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A (des)construção de legados

Há três anos, Cam Newton foi eleito o jogador mais valioso da NFL. Na mesma temporada, chegou ao Super Bowl e esteve muito perto de conquistar o Lombardy Trophy. Seu nome não foi escrito na história como vencedor; do outro lado havia um time melhor, é claro, mas é importante lembrar que, no último quarto da maior partida de sua vida, Newton hesitou em pular na bola em um fumble que ele mesmo sofreu. Apenas parou, contemplou a bola na sua frente e assistiu o Denver Broncos recuperar a posse e virtualmente ganhar a partida.

A jogada é um reflexo da montanha-russa que é a carreira de Cam Newton. No mesmo ano em que se tornou o melhor jogador da liga, desistiu de lutar em um lance que daria ao seu time a chance de virar o jogo. Parece apenas mais uma jogada – e realmente um atleta não pode ser julgado por uma decisão questionável em uma fração de segundos – mas escancara que Cam é o QB dos extremos: quando está bem, não é possível pará-lo; quando está mal, vai direto para o fundo do poço.

Apesar das oscilações, é possível dizer que Newton tem, sem dúvidas, uma boa carreira na NFL. Sua habilidade como corredor o torna uma arma única na história da liga. Apenas Michael Vick e Randall Cunningham tem mais jardas corridas entre QBs. Newton, em apenas sete temporadas, já tem o recorde da liga de TDs corridos por QBs, com 54. Em compensação, lançando a bola, tem apenas uma temporada com mais de quatro mil jardas e apenas em 2015 ultrapassou a marca de 30 TDs passados. Além disso, em  todas as temporadas como profissional, lançou mais de dez interceptações.

Newton é um bom jogador e tem qualidades peculiares, mas a diferença entre seus números como passador e como corredor impede que ele seja colocado entre os grandes QBs. A falta de um título também. Joe Flacco e Eli Manning sabem como uma carreira pode ser alavancada quando um troféu está em suas mãos. Aos 29 anos, e ainda em busca de um Super Bowl, Cam Newton se aproxima de uma fase em sua carreira que definirá como ele será lembrado.

O texto chega em seu quinto parágrafo e o nome do time em que Cam Newton joga ainda não foi mencionado. É estranho, já que o objetivo é antecipar a temporada do time – e não do atleta. Mas é perfeitamente justificável, já que, por bem ou por mal, Cam Newton é o Carolina Panthers. E o Carolina Panthers é Cam Newton.

A chegada de Norv Turner

Coordenadores ofensivos são peças valiosas no jogo de xadrez da NFL. O Atlanta Falcons, que passou de Kyle Shanahan para Steve Sarkisian e teve uma queda de produção considerável, pode confirmar esse ponto. Desde que entrou na NFL, em 2011, Cam Newton sempre teve ao seu lado Mike Shula – nos primeiros anos como técnico de QBs e depois como coordenador ofensivo.

Não é exagero dizer que muito do que Newton é vem de Mike Shula, que foi demitido após o fim da temporada 2017. De acordo com o Head Coach Ron Rivera, a demissão foi o resultado do desejo de trazer novas ideias para um ataque que não conseguia mais brilhar desde a espetacular temporada de 2015, que rendeu o prêmio de MVP para Newton.

O substituto é Norv Turner, um dos mais notáveis coordenadores ofensivos da NFL nos últimos anos, que agora fará parte da construção da parte final do legado de Cam Newton. O casamento parece promissor. Turner teve sucesso com QBs como Philip Rivers, que tem as mesmas características de Newton como passer: grandes, com braços fortes, que exploram passes em profundidade.

Turner provavelmente tentará explorar a força física de Cam e não a sua (falta de) precisão em passes curtos. É fundamental, é claro, que Newton não tenha o seu diferencial prejudicado: ele não pode parar de correr. De qualquer forma, Turner pode trazer o oxigênio que faltava para a carreira de um QB que parece ter atingido seu auge como passador em 2015.

Para colocar em prática o ataque vertical de Norv Turner, Cam terá a sua disposição os velhos conhecidos Greg Olsen e Devin Funchess. Olsen já não é um dos tight ends mais talentosos da liga, mas é um dos mais eficientes. Seu entrosamento com Newton é notável e a diferença do ataque sem Olsen, que perdeu várias semanas em 2017 com uma contusão no pé, é mais notável ainda. Funchess não é um grande jogador, mas já se mostrou útil em algumas oportunidades e agora tem a missão de substituir Kelvin Benjamin, que também não é nenhum primor, pela temporada inteira.

Porém, Olsen e Funchess não parecem ser suficientes para o que o Panthers pretende fazer em 2018. No draft, o time gastou uma escolha de primeiro round no WR D.J. Moore, que vem causando frisson na pré-temporada com sua habilidade pós-recepção. Moore pode acrescentar uma nova dimensão ao ataque do Panthers. Além dele, também chegou o veterano Torrey Smith, que a essa altura de sua carreira não parece capaz de causar muitos estragos.

