Posts com a Tag : Paxton Lynch

Alex Smith como você nunca viu

Um dos maiores erros cometidos quando falamos de draft – e dos jogadores nele selecionados – é acreditar que se trata de uma ciência linear. Nós achamos que os resultados são sempre constantes em função do jogador selecionado, e tudo que muda é o time que escolheu uma pessoa ao invés da outra.

O melhor exemplo recente disso é Dak Prescott, selecionado pelo Cowboys na quarta rodada e que se tornou um dos melhores jovens QBs da NFL. Muitos analistas começaram a apontar o grande erro de estratégia dos outros times da NFL em não selecionar um jovem franchise QB em Prescott quando tiveram a chance, esquecendo que o próprio Cowboys passou Dak três vezes e só selecionou o camisa 4 depois de não conseguir DUAS opções que preferiam a ele, Paxton Lynch e Connor Cook (cuzão).

Mas o mais importante as pessoas estão esquecendo: caso Dak Prescott não fosse para Dallas, existe uma chance bastante considerável de que ele nunca teria tido o 2017 que teve, e não teria se tornado o QB que aparenta ser hoje. Ambiente, complementos e desenvolvimento contam muito para a evolução de qualquer jogador, e Dak pode passar seu ano de calouro jogando atrás da melhor linha ofensiva da NFL, complementado por um devastador ataque terrestre que tirava a atenção da defesa de suas costas.

Pense nisso: se Prescott tivesse acabado em um time como o Browns, passado o ano todo tendo que se preocupar em fugir da pressão atrás de uma linha ofensiva ruim, precisando lançar bolas demais por jogar atrás no placar, e sem um jogo terrestre dominante, podem ter certeza que Prescott não teria se desenvolvido tão bem e hoje não seria visto como metade do jogador que é em Dallas. Contexto importa, desenvolvimento importa ainda mais, e esquecemos disso com uma frequência impressionante.

Comparação

Na história recente da NFL talvez não exista um melhor exemplo disso do que Alex Smith. Primeira escolha no draft de 2005 – 23 escolhas antes de Aaron Rodgers – Smith durante muito tempo foi considerado um dos grandes busts da história da NFL.

As estatísticas ajudavam a ratificar essa impressão; entre 2005 e 2010, Alex Smith jogou 54 jogos e completou apenas 57.1% dos seus passes, com 51 TDs, 53 INT, 6.2 Y/A, 5,3 AY/A e um rating de 72.1. Com Aaron Rodgers assumindo a titularidade e se tornando uma superestrela em Green Bay, a narrativa cada vez mais forte era de que o 49ers tinha feito a escolha errada.

Mas embora seja muito provável que San Francisco realmente tenha feito a escolha errada, assumir que o resultado teria sido o mesmo (mas trocado) para os jogadores e times envolvidos é ignorar os trajetos totalmente opostos que Smith e Rodgers enfrentaram na NFL. Smith, quando chegou a San Francisco como escolha #1, enfrentou a pior situação possível para o desenvolvimento de um jovem QB: colocado logo de cara no fogo, atrás de uma horrível linha ofensiva e sem alvos para ajudá-lo, Alex passou seus primeiros anos correndo pela vida, incapaz de desenvolver as habilidades certas por estar sempre precisando jogar atrás no placar e fugir da defesa adversária.

Além disso, em seus primeiros sete anos de NFL, Alex Smith teve seis técnicos e sete coordenadores ofensivos diferentes, um constante fluxo de mudanças que impediam que o jovem QB aprendesse e desenvolvesse um playbook consistente, e cada troca vinha com novas adaptações, novas mudanças, e novas jogadas. Adicione a isso lesões no ombro – geradas e agravadas pelas repetidas pancadas sofridas atrás dessa fraca linha ofensiva – e a verdade é que Alex Smith nunca recebeu em seus anos formadores a condição de se desenvolver e ter sucesso como QB titular de NFL.

