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O homem de ferro cercado por homens de vidro

É o terceiro ano de prévias da temporada no PickSix e pelo terceiro ano sou responsável por San Diego (ou Los Angeles, se você consegue lidar com essa bizarrice) Chargers. Pelo terceiro ano seguido, a lógica de que esse time é fadado ao fracasso e às lesões diz uma coisa, mas a análise fria diz outra – obviamente, em julho, todo time é destinado ao Super Bowl, mas os Chargers contam, de fato, com boas peças (mais sobre isso a frente).

Como é um time sobre o qual falamos apenas uma vez por ano, é preciso comentar certos pontos da temporada de 2017: a depressão da chegada em Los Angeles já parece clara, como mostra a incapacidade de lotar um estádio de futebol-futebol com capacidade para 30 mil pessoas apenas com torcedores do próprio time (que, só nos resta concluir, não existem). Há também a comparação com os Rams, talvez a equipe mais empolgante de 2017 mesmo sendo o terceiro melhor time da conferência, o que já coloca os Chargers com menos de 365 dias de nova casa na condição de Clippers, Mets, Atlético de Madrid ou, pior, algo como um Botafogo da NFL.

Outro tema agridoce que viverá a torcida (inexistente) dos Chargers versa sobre a posição de Tight End. Pela primeira vez em 15 anos, Antonio Gates não será o sexto homem complementando a linha ofensiva, nem o gigantesco ex-jogador de basquete pulando mais alto que linebackers e fazendo safeties questionarem se é o que querem para sua vida é mesmo jogar football.

LEIA TAMBÉM: Antonio Gates era San Diego. Mas já é tempo de Hunter Henry

Teoricamente, para a sorte da equipe de Los Angeles, eles pareciam já ter encontrado o substituto ideal para Gates em Hunter Henry que, quando saudável, produziu muito como alvo seguro de Philip Rivers.

Infelizmente, seu joelho não aguentou o peso do uniforme azul bebê e explodiu ainda em maio. E isso pode ser um prenúncio de um ano como todos os outros, porque poucos times parecem apostar tanto que “lesões passadas não são indicativos de lesões futuras”.

*Muito bom, se estiver saudável

Se apenas a lesão de Hunter Henry já parece ruim, a lista de candidatos a substitutos de Gates sofre com a maldição: o jovem Austin Roberts, ainda que apenas mais um undrafted free agent (assim como o velho Antonio) buscando seu lugar ao sol, também teve seu joelho saindo fora do lugar. Virgil Green, que teve 71 recepções em sete anos com os Broncos, é o nome mais conhecido do grupo e não é nada mais que um sexto bloqueador razoavelmente útil – o que pode, inclusive, até motivar um último retorno de Gates* ao time (mera especulação, mas se rolar vocês viram primeiro aqui).

Para a sorte do velho Philip, por outro lado, o seu grupo de WR está em melhor estado. Ao menos por enquanto. Keenan Allen*, vencedor do prêmio de Comeback Player Of the Year (que por si só já mostra o histórico de problemas de saúde) em 2017, jogou pela primeira vez, em cinco anos de carreira, os 16 jogos da temporada e, até surpreendendo os que já haviam desistido, chegou próximo das 1400 jardas recebidas, atrás apenas dos irreais Julio Jones e Antonio Brown. Com múltiplos jogos de mais de 10 recepções e de 100 jardas – inclusive contra a forte secundária dos Bills -, não há razão para não repetir números do tipo.

Outro que conseguiu excelentes números combinados com participação em todos os jogos pela primeira vez na carreira foi o RB Melvin Gordon* – nada espetacular no jogo corrido, mas sólido, e especialmente importante como alvo seguro no jogo aéreo, sendo suas 54 recepções um número maior do que qualquer outro WR além de Keenan Allen.

Para suprir esse vazio como segunda opção de recebedor, especialmente agora sem TE, o nome ideal seria Mike Williams* (e não só porque esse é um nome extremamente comum para WR na NFL). Uma curiosidade interessante sobre o início da temporada de 2018 é que a equipe comandada por Anthony Lynn e gerenciada por Tom Telesco não escolheu nos quatro primeiros rounds um jogador ofensivo sequer; o que, além de confiança no que tem, pode indicar que o time acredita que poderá aproveitar suas duas primeiras escolhas de 2017 finalmente.

O primeiro foi Williams, que perdeu a pré-temporada e os seis primeiros jogos com problemas nas costas, simplesmente fatal para seu desenvolvimento e limitando-o a 11 recepções. Certamente Rivers visualiza tirar mais dele, devido ao seu pedigree que gerou 1361 jardas na última temporada, como alvo de Deshaun Watson. Já os WR Tyrell Williams e Travis Benjamin não são maus jogadores, e tê-los como opções complementares apenas pode tornar esse ataque em um dos (ainda) melhores da liga.

O segundo jogador ofensivo que é praticamente um rookie é o G Forrest Lamp*, que (adivinhem) também se machucou na pré-temporada e nunca voltou. É fácil assumir que ele deverá ser muito bom para além do hype do draft: o próprio Chargers selecionou o G Dan Feeney uma rodada depois e ele acabou eleito um dos melhores rookies do ano.

Completam a linha ofensiva o LT Russell Okung*, que justificou a aposta em si mesmo após assinar um contrato cheio de incentivos, sem orientação de empresário, e chegou ao segundo Pro Bowl da vida; o Center Mike Pouncey*, que vem de Miami e acumula três Pro Bowls da época em que esteve saudável; e Joe Barksdale*, que perdeu cinco jogos na última temporada, mas mantém o alto nível quando está presente.