Além de colocar o ataque aéreo para funcionar, o Panthers precisa achar uma maneira de obter ainda mais da sua escolha de primeiro round de 2017. Christian McCaffrey teve um desempenho sólido em 2017, mas apresentou dificuldades especialmente correndo entre os tackles. Como a habilidade principal McCaffrey não é quebrá-los, Turner terá que usar a criatividade para extrair tudo o que uma escolha tão alta precisa proporcionar ao time. Para fazer o trabalho sujo, chega o bom CJ Anderson, que parece ser um substituto ideal para o dispensado Jonathan Stewart.

Um baita front seven

Quando se fala em Carolina Panthers, é natural que a figura de Cam Newton venha à mente. Mas o Panthers tem a sorte de ter um franchise player tanto no ataque quanto na defesa. Luke Kuechly é o melhor middle linebacker da liga e comanda um dos front sevens mais temidos da NFL.

Kuechly é tão bom que, se não fosse ofuscado pela presença de Cam, seria tão badalado quanto JJ Watt e Von Miller. Junto com Thomas Davis e Shaq Thompson, Kuechly forma o melhor grupo de LBs da liga. Porém, nem tudo é perfeito: Kuechly passou pelo protocolo de concussão nas últimas três temporadas e Thomas Davis está suspenso pelos quatro primeiros jogos.

A linha defensiva, que em 2017 terminou a temporada em terceiro em número de sacks, perdeu o bom Star Lotulelei. Dontari Poe (que já concedeu entrevista ao Pick Six e é um dos maiores QBs da história), chega para substituí-lo.

Ao seu lado, na posição de tackle, Kawann Short é bastante efetivo. Os defensive ends são idosos, mas continuam mostrando trabalho. Julius Peppers e Mario Addison lideraram o time em sacks no ano passado, com 11 cada. Resta saber até quando vão durar, já que ambos estão na casa dos 30 anos.

É fundamental que o front seven faça um bom trabalho, pois as deficiências da secundária precisam ser compensadas. Não se sabe quem vai jogar do lado oposto a James Bradberry, que não é conhecido por fazer grandes jogadas.

Os demais jogadores que compõe a unidade, como Mike Adams e Captain Munnerlyn (que deveria ganhar o prêmio de nome mais valioso), são veteranos medianos que já não estão mais no auge. É difícil imaginar essa secundária tendo que enfrentar os ataques de New Orleans Saints e Atlanta Falcons duas vezes por ano e não sendo dizimada. É rezar para que o front seven não permita que a bola nem seja lançada.

Palpite

O Carolina Panthers de 2017 era um bom time, mas teve um pouco de sorte de chegar ao recorde de 11-5. Dos oito jogos com placares apertados, o time ganhou sete. Dificilmente essa marca será repetida. É provável que o Panthers figure no famigerado quadrinho “in the hunt” das televisões americanas até o fim da temporada, mas é difícil imaginar um cenário com mais de nove vitórias. Na NFC, que tem por volta de dez times que podem tranquilamente chegar aos playoffs, não é suficiente. A base do time é forte, mas falta um pouquinho mais para competir com New Orleans Saints e Atlanta Falcons. É possível cravar um 9-7 e Cam Newton sentado no sofá em Janeiro. Pelo menos ninguém vai reclamar que ele não pulou na bola.

Troféu Alternativo Pick Six #1: premiando aquilo que realmente importa

O ser humano é fascinado por premiações, não importa o quão relevantes elas sejam. Do Miss Universo ao vencedor do Prêmio Puskas, da final do BBB a eleição para síndico do condomínio, invariavelmente queremos contemplar alguém com um troféu, mesmo que imaginário.

Na NFL não seria diferente e passamos horas e horas discutindo ou mesmo procurando uma hipotética justiça em premiações definidas de maneira arbitrária – e diversas vezes um tanto quanto óbvias.

Pensando nisso e inspirados na já tradicional premiação que os colegas do Bola Presa fazem para as bizarrices da NBA, o Pick Six lança sua premiação alternativa, afinal, sabemos que o Framboesa de Ouro é muito mais divertido que o Oscar, não é? Então antes de coroarmos os vencedores, anunciamos nossas categorias.

TROFÉU WES WELKER: com ele premiamos o “melhor” drop da temporada e homenageamos o WR (indiretamente?) responsável por um dos melhores momentos de Gisele Bundchen na NFL. Além, claro, de estar no hall dos grandes drops que o SB já nos proporcionou.

TROFÉU SKIP BAYLESS: uma homenagem a uma das maiores metralhadoras de bosta que a imprensa norte-americana já produziu. Dá nome a este glorioso prêmio o cidadão que já afirmou que Manti Te’o seria o próximo Ray Lewis, que preferia RGIII a Andrew Luck, Josh Freeman a Cam Newton e, bem, vamos parar por aqui. Então o vencedor desta honraria é o integrante da dita “imprensa especializada” responsável por proferir mais asneiras ao longo da temporada.

Metralhadora de bosta.

TROFÉU MICHAEL FABIANO: ele é o guru do fantasy da NFL.com. Mas também já destruiu muitos sonhos dourados neste jogo com suas dicas imbecis, então nada mais justo que o atleta que foi uma decepção na temporada de Fantasy Football levar para casa uma estatueta com o nome do mito Michael Fabiano.

