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Exorcizando fantasmas

Pittsburgh foi um ótimo time, com um ataque empolgante e uma defesa sólida em 2017 – tudo muito bom para ser eliminado no Divisional Round contra um Jaguars semi-virgem em pós-temporada; a tão esperada revanche contra o New England Patriots não se concretizou e o Steelers foi relegado a uma offseason com muito a ponderar sobre passado, presente e, sobretudo, futuro; não há como cravar por quanto tempo o trio composto por Big Ben, Antonio Brown e Le’Veon Bell se manterá unido, mas enquanto eles estiverem no Heinz Field, o Steelers é um candidato ao Super Bowl.

Novos (velhos) dramas

Em 2017, mais uma vez, Ben Roethlisberger “anunciou cogitar” a aposentadoria, para a surpresa de absolutamente ninguém. Um ponto crítico, aliás, foi a derrota para o Jaguars ainda na temporada regular, quando após ser interceptado cinco vezes em uma atuação constrangedora, Ben declarou não ter mais o que era necessário para um Quarterback – seja lá o que isso signifique. Mas Roethlisberger se recuperou e levou os Steelers para os playoffs, mudando o discurso e sugerindo que ainda poderia atuar mais três ou quatro anos em alto nível.

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Dramas à parte, esta é uma ótima notícia para Pittsburgh que, enquanto tiver Ben como QB, sempre será favorito na AFC. Em 2017, porém, pela primeira vez desde 2011 Roethlisberger não terá ao seu lado o OC Todd Haley, que rumou para os Browns; Randy Fichtner, até então treinador de QBs, assumiu o cargo.

Aqui não há motivos para preocupação, visto que não há buracos a preencher no sistema ofensivo do Steelers (há anos entre as melhores unidades da NFL), mas espera-se que o Fichtner aproveite ainda mais o potencial do veterano QB, que não apresenta sinais de declínio em seus números – eles têm sido os mesmos individualmente desde que Ben começou a atuar ao lado de Brown e Bell, exceção ao ano passado, com alguns problemas na redzone não habituais ao Steelers.

Em 2018 as mesmas armas estarão à disposição: Antonio Brown é, sem dúvida, o melhor WR da NFL. Na posição 2, JuJu Smith-Schuster tem tudo para brilhar ainda mais após sua temporada de estreia: foram 58 recepções para 917 jardas e sete touchdowns; Schuster completará 22 anos em novembro e seu futuro parece cada vez mais promissor. Pese ainda o fato de que, enfim, o Steelers se livrou de Martavis Bryant e agora James Washington, selecionado no segundo round do draft, já desembarcará no Heinz Field com espaço para acelerar seu processo de desenvolvimento.

Pelo chão, assim que a novela mexicana terminar, Le’Veon Bell será o responsável por carregar o piano – Bell é um dos melhores RBs da NFL e correu para 1.291 jardas na última temporada – além de ter recebido 85 passes. Pensando no longo prazo, talvez Pittsburgh tenha cometido um pequeno deslize ao não encontrar alguém mais eficaz para dividir a carga de trabalho com Le’Veon; enquanto isso, o papel auxiliar segue com James Conner – uma ótima história, mas pouco eficaz em campo em seu primeiro ano.

NOTA DO EDITOR: quando defecamos estas linhas, apostamos que seria apenas um dramalhão mexicano com final feliz, mas aparentemente Bell e os Steelers conseguiram tornar a história melhor que A Usurpadora.

Muito do sucesso do sistema ofensivo do Steelers também é mérito da OL; aliás, estabilidade tem sido a chave para que todo o sistema se mantenha eficiente ao longo dos anos; os OTs Alejandro Villanueva e Marcus Gilbert são excelentes, o C Maurkice Pouncey é extremamente talentoso (embora tenha mostrado alguns indícios de queda de produção no último ano) e o G David DeCastro dispensa comentários.

Pittsburgh, porém, deve sentir falta do OT Chris Hubbard, importante reserva em quem a franquia investiu quatro temporadas, mas que rumou para o Cleveland Browns durante a free agency.

O outro lado

Não há como dissociar o final da última temporada do Steelers da lesão trágica lesão de Ryan Shazier na semana 12; Pittsburgh não se recuperou do trauma causado naquela noite diante do Bengals. Desde então, eles tiveram toda uma offseason para se preparar para a vida sem Shazier – que fez progressos incríveis, mas já está descartado para a temporada 2018 e, bem, é muito provável que nunca mais pise em um campo de football.

A reconstrução, porém, se centrou na secundária. Pittsburgh abriu mão de Mike Mitchell, na esperança de rejuvenescer e melhorar a defesa contra o passe. Joe Haden segue no setor – e, embora não seja o mesmo atleta dos tempos de Cleveland, ainda é um nome  que não causa desconfiança.

A avenida Artie Burns também segue em Pittsburgh, mas a esperança é que Morgan Burnett, que passou suas primeiras oito temporadas em Green Bay, e Terrell Edmunds, escolha de primeiro round, impeçam que ataques aéreos minimamente eficientes tornem a vida do Steelers um inferno.

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Já  DL segue entre as melhores da liga; o DE Cameron Heyward vem de uma temporada em que teve 12 sacks e nada indica que ele não possa repetir a performance. Ao seu lado Stephon Tuitt foi extremamente eficiente, e as boas atuações tendem a continuar.

O corpo de LBs é jovem e eficiente: TJ Watt liderou as estatísticas, com sete sacks, mas Bud Dupree, agora em sua quarta temporada, não ficou atrás, com seis – Dupree ainda não se tornou o que Pittsburgh esperava quando o selecionou no primeiro round do draft de 2015, mas longe de ser uma decepção, ainda há espaço para mais uma tentativa.

Palpite

O Steelers se desintegrou no ano passado quando Ryan Shazier sofreu uma terrível lesão na coluna. A boa notícia é que eles ainda são o melhor time da AFC North – e devem continuar no topo da divisão enquanto Big Ben, Brown e Bell forem vivos. Nesse cenário, confirmar a vaga na pós-temporada parece mera questão de tempo. Lá, tudo pode acontecer: um colapso contra um time inferior, a derrota ou mesmo a revanche contra o Patriots – esta última, sobretudo, se o time se unir em torno de um senso de urgência e cientes de que a janela de Big Ben para um novo Vince Lombardi Trophy está se fechando. Como na vida, é tudo uma questão de perspectiva – mas o meu dinheiro, se preciso fosse, ainda seria apostado em um tal de Thomas Edward Patrick Brady.

Análise Tática #21 – Semana #15: O plano de jogo do Pittsburgh Steelers

A análise tática semanal dá mais um passo no entendimento do jogo (ou não). Nas últimas semanas, introduzimos alguns conceitos de situações espeíficas, como trabalho do Quarterback, jogo terrestre, two-minute drill. O objetivo do texto dessa semana é introduzir a percepção de como se desenvolve o plano de jogo de uma equipe durante uma partida, no caso, o ataque do Pittsburgh Steelers contra o New England Patriots na semana 15 da temporada de 2017.

O amigo leitor sabe que o futebol americano é um jogo estratégico, um “xadrez dentro de campo” (marca registrada). Apesar de eu odiar essa analogia, ela faz o perfeito sentido. Segundo Pat Kirwan, o desenvolvimento do plano de jogo começa logo após o encerramento da partida anterior, e se estende ao longo dos treinamentos até os ajustes de intervalo.

No aspecto ofensivo, um Quarterback experiente como Ben Roethlisberger participa de todo esse processo, seja vendo vídeos de partidas anteriores para detectar as tendências e deficiências da defesa adversária, junto com o setor de scouting. Também opinar sobre aquilo o que ele se sente confortável a executar durante a partida, juntamente com os técnicos.

Em um aspecto macro, é trabalho do head-coach e do coordenador ofensivo, ao obterem as informações vindas do setor de scouting, saber determinar as próprias tendências. Assim, a defesa adversária mantém-se em dúvida sobre qual tipo de jogada será executada quando observa um determinado pacote em campo. Assim se instala o jogo de futebol americano, na maioria dos casos, quem consegue ocultar melhor suas características, leva vantagem no plano estratégico.