*para entender tantos asteriscos, basta olhar o título. Sério, vai ser muito incrível se todos aguentarem toda a temporada – e muito bom para os Chargers também.

Sobre Iron Man e Geno Smith

Philip Rivers dispensa muitas apresentações e comentários. Suas 4500 jardas e 28 TDs são números dos sonhos para equipes sem QB e, com a riqueza de talento ao seu redor, não há razão para esperar que ele vá decair com apenas (para os padrões Tom Brady de ser) 37 anos a serem comemorados com seus 15 filhos (ou algo assim) em dezembro – especialmente como detentor do título de Iron Man da liga, com 192 jogos de temporada regular seguidos, conquistando a simbólica medalha após o episódio estranho com Eli em Nova York.

Entretanto, para aqueles que duvidam de coincidências, é válido relembrar: para a descrença de todos, um Manning que parecia destinado a uma última oportunidade foi substituído pelo eternamente desacreditado Geno Smith. E adivinha quem foi contratado para ser o QB reserva em Los Angeles em 2018? Pelo bem de Rivers, vamos torcer que Cardale Jones ganhe a disputa de posição.

É saudades que chama.

A defesa de Joey Bosa

Não vamos aqui fingir que entendemos tanto da defesa dos Chargers quanto seria possível. De qualquer forma, é interessante notar que a equipe foi número 3 da liga em 2017 em pontos cedidos e não perdeu nenhum jogador notável: pelo contrário, o draft soma ao grupo que tem como coluna vertebral os craques Bosa, Ingram e Hayward.

Joey Bosa é uma máquina e concorrente perene a DPOY, especialmente enquanto ajudar a equipe dominando a linha ofensiva tanto no passe quanto no jogo corrido e a abrir espaços para Melvin Ingram, outro terror de QBs, que finalmente chegou ao seu primeiro Pro Bowl após anos como único ponto bom da defesa em San Diego.

Brandon Mebane e Corey Liuget vêm de um 2017 ruim e, caso consigam produzir pressão interior aproveitando os espaços de Bosa e Ingram, poderão se aproximar da pressão do irmão rico de Los Angeles.

No back-seven, a estrela óbvia é Case Hayward, que dispensa mais comentários, qualificando-se como um dos Cornerbacks mais underrated da NFL (ainda que tenha ido ao Pro Bowl nos últimos dois anos), enfrentando WR1 adversários do alto de seus 1,80m é produzindo 11 interceptações nos últimos dois anos. Seu complemente ideal seria Jason Verrett, mas o que não era incomum em San Diego segue usual em Los Angeles: ele já está lesionado e fora da temporada de novo.

Nunca duvidamos.

Para a sorte dos Chargers, jovens devem continuar colaborando na defesa. Trevor Williams, undrafted em 2016 e sem parentesco com Tyrell, assumiu a posição com outra lesão de Verrett em 2017 e foi apontado como 10º melhor CB da liga no ano passado. Outro jovem que tem o objetivo de dificultar a vida dos ataques aéreos é o rookie Derwin James, Safety escolhido na metade da primeira rodada para já chegar jogando.

Palpite

Dá para acreditar? Se a medicina continuar evoluindo e segurar tantos jogadores duvidosos de pé, com certeza. Em 2017, a equipe perdeu apenas para dois times que não foram para os playoffs: para os Broncos na altitude e para os Dolphins graças ao FG desperdiçado pelo jovem Koo (citação obrigatória, especialmente agora que ele já não está na liga). Após um desastroso início 0-4, Anthony Lynn conduziu a equipe a nove vitórias e apenas três derrotas, com a mesma campanha de Titans e Bills, que foram aos playoffs.

Com Oakland e Denver em situação sempre duvidosa, além de Kansas City com um QB essencialmente rookie, os Chargers têm uma oportunidade de voltar a vencer a divisão, o que ajudaria a construir algo de torcida em Los Angeles. Um 10-6 e eliminação na segunda rodada dos playoffs para um time com mais camisa depois de tirar alguém da AFC South parece um bom 2017. Ou Geno Smith pode ser o starter lá pela semana 9, enquanto somos lembrados que San Diego dos tempos de Antonio Gates segue vivo, mesmo em uma cidade estranha.

Uma grande enfermaria em Los Angeles II

Vamos tirar duas coisas do caminho para poder falar normalmente do Chargers: primeiro, Joey Bosa, talvez você não saiba que eu exista, mas perdoe pelas críticas. Você é muito melhor (10,5 sacks em apenas 12 jogos melhor) do que esperávamos e plenamente capaz de ser o que quiser nessa vida (se resolver largar o football para virar astronauta, vai na fé. Vai dar certo, não deixaremos ninguém duvidar de ti). Segundo, provavelmente Chargers é o melhor time da divisão. Mas não se iluda, daqui para frente é só ladeira abaixo.

(Sério. O time tem bom grupo de LBs. Enquanto o texto era escrito, Denzel Perryman, inside linebacker líder do grupo, se machucou e está fora por pelo menos um mês. Time desgraçado.)

Outro problema que incomoda bastante ao analisar ex-time de San Diego é o seu estádio. Por pior que a equipe tenha sido nos últimos anos e mesmo com a constante ameaça de abandonar a cidade, a média de público esteve sempre acima dos 60 mil por partida (exceto em 2016: 57 mil), ainda que se possa afirmar que boa parte desses eram torcedores das equipes adversárias.

