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Análise Tática #26 – As jogadas-chave do Super Bowl LII

O Super Bowl LII talvez tenha sido a final da NFL mais prolífica da história em termos de ataque. Foram 1152 jardas totais somando os dois times, recorde da liga seja para jogos de temporada regular ou playoffs.

Como ninguém esperava, inclusive nós do site, como vocês podem conferir no preview tático, o Eagles se saiu melhor que o New England Patriots em um festival ofensivo. Podem conferir em qualquer analista brasileiro ou de fora, seja texto, vídeos ou podcast, absolutamente ninguém esperava isso.

Apontamos no preview tático que a chave para a vitória dos Eagles seria a atuação da defesa, mas esse ponto não envelheceu bem. Como apontou nosso amigo Vitor Camargo do Two-Minute Warning, a responsabilidade da vitória é em boa parte no ataque e na capacidade que Nick Foles teve de causar estragos com passes a partir da média distância. Parafraseando o que nosso colega escreveu (leia o texto completo), Philly venceu apesar da atuação defensiva e não por causa da mesma.

Comparando, foi algo assim que Blake Bortles não conseguiu. O QB dos Jaguars executou muito bem o plano de jogo, mas para vencer os Patriots é preciso mais que isso, e o ataque de Jacksonville não tinha teto suficiente para se sobressair.

As estatísticas

Total de 143 jogadas a partir da linha de scrimmage, apenas um punt entre os dois times (chutado pelo Philadelphia Eagles), um sack (que definiu o confronto), uma interceptação e um turnover on downs. Para completar o festival, houve também extra points perdidos e chutados na trave.

O Philadelphia Eagles executou 71 jogadas ofensivas, converteu 25 first downs em 34min04s de posse de bola. Teve ganho de 538 jardas em 10 drives, 374 jardas pelo ar e 164 jardas terrestres. Nick Foles completou 27 de 43 passes e o time correu com a bola 27 vezes.

O New England Patriots, por sua vez, executou 72 jogadas ofensivas em 25min56s de posse de bola, converteu 29 first downs. Teve ganho de 613 jardas em 11 drives, 500 jardas pelo ar e 113 terrestres. Tom Brady completou 28 de 48 passes e o time correu com a bola 22 vezes.

A bola longa dos Eagles

Jogadas de passe de mais de 20 jardas tiveram um fator importante em relação ao plano de jogo dos Eagles. Esticar o campo é um mantra repetido por técnicos de futebol americano e funciona como uma das premissas do jogo, deixando a defesa sempre em dúvida sobre o que virá a seguir.

Como o Eagles correu bem com a bola, média de 6,1 jardas por tentativa, o Patriots foi obrigado a aproximar os jogadores da linha de scrimmage como compensação. E essa dúvida é suficiente para armar o playaction fake. Foi exatamente isso o que vimos no primeiro touchdown da partida, passe de Nick Foles para Alshon Jeffery.

Observe na imagem, um conceito de rotas cruzadas perto do segundo “I” no logo do Super Bowl, com Alshon Jeffery atacando a endzone e Nick Foles a partir do playaction. Os jogadores de linha ofensiva estão em posição de três apoios e encaram 4-men-rush. A linha contém muito facilmente o rush dos Patriots, permitindo que Nick Foles fique confortável para escalar o pocket.

Olhando a defesa dos Patriots, eles estão marcando de forma individual todas as rotas, e as do meio disfarçando a posição dos marcadores como se estivessem em zona. Apenas um safety está em profundidade (cover 1 man). Esse cenário é ideal para Nick Foles atirar no fundo do campo, e o safety ficando preso nas rotas do meio ajudou. Passe perfeito e Alshon Jeffery ainda fez uma recepção física.

O interessante dessa jogada é sobre os seguintes pontos: esse cenário construído é o que não seria ideal para os Eagles ganharem dos Patriots. Foi repetido intensamente de que o ataque coordenado por Doug Pederson não poderia cair em situações que eles precisassem confiar no braço de Nick Foles, o que exatamente aconteceu. Os Eagles mostraram para Bill Belichick e Matt Patricia que eles podiam explorar a bola longa a partir do playaction, e isso aconteceu repetidas vezes, já que o jogo corrido se desenvolveu.

As Trick Plays

Como em uma tarde de College Football qualquer, além do tiroteio, o Super Bowl apresentou as trick plays. Duas jogadas de reverse-pass para o quarterback, cada uma executada por um dos times.

Aos 12:04 restantes do Q2, os Patriots estão na linha de 35. James White parte do outside para o lado de Brady, e este entrega a bola para o corredor. A linha bloqueia para a esquerda dando a entender de se trata de uma inside zone. Entretanto, White entrega a bola para Danny Amendola, configurando o reverse. Brady parte em uma rota wheel e Danny Amendola arrisca o passe na linha de 25 (10 jardas a partir da linha de scrimmage). Tom Brady derruba a bola, colocada à frente de seu corpo.

O interessante dessa jogada, é que por todo o processo do Super Bowl houve a dúvida sobre a lesão reportada na mão de Brady. Segundo informações, o jogador se machucou em um treinamento e precisou sofrer quatro suturas na mão direita (a de lançamento). Apesar de toda essa novela, a verdade é que pela forma como o passe foi colocado, Brady, um QB de 40 anos, não tinha atleticismo suficiente para buscar essa bola, o que nos rendeu essa belíssima imagem.

Ele realmente não pode passar e receber passes ao mesmo tempo.

Agora observemos a chamada conhecida como Philly Special. Opção de Nick Foles para converter uma quarta descida para o touchdown restando 34 segundos antes do intervalo, quando os Eagles venciam por 15 a 12. Segundo relatos, essa jogada foi colocada no plano de jogo contra o Minnesota Vikings, mas não se fez necessária. Assim como a trick play dos Patriots, trata-se de um reverse pass para o quarterback, com alguns diferenciais.

Os Eagles se alinham em singleback com stack do lado direito. Nick Foles sai da posição de shotgun disfarçando que vai passar instruções de bloqueio à linha ofensiva, a estilo Peyton Manning. O QB toca as costas do right tackle, o snap sai diretamente para o RB em wildcat, esse se desloca para a esquerda em uma outside zone, faz o handoff para Trey Burton.

Nesse instante, Nick Foles parte da posição de linha ofensiva em direção à endzone. Touchdown. Aqui, cabe salientar que a questão da trick play, como o próprio nome sugere, é surpreender completamente a defesa adversária. Geralmente, isso começa snaps antes armando uma possível leitura de tendência a partir de determinado personnel.

No caso dos Eagles, o personnel com Corey Clement em campo indica uma jogada de corrida em zona ou passe, pela versatilidade do atleta em executar ambos os tipos de conceito – simplificando ao máximo a leitura, evidentemente, as possibilidades são maiores que isso. Como podemos ver nas primeiras amostras do NFL Turning Point pela NFL Films, Doug Pederson decidiu pela conversão da quarta descida e em discussão com Nick Foles, o quarterback chamou a jogada.

Como podemos conferir, jogadas antes, Nick Foles converteu uma terceira descida com ganho de 55 jardas a partir de um passe para Clement em uma rota wheel. Esse lance e mais outros com o camisa 30 em campo semearam a dúvida suficiente para fazer a trick play funcionar. Como disse Matt Patricia na coletiva pós-jogo a única forma de parar esse tipo de jogada é a defesa estar completamente ciente do que está acontecendo em campo, pois o reverse anula qualquer ajuste tático que poderia ser desenhado na cobertura.

Linha desbalanceada

Doug Pederson apresentou em seu plano de jogo uma variedade de conceitos que colocaram em cheque a capacidade de ajuste pelo New England Patriots. Um desses é a linha desbalanceada.

Acrescenta-se um jogador a mais de OL, geralmente um tackle e não um tight end, e este jogador se declara elegível a receber o passe para a arbitragem, mas sequer correrá uma rota. Sabemos que a linha ofensiva convencional se posiciona de forma simétrica em relação ao center. A OL desbalanceada posiciona um jogador a mais em um dos lados.

Na imagem acima, vemos o touchdown corrido de LeGarrete Blount partindo de uma inside zone com linha desbalanceada. O jogador extra é o camisa 73 Isaac Seumalo, marcado no retângulo vermelho. Ele alinha como um TE bloqueador, mas com melhor capacidade de realizar a função que um jogador com esse rótulo.

Acrescentar um jogador de linha na inside zone permitiu que o LT Halapoulivaati Vaitai bloqueasse em segundo nível, e esse foi o fator diferencial para que Blount chegasse a endzone.

A capacidade de ajustes de New England

Se tem alguma coisa que eu tive capacidade acertar nos previews sobre os Patriots é a capacidade de ajustes de Bill Belichick e o uso de Rob Gronkowski como ponto focal do ataque (“mas aí até eu”, deve estar pensando o caro leitor). Após um primeiro tempo ruim na conexão Brady-Gronk, a dupla começou a clicar as jogadas no início de terceiro quarto, resultando em um drive para touchdown apenas com recepções do Tight End.