Em uma jornada semanal completa (o time joga aos domingos), a detecção de tendências geralmente ocorre às segundas e terças, enquanto o plano é levado a campo a ser passado aos jogadores de quarta à sexta. O sábado é focado em ajustes e testes de sincronismo aos jogadores, por que provavelmente o time se concentrará em algum hotel da cidade ou necessita viajar ao local da partida.

Tratando, especificamente da partida, a situação ideal de plano de jogo. Como inativos, o Steelers teve apenas os OT Matt Feller, TE Vance McDonald e WR Justin Hunter, nenhum ponto central do ataque. Já como deficiências do adversário, podemos sinalizar de imediato a falta de um pass-rush dominante e a falta de linebackers como principais pontos do New England Patriots. Dont’a Hightower está fora da temporada e o time ainda teve a ausência do DT Alan Branch no último domingo.

Apesar de que bons técnicos são capazes de contornar essas situações, a falta de estrelas em uma unidade afeta a construção estratégica, por que o time precisa considerar o planejamento de prancheta só se converterá em campo se houver no elenco as peças certas para tal. Parece um ponto óbvio, mas acredite leitor, vemos muitas equipes no domingo tentando executar sistemas que não são capazes, não à toa temos tantos times abaixo da média na liga (16 ataques com DVOA negativo em 2017).

Em termos estatísticos, o ataque dos Steelers executou 63 jogadas, sendo 22/30 passes (completos/tentados) para 270 jardas, 31 tentativas de corridas para 143 jardas. Houve uma interceptação, justamente a que deu a vitória ao New England Patriots, e Roethlisberger sofreu sack em duas ocasiões. Esse montante se desenvolveu em 9 drives ofensivos, 5 punts, 3 touchdowns ofensivos e 1 field goal. A campanha mais longa se desenvolveu no segundo quarto, totalizando 15 jogadas. As demais tiveram entre 6 e 8 snaps.

Observando jogada a jogada cada formação colocada em campo pelo ataque dos Steelers, percebemos um determinado padrão. Roethlisberger alinhou 30 vezes em shotgun em situações de corrida e 24 vezes em situações de passe, maioria absoluta (das 31 tentativas de corrida e 32 dropbacks), destes, os 22 primeiros snaps foram com Big Bem alinhado 5 jardas atrás do center.

Claramente Mike Tomlin deu um padrão a ser observado por Bill Belichick e Matt Patricia nos ajustes de intervalo. Em relação aos personnel (quantidade de TEs e RBs em campo, ajuda a saber se o ataque está propenso ao passe ou à corrida), destacou-se o 11 personnel, que apareceu em 21 ocasiões de passe e 17 ocasiões de corrida. Quanto às descidas, a relação foi a seguinte:

  • 1st down: 12 passes, 17 corridas.
  • 2nd down: 7 passes, 15 corridas
  • 3rd down: 15 passes, 1 corrida.

Aqui cabe a observação que em nenhum momento do jogo o time da Pensilvânia arriscou uma tentativa de conversão de 4th down. No primeiro tempo da partida, os Steelers concentraram a maior quantidade de jogadas de passe no jogo, situação que se reverteu na metade seguinte. O objetivo foi basicamente comprometer a defesa com a bidimensionalidade do ataque, permitindo com que Ben Roethlisberger explorasse o play action fake, fato que se sucedeu principalmente em terceiras descidas.

Depois dessa quantidade de números, vamos finalmente tratar dos conceitos apresentados em campo. Afinal, essa coluna é a análise tática, então vocês esperam ver prints com rotas desenhadas no paint e GIFs, certo?

A inside zone dos Steelers

Em termos de jogo terrestre , a jogada mais executada na partida foi a inside zone. Valendo-se da elusividade de Le’Veon Bell, os Steelers utilizaram esse conceito de forma direta em sete oportunidades. Conta-se outros formatos de corrida que contam com esse tipo de bloqueio indiretamente. Em contrapartida, o outro método que vimos semana passada, a outside zone, foi executada em quatro oportunidades.

Houve uma diferença básica apresentada pelos Steelers nesse jogo. Como o time correu 30 vezes do shotgun, isso causa uma pequena diferença conceitual: o mesh point ocorre quase ao mesmo tempo em que Bell recebe o handoff. Isso obriga o RB a observar antecipadamente a disposição da defesa em campo ao mesmo tempo em que recebe a bola em mãos, fato que explica por que vemos Bell lenta e pacientemente observando os bloqueios se estabelecerem em vez de atacar o gap à toda velocidade.

A vantagem é que essa é exatamente a melhor característica do jogador, e o Steelers a utiliza com perfeição, exemplo de um plano de jogo montado às características dos skill players disponíveis. Se Bell não jogasse, com certeza veríamos números diferentes aos mostrados acima. O desenvolvimento de uma inside zone pode ser visto no gif abaixo.

A trap como contrapeso

A trap é um tipo de corrida em bloqueio por zona que depende do atleticismo dos jogadores de linha ofensiva. Basicamente, um dos Guards é o lead blocker e deverá se deslocar ao lado oposto ao que está alinhado, enquanto o restante da linha bloqueia no sentido inverso. O RB deverá desenvolver sua leitura seguindo o bloqueio do Guard.

Na imagem acima, vemos uma situação logo do início da partida, bola na linha de 28 do campo de defesa, uma 2nd & 15, com 13:05 de relógio. Foi a primeira vez que o Steelers estabeleceu a trap na partida. New England mostra um formato de Cover 2-Man, contra o shotgun singleback weak com recebedores em 1×2 de Pittsburgh. O Safety mais próximo a parte inferior da tela mostra a blitz seguidas vezes de forma a tentar confundir a leitura do QB, até o ponto em que ele se mostra estar reagindo ao que Le’Veon Bell fará na jogada, tornando a defesa em Cover 1.

A jogada se desenvolve com o camisa #66 sendo o lead blocker para o lado direito, enquanto Le’Veon Bell o acompanha. O RB tropeça e encerra o que poderia ser uma jogada de grande avanço.

Na partida do último domingo observamos os Steelers bastante comprometidos com o jogo corrido, seja de forma a dominar o tempo de posse de bola contra o New England Patriots (manter Brady fora de campo é uma das premissas para derrotar o time de Foxboro), seja estruturando Bell como o ponto central do ataque. Outra possibilidade estratégica é explorar a fragilidade dos inside linebackers de New England: sem Dont’a Hightower fora da temporada por lesão, Kyle van Noy e Elandon Roberts, não são as opções mais apropriadas para conter um jogador elusivo como Le’Veon Bell.

Isso aconteceu também no jogo aéreo, em que os Steelers aproveitaram-se de passes curtos e laterais para aproveitar a velocidade de seus recebedores contra os Linebackers adversários.

O passe curto

O subtítulo acima pode ser confuso e contraditório, mas no início da partida, Pittsburgh utilizou passes curtos como contrabalanço, de forma a manter a defesa dos Patriots com um mesmo conjunto defensivo em campo, principalmente em situações de terceira descida.

Como observamos, os Steelers concentraram a grande quantidade das jogadas de passe no primeiro tempo, e as jogadas de poucas jardas aéreas serviram como análogo ao jogo terrestre. Le’Veon Bell aparece novamente aqui executando com perfeição a wheel route. Foram três recepções executando essa rota, duas delas em shotgun weakside singleback (11 personnel) e uma em shotgun strongside singleback (10 personnel). Nenhuma, entretanto, foi para pontuação, apesar de que uma dessas se deu em conversão de terceira descida.

Na figura acima, observa-se o uso da wheel route em situação de primeira descida. O objetivo é deixar LeVeon Bell sem marcação nenhuma, enquanto dois recebedores percorrem rotas verticais e os mais internos realizam um conceito mesh. Isso permite que Bell ganhe várias jardas após a recepção pela incapacidade física dos LBs de o acompanhar e pela distância do Safety responsável por aquele lado do campo.

O Steelers utilizou novamente essa combinação de duas rotas verticais e duas que se cruzam no meio do campo em conjunto com a wheel na conversão de terceira descida. Aqui, objetivo era guiar os linebackers ao fundo do campo e deixar Bell apenas acompanhado pelos safeties, que chegariam tardiamente na jogada.

Em uma situação de poucas jardas, o Patriots naturalmente protegeu a linha de first down, mas não foi suficiente para evitar a conversão.

As jogadas de pontuação

O Steelers conquistou 3 TDs em uma partida que terminou em uma derrota de 27-24. Vamos a cada um deles.