Ao mudar-se para LA para ser inquilino de Stan Kroenke (e assim, como fica claro para qualquer um que queira ver, ser o time simpático secundário da cidade), o time resolve alugar um estádio de futebol de 27 mil pessoas para jogar pelos próximos três anos, porque a construção do novo estádio foi adiada. Faz algum sentido para os senhores? Pois nem para a torcida deles, já que esta sequer lotou o StubHub Center na estreia da equipe na cidade (a efeitos de comparação, os Rams bateram o recorde de público em um jogo de preseason da NFL em sua estreia em 2016).

Mais deserto que a Arena Amazonas.

A última grande novidade fica por conta do HC Anthony Lynn, que fez seu nome estabelecendo um potente jogo corrido com LeSean McCoy e tornando Tyrod Taylor em um QB especialmente capaz. Veremos o que ele pode fazer com um QB candidato ao Hall da Fama.

Nem Philip Rivers quis ir para LA

Philip Rivers é um cara tão injustiçado quanto os defensores do Jacksonville Jaguars. Titular em todos os jogos do time desde 2006 (jogando inclusive com joelho estourado e alma costurada), lançando para mais de 4000 jardas e 25 TDs desde 2008 (exceto em 2012).

Não obstante, é importante lembrar os absurdos 30 turnovers em 2016, que mostram que ele já não é mais o cara para carregar sozinho o time, já que a idade parece estar pesando sobre seu braço direito (aliás, sua porcentagem de acerto de passes diminuiu bastante entre a primeira e a segunda metade da temporada).

Além disso, o quarterback foi um dos principais críticos da mudança para Los Angeles, tanto que ele não abandonará sua residência no norte de San Diego em prol de seus oito filhos. O jogador optou por fazer diariamente o caminho de aproximadamente 120km entre sua casa e o novo CT dos Chargers – no famoso trânsito infernal da região.

A ajuda vem…

Quando Rivers está sob pressão, ele é perigoso. Obviamente, só nos resta imaginar o que ele seria capaz de fazer tendo tempo para jogar (spoiler: ele é um monstro). Sabendo disso, o time não poupou esforços para melhorar a linha ofensiva: para substituir o aposentado King Dunlap, o time trouxe o bom LT Russell Okung (com um contrato teoricamente monstruoso, mas que é essencialmente de 2 anos) que teve sua primeira temporada saudável pelo rival Denver Broncos. Além disso, o draft foi bom para a unidade e permitiu a adição dos guards Feeney e Lamp (começou com “my name is Forrest, Forrest Lamp” e, adivinha, também explodiu o joelho), que deveriam ter sido escolhidos antes do que realmente foram pelos Chargers.

Danny Woodhead (o Darren Sproles 2.0) deixa o time, mas deverá ser substituído por Branden Oliver (o Darren Sproles 3.0) sem muita perda de qualidade. O RB principal da equipe, Melvin Gordon, finalmente marcou seu primeiro TD da carreira em 2016 – e adicionou mais 11 em apenas 13 jogos. Obviamente, esses “apenas 13 jogos” nos levam ao próximo tópico: a maldição que afeta o Los Angeles Chargers.

Ou seria Mike Tolbert 2.0?

… se ficar inteira

Por exemplo, a única temporada em que Okung disputou os 16 jogos foi em 2016. Melvin Gordon também ainda não aguentou chegar ao final do ano saudável. O grupo de WRs é ainda mais afetado: Keenan Allen, teoricamente o principal alvo de Rivers, perdeu todo 2016, tendo ficado de fora também por metade da temporada de 2015; para substituí-lo, o time escolheu Mike Williams na 7ª posição do draft. Acho que o leitor já pode adivinhar que, durante a pré-temporada, Williams também se machucou (uma hérnia de disco, que pode até mesmo tirar o jogador da temporada).

Ainda que tenha dificuldades em estabelecer um WR1 (o que melhoraria bastante a sua vida e o peso da idade no seu braço), Rivers não acabará carente de alvos: Tyrell Williams surgiu do nada e substituiu Keenan Allen superando as 1000 jardas em 2016; Dontrelle Inman e Travis Benjamin também tiveram um 2016 razoável, aproveitando as oportunidades que apareceram (basicamente, se você passar por 2016 e 2017 sem ter ao menos um recebedor dos Chargers em seu time de fantasy football, você não se aventurou o suficiente nos waivers).

Além disso, é válido lembrar dos TEs Hunter Henry e Antonio Gates, que combinaram para 15 TDs em 2016. Resumindo: ajuda existirá para Philip Rivers produzir, resta saber se será suficiente.

Surpreenda-se: o outro lado é bom também

Ainda que Keenan Allen seja a lesão mais lembrada do ano amaldiçoado dos Chargers (sério, 23 jogadores acabaram na injured reserve; para comparar, os Patriots colocaram apenas cinco atletas lá), provavelmente a lesão mais dolorosa ocorreu do outro lado do passe: era esperado que o CB Jason Verrett se tornasse outro grande defensor da NFL, até que seu joelho resolveu explodir.

Em 2017, ele deverá voltar e formar dupla com o outro excelente cornerback Casey Hayward, uma das melhores contratações de San Diego (e, provavelmente, da liga) nos últimos anos. Ainda que ambos sejam anões para os padrões com que o novo coordenador defensivo Gus Bradley (fracassado em números nos Jaguars, mas arquiteto original da Legion of Boom e de uma boa defesa em Jacksonville) está acostumado, não se vê a defesa aérea de Los Angeles devendo algo – especialmente com a aparente ascensão do undrafted Michael Davis (esse sim, com quase 1,9m) e da escolha de 5º round Desmond King, aparentemente um faz-tudo na secundária.

A chegada de Bradley trouxe mais mudanças à equipe: o time abandonará o 3-4 e passará a defender com um 4-3, servindo às habilidades do seu melhor pass-rusher, Joey Bosa (eu já pedi perdão, caras).