TROFÉU SEXY REX(y) GROSSMAN: Rex Grossman deve ser o garoto propaganda do que é ser um quarterback medíocre: com menos de 50 partidas iniciadas, ele tem mais derrotas do que vitórias – e mais interceptações do que touchdowns. Mesmo assim, escorado por uma forte defesa, ele chegou ao Super Bowl XLI, quando silenciou os críticos com vitórias contra Seahawks e Saints nos playoffs – para logo depois voltar a realidade e ser destruído por Peyton Manning e companhia na grande decisão. Por isso o prêmio para melhor atuação de jogador irrelevante homenageia o ex-QB do Chicago Bears (e de mais uma dúzia de outros times)!

TROFÉU BLAKE BORTLES: Blake é um dos reis da irrelevância, o cara mais clutch quando nada importa, possivelmente o único capaz de fazer três touchdowns nos seis minutos finais, quando seu time precisaria de uns seis, mas isso pouco interessa. Por isso o troféu que leva seu nome premia o verdadeiro MVP: o MVP DO GARBAGE TIME.

TROFÉU JIM KELLY: Kelly levou o Buffallo Bills a quatro Super Bowls seguidos. E perdeu todos. Nada mais justo que dar nome ao prêmio que agraciará o melhor jogador de time que só perde.

TROFÉU NOT COMEBACK PLAYER OF THE YEAR: sejamos honestos: o prêmio original, Comeback Player of The Year, é um dos mais sem sentido já criados pela NFL – não pela mensagem, claro, mas pelo simples fato de que todo ano três ou quatro jogadores merecem ganhar essa desgraça e raramente temos uma unanimidade. Então criamos o NCPOY, para premiar aquele ser que teoricamente teria um grande retorno, mas na verdade era melhor nem ter voltado dos mortos.

TROFÉU CRAQUE NETO: “Acabei de saber que o Ronaldo está trazendo o Seedorf para o Corinthians”. Mais não precisamos falar. E com esta honraria premiamos a maior besteira escrita ou falada por um integrante do Pick Six – acreditem: falamos muita besteira.

TROFÉU DAVE SHULA: Dave Shula nunca fez muita coisa para justificar um cargo como HC na NFL. Exceto, claro, ser filho de Don e irmão de Mike Shula. Tanto que quando chegou ao cargo e lá ficou por cinco longos anos obteve uma gloriosa carreira em Cincinnati, com 19 vitórias e 52 derrotas. Por isso o troféu que premia o conjunto da obra de piores e mais bizarras decisões de um HC na temporada leva seu nome!

TROFÉU JAMARCUS RUSSELL: JaMarcus talvez seja o maior bust da história da NFL. Primeira escolha geral do draft de 2007 pelo Oakland Raiders, em três temporadas Russell deixou a liga com um recorde de 7-18, 18 TDs e 23 INT. Ah, a escolha seguinte a ele foi um tal de Calvin Johnson, mas não vamos falar sobre isso. De qualquer forma, a honraria que leva seu nome premia a escolha de primeiro round que em sua temporada de estreia provou ter potencial para se tornar um tremendo bust.

TROFÉU TRENT RICHARDSON: Trent chegou a NFL como terceira escolha de primeira rodada do draft e, sendo gentil, sua carreira se resume a corridas de três jardas seguidas por um tombo com a cara no chão. Além de um especialista na arte dos bloqueios, já que sendo o próprio bloqueio, ele era poupado do trabalho de bloquear. Para homenageá-lo, este troféu premia a decepção do ano – e, algumas vezes, da vida.

TROFÉU CHUCK PAGANO: Chuck Pagano foi um dos responsáveis por uma das jogadas mais ridículas da história da NFL (relembre este momento mágico). Por isso o troféu que premia a jogada mais imbecil da temporada leva seu nome!

Agora vamos aos vencedores:

TROFÉU WES WELKER: Odell Beckham teve uma estreia na pós-temporada, digamos, complicada. Mas a culpa poderia recair sobre Justin Bieber. A piada, claro, só se tornou possível porque o WR e seus colegas de time decidiram ir para Miami logo após a vitória contra os Redskins, que eliminou o rival de divisão – e, apesar de todos terem voltado a tempo para se preparar para o jogo contra Green Bay, preferimos polemizar.

De qualquer forma, vamos nos ater aos drops, ambos ridículos para um atleta do nível de Odell. O primeiro veio em uma 3&5 dentro da linha de 30 jardas do Packers quando o placar ainda estava zerado. E foi um drop ridículo. Já o segundo, bem, essa era um touchdown certo. Claro, a culpa da eliminação não deve recair apenas sobre Odell – Sterling Shepard também jogou fora um TD fácil, mas Odell Beckham Jr é o merecedor da primeira edição do TROFÉU WES WELKER de pior drop do ano.

Menção honrosa: Tashaun Gipson & Prince Amukamara. Eles merecem!

Esse dia foi massa.