O primeiro touchdown de Pittsburgh na partida foi obtido em um mismatch entre o WR Eli Rogers e um linebacker. O recebedor executou uma angle route em direção ao meio do campo e venceu seu marcador na agilidade. No decorrer da jogada, a cobertura não foi capaz de alcançá-lo antes da endzone.

Esse é o típico caso em que a leitura do QB pré-snap sobre a defesa traz bons frutos. Big Ben observou o matchup favorável e fez o ajuste por meio de audibles. A defesa de New England não reagiu e o TD aconteceu. Reparem que a situação é tão favorável que os demais recebedores sequer correm suas rotas até o final e mesmo assim a jogada é bem-sucedida.

Antes ao intervalo, o Steelers executou seu melhor drive na partida. Foram 15 jogadas que consumiram 8 minutos de relógio, terminando em TD, mostrado na imagem acima. Os Steelers partiram de uma formação 1×3, e Bell saiu em motion para sobrecarregar o strongside, alinhando como recebedor. O WR à esquerda também se deslocou para esse lado, formando o conceito Strong Flood. O recebedor com a rota em laranja se desloca em sentido inverso, com o objetivo de se desmarcar com o tráfego no meio do campo.

Ben Roethlisberger executa um lob pass, e mesmo bem marcado, Martavis Bryant consegue fazer a recepção.

Lembra-se da trap que terminou em um tropeção de LeVeon Bell, caro leitor? Bem, ela reaparece aqui, dessa vez para render 6 pontos aos Steelers, no que foi sua última pontuação no jogo. O conceito é semelhante: o right guard será o lead blocker e guiará LeVeon Bell. O RB usa a inércia e se projeta na endzone mesmo sofrendo o tackle.

Como dito anteriormente, o New England Patriots venceu fora de casa por 27 a 24, situação que o deixou confortável na briga pela home field advantage. Porém, observamos que mesmo com a derrota, o Steelers, em seu plano de jogo, foi fiel às características das peças de seu ataque e conseguiu executar, em alguns momentos de manual o que foi planejado.

Mesmo com a derrota, o time de Pittsburgh conseguiu explorar as deficiências do adversário, não conseguiu vencer por que na outra fase do jogo havia um Rob Gronkowski em dia inspirado.

Semana #6: os melhores piores momentos

Semanalmente, grandes jogadas são feitas. Mas também, semanalmente, péssimas jogadas são feitas. Esta coluna está interessada apenas no segundo grupo: porque os highlights você pode assistir em qualquer lugar, o que houve de ruim, só aqui, no Pick Six.

1 – Sequências assustadoras

Não tão boas quanto a franquia Sharknado, mas mostrando que tudo que está ruim, pode piorar.

1.1 – O Detroit Lions 

Em um primeiro momento, o jovem Jamal Agnew (já retornou algumas bolas para a endzone, mas tem o azar de jogar em Detroit, logo você não o conhece) conseguiu sofrer um fumble medonho ao tentar retornar um punt: ele jogou a bola pra trás, e escapou de um Safety por pouco.

Um passe incompleto depois, Matthew Stafford conseguiu a lendária Pick Six na Endzone. Diz a lenda que ver muitas dessas na vida é um sinal de sorte.

1.2 – Kansas City Chiefs e Pittsburgh Steelers 

Não é porque são bons times que eles estão imunes as cãibras mentais. Acompanhe aqui como Alex Smith está inspirado na sua campanha de MVP: está jogando como Peyton Manning.

O Steelers queria jogo e, em um belo momento de fair play, decidiu que os dois pontos já eram suficientes e o Chiefs poderia reaver a bola. Antonio Brown e cia. ainda fizeram um belo teatro para disfarçar. Parabéns pela atitude!

2 – Decisões assustadoras 

Não tanto quanto aquela sua ideia de apostar no Tennessee Titans como o time a ser batido na AFC em 2017.

2.1 – Denver Broncos

Brock Osweiler teve sua oportunidade de ouro ao ser contratado pelo Denver Broncos. E então a sorte sorriu novamente para Brock: Trevor “is he good enough?” Siemian se machucou e ele pôde comandar o ataque de Denver por algumas jogadas.

Mas os Broncos sabiam que era melhor não se arriscar e, mesmo depois que Osweiler fez um spike para parar o relógio, o time decidiu que era melhor acabar com a brincadeira ali mesmo.

Poesia.

2.2 – Jacksonville Jaguars

Os Jaguars descobriram da pior maneira que, perdendo por 10 pontos, chutar um Field Goal de 54 (!) jardas na segunda (!!) descida (!!!) não era uma boa ideia.

Pra enquadrar.

3 – Punts: uma ciência muito mais complexa que você imaginava.

Depois de Jay Cutler, definitivamente a jogada que mais traz alegria para a nossa coluna. Já apareceu duas vezes hoje, e ainda há espaço pra mais.

3.1 – “A bola tá vindo, o que é que eu faço?”

Porque o Thursday Night Football NUNCA falha.

3.2 – O momento que você conheceu a posição de Long Snapper 

Com todo respeito, mas essa é a única posição do esporte que até cegos podem jogar. Você não pode ser pago pra isso e ser ruim. Nunca.

3.3 – Os Special Teams do Los Angeles Rams

Uma presença constante por aqui. Algumas vezes de forma positiva, outras de forma negativa. Dessa vez, foi lindo.

4 – Joe Flacco

Um ótimo lance para você usar de exemplo quando estiver explicando o esporte para a @: não pode lançar a bola pra frente depois que você passou da linha de scrimmage. Apesar de ter gente que joga o jogo (e ganha muito dinheiro para isso) que não sabe da regra, ela ainda é muito importante.

Caso você não tenha percebido, a linha de scrimmage é ali na linha de 10.

5 – Pessoas entrando de bunda na endzone

A tendência mais forte do inverno americano.

5.1 – Golden Tate III

O homem que imortalizou essa arte. Nós amamos Golden Tate. (Veja o touchdown, também vale a pena.)

5.2 – Braxton Miller

Nada como enfrentar o Browns. Você talvez nem conhecia esse homem. Nós o conhecemos deste lance.

5.3 – O guerreiro #13 de Kansas City 

6 – Imagens que trazem PAZ.

6.1 – Kevin Hogan 

Tem que ser muito gênio pra lançar um Intentional Grounding em que a bola sequer sai da endzone.

6.2 – Adrian Peterson quebrando tornozelos

Diretamente do túnel do tempo, mais precisamente do ano 2009.

6.3 – “Os Intocáveis”

A série que conquista fãs a cada semana.

6.4 – Kiko Alonso

Porque não apenas crianças gostam de voltar pra casa com souvenirs.

6.5 – Frank Gore

Assassinando o Edge, Gore entra aqui na cota do clubismo.

7 – Prêmio Dez Bryant da Semana

Não tem Prêmio Dez Bryant nessa semana. Quando a coluna for paga, você poderá reclamar.*

*Nenhuma atuação medonha chamou muito a atenção, e já tínhamos conteúdo suficiente dessa vez.

8 – Artie Burns

No touchdown que o guerreiro #13 dos Chiefs entra na endzone com a bunda, Burns protagonizou um momento, no mínimo, curioso. Ele para na jogada pra reclamar. E ainda perde o tackle na sequência. Burns é o camisa 25.

Semana #5: os melhores piores momentos

O protocolo pede para que sempre haja um textinho de introdução antes de ir direto ao que interessa. Como sabemos que você vai pular essa parte da coluna, vamos direto ao que interessa.

1 – Começando com o pé torto: o Thursday Night Football

O Tampa Bay Buccaneers sofre com uma maldição que não acomete times grandes, apenas Buffalo Bills e Minnesota Vikings da vida: a franquia não consegue achar um kicker. Roberto Aguayo foi escolhido na segunda rodada do draft em 2016 para, um ano depois, ser chutado pelos restos de perna que habitavam o corpo de Nick Folk.

Aguayo está sem time e Nick Folk perdeu gloriosos três (!!!) Field Goals na derrota dos Bucs para os Patriots. Mas, vamos dar um desconto para o rapaz. O último chute era de trinta e uma jardas.

Errou.

2 – Prêmio Dez Bryant da Semana. 