“Não ia ser um bostão?”

Do outro lado, Melvin Ingram, que passou quatro anos sonhando com algum complemento nessa defesa, agora deverá servir como um bom complemento para a jovem estrela. O novo esquema também deverá ser benéfico para o meio da linha, composta por Corey Liuget e Brandon Mebane, o primeiro por ter mais liberdade para ir atrás do QB (conseguiu 17 sacks entre 2012-14) e o segundo tendo que tapar menos buracos como NT – fazendo um serviço mais parecido com o que tinha em Seattle.

Previsão: 9-11 vitorias, vencendo Jets e Oakland no final da temporada para chegar aos playoffs. Isso, obviamente, supondo que o time se cure da maldição que o afeta já há alguns anos e que a home field advantage de um estádio de 27 mil lugares seja conseguida com a pressão esperada pelo mão-de-vaca do Dean Spanos. Caso contrário, provavelmente o highlight da temporada será ver o kicker sul-coreano Younghoe Koo (!) em campo, com todos os trocadilhos que isso deverá trazer.

O caminho até o Hall da Fama: 7 jogadores que não estarão lá

Em meio ao período de inatividade da NFL há muito pouco que se discutir. Vez ou outra surge alguma notícia bombástica, algo como “técnico X diz que jogador Y está tendo uma ótima offseason”. O resto do tempo é preenchido por training camps e gifs inúteis.

Neste cenário de vazio em nossas almas e corações, não espere nenhuma notícia ou análise profunda sobre um tópico qualquer, ainda mais neste site desprezível que você aprendeu a amar. Mas, claro, não é porque estamos lhe dizendo que esse texto não fala sobre algo importante que você precisa parar de lê-lo: por ser uma lista, você pode só passar o olho nos nomes, não ler explicação alguma e ir diretamente as redes sociais do autor ofendê-lo.

(Sério, tá aqui o link).

Não, seu jogador preferido não está no Hall da Fama, trouxa!

Um dos tópicos que pode despertar maior paixão em torcedores é o Hall da Fama. Só de falar isso você já consegue escutar de longe um apaixonado pelo San Diego Chargers (R.I.P) gritando que Phillip Rivers é melhor que Eli Manning. Pode até ser, mas quem vai ter um busto em Canton e a jaqueta dourada daqui a alguns anos será o homem que nos deu a alegria de ver Tom Brady derrotado em um Super Bowl. Duas vezes.

Então, com o intuito de iluminá-lo, após um estudo extenso e com diversas bases científicas, preparamos uma lista com alguns nomes que, além de Rivers, não estarão em Canton. Pode se desesperar.

1. Andrew Luck

O barbudo mais bonito da liga entrou na NFL com toda a carreira já programada: o melhor prospecto da história seria um dos melhores QBs da história, que venceria inúmeros Super Bowls e terminaria com um dos bustos mais belos do Hall da Fama.

Pena que esqueceram de combinar isso com o time que o draftou. O Indianapolis Colts, que outrora já contou com a tríade de pior comando (Irsay-Grigson-Pagano) em qualquer liga esportiva, não tem ajudado Luck em sua jornada. A menos que Chris Ballard consiga dar um golpe em Jim Irsay ou Chuck Pagano nasça novamente, a tendência é que a miséria de Andrew seja mantida.

Chance de estarmos errados: 12%

2. Richard Sherman

Não negamos: é um excelente jogador. Mas talvez não tão bom quanto ele imagine. Porém, fora (e às vezes até mesmo dentro de campo), é chato pra caralho. Toda essa chatice fará com que eventualmente os Seahawks fiquem cansados e o troquem por um pacote de balas com alguma franquia irrelevante, que marcam presença naquela lista intitulada “franquias-com-que-ninguém-se-importa” (oi, Tennessee Titans!), evitando com que Richard se dirija para a eternidade. Quando ele perceber que não será selecionado, certamente brigará com o comitê, que o deixará de fora para sempre.

Chances de estarmos errados: 25%

3. Dez Bryant

Dez muitas vezes figura no topo da lista de algumas pessoas como melhor WR da NFL. Mas a verdade é que ele não tem uma temporada com mais de 1000 jardas desde 2015. Você pode inventar qualquer tipo de desculpa, porém os números mostra que mesmo se jogasse os 16 jogos no último ano, pela sua média, não chegaria a famigerada marca.

TY Hilton, por exemplo, que você provavelmente acha que é um WR mais “do meio do pacote”, tem números mais consistentes. Aceitem: Bryant terminará sua carreira na NFL lembrado por um drop e não tem nada que os torcedores dos Cowboys possam fazer pra mudar isso.

Chance de estarmos errados: nenhuma (0%). Podem cobrar.

4. Le’Veon Bell

Tido por muitos como o melhor RB da liga, algo compreensível, já que ninguém assiste os Cardinals pra ver que David Johnson é melhor, Bell só teve duas temporadas com mais de 1000 jardas terrestres – e só jogou mais do que 13 jogos uma vez em sua carreira, já tendo inclusive cumprido uma suspensão por acender um cigarro diferenciado.

Por não se manter saudável e considerando a pouca vida útil dos running backs na liga, podemos tirar as pretensões do menino Le’Veon de receber uma jaqueta dourada. No entanto, seus companheiros de equipe, Ben e Antonio, terão o acessório para mostra a ele no reencontro do Super Bowl que venceram juntos. Ah, Bell também não tem Super Bowl para alavancar suas credenciais.

Sad, but true.

