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Sobre arte, Bauman, football, MMA e Meryl Streep

Enquanto recebia o Cecil B. DeMille, prêmio pelo trabalho desenvolvido ao longo de sua carreira, durante o Globo de Ouro no último domingo (8), Meryl Streep sorria. Seu discurso, logo em seguida, foi direcionado quase em sua totalidade ao presidente eleito dos EUA, Donald Trump.

Vocês e todos nós nessa sala pertencemos aos segmentos mais vilanizados na sociedade americana atual. Pensem nisso: Hollywood, estrangeiros e imprensa. Mas quem somos nós? E o que é Hollywood?”, questionou. “Só um bando de pessoas de outros lugares. Eu nasci, fui criada e educada nas escolas públicas de Nova Jersey; Viola nasceu em uma cabana em uma plantação na Carolina do Sul; Sarah Paulson nasceu na Flórida e foi criada por uma mãe solteira no Brooklyn“, lembrou ela antes de citar outros artistas que vieram de partes diferentes do mundo, como Natalie Portman, de Israel, e Ryan Gosling, do vizinho Canadá.

Hollywood está cheia de forasteiros e estrangeiros e, se expulsarmos todos eles, vocês não vão ter nada para assistir além de football e MMA, que, aliás, não são arte“, completou. Como temos aqui a premissa de não entrar em discussões políticas e pretendemos mantê-la, nossa conversa começa exatamente neste ponto.

Critico, mas faço igual.

Universalidade

O esporte, assim como o cinema, é um fenômeno social universal, capaz de superar barreiras de gêneros, crenças religiosas, linguagem e, até mesmo, etnias. É tão dinâmico que é criado, recriado, transmitido e transformado pelo homem ao longo da história; hoje é impossível compreendê-lo de maneira uniforme ou linear. Há tantas significações intrínsecas que seu caráter polissêmico é inegável.

A própria definição de “arte” traz consigo discursos distintos, que organizam campos do conhecimento também diferentes entre si. Zygmunt Bauman, sociólogo polonês que faleceu no início deste ano e uma das maiores referências em estudos culturais, em “Ensaios Sobre o Conceito de Cultura”, define “Cultura” como algo ambíguo, sobretudo pela incompatibilidade entre as inúmeras linhas de pensamento que buscam compreendê-la.

Claro, Bauman não se refere à cultura como “arte”, é algo infinitamente mais complexo, mas com um pouco de esforço podemos transpor seus conceitos para ela: é impossível mensurar a evolução da humanidade, sobretudo sua evolução cultural, desde que o homem começou a produzi-la.

Por tudo isso deveria soar óbvio que o próprio conceito de “arte” já se viu esgotado em sua própria definição. E hoje tanto o cinema quanto o esporte influenciam nossa compreensão do mundo: ambos são propriedades adquiridas, que podem ser transformadas e moldadas e fazem parte de um conjunto de práticas que dão forma a padrões culturais; para qualquer sociedade, esporte não é apenas “esporte”, assim como cinema está longe de ser apenas “cinema”. Restringi-los é reduzir a discussão exatamente como Streep fez ao afirmar football e MMA não são formas de arte.

A arte está em constante evolução devido ao encontro de diversas culturas; ela é feita pelo homem ao mesmo tempo em que faz parte do processo de construção da sua identidade. Arte, ou seja, esporte e cinema e o que mais coloquemos nesta categoria, não se trata exclusivamente de elementos tangíveis; ela não pode estar restrita a elementos totalmente conscientes – sempre existirá nela mais do que temos consciência.

Arte, cinema e esporte estão ali, diretamente relacionados à capacidade humana de pensar, produzir e reproduzir símbolos. É perfeitamente possível relacioná-los a partir do momento em que os entendemos de maneira ampla e diversificada: são meios que encontramos para expressar sentimentos e emoções, meios que representam medos, angústias e anseios. Esporte e cinema são, em sua essência, cultura humana estruturada em uma forma de linguagem que permite representar o homem simbolicamente. E isso é arte: não apenas carga emocional, mas também intertextualidade, crítica social e, sobretudo, identidade.