Gostamos de deixar para dar o Troféu Dez Bryant – o único que premia o jogador de nome que você não pôde confiar durante a rodada – no final da coluna, mas abrimos uma exceção para Ben “Big Ben” Roethlisberger. Afinal, todos já sabiam. Cinco interceptações, duas pick sixes. Não temos mais o que dizer. Parabéns!

Procurando o fundo do poço.

3 – Interceptações medonhas: quem tem QB, tem medo.

Os que não tem choram.

3.1 – Jay Cutler

Estamos negociando os últimos detalhes para que Cutler se torne o patrocinador da coluna no lugar deixado por Andy Dalton.

3.2 – Jared Goff 

Até ontem ele era chamado de bust. Entenda aqui o porque.

3.3 – Jared Goff 2: O Inimigo Agora é Outro

Interceptado em um screen, bicho.

4 – Drops medonhos: na dúvida, vire jogador de soccer.

4.1 – Cooper Kupp

Porque ninguém atrapalha o comeback do nosso Jared Goff e sai impune.

4.2 – O guerreiro #34 de Minnesota

Todos sabemos que receivers que não sabem agarrar a bola viram defensive backs. Nem sempre isso é bom.

5 – Apenas mais uma cagada dos Special Teams do Indianapolis Colts

A unidade que já nos brindou com momentos inesquecíveis ataca novamente. Vamos deixar algo bem claro: se uma jogada nunca foi feita anteriormente na NFL, é bem provável que isso se dê porque ela é uma merda. E não é Chuck Pagano que vai descobrir algum conceito revolucionário. Apenas pare com isso, Colts.

6 – Imagens que trazem PAZ.

6.1 – Os 49ers ainda são péssimos

Porque você não vê muitos sacks em 2 men rush. Aliás, você não vê nem muitos 2 men rush. 

6.2 – Matt Cassel

A culpa não é dele, a culpa é de quem o coloca para jogar. Aqui vemos ele parindo uma futebola em um fumble deveras bizarro.

6.3 – “A bola tá vindo, o que é que eu faço?” ou “O não-retorno de Tavon Austin”

Era um fair catch. O único obstáculo dele era ele mesmo. Não foi suficiente.

7 – A segunda melhor coisa que o Chicago Bears fez no ano.

A primeira, claro, foi selecionar Mitch Trubisky. Um fake punt, um touchdown, defensores passando vergonha. São momentos como esse que alimentam o servidor do Pick Six Brasil.

Você pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

Podcast #4 – uma coleção de asneiras IV

Discutimos as principais surpresas da NFL e, depois, com o objetivo de fazer ainda mais inimigos, apresentamos jogadores supervalorizados ao redor da liga.

Também apontamos nosso Super Bowl dos sonhos – sem essa de Patriots x Seahawks, ninguém aguenta mais. Por fim, como já é comum, sugerimos alguns jogos para o amigo leitor ficar de olho!

Participação especial: Vitor, do @tmwarning.

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Se existir um próximo, será melhor; considere uma promessa.

Podcast #3 – uma coleção de asneiras III

Trazemos as lesões mais recentes da NFL e discutimos jogadores injury prone. Realidade? Mentira? O que comem? Onde habitam? Em seguida, apresentamos a realidade de alguns times, se são bons ou ruins. Por fim, sugerimos alguns jogos para o amigo leitor ficar atento nas próxima semanas!

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor.

Em Pittsburgh a hora é agora

O torcedor dos Steelers talvez seja o mais mimado da NFL. A franquia, ao contrário dos “grandes do momento” (vocês mesmos, Patriots e Seahawks) traz, em toda sua história, uma cultura vencedora – não é à toa que é o time com mais Super Bowls vencidos.

É bem verdade que houve uma falta de títulos desde o final da década de 1970, mas, quando Ben Roethlisberger chegou a equipe, ela parecia destinada a mais uma era brilhante. Roethlisberger levou Pittsburgh a dois títulos e ainda uma derrota na final, mas desde 2010 os Steelers não disputam um Super Bowl.

E se no início da carreira de Big Ben a defesa era as principal estrela do time, hoje a situação é diferente. Com Le’Veon Bell e Antonio Brown, aliados ao veterano QB, Pittsburgh vê hoje o seu ataque como um dos melhores da NFL, e o motivo de entrar em cada temporada com altas expectativas.

Mas os três têm tido dificuldades de se manter saudáveis durante os playoffs, como evidenciam as três últimas derrotas da equipe na pós temporada:

    • Em 2014, contra os Ravens, o ataque sofreu muito por não contar com Bell, que havia se machucado no último jogo da temporada regular.
    • Em 2015, contra os Broncos, nem Brown nem Bell jogaram. O ataque foi muito apático e saiu, mais uma vez, derrotado.
    • Em 2016, contra os Patriots, Bell saiu machucado no início da partida, e a estratégia de correr com a bola acabou muito afetada (nesse caso, o time perderia de todo jeito, mas talvez não fosse fácil como foi pra New England).

As sucessivas derrotas de Pittsburgh, quando imaginava-se que o time poderia chegar mais longe, deixam o torcedor preocupado: Big Ben está no final da carreira, e já tem falado em aposentadoria (acreditamos que para chamar atenção, no entanto).

Isso, aliado às incertezas em relação a Le’Veon Bell, que, por questões contratuais, não sabemos até quando estará na equipe, faz com que os Steelers estejam praticamente em win now mode.

Comandando o show

Ben Roethlisberger já se estabeleceu como um dos principais QBs da NFL e isso não está em discussão para nós. O importante para ele esse ano é estar saudável em janeiro – sabemos que ele perderá alguns jogos durante a temporada regular.

Le’Veon Bell é o melhor running back da liga. Seu backup não será mais DeAngelo Williams, mas James Conner, menino prodígio e queridinho da cidade.

Mais que amigos: friends.

O corpo de WRs é comandado por Antonio Brown, que também encabeça o topo das listas de melhores recebedores da NFL. Para tirar um pouco da carga de Brown, os Steelers contam com o retorno de Martavis Bryant, que perdeu a última temporada por suspensão. Bryant é – adivinhem – um dos melhores WRs 2 no football. De relevantes, completam o grupo Eli Rogers, que foi bem ano passado, e JuJu Smith-Schuster, escolha de segunda rodada no atual draft e, graças ao seu nome, já ganhou nossos corações e tem tudo para ser grande na NFL (seja lá o que isso signifique).

Os TEs, que costumam ser muito utilizados no ataque dirigido pelo ótimo coordenador Todd Haley, serão Jesse James e Vance McDonald. Não inspiram muita confiança, mas é possível que os vejamos com alguma frequência durante a temporada.

Por fim, precisamos falar sobre a linha ofensiva. O grupo, que pode não figurar na discussão de ser o melhor da liga, é, ao menos, um dos melhores. Toda a linha, que começa com o Center Maurkice Pouncey, passa pelos Guards Ramon Foster e David DeCastro, e termina com os Tackles Allejandro Villanueva e Marcus Gilbert, é composta apenas por jogadores bons ou excelentes. Tanto bloqueando para o passe, quanto para a corrida, esperamos que a OL seja um fator diferencial e que permita a equipe vencer jogos em 2017.

O objetivo aqui é ser pelo menos razoável

A defesa dos Steelers já foi a principal força da equipe, mas, recentemente, não tem inspirado muita confiança. Na final da AFC, além do ataque inoperante, Pittsburgh a viu permitir 36 pontos aos Patriots, o que tornou a missão de vencer em Foxborough praticamente impossível. Como o caminho para o Super Bowl muitas vezes passa pelo Gillete Stadium, a unidade precisa melhorar bastante essa temporada para permitir que o time sonhe com uma passagem para Minneapolis.

A linha defensiva aposta na volta do DE Cameron Heyward para se estabelecer como um sólido grupo, que contará ainda com o DT Javon Hargrave e o DE Stephon Tuitt como titulares. Se todos se manterem saudáveis, pode ser uma DL de respeito. O depth atrás deles, porém, preocupa.

O corpo de LBs talvez seja o grupo mais interessante da defesa, já que conta com veteranos, veteraníssimos e jovens talentos. Ryan Shazier é um excelente ILB, e, quando está saudável (infelizmente não sempre) é – está sim ficando repetitivo – um dos melhores da liga. Já do lado de fora, o ancião James Harrison é certeza de sólidas atuações. Na mesma posição, espera-se que as escolhas de primeira rodada Bud Dupree (em 2015) e TJ Watt (em 2017) contribuam pressionando os QBs adversários.