Do outro lado, Rodgers teve a melhor situação possível. Ficou três anos aprendendo com a tutela de um QB Hall of Famer (Brett Favre), sem nenhuma pressão ou desespero. Seu técnico, seu playbook, seu estilo de jogo – tudo permaneceu constante desde que chegou à NFL, o que ajudou demais seu desenvolvimento. Quando Rodgers enfim se tornou titular em 2008, estava muito mais maduro e pronto, conhecedor de um playbook estável, em um bom time. A chance de alguém se desenvolver assim era muito maior.

Então sim, é possível que Rodgers desde o começo simplesmente fosse melhor que Smith e merecedor da escolha #1. Mas a verdade é que, se você trocasse Smith e Rodgers na noite do draft, a carreira de ambos teria sido totalmente diferente. Smith nunca teria lidado com tantos problemas e teria se desenvolvido melhor, e Rodgers nunca – repetindo: NUNCA – teria se tornado o QB que é hoje se tivesse começado sua carreira na horrível situação que lhe seria proporcionada pelo 49ers, desenvolvendo maus hábitos e com aprendizado interrompido por constantes mudanças e uma péssima infraestrutura.

A sorte bate a porta

A sorte – e a narrativa sobre a carreira – de Smith mudou em 2011, com a chegada de Jim Harbaugh. Pela primeira vez Smith tinha não apenas um bom técnico e ótimo mentor de QBs para guiá-lo, como também não precisava ser ou se desenvolver em alguém que não era. Harbaugh desenhou todo o playbook do 49ers não em torno de algo que Smith deveria ser, mas do que ele tinha de melhor: a inteligência, paciência, precisão nos passes e boa leitura de jogo.

Agora, atrás de uma boa linha ofensiva e um poderoso jogo terrestre, e complementado pela melhor defesa da NFL, Smith não precisava fazer passes difíceis ou soltar grandes bombas para vencer. O 49ers precisava que ele tomasse conta da bola, trabalhasse o play action, tomasse boas decisões e fosse um complemento, uma peça a mais em um time completo e muito bem montado.

Em 2011, Smith teve seu melhor ano na carreira até então, completando 61.7% dos passe para 17 TDs e 5 INTs, 7.1 jardas por passe (Y/A) e 7.3 jardas ajustadas por passe (AY/A). Com Smith no comando, o 49ers chegou até as Finais da NFC e só não foi ao Super Bowl por conta de dois fumbles em retornos de punt (a atuação de Smith contra o Saints nos playoffs ainda é uma das mais impressionantes da história recente da NFL).

No ano seguinte, porém, Smith acabou indo para o banco depois de uma lesão em favor do maior potencial de Colin Kaepernick, mas novamente vinha tendo um grande ano: 70.2%, 13 TDs, 5 INTs, 8,0 Y/A, 8.1 AY/A. Ao todo, Alex Smith jogou 26 jogos completos sob Jim Harbaugh, e o 49ers venceu 20 deles.

Mas apesar do sucesso individual e coletivo sob Harbaugh, Smith ainda continuava preso aos rótulos. Se agora não era mais o rótulo de bust, o fracasso no draft, agora era um novo: “Game manager”. A ideia era de que Smith tinha sucesso por ser alguém que apenas “gerenciava” o jogo, alguém que só era capaz de evitar erros, dar a bola para o running back, e confiar na defesa – ele não perdia jogos, mas não ganhava, então só teria sucesso em um time que pudesse ganhar jogos por ele. E, apesar de performances como seu lendário jogo contra o Saints em 2011, por exemplo, começou a se espalhar a ideia de que ser um QB sólido, consistente, que fazia as coisas para ajudar seu time a ganhar, mas não lançava para 300 jardas e 3 TDs, não era uma coisa BOA – o que é bastante idiota.

Talvez fosse verdade de que Alex Smith não seria capaz de carregar nas costas rumo ao sucesso um elenco medíocre como, por exemplo, o do Colts, mas até quantos QBs na NFL seriam? Cinco? Ser um QB capaz de levar um bom time longe era bastante valioso por si só, mas a narrativa fez parecer uma coisa ruim, com se Alex fosse incapaz de fazer mais.

Nas seis temporadas desde a chegada de Harbaugh (duas em SF e quatro em Kansas City), Smith jogou 85 jogos na temporada regular como titular, seu time venceu 60 delas e foi cinco vezes aos playoffs (incluindo 2012). E, de alguma forma, a narrativa fazia crer que Smith ainda não era um QB bom o suficiente para ser um titular de um time que aspirasse a mais na NFL.