Comparando com o que foi feito no primeiro tempo, a defesa dos Eagles não travou apenas um jogador na marcação individual de Gronkowski, confiando na capacidade de execução do defensor que estivesse no matchup.

A jogada apresentada acima ocorreu no jogo contra os Titans e uma vez anterior no primeiro tempo do Super Bowl, e ilustra exatamente o que o New England Patriots tem de melhor: a capacidade de ajustes táticos do staff de Bill Belichick e passar isso aos jogadores. Temos os Patriots alinhando em 11 personnel com set 2×2 e stack no lado esquerdo. A linha está em posição de 2 apoios e a situação de placar e relógio (PHI 32-26 NE Q4 9:22) indica o passe.

Amendola sai em motion da posição de Split-end para o lado do right tackle. Nesse momento, podemos ver os jogadores dos Eagles apontando entre si, o que significa que eles estão reajustando as marcações individuais na jogada. O Safety ataca o ponto em que as rotas dos três recebedores se cruzando no lado direito e deixa Gronkowski no mano a mano. Matchup que beira o injusto e touchdown para os Patriots, que naquele momento empataria o jogo em 32 pontos.

A pressão dos Eagles

O número de sacks leva a crer que Tom Brady jogou com pocket limpo a maioria das vezes. Mas esse tipo de análise preguiçosa focando apenas em drives brutos sempre leva a tirar conclusões erradas de qualquer situação estatística. Por vezes o front dos Eagles foi capaz de apressar passes ou acertar Brady com hits. Levar pancada de jogadores de mais de 140 kg afeta um QB de 40 anos de idade, por melhor que ele seja, simplesmente por questões físicas.

Essa pressão constante, principalmente em speed rush permitiu que Brady escapasse do sack algumas vezes escalando o pocket, mas quando ela vinha pelos A e B gaps, deixava o QB dos Patriots com a movimentação limitada, tendo que arriscar passes antes da hora. Isso explica principalmente a taxa de 56,25% passes completos (28/48), um pouco abaixo do que Brady normalmente produz.

Na jogada que praticamente selou o Super Bowl em favor dos Eagles, vemos Derek Barnett e Chris Long alinhados em wide-9-technique, enquanto Fletcher Cox (5-tech) e Brandon Graham (4-tech) estão na parte interna da linha. No resto do front, quando a jogada se desenvolver, percebemos que a defesa dos Eagles rotaciona para a direita, apesar de não ser uma fire zone blitz, e o mais importante, Malcolm Jenkins defende o flat, rota de James White, único jogador no lance livre para a recepção.

Chris Long é o jogador que consegue a melhor pressão em Brady com o speed rush, impulsionando o QB à direção de Brandon Graham, que consegue o strip-sack. A bola cai no chão e é recuperada por Derek Barnett. Os Eagles aproveitam o turnover na redzone e fecham o placar em 41 a 33.

O plano de jogo dos Eagles

Percebemos que o Eagles conseguiu a vitória no Super Bowl LII em uma situação de jogo que por muitas vezes pareceu desfavorável em determinados momentos. O maior tempo de posse de bola, o sucesso na conversão de terceiras descidas e a capitalização de pontos após drives em que parecia que o ataque dos Patriots havia entrado na partida foi essencial para que o time saísse com a vitória.

Doug Pederson explicou a ousadia na chamada das jogadas como “ser conservador é uma ótima maneira de terminar a temporada 8-8”, e o time, além de ser agressivo nas chamadas, conseguiu as converter, o que é mais importante.

Os Eagles jogaram com um quarterback reserva e conseguiram vencer os Patriots em um tiroteio. A secundária não conseguiu conter os recebedores dos Patriots (as 505 jardas aéreas não deixam mentir) e mesmo assim o time conseguiu responder em todas as instâncias do jogo.

O Super Bowl LII mostra ainda mais a importância de um coaching staff competente na construção de um plano de jogo. Pederson e sua equipe usaram a melhor arma dos Patriots contra eles, e surpreenderam mostrando leituras diferentes ao que havia passado na temporada regular. Por exemplo: no touchdown que deu a vantagem aos Eagles no final do último quarto, Zach Ertz correu uma rota slant em marcação individual, movimento que ele só tinha repetido no ano de calouro (2013).

Além do mais, tendo que responder drives de touchdowns para manter a vantagem no placar, Doug Pederson manteve a compostura e continuou apostando no plano de jogo montado, em vez de se afobar e tentar buscar Money plays que talvez estivessem marcadas do outro lado do jogo estratégico. Isso ajudou, sobretudo, a manter Nick Foles confiante e confortável a executar a melhor atuação de sua carreira.

Análise Tática #25 – Parte 4: O ataque do New England Patriots

Metamorfose. A unidade comandada por Tom Brady e coordenada por Josh McDaniels mostra, além de tudo, ser a prova do tempo e imprevisível. O time é capaz, mais do que qualquer outro na liga já foi, a ajustar adequadamente a cada adversário e explorar suas fraquezas.

O Patriots já foi um time de spread offense no início da década, aplicou bastante 12 personnel quando Rob Gronkowski e Aaron Hernández jogavam juntos, utilizou de run-heavy para vencer os Colts na final de conferência em 2014. Nos playoffs, New England utilizou bastante formações com dois running-backs contra os Titans e contra os Jaguars valeu-se bastante dos passes em rotas cruzadas.

E esse filme se repete há 18 anos. Domingo será a oitava aparição em Super Bowl da dupla Bill Belichick e Tom Brady, e na maioria delas o time manteve o grau alto de desempenho. Se nos três títulos entre 2001 e 2004 a fortaleza do time era a defesa, no Super Bowl XLIX e LII, o ataque fez seu trabalho. Esse cenário se repetirá no US Bank Stadium no domingo, com Tom Brady sendo responsável por comandar o melhor setor do time.

Estatísticas

Os Patriots conseguiram 8 touchdowns na pós-temporada, sendo 5 passados por Tom Brady e 3 corridos. Brady não foi interceptado e o único giveaway dos Patriots foi um fumble cometido Dion Lewis contra os Jaguars.

Passes para Running Backs

Utilizar os jogadores de backfield no jogo aéreo é uma arma utilizada por vários times da liga. Masterizado pela West Coast Offense de Bill Walsh, o passe para RBs é uma forma de criar uma dimensão extra para a defesa ler, aumentando as possibilidades de sucesso das jogadas.

O Patriots extrapola a dimensão do passe para RBs com o conceito jet-sweep. Trick plays são sempre pontos utilizados como inversores de fase no jogo, uma forma de “tapa na cara” do adversário.

A Jet-Sweep consiste em uma forma de passe parecido com o levantamento do vôlei. Um jogador sai em motion em direção ao quarterback, e no momento em que ele se encontra, sai o snap. O QB toca a bola com a ponta dos dedos e o ballcarrier a pega no ar. Com a bola na mão, o RB corre uma rota wheel na direção oposta do campo, como se fosse um end around.

Nesse outro exemplo, o Patriots ataca o flat a partir do playaction em uma jogada que deveria ser de passe longo mas as opções estão marcadas. Os Titans estão sem safeties por estarem preocupados com o jogo corrido nesse ponto da partida, aspecto básico do futebol americano.

Tom Brady se livra da pressão e encontra Dion Lewis para um ganho de 8 jardas.

Rob Gronkowski como eixo motor

Falar sobre como Gronkowski é bom é chover no molhado. O TE é uma aberração física, criando um matchup desfavorável em 90% das defesas da NFL, mesmo após tantas lesões.

Bill Belichick investiu no TE após a derrota contra os Jets no divisional round de 2011. A partir daquele momento, o Patriots fez a transição do spread offense para um ataque de rotas mais curtas. Como diz Chris B. Brown em “The Essential Smart Football”, Belichick usa os TEs para tornar o ataque flexível mesmo com um set pesado, sendo capaz de receber passes e bloquear com a mesma excelência.

Isso nos ajuda a entender como Belichick trata seus RBs como assets descartáveis, ao mesmo tempo em que tem apreço por seu QB e seu TE. Mesmo se não fossem talentos geracionais dentro de suas posições, as tarefas que esses dois desempenham no ataque são primordiais para a execução do mesmo. Belichick pensa primeiro nas tarefas, ter dois talentos absurdos executando as mesmas é quase como um bônus que ninguém é tolo de recusar.

Simplesmente marcar Rob Gronkowski seja individualmente ou em zona é uma tarefa quase impossível. Além disso, Belichick e Josh McDaniels ainda potencializa ao máximo as chances de seu TE na jogada chamando um slant-flats.

Aqui, basta Tom Brady mandar um backshoulder fade e esperar que seu jogador ganhe a bola na força física. Basicamente, se um jogador tentar defender esse passe, fará uma falta de interferência, colocando os Patriots na linha de gol. Exemplo de como o Patriots é tão dominante por tanto tempo, um time que além de ter bons jogadores, ainda utiliza o sistema para maximizar suas habilidades.