Parece que foi ontem.

Por fim, a secundária é o grande calcanhar de aquiles, não só da defesa, mas de todo time. E antes que algum torcedor clubista vá discordar, é só olhar para as movimentações recentes, que deixam isso bem claro.

Insatisfeitos com seus jogadores, diretoria e comissão técnica fizeram uma boa reformulação no grupo, a poucos dias do início da temporada: o CB Ross Crockell foi enviado para os Giants por um McLanche Feliz; o CB Joe Haden foi contratado; e ainda foi feita uma troca, envolvendo dois pirulitos, para adquirir o S JJ Wilcox. Além deles, restam na unidade, com pedigree, apenas o CB Artie Burns, escolha de primeira rodada em 2016, que até aqui se mostrou uma avenida, e o S Mike Mitchell.

Palpite: Pittsburgh tem um grupo ofensivo extremamente explosivo e talentoso, mas que pode desmoronar por conta de lesões ou da maconha. Como são muitas as peças, acreditamos que o ataque carregará uma defesa mediana até o dia que encontrarem uma defesa inspirada, que pode ou não pode ser o New England Patriots. De toda forma, não achamos que o que o time tem é o suficiente para chegar ao Super Bowl. Você leu aqui primeiro.

5 mentiras da offseason que ninguém consegue acreditar

A offseason da NFL é um terreno fértil para que histórias, daquelas bem fantasiosas, sejam contadas sistematicamente. Sem jogos ou performances para avaliar, técnicos e jogadores parecem coagidos a tentar criar um futuro artificial e utópico para mascarar a dura realidade que enfrentarão em breve. Mas você, estimado leitor do Pick Six, não será mais uma das vítimas do conto do vigário. Nós ligamos o nosso detector de mentiras e vamos expor alguns dos Pinóquios da NFL na offseason de 2017:

John Fox e Todd Bowles: dois senhores lunáticos

Em 2016, Chicago Bears e New York Jets tiveram temporadas péssimas: juntos, eles conseguiram somar apenas oito vitórias. Obviamente, tratam-se de times muito fracos, que precisariam de muitos reforços para apenas começar a pensar em ser competitivos em 2017. Mas o que aconteceu com ambos foi justamente o contrário: Bears e Jets perderam seus QBs titulares, Jay Cutler e Ryan Fitzpatrick, e vários outros jogadores-chave, como Alshon Jeffery, Brandon Marshall e Nick Mangold.

Os times fracos e a perda de jogadores relevantes parecem não ter limitado a capacidade dos head coaches John Fox e Todd Bowles de criar um mundo paralelo. John Fox declarou que acredita que o Chicago Bears está em “striking distance”, que pode ser traduzido por algo como “em posição de causar estrago”. Já Todd Bowles acredita que “o elenco possibilita que o Jets seja competitivo em 2017” e que “as expectativas são altas, mas que é muito cedo para saber se o time é capaz de chegar aos playoffs”.

Fox e Bowles são dois grandes mentirosos. Mesmo tendo muita boa vontade e considerando que as “perdas” de Jay Cutler e Ryan Fizpatrick podem, na verdade, ser verdadeiros reforços para os times, não há como levar a sério as declarações dos técnicos. O tempo de Cutler e Fitzmagic enganarem os torcedores realmente acabou e isso é muito bom para que as franquias superem o fim do relacionamento que não deu certo e busquem seu verdadeiro par perfeito. Porém, a falta de respostas, tanto na free agency quanto no draft, para a posição mais importante do football condena os dois times a viver muito abaixo da linha de mediocridade em 2017.

Mesmo que Mike Glennon e seja-lá-quem-for-o-QB-do-Jets façam trabalhos razoáveis, nenhum dos ataques superará a perda de Alshon Jeffery e Brandon Marshall. Além disso, o Chicago Bears joga em uma divisão que tem três times muito fortes e o New York Jets não tem nem chance de sonhar vencer a AFC East enquanto Tom Brady continuar respirando.

John Fox deve acreditar que “striking distance” significa “lutar para não ficar em último na divisão”. Se não acreditar, trata-se apenas de um mentiroso tentando minimizar o desastre da temporada anterior e criar um ambiente favorável à manutenção de seu emprego. Já Bowles deveria ter vergonha de mencionar “Jets” e “playoffs” na mesma frase e saber que o time será competitivo apenas quando se trata da disputa pela primeira escolha do draft de 2018.

Obviamente, não esperamos que nenhum dos dois treinadores venha a público dizer que seus times são dois lixos. Jogadores precisam de motivação. Mas precisam mentir tão descaradamente?

Acredita quem quer.

Tom Brady e Drew Brees e o dilema da reforma da previdência

A idade parece não ser um problema para Tom Brady e Drew Brees, que estão se aproximando dos 40 e não estão nem cogitando o inevitável declínio físico trazido pela velhice. Brady declarou recentemente que pretende jogar por até mais cinco anos, o que levaria a uma aposentadoria aos 44 na temporada 2021. Drew Brees parece ter ficado com ciúme e logo em seguida afirmou o desejo de permanecer ativo até os seus 45 anos de idade, que o deixaria em campo até a longínqua temporada 2023.

Por mais que os torcedores do New England Patriots e do New Orleans Saints queiram muito acreditar que o prolongamento das carreiras de Brady e Brees vai acontecer, não é o que a história da NFL nos mostra. Nenhum QB conseguiu obter resultados significativos após ultrapassar a marca dos 40 anos. Brett Favre parece ter sido o único a conseguir se aproximar de conseguir vitórias expressivas após completar 40 anos, quando disputou a final da NFC pelo Minnesota Vikings em 2009.

Na nossa idealização de fãs, nossos ídolos são super heróis que podem vencer qualquer barreira, inclusive a da idade. Não queremos acreditar que eles são meros seres humanos, mas são, mesmo que não pareçam. O declínio chega de maneira abrupta. Peyton Manning é a prova disso: conquistou vários recordes da NFL em 2014 e em 2015 foi literalmente carregado pelo Denver Broncos para vencer o SB 50 aos 39 anos.

Em algum momento, em breve, o declínio físico vai atingir Brady e Brees, que parecem mesmo ter a vontade de jogar por muitos anos. Como o desejo de jogar em idade avançada parece ser legítimo, tratam-se de mentiras sinceras, mas ainda assim são mentiras.

“Na primavera ou em qualquer das estações”

Houston Texans: Deus no céu, Tom Savage na terra

A aposentadoria de Tony Romo ainda faz corações despedaçados sangrarem em Houston. Romo parecia a única solução para um time a um QB de distância de uma corrida ao Super Bowl. Não é o que o Texans parece acreditar. De acordo com James Palmer, repórter da NFL Network, o time se sente “confortável” com o inexpressivo Tom Savage sendo o QB titular na próxima temporada.

Essa talvez seja a mentira mais fácil de ser desmascarada. Desde 2014, quando foi draftado pelo Houston Texans, Savage participou de cinco jogos em temporada regular, dois como titular. Conseguiu o astronômico número de 0 TDs anotados e 0 passes para mais de 40 jardas. Portanto, não se enganem: Houston será agressivo no draft e, provavelmente, trará um veterano como Jay Cutler (credo!) ou Colin Kaepernick.

Um monumento temperamental

Ben Roethlisberger é, indiscutivelmente, um grande QB. Nada do que será dito a seguir tem a pretensão de diminuir sua qualidade ou relevância. Mas precisamos dizer a verdade: ele adora fazer um draminha. Nenhum outro jogador da NFL é capaz de se esforçar tanto para mostrar que está jogando machucado. Ben precisa mancar mais do que o necessário e se arrastar em campo para mostrar seu heroísmo. Nessa offseason o drama se estendeu para um discursinho super falso de uma possível aposentadoria precoce.

“Vou usá-la para avaliar, para considerar todas as opções, para avaliar questões de saúde e familiares, avaliar a próxima temporada, se haverá uma próxima temporada”, disse Roethlisberger.

Ninguém no Pìttsburgh Steelers parece ter levado as declarações muito a sério. Por um bom motivo: não demorou muito tempo para Ben encerrar o teatro e anunciar que estará em campo em 2017.