TROFÉU SKIP BAYLESS*: terminada a temporada para algumas equipes, alguns “jornalistas” percebem uma situação difícil: a vontade de falar sobre o time é grande, mas não há muito o que ser dito. Alguns resolvem não falar nada, outros preferem falar sobre outros assuntos. Mas esses não nos interessam. Vamos destacar aqui aquele que decidiu que a melhor opção era falar merda. Muita merda. É o caso de Brad Wells ou, se você preferir, apenas mais um “Zé Mané” que habita esse mundo.

Wells “cobre” o Indianapolis Colts e já foi o editor chefe do blog da equipe no SB Nation. Hoje ele é só mais um rostinho não tão bonito no Twitter. Segundo o próprio, ele sequer tem fontes em Indianapolis, ou pelo menos foi o que disse em meados outubro.

Esse manja.

Porém, quando o ano acabou, talvez ele tenha se sentido muito à toa e resolveu que seria uma boa ideia brincar com nossa cara, cravando que os Colts iriam atrás de Jon Gruden para cargo de head coach, pois Chuck Pagano balançava no cargo. Além disso, disse também que, a menos que Peyton Manning fosse contratado, Ryan Grigson permaneceria como GM em Indy. Brad Wells ficou quase duas semanas martelando sua “tese” nas redes sociais para que, no final, tudo acontecesse exatamente ao contrário. Até ele achou estranho, o que traduziu brilhantemente como “algo aconteceu”. É claro que algo aconteceu, Brad: você bateu a cabeça em algum momento da sua vida.

Você deve imaginar que, depois disso, Brad Wells resolveu ficar calado. Mas persistente que é, ele retomou sua saga em 2017 com muita #analise. Para ele, seria razoável que os Colts cortassem o CB Vontae Davis, também conhecido como “o único defensor da defesa dos Colts”. Davis está no último ano de seu contrato em Indianapolis e, apesar de uma temporada abaixo para de seus padrões, foi selecionado para o Pro Bowl nas duas temporadas anteriores.

Mas isso não é tudo. Para Brad Wells, que só não é um GM da NFL porque (ainda) não temos cotas para idiotas, o novo GM deveria trocar o WR TY Hilton, líder da NFL em jardas na última temporada. Como argumentos, ele destacou que “ninguém liga para isso” e que o recorde dos Colts na temporada foi 8-8. Sensato, se você for um idiota.

Por fim vale ressaltar que, apesar de ser uma fonte de desinformação, Brad Wells é um cara simpático: ele só conta vantagem por seu número de seguidores de vez em quando. Por tudo isso, Brad Wells é o vencedor do TROFÉU SKIP BAYLESS de integrante da imprensa especializada que mais falou bosta ao longo do ano.

Olha meus followers, galera!

*Colaborou @ColtsNationBR

TROFÉU MICHAEL FABIANO: temos plena consciência de que a culpa não é só dele. Aliás, talvez ele nem tenha culpa, afinal de contas tudo o que pode ser medíocre nessa última temporada em Los Angeles, foi em nome de Jeff Fisher. Mas não é como se 2015 tivesse sido muito melhor; Case Keenum era o mesmo, algo como um saco de bosta, e Todd Gurley ainda assim pareceu o substituto de Adrian Peterson, mesmo voltando de uma lesão de joelho, correndo para mais de 1100 jardas em 13 jogos.

Saudável era esperado que Gurley carregaria sozinho um ataque medíocre, a aposta perfeita para ser um dos primeiros escolhidos no draft. E assim diversos incautos gastaram as primeiras escolhas com Gurley em suas equipes de Fantasy. Resultado: em 2016 ele pareceu que estava voltando de uma lesão grave, correndo para uma média de menos de um first down a cada três corridas. Sugado para o mundo de tristeza de Jeff Fisher, Gurley acabou sendo a principal decepção do ano no fantasy e por isso vence o TROFÉU MICHAEL FABIANO.

Deu ruim.

TROFÉU SEXY REX(y) GROSSMAN: Se você não joga fantasy, a chance de já ter ouvido falar nele é muito baixa. Se você acompanha a NFL regularmente e joga fantasy, essa chance aumenta, mas você provavelmente deixou passar. A verdade é que Dwayne Allen é um dos raros casos em que um jogador já é draftado destinado a reserva, afinal ele chegou aos Colts junto com Coby Fleener, para ser, sei lá, o quarto ou quinto alvo de Andrew Luck – e, mesmo com as constantes lesões e agora saída de seu titular, sua maior produção anual foi de apenas 45 recepções, em sua temporada de rookie.

Isso já seria suficiente para caracterizá-lo como irrelevante no grande mundo da nossa liga favorita. Mas, claro, every dog has its day. O de Allen chegou em uma bonita tarde de dezembro, em um jogo (praticamente) tão irrelevante como ele mesmo. Mas, por alguns momentos, foi bonito. Fora de casa, contra o New York Jets, aproveitando-se da inspiração de Andrew Luck, o tight end recebeu nada menos do que 3 TDs somente no primeiro tempo de partida, a metade de seu total na temporada e, junto com ninguém menos que Antonio Brown, um dos dois jogadores a receber 3 passes na endzone em 2016, ganhando assim o TROFÉU SEXY REX(y) GROSSMAN de momento estrela dentro de uma vida de irrelevância. Não surpreendentemente, Dwayne Allen recebeu somente mais um passe nesse jogo, acabando com apenas 70 e poucas jardas.

