promissor, mas com alguns obstáculos. No caso dos Jets, a ideia será a seguinte: por que o time está tão desesperado para conseguir seu franchise QB?

SAU-DA-DES.

A resposta é muito simples e pode ser encontrada na lista de QBs titulares do New York Jets. Não é preciso nem analisá-la com calma para perceber que os nomes mudam bastante. Existem alguns intervalos de quatro ou cinco anos em que alguém assume a posição, mas, como Mark Sanchez demonstra, isso não significa nada. Nenhum dos jogadores conseguiu estabelecer um legado em Nova York – a exceção sendo, claro, Joe Namath, que levou o time ao seu único Super Bowl.

Cavando o buraco

Para deixar ainda mais claro o que a ausência de um QB confiável pode fazer com uma franquia, vamos voltar para o ano de 2015, mais especificamente o final dele. Ryan Fitzpatrick teve uma temporada razoável, e os Jets quase chegaram aos playoffs com um time que era bom. Não chegaria muito longe (talvez até em função de seu quarterback), mas era bom.

Avancemos então para 2016. Após uma entediante disputa na offseason, Fitzpatrick teve o seu contrato renovado. O resultado nós já conhecemos: ele voltou a ser quem ele é – medíocre -, o time ao redor parou de produzir e o record final foi um dos piores da liga. Para piorar, nenhuma perspectiva interessante para o futuro na posição que Ryan ocupou apenas por dois anos.

Alguém pode argumentar que os Jets até tentaram se preparar para o amanhã, escolhendo Bryce Petty em 2015 e Christian Hackenberg em 2016. Isso é ser benevolente demais com a franquia, já que Petty foi escolhido na quarta rodada; e Hackenberg pareceu mais uma escolha de pânico do que qualquer outra coisa.

De saída.

Plano é o que os Chiefs estão fazendo com Patrick Mahomes; ou o que os Patriots tem feito já algum tempo: mesmo tendo Tom Brady, New England gastou picks de segunda (Jimmy Garoppolo) e terceira (Jacoby Brissett) rodadas em QBs nos últimos anos. Além de serem escolhas pensadas, são também jogadores que foram draftados com um plano para eles. Hackenberg e Petty, por sua vez, foram tiros no escuro, que os Jets esperavam que dessem certo – como se um franchise QB caísse do céu quando você precisasse de um.

Já estamos no buraco. Por que não tentar subir? (ou cavar mais)

Aparentemente essa falta de perspectiva na posição mais importante do jogo incomodou alguém em Nova York. Os tempos de confiar em Mark Sanchez para levar um elenco com potencial de Super Bowl para o Super Bowl acabaram. É preciso mudar. É preciso Sam Darnold – ou Josh Allen, ou Josh Rosen, ou alguém com coordenação motora acima da média.

Os Jets decidiram que a melhor forma de acabar com o problema, intrínseco à franquia, era escolhendo um QB na suposta recheada classe de 2018. Mas, para isso, o time deve primeiro vencer (ou derrotar) a si mesmo. Não dá mais para ter uma campanha medíocre (6-10; 7-9), que te coloca no ínicio, mas não no topo do draft.

Para evitar que a equipe vença mais jogos que o necessário, foi feita uma limpa no elenco. Veteranos não tiverem seus contratos renovados ou foram simplesmente dispensados. Aqui vai a lista de jogadores relevantes que não estão mais no elenco, por ordem de quando deixaram o time (sim, já disse que estou tentado preencher espaço):

QB Ryan Fitzpatrick; OT Breno Giacomini; K Nick Folk; C Nick Mangold; CB Darrelle Revis; WR Brandon Marshall; S Marcus Gilchrist; LB David Harris; WR Eric Decker.

Se em outros momentos alguns desses nomes foram pilares do elenco, hoje eles são veteranos com pouco combustível no tanque, capazes apenas de avacalhar o plano da franquia. Além das dispensas, a pouca movimentação contratando na free agency indica que Nova York não tem grandes planos para a temporada. A principal contratação foi feita justamente para alcançar o objetivo principal de obter a primeira escolha do draft: a contratação de Josh McCown. McCown era o QB de duas das três últimas franquias a conseguir a pick mais alta, e chega para ajudar aos Jets a alcançar o feito.

O time – se é que ele existe

A falta de talento é tamanha que nem vou dividir o elenco em subtópicos ataque e defesa, como tem sido feito no site. Além disso, não vale nem a pena esmiuçar cada grupo de cada lado da bola.