Trabalhando dentro do limites

As críticas a Smith se baseavam no seu estilo de jogo. Suas forças indiscutivelmente estavam nos passes curtos, na precisão, no controle de jogo e na inteligência, e muito de seus playbooks foram montados em torno dessas características, de forma a minimizar as jogadas de alto risco e focar em eficiência e ganhos curtos. Dadas as forças e fraquezas de Smith, era uma forma inteligente de montar seu ataque, mas não significava que o camisa 11 não era capaz de fazer nada mais.

E, no entanto, foi assim que a narrativa se desenvolveu, ao ponto de que seu próprio time – que foi aos playoffs três vezes na divisão mais competitiva da NFL com Smith – foi atrás de um substituto no draft, trocando múltiplas escolhas para selecionar Pat Mahomes, um quarterback bastante cru, mas com um braço extremamente forte. Ou seja, exatamente o oposto de Smith. O tempo de Alex Smith em Kansas City parecia contado, e os pedidos para que Mahomes fosse titular aumentavam a cada dia, dizendo que era a única chance do Chiefs de subir de patamar ofensivamente.

O verdadeiro MVP

Tudo que Smith fez desde então foi devorar planetas e chutar bundas. Em cinco semanas de NFL, Alex Smith tem sido talvez o melhor jogador da liga. Seus números parecem coisa de videogame: 76.6% de aproveitamento, 11 touchdowns, 0 interceptações, 8.8 jardas por passe, 10.2 jardas ajustadas por passe, 125.8 de rating, 68.1 QBR – tirando touchdowns (onde Smith era #3 depois da Semana 5) e QBR (#4), todas essas marcas lideram a NFL com MUITA folga.

Após cinco rodadas, Smith e o Chiefs tem a melhor campanha da NFL a 5-0, e tem o melhor time, melhor ataque, e o melhor ataque aéreo da NFL (em DVOA), tendo vencido no processo os times #2 (Washington), #5 (Eagles) e #6 (Houston) da NFL em DVOA (além de New England, atualmente #22). Sob qualquer medida possível, é um dos inícios individuais e coletivos mais dominantes da história da NFL, e embora seja precoce falar isso, Smith parece hoje um dos favoritos ao prêmio de MVP da liga, enquanto Kansas City vai se consolidando como o time a ser batido de 2017. Os pedidos por Pat Mahomes parecem a cada dia mais distantes.

Como diabos isso está acontecendo

Mas o mais interessante não é só que Smith tem jogado em nível MVP, mas sim como isso está acontecendo. Durante anos, a história contada sobre Alex Smith era de que seu braço era fraco demais para a NFL, um QB incapaz de fazer passes longos e que só conseguia ser eficiente, o que era de certa maneira um reflexo de seu estilo de jogo; de acordo com o site especializado Football Outsiders, até o começo da temporada 2016 Alex Smith era o quarterback cujos passes viajavam a menor distância em toda a NFL, com seus passes viajando 6.81, 5.97 e 6.87 jardas além da linha de scrimmage em média durante suas três primeiras temporadas no Chiefs (2013-2015). Em 2016, apenas 9,4% de seus passes (46) viajaram mais de 20 jardas no ar, segunda pior marca da NFL entre QBs qualificados, e completou apenas 32.6% deles para 521 jardas e 2 TDs contra 2 interceptações, um rating medíocre de 72.8.

Elite?

Em 2017, no entanto, a história tem sido outra. Nessas cinco rodadas, 12% (19) dos passes do camisa 11 tem sido de mais de 20 jardas, uma marca que teria sido #11 em 2016. Sua média de distância no ar por passe também subiu consideravelmente, para 7.7 em 2017, 18ª melhor marca da NFL (entre 33 QBs qualificados). Smith está lançando bolas longas e passes mais distantes com frequência maior do que em qualquer momento na carreira desde sua volta por cima em 2011, e seus resultados também tem sido melhores do que nunca: nesses passes Smith tem aproveitamento de 57.9% (#1 na NFL), com 440 jardas (#2 na NFL) e 3 TDs (#2 na NFL) contra 0 interceptações, que garantem um rating de 142.0 – a melhor marca de toda a liga.