Como disse Terrell Suggs, do rival Baltimore Ravens, antes de uma partida em que Ben era dúvida, “ele vai agir como ‘ai, não vou jogar, não sei, fiz só trabalhos individuais, lancei um pouco, mas ainda não sei’ e então vai colocar seu traseiro gordo no campo e jogar normalmente”.

Sempre divertido usar esta foto.

O time do futuro (que nunca chega)

A offseason é o momento perfeito para tentar reconstruir a imagem de jogadores que já mostraram flashes de talento, mas depois falharam completamente. Quem nunca ouviu o famoso “o QB X está trabalhando com um guru de QB” ou “o QB Y está trabalhando para melhorar sua mecânica”?

Blake Bortles parece ser o personagem perfeito para esse modelo de enganação. Depois de um ano muito promissor em 2015, na última temporada Bortles nos proporcionou momentos de ruindade épicos. O Jacksonville Jaguars, porém, está preso a Bortles, já que se trata de um QB de primeiro round do draft e que ainda mostra uma pequena esperança de recuperar pelo menos um pouco do talento que já mostrou.

Nada de anormal até aqui, certo? Mas o general manager Dave Caldwell parece ter ido um pouco longe demais em suas declarações. Entre outras coisas, Caldwell disse que “podemos vencer muitos jogos com Blake. Podemos vencer um Super Bowl com Blake, acho que o futuro é brilhante para ele”. Gostaríamos muito de acreditar em você Dave, mas simplesmente não conseguimos. Aliás, nem sua mãe conseguiria.

Uma turminha do barulho: não tente duvidar destes caras

Há uma convenção, espécie de contrato de social, entre time e torcedores, pautada pela velha máxima: não importa como você comece, desde que termine bem. E independente do que aconteça diante do New England Patriots, o Pittsburgh Steelers certamente terminará a temporada 2016-2017 bem. É o clássico caso em que a entrega já saiu melhor que encomenda, afinal, em um mês de agosto já relativamente distante, não havia consenso até onde esta equipe poderia chegar.

Hoje, contando com dois dos melhores jogadores ofensivos da NFL, um quarterback bicampeão do Super Bowl e um treinador que, concordem ou não, tem em si três toneladas de confiança, Pittsburgh é muito mais que um azarão.

Contra o tempo?

Vencer New England no Gillette Stadium é algo em que os Steelers, historicamente, não tem tido êxito. Consideremos ainda que eles estão indo a um lugar onde Bill Belichick e o New England Patriots têm uma campanha 16-3 nos playoffs, incluindo um 4-1 em finais da AFC. Pese ainda o fato de que Pittsburgh teve uma semana a menos de descanso e enquanto suava litros de sangue contra o Chiefs, New England cozinhava o Texans – ou você realmente acreditou que em algum momento Brock Osweiler fosse capaz de fazer algo?

Uma eventual derrota, porém, traria um significado simples, e não seriam necessárias análises quilométricas para compreender que, por enquanto, os Patriots são melhores que eles – qual a novidade, já que costumeiramente New England tem sido melhor que toda a liga? Não seria o fim do mundo.

E é aqui que reside o maior legado desta temporada para o Pittsburgh Steelers: não estamos diante da última chance de Tomlin e Roethlisberger vencerem o Vince Lombardi. A janela de tempo, na verdade, se abriu e para as próximas temporadas eles já entram em campo como favoritos à AFC: o ataque, já assustador, tem uma gama de possibilidade inexploradas para se tornar ainda melhor, enquanto o sistema defensivo, responsável por diversos calafrios nos torcedores nas últimas temporadas, neste ano provou que está sendo reconstruído de maneira eficiente por Kevin Colbert (GM) e Keith Butler (DC).

Claro, há questões a serem consideradas: Big Ben naturalmente não está ficando mais novo e toda vez que um QB avança pela casa dos 30 anos começam a surgir sinais de queda de produção. Mas você olha para Roethlisberger e tem certeza que lhe restam ao menos mais três ou quatro temporadas em alto nível. Algo difícil de imaginar para Tom Brady, cinco anos mais velho. Sim, estamos duvidando de Brady, então provavelmente quebraremos a cara – mas esta é outra história.

Tudo isto nos mostra que tanto Tomlin como Big Ben terão outra chance de vencer, que está não é a última chance de ambos. O que não significa que eles não podem fazer isso também neste ano.

Você ainda não viu o melhor deste ataque

A OL se tornou mais sólida e já é uma das mais consistentes da NFL, algo ótimo para um QB como Roethlisberger, que ao longo de sua carreira aprendeu a não ter medo de ser triturado fisicamente pelos adversários. Atrás dela LeVeon Bell foi um dos melhores jogadores da liga e a cada jogo e percebemos que sim, apesar de números já absurdos, ele pode fazer muito mais.

Além disso, ainda há janelas para Big Ben encontrar soluções que não atendam pelo nome de Antonio Brown; é claro que alguém com o talento de Brown será o principal alvo, mas também é consenso que Roethlisberger, ao longo de sua carreira, sempre fabricou ótimos alvos secundários, o que não aconteceu com a mesma proporção nesta temporada: Jesse James ainda engatinha enquanto luta contra o legado de Heath Miller; Ladarius Green recebeu 20 milhões de dólares para passar nove semanas no departamento médicos esquentando suas havaianas; Eli Rodgers e Sammie Coates por vezes ainda pecam pela inexperiência e Martavis Bryant está ocupado demais estudando o mercado de ervas medicinais.

A pós-temporada é o momento perfeito para Big Ben garantir o próximo contrato milionário de algum ser humano ainda em busca de sua real vocação. E se algum recebedor secundário aproveitar efetivamente toda a atenção que Brown atrai, Big Ben tornará o ataque aéreo dos Steelers melhor. E ainda há Le’Veon Bell que, enfim, sabemos que irá correr 40 vezes por jogo e o adversário que lide com esta bomba.

A oitava arte

Recentemente discutimos a relação entre esporte e arte e, bem, de qualquer forma, se poucos conseguem criar formas de expressão artística, qualquer pessoa digna de talento pode transformá-la. Existiram, claro, grandes atrizes antes de Meryl Streep, mas apesar de “Mamma Mia”, é inegável que a Meryl de “Sophie’s Choice” e “Kramer vs Kramer” trouxe sua própria revolução pessoal dentro do gênero, dando origem a um novo estilo e moldando as próximas gerações de atrizes. O que Le’Veon Bell está fazendo não é assim tão diferente; é como se ele levasse o balé a um campo de football.

Nesta temporada, Le’Veon se tornou o primeiro jogador da história da NFL com uma média superior a 100 jardas corridas e 50 jardas recebidas por partida e elevou a posição a um outro patamar! Contra Kansas City, no Divisional Round, foram incríveis 170 jardas.

Hoje, ninguém compreende como efetivamente Bell consegue encontrar espaços em todas as tentativas, encontrar o corte perfeito no instante de tempo exato em que poderá lhe proporcionar 5 ou 6 jardas extras. É um jogador que está redefinindo o que é ser um running back.

Não sei se vi algum RB como ele durante minha carreira ou mesmo voltando no tempo para estudar caras que jogaram antes de mim”, disse LaDainian Tomlinson, ex-RB de Chargers e Jets e atualmente comentarista da NFL. “Nunca vi alguém parar completamente tudo que ele pode fazer”, completou.

Durante a temporada regular, em apenas 12 partidas, Bell terminou com mais de 1800 jardas totais e nove touchdowns – em dois jogos de playoffs já foram 337 jardas, recorde para as duas primeiras partidas de um jogador na pós-temporada. Se o Steelers está atrás do Vince Lombardi, talvez Bell seja o melhor caminho: quando Le’Veon se aproxima da linha de scrimmage, ao mesmo tempo em que pode parecer que ele está esperando por uma abertura, na verdade ele pode estar tentando criar espaços. E nesse instante de hesitação, Bell influencia as decisões de todo o sistema defensivo adversário, que se torna incapaz de ler o que irá acontecer.

Bell também transpôs o que é ser um quarterback para sua posição: QBs geniais tem um relógio mental em perfeita sincronia, que lhes permite saber o instante em que a bola deve ser lançada, ou o momento em que não é mais possível permanecer no pocket e é preciso encontrar uma alternativa. Le’Veon possui o mesmo relógio, que lhe permite saber a fração de momento em que ele deve se chocar contra a parede, fazer um corte ou dar a explosão final. “Ele é único porque sua mente lhe dá a capacidade de esperar mais tempo”, diz Tomlinson. “Acredite: você não pode aprender ou desenvolver isso”.