Ignorância gera ignorância

No mesmo discurso, em determinado momento, Meryl afirmou que “desrespeito convida ao desrespeito, a violência incita a violência”. Partindo deste princípio, também parece claro que, para ela, ignorância gera ignorância. Meryl, claro, não ficou sem resposta – e não me refiro à metralhadora verborrágica de Donald Trump direcionada à atriz, o que aqui pouco ou nada nos importa, mas sim às duas comunidades indiretamente atingidas por ela.

Scott Coker, presidente do Bellator, logo escreveu uma carta a convidando para assistir uma luta. Já Kerry Howley, professora da Universidade de Iowa e autora de “Throw”, obra baseada em sua experiência de três anos convivendo com lutadores de MMA disse o óbvio em seu Twitter: o MMA é mais internacional que Hollywood. Além da internacionalidade, é também mais, digamos, ‘democrático’, quando comparado a uma indústria cinematográfica predominantemente branca.

Os lutadores que conheço se identificam como artistas. São pessoas que procuram um estilo de vida que provavelmente não irá torná-los ricos, que é muito difícil e que são estigmatizados, como acabamos de ver”, afirmou Kerry em entrevista à The Atlantic.

E eles fazem isso porque há algo belo e estranho nesta experiência de se abrir a este tipo de violência. Claro, se você não está imerso neste mundo, você só vê Ronda Rousey e pode dizer: ‘oh, ela está atrás de fama e filmes B’. Mas a maioria dos lutadores nunca será Ronda e tem consciência disso. São pessoas que amam o que estão fazendo e buscam aperfeiçoar uma série de artes distintas que foram trazidas aqui a partir de outras culturas”, completou.

Miočić: vencedor do Oscar de melhor atuação inusitada de 2016.

Reflexo social

Passados alguns dias das declarações de Meryl Streep ainda é difícil encontrar um consenso sobre como football ou MMA se misturaram às suas palavras. A aversão de uma parcela da sociedade americana a eles talvez esteja no fato de que ambos são expressões que melhor retratam o que os EUA é hoje. Sim, e aqui não há margem para discussão: atualmente, tanto o MMA como o football são um retrato mais fiel da América contemporânea do que o cinema.

Eles são um microcosmo do que o mesmo EUA que elegeram Donald Trump, a quem Meryl tanto tem aversão, é atualmente. Football é 22 pessoas na mesma faixa de espaço, se debatendo e impulsionando seus pares em frente; nesta mesma faixa há um claro abismo econômico, entre posições “desimportantes” e aquele que rege a orquestra – ou você é capaz de mensurar o tempo necessário para um punter ter o mesmo sucesso financeiro que um quarterback?

Há ainda, naquela mesma faixa de campo, tensões étnicas, cada equipe trazendo consigo características únicas de sua comunidade e, apesar das adversidades, precisando se unir para chegar ao objetivo. MMA, bem, MMA é duas pessoas confinados em uma jaula, cada um por si, a essência do egoísmo humano, lutando por aquilo que acreditam. Quer algo mais norte-americano do que egoísmo e violência?

E se como dissemos no início, a cultura muda ao longo do tempo, algo que não mudou na cultura americana é o amor pelo football – Peter Morris, certa vez, chegou a afirmar: “Se o Beisebol é o passatempo dos EUA, o football é sua paixão”.

Não é só um jogo

Agora voltando ao discurso de Streep, em determinado momento ela afirma que “esse instinto de humilhar, quando é exibido por alguém em uma plataforma pública, por alguém poderoso, é filtrado na vida de todo mundo, porque meio que dá permissão para outras pessoas fazerem o mesmo.  Quando os poderosos usam sua posição para impor, todos perdemos”. Bem, ela tem empatia o suficiente para perceber o que significa alguém ali, com sua representatividade, rebaixar as preferências daqueles que não tem o mesmo poder? Reduzir aquelas pessoas que valorizam o esporte como expressão artística? Guardadas as devidas proporções, é usar o mesmo expediente em que se baseou para criticar Trump.