Alguns desses passes foram jogadas fáceis, como o TD de Tyreek Hill contra o Patriots em uma falha de marcação, mas outros tem sido passes difíceis absolutamente perfeitos, como esse passe maravilhoso para Travis Kelce em rede nacional contra o Redskins, o TD de Hill contra o Chargers e a perfeita bomba para Hill na lateral contra o Texans – jogadas que mostram bastante habilidade e toque nos passes em profundidade.

Essa nova faceta do seu jogo tem um efeito bem maior do que somente as jogadas longas em si. Antes, era muito mais fácil para as defesas se aproximarem da linha de scrimmage – até como precaução contra o forte jogo terrestre do Chiefs – de forma a evitar os passes curtos, e desafiando Smith a vencer com passes longos que castigassem essa formação. Agora que as defesas precisam se preocupar com os passes longos, forçando os safeties a jogarem mais atrás e a defesa a respeitar a zona intermediária, abre-se demais o campo para o jogo terrestre e os passes curtos (ainda a especialidade de Smith), ainda mais em um time com muitas ameaças para conseguir jardas depois da recepção.

E me chamem de cínico, mas pessoalmente não acredito que um QB de 33 anos que até 8 meses atrás não tinha capacidade de lançar bolas longas de repente aprendeu a fazer isso da noite para o dia. Ainda que seja nítido que Smith melhorou o seu jogo em 2017, não é o tipo da coisa que você simplesmente absorve nessa altura da vida. O mais provável é algo que muitos defendiam faz algum tempo: ainda que não seja sua especialidade, Smith tem total capacidade de executar lançamentos mais longos e difíceis, e que se a falta dessa dinâmica no jogo do Chiefs estava limitando a franquia, a solução não era buscar um substituto, e sim dar mais condições e liberdade para Smith explorar essa parte do seu jogo.

E foi o que aconteceu em 2017: em parte porque o elenco de apoio (em especial o veloz Tyreek Hill e a ascensão contínua de Travis Kelce) agora está mais capacitado para esse tipo de jogada, talvez até mesmo pelo esquema tático já ter sido um pouco modificado pensando em Mahomes, mas o Chiefs finalmente começou a colocar Smith em situações favoráveis para esses passes, e com o sucesso e aumento de confiança do seu QB, começou até a usá-lo em situações não tão óbvias ou favoráveis, e em geral com bons resultados.

Até onde se pode chegar

Smith não se tornou Brett Favre da noite para o dia – sua principal força ainda é a inteligência e os passes curtos, e seus números de uso de bolas longas ainda é apenas médio da NFL. Nunca será sua maior força ou o foco do ataque de Kansas City. Mas Smith finalmente ganhou a oportunidade de explorar a totalidade das suas habilidades, e os resultados tem sido melhores do que até o mais otimista defensor de Smith (que devo ser o autor deste texto) se atrevia a sonhar, para ele e para o time.

A pergunta que fica então é o quanto esse nível de performance é sustentável. Smith não passará o ano todo sem interceptações – mesmo em seu melhor ano no quesito (2011) o camisa 11 ainda foi interceptado em 1.1% de seus passes, e isso fazendo passes muito menos complexos e arriscados do que os desse ano.

Me engulam.

Também é difícil acreditar que Smith manterá seus números em aproveitamento, jardas por passe e jardas por passe ajustadas, que atualmente se encontram em níveis que superam os que Tom Brady jamais conseguiu em qualquer ano da carreira. Times agora terão mais vídeos para estudar desse novo Alex Smith, e a novidade que são seus passes longos tende a perder alguma da efetividade com o tempo. Algumas big plays não conseguirão ser repetidas com tanta frequência, e seus números mais absurdos tendem a regredir para a média com o tempo.

