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Podcast #7 – uma coleção de asneiras VII

E aí, galera, beleza? Com novidades na locução, estamos de volta! Voltamos a falar sobre lesões! Dessa vez, discutimos como seria liga se os jogadores que se machucaram (basicamente todo mundo) ainda estivessem saudáveis.

Em seguida, apresentamos nossa visão sobre alguns dos principais candidatos a Head Coach of The Year; e para sair do comum, candidatos a ANTI-Head Coach of The Year – seja lá o que isso signifique.

Depois, o novo estagiário é obrigado a responder proposições que ele não concorda, como por exemplo “Por que vitórias são o único stat que importa na carreira de um QB“. De alguma fora, o segmento termina falando sobre Jacoby Brissett. Por fim, como já é tradição, cada um traz um jogo para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas semanas!

Peter Mortell era eu, você e todos nós: agora nem Rodgers nos salvará

[Quando criamos o Pick Six combinamos que aqueles que quisessem poderiam escrever o preview de seu respectivo time. Começamos com o Packers e, bem, sempre soubemos que isso não daria certo]

Se a pré-temporada da NFL é aquele evento classicamente dispensável, ao menos para os torcedores do Packers ela trouxe uma boa história. Não apenas uma boa história, mas a verdadeira história de todo e qualquer torcedor de Green Bay: por um instante, uma fração de tempo tão efêmera quanto o final de um filme meia boca do Woody Allen (faça sua escolha: qualquer um lançado nos últimos, sei lá, 10 anos), eu, você e todos nós, ao mesmo tempo, pisávamos no Lambeau Field.

Talvez você ainda não tenha conseguido compreender a magnitude desta história, mas tentaremos explicar: imagine que seu avô, por 30 longos anos, algo como 10950 dias, ou 262800 horas, em torno de 15768000 minutos, controlou o relógio do estádio mais sagrado de toda a NFL. Tic-tac, também imagine que seu avô só se tornou responsável por tal função após ter sido convidado por um cidadão chamado Vince Lombardi – aquele que dá nome ao troféu de campeão da NFL. Tic-tac, agora acrescente a esta história o fato de que em 2000 seu pai assumiu a função de seu avô.

Peter Mortell conhece a história acima e, bem, é torcedor fanático do Packers desde que pisou neste mundo. Na verdade, provavelmente já torcia para o Packers antes de nascer.

Mesmo assim, Mortell só assistiu seu primeiro jogo no Lambeau aos três anos de idade e, aos quatro, recebeu como presente uma ação do time. Reza a lenda, afinal, esta história já deixou ser apenas história para integrar toda e qualquer narrativa que importe, que Mortell esteve presente em mais 100 jogos de Green Bay em sua vida, incluindo o Super Bowl XLV. E que, quando criança, se fantasiou de Brett Favre por seis halloweens consecutivos.

Tudo isto parece não ter sido suficiente. E mesmo sendo superior a Tim Masthay, o que, assumimos, não é digno de grandes elogios (para isso basta ter coordenação motora para parar em pé), Mortell foi cortado do roster de Green Bay.

O Packers escolheu o pragmatismo em vez de escolher eu, você e todos nós. O Green Bay Packers expulsou eu, você e todos nós do santo gramado do Lambeau Field. O Packers não merece vencer o Super Bowl enquanto não se desculpar comigo, com você, com todos nós. Não merece vencer nada enquanto não se desculpar com Peter Mortell.

Hoje, o Green Bay Packers só merece comemorar a vitória de Jordan Rodgers no The Bachelor.

“Tanta história me deixou com fome.”

Em paz com o passado

É difícil não pensar no que deu errado em 2015 para o Packers. No fundo era o mesmo time de 2014, sem Jordy. Mesmo assim, esperava-se que o ataque mantivesse suas médias, o que, sabemos, esteve longe de acontecer: foram 23,5 pontos contra 29,7 no ano anterior.

Se a ausência de seu principal alvo era sentida, também é fato que Rodgers não foi o mesmo: por diversas vezes, ele pareceu relapso, por vezes impaciente. Rumores indicavam alguma lesão, o que explicaria os piores números de sua carreira como titular: menos de 61% de passes completos e míseras 6,7 jardas por passe completado.