A melhor dupla surgida desde Bruno & Marrone.

Canivete suíço

Antonio Brown é o mais próximo que um WR da NFL contemporânea esteve da perfeição: a defesa não pode recuar e ceder espaço porque ele é extremamente veloz; por outro lado, também não pode marcá-lo de perto, porque simplesmente não existe um CB capaz de acompanhá-lo pelo tempo necessário. Brown é ainda incrível em rotas curtas e após a recepção, correndo, é tão eficaz quantos os melhores RBs. Mas por incrível que pareça o grande trunfo de Antonio Brown surge quando ele é “humano“: se quando está em sinergia ele é imparável, quando algo dá errado, ele é capaz de encontrar soluções e ainda sim ser um dos WRs mais difíceis de ser marcado. A “culpa”, claro, também é de Big Ben

Antonio e Roethlisberger treinam semanalmente o que farão quando algo sai do planejado. Para Brown, a solução para quando algo não está no script é simples: voltar ao campo de visão de seu QB.

Você sabe onde seus olhos estão indo, então você só precisa saber como chegar a frente deles. A melhor coisa de jogar com Ben é que você sabe que ele não irá morrer facilmente, então você nunca desiste de suas rotas”, disse o WR.

Por tudo isso, Brown é um alvo constante, 150, 160 vezes por temporada. Então para os adversário, tentar marcá-lo torna-se um looping eterno: a cada snap você precisará estar de olho nele. Acrescente ainda como bônus o fato de Antonio ser canhoto, o que traz uma gama de ângulos diferentes em que ele pode agarrar passes – um terror para qualquer marcador.

É evidente que já há alguns anos a NFL está vivendo um período propício ao jogo aéreo, com talentos abundantes e esquemas que facilitam este estilo, e poucos tem aproveitado esta oportunidade no espaço-tempo da evolução do esporte como Antonio Brown.

Ele é ainda uma estrela em franca ascensão: tem seu próprio programa de entrevistas no site do Steelers, estrelou diversos comerciais para Pepsi e Madden e ainda se aventurou no Dancing With Stars. Onde Brown irá parar? Bem, em uma tarde quente de agosto, durante a preparação para temporada, um torcedor bradou para ele parar de retornar punts, afinal é um dos principais jogadores do time. “Foda-se”, respondeu o WR. “Eu posso fazer tudo”.

Hang loose.

Reconstruindo uma cortina

É claro que o sistema defensivo atual dos Steelers ainda está longe do que foi aquele que um dia foi apelidado de “Cortina de Ferro”. Mas qualquer reconstrução, começa obrigatoriamente pelos primeiros tijolos, aqueles que solidificam qualquer construção. E para Pittsburgh eles são S Sean Davis e o LB Bud Dupree.

Davis foi nomeado rookie defensivo dos Steelers na temporada e Dupree transformou o pass rush da equipe, até então próximo do deprimente. É uma unidade com talento, que está encontrando, dentro de suas limitações, um estilo de jogo próprio e eficaz.

Mas o grande nome deste sistema é James Harrison. Contra o Chiefs, Harrison foi perfeito: foram seis tackles (três deles para perda de jardas), dois QB hits e o único sack da equipe na partida. O melhor momento, porém, aconteceu quando o relógio marcava três minutos para o fim: como um caminhão sem freio ele pressionou o T Eric Fisher, induzindo-o a um holding durante a conversão de dois pontos. A nova tentativa teria então uma distância de 12 jardas e todos sabemos que Alex Smith é mentalmente incapaz de ter sucesso nestas condições.

Harrison passou pela NFL Europa em 2007, foi dispensado pelo próprio Steelers em 2013 e dos Bengals em 2014, aposentou-se para ressurgir das cinzas e ser fundamental para sua equipe. E enquanto os holofotes estão em Brown, Bell e Big Ben e em todo o dinamismo deste ataque, foi Harrison e a defesa que venceram um jogo de playoffs em que o Steelers não marcou nenhum TD: em 87 partidas de pós-temporada, só 6 times conseguiram sair vencedores sem entrar na endzone.

É o tipo de partida que vimos a “Cortina de Ferro” ganhar diversas vezes. É o tipo de disputa que vimos Harrison vencer em várias oportunidades em seu auge. Eles precisarão disso contra os próximos adversários que cruzarem seu caminho. E talvez vencer o Patriots em Boston seja humanamente impossível. Mas a verdade é que James Harrison está longe de ser humano. 

O caminho até aqui, parte 2: já chegamos à metade da temporada

E já chegamos à metade da temporada. Passando rápido, não é? E nunca parece que dá tempo parar acompanhar tudo o que está acontecendo, nem como a divisão do outro lado do país, da outra conferência do seu time, está jogando. Mas para isso existe o resumão do Pick Six: tentamos recuperar tudo o que está acontecendo de principal nesse grande circo que é a NFL.

Previsões infalíveis

Até agora, podemos garantir que os times que dissemos anteriormente que não iam aos playoffs realmente não foram (não importando o fato de que eles não chegaram ainda). Por isso, as apostas seguem, com os times adicionados em negrito. E, novamente, melhores justificativas no resumo por divisões.

Times garantidos: Patriots, Broncos, Raiders (AFC); Vikings, Cowboys, Seahawks (NFC).

Times fora: Browns, Colts, Dolphins, Jaguars, Ravens (AFC); 49ers, Bears, Lions, Bucs, Rams (NFC).

AFC South

Confesso que Andrew Luck, às vezes, dá medo. Ele teria capacidade de levar um time mediano (como os Chargers, Lions ou Redskins) muito longe, como seu jogo contra os Titans prova. Entretanto, a exemplo daquele seu amigo ruim de bola que às vezes acerta um lance maravilhoso, de Indianapolis você pode esperar que a natureza (no caso, o resto do time montado por Ryan Grigson) cuida. Parecido com eles, temos os Jaguars, outra grande decepção da temporada, inclusive culminando com a demissão do guru que ia levar Bortles à elite, Greg Olson (sorte do time que contratá-lo para o ano que vem).

A disputa pela divisão não é entre times muito menos medíocres que os dois primeiros. De um lado temos um Houston que carrega Brock Osweiler (“praticamente um rookie”, diz o head coach) com a quinta melhor defesa da liga e usando Lamar Miller até o seu limite (finalmente alguém!), contra Tennessee que está no top 10 de jardas de ataque e de defesa, tem um ataque corrido potente com o retorno de DeMarco Murray a boa fase, mas que conta com um treinador medíocre que pode acabar sendo o diferencial para deixar o time como a eterna “potência para o ano que vem”.

AFC North

Cleveland é o primeiro time a ser totalmente eliminado das chances de playoffs esse ano e fortíssimo candidato a acabar 0-16. Como ponto interessante, é de se observar que apesar da fase horrível, metade das partidas foram perdidas por menos de um touchdown e que a defesa é, de longe, o problema do time – já que o ataque de Terrelle Pryor e companhia parece estar no caminho correto para receber um QB que lhe dê forma. Junto com eles na metade de baixo vêm os Ravens, que apesar de sofrerem menos de 20 pontos por partida, não conseguem produzir o suficiente com um ataque composto por Mike Wallace e Terrance West, além de ir acumulando lesões – se ajustando muito mais ao que esperávamos antes da temporada (como a derrota para o Jets sem QB indica).

Ainda na briga, temos os Bengals que conseguiram empatar em Londres – dando exatamente aos ingleses o que eles merecem: um time que não empolga nada e que no fundo torcemos para que finalmente fiquem fora dos playoffs, para que quem sabe assim mudar algo para sair da rotina dos últimos anos.

E por fim, como líder por exclusão, vem Pittsburgh, que sente falta de Big Ben e cuja defesa não consegue sustentar e vencer jogos com Landry Jones – sob o risco ainda pior de Roethlisberger querer acelerar a sua volta, piorar a lesão e enfiar toda a temporada no lixo.