Mas a questão mais importante é que sua performance não precisa se manter nesse nível. Claro, seria ótimo para o Chiefs que seu QB repentinamente se tornasse uma mistura de Tom Brady e John Elway, mas ninguém espera que isso aconteça. Mas se Smith já era um QB bom o bastante para levar o Chiefs aos playoffs ano após ano e seu maior problema era a falta de potencial do ataque devido ao seu estilo conservador, a verdade é que esse problema provavelmente não existe mais.

Smith não vai ser tão eficiente assim o ano todo nos passes longos, mas só dessa dimensão existir e estar sendo explorada – e Alex e o Chiefs estarem confortáveis com ela – já muda totalmente o quão bom Alex Smith é, e o quão bom ele e o ataque de Kansas City podem ser com ele no comando.

As estatísticas avançadas dizem que o Chiefs é com folga o melhor time da NFL (em DVOA, o time #2 da NFL – Washington – está mais perto do #10 – Bills – do que do #1 Chiefs), as estatísticas mais básicas (inclusive número de vitórias) concordam, e o teste visual corrobora essa informação. O teto desse time está mais alto do que jamais foi: ninguém está jogando melhor, e o Chiefs parece ter se estabelecido como um dos grandes favoritos ao título da temporada. Tudo graças a Alex Smith, uma frase que pareceria impossível sete anos atrás, mas que pode ser a consagração de uma das histórias de superação mais divertidas que a NFL viu em anos.

As dores e alegrias de Denver

Mais uma temporada que se inicia em Denver, e mais uma vez Von Miller será a verdadeira face do Broncos – uma máquina de demolir quarterbacks adversários em um sistema defensivo capaz de aterrorizá-los por terra ou pelo ar. Mas infelizmente, nada disso parece adiantar, já que Denver não aparenta ter um quarterback mentalmente capaz de vencer jogos – na verdade, se Trevor Siemian ou Paxton Lynch forem algo próximo a um ser humano com coordenação motora, já será uma vitória.

O novo HC Vance Joseph herdou um time recém campeão do Super Bowl – parece distante, mas há apenas dois anos Peyton Manning e companhia levantavam o Lombardi Trophy. E se o ano que seguiu a conquista foi quase trágico, John Elway tratou de reformular o corpo técnico da equipe: Mike McCoy, ex-HC do Chargers, é o novo OC.

Além dele, desembarcaram no Colorado nomes como Bill Musgrave, Jeff Davidson e Geep Chryst, todos com responsabilidade de reconstruir um sistema ofensivo que agrediu nossos olhos ao longo da última temporada. Elway argumenta que, para retornar aos playoffs pela sexta vez nos últimos sete anos, é necessário trabalhar com pessoas com “atitude, que odeiam perder” – para ele, o caminho para a pós-temporada começa nas trincheiras.

Quase decolando

Em 2016, o ataque do Broncos sempre parecia prestes a decolar – embora isso nunca tenha acontecido de fato. Mesmo assim, Trevor Siemian terminou seu primeiro ano com 8 vitórias (e 6 derrotas), 18 TDs e 10 INT – Siemian, porém, passou por uma cirurgia em seu ombro esquerdo e perdeu boa parte dos treinos de pré-temporada. Mesmo assim, estamos falando de uma franquia que entregou o comando de seu ataque para alguém como Trevor Siemian após alguns anos com Peyton Manning, certo?

E, bem, se perguntássemos se aquele ataque, liderado por um dos maiores QBs de todos os tempos, vencedor do Super Bowl em 2016, era significativamente melhor que o comandado por Trevor no ano seguinte, o que você responderia? Possivelmente ouviríamos um “sim” tão certo quanto o próximo fiasco do Jacksonville Jaguars, mas isso não pode ser considerado uma verdade absoluta: em 2015-2016, o ataque do Broncos teve média de pouco mais de 22 pontos por partida; na temporada seguinte, o número ficou um pouco acima de 20.

Logicamente não estamos sequer cogitando que Siemian é tão bom quanto Manning, mesmo em sua versão figurante de The Walking Dead; os números apenas ajudam a entender que nem Trevor ou mesmo Paxton Lynch podem ser apontados como o principal motivo da derrocada do Broncos; o maior culpado é a linha ofensiva, que passou a figurar entre as piores unidades de bloqueio da NFL.

Se juntar os dois, não dá um.