Ajuste às necessidades

Em boa parte do AFC Championship Game os Patriots estiveram sem Rob Gronkowski, que saiu do jogo por concussão. Em parágrafos anteriores, eu disse que Gronk é o ponto central do ataque (à exceção do quarterback), então como o Patriots conseguiu a virada sem seu principal recebedor?

Bem, é de conhecimento geral que os Patriots são o time que melhor ajusta o plano de jogo de acordo com a situação. É talvez a capacidade que mais importa pelo fato de essa dinastia durar tanto tempo. Quando Gronkowski saiu do jogo, Josh McDaniels passou a colocar em campo sets mais variados de recebedores, bem como a habilidade dos mesmos em rotas curtas. Forma semelhante à que utilizou para combater a Legion of Boom no Super Bowl XLIX.

A jogada acima mostra as rotas utilizadas no primeiro touchdown de Danny Amendola no jogo contra os Jaguars. Sem Edelman, Amendola foi o responsável por usar as rotas de opção com cortes curtos ao longo da temporada. Aqui, ele corre uma shallow cross contra uma marcação em zona, e reagindo ao posicionamento em zona dos linebackers, cruza o campo inteiro. As demais rotas têm o objetivo de atrair os jogadores dos Jaguars para o fundo da endzone.

Observe que Brady poderia ter tentado o backshoulder fade em Brandin Cooks alinhado de Split-end, mas esse é um passe de baixa taxa de conversão. Ele espera a segunda leitura e conta com Amendola ganhando jardas após a recepção para o touchdown.

O TD da virada contra os Jaguars é mais um exemplo de como Brady tem a paciência de esperar a melhor opção para o passe aparecer livre, bem como o excelente trabalho de Dante Scarnecchia com a linha ofensiva ao permitir que isso aconteça. Duas rotas dig ao fundo da endzone enquanto Cooks corre uma slant/out.

Brady espera Amendola aparecer em cima do “P de Patriots” na endzone e manda o passe perfeito, o tipo de conexão que só é possível graças à capacidade do QB de antecipar esse momento. Vitória por 24 a 20 e os Patriots vão para o oitavo Super Bowl comandados por Bill Belichick.

Pontos-chave para o Super Bowl

É tolice não considerar os Patriots como favoritos no Super Bowl LII, ao mesmo tempo que também não se deve descartar o trabalho dos Eagles. Conter o poderoso front seven dos Eagles é uma necessidade. David Andrews terá um trabalho primordial contra Fletcher Cox no A-Gap.

Ano passado em Houston vimos um Patriots que parecia despreparado (uma novidade) contra os Falcons e que conseguiu fazer história graças aos ajustes de intervalo. Esse tipo de previsão não é possível de ser feita, já que seria pretensão afirmar que os técnicos não se preparariam adequadamente para um jogo da grandeza do Super Bowl.

Com Gronkowski fora do protocolo de concussão, o TE terá sua segunda atuação na grande final totalmente saudável fisicamente, já que esteve fora ano passado e jogou machucado no Super Bowl XLVI, em Indianapolis. O terror dos matchups será mais uma vez o eixo motor dos recebedores do New England Patriots.

 

Podcast #3 – uma coleção de asneiras III

Trazemos as lesões mais recentes da NFL e discutimos jogadores injury prone. Realidade? Mentira? O que comem? Onde habitam? Em seguida, apresentamos a realidade de alguns times, se são bons ou ruins. Por fim, sugerimos alguns jogos para o amigo leitor ficar atento nas próxima semanas!

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor.

Quatro meses esperando janeiro

Já estamos cansados de repetir que Tom Brady ganhará pela 14ª vez a AFC East. Quando inevitavelmente chegar a hora dos playoffs, também comentaremos com desgosto sobre como, mesmo tendo sofrido com duas ou três lesões importantes (sério, pode ser literalmente qualquer um), New England ainda deu um jeito de não jogar a primeira rodada da fase final. Assim, os Pats chegarão descansados e bem preparados na semifinal para enfrentar um Steelers ou Titans meio-baleados. Porque, bom, essa é a vida na NFL.

Para nos deixar ainda mais desgraçados da cabeça, craque, desses transcendentais que realmente se destacarão na multidão daqui a 30 anos, o time só tem um: Rob Gronkowski. Tom Brady, o maior QB de todos os tempos, é um grande executor das tarefas que lhe são designadas (o que, obviamente, cria vitórias) – mas basta colocá-lo lado a lado das peripécias de Aaron Rodgers ou até Ben Roethlisberger e veremos que ele não é tudo isso. Lembre-se: de acordo com o próprio sr. Bünchen, o MVP do último Super Bowl foi James White.

Um homem do povo.

De certa forma (e sabemos que vocês curtem essas comparações), olhar o depth chart dos Patriots é bem parecido com estudar a escalação do Corinthians e não entender que caralhos esse time está fazendo onde está. Cássio e Rodriguinho, por exemplo, só não saíram do time para sempre porque seus substitutos eram piores ainda (aguarde a coleção de dispensados nesse elenco patriota). Jô pode ser funcional, mas duvido que seja a primeira opção de qualquer pessoa para a posição (e aqui ficam comparados Jô com Brady ou Edelman, o que for menos ofensivo). E, sério, Romero? Ainda?

Um ataque reforçado

Falando em inúteis, já que o craque Gronkowski tem problemas sérios em manter-se saudável (última vez em que ele esteve em campo os 16 jogos foi em 2011), os Patriots se reforçaram com Dwayne Allen que, draftado no mesmo ano, sempre esteve em uma disputa constante com Coby Fleener sobre quem conseguiria ser o mais inútil na posição de tight end em Indianapolis. Porém, ele recebeu seis TDs em 2016 e oito em 2014, então podemos esperá-lo como uma presença interessante na redzone.

E sobre reforços de verdade, enquanto a torcida dos Patriots acreditava que Julian Edelman era um dos melhores WRs da liga (repetimos: não é. E não venham com aquela catch do Super Bowl), Belichick se mexeu e foi atrás da melhor opção para Tom Brady desde Randy Moss: por uma escolha de primeiro round, o time contratou Brandin Cooks.

Apesar das nossas ressalvas pessoais (não gostamos dele, basicamente e não precisamos explicar os motivos), e de provavelmente ser o terceiro melhor WR em New Orleans, Cooks produziu mais de 1100 jardas nas duas últimas temporadas. Melhor ainda: ele representa uma ameaça as defesas adversárias em passes longos, o que abrirá espaço para as jogadas intermediárias com o próprio Edelman, Chris Hogan e um dos 300 mil RBs da equipe.

Sim, porque empenhado em encontrar a combinação ideal, o time tem 10 jogadores para a posição no elenco. A opção mais interessante ainda deverá ser Dion Lewis, ao menos durante os seis ou oito jogos em que ele participará antes (ou depois) de se machucar. As novas contratações Rex Burkhead e Mike Gillislee (respire fundo e repita comigo: QUEM? 1116 jardas, os dois somados em 2016) deverão brigar por espaço com James White (139 jardas, 3 TDs em 20 toques no Super Bowl, incluindo 14 recepções) – o primeiro mais como receiver, o segundo como trombador. Entretanto, pensando no fantasy, lembre: lá pela 9ª rodada, o RB titular dos Patriots será alguém que hoje provavelmente é o quarto reserva em Dallas ou Minnesota.

Esse dia foi louco.

Quanto a linha ofensiva, sério, torcedor dos Patriots, não tem com o que se preocupar. Os inexperientes, porém seguros, do interior da linha de 2016 estão um ano mais maduros, e enquanto Nate Solder e Marcus Cannon se mantiverem saudáveis, os corredores terão espaço e Brady terá tempo.

Não é delicioso esquecer que Jimmy Garoppolo existe?

É sim, bastante. Se deus quiser ele ficará no banco sem dar as caras esse ano (porque ninguém aguenta mais historinhas Jimmy x Brady sem sentido). Em 2018, Garoppolo será problema do texto sobre algum outro time, que pagará 400 bilhões de dólares para descobrir que ele nem é tudo isso (oi, Jaguars, estamos olhando para vocês).

A magia do tio Bill

Talvez o leitor se deixe enganar por esse ataque, seria compreensível. Mas as coisas que acontecem nessa defesa só dão certo porque, bom, têm que dar. A magia negra obriga que funcionem.

O S Patrick Chung, por exemplo, é a cara do que estamos falando: absolutamente inútil quando saiu de Boston, bastou voltar para formar uma bela dupla com Devin McCourty. O undrafted Malcolm Butler, que surgiu para o mundo no Super Bowl XLIX com a interceptação mais inesperada da história, se tornou um CB mais do que sólido – mas não o suficiente para receber um grande contrato do tio Bill.