No ataque, Robbie Anderson deve ser o principal recebedor (eu só sei esse nome porque escuto podcasts em excesso sobre a NFL – isso não é saudável e não recomendo para ninguém) e Bilal Powell o principal corredor. Deixarei os nomes falarem por si só.

A única parte do time que não dá vontade de morrer.

Já na defesa, existem jogadores de alto-calibre. Principalmente na linha defensiva, que conta com o excelente Leonard Williams; e com Muhhamad Wilkerson e Sheldon Richardson, que já estão de saco cheio de jogar nos Jets. A secundária terá dois safeties calouros, Marcus Maye e Jamal Adams, que poderão jogar com tranquilidade em seu primeiro ano na liga, já que a pressão por vencer é mínima.

Palpite: Os Jets vão dar um jeito de estragar tudo. Eles não desmontaram a defesa o suficiente, e ela vai acabar dando quatro vitórias para o time. A oportunidade de escolher um QB em 2018 virá, mas talvez não seja o nome que a diretoria estava imaginando.

Nota: é importante ressaltar que a ciência do draft é inexata, ainda mais com um ano de antecedência. Exemplo: ano passado, antes da temporada começar, Brad Kaaya era apontado como melhor QB da classe. Hoje ele é o terceiro reserva dos Lions. Então é melhor ter calma ao apontar a próxima classe como “algo de outro mundo”. Além disso, mesmo que o plano de Nova York dê certo, o jogador que o time escolher pode ser um bust. Então será melhor fechar a franquia mesmo.

O melhor time da NFL em que nos recusamos a acreditar

O general manager Mike Maccagnan conseguiu o que muitos consideravam perdido: trouxe de volta o QB Ryan Fitzpatrick (3905 jardas, 31 TDs em 2015) e pelo preço que ele queria pagar, afinal, em um mundo em que Brock Osweiler ganhará 18 milhões por ano, 12 milhões para um quarterback que produziu uma campanha de 10 vitórias e dois WRs com mais de 1000 jardas é uma barganha – considerando que sua outra alternativa era Geno Smith, que aparentemente prefere ouvir sua banda favorita, Nickelback, a ser um jogador profissional.

Além de Geno Smith, com quem ninguém mais conta como futuro QB titular em um time sério da NFL (excluindo o GM dos Jets para usá-lo como forma de pressão em Fitzpatrick), New York também terá como quarterback o rookie Christian Hackenberg, vindo da eternamente polêmica universidade de Penn St.

geno-smith

“Curto Nickelback sim, você vai fazer o quê? Me dar um soco na cara?”

Hackenberg teve uma grande temporada no seu ano de calouro em conjunto com o hoje HC dos Texans Bill O’Brien, mas regrediu muito nos dois anos seguintes com a troca no comando do time e, de acordo com ele próprio, pelo baixo nível de seus colegas, especialmente da linha ofensiva (o que é confirmado pelo que se viu nos jogos) – mas esse foi um dos grandes motivos que lhe levaram de provável escolhido no top 10 para a 51ª posição do draft de 2016.

O grande nome do ataque não está em campo

A temporada de 2016 também marcará o segundo ano do head coach Todd Bowles após cinco anos do falastrão Rex Ryan. Junto com Bowles, que recebeu a oportunidade pelo seu grande trabalho como coordenador defensivo em Arizona, também voltará uma grande mente ofensiva: Chan Gailey, apontado como o verdadeiro responsável pelo surpreendente sucesso do ataque nova-iorquino em 2015. O OC é o desenhista das jogadas que potencializam a inteligência de Ryan Fitzpatrick (interessante: o QB é formado em matemática em Harvard e acertou 100% do Wonderlic Test) e minimizam os efeitos do seu fraco braço, sempre possibilitando que pelo menos um dos WRs tenha um bom matchup.

Wide receivers que também têm grande participação nesse 12 milhões ganhados por Fitzpatrick. Brandon Marshall e Eric Decker (que pediram publicamente o retorno do seu quarterback) somaram 189 recepções, 2529 jardas e incríveis 26 touchdowns na temporada de 2015, dominando cornerbacks, impondo seu tamanho (ambos têm mais de 1.90m) e mostrando ter um grande catch radius – ou seja, ainda que as bolas não chegassem de maneira ideal, tinham capacidade de adaptar-se e se atirar até elas.