Chances de estarmos errados: 26%

5. Travis Kelce

Travis Kelce era a principal arma do ataque mais chato da NFL até a chegada do garoto-foguete Tyreek Hill. Não sabemos em que mundo ser a válvula de escape de Alex Smith leva alguém até Canton. Além disso, Kelce só teve uma temporada com mais de 1000 jardas na carreira.

Chance de estarmos errados: 35% (tudo depende de quando Alex Smith for chutado de Kansas City)

6. Gerald McCoy

Gerald McCoy é um excelente jogador e poderia muito bem acabar no Hall da Fama. Mas, pense bem: quando te perguntam sobre um bom jogador, mesmo um defensor, você NUNCA pensa nele. Quando por um acaso do destino, ele habita sua mente, você até poderá vislumbrar sua habilidade, mesmo não tendo visto um jogo dos Bucanneers nos últimos quatro anos.

Chance de estarmos errados: 20%

7. Jimmy Graham

O mundo está dividido entre duas pessoas: as que sabem e as que não sabem que Jimmy Graham é overrated. Além de não ter noção alguma da “arte de bloquear”, o cidadão só teve duas de suas oito temporadas na liga com mais de 1000 jardas. Isso sendo uma TORRE e jogando com dois QBs baixos. Graham é apenas um bom jogador, e qualquer oportunidade que temos de trazer essa realidade deve ser aproveitada.

Chance de estarmos errados: 0,1%

7.1 Mike McCarthy

Ele treinou Brett Favre e Aaron Rodgers. É o famoso “assim até eu”. Mesmo tendo uma jornada longa na liga e vencendo um Super Bowl (acreditamos que o playcalling MEDROSO não permitirá um novo Lombardi), McCarthy ficará de fora do Hall da Fama, onde só os verdadeiros grandes técnicos podem pisar.

Chance de estarmos errados: 5%

Descubra: o editor odeia um desses caras.

Bônus:

8. Jogador que estará no Hall da Fama, quer você queira ou não, quer você goste ou não:

Justin Tucker. Assista ele acertando um FG qualquer de 830 jardas e tente discordar.

Chance de estarmos errados: menor do que no caso do Dez Bryant.

Antonio Gates era San Diego. Mas já é tempo de Hunter Henry

Quando Philip Rivers completou um passe de 11 jardas para Antonio Gates, que acabou derrubado no meio do campo, na linha de 27 jardas, o San Diego Chargers se viu em uma dramática luta contra o tempo. O relógio rolava e só restavam 15 segundos no último quarto. Em uma quarta descida e sem tempo para pedir, o ataque tentava, desesperadamente, sair de campo para que o time de especialistas entrasse e tivesse tempo suficiente para a derradeira tentativa de Field Goal. Ao contrário do que pode parecer, a urgência do momento não era resultado da busca por uma vaga nos playoffs, uma folga na primeira rodada ou mesmo uma vitória heróica contra um rival de divisão. O San Diego Chargers lutava, apenas, para levar o jogo contra o Cleveland Browns, na melancólica semana 16, para a prorrogação. O snap até saiu um pouco antes de o cronômetro zerar, mas o chute de 45 jardas de Josh Lambo fez uma curva à direita e não chegou nem perto de alterar o placar. A comemoração eufórica dos torcedores de Cleveland decretava: San Diego entraria para a história como o único time a perder para o péssimo Cleveland Browns em 2016.

A derrota, com placar apertado, pode parecer apenas um lapso pontual, afinal temporadas sem vitórias são raras, mesmo para os piores times. Em algum momento o Cleveland Browns teria que arrumar um jeito de vencer e, consequentemente, haveria uma vítima. Essa, porém, é uma explicação rasa, quase supersticiosa. O recorde de 5-11 mostra que a derrota para o pior time da NFL desde o Detroit Lions de 2008 é apenas a cereja no bolo de uma temporada completamente frustrante, marcada por contusões, por derrotas inexplicáveis, pelo declínio de um dos melhores QBs da NFL, pela demissão do técnico Mike McCoy e pelas melancólicas notícias da provável mudança para Los Angeles.

O San Diego Chargers ensina: como entregar um jogo

O San Diego Chargers mostrou que a temporada 2016 seria um desastre completo logo na semana 1. Contra o Kansas City Chiefs, vencia por 21 pontos faltando 18 minutos para o fim do jogo. Conseguiu tomar o empate e perder na prorrogação. Além de sofrer a derrota, que se tornou a maior virada sofrida na história da franquia, o Chargers perdeu seu principal WR, Keenan Allen, com os ligamentos do joelho rompidos. Na semana quatro, tinha 13 pontos de vantagem contra o New Orleans Saints, em casa, no último quarto, mas sofreu dois fumbles que culminaram em TDs dos Saints, que acabaram virando o jogo. Philip Rivers ainda teve a chance de reverter o desastre, mas foi mais uma vez interceptado no drive que poderia ter recuperado a vitória.

O Chargers conseguia ser patético até nos momentos em que demonstrava brilho e proporcionava esperança. Na semana 5, por exemplo, em uma tentativa de virada contra o Oakland Raiders, que vencia por 10 pontos no último período, Philip Rivers liderou um drive para TD e em seguida levou o time a uma tentativa de FG de 36 jardas. Assim como nos momentos de desespero da derrota para o Browns, o kicker Josh Lambo errou, é claro. Nas semanas 6 e 7, o time viveu seu melhor momento, com vitórias expressivas contra Denver Broncos e Atlanta Falcons, o que fez com que desavisados ingênuos (nós) acreditassem mais do que deveriam e colocassem o Chargers demasiadamente alto nos Power Rankings. As quatro (quatro!) interceptações de Rivers apenas no quarto período determinaram a derrota por 31×24 para o Miami Dolphins, na semana 10, e o fim de qualquer esperança de recuperação. Mesmo em alguns momentos deixando a impressão de que era melhor do que o recorde de 5-11 mostrava, o San Diego Chargers não tinha mais nada a fazer em 2016.