Aproveitando-se do espaço no cap, New England roubou Stephon Gilmore do rival Buffalo com um mega-contrato de 5 anos e 65 milhões (mesmo que, pra gente, ele não está nem entre os 15 melhores Corners da NFL); para completar a secundária, NE conta também com o retorno de Eric Rowe, que deve trabalhar principalmente no slot.

No front seven, ano passado o time deixou ir (na verdade, trocou) seus até então dois melhores jogadores: Chandler Jones (pass rusher) e Jamie Collins (linebacker puro). Somente Dont’a Hightower (aparente crush de Belichick) teve seu contrato renovado: 35,5 milhões em 4 anos. Como LB típico para marcar a corrida, o time trouxe o veterano David Harris (dispensado pelo Jets!), que mesmo aos 33 anos se sentirá renovado saindo de um time medíocre para sonhar com um Super Bowl no maior rival.

Se juntas já causa, imagina juntas.

A linha defensiva sim deveria ser motivo para preocupação – supondo que fosse um time normal. Alan Branch e Malcom Brown até deverão manter a solidez no interior, e a escolha de quarta rodada de 2015, Trey Flowers, produziu sete sacks em apenas oito partidas como titular em 2016.

Entretanto, a grande aposta para correr atrás dos QBs adversários fica por conta de Kony Ealy, que mesmo tendo muito hype no draft de 2014, acabou não conseguindo se estabelecer como titular em Carolina (com exceção do seu desempenho nos playoffs de 2015, na verdade, ele tem sido bem merd*) – fica a curiosidade pelo que, em seu último ano de contrato rookie, as mãos de Bill Belichick e Matt Patricia conseguirão tirar dele.

Previsão: 13-3, para ser humilde. Brady deverá começar voando, mas administrará o braço, estratégias e um tropeço em Tampa é bem possível. Com nove vitórias até a décima rodada, a divisão já estará garantida antes mesmo do time encontrar-se com Miami ou Buffalo. Jogar em Denver, no México (contra Oakland) ou em Pittsburgh não deverão ser tarefas fáceis, mas obter duas vitórias nesses três jogos é possível, o que até permitiria que Jimmy Garoppolo jogasse bem as duas últimas semanas (em casa contra Bills e Jets) para deixar Brady fresquinho. Polêmica para os playoffs!

Top Pick Six #3: os 15 melhores TEs da NFL

Quinta-feira, dia mais um ranking no ar! Nos mesmos moldes da lista que fizemos com os WRs e CBs, ao todo 8 pessoas selecionaram seus 15 melhores TEs entrando na temporada de 2017. Não é uma lista que contém os 15 melhores do ano passado. Não é uma lista contendo os 15 melhores para o futuro da franquia. É uma lista com os 15 melhores, jogadores essenciais e que podem fazer a diferença para seus times já na próxima temporada – desconsiderando o draft, claro.

Para confecção do ranking, cada um selecionou 15 jogadores. Se o jogador estava na posição 1, lhe atribuí 1 ponto. Na posição 2, 2 pontos, e assim sucessivamente. Se o jogador não apareceu na sua lista, atribuí 16 pontos. Os jogadores com menos pontos, em média, (soma dos valores dividido por 8) ficou em primeiro lugar, e assim por diante. É possível verificar as somas na tabela ao final desta coluna.

Um bom Tight End é especialista em recepções e bloqueios. São geralmente jogadores fortes fisicamente, mas com habilidade atlética e velocidade. Exige bom uso das mãos, até por isso temos vários ex-jogadores de basquete que atuam ou atuaram como TEs, como Tony Gonzalez, Jimmy Graham e Antonio Gates. Tony Gonzalez, inclusive, é o segundo atleta com o maior número de recepções na história da NFL, com 1.325, atrás apenas de Jerry Rice (1.549).

Participaram da formulação do ranking:

Integrantes do Pick Six: Cadu, Digo, Ivo, Murilo e Xermi.

Duas pessoas referência na internet quando o assunto é NFL e que, diferente de nós, realmente sabem o que falam sobre football: Felipe, do @oQuarterback e Vitor, do @tmwarning.

– E um leitor convidado!

Embaixo dos nomes dos jogadores, colocamos a ordem que cada um de nós classificou este jogador. Caso ele não esteja no top 15 de alguém, um traço está no lugar. A ordem é Xermi, Digo, Cadu, Murilo, Ivo, Felipe, Vitor e Ana Clara. Vamos ao que interessa! 

15° Jared Cook

– | – | 13 | 8 | 15 | – | – | 11

Time: Oakland Raiders

Idade: 29 anos

Draft: 2009 / Round: 3 / Pick: 89

College: South Carolina

Career Stats: 303 recepções, 3.880 jardas recebidas, 17 TDs

Em 15° temos um jogador que tinha tudo pra fazer uma temporada espetacular ao lado de Aaron Rodgers, mas infelizmente, devido a lesões, não conseguiu aproveitar totalmente a chance. Seu lance de destaque aconteceu no round divisional dos playoffs, contra os Cowboys, quando fez uma recepção milagrosa na lateral do campo e armou o FG da vitória de seu time. Com a contratação de Bennett pelos Packers, Cook procura um novo lar.

14° Hunter Henry

11 | 11 | 14 | 9 | 13 | 14 | – | 15

Time: Los Angeles Chargers

Idade: 22 anos

Draft: 2016 / Round: 2 / Pick: 35

College: Arkansas

Career Stats: 36 recepções, 478 jardas recebidas, 8 TDs

Garoto que já mostrou muito potencial em 2016, mas que sofreu com fumbles. Talvez por esse motivo não tenha assumido a titularidade. Com certeza será um dos grandes jogadores da liga daqui pra frente, especialmente quando assumir a posição de titular, com a eminência da aposentadoria de Antonio Gates.

Talvez a artrose não permita mais cenas como essa.

13° Antonio Gates

– | 9 | 10 | – | – | – | 11 | 7

Time: Los Angeles Chargers

Idade: 36 anos

Draft: 2003, Undrafted

College: Kent State

Career Stats: 897 recepções, 11.192 jardas recebidas, 111 TDs

Se fizéssemos esse ranking há 4-5 anos, Gates figuraria no top 3. Acontece que, para 2018, a idade já pesou. Com 36 anos e uma vasta experiência, Gates vem sofrendo há tempos com lesões e logo logo deve encerrar sua carreira. Talvez ele esteja no ranking mais pelo seu nome do que pela perspectiva pra próxima temporada.

TOP PICK SIX 1: Os 15 melhores WRs da NFL

12° Cameron Brate

5 | – | – | 14 | 11 | 8 | 14 | 14

Time: Tampa Bay Buccaneers

Idade: 25 anos

Draft: 2014, Undrafted

Career Stats: 81 recepções, 965 jardas recebidas, 11 TDs

Sim, coloquei Brate em quinto lugar do meu ranking. Talvez tenha sido um pouco alto demais, se comparado aos meus colegas, mas o que vi dele ano passado foi uma consistência incrível. Atuando em um ataque potente, com Jameis Winston, Mike Evans e DeSean Jackson, Brate deve ter ainda mais sucesso em 2017, com chances inclusive de brigar no top 5 da posição, em número de jardas recebidas e, principalmente, de TDs.

11° Zach Ertz

13 | 8 | 9 | 12 | 9 | – | 10 | 13

Time: Philadelphia Eagles

Idade: 26 anos

Draft: 2013 / Round: 2 / Pick: 35

College: Stanford

Career Stats: 247 recepções, 2.840 jardas recebidas, 13 TDs

Zach Ertz divide opiniões. Está na liga desde 2013, mas não tem feito as temporadas excepcionais e explosivas que esperávamos dele. Poderia ser porque os QBs não ajudasvam, mas agora ele tem Carson Wentz, que teve flashes de brilhantismo ano passado. Se o time do Eagles realmente engrenar o ataque – o que pode acontecer com a contratação de Alshon Jeffery e Torrey Smith – provavelmente Ertz terá melhores números.

10° Jason Witten

9 | 10 | 15 | 11 | – | 11 | 7 | 10

Time: Dallas Cowboys

Idade: 34 anos

Draft: 2003 / Round: 3 / Pick: 69

College: Tennessee

Career Stats: 1.089 recepções, 11.388 jardas recebidas, 63 TDs

Outra lenda da posição, Jason Witten, acumula sucessos e insucessos jogando pelos Cowboys. Sucessos porque ele se tornou um dos melhores em sua posição. Insucessos porque, mesmo atuando com bons times em Dallas, não conseguiu o tão sonhado título. A chegada de Dak Prescott e Ezekiel Elliott deram um novo ânimo ao Cowboys, e isso pode ajudar Witten a conseguir o anel que lhe falta.

09° Kyle Rudolph

14 | 7 | 11 | 13 | 10 | 6 | 12 | 12

Time: Minnesota Vikings

Idade: 27 anos

Draft: 2011 / Round: 2 / Pick: 43

College: Notre Dame

Career Stats: 265 recepções, 2.621 jardas recebidas, 29 TDs

Achei a posição 9 um pouco demais pra Rudolph, visto que ele não conseguiu se firmar como um dos grandes TEs, desde que entrou na liga, em 2011. Isso posto, vale frisar que ano passado ele foi uma das principais peças do ataque dos Vikings. Se Sam Bradford continuar saudável (duvidamos), Rudolph pode ter em 2017 a melhor temporada de sua carreira.

Vem ser feliz em Green Bay, amigo!

08° Martellus Bennett

10 | – | 8 | 7 | 7 | 10 | 8 | 9

Time: Green Bay Packers

Idade: 30 anos

Draft: 2008 / Round: 2 / Pick: 61

College: Texas A&M

Career Stats: 403 recepções, 4.287 jardas recebidas, 30 TDs

Em oitavo lugar, Martellus Bennett, jogador que ainda não conseguiu se firmar efetivamente em uma equipe, mas que já mostrou todo seu talento. Após uma boa temporada o com os Patriots (e Tom Brady), este será um ano ainda melhor pra ele, pois jogará ao lado de Aaron Rodgers, sendo o principal TE de Green Bay.

07° Delanie Walker

7 | 13 | 7 | 6 | 5 | 7 | 5 | 8

Time: Tennessee Titans

Idade: 32 anos

Draft: 2006 / Round: 6 / Pick: 175

College: Central Missouri

Career Stats: 405 recepções, 4.814 jardas recebidas, 31 TDs

Um dos principais TEs da atualidade, Walker teve excelentes anos nos Titans. Sua boa sequência deve continuar, especialmente com a evolução de seu QB, Marcus Mariota. Acredito que pode finalizar o ano no top 5 em TDs recebidos de toda a liga e, claro, conseguir uma vaga nos playoffs jogando na AFC South.

06° Jimmy Graham

8 | 6 | 3 | 10 | 4 | 5 | 9 | 6

Time: Seattle Seahawks

Idade: 30 anos

Draft: 2010 / Round: 3 / Pick: 95

College: Miami (FL)

Career Stats: 499 recepções, 6.280 jardas recebidas, 59 TDs

Se tivesse continuado no Saints, Graham poderia ser hoje o melhor TE da liga. Se não tivesse sofrido uma séria lesão no tendão patelar, Graham poderia ser hoje o melhor TE da liga. Como o mundo não é feito de “se”, Graham está em sexto lugar. Todos sabem de seu potencial, mas jogando em um time cujo foco é o jogo corrido, e tendo sofrido uma lesão tão séria, fica justo ele estar fora do top 5. Talvez com um ano iluminado dos Seahawks, ele volte a figurar entre os principais TEs da NFL.

TOP PICK SIX #2: Os 15 melhores CBs da NFL

05° Tyler Eifert

6 | 4 | 6 | 5 | 8 | 9 | 6 | 5

Time: Cincinnati Bengals

Idade: 26 anos

Draft: 2013 / Round: 1 / Pick: 21

College: Notre Dame

Career Stats: 123 recepções, 1.491 jardas recebidas, 20 TDs

Assolado por seguidas lesões, Eifert perdeu muitos jogos durante sua carreira. De qualquer forma, é um dos principais alvos de Andy Dalton quando saudável e, entrando em 2017 com novo gás, Eifert pode entregar não somente os TDs de redzone que já está acostumado, como aumentar seu número de jardas recebidas por jogo.

04° Jordan Reed

4 | 5 | 5 | 2 | 6 | 3 | 4 | 3

Time: Washington Redskins

Idade: 26 anos

Draft: 2013 / Round: 3 / Pick: 85

College: Florida

Career Stats: 248 recepções, 2.602 jardas recebidas, 20 TDs

Outro atleta que vem sofrendo com lesões. Mesmo assim, Reed se destaca como o principal atleta do ataque dos Redskins, anotando TDs importantes e fazendo jogadas de efeito. Com Kirk Cousins ainda no comando, ele deve ser beneficiado e, além disso, a equipe ganhou um reforço na posição de WR, com a chegada de Terrelle Pryor.

TOP PICK SIX #4: OS 15 MELHORES LBS DA NFL

03° Greg Olsen

2 | 3 | 2 | 4 | 3 | 4 | 3 | 4

Time: Carolina Panthers

Idade: 32 anos

Draft: 2007 / Round: 1 / Pick: 31

College: Miami (FL)

Career Stats: 622 recepções, 7.365 jardas recebidas, 52 TDs

Um dos melhores jogadores de sua posição em atividade, Olsen abre o top 3. É, sem dúvidas, o alvo de segurança de Cam Newton. Falta-lhe o título de Super Bowl, e se Cam Newton jogar em 2017 o que jogou em 2015, isso é totalmente possível.

Além de tudo, é lindo.

02° Travis Kelce

3 | 2 | 4 | 3 | 2 | 1 | 2 | 2

Time: Kansas City Chiefs

Idade: 27 anos

Draft: 2013 / Round: 3 / Pick: 63

College: Cincinnati

Career Stats: 224 recepções, 2.862 jardas recebidas, 14 TDs

Com certeza Kelce merece o segundo lugar. É um atleta completo, com combinação de atleticismo, físico, rotas precisas e boas mãos. Pode ser, no futuro, o melhor da posição – Felipe, aliás, já o considera: “não há dúvida nenhuma que, em termos de talento puro, Rob Gronkowski é o melhor TE da NFL: ele combina tamanho, velocidade, bloqueios e força de uma forma que poucos da posição conseguiram. No entanto, a grande questão que dá vantagem pro Kelce (principalmente nessa última temporada) é a durabilidade. Enquanto o TE do Chiefs participou de todos os 48 jogos desde 2014, Gronk participou de 38 no mesmo período (e só oito em 2016). Nas estatísticas de jogo, os números dos dois são bem parecidos porque Gronk conta com a vantagem de ter um dos melhores QBs na história da NFL lançando passes. Mas nas estatísticas mais avançadas, a vantagem é de Kelce, que ficou pelo menos no Top 10 em DYAR/DVOA nessas últimas três temporadas enquanto Gronkowski teve desempenho um pouco pior em decorrência de contusões. E tudo isso recebendo passes de Alex Smith“, justifica.

De qualquer forma, sua temporada de 2016 foi muito boa e pode ficar ainda melhor em 2017, caso o ataque dos Chiefs melhore (o que é um pouco complicado por motivos já citados como… Alex Smith).

01° Rob Gronkowski

1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 2 | 1 | 1

Time: New England Patriots

Idade: 27 anos

Draft: 2010 / Round: 2 / Pick: 42

College: Arizona

Career Stats: 405 recepções, 6.095 jardas recebidas, 69 TDs

Gronk era a única chance de termos uma unanimidade entre jogadores de ataque, como o primeiro da posição: não conseguimos. Gronk é um monstro em campo, ainda mais jogando com Brady. Ninguém supera. Porém, desde que iniciou sua carreira, vem sofrendo com lesões sérias e que o afastam por muito tempo dos gramados. Ano passado mesmo, ele não jogou o Super Bowl. Para a próxima temporada, o Patriots está montando um ataque versátil, que conta com Brady, Edelman, Gronk, Cooks, etc. Rob tem tudo para se tornar ainda mais letal neste sistema.

Algumas curiosidades do ranking:

– Apenas Rob Gronkowski foi unanimidade no top 3. Inclusive, ele levou 7 votos para número 1. Apenas o Felipe, do @OQuarterback, o colocou em segundo.

– No top 5, tivemos 3 unanimidades: Gronk, Kelce e Olsen.

– 8 jogadores são comuns aos 8 rankings: Gronk, Kelce, Olsen, Reed, Eifert, Graham, Walker e Rudolph.

– Um total de 23 jogadores diferentes foram citados, veja na tabela final abaixo.

– O top 15 contempla 9 jogadores da NFC e 6 da AFC, porém no top 5 temos 3 da AFC e 2 da NFC.

– Somente 2 jogadores foram escolhas de primeiro round em seus drafts: Olsen e Eifert.

– 2 jogadores não foram draftados: Gates e Brate.

– Somente 2 são campões do Super Bowl: Gronk e Bennett;

– Bennett, Witten e Gates são os jogadores que aparecem com maior diferença de posição entre dois rankings: 9 posições.

– Apenas um time teve dois jogadores entre o top 15: Henry/Gates (LAC).

– Ficaram fora do top 15, em ordem: Eric Ebron (DET), Ladarius Green (PIT), Coby Fleener (NO), Jack Doyle (IND), Dennis Pitta (BAL), Gary Barnidge (CLE), Austin Hooper (ATL), Zach Miller (CHI).

– 22 dos 32 times da liga tem jogadores nos rankings. Não foram citados jogadores de: BUF, MIA, NYJ, HOU, JAX, DEN, OAK, NYG, LAR, SF.

– Dois jogadores que tiveram muito destaque nos últimos anos não foram sequer citados: Vernon Davis, que foi importantíssimo enquanto jogou nos 49ers e teve lampejos nos Redskins, e Julius Thomas, que fez campanhas boas com o Broncos na época que Peyton Manning era o QB – mas no Jaguars, não jogou nada.

– Todos os atletas citados são milionários!

Razões para o New England Patriots vencer o Super Bowl (e não só esse ano)

O Patriots talvez tenha sido um dos grandes tópicos de toda a intertemporada de 2016, enquanto acompanhávamos ansiosos as idas e vindas dos julgamentos de Tom Brady e, quando elas acabaram, passamos a esperar o começo do fim da carreira de um dos maiores vencedores da história da NFL. Surpreendentemente, olhando hoje, Belichick era apenas mais um coadjuvante (um grande sidekick, mas um coadjuvante do marido da Gisele) que escrevia cartas para Donald Trump nas horas vagas.

Hoje, já questionamos quem realmente é o monstro, como questionávamos há muitos anos atrás, quando Brady “ganhou de presente” (MVP com 145 jardas lançadas e 1 TD?) seu primeiro Super Bowl em apenas seu segundo ano de carreira. E então calculamos se Bill não seria capaz de tais feitos mesmo se Jimmy Garoppolo fosse o homem no comando de seu ataque. Para a sorte dos representantes de Boston, eles têm os dois e muito mais.

A loucura que não faz falta

Todos conhecem Rob Gronkowski e sabem que ele é um mito em todos os sentidos. Infelizmente, o melhor amigo (dentro de campo, obviamente) de Tom Brady segue pagando o preço de sua vida desregrada, sofrendo com lesões que, dessa vez, lhe tiram da grande final. Para a sorte dos Patriots, o Lord Sith estava preparado para isso e, no começo do ano, contratou Martellus Bennett, TE titular dos Bears para complementar  Gronk – Bennett, aliás, é até mais falastrão que a grande estrela; ele consegue formular frases e contar histórias engraçadas!

Obviamente Martellus não é aquele alvo acionado 10 vezes por partida, mas trata-se de um bom complemento que descolou 700 jardas e 7 TDs na temporada regular e, ainda que não tenha sido acionado muito durante a pós-temporada, é alguém para se ter em conta contra a defesa insegura dos Falcons, ao lado de outros jogadores igualmente perigosos nas mãos de Josh McDaniels, como Julian Edelman e Chris Hogan (Chris FUCKING Hogan: reserva dos Bills).

Com essa cara de atendente de loja chique, você já desviaria dele no shopping.

Por outro lado, provavelmente os melhores skill players do time estão no backfield. Atrás de uma linha ofensiva sólida ancorada pelo left tackle Nate Solder, o nosso maconheiro trombador favorito LeGarrette Blount correu para absurdos 18 TDs (máximo na NFL), mesmo sem nunca ter mostrado grande talento; ao lado dele, o retorno de Dion Lewis dá o elemento dos sonhos para causar inferno nas defesas adversárias – Emmanuel Acho, jogador pelo qual ele foi trocado de Philadelphia para Cleveland, esses dias comentava no Twitter que alguém merecia ser demitido por achar que os dois tinham o mesmo valor.

E obviamente, para fechar, o começo e o fim de tudo, a grande estrela é Tom Brady. Se ele mantivesse as médias que teve em 12 jogos para os 16 jogos de uma temporada normal (sem punição por murchar bolas e destruir celulares), teria lançado para 4738 jardas e 37 TDs, números equivalentes ao de Matt Ryan, e os dois estariam concorrendo ao título de MVP voto a voto, certamente. Truque do destino, ou de Roger Goodell, Brady perdeu esses jogos que na verdade só devem ajudá-lo a estar um pouco menos cansado para brincar com a defesa dos Falcons.

Sobre clichês

À parte da historinha clássica de que Brady e o lorde das trevas serão favoritos todos os anos ao grande título até que decidam aposentar-se (depois do vigésimo, provavelmente), falemos de outra história muito repetida ano após ano na NFL e que, no caso desse Super Bowl, pode fazer mais sentido do que nunca: “defense wins championships”. Primeiramente, porque isso tem sido verdade na história de New England.

Você já deve ter ouvido falar no Greatest Show on Turf, de Kurt Warner – se não, saiba que só faltavam fazer chover, com as devidas proporções de monstruosidades, a exemplo do que Matt Ryan faz hoje. Eram favoritos por 14 (DOIS TOUCHDOWNS) na final… e perderam para Belichick e um QB em seu primeiro ano como titular. Donovan McNabb estava na melhor temporada de sua vida, mas perdeu para Deion Branch MVP. E Malcolm Butler. Esse eu duvido que alguém já tenha esquecido, especialmente Russell Wilson.

(Eu sei que só foram três jogos listados. Mas o outro foi contra Jake Delhomme, achei que não fortaleceria meu caso)

De qualquer forma, essa temporada tem tomado contornos parecidos. Perceberam como depois de tanto escândalo na preseason e no começo (com Garoppolo e aquele outro QB que ficará rico daqui a três anos em algum time trouxa), os Pats seguiram seu caminho para um 14-2 quase que por inércia. A razão disso? O ataque não foi a coisa mais espetacular do mundo, afinal sem Gronk as coisas se distribuíram bastante, mas a defesa foi sólida.

Quão sólida? Oitava em jardas cedidas e a que menos cedeu pontos para os oponentes. Basicamente o oposto perfeito para o ataque dos Falcons. E para aqueles que quiserem um “fator corretor” para os oponentes que o time enfrentou (sim, na temporada regular as maiores potências enfrentadas foram Seahawks, Bengals, Dolphins e Ravens, não exatamente exemplos de ataques), ele atende pelos nomes de Big Ben e Antonio Brown.

Marcando o Brown, já de olho em Julio Jones.

Adendo importante: dessa defesa foram retirados dois dos seus melhores jogadores, que mesmo depois da troca mantiveram o alto nível de atuação: os linebackers Chandler Jones (trocado por uma escolha de segundo round e um G que já foi dispensado) e Jamie Collins (trocado por uma escolha de terceiro). Isso tudo basicamente nos ensina a nunca duvidar das mágicas que pode fazer o Mestre dos Magos.

Sobre Eli

São seis Super Bowls até aqui e uma escrita é completamente verdadeira, independente da maneira que você olhe: sempre que não enfrentou Eli Manning, Brady saiu vencedor. Do outro lado, para esse domingo, só vemos um Matty Ice magrão e ansioso para derreter, torcendo para que, como o próprio Eli disse, “tenha sorte de enfrentá-los no dia certo”.

Acontecerá de novo?

Enfim, o dia em que Tom Brady quer se provar mais homem que o comissário da maior liga americana não parece propício para um dia certo. É bom ter isso em conta na hora de marcarem suas apostas.

A minha: Tom lança 2 TDs para nosso querido Bennett e outros dois para Hogan, o próximo milionário fabricado por ele. Malcolm Butler repete o gostinho de ter uma interceptação decisiva e os Patriots levam em um 37×31.

Análise Tática #8 – É impossível parar Rob Gronkowski

Robert Paxton Gronkowski talvez seja a principal arma ofensiva da NFL. Muito rápido para ser marcado por linebackers e muito grande para ser marcado por defensive backs, o tight end do New England Patriots é o grande pesadelo dos coordenadores defensivos da liga. Após perder os dois primeiros jogos com uma contusão na coxa e ter os snaps limitados nas semanas 3 e 4, Gronk já recebeu para 484 jardas. Isso resulta em uma média de 118 jardas por jogo, se forem descontadas as duas semanas em que praticamente não jogou. Para efeito de comparação, AJ Green e Julio Jones, os dois WRs mais produtivos da NFL nessa temporada, têm a média de 112 e 107 jardas por jogo, respectivamente.

Além da média absurda de jardas, os três TDs que anotou entre as semanas 6 e 8 foram suficientes para estabelecer o novo recorde do New England Patriots para um TE: desde 2010, quando foi draftado, Gronkowski já anotou 69. Nos sete anos em que está na liga, descontados os jogos perdidos por contusão, Gronk disputou 86 partidas, o que resulta em uma média de 0,8 TDs por partida. Trata-se de um monstro, de um candidato certo ao Hall of Fame da NFL e, se permanecer saudável, do melhor TE da história.

E como parar um jogador tão bom? Marcação individual não funciona. É como se estivesse completamente desmarcado. A solução para as defesas é planejar marcação dupla, ou até mesmo tripla, certo? Mais ou menos. O cobertor é curto. Além de ser um dos melhores jogadores da liga, Gronk também joga em um dos melhores (senão o melhor) ataques da liga. Se a ênfase das defesas for parar Rob Gronkowski, Tom Brady não terá dificuldades em tirar proveito do que estiver à sua disposição. É por isso que é difícil imaginar um cenário em que o New England Patriots não esteja disputando o Super Bowl em Fevereiro. Não estamos felizes com isso, mas temos que aceitar a (dura) realidade.

Para mostrar como a conexão Tom Brady-Rob Gronkowski é a melhor da liga, analisaremos os três TDs anotados pela dupla em 2016. Não há mágica ou rotas complexas: é apenas Rob Gronkowski recebendo passes perfeitos de Tom Brady e humilhando defensores. Confira:

TD 1 – Week 6:

Gronk costuma receber passes longos com frequência, mas também é a arma perfeita em passes curtos, na redzone. No jogo contra o Buffalo Bills, na semana 6, Gronk era o único recebedor posicionado na parte de cima da tela, com dois marcadores nas proximidades. O deslocamento do RB James White para o lado direito do ataque puxou um dos defensores e deixou Gronk com marcação individual.

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No momento do passe, Brady acha Gronk sem dificuldades.

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TD 2 – Week 7:

No jogo contra o Pittsburgh Steelers, na semana 7, Gronk estava posicionado no alto da tela, junto com dois outros recebedores do Patriots. Com rota em profundidade, o TE do Patriots tinha dois potenciais marcadores: o safety, na linha de 25 jardas, e o linebacker do lado esquerdo do ataque.

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No momento do passe, os dois marcadores estão próximos a Gronkowski, mas a antecipação de Brady e a rota perfeita, deslocando o safety para a parte de cima da tela, garantem o sucesso da jogada.

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Quando recebeu a bola, Gronk já tinha deixado o LB para trás, enquanto o safety fazia a leitura errada da jogada. Mais um TD tranquilo para o Patriots.

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TD 3 – Week 8:

Contra o Buffalo Bills, na semana 8, uma jogada muito parecida: Gronk com rota em profundidade junto com dois recebedores no mesmo lado do campo, mas dessa vez com marcação individual, sem o safety para ajudar. Mesmo sem RB próximo a Brady, o Bills deixou dois LBs congestionando o meio do campo.

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Um dos DBs do Bills se juntou ao LB que estava próximo à linha de scrimmage, fazendo marcação dupla na rota curta. Brady fez a fácil leitura de Gronk em marcação individual na rota em profundidade, já batendo o marcador.

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Quando recebe o passe, Gronk já abriu duas jardas para o marcador e apenas desfila para a endzone.

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Ele não anda, ele desfila.

Por que não aguentamos mais o New England Patriots?

Confesso que não me sinto tão hater do New England, mesmo que, provavelmente, tenhamos que assumir que eles são a maior franquia do século XXI. De qualquer forma, meu time não é sequer da AFC para tomar pau deles com frequência. Mesmo assim estamos aqui para tentar entender por que diabos o massacre do Texans ocorreu e os motivos que fazem esse time parecer, cada vez mais, imparável.

Obviamente esperávamos algo parecido com isso quando Brady foi suspenso (vide o preview que escrevemos, onde falávamos sobre um 2-2 no início da temporada, com Tom Brady voltando para destruir). Esperávamos, enfim, porque Belichik é foda e já tinha feito essa graça uma vez, não é?

Essa doeu.

Essa doeu.

Relembrando Matt Cassel

As chances são altas de que você conheça Matt Cassel. Provavelmente o odeie porque ele jogou no seu time, ou talvez lhe ache um palhaço porque jogou contra – de uma maneira ou de outra, você não o admira nem contaria com ele para ganhar jogos pela sua equipe do coração se ele iniciasse um jogo por ela.

OBS I: não é mesmo, Jerry Jones?

OBS II: ATENÇÃO TITANS CUIDEM DE MARIOTA!

Inclusive, a falta de crédito a Cassel é bem mais antiga que isso. Ele esteve na Universidade do Sul da Califórnia (a sempre potente USC) entre 2001-2004 e nunca iniciou uma partida como quarterback (33 passes e 11 corridas em quatro anos para um total de 224 jardas), estando na famosa melhor posição do mundo: esquentando o banco para Carson Palmer e Matt Leinart (inclusive, ambos ganharam o Heisman) tomarem porrada em campo, enquanto aproveitava a fama de ser QB do time da universidade. Bom, ao menos gostamos de imaginar que ele tenha aproveitado, mesmo que não mereça.

De qualquer forma, veio o draft e na sétima rodada ele acabou sendo escolhido pelo Dark Lord Belichik, em uma de suas tradicionais escolhas (no momento) incompreensíveis: já que ele queria um QB reserva para o estabelecido tricampeão Tom Brady, que escolhesse algum jogador que havia mostrado potencial no college (como o vencedor do Heisman, Jason White). De qualquer forma, mais três anos tranquilo se somaram à vida de Cassel.

Até que, na primeira rodada da temporada de 2008, em um lance complicado de definir, para não ser injusto com o safety (não sabemos se Pollard realmente foi maldoso, ou se apenas Brady teve azar de estar com a perna no lugar errado na hora errada), o então MVP da liga explodiu o joelho e foi decretado fora da temporada, dando passagem ao até então pouco testado e quase desconhecido Matt Cassel (alguns repórteres previam que ele sequer seria o reserva de Tom no ano); era a fórmula ideal para o fracasso, perfeitamente aceitável nessas circunstâncias.

E essa íngua (se hoje ele já é ruim, imagina quando ele não tinha começado um jogo sequer por oito anos) produziu 3693 jardas (oitavo na liga), 21-11 em TD-INT, 410 pontos totais (sétimo na liga, segundo na AFC) e 11 vitórias, que só não levaram o time aos playoffs (e sério, essa porra ia acabar ganhando o Super Bowl) por uma combinação bizarra de resultados. E foi a segunda e última vez que os Patriots não ganharam a AFC East desde o início da era Brady-Belichik (a primeira foi em 2002, entre os três Super Bowls).

Obviamente, é válido lembrar que o time veio de uma campanha invicta em 2007, o que mostra que a decadência sem Brady realmente aconteceu (ou seja, não, Brady não é só um QB simplesmente produzido pelo sistema em que está) – mas decair para 11 vitórias talvez seja a decadência ideal. E se Cassel talvez não merece tantos méritos, com certeza o New England Patriots (liderados por Belichik e seus moletons) merece: construir uma defesa, jogo corrido e alvos tão eficientes a ponto de funcionarem com qualquer QB é uma tarefa difícil.

Brady jogará até os 45 anos

Quando esperamos ansiosamente que Brady anuncie que irá se aposentar logo e aproveitar a vida com Gisele (essa, sim, já aposentada), esquecemos que ele talvez só não ganhou mais prêmios de “jogador mais valioso” por causa de Belichik, que insiste em montar uma defesa para apoiá-lo e ajudá-lo a ganhar jogos (inclusive ressuscitando jogadores que não conseguem jogar bem em nenhum outro time, como Patrick Chung ou Jabaal Sheard, que produziu oito sacks sendo titular em apenas um jogo em 2015 e já tem dois esse ano).

Além disso, é fácil ignorar que, ao contrário de Peyton Manning, ele é apenas um jogador de sexta rodada que não tinha grandes atributos físicos quando chegou à liga – e obviamente não evoluirá eles com a idade. O segredo está todo em sua capacidade mental de trabalhar defesas e em como o ataque dos Patriots foi evoluindo (os seus passes longos mágicos são muito mais técnica do que um braço parecido com Joe Flacco ou Matt Stafford) – desde os tempos em que só se corria e evitava vacilos, passando por Randy Moss e Aaron Hernandez, até chegar no que é hoje.

Originalmente, o sistema Erhardt-Perkins tem como lema “passes para marcar pontos, corrida para vencer jogos”, ou seja, precisa que seu quarterback realize grandes lançamentos para vencer partidas (coisa que Brady sempre se mostrou capaz de fazer), mas lhe retira muita pressão com um jogo corrido insuportável, trabalhando o famoso ground and pound para cansar a defesa e manter o ataque adversário fora de campo o maior tempo possível.

Obviamente, a partir disso se foi evoluindo, junto com Brady, já tricampeão do Super Bowl, enquanto chegavam melhores armas para o jogo aéreo e as mudanças de regras da liga o beneficiavam – que aumentou bastante a proporção de passes nesse ataque, como lembramos do ano mágico de 2007 (sabotado pelos Giants). Além disso, Brady também é muito bom em “vender” o play-action, mantendo sempre a defesa em dúvida e atacando-a nas suas costas.

Entretanto, não por isso o espírito do ataque mudou. Com a formação da dupla Gronkowski-Hernandez (agora tentando reeditar-se com Martellus Bennett ao invés de Hernandez, preso por assassinato – desde que Gronkowski consiga manter-se saudável) e Wes Welker (depois substituído por Julian Edelman), o sistema de passes curtos e rápidos, que diminuem as pancadas sofridas por Brady e se aproveitam de sua capacidade única de enxergar o recebedor certo na hora certa, junto com o no-huddle (em que o ataque não forma aquela rodinha no campo para repassar a jogada seguinte, mas vai diretamente para a linha de scrimmage) inferniza a defesa e a esgota, especialmente para os finais da partida.

Muso.

Muso.

Construindo Jimmy Garoppolo (ou Matt Cassel versão atualizada)

Quem viu a decadência súbita de Peyton Manning, de gênio MVP para meramente eficiente (por ser um gênio) e posteriormente para “é melhor que Brock Osweiler seja titular”, em duas temporadas sabe: todos estão sujeitos à idade. Pensando nisso, mesmo sendo uma equipe que está sempre em busca do Super Bowl – e, portanto, toda escolha, especialmente as iniciais, deve ter seu valor maximizado – quando teve a oportunidade de draftar Jimmy Garoppolo, de Eastern Illinois (mais conhecida como “universidade do Tony Romo”), no final da segunda rodada, Belichik puxou o gatilho.

O quarterback teve um período pre-draft incrível, sendo inclusive apontado como possibilidade para a primeira rodada, além de ser descrito como ideal para esse ataque: tomava boas decisões, de maneira rápida e com passes certeiros.

Dessa forma, Bill sabia que estaria protegido para o inevitável declínio de Tom Brady, caso ele acontecesse. Se não, ele esperava conseguir trocá-lo por uma escolha mais alta quando seu contrato de rookie chegasse próximo do fim. No final das contas, Garoppolo aproveitou, como Cassel, dois aninhos tranquilos segurando a prancheta e aprendendo cada elemento desse ataque.

Ao contrário de Cassel, para sua sorte, Jimmy descobriu que teria a oportunidade de ser titular bem mais cedo, com toda uma pré-temporada para preparar-se, já que sua oportunidade veio não por decadência ou acidente de Brady, mas sim por suas já conhecidas “maracutaias” – ou o que quer que queiram chamar o Deflategate.

Muito também foi feito para facilitar as coisas para o basicamente rookie (pelo menos no que consta em seus 31 passes lançados antes de 2016), o time voltou às origens de Erhardt-Perkins: basta olhar para LeGarrette Blount, líder em jardas corridas na NFL até o momento, em grande parte por suas absurdas 75 carries em 3 partidas (que seriam 400 em 16 jogos) para um corredor sem grande potencial para grandes jogadas.

Assim, obviamente, ele correspondeu às expectativas e acertou 70% dos seus passes para quase 500 jardas e 4 TDs em um jogo e meio mesmo sem poder contar com o seu suposto principal alvo, antes de também se machucar.

Making a Jacoby Brissett

Vá a qualquer empresa dos Estados Unidos e eles devem ter pelo menos um funcionário de capacidade parecida. Até agora não sabemos exatamente de onde surgiu Brissett (draftado antes de jogadores muito mais conhecidos e teoricamente mais capazes, como Connor Cook, Dak Prescott e Cardale Jones) – mas é assim que o homem trabalha; a big board do draft de Bill Belichik é dita ser seguida à risca, além de conter pouquíssimos jogadores (100-150), o que às vezes leva a escolhas “diferentes”, sobre as quais todos já aprendemos a calar a boca e não duvidar que funcionarão.

Tudo dá errado; começamos com três vitórias

É possível viver sem Brady. Isso todos imaginávamos, porque esse ataque está bem montado. Obviamente se produziria menos e não se pode esperar milagres típicos de quarterbacks de elite, mas com bons alvos como Dion Lewis e Rob Gronkowski, além de uma proteção sólida começando por um grande LT Nate Solder, não era difícil imaginar um início de temporada consistente.

Exceto que todos eles se machucaram. Gronk está voltando lentamente, mas obviamente não é aquele, MELHOR TE DA LIGA, que estamos acostumados a ver. Até o próprio Garoppolo se machucou (depois de 4 TDs e duas vitórias) e Jacoby Brissett, apenas um rookie de qualidade duvidosa, teve a chance de ser titular. E jogou (razoavelmente) bem! Ou pelo menos não acabou com o time.

E agora Brissett também sofreu uma lesão e é dúvida junto com Garoppolo para o jogo contra o Bills. A melhor opção seria fazer que Tebow deixasse de brincar de beisebol e voltasse por pelo menos um jogo SÓ PELA ZOEIRA (e para dar alguma emoção). Mas Belichik vai acabar escalando Julian Edelman – e quando lembramos do seu passe para Amendola nos playoffs de 2014, alguém apostará em Rex Ryan nesse matchup?

Se Brady jogará mais uns 10 anos, Bill treinará eternamente

Válido lembrar que para a rodada 5, Brady volta, lindo e 100% saudável, como se estivesse começando a temporada (porque, atenção, ele está), o que pode acabar fazendo com que a suspensão acabe até sendo benéfica para ele (!) – afinal, do alto dos seus 39 anos, mesmo que sua intenção seja jogar até os 45 anos (e nesse estilo de jogo, não duvidamos), melhor fazer cada snap valer o máximo.

Junto com ele, Rob Gronkowski deverá estar saudável. E mesmo que não esteja 100%, não é como se isso lhe fizesse falta para ser o melhor TE da liga e ainda acabar sendo o que recebe mais TDs no final da temporada. Além disso, esperamos ansiosamente que Dion Lewis (outro que nunca havia conseguido produzir antes de Bill Belichik) possa voltar saudável e jogar o final da temporada em um nível próximo ao eletrizante início que teve em 2015 (622 jardas e 4 TDs em 85 toques e 6 jogos como titular), sendo mais uma arma para esse jogo de passes curtos [chato] dos Patriots.

Por último, também não podemos esquecer da importância dessa defesa, que é quinta em pontos sofridos e a sétima que menos fica em campo, que simplesmente acabou com Houston na última rodada e parece melhor mesmo após “perder” Chandler Jones (trocado para os Cardinals). Lembrando que, apesar de todo o brilhantismo do ataque, a grande especialidade de Belichik é a defesa – e onde ele parece sempre capaz de tirar o máximo de todo jogador medíocre.

A última esperança.

A última esperança.

E se Dick LeBeau, coordenador defensivo, ainda tem seu cargo do alto de seus 79 anos, Bill, com 64, deve ter pelo menos mais 15 para aterrorizar a liga. De qualquer forma, é melhor que os Bills apareçam bem esse domingo e mostrem que Belichik é humano. Do contrário nos restará rezar para que Eli Manning, Jason Pierre-Paul e cia ajeitem suas vidinhas na NFC e reapareçam para salvar o dia e evitar o pentacampeonato desses malditos gênios.

As 9 postagens mais imbecis do Facebook de Tom Brady (e uma imagem perdida)

É comum atletas profissionais contratarem equipes inteiras para gerenciar e promover o conteúdo publicado em suas páginas nas redes sociais. Esse parece não ser o caso de Tom Brady. Não se sabe ao certo quem é o responsável pela criação do conteúdo postado em seu Facebook OFICIAL (sim, tem a marquinha lá confirmando), porém o QB do New England Patriots abusa de imagens bem humoradas e de montagens grotescas em seus posts. Se não é um primor de qualidade, o Facebook de Brady mostra o lado humano e, de certa forma, ingênuo de um dos maiores QBs de todos os tempos.

Com muita alegria (e perplexidade) selecionamos os POSTS MAIS BIZARROS DO FACEBOOK DE TOM BRADY:

1 – Tom Brady e Rob Gronkowski parecem ter um relacionamento que vai muito além da melhor dupla de QB e TE que já pisou em um gramado. Aparentemente, por algum motivo que nem o mais competente dos psicólogos conseguiria explicar, Brady sentiu a necessidade de fazer uma montagem saindo de um bolo cor de rosa em homenagem ao aniversário de Gronk.

Brady Gronk I

Gronk retribuiu com uma pegadinha marota de primeiro de Abril durante uma soneca de Tom.

Brady Gronk II

2 – Por que, Tom? Qual o sentido disso? Você é um dos maiores de todos os tempos, Tom. Não tem necessidade.

Edelman Leap

3 – Tom parece ficar bem animadinho quando seu adversário tem um cavalo como mascote.

Colt Bronco

4 – Talvez as duas derrotas para o NY Giants em Super Bowls consigam explicar o que se passa no subconsciente de uma pessoa que produz a imagem abaixo. Entendemos, Tom. Muito didático: o Patriots, com trabalho em equipe, derrubará o gigante.

Giants

5 – Ainda bem que Tom esclareceu que a imagem AINDA não é real.

Cliff Jumping

6 – Pô, Tom, isso é bullying.

Willfork

7 – Brady é um pai muito amoroso e participativo. Neste vídeo podemos ver o momento em que ele sai debaixo de uma pilha de folhas vestido de peru, o que deixou seus filhos completamente aterrorizados.

8 – Além de murchar bolas, Tom parece buscar vantagem competitiva usando uniformes totalmente inapropriados.

Hockey

9 – Será montagem?

Ping pong

10 – Ok, essa não saiu do Facebook, mas não poderia ficar de fora.

Goat