Além dos dois gigantes como alvo fora, Fitzpatrick contará com nova companhia no backfield, um RB que já demonstrou capacidade para ser um bom corredor e um incrível alvo no jogo aéreo (102 recepções em 2014), outra barganha do GM Maccagnan: Matt Forte, que assinou por 12 milhões de dólares e 3 anos – apenas para comparação, Chris Ivory saiu dos Jets para os Jaguars por 32 milhões em 5 anos.

A linha ofensiva, por outro lado, é a grande incógnita desse ataque, apesar do estilo de jogo de Chan Gailey também diminuir seu impacto acelerando as jogadas (os Jets sofreram apenas 22 sacks na temporada de 2015). A grande esperança está na recuperação do joelho sempre baleado do LT Ryan Clady (mais uma barganha do chefão da equipe), que é um dos melhores da posição quando saudável (mas perdeu absurdos 30 jogos nas últimas três temporadas). O eterno C Nick Mangold e o LG James Carpenter devem garantir estabilidade interior e boas chances no jogo corrido, mas o lado direito da linha deve sofrer mudanças em relação a 2015 após testes e competições na pré-temporada.

Chan Gaile

Tiozinho simpático? Ele ainda fará Geno Smith estuprar sua defesa.

A tradição defensiva tem que continuar

Desde os tempos de Mark Sanchez é a defesa a principal responsável por levar os Jets a grandes resultados. Por mais que a campanha de 2015 tenha chamado muito a atenção pelo surpreendente ataque, a defesa foi quem sofreu menos de 20 pontos por partida e facilitou muito as coisas para o outro lado. Entretanto, ao contrário do ataque, ela terá mais perguntas a responder antes de repetir o belo desempenho do ano passado.

Um grande (!) buraco se abre com a saída do nose tackle Damon Harrison (160kg) para os roommates (stadiummates?) New York Giants, já que Steve McLendon (140kg) não parece ter nem o tamanho ou habilidade suficiente para substituí-lo. Para sua sorte, ao menos terá aos seus lados uma rotação constante de três escolhas de primeiro round nas posições de defensive end, que deverão aterrorizar todas as linhas ofensivas e quarterbacks que o time enfrente: Muhamad Wilkerson (12 sacks em 2015), Sheldon Richardson (jogando por um novo contrato após receber a franchise tag) e Leonard Williams (63 tackles e muito potencial demonstrado como rookie).

Jets D

Não vão matar seu QB, só vão machucá-lo bastante.

A outra grande dúvida na defesa está na secundária: quanto tempo mais Darrelle Revis será “a ilha” que lhe deu fama? Após dois anos e um Super Bowl conquistado fora dos Jets, Revis voltou dando sinais de que, apesar de ainda ser um bom cornerback, já não é mais impossível lançar contra ele. Para piorar as coisas, com a dispensa do “Mr Catra da NFL”, Antonio Cromartie, os Jets não parecem ter alguém para ajudar Revis, já que entre Buster Skrine, o desconhecido Marcus Williams e o bust Dee Milliner o time não parece capaz de encontrar um bom CB – nem que combinasse os três. Pelo menos os safeties Gilchrist e Pryor são bons o suficiente na cobertura para tentar compensar a mediocridade dos companheiros.

Como adição interessante, New York contará com o atlético linebacker de Ohio St Darron Lee, que ganhou notoriedade no processo pré-draft por ter jogado como nickel CB em algumas jogadas na universidade devido a sua grande velocidade (uma característica importante para cobrir TEs como Rob Gronkowski). Outro rookie que deve se importante já esse ano nessa defesa é Jordan Jenkins, que deverá chegar já colocando pressão nos QBs a partir dessa segunda linha da defesa e permitindo que Sheldon Richardson se mantenha na sua posição original, sem ser improvisado. O veterano David Harris também deve estar de volta para seguir cumprindo um bom trabalho contra o jogo corrido, apesar do seu declínio parecer iminente.

Palpite: Nem comecem com “Brady suspenso dará a oportunidade para os Jets ganharem a divisão esse ano”. Essa divisão é dos Patriots mais uma vez. Pior, um início em 0-6 ou 1-5 não seria a coisa mais surpreendente da liga. Com uma campanha de recuperação, os Jets deverão acabar o ano entre 7-9 e 9-7, mas não devem sonhar com playoffs. De qualquer forma, o time não é melhor nem que Jaguars, nem que Raiders – o que por si só já diz muito.