O fator Randall Cobb também pesou e a ausência de Nelson talvez tenha sido tão sentida para o WR quanto foi para Rodgers. Cobb até teve um início explosivo, com 20 recepções para 245 jardas e 4 TDs em apenas três jogos, mas logo na quarta partida, contra o Chiefs, sofreu uma lesão no ombro e nunca mais foi o mesmo.

O cenário, no entanto, agora é outro: as notícias apontam que Nelson retorna saudável, o que aliviará a carga de trabalho de Randall. Jeff Janis e Jared Cook também tendem a se tornar alvos constantes; Janis, selecionado no sétimo round em 2014, apareceu apenas no fatídico jogo contra o Cardinals, já nos playoffs, mas mesmo assim o HC Mike McCarthy tem declarado que ele está pronto para ser mais acionado. Já o TE Jared Cook sempre prometeu, mas a verdade é que também foi uma eterna decepção em St Louis – ainda que também precisemos assumir que o Rams é uma eterna decepção, e talvez ele não seja o único culpado por basicamente feder nos últimos anos de sua carreira.

Mas se Cook pode ser o TE que procuramos desde que a carreira de Jermichael Finley foi interrompida e ele decidiu ser comentarista de Twitter, precisamos desistir de Davante Adams. Nenhum time que se leve a sério pode ter Davante Adams em seu elenco. Por favor, tirem logo esta desgraça do meu time.

Não sigo este palhaço.

Não sigo este palhaço.

O sucesso começa pela OL, amigos

Se Rodgers teve seus piores números – mas também vale ressaltar que os piores números de Aaron Rodgers possivelmente são melhores que de 90% dos QBs de nossa querida NFL – muito se deve a OL, tão consistente quanto manteiga fora da geladeira.

As lesões foram a justificativa para este caos, mas lesões sempre são muletas em Green Bay. O fato é que ao menos Josh Sitton e TJ Lang, saudáveis, são confiáveis. Além disso, Corey Linsley, apesar de tudo, teve um bom ano em 2015. Há ainda Jason Springs, escolha de segunda rodada, que deve acrescentar alguma profundidade a linha, mas é mais provável que seja um grande bust. Já David Bakhtiari perdeu qualquer respeito após ser o pior ator de Pitch Perfect 2.

De qualquer forma, a OL é fundamental também para outro retorno: não há como negar que Eddie Lacy esteve mais próximo de um boi resignado com o abate do que de um running back na temporada passada. A boa notícia é que não há razão alguma para duvidar que ele volte a seu melhor nível em 2016; após duas temporadas iniciais com mais de 1000 jardas, sua versão obesa correu para apenas 758 jardas e 3 TDs. Agora ele precisa correr para garantir, além de seu almoço, um novo contrato.

Não estamos acostumados, mas temos uma defesa

Mike Daniels é um dos melhores jogadores da NFL, Clay Matthews deve retornar como OLB e não mais como ILB, Julius Peppers aparentemente inspirou a história de Benajmin Button, já que não envelhece. Não estamos acostumados com isso, amigos!

De todo modo, BJ Raji nos deixou, seremos eternamente gratos a ele, mas a verdade é que seus últimos momentos foram decepcionantes e ele pode ser substituído pelo DT Kenny Clark: Clark tem estatura e habilidade, e não será surpresa se logo estiver entre os melhores da NFL. Aliás, o fato de nomes como os já citados Clay e Peppers atraírem a atenção para si pode tornar a adaptação da escolha de primeira rodada vinda de UCLA ainda mais tranquila.

A secundária também inspira confiança: Sam Shields e Damarious Randall estão em sinergia, e Micah Hyde cumpre bem seu papel. Já Ha Ha Clinton-Dix entra em seu terceiro ano de liga com todas as condições de se tornar um dos principais safeties da NFL.

O muso voltará a ser muso na sua posição boa.

O muso voltará a ser muso na sua posição boa.

Palpite: não merecemos depois do que fizemos com Mortell, mas impossível não vencer a NFC North contra um Teddy Bridgewater incapaz de lançar passes de mais de 15 jardas e um kicker que não sabe chutar uma bola; um time que tem Jay Cutler (haha) como QB e um Lions incapaz de ser levado a sério. É injusto, mas o Super Bowl já é realidade. Tudo bem, a verdade é que quero acreditar, mas lá no fundo já estou pensando em qual lesão usarei como desculpa para o fracasso iminente.