FILE - This is a 2015 file photo showing Terrelle Pryor of the Cleveland Browns NFL football team. Terrelle Pryor may be down to his last chance to make Cleveland's roster. The former Raiders quarterback trying to switch to wide receiver and prolong his NFL career is expected to finally take the field in an exhibition game on Thursday night, Sept. 3, 2015, when the Browns visit the Chicago Bears. (AP Photo/File)

Por trás desse sorriso há um coração sofrendo.

AFC East

Rei dos power rankings, lorde das trevas, grande pedra no sapato do comissário, melhor time da NFL. Essa é a divisão do nosso querido New England Patriots, que dispensa mais comentários; pior, se Jamie Collins (provavelmente um dos 10 melhores linebackers da NFL) foi trocado por Bill Belichik para os Browns, por mais bizarro que isso seja, sabemos que as chances de descobrirem drogas em seu carro, ou que ele é um espião russo, são maiores do que cogitar que os Patriots saiam perdendo nesse rolê.

Os outros três times não merecem muita menção. Os Dolphins vêm de uma bye depois de duas vitórias consecutivas e grande partidas de Jay Ajayi – nas quais não convenceram nada além de sua eterna razoável mediocridade. Buffalo, por outro lado, se prova absurdamente dependente de McCoy, ainda que isso possa indicar que o time brigará por uma vaga de wildcard se o running back se mantiver saudável. Por último, o Jets é o time em que mais confio dessas três porcarias: o ataque pode voltar à velha forma e a sequência de jogos é benéfica. Olho nesses verdinhos.

AFC West

Depois dos Patriots, vem a divisão oeste. É basicamente a isso que se resume o bom da AFC: basta observar e, em uma suposta classificação de toda a conferência americana, as posições 2-4 seriam ocupadas por essa divisão. E por mais que me doa admitir, se tivesse Joey Bosa desde o começo, é provável que os Chargers fossem os quintos – o que é uma pena, especialmente para Philip Rivers. Na parte de cima, inclusive, outro QB se destaca: Derek Carr lidera o quinto melhor ataque da liga e sonha, graças a partidas como 513 jardas e 4 TDs contra os Bucs, com o título de MVP (tem 17 TDs totais para apenas 5 turnovers), especialmente porque compensa a segunda pior defesa (no caso, a pior defesa de jogadores profissionais).

Denver também, com sua defesa assustadora (26 sacks, 8,5 só por Von Miller) e Booker substituindo C.J. Anderson como se este nunca houvesse existido, é outro time que está praticamente garantido para brigar nos playoffs e se plantear como maior rival de New England (Trevor Siemian x Tom Brady? Queremos). Por último, o ignorado Kansas City Chiefs: calmamente, sem alardes, por pouco (14ª e 15ª posições) na parte de cima em número de jardas no ataque e na defesa, nem sequer sofreu riscos desde o massacre que lhes aplicou Pittsburgh e também deve levar Alex Smith a mais uma oportunidade de tentar algo nos playoffs. E perder logo na primeira rodada.

NFC North

Do ataque de Sam Bradford já sabíamos: tinha prazo de validade. Tanto foi que, após duas derrotas seguidas, Norv Turner, o coordenador ofensivo, decidiu que realmente não tinha solução e pediu o boné. Para piorar, a defesa tampouco está conseguindo manter o nível de outrora, especialmente contra Chicago e Jay Cutler – que deveriam ter servido de reabilitação, não como catalizador de crise. Para piorar (para os Vikings, claro), Aaron Rodgers dá sinais de estar voltando ao normal (7 touchdowns nas últimas duas semanas) e de que por isso os Packers e sua defesa também top 10 deverão brigar pelo título da divisão.

Azar, obviamente, de Lions e Bears. Os fãs dos ursos, especialmente, deveriam aproveitar e comemorar o título dos Cubs e esquecerem do football pelo menos por 2016: a vitória sobre os Vikings diz muito mais sobre tradição e problemas em Minnesota do que sobre uma reviravolta que esteja acontecendo em Chicago.

Ao contrário deles, Detroit já até poderia ter um pouco mais de esperança: o segundo quarto de temporada tem feito bem a Matthew Stafford, a defesa de Teryl Austin cede muitas jardas, mas não tantos pontos. E uma vitória (ainda que improvável) em Minneapolis poderia criar uma situação muito interessante na divisão norte.

12-13-2009---Chicago Bears host the Green Bay Packers---Bears quarterback Jay Cutler waits for a challange call regarding a possible Bears TD in the 2nd quarter--Sun-Times photo by Tom Cruze

“Te iludi? Porque eu já estou aceitando o fracasso.”

NFC South

O ataque de Atlanta é uma das coisas mais bonitas da NFL em 2016. Matt Ryan sonhando com o MVP (já percebeu como a lista de candidatos desse ano é meio merda? Ainda bem que Tom Brady vai acabar ganhando de novo), com seus coadjuvantes Julio Jones e a dupla de RBs chatos trabalhando bem para produzir mais de 420 jardas por jogo orquestrados por Kyle Shanahan, futuro head coach do seu time.

Porém seria uma pena se a defesa estivesse disposta a destruir tudo, como conseguiu contra os Chargers, por exemplo. Coincidentemente, o segundo melhor ataque é de Drew Brees, mas este é acompanhado de uma defesa ainda mais determinada em afundá-lo.

Na segunda metade, dois times sem grandes aspirações a não ser lutar por respeito. Jameis Winston conseguiu diminuir o número de interceptações nesse segundo quarto de temporada, mas junto com sua melhora, parece que a defesa dos Bucs piorou (que bela coleção de defesas tem a divisão sul da NFC!). E continuamos batendo na tecla de que quem tem Roberto Aguayo (7/12 chutes apenas)…

Enquanto isso, os Panthers seriam nossa escolha de time da parte de baixo da tabela para uma recuperação bonita e histórica, mas sonhar com playoffs com a schedule que vem por aí parece ousado demais.

NFC East

Como acontece sempre, a costa leste (e Dallas?) da conferência gosta de criar boas histórias, especialmente porque os quatro times tem campanhas com mais vitórias que derrotas. Primeiramente, os Cowboys que têm a disputa mais interessante (já que sua posição como líderes da divisão parece que se manterá até o final): Dak Prescott, o rookie maravilha, contra o possível retorno do veterano Tony Romo – que, apostaria, nunca melhorará da lesão que lhe tirou de atividade.

Logo em seguida, temos outro rookie: Carson Wentz, que lidera os Eagles e flutua junto com o time, como corresponde a um novato, ainda assim se mantendo no páreo (e ganhando de times como o até então imbatível Minnesota Vikings).

New York é o Kansas City Chiefs da NFC. Silenciosamente, medianamente, ganhando os jogos que tem que ganhar, especialmente contando com seus (grandes) talentos individuais, está ali beliscando uma vaga nos playoffs, como a grande esperança de parar Bill Belichik no Super Bowl (LEMBRE-SE: você leu aqui primeiro).

Por último, o time de Kirk Cousins – que, também como breaking news, certamente será um dos FAs mais disputados de 2017 e um dos mais novos ricos (de maneira discutivelmente merecida). Kirk, aliás, tem o terceiro melhor ataque da liga em número de jardas, mesmo que infelizmente não consiga traduzir em pontos e vitórias, especialmente por causa dos turnovers.

NFC West

A divisão de Chandler Catanzaro e Steven Hauschka, o que já indica onde queremos chegar falando dela. Mas, para começar, vale lembrar que essa também é a divisão de San Francisco, que ao contrário dos Browns, não tem mostrado absolutamente nada de valor para se pensar em anos seguintes mais felizes que o atual, e de Jeff Fisher, que após um começo escandaloso, estabilizou e trouxe Los Angeles ao lugar que lhe corresponde enquanto ele for o treinador: a busca sagrada pelo 8-8 enquanto é liderado bravamente por um Case Keenum que sabe que Jared Goff tomará seu lugar (mais cedo do que tarde, já que ele tem tido cada vez mais chances nos treinos).

A defesa dos Cardinals é a que menos cede jardas aos adversários, o ataque conta com o brilhante David Johnson, que será uma estrela em breve, mas o time tem uma campanha de 3-4-1 (o tal empate em 6-6 com Seattle, que poderia levá-los à uma briga séria por playoffs) e não parece que chegará a lugar nenhum. Assim, por eliminação, a defesa dos Seahawks e o sempre capaz, ainda que baleado, Russel Wilson deverão vencer a divisão por simples incompetência dos rivais. Quer você goste ou não.