Que que tá acontecendo, caras?

TROFÉU BLAKE BORTLES: voltemos para aquele glorioso TNF entre Titans e Jaguars (saudades!), vencido pelos amigos de Mariota por 36 a 22. Se você olhar apenas para as estatísticas, dirá que Blake Bortles jogou bem. E você estará errado. Os números gerais mostram que Blake completou 33 de 54 passes, para 337 jardas e três touchdowns. Mas vamos isolar os números: no primeiro tempo, Blake completou 8 de 16 tentativas para 64 jardas e o Titans foi para o vestiário com o placar apontando 27 a 0. Já no segundo tempo, Blake completou 25 de 38 passes para 273 jardas… mas, e daí? Com quase quatro touchdowns de vantagem, a defesa de Tennessee dormia em campo enquanto assistia o quarterback de Jacksonville completar dúzias de passes curtos e o relógio implodir. Estamos sendo injustos? Então isolemos as estatísticas da carreira de Blake até a semana #8 da última temporada:

Primeiro período: 1.598 jardas, 4 touchdowns

Segundo período: 2.356 jardas, 15 touchdowns

Terceiro período: 1.912 jardas, 13 touchdowns

Quarto período: 3,364 jardas 26 touchdowns

Blake é um gênio do quarto período, quando nada mais importa. Porque se Bortles estivesse fazendo isso para liderar o Jaguars as vitórias, tudo bem, mas na verdade estamos longe, muito longe disso. Na week #2, por exemplo, os 14 pontos de Jacksonville contra o Chargers vieram no último período, quando San Diego já vencia por 35 a 0. Por tudo isso Blake Bortles leva com folga a primeira edição do TROFÉU BLAKE BORTLES – e infelizmente acreditamos que ele levará todos os anos.

“Virei punter“.

TROFÉU JIM KELLY: Não há qualquer dúvida de que Drew Brees é um dos maiores QBs da história da NFL e um dia terá seu busto exposto em Canton, no Hall of Fame da liga. Comandando o potente ataque do New Orleans Saints, Brees conseguiu se tornar o detentor de grande parte dos recordes de jardas e de passes completados da liga. Entre 2006 e 2016, por exemplo, o QB do Saints liderou a liga em jardas passadas em sete temporadas, ultrapassando a marca de 5000 jardas em cinco delas, também o recorde da NFL. Brees coleciona 54 partidas em sua carreira com 70% dos passes completados e sem interceptações. Em 2015, ainda empatou o recorde de passes para TD em um mesmo jogo, com sete. De forma resumida, se você procurar os recordes de passe da NFL encontrará diversas vezes o nome Drew Brees. O problema é que Brees está condenado a jogar em um time constantemente ruim. Desde que chegou ao New Orleans Saints, em 2006, mesmo obtendo diversos recordes e performances históricas, Brees só viu o recorde da equipe mostrar mais vitórias do que derrotas em cinco temporadas. Nas últimas três, por exemplo, o Saints deixou Jeff Fischer orgulhoso: 7-9. A mediocridade do time parece ser a regra e nem um dos melhores QBs da história consegue superá-la. Nesta última temporada a história não foi diferente e por isso Drew Brees é o vencedor do TROFÉU JIM KELLY de jogador bom condenado a um time ruim.

“Não aguento mais essa merda”

TROFÉU NOT COMEBACK PLAYER OF THE YEAR: Em 2012, quando foi eleito Rookie of the Year e comandou o potente e surpreendente ataque do Washington Redskins, Robert Griffin III nos deixou uma excelente primeira impressão. Ameaça pelo ar e pelo chão, RGIII era o pesadelo das defesas adversárias, que pareciam não encontrar resposta para o seu dinamismo. O sonho, porém, durou pouco: contusões minaram o que tornava Griffin um QB diferente e, como resultado, seguiram três temporadas com números horríveis, com polêmicas diversas e, finalmente, com Griffin sentado no banco assistindo o sucesso de Kirk Cousins.

A dispensa pelo Washington Redskins, após o fim da temporada 2015, poderia ser a chance de recomeço para RGIII, que escolheu assinar com o sofrido Cleveland Browns. A mistura de um QB que ainda nos traz boas lembranças com um time desesperado por um salvador nos fez acreditar que uma bela história poderia estar sendo construída. Estávamos completamente enganados. Griffin novamente teve uma contusão séria e parece ter consolidado a imagem de QB de vidro. Mesmo no pouco tempo que esteve em campo, nada de bom foi mostrado: em cinco partidas, RGIII lançou dois TDs, três INTs e sofreu 22 sacks, números suficientes para vencer o não tão desejado TROFÉU NOT COMEBACK PLAYER OF THE YEAR.

Fu-deu.