Oooops.

Procura-se um culpado

Após a derrota para o Kansas City Chiefs, na última semana da temporada, os gritos revoltados do que ainda resta da torcida do Chargers tinham um alvo muito bem definido: o head coach Mike McCoy. Enquanto os atletas eram ovacionados na saída de campo, o técnico era energicamente vaiado. Não foi à toa que, momentos após o fim do jogo, McCoy foi demitido. Quando um time consegue perder pelas maneiras mais variadas e sofridas possíveis, como foi o caso do Chargers de 2016, é impossível dizer objetivamente que a culpa é apenas de um indivíduo, nesse caso McCoy, e que ele merece ser demitido. Mas, aproveitando toda a subjetividade que o esporte proporciona, é ao mesmo tempo impossível dizer que ele não merece pagar o pato. Em quatro anos como head coach do San Diego Chargers, McCoy conseguiu um aproveitamento de apenas 42% e apenas uma aparição em playoffs, em seu primeiro ano, 2013, quando conseguiu vencer o Cincinnati Bengals na semana de Wild Card (como qualquer outro time faria) e foi derrotado logo em seguida pelo Denver Broncos. Nas duas últimas temporadas, foram nove vitórias e 21 derrotas, com a impressão de que, com um comandante melhor, os resultados não teriam sido tão vexatórios.

É claro que Mike McCoy não estava em campo quando Melvin Gordon e Travis Benjamin sofreram os fumbles que permitiram a virada do Saints. McCoy também não lançou quatro interceptações em apenas um período. Muito menos chutou os FGs que poderiam mudar a história de pelo menos dois jogos. Porém, desde o início da temporada de 2015, o San Diego Chargers perdeu dezoito jogos por oito pontos ou menos. Vale lembrar que foram 32 jogos disputados nesse período, ou seja, o Chargers perdeu mais da metade dos jogos que disputou nas duas últimas temporadas pela diferença de uma posse de bola ou menos. Isso evidencia que nessas partidas existiram grandes erros estratégicos, que só podem ser colocados na conta do head coach; ou alguém acredita que times comandados por Bill Bellichik ou Pete Carroll conseguiriam tais façanhas?

Além de errar como estrategista, Mike McCoy também não soube desempenhar o papel de líder. A apatia com que reagia aos desdobramentos do jogo era contagiante, no pior sentido possível. Em jogadas decisivas das partidas, era quase necessário checar a pulsação do técnico, que não demonstrava qualquer tipo de reação. McCoy era um morto-vivo na sideline e isso pode ter sido decisivo para os momentos em que o time precisava daquele esforço extra para vencer uma partida. Talvez com um pouco mais de energia vinda do banco não teríamos ficado apenas com a impressão de que o Chargers era melhor do que o número de vitórias que conseguiu.

Mesmo com todos os defeitos, Mike McCoy não foi o único culpado pelas tragédias propiciadas em 2016. As contusões não podem ser usadas como desculpa, já que todos os times, em maior ou menor grau, sofrem com elas, porém a perda de jogadores-chave, tanto do ataque quando da defesa, foi decisiva para que o time não atingisse seu potencial: atletas como Keenan Allen, Manti Te’o, Danny Woodhead, Brandon Mebane, Jason Verrett e Brandon Flowers, que seriam titulares em quase todos os times da NFL, foram colocados na injury reserve em algum momento da temporada e não voltaram mais em 2016. Além deles, Melvin Gordon e Antonio Gates, duas peças importantes do ataque, também não estiveram 100% durante o ano todo e perderam vários jogos.

Você sabia que Gates jogou basquete na faculdade?

Outro responsável pelo ano trágico dos Bolts foi o QB Philip Rivers, mas com ele as cobranças não podem ser exageradas. Se existiram alguns poucos momentos de brilho, eles passaram pelo braço do camisa 17. Vivendo nas sombras dos quatro títulos de Super Bowls conquistados por Ben Roethlisberger e Eli Manning, seus colegas do draft de 2004, um dos mais frutíferos da história, Rivers é um dos QBs mais subestimados da liga. 2016 foi um ano de altos e baixos para ele, que teve o segundo maior número de TDs desde que entrou na liga, com 33, mas bateu seu recorde pessoal de interceptações e liderou a NFL em 2016, com 21. O rating de 87,9 foi o segundo pior de sua carreira em temporadas completas e reflete o declínio apresentado em campo. Rivers parece não ter mais a força no braço que um dia já teve e tem visível dificuldade em posicionar adequadamente os passes longos. Além disso, as decisões equivocadas tem se tornado rotina e não é exagero dizer que o Chargers perdeu mais de um jogo devido a interceptações perfeitamente evitáveis no último quarto.

A avaliação da performance de Philip Rivers é mais complexa do que apenas dizer que ele está em declínio. É louvável que um QB consiga, repetidamente, superar contusões em seu corpo de recebedores e transformar jogadores médios, como Tyrell Williams e Dontrell Inman, e um TE já na fase final de sua carreira, em quase estrelas. Portanto, não se enganem: se existe a possibilidade de sucesso em um futuro próximo, ela passa pelas mãos de Philip Rivers.

Passa, também, por um grupo de jovens jogadores que, surpreendentemente, mostrou que pode ser o responsável pela transição da geração Rivers-Gates para a geração Gordon-Henry-Bosa.