Já em outra parte de sua fala, ela afirma:O único trabalho do ator é entrar na vida de pessoas diferentes de nós e fazer você sentir como é. Houve muitas, muitas, muitas  atuações poderosas este ano que fizeram exatamente isso”. Ironicamente, Aaron Rodgers havia feito algo semelhante horas antes de Meryl subir ao palco – e no instante em que a bola chegou às mãos de Randal Cobb, alguém pulava no chão da sala enquanto um amigo torcedor do New York Giants socava o sofá. É a essência da construção de uma narrativa particular, não importa a dimensão de seu alcance.

Candidato ao Globo de Ouro de Melhor Milagre de 2017.

Paradoxalmente, um dos lances mais marcantes de Pelé, um dos maiores jogadores de futebol da história, é um gol perdido. E, claro, há inúmeros outros exemplos de instantes em que o esporte flerta diretamente com a arte. Mas ninguém respondeu Streep melhor que Deshaun Watson e Clemson, na final do college football, um dia depois. Com apenas dois minutos no relógio, o peso da derrota no ano anterior em suas costas, eles venceram uma partida carregada de emoção no último segundo. O que aconteceu naquele último segundo foi arte em seu mais puro estado.

Quaisquer que sejam os méritos ou deméritos do football, MMA, basquete, beisebol ou qualquer outro esporte, críticas como a de alguém na posição de Meryl Streep fazem apenas com que determinados nichos se fechem e deixem de perceber semelhanças entre esportes e atividades como cinema, música ou teatro. Todos eles, à sua maneira, são extensões da vida cotidiana, recortes da sociedade e estão cheio de dramas particulares. Ou há algo mais dramático que aqueles segundos que separaram Deshaun Watson do maior momento de sua carreira? O mesmo jovem, que quatro anos antes, disse isto:

Football, MMA e cinema são o que são graças a seu talento para nos cativar, sua capacidade para fazer com que dediquemos tempo, dinheiro e, acima de tudo, nossas histórias para eles. É neles que montamos nossas narrativas, somos parte ou até mesmo autores de histórias. Não há nada mais humano que buscar extrair algum significado enquanto tentamos dar sentido às nossas emoções, seja na frente de uma tela enquanto comemos pipoca, observando as jardas que nos separam da endzone ou movendo aquele chute do atacante adversário em direção a trave no minuto final.

Um filme nunca foi e nunca será apenas um filme. E Meryl, goste ou não, esporte nunca foi e nunca será só um jogo.

Podcast #1 – uma coleção de asneiras

Olá amigos do Pick Six! Um dia histórico: está no ar nosso primeiro podcast!

Nele falamos sobre nada (Jared Goff) e coisa nenhuma (Sam Bradford). Também distribuímos pitacos, discutimos racismo e prevemos tudo que irá ocorrer nesta temporada em nossa querida NFL (se você não gosta de spoilers e não quer saber quem leva o Super Bowl, não ouça).

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos amadores e estamos em processo de aprendizagem.

Prometemos que, se existir um próximo, será melhor.

Um ranking de quarterbacks para cornetar seu jogador favorito

Por mais que especialmente nós que torcemos para times sem um grande quarterback lutemos contra, e ainda que a defesa dos Broncos tenha sido a principal (talvez única) responsável por ganhar o Super Bowl 50, uma das poucas verdades absoluta da NFL nos últimos anos é que é muito difícil alcançar qualquer coisa sem um bom QB. Por isso, um dos grandes desafios é entender o que quer dizer ter um grande jogador na posição.

