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Peter Mortell era eu, você e todos nós: agora nem Rodgers nos salvará

[Quando criamos o Pick Six combinamos que aqueles que quisessem poderiam escrever o preview de seu respectivo time. Começamos com o Packers e, bem, sempre soubemos que isso não daria certo]

Se a pré-temporada da NFL é aquele evento classicamente dispensável, ao menos para os torcedores do Packers ela trouxe uma boa história. Não apenas uma boa história, mas a verdadeira história de todo e qualquer torcedor de Green Bay: por um instante, uma fração de tempo tão efêmera quanto o final de um filme meia boca do Woody Allen (faça sua escolha: qualquer um lançado nos últimos, sei lá, 10 anos), eu, você e todos nós, ao mesmo tempo, pisávamos no Lambeau Field.

Talvez você ainda não tenha conseguido compreender a magnitude desta história, mas tentaremos explicar: imagine que seu avô, por 30 longos anos, algo como 10950 dias, ou 262800 horas, em torno de 15768000 minutos, controlou o relógio do estádio mais sagrado de toda a NFL. Tic-tac, também imagine que seu avô só se tornou responsável por tal função após ter sido convidado por um cidadão chamado Vince Lombardi – aquele que dá nome ao troféu de campeão da NFL. Tic-tac, agora acrescente a esta história o fato de que em 2000 seu pai assumiu a função de seu avô.

Peter Mortell conhece a história acima e, bem, é torcedor fanático do Packers desde que pisou neste mundo. Na verdade, provavelmente já torcia para o Packers antes de nascer.

Mesmo assim, Mortell só assistiu seu primeiro jogo no Lambeau aos três anos de idade e, aos quatro, recebeu como presente uma ação do time. Reza a lenda, afinal, esta história já deixou ser apenas história para integrar toda e qualquer narrativa que importe, que Mortell esteve presente em mais 100 jogos de Green Bay em sua vida, incluindo o Super Bowl XLV. E que, quando criança, se fantasiou de Brett Favre por seis halloweens consecutivos.

Tudo isto parece não ter sido suficiente. E mesmo sendo superior a Tim Masthay, o que, assumimos, não é digno de grandes elogios (para isso basta ter coordenação motora para parar em pé), Mortell foi cortado do roster de Green Bay.

O Packers escolheu o pragmatismo em vez de escolher eu, você e todos nós. O Green Bay Packers expulsou eu, você e todos nós do santo gramado do Lambeau Field. O Packers não merece vencer o Super Bowl enquanto não se desculpar comigo, com você, com todos nós. Não merece vencer nada enquanto não se desculpar com Peter Mortell.

Hoje, o Green Bay Packers só merece comemorar a vitória de Jordan Rodgers no The Bachelor.

“Tanta história me deixou com fome.”

Em paz com o passado

É difícil não pensar no que deu errado em 2015 para o Packers. No fundo era o mesmo time de 2014, sem Jordy. Mesmo assim, esperava-se que o ataque mantivesse suas médias, o que, sabemos, esteve longe de acontecer: foram 23,5 pontos contra 29,7 no ano anterior.

Se a ausência de seu principal alvo era sentida, também é fato que Rodgers não foi o mesmo: por diversas vezes, ele pareceu relapso, por vezes impaciente. Rumores indicavam alguma lesão, o que explicaria os piores números de sua carreira como titular: menos de 61% de passes completos e míseras 6,7 jardas por passe completado.

O fator Randall Cobb também pesou e a ausência de Nelson talvez tenha sido tão sentida para o WR quanto foi para Rodgers. Cobb até teve um início explosivo, com 20 recepções para 245 jardas e 4 TDs em apenas três jogos, mas logo na quarta partida, contra o Chiefs, sofreu uma lesão no ombro e nunca mais foi o mesmo.

