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Super Bowl ou bust

O Los Angeles Rams foi o responsável pela maior reviravolta na NFL em 2017. Depois de ter o pior ataque da liga em termos de pontos em 2016, o time passou direto para a liderança no ano seguinte. Em sua triste primeira temporada de volta a Los Angeles, foram 224 pontos, uma média ridícula de 14 pontos por jogo. Não foi apenas o pior ataque da temporada 2016: o Rams de Jeff Fisher foi o pior ataque dos cinco anos anteriores. Em 2017, o contraste foi impressionante: o time produziu 478 pontos, média de 29,9 pontos por jogo, a melhor da Liga e mais do que o dobro do que a franquia tinha produzido na temporada anterior.

Em um esporte tão coletivo quanto o futebol americano, é difícil creditar os sucessos a apenas um dos personagens, mas é impossível não citar, em primeiro lugar, Sean McVay. Head Coach mais jovem a assumir o cargo na história da NFL, McVay era uma incógnita tanto pela sua idade quanto pela sua inexperiência. Apesar das dúvidas, transformou um dos ataques mais modorrentos da história em uma máquina de anotar pontos. Além do renascimento ofensivo, McVay foi o responsável por levar o time aos playoffs após mais de uma década.

Com times muito parecidos, Jeff Fisher e Sean McVay produziram resultados bastante diferentes. Jeff Fisher é um idiota? Provavelmente sim, pelo menos nos últimos anos de sua carreira como HC. Sean McVay é um gênio? É um pouco cedo para dizer, mas com certeza foi um excelente início.

De óculos escuros porque o futuro é brilhante.

Construindo muito a partir do que parecia pouco

O principal mérito de Sean McVay no ressurgimento do Los Angeles Rams como uma das principais forças da NFL foi ter conseguido montar um sistema ofensivo eficiente que obteve o máximo do que os seus jogadores poderiam dar. O principal beneficiado pela chegada de McVay foi o RB Todd Gurley. Com Jeff Fisher, em 2016, Gurley produziu 1212 jardas de scrimmage, seis TDs e já estava começando a ser pintado como um potencial bust, após as expectativas geradas sobre ele.

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Com McVay, porém, o RB totalizou 2093 jardas, 19 TDs e foi o segundo colocado na votação para MVP da temporada. Se o prêmio não fosse tão direcionado a QBs e levasse em conta a importância individual do jogador para o seu time, Gurley teria desbancado Tom Brady.

Em uma era de intensa desvalorização da posição de RB, os Rams não resistiram: a temporada maravilhosa de Gurley rendeu uma extensão contratual de quatro anos, valendo US$ 57,5 milhões, com US$ 45 milhões garantidos e um bônus de assinatura de contrato de US$ 21 milhões. Para efeito de comparação, o maior contrato de um RB até então era o de Devonta Freeman, do Atlanta Falcons, que tinha um valor total de US$ 41,25 milhões, com US$ 18,3 milhões garantidos, menos da metade do que recebeu Gurley.

Os números inflados não são apenas uma vitória pessoal do RB do Rams, mas representam também um alívio para toda a classe de RBs que está em busca de novos contratos e que agora finalmente tem um parâmetro favorável para negociações (alô, LeVeon Bell).

O sorriso inocente de um milionário.

O alto salário de Gurley demonstra exatamente o que o Rams espera dele para 2018 e por, pelo menos, outros 4 anos: um jogador forte, versátil, que é uma arma tanto no jogo terrestre quanto no jogo aéreo. E é exatamente isso que Gurley deve continuar sendo. Esperar que ele supere as duas mil jardas novamente em 2018 talvez seja uma expectativa exagerada, mas 1600 jardas totais, 14 TDs e um lugar cativo entre os três principais RBs da NFL são números razoáveis para se esperar de um jogador tão talentoso em um sistema tão eficiente.

Outro atleta que foi profundamente beneficiado pela chegada de Sean McVay foi o QB Jared Goff. Não se sabe exatamente o que McVay sussurra nos ouvidos de Goff antes de cada jogada, mas a transformação é visível. Novamente, não há como não usar uma enxurrada de números para comparar a Era Fisher com a Era McVay. Com Fisher, quando parecia um idiota em campo, Goff jogou sete partidas, teve sete derrotas, lançou sete INTs e apenas cinco TDs: um desastre para uma primeira escolha de draft. McVay chegou, tirou o adesivo de bust que já estava colado nas costas de Goff e moldou um novo jogador: Goff não chegou a ser espetacular em 2017, mas seus 28 TDs e apenas sete INTs o colocaram novamente entre os QBs jovens mais promissores.

