Posts com a Tag : Quarterback

Sonho de noites de verão, por Andrew Luck e amigos

A temporada 2017 começará de uma forma diferente para o torcedor do Indianapolis Colts: dessa vez, há esperança. Se no início de sua carreira Andrew Luck conseguiu mascarar as falhas da equipe, levando até mesmo a ideia de que a temporada 2015 era algo como “tudo ou nada” – acabou sendo nada -, nos últimos anos isso não foi possível. Seja por problemas de lesão ou pela simples inaptidão de seus companheiros de equipe de, bem, jogar futebol americano como seres humanos, Andrew não conseguiu levar os Colts aos playoffs.

A situação era tão crítica que até Jim Irsay percebeu. E, para tentar resolver os problemas de Andrew Luck da franquia, demitiu o general manager Ryan Grigson ao final de janeiro. Contamos aqui por que a partida de Grigson pode ser qualificada, basicamente, como “pior que está, não fica”.

Para o seu lugar, os Colts foram até Kansas City buscar Chris Ballard, nome muito bem quisto ao redor da liga (sejamos francos, nem meia dúzia de brasileiros sabiam quem era esse cara até ele chegar em Indy – mas, aparentemente, ele é fera mesmo).

Pelo menos é uma carinha mais confiável depois de Ryan Grigson.

Ballard começou sua trajetória em Indianapolis chutando alguns traseiros: D’Qwell Jackson; Arthur Jones; Patrick Robinson e até mesmo o long snapper, Matt Overton. Além disso, contratos de alguns jogadores carinhosamente apelidados pela torcida de “pesos mortos” não foram renovados, como os casos de Trent Cole e Erik Walden. Para completar, Dwayne “mãos de pedra” Allen foi trocado com o New England Patriots onde, claro, milagrosamente encontrará a coordenação motora necessária para se tornar um atleta profissional.

Já para suprir as “perdas”, a forma como Ballard trabalhou na Free Agency foi diferente daquela que os Colts viram fracassar em 2015, quando a franquia contratou jogadores velhos e caros – o já citado Trent Cole, Andre Johnson, Todd Herremans e Frank Gore. Dessa vez, porém, os reforços foram pontuais e mais baratos.

Nem tudo são flores

Apesar da demissão de Ryan Grigson, o técnico Chuck Pagano foi mantido. Por ter sobrevivido a Black Monday, Chuck tinha o timing a seu favor: não restavam muitas opções de qualidade no mercado e, os nomes que sobravam já estavam apalavrados com outras franquias (coff coff Kyle Shanahan coff coff). Existem também rumores que Jim Irsay pediu para Ballard dar uma chance a Pagano e, caso nada dê certo, ele terá passe livre pra se livrar dele ao final da temporada.

Considerando as mudanças e que Andrew Luck vem de uma cirurgia no ombro, podemos dizer que não há muita pressão para os Colts vencerem nessa temporada. Há, no entanto, a necessidade real de melhora. A torcida não espera que esse time chegue ao Super Bowl – se chegar, ótimo, mas o objetivo principal é evoluir e ter um elenco capaz de competir em alto nível pelos próximos anos.

Respeitem meus meninos

Algumas pessoas insistem em achar que Andrew Luck é overrated. Não vamos perder tempo com elas. Para a posição de quarterback os Colts estão bem servidos, sendo a única interrogação se Luck perderá algum tempo e o quanto isso afetará seu jogo; a cirurgia a que ele foi submetido é considerada delicada e, truque do destino, no ombro que ele usa para lançar.

Por outro lado, se a linha ofensiva foi o calcanhar de aquiles do ataque por muito tempo, hoje podemos dizer que não há tanta preocupação com a unidade quanto em outras épocas. Apesar do número alto de sacks do último ano, claramente houve uma progressão depois da segunda metade da temporada. E, além disso, os bloqueios para a corrida foram uma grata surpresa: de acordo com o Football Outsiders, a unidade foi a terceira melhor da liga no jogo corrido, em jardas ajustadas. Isso considerando que três dos cinco atletas da linha eram calouros em 2017, a tendência para a próxima temporada é de uma melhora ainda mais significativa.

No entanto, o ataque terrestre, quando falamos dos running backs, não é muito animador. Frank Gore está um ano mais velho e cada vez mais lento, enquanto Robert Turbin foi usado mais como fullback em seu primeiro ano. Já o calouro Marlon Mack, um dos atletas mais explosivos dessa classe do draft, ainda é muito inexperiente em alguns aspectos do jogo (bloqueios, por exemplo). Mesmo assim caberá a ele dar explosão as carregadas da equipe e, a menos que alguém surpreenda, o grupo de RBs está longe de empolgar.

No corpo de wide receivers, a exceção sendo a boa adição de Kamar Aiken, os nomes são praticamente os mesmos. TY Hilton liderou a NFL em jardas recebidas, apesar de muita gente achar que ele não é tudo isso. Suck it, haters. Donte Moncrief, que perdeu parte do último ano por lesão, está no último ano de seu contrato e fará de tudo para garantir um bom salário. Abaixo deles no dept chart, restam Phillip Dorsett, que precisa provar seu valor para não ser cortado e Chester Rogers, que tem atraído muitos elogios pelo seu trabalho na offseason.