Como só estamos aqui para palpitar em tudo que seja relacionado a liga de futebol americano, reunimos a opinião dos cincos fundadores do site para criar um ranking completo e definitivo* que, apostamos definirá perfeitamente os playoffs desse ano**. E antes de apresentar os rankings, algumas observações:

  • Ao lado de cada jogador, para saber como cada um ranqueou o seu QB favorito (e por que, inexplicavelmente, ele acabou em 23º), estará a posição dele no respectivo ranking, na seguinte ordem: (Digo, Cadu, Murilo, Xermi, Ivo) – aí fica fácil saber quem xingar!
  • Entre o 2º e o 26º, todos os jogadores tiveram pelo menos uma diferença de 3 posições entre os vários rankings – ou seja, tudo aqui é muito discutível. A gente realmente não conseguiria decidir se não fosse por média;
  • A lista se foca nos QBs titulares de cada time. Sabemos que provavelmente existem uns 10 backups melhores que Sanchez, mas não é culpa nossa se os Broncos apostam nele;
  • Até por isso, menção honrosa do ranking ficará para Colin Kaepernick (reserva de Blaine Gabbert), que o Xermi achou por bem ranquear como o 18º melhor QB da liga, por alguma razão. Por isso, o ranking dele não tem 18º colocado e tem dois 31ºs;
  • Case Keenum deverá começar a temporada pelos Rams, mas é impossível que eles não acabem a temporada com Jared Goff. Por isso, é Goff quem aparece no ranking final. Spoiler: em último. Vai ser um ano difícil para o novo time de Los Angeles.

*não tem nada de definitivo. Provavelmente a opinião será outra antes da metade da temporada.

**dificilmente definirá. Um QB é importante, mas defesas ainda tem seu poder de definição, especialmente quando se fala de duelos entre QBs de valores aproximados.

A unanimidade

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O sorriso tranquilo do melhor da liga.

  1. Aaron Rodgers, Green Bay Packers (2, 1, 1, 1, 1)

Começamos sem surpresas, esse é unanimidade provavelmente em todos os rankings da internet. Fui o único a colocar Rodgers em segundo lugar (mais sobre em Newton, Cam) e ainda assim sob dúvidas (e clubismo). Enquanto ele estiver saudável, aconteça o que acontecer com o resto do time dos Packers, eles estarão nos playoffs, vide sua consistência ao longo dos últimos anos e o tipo de jogadas que ele consegue tirar da cartola. Com a volta de Jordy Nelson, seu alvo preferido e amante, só se espera que siga dominante por mais uns 10 anos.

Os indubitáveis

  1. Tom Brady, New England Patriots (5, 4, 2, 3, 2)
  2. Cam Newton, Carolina Panthers (1, 3, 5, 2, 6)
  3. Andrew Luck, Indianapolis Colts (6, 2, 4, 5, 3)
  4. Russel Wilson, Seattle Seahawks (4, 5, 7, 4, 7)
  5. Drew Brees, New Orleans Saints (8, 6, 3, 6, 4)
  6. Ben Roethlisberger, Pittsburgh Steelers (3, 7, 6, 7, 5)

Exceto Russel Wilson, todos eles tiveram pelo menos um “voto” para estar no top 3 – e, sem dúvidas, qualquer time da NFL não se preocuparia se tivesse qualquer um deles como líder do seu ataque. Brady, mesmo perdendo os quatro primeiros jogos dessa temporada, é virtual garantia para vencer a AFC East mais uma vez – e, com o estilo de jogo envolvente de passes rápidos criado para ele em New England, ninguém duvida que ele seguirá dominando até os 45 anos.

Cam Newton, atual MVP da temporada, já se provou capaz de fabricar WRs (olá, Ted Ginn Jr) ao melhor estilo Drew Brees – que, infelizmente continuará sendo o único ponto de salvação dos Saints em virtude do seu contrato, e único desses seis a receber uma 8ª colocação -, além de seguir causando medo com suas pernas. Luck e Wilson também são um perigo correndo e passando, mas tem batalhado contra linhas ofensivas extremamente ruins para tentar seguir produzindo efetivamente.