TROFÉU CRAQUE NETO: Os primeiros textos (sérios) do Pick Six foram focados em extensos previews da temporada de cada um dos 32 times da NFL. Ao final de cada um deles, fazíamos apostas sobre o que se podia esperar para o ano que estava começando. Não se pode acertar todos, claro, e ainda que exista muita coisa certa, os erros são mais incríveis. Sério: talvez valha a pena revermos todos só para comparar o antes e depois. E um em especial aconteceu no preview do Atlanta Falcons:

“Palpite: a grande e dura verdade é que NINGUÉM SE IMPORTA. O Falcons cumpriu sua missão na NFL quando deu Brett Favre para Green Bay. Poderia ter acabado ali e nos poupado de todo o resto – inclusive deste preview. Seis vitórias e fechem a franquia na temporada que vem; não queremos escrever sobre eles novamente.”

Hum, acho que nos equivocamos levemente. Atlanta teve o ataque mais eletrizante do ano (e um dos melhores da história), junto com MVP e o título do Super Bowl… Bem, ao menos até o terceiro quarto. E nós merecemos o TROFÉU CRAQUE NETO.

TROFÉU DAVE SHULA: Quando um time vai de favorito ao Super Bowl a uma campanha de 6 vitórias sem sequer esboçar qualquer reação ao longo da temporada, especialmente contando com a volta do (ao menos pensávamos) segundo melhor jogador, a primeira pessoa a ser cobrada será o treinador. Obviamente não é culpa dele se os drops se multiplicaram de maneira absurda, a proteção falha constantemente, os LBs antes absolutos começam a perder tackles ou se o GM deixa seu melhor jogador defensivo partir, mas existe uma história que mostra que talvez a cabeça de Ron Rivera estava em outro lugar.

Cam Newton, MVP da temporada de 2015, teve problemas com as bagagens na viagem a Seattle e acabou sem uma camisa social para usar na viagem, optando assim por uma gola rolê, com a qual, em suas próprias palavras, “não faria sentido algum usar uma gravata”. Entretanto, o traje de viagens dos Panthers, estabelecido por Rivera, exige o uso de gravata. Resultado: o grande Derek Anderson iniciou o jogo como titular e lançou uma interceptação em seu primeiro passe, contando com um drop de seu RB. Com isso, Seattle marcou logo um FG fácil e saiu na frente no jogo. Então Ron Rivera recebe o primeiro TROFÉU DAVE SHULA do Pick Six.

Tá tranquilo, tá favorável.

TROFÉU JAMARCUS RUSSELL: Após Sam Bradford não ter se tornado o messias que salvaria a franquia e Nick Foles ter se revelado um presente de grego, Jared Goff deveria ser a solução dos problemas para o Rams, tanto que Los Angeles trocou duas escolhas de primeira rodada, outras duas picks de segundo round e mais duas escolhas de terceira rodada para consegui-lo. Mas ele passou dez semanas, 70 dias de temporada regular, sentado no banco enquanto assistia uma tragédia chamada CASE KEENUM. Ninguém é banco de Case Keenum por dez rodadas por acaso. E quando entrou em campo, Jared não tornou as coisas melhores: em sete partidas, foram 1089 jardas, para 5 touchdowns e 7 interceptações – e um rating de 63.6. E em nenhuma atuação ele teve mais de 65% dos passes completos. Seu “grande” momento aconteceu na week #11, contra os restos mortais de um San Francisco 49ers já cambaleante. Ok, sabemos que é culpa de Jeff Siher, mas por tudo isso, Jared Goff levou com tranquilidade o TROFÉU JAMARCUS RUSSELL!

TROFÉU TRENT RICHARDSON: Invariavelmente um dos prêmios mais concorridos da temporada. Há muitos candidatos: Allen Robinson teve um ano trágico, assim como Blake Bortles – mas este talvez só tenha retornado a realidade. DeAndre Hopkins era outro de quem talvez esperássemos mais, assim como Todd Gurley, nosso vencedor do TROFÉU MICHAEL FABIANO. Darrele Revis, então, foi umas das coisas mais tristes de se asssitir em um campo de football nesta temporada. Mas nenhum deles foi de MVP a, bem, uma tragédia ambulante.

Cam Newton teve um 2015 dos sonhos. Mais do que isso, haviam motivos claros para confiar que não se tratava de um mero “produto do meio”: Cam nos lembrou Peyton Manning fazendo uma linha ofensiva medíocre parecer a Muralha da China™ e emulou Drew Brees, fazendo recebedores igualmente abaixo da média, como Corey Brown ou Ted Ginn Jr, produzirem decentemente.

Com a volta de Kelvin Benjamin, seu melhor amigo de 2014, se esperavam grandes coisas em 2016. Mas sua temporada de MVP pareceu um sonho distante. Mesmo lançando o maior número de passes de sua carreira, Cam teve 300 jardas menos que em 2015 e praticamente a metade de TDs: foram apenas 19 TDs (mais 5 TDs corridos), para 14 INTs e um rating de 75.8. O maior número de interceptações desde sua temporada de rookie e o pior rating de sua carreira. Até mesmo seus números de corridas, uma de suas maiores armas, foram os piores de sua história.