O cenário, no entanto, agora é outro: as notícias apontam que Nelson retorna saudável, o que aliviará a carga de trabalho de Randall. Jeff Janis e Jared Cook também tendem a se tornar alvos constantes; Janis, selecionado no sétimo round em 2014, apareceu apenas no fatídico jogo contra o Cardinals, já nos playoffs, mas mesmo assim o HC Mike McCarthy tem declarado que ele está pronto para ser mais acionado. Já o TE Jared Cook sempre prometeu, mas a verdade é que também foi uma eterna decepção em St Louis – ainda que também precisemos assumir que o Rams é uma eterna decepção, e talvez ele não seja o único culpado por basicamente feder nos últimos anos de sua carreira.

Mas se Cook pode ser o TE que procuramos desde que a carreira de Jermichael Finley foi interrompida e ele decidiu ser comentarista de Twitter, precisamos desistir de Davante Adams. Nenhum time que se leve a sério pode ter Davante Adams em seu elenco. Por favor, tirem logo esta desgraça do meu time.

Não sigo este palhaço.

Não sigo este palhaço.

O sucesso começa pela OL, amigos

Se Rodgers teve seus piores números – mas também vale ressaltar que os piores números de Aaron Rodgers possivelmente são melhores que de 90% dos QBs de nossa querida NFL – muito se deve a OL, tão consistente quanto manteiga fora da geladeira.

As lesões foram a justificativa para este caos, mas lesões sempre são muletas em Green Bay. O fato é que ao menos Josh Sitton e TJ Lang, saudáveis, são confiáveis. Além disso, Corey Linsley, apesar de tudo, teve um bom ano em 2015. Há ainda Jason Springs, escolha de segunda rodada, que deve acrescentar alguma profundidade a linha, mas é mais provável que seja um grande bust. Já David Bakhtiari perdeu qualquer respeito após ser o pior ator de Pitch Perfect 2.

De qualquer forma, a OL é fundamental também para outro retorno: não há como negar que Eddie Lacy esteve mais próximo de um boi resignado com o abate do que de um running back na temporada passada. A boa notícia é que não há razão alguma para duvidar que ele volte a seu melhor nível em 2016; após duas temporadas iniciais com mais de 1000 jardas, sua versão obesa correu para apenas 758 jardas e 3 TDs. Agora ele precisa correr para garantir, além de seu almoço, um novo contrato.

Não estamos acostumados, mas temos uma defesa

Mike Daniels é um dos melhores jogadores da NFL, Clay Matthews deve retornar como OLB e não mais como ILB, Julius Peppers aparentemente inspirou a história de Benajmin Button, já que não envelhece. Não estamos acostumados com isso, amigos!

De todo modo, BJ Raji nos deixou, seremos eternamente gratos a ele, mas a verdade é que seus últimos momentos foram decepcionantes e ele pode ser substituído pelo DT Kenny Clark: Clark tem estatura e habilidade, e não será surpresa se logo estiver entre os melhores da NFL. Aliás, o fato de nomes como os já citados Clay e Peppers atraírem a atenção para si pode tornar a adaptação da escolha de primeira rodada vinda de UCLA ainda mais tranquila.

A secundária também inspira confiança: Sam Shields e Damarious Randall estão em sinergia, e Micah Hyde cumpre bem seu papel. Já Ha Ha Clinton-Dix entra em seu terceiro ano de liga com todas as condições de se tornar um dos principais safeties da NFL.

O muso voltará a ser muso na sua posição boa.

O muso voltará a ser muso na sua posição boa.

Palpite: não merecemos depois do que fizemos com Mortell, mas impossível não vencer a NFC North contra um Teddy Bridgewater incapaz de lançar passes de mais de 15 jardas e um kicker que não sabe chutar uma bola; um time que tem Jay Cutler (haha) como QB e um Lions incapaz de ser levado a sério. É injusto, mas o Super Bowl já é realidade. Tudo bem, a verdade é que quero acreditar, mas lá no fundo já estou pensando em qual lesão usarei como desculpa para o fracasso iminente.