Maior número de jardas recebidas em 2016. Still underrated.

Melhorou – até porque não havia como ficar pior

A unidade está completamente remodelada. O adeus de jogadores velhos ou meia-bocas obrigou Indianapolis a reformular o setor defensivo: não se surpreenda se em algum momento da temporada todos os jogadores em campo forem nomes que estarão no seu primeiro ano em Indianapolis.

Já a linha defensiva, além de contar com o retorno de Kendall Langford e de Henry Anderson, dessa vez mais saudável, tem a boa adição de Johnathan Hankins, um dos melhores DTs da liga. Além deles, Hassan Ridgeway e TY McGill, que já mostraram potencial, o novato Glover Stewart, e os veteranos Al Woods e Margus Hunt batalham por vagas no elenco final.

O corpo de LBs também será outro: Jon Bostic e Sean Spence devem ser os titulares no lugar de Edwin Jackson e Antonio Morrison, que eventualmente brigarão pela titularidade e podem ser reservas de qualidade, mais experientes e com menor pressão.

No caso do pass rushers, a unidade deixa de ser um asilo: apenas Akeem Ayers retorna. O calouro Tarell Basham e os veteranos Jabaal Sheard, John Simon e Barkevious Mingo dão nova vida ao grupo, que dificilmente será pior que no último ano.

Por fim, a secundária conta com o retorno de Vontae Davis, no último ano de seu contrato; de Rashaan Melvin, que foi uma grata surpresa em 2016; Darius Butler, que pretende ser uma espécie de híbrido entre CB e S em tempo integral, depois de uma boa experiência alternando posições na última temporada; e Clayton Geathers, que deveria ser um dos safeties titulares, mas vem de lesão delicada no pescoço, e seu futuro na liga ainda é incerto.

Em contrapartida, o segundo-anista TJ Green, apesar de seu talento atlético, tem caído cada vez mais no dept chart, treinando muitas vezes com o terceiro time em alguns momentos. Matthias Fairley, que muitos torcedores sequer sabem quem é, pode ser o reserva imediato na posição de safety. Chegam ainda ao grupo Malik Hooker, um steal para os Colts na primeira rodada do draft, e Quincy Wilson, que facilmente poderia ser escolhido na primeira rodada não fosse essa uma classe recheada de bons CBs.

Palpite: A AFC South não é mais a baba que era alguns anos atrás, onde mesmo com elencos fracos, os Colts venciam com facilidade. Como a equipe se sairá dentro da própria divisão definirá a classificação para os playoffs, considerando que a schedule é teoricamente fácil. Não podemos nunca descartar um time comandado por Andrew Luck, mas chegar ao Super Bowl ou mesmo ao AFC Championship, no entanto, pode ser considerado um sonho impossível.

Uma carta para Deus (você também deveria sentir falta de Tim Tebow)

Caro Tebow, criador de emoção em jogos fáceis, padroeiro dos QBs medíocres, injustiçado por Rex Ryan e Chip Kelly e verdadeiro Messias nas horas vagas.

Lia esses dias uma reportagem em que você aparecia ressuscitando um homem em um voo comercial e fiquei grato de saber que continua operando milagres também fora dos gramados. Também me agradou ver você dando o bolo na convenção republicana de Donald Trump. Mas tudo isso me fez perceber a necessidade de dizer que sinto a sua falta. A minha saudade aumentou ainda mais hoje enquanto estudava a lista de quarterbacks previstos para serem titulares na semana 1 dessa temporada que se inicia em setembro de 2016.

Não é possível que todos estejam cegos e não vejam o mesmo que eu: que tipo de piada são Blaine Gabbert e Case Keenum (ainda que seja para que Jared Goff tenha tempo de se adaptar a liga – o que também não é o que se espera de uma primeira escolha de draft séria) comandando times que jogam na que era aparentemente a divisão mais forte da NFL? Geno “desbocado” Smith esteve lá por um bom tempo, aparentemente mantendo o assento de QB titular na sala de reuniões quente para Ryan Fitzpatrick, mas também pode ser que o general manager Mike Maccagnan tenha cansado de negociações e simplesmente decidido que Smith pode produzir como “fruto do sistema” do OC Chan Gailey.

Olhamos para essa imagem e só conseguimos lembrar dos dois dividindo o campo com Sanchez como WR...

Olhamos para essa imagem e só conseguimos lembrar dos dois dividindo o campo com Sanchez como WR…

Ou então Robert Griffin III e Sam Bradford (também só criando tempo para Carson Wentz, segunda escolha do draft), ali baseados em um suposto potencial que só apareceu em uma boa temporada para nunca mais voltar. Você também teve uma boa (incrível) temporada, antes de ser desprezado por um saco de batatas disfarçado de Peyton Manning, para quem a incrível defesa criada por Wade Phillips e liderada por Von Miller deu de presente o segundo Super Bowl da carreira – o segundo que ele ganhou (sempre válido lembrar: o primeiro, de 2006, pelos Colts, ele ganhou contra o incrível Rex “Sexy Rexy” Grossman). Com certeza o caminho teria sido bem mais divertido se John Elway e John Fox não tivessem lhe passado a perna.