Bosa: uma lenda. Nunca duvidamos.

A mudança

Se o passado ─ tanto o recente quanto o mais distante ─ não reserva uma quantidade significativa de boas lembranças para o torcedor do San Diego Chargers, o futuro também não traz muito alento, especialmente pela incerteza que ele reserva. A cidade que hoje chora e protesta pela perda do time é a mesma que vetou, através de um plebiscito, o uso de dinheiro público para a construção de um novo estádio, que certamente manteria o time na cidade. Com escritórios já alugados em Los Angeles, a mudança para a maior cidade da Califórnia parece inevitável e coloca um ponto final em 55 anos de história. Só o tempo dirá se a decisão foi a correta, mas o estádio vazio no último jogo do Rams, último time a se mudar para Los Angeles, mostra que a lógica de mercado que guia a busca por uma nova casa pode ser um tiro pela culatra. Por maior que seja, Los Angeles não parece ser o tipo de lugar que vai acolher um time ─ dois muito menos ─ e carregá-lo para as glórias.

Philip Rivers, católico fervoroso, republicano convicto e pai de oito filhos, já demonstrou que não considera a libertária Los Angeles uma cidade adequada para viver com seus rebentos. Quando as primeiras notícias sobre LA surgiram, Rivers comemorou publicamente que não estaria com contrato vigente quando a potencial mudança aconteceria. Desde então, renovou seu contrato por quatro anos e não tocou mais no assunto. Contratos, porém, podem ser rescindidos, especialmente por um QB de idade avançada que não está mais jogando por dinheiro. Se Rivers decidir não se mudar para Los Angeles, será mais um obstáculo ao estabelecimento do Chargers na nova cidade. Em uma liga em que verdadeiros franchise QBs são escassos, poucos pagam para ver um Jared Goff – quanto mais dois.

O adeus

Esse texto começou contando a história de uma recepção de Antonio Gates, um dos melhores TEs da história da liga e futuro membro do Hall of Fame da NFL. E vai terminar da mesma forma. No provável último jogo em San Diego, Gates, talvez o maior Charger da história, empatou o recorde de Tony Gonzalez para TDs recebidos por um TE, com 111, o que se transformou em um alento aos já saudosos fãs. Gates poderia ter superado o recorde se a comissão técnica do Chargers não fosse tão burocrática e não preferisse chutar FGs que não valem nada em um jogo que também não vale nada. Mas o passado já ficou para trás. Ironicamente, Hunter Henry, o bom rookie TE, foi quem recebeu o que pode ter sido o último passe para touchdown em San Diego. O futuro da franquia se mostrava naquele TD. Pena que o futuro talvez não seja mais ali.

E assim, ao som de Stand By Me, Gates e Henry, o passado e o futuro, entraram no túnel para talvez nunca mais voltar.

O quarterback certo no lugar errado (e sem um estádio que preste)

Philip Rivers é um grande azarado. Tão durão quanto Roethlisberger (sempre legal lembrar: ele jogou com os ligamentos estourados a final da AFC de 2007) e tão bom quanto Eli Manning, será eternamente lembrado como o terceiro melhor da incrível classe de QBs de 2004. E tudo isso por causa da porcaria de time em que está, que desde 2013 não vai aos playoffs e que não parece que vai mudar essa condição tão cedo – pelo menos não antes de ir para Los Angeles para viver de favor no novo estádio de Stan Kroenke e ser o segundo time da cidade.

E pode ser teoria da conspiração, mas uma grande razão para não acreditar nesse time é a iminente mudança de cidade, já que times vitoriosos não largam suas casas. Não que seja injusta, já que as pessoas de San Diego estão mais interessadas em praia do que em football (com certa razão) e o Qualcomm Stadium é realmente um dos piores estádios da NFL. Em uma liga em que todas as equipes têm estádios de ponta, a falta de apoio de San Diego (prioridades sociais, por favor) é realmente um motivo forte para abandonar a cidade se você é um dono tentando maximizar seus lucros – não nos deixemos enganar, no dia em que jogar em Londres ou na Rússia for lucrativo, lá estarão Goodell & amigos.

O caso Joey Bosa

Deixemos de lado os donos, sigamos com coisas inexplicáveis: a primeira escolha do draft de 2016. Mais do que Titans e Browns que coletaram vários picks, ou ainda que Eagles e Rams que (tecnicamente) encontraram seus quarterbacks do futuro, os Chargers deveriam ser os grandes vitoriosos do draft de 2016, especialmente porque poderiam escolher, na prática, o melhor jogador da sua board (já que, com alguns bons anos restantes a Philip Rivers, não é hora de escolher um QB). E as opções estavam ali: Jalen Ramsey para substituir Eric Weddle, um LT finalmente indiscutível para proteger Rivers (Ronnie Stanley ou o maconheiro Laremy Tunsil) ou ainda a opção que parece mais óbvia, DeForest Buckner (um gigante 5-technique legítimo, explicado a seguir).

Mais óbvia porque, aparentemente, os Chargers julgaram DE como a maior necessidade do time. Entretanto, Joey Bosa jogou como DE em uma defesa 4-3 em Ohio St (e foi parte importante do título de 2014), diferente da defesa 3-4 que o irmão de Chuck Pagano, John, tem nos Chargers desde 2012. Explicando rapidamente, Bosa fez sua carreira universitária acostumado a enfrentar tackles mano a mano, talvez com algum apoio do guard cobrindo o corredor por dentro (exemplo: Jared Allen).