Tapando buracos

Pensando nisso, todos os esforços da offseason foram focados em fortalecer a OL, seja via draft com a escolha do OT Garet Bolles na primeira rodada ou na free agency, com as contrações do LG Ron Leary e do RT Menelik Watson (grandes bost*) – além disso, Vance Joseph já demonstrou que o novo esquema ofensivo exigirá que o QB libere a bola mais rapidamente o que, invariavelmente, deverá trazer consigo uma redução no número de sacks.

Outro fator já apontado pelo corpo técnico é que, com o reforço da OL, Denver tentará também se impor através do jogo terrestre: CJ Anderson entra em uma temporada decisiva para sua carreira; Devontae Booker pode ganhar mais oportunidades e há, ainda, o restos mortais de Jamaal Charles – que com cinco temporadas com mais de 1000 jardas, se conseguir parar em pé, dará ao Broncos oportunidades para diversificar ainda mais seu sistema ofensivo.

Voa, cavalinho!

A melhora da linha ofensiva é uma necessidade fundamental para que Paxton Lynch assuma o posto de QB titular – convenhamos, ninguém espera que uma escolha de primeira rodada, mesmo que ainda em estado bruto e precisando de desenvolvimento, vá esquentar o banco de Trevor Siemian por muito tempo, certo?

Quando isto acontecer, naquele período obscuro que compreende o limbo entre a última semana da pré-temporada e a week 6, Lynch precisará que Demaryus Thomas consiga agarrar passes; não se nega o talento de Demaryius, mas também não podemos fazer vistas grossas aos inúmeros drops de 2016 – Joseph, aliás, já desafiou Thomas a voltar “a ser uma estrela”.

O fato é que Sanders tem sido uma arma mais confiável para Denver do que Demaryius e, para que eles consigam atingir todo seu potencial, precisarão de ajuda, sobretudo na redzone – é aqui que a seleção do TE Jake Butt, que deve entrar em campo apenas em meados de outubro, pode auxiliar a dupla de WRs.

A esperança

O principal motivo pelo qual os Broncos conseguiram vencer o Super Bowl 50, apesar do desempenho horrível de Manning, foi a solidez de seu sistema defensivo; Denver bloqueou o ataque mais explosivo da liga na época sem maiores problemas.

Se juntar os dois, dá quatro.

Mesmo que seja nítido alguns passos para trás, a narrativa de que a defesa dos Broncos não consegue mais fazer jus às expectativas não passa de uma grande bobagem – desmentida por qualquer estatística. E a verdade é que ela foi a principal razão para a franquia terminar a temporada passada com um recorde positivo e quase beliscar uma vaga nos playoffs.

Para 2017, Denver trouxe os NTs Domata Peko, que procura reverter a queda que mostrou ano passado em Cincinnati, e Zach Kerr, que deve se adaptar ao esquema sem maiores problemas. Mesmo assim, o Broncos precisa que o LB Brandon Marshall se recupere efetivamente de uma lesão no tendão que o acompanhou na temporada que passou.

Já Von Miller é uma entidade sobrenatural, uma força da natureza, e deve perseguir o prêmio de melhor jogador defensivo, que perdeu em 2016 por um voto para Khalil Mack. Shane Ray substituirá o aposentado DeMarcus Ware e a secundária, comandada por Chris Harris e Aqib Talib, que aparenta não envelhecer, tentará liderar a NFL na defesa contra o passe pela terceira temporada consecutiva.

Palpite: Os Broncos acreditam que os problemas da OL começaram a ser solucionados. Mesmo assim, ainda há a questão do quarterback: essa defesa foi capaz de carregar um decrépito Peyton Manning até a glória, mas conseguirá fazer o mesmo com Lynch ou Siemian? Não é sábio duvidar – mas também seria pouco inteligente apostar nisso. Mesmo assim, seria burrice acreditar um time comandado por Alex Smith, além do fato de que o Chargers é pouco ou nada confiável. Em uma divisão em que apenas o Oakland Raiders parece a frente, algo entre sete ou nove vitórias é uma realidade palpável – mas talvez, ainda assim, insuficiente para retornar aos playoffs.