Ressaca pós Super Bowl? Os pesadelos com Von Miller e um certo fumble não recuperado teriam atrapalhado o sono e suas atuações? Se ele usasse uma gravata sempre tudo melhoraria? Ou Newton nunca foi tudo aquilo e 2015 foi apenas uma temporada da qual teremos saudades, mas jamais se repetirá? Só descobriremos nos próximos meses. Enquanto isso Cam Newton leva o TROFÉU TRENT RICHARDSON de decepção do ano.

Bonita gravata.

TROFÉU CHUCK PAGANO: É difícil descrever certas situações, então deixemos as imagens falarem. Apenas assistam e tentem nos explicar o que aconteceu. Esse talvez seja o maior legado de Rex e Rob Ryan para os Bills. Talvez seja o maior legado da família Ryan para a NFL. Mesmo eles tendo sido demitidos uma semana antes. Foi lindo, mas não entendemos nada – e talvez seja melhor assim; se nem o Twitter oficial do Bills entendeu, por que nós entenderíamos? Então ficaremos com a tese de que tudo não passou de um PROTESTO por todo sofrimento passado pelo roster de Buffalo nas mãos de Ryan ao longo da temporada, que leva o primeiro TROFÉU CHUCK PAGANO.

Temporada que vem tem mais!

O MVP da defesa se foi, mas MVP do ataque (e da liga) deve voltar ainda melhor

Os Panthers tiveram uma temporada mágica em 2015. Realizaram a melhor campanha da NFL (15 vitórias, e porque tiraram o pé) e ganharam pelo terceiro ano seguido a divisão, estabelecendo o domínio sobre times que pareceram muito abaixo do atual nível da equipe de Carolina. Josh Norman surgiu de vez, depois de uma boa campanha no final de 2014, para a NFL como sério candidato a melhor CB da liga e o principal personagem (ainda que tenham muitos craques ali) da 6ª melhor defesa da liga.

Além disso, Cam Newton e suas comemorações ousadas (às vezes consideradas desrespeitosas; produzindo até cartas de mães indignadas) finalmente pôs em prática todo o potencial como ameaça desde o pocket e também no jogo corrido – aquele, que permitiu que jogadores como Kaepernick e RG3 tivessem abertura para trazer de volta esse estilo de jogo misto à liga –, que parecia ter desde a sua temporada de novato, ganhando o prêmio de jogador mais valioso da NFL.

Obviamente, quando já pareciam destinados à glória depois de uma vitória absoluta sobre Arizona, Von Miller e amigos botaram um fim a esse conto de fadas simplesmente acabando com o ataque que, até então, aparentava ser imbatível , expondo todas as suas pequenas falhas, como os wide receivers claramente abaixo da média da NFL e a linha ofensiva que se limitava a não atrapalhar muito o trabalho de Cam – e acabou destruída pelo MVP do Super Bowl.

Fabricando um MVP

Cam Newton chegou à NFL cercado de dúvidas, especialmente porque, tivesse Andrew Luck tomado a decisão normal e saído da universidade um ano antes como é esperado de jogadores garantidos para ser escolhidos na primeira posição do draft, Cam Newton seria o segundo melhor quarterback a ser escolhido em 2011, e sabemos como isso acaba normalmente (ver: Leaf, Ryan para uma história dramática). De qualquer forma, Luck esperou e o QB de Auburn caiu como opção óbvia e única para os Panthers.

Importante lembrar que Newton chegava a NFL totalmente cru, pois fora titular em apenas dois anos na universidade, um em uma universidade relevante, e seu estilo de jogo dependia muito das corridas que ele tirava da cartola (lembrando um já fracassado Vince Young e bastante diferente dos seus quatro primeiros quarterbacks escolhidos precedentes: Russell, Ryan, Stafford e Bradford, todos pocket passers), ainda que se imaginasse que o mesmo não poderia ser feito em uma liga profissional.

Ainda que ele tenha tomado a liga por assombro com 14 TDs corridos como novato e mais de 4000 jardas lançadas (destruindo recordes, em sua maioria de Peyton Manning), assim inclusive abrindo espaço para o retorno de quarterbacks corredores como RG3, Russell Wilson e Colin Kaepernick, que voltaram a ganhar protagonismo na NFL, logo as defesas também se adaptaram e Newton sofreu as famosas dores de crescimento, além de lesões pelo seu estilo de jogo, com muitos acreditando que seu primeiro ano não passaria de uma grande coincidência.

Entretanto, com o apoio de Mike Shula, Cam continuou trabalhando para poder depender menos das suas pernas (mantendo como arma importante e ameaça que fará as defesas pagarem caro em caso de descuido) e poder se tornar um QB que realmente jogue utilizando o máximo de suas (limitadas) opções com o cérebro e braço.

O resultado óbvio disso, aliado ao seu talento, foi uma campanha de 45 TDs para apenas 14 turnovers na temporada regular o que lhe levou a tornar-se o jogador mais valioso da liga – além de garantir um prêmio de melhor coordenador ofensivo da liga para o já citado Mike Shula, que acompanha Newton desde sua temporada de novato (na época, ele ainda era treinador de quarterbacks).

camkelvin

Sim, Cam e Kelvin juntos não melhoram só a vida dos Panthers.