Em um 3-4, ele terá duas posições possíveis, nenhuma das duas totalmente adequadas para ele ou em que tenha atuado: como 5-technique, enfrentando um guard na força e um tackle cobrindo o corredor por fora (exemplo: JJ Watt) ou então como linebacker, em que necessitará de muita velocidade no pass rush e também terá atribuições como cobertura ou spy do QB (exemplo: Clay Matthews), que ele também não teve o costume de fazer.

Para ajudar, o sem posição tem problemas com a assinatura do seu contrato (o último rookie de 2016 sem assinar ainda, mesmo já passada metade da pré-temporada) e anunciou que não participaria do training camp do time, um período essencial para todos os jogadores, mas especialmente para ele que estará se adaptando a uma nova opção. De qualquer maneira essa escolha tem bust escrito desde o momento em que foi anunciada, e os Chargers terão sorte se conseguirem uma escolha de quinta rodada em 2018 para permitir que Bosa siga sua carreira em uma defesa adequada para ele.

1JoeyBosa

“Você achou mesmo que eu ia jogar no San Diego/Los Angeles/Las Vegas/San Antonio/Oklahoma Chargers?”

O retorno de Ken Wisenhunt

Mas apesar da mediocridade anunciada, nem tudo é sofrimento (ou erros) para os chefões de San Diego. Uma das razões para otimismo na equipe da fronteira mexicana é a volta do coordenador ofensivo, que foi demitido dos Titans, mas que estava presente na última vez em que o time foi aos playoffs e na melhor temporada de Philip Rivers (rating de 105.5, igual ao de 2008 com maior número de passes), em 2013.

Como é sabido, entretanto, o problema dos Chargers não é a qualidade de Rivers e sim tudo o que está ao redor dele. Os principais jogadores do ataque não parecem conseguir se manter saudáveis: Keenan Allen começou destruindo defesas (67 recepções, 725 jardas em apenas 8 jogos), mas se machucou, e de brinde ganhou um contrato de 45 milhões em 4 anos – após admitir que estava gordo e confortável demais na campanha decepcionante de 2014, parece importante ter uma atenção maior nele; e o eterno Antonio Gates chega aos 36 anos tendo jogado apenas duas temporadas completas das últimas seis.

Pelo menos parece haver novas boas opções para adicionar profundidade real aos alvos, como o WR Travis Benjamin, que conseguiu receber quase 1000 jardas jogando em Cleveland, e Hunter Henry, provavelmente o melhor TE do draft de 2016, que terá a responsabilidade de substituir Ladarius Green como segunda opção e “futuro Gates”. Danny Woodhead deve seguir sendo uma opção de segurança e recebendo seus 150+ toques na bola (178 em 2015) e Melvin Gordon deve evoluir em sua segunda temporada, mesmo após não ter conseguido marcar nenhum touchdown como rookie.

A situação da linha ofensiva é mais dramática. Não que Dunlap-Franklin-Slauson-Fluker-Barksdale seja uma linha ruim, muito pelo contrário, mas em uma liga em que quase ninguém tem 5 jogadores bons para a compor, não surpreende que os reservas de San Diego não estejam à altura. E, apesar do desastre de 2015 ser impensável (os únicos a jogarem em todos os jogos foram Slauson e Barksdale), também esperar que toda a proteção do QB se mantenha intacta os 16 jogos parece bem improvável dadas as tendências de seus jogadores.

San Diego Chargers v Miami Dolphins

A nossa cara quando pensamo no futuro dos Chargers.

Mais buracos do outro lado

Sobre a mais nova e importante adição à defesa, Joey Bosa, já falamos muito. A previsão (e os anúncios), é de que ele jogue como 5-technique, completando a linha defensiva com Corey Liuget, que também sofreu com lesões em 2015, e o NT Brandon Mebane, que chega dos Seahawks (onde, a exemplo de Bosa, jogou a vida toda em um 4-3, ou seja, com um outro DT para abrir espaços por dentro ao seu lado).

Os principais responsáveis pelo pass rush deverão ser os LBs Melvin Ingram (que, em meio a tanta zica em San Diego, conseguiu sua primeira temporada completa desde 2012) e Jeremiah Attaochu, que deve tentar continuar a produzir após os seis sacks de 2015 (PERCEBA, LEITOR, QUE NÃO HÁ ESPAÇO PARA BOSA ONDE ELE É BOM). Por dentro, o grande furo da defesa: uma disputa entre os inside linebackers Te’o (o da “namorada”), Perryman e o rookie Joshua Perry (também de Ohio St) para tentar melhorar uma defesa contra o jogo corrido que cedeu quase 5 jardas/corrida em 2015.

A proteção contra o jogo aéreo promete ser melhor, pelo menos. Os Chargers têm um belo trio de cornerbacks em Jason Verrett (Pro Bowl em 2015), Brandon Flowers (que jogou 2015 gordo após ter recebido um novo contrato) e Casey Heyward, trazido de Green Bay. Restará apenas saber como a secundária reagirá à perda do veterano 5 vezes All-Pro safety Eric Weddle, que decidiu sair de San Diego após ter se sentido desrespeitado em um episódio em que acabou multado pela NFL por ter ficado em campo durante o intervalo para ver sua filha em uma apresentação e não ter sido defendido pela equipe.

Palpite: Cinco ou seis vitórias. Esse time parece destinado à mediocridade e torceremos contra eles por alguns anos até que alguém admita que fez cagada em relação a Joey Bosa (torcedor dos Chargers, assista Buckner nos 49ers e chore). Se tudo desse certo, o título da divisão não seria algo exatamente impossível (especialmente porque sempre um último colocado tem que ganhar uma divisão no ano seguinte), mas eles não merecem. Burros.