Por último, Big Ben é o líder do que é hoje o mais perigoso ataque da NFL, forte candidato ao maior número de pontos e jardas, ainda que sua defesa (assim como a de Luck e Brees, por exemplo) não deva cooperar. De qualquer forma, qualquer um dos seis são apostas seguras tanto no fantasy quanto para, no seu melhor, levarem qualquer time ao Super Bowl e se colocarem ao mesmo nível da unanimidade Rodgers ou, assim como Newton, ganharem o MVP da temporada.

Os experientes

1Romao

“Doeu, doeu. Alguém entra substituir o tio aqui, por favor!”

  1. Carson Palmer, Arizona Cardinals (11, 10, 8, 8, 8)
  2. Tony Romo, Dallas Cowboys (9, 12, 11, 13, 9)
  3. Eli Manning, New York Giants (10, 8, 13, 9, 15)
  4. Philip Rivers, San Diego Chargers (7, 9, 12, 14, 13)

Nessa categoria acabaram entrando, curiosamente bem separados dos de acima pela “média de posições”, os jogadores experientes e comprovadamente (muito) capazes, mas que, por alguma razão, não conseguem ser unanimidades, como são Brady e Brees. Rivers parece o mais injustiçado, porque sua falta de produção está principalmente condicionada aos times constantemente ruins de San Diego.

Enquanto isso, Palmer e Romo são dúvidas sérias para jogarem os 16 jogos – e especialistas em pipocadas inesperadas -, enquanto Eli Manning é praticamente uma presença garantida (é o jogador ativo com a maior sequência sem perder jogos) e será provavelmente o que mais cometerá erros (não comete menos de 16 turnovers numa temporada desde 2008). De qualquer forma, todos parecem plenamente capazes de levar times razoáveis aos playoffs – e tem experiência suficiente para guiá-los ao Super Bowl (ainda que Manning tenha sido o único que conseguiu).

O próximo passo

  1. Matt Ryan, Atlanta Falcons (15, 11, 9, 15, 12)
  2. Blake Bortles, Jacksonville Jaguars (17, 15, 10, 10, 10)
  3. Derek Carr, Oakland Raiders (13, 16, 14, 16, 11)
  4. Matthew Stafford, Detroit Lions (20, 13, 19, 19, 14)
  5. Jameis Winston, Tampa Bay Buccaneers (12, 19, 21, 17, 17)

O que esses cinco tem em comum, além de não terem participado dos playoffs de 2015? Todos os cinco terão, em análises sobre eles, apontados que 2016 é o ano do “AGORA VAI”. Claro que alguns em situações diferentes das de outros, já que os dois Matts já estão há mais tempo na liga e, na verdade, já deveriam ter passado dessa fase – para piorar, Stafford perdeu seu principal alvo e, por mais que os Lions tentem se iludir, é impossível que ele melhore sem Megatron. Ryan, já é hora dos torcedores dos Falcons aceitarem, chegou ao seu melhor com aquela vitória nos playoffs (ainda que siga com boas campanhas na temporada regular) contra os Seahawks.

Os outros três, em compensação, serão provavelmente parte importante do futuro da liga. Carr e Bortles, em seus segundos anos, e Winston, como novato, tiveram boas temporadas em 2015, apesar de não conseguirem traduzir bons números em vitórias – ainda. Seu principal defeito foi o número de turnovers, mas a experiência (e o auxílio dos bons treinadores que possuem) só lhes levará a reduzi-los e, com isso, chegar ao nosso top 10 e aos playoffs será questão de tempo.

Sinceramente não sabemos como classificar esse povo

1Kirk-Cousins

Relacionamento que aparece depois de quebrar a cara feio com o grande amor da sua vida.

  1. Joe Flacco, Baltimore Ravens (23, 14, 15, 20, 22)
  2. Kirk Cousins, Washington Redskins (22, 20, 20, 12, 21)
  3. Tyrod Taylor, Buffalo Bills (19, 23, 17, 23, 16)
  4. Alex Smith, Kansas City Chiefs (25, 17, 16, 21, 20)

Começando a metade de baixo da lista, quatro jogadores que são complicados de classificar – principalmente porque três deles tem uma variação de pelo menos 9 posições entre