Também me dói lembrar que no mesmo 2011 em que você botou Tim Tebow na história da NFL foram draftados no primeiro round o já citado Blaine Gabbert (pelos Jaguars), Jake Locker (Titans) e Christian Ponder (Vikings), que continuaram tendo chances de mostrar o seu valor pelo menos até 2014, oportunidade que não lhe foi dada. Hoje, as três equipes já voltaram a gastar novas escolhas de primeiro round em outros quarterbacks (Bortles, Mariota, Bridgewater respectivamente), que poderiam ter investido melhor (junto com os anos desperdiçados) se dessem a oportunidade a quem realmente merece.

Dizem por aí que você é um mau quarterback porque lhe faltam bons números. A esses, eu lembro que Andy Dalton (25 TDs para 7 interceptações apenas) e Kirk Cousins (4166 jardas, rating de 101.6) não conseguiram vencer nenhum jogo de playoff mesmo depois da melhor temporada de suas carreiras. Pior ainda, Ryan Tannehill, Philip Rivers e Matthew Stafford podem lançar para 4000 jardas aparentemente toda temporada e nunca nem pisar na pós-temporada. Quão melhor podem ser esses QBs quando um com 46.5% de passes completos e 1729 jardas em 11 jogos é quem realmente consegue levar seu time em frente?

Ou ainda, caro Tebow, podemos ser mais humildes e aceitar que você não seja adequado a todo tipo de sistema e por isso nem todos os times possam ter você como primeira opção. Mas eu tenho certeza que Bruce Arians poderia ser criativo e que você ganharia mais jogos do que Drew Stanton ou aquele desfile de QBs da CFL que os Cardinals têm guardado para quando Carson Palmer inevitavelmente se machucar.

Tebowing eterno.

Tebowing eterno.

A situação no Texas não é diferente. Brandon Weeden, do alto da sua velhice combinada com inexperiência, jogou tanto por Dallas (quando Tony Romo também inevitavelmente quebrou algo) quanto por Houston – que não satisfeitos, deram quase 20 milhões por ano para o pouco testado Brock Osweiller. E nada é mais deprimente que ter Brandon Weeden como titular no seu time, a não ser, talvez: ver seu salary cap todo preso a Drew Brees e Joe Flacco e o resto do time complementado com jogadores medíocres; sonhar que um dia Alex Smith chegará a mostrar-se capaz de fazer grandes jogadas e ganhar títulos; ou ainda ter que imaginar mais um ano com Jay Cutler e todo o seu espírito de liderança e motivação pela vitória.

Mas talvez não possa me indignar com times que nunca tiveram a oportunidade de te ter vencido em campo, e por isso lhe confesso que a real motivação dessa carta indignada foi ter percebido que o bizarro Mark Sanchez, o mesmo que Rex Ryan insistiu em manter na titularidade dos Jets a sua frente porque “você não era bom o suficiente nos treinamentos”, será responsável por comandar o seu mesmo Denver Broncos, da defesa magnífica atual campeã do Super Bowl, e saber que ele é capaz de ser levado a disputar o título da AFC como fez em 2009 e 2010 com uma outra grande defesa, do New York Jets. E que, novamente, falhará, porque lhe faltará a estrela que reserva Deus aos campeões.

E essa, qualquer um que tenha um mínimo de coração e memória, se arrepiará lembrando que você tem*. Porque parece que foi ontem que todos nos maravilhamos naquele final de jogo em Denver contra os Steelers de Big Ben Roethlisberger (um QB de verdade, 4000+ jardas 30 TDs blablabla), no ano de 2012, devido aquele passe de pura iluminação para o escolhido WR Demaryius Thomas, que o carregou para marcar um TD de 80 jardas encerrando uma das prorrogações mais rápidas, mas não menos emocionante, da história dos playoffs da NFL.

E aqui um fã registrou Tebow realizando seu milagre dentro de um avião.

E aqui um fã registrou Tebow realizando seu milagre dentro de um avião.

Por último, válido lembrar também todos os sinais deixados em seus stats daquele seu último grande jogo: 316 jardas passadas, 31.6 jardas por passe completo (um recorde da NFL) e os níveis de audiência máximos nos EUA de 31.6, remetendo diretamente à passagem bíblica João 3:16:

“Porque Deus amou tanto o mundo que nos deu seu único Filho, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas alcance a vida eterna. ”

Eu seguirei acreditando e esperando seu retorno.

Amém.

*a derrota por 45-7 para os Patriots que seguiu a esse jogo histórico pode ser muito bem atribuída a uma defesa inexperiente, em que Von Miller era apenas um rookie. Hoje, certamente, isso não se repetiria. Especialmente porque o próprio Tebow teria muito mais rodagem do que tinha em seu apenas segundo jogo de playoff.