Os fabricados pelo MVP

Ainda que os stats de 2014 não mostrassem, a evolução de Cam era clara, mas a demonstração acabou limitada por lesões, especialmente um problema no tornozelo que incomodou durante toda a pré-temporada e uma lesão nas costelas, que sofreu nos jogos preparatórios. Em 2015, finalmente saudável, outro problema com lesões: Kelvin Benjamin, que havia tido uma bela campanha de rookie na NFL, sofre uma lesão no joelho e ficaria fora da temporada.

Assim, temos todas as razões para imaginar que Cam Newton deverá produzir ainda mais esse ano. Kelvin Benjamin teve 12 meses para se recuperar, o que é bastante para os padrões da NFL; e mesmo que algumas informações indiquem que ele não está na sua forma ideal, sua habilidade e capacidades físicas natas deverão ser mais do que suficientes para ele voltar a ser o alvo principal de Cam e repetir a sua campanha de 2014 em seu (verdadeiro) segundo ano de liga.

Também em seu segundo ano estará Devin Funchess, o grandalhão de Michigan que chegou a ser cotado para ser TE na NFL – com um ano a mais de experiência na liga, e jogando oposto a Kelvin Benjamin; assim recebendo a marcação do CB2 ou 3 do adversário, ele poderá produzir, especialmente na endzone e em bolas disputadas no alto. Com os grandalhões jogando por fora, Ted Ginn Jr poderá repetir suas absurdas 700 jardas (que mostram a grande capacidade de Newton em fabricar WRs), com bastante menos responsabilidade, após anos somente como retornador na liga.

Outros veteranos que deverão ter suas produções afetadas pelo retorno de Benjamin são os sempre sólidos Greg Olsen, que deverá perder o título de go-to-guy de Cam Newton nas situações de risco, e Jonathan Stewart, que enquanto se mantiver saudável, se aproveitará das defesas mais preocupadas com o jogo aéreo (e com as corridas de Newton) para produzir suas 1000 jardas terrestres tradicionais.

Infelizmente, uma razão de pessimismo para os Panthers é o fato de que, apesar do interior da linha ser mantido no mesmo alto nível de 2015, os dois tackles que foram massacrados pelos Broncos também serão. Ou seja, Michael Oher (sim, aquele de The Blind Side, agora jogando pela direita) e Mike Remmers estarão de volta para atrapalhar a vida de Cam – existe esperança de que Daryl Williams, em seu segundo ano, ganhe uma das posições, mas mais por ruindade de Remmers do que por talento próprio.

A defesa de Josh Norman

A grande história de Carolina nesse período sem jogos, além da ressaca pós-derrota no Super Bowl, foi a surpreendente saída de Josh Norman da equipe – apontado como um dos melhores cornerbacks da liga (não por Odell Beckham), após dificuldades na negociação de um novo contrato; aparentemente, Dave Gettleman e Ron Rivera julgam que, no estilo de jogo dos Panthers (defesas em que jogam em zona, ou seja, ele fica responsável por uma parte do campo e não por bloquear um jogador específico), fica fácil para qualquer cornerback razoável produzir.

De qualquer forma, a situação na secundária está, no mínimo, nebulosa. O jogador de maior destaque é Kurt Coleman, que passou por várias equipes antes de se firmar na equipe da Carolina do Norte, como mostram suas 7 interceptações em 16 jogos ano passado. Para jogar com ele, os Panthers contarão com 3 cornerbacks novatos (3 das 5 escolhas do time no draft desse ano foram CBs), rezando para que um deles sirva, disputando posição com veteranos desconhecidos.

Por outro lado, o front seven é provavelmente um dos melhores da liga. Kawann Short e Star Lotulelei são monstros no interior da linha defensiva, aplicando pressão no QB e bloqueando todos os espaços do jogo corrido adversário – some-se a eles o novato Vernon Butler (que tem gerado comparações com Wilkerson, dos Jets) e não há espaços por dentro dessa linha. Como end, Carolina contará principalmente com o veterano Charles Johnson, agora saudável após um 2015 cheio de problemas.

Para finalizar, o trio de LBs do time é simplesmente brilhante em todas as fases do jogo – corrida ou passe, eles estão lá. Luke Kuechly está sempre entre os principais jogadores defensivos da liga (teria algum DPOY não fosse por JJ Watt), e é flanqueado pelo inquebrável (teoricamente, pelo menos ele se quebra e volta melhor) Thomas Davis e Shaq Thompson, que chegou ao draft do ano passado cheio de hype (como o de ser quase um híbrido linebacker-safety).

ESSE HOMEM.

ESSE HOMEM.

Palpite: a situação secundária e nos tackles é grave. Entretanto, há talento suficiente para compensá-los, especialmente durante a temporada regular. Não há um time na NFC South que tenha um front seven tão potente. Logo, os Panthers vão chegar tão longe enquanto a sorte de não enfrentar grandes defesas ou ataques aéreos inspirados (ou pegá-los baleados, vide Cardinals) permitir.