Todd Gurley continuará sendo o foco ofensivo do Rams em 2018, mas o coringa desse ataque é Jared Goff. Se conseguir dar o próximo passo – ou pelo menos manter o que fez em 2017 – o Rams não terá problemas na posição de QB. Talvez nunca apareça entre os melhores QBs da liga, mas Jared Goff provou que é competente o suficiente para ser uma engrenagem importante para o sistema funcionar.

À sua disposição, Goff terá o WR Brandin Cooks, que chega como um claro upgrade em relação a Sammy Watkins, dispensado pelo Rams na offseason. Cooks é o típico jogador que pode se beneficiar de um esquema bem montado, exatamente como o que o Rams tem. Se não tem uma grande capacidade de quebrar tackles ou de ganhar bolas disputadas, Cooks pode causar estragos em profundidade ou quando recebe a bola com espaço. É provável que o sistema de McVay seja favorável as suas habilidades e que ele consiga em 2018 sua quarta temporada seguida com 1000+ jardas e 7+ TDs.

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Cooper Kupp, que fez uma ótima temporada de calouro, e Robert Woods, que foi a grande surpresa do time na temporada passada, são ótimos complementos a Cooks e devem dar a Goff a segurança necessária para que o ataque aéreo continue eficiente.

O ataque do Rams deve sofrer com um leve declínio na performance ofensiva em 2018: tudo que fica muito fora da curva, como a temporada 2017, tende a voltar ao chão (ver Atlanta Falcons, 2016). Mas o time deve, pelo menos, fazer o suficiente para manter a qualidade acima da média e figurar entre os cinco melhores ataques da NFL.

Defesa: a criação do Dream Team

Se o ataque permaneceu praticamente o mesmo em relação a 2017, o que realmente mudou no Los Angeles Rams para 18 é a defesa. As adições de Marcus Peters, Aqib Talib e Ndamukong Suh transformam uma unidade que andava em cima da linha da mediocridade na temporada passada no primeiro dream team da NFL desde o Philadelphia Eagles de 2011 (desculpem).

É tudo bom demais para ser verdade: Peters e Talib formam uma das melhores duplas de CBs da liga, talvez apenas atrás dos grupo de Jacksonville; Lamarcus Joyner é um dos melhores Safeties da liga; e Suh aumenta ainda mais a pressão pelo interior da linha defensiva, que já era grande apenas com Aaron Donald. O potencial da defesa é imenso e pode ser o grande diferencial na competitiva NFC.

Porém, há uma questão que precisa ser resolvida para que o sucesso defensivo do Rams em 2018 se concretize: o holdout de Aaron Donald, talvez o melhor jogador defensivo da NFL atualmente. Donald está em busca de um novo contrato e ainda não se apresentou para o training camp do Rams.

A distribuição de vastas quantidades de dinheiro nos contratos de Gurley, Suh, Peters e Talib deve estar povoando a mente do jogador, que pode inclusive não jogar a temporada regular. A chave da temporada defensiva do Rams está aí: se a renovação contratual acontecer e não houver um holdout que se estenda até a bola rolar, a defesa do Rams pode, tranquilamente, ser a melhor da liga.

A NFL talvez nunca tenha visto uma dupla de interior rushers como Donald e Suh, que podem compensar qualquer defeito nas posições de edge rushers e linebackers, já que o time perdeu os veteranos e eficientes Robert Quinn e Alec Ogletree e não fez grandes esforços para substituí-los.

Insistimos: paguem o homem!

Há quem acredite que personalidades explosivas e controversas como as de Suh, Peters e Talib, que não deixaram muitos amigos por onde passaram, podem acabar criando um ambiente explosivo, mas a experiência do coordenador defensivo Wade Philips deve ser suficiente para controlar eventuais rebeldias. Além disso, enquanto o time estiver ganhando, não há motivo para briga. E isso deve acontecer com bastante frequência, já que, ao contrário do Eagles de 2011, o Rams não deve cair na armadilha do dream team e se transformar em piada.

Palpite

O cheirinho de Super Bowl está tomando conta das ruas de Los Angeles. Se o Rams estivesse na AFC, poderíamos cravar pelo menos a chegada à final de conferência, quando inevitavelmente (e infelizmente) perderia para o New England Patriots. Mas a NFC apresenta desafios maiores e há vários times que podem ser um empecilho na caminhada para o título de conferência. Mesmo que não jogue tudo o que se espera dele, o Rams deve vencer com tranquilidade a NFC West e talvez até conseguir um bye na primeira semana de playoffs. Uma campanha 12-4 é um cenário bastante provável. Porém, se o potencial de dream team for plenamente atingido, pelo menos a posição de favorito na final da NFC é quase certa. A partir daí, seja o que Sean McVay quiser.

Análise Tática #5 – O renascimento do Buffalo Bills

Buffalo Bills e Los Angeles Rams fizeram o confronto de dois times que começaram a temporada terrivelmente mal, mas que conseguiram dar a volta por cima de maneira surpreendente. Na primeira semana, o Los Angeles Rams não conseguiu fazer um ponto sequer no horroroso San Francisco 49ers, em um Monday Night Football que entrou para a história como uma das coisas mais horríveis já televisionadas. Enquanto isso, o Buffalo Bills perdia para o Baltimore Ravens anotando apenas sete pontos e mostrando um football bem fraquinho, para não usar palavras mais pesadas. O Bills ainda seria derrotado pelo New York Jets em casa, na semana dois, tomando sonoros 37 pontos de Ryan Fitzpatrick e companhia.

Após o fracasso inicial, Bills e Rams, que pareciam condenados a uma temporada de dor e sofrimento, conseguiram resultados surpreendentes e não foram mais derrotados. Ambos conseguiram bater o Arizona Cardinals, considerado um dos melhores times da liga e, até então, um dos favoritos para chegar ao Super Bowl. O Rams ainda venceu o também forte Seattle Seahawks, em uma excelente performance defensiva que permitiu apenas três pontos para o time de Russel Wilson. Enquanto o Rams chocava o mundo desbancando seus rivais de divisão Cardinals e Seahawks, o Bills ia até Foxborough e derrubava o todo poderoso New England Patriots sem tomar nenhum ponto.

Em Los Angeles, no domingo, um dos dois teria que cair. E quem caiu foi o Los Angeles Rams, em uma derrota por 30 a 19, que foi mais apertada do que aparenta o placar. O jogo foi marcado por uma boa performance do jogo terrestre do Bills e por uma tentativa de fake punt do Rams no final do jogo. Vamos ver como tudo aconteceu:

Corrida de 53 jardas de LeSean McCoy:

Um dos responsáveis pelo renascimento do Buffalo Bills é o RB LeSean McCoy. Com a contusão do WR Sammy Watkins, McCoy se tornou ainda mais o foco do ataque do Bills e tem carregado o time nas costas. Contra o Los Angeles Rams, por exemplo, foram 150 jardas corridas, que colaboraram para a excelente média de 5,3 jardas por corrida até a quinta semana da temporada.

Os bons números são conseguidos através de jogadas como a que será analisada a seguir, em que McCoy conseguiu 53 jardas e quase anotou o TD. Na formação pistol, o Bills colocou três jogadores de linha ofensiva do lado esquerdo do Center (lado direito da imagem), deixando apenas um bloqueador do lado direito, acompanhado pelo TE e pelo FB.

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Após o snap, o QB Tyrod Taylor fez o movimento de entregar a bola para o lado direito, enquanto o FB e o jogador de linha ofensiva que estava à direita do C se deslocavam para bloquear do lado esquerdo.

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A formação usada pelo Bills e a movimentação do QB antes de entregar a bola para McCoy proporcionaram uma situação muito favorável para o corredor do Bills: excesso de defensores do lado esquerdo da imagem e bloqueadores suficientes do lado direito.

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Os dois defensores que não estavam sendo bloqueados seriam a última esperança do Rams para evitar um ganho de jardas enorme e não conseguiram fazer o tackle.

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A partir daí, McCoy só teve o trabalho de seguir seu FB e conquistar 53 jardas, sendo parado apenas na linha de 6 jardas pela secundária do Rams.

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A pataquada da semana:

Apesar de ter conseguido a vitória, o Bills foi o responsável pela jogada mais ridícula da semana (ou do ano, ou da década, talvez). Para que um snap seja bem sucedido, é necessário que o QB esteja posicionado exatamente atrás do Center. Para Tyrod Taylor, porém, esse é um paradigma a ser quebrado. O QB do Bills não percebeu (será?) que estava posicionado atrás de seu Left Guard.

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Mesmo assim, o snap foi feito e, obviamente, a bola passou reto, para o desespero de Taylor.

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Por sorte, o QB do Bills conseguiu recuperar a bola e evitar que essa cena ridícula se transformasse em um TD defensivo para o Rams.

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Fake punt:

Em uma quarta descida para cinco jardas, perdendo por 23 a 19, com 3:48 no relógio no último quarto e ainda com três tempos para pedir, o Rams tomou a questionável decisão de tentar um fake punt. Ao invés de mandar a bola para o Punter, posicionado na parte de baixo da imagem, o snap foi feito para o jogador camisa 15, que tentou a corrida para o lado direito.

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Porém, o time especial do Bills estava atento à possível gracinha e imediatamente se deslocou para o lado direito do ataque.

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Com a rápida reação da defesa, o corredor do Bills se viu diante de quatro defensores, com apenas um bloqueador a sua disposição, uma conta que não fecha quando é necessário ganhar pelo menos cinco jardas.

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A jogada obviamente não funcionou e o Rams acabou tomando um TD no drive seguinte, em uma decisão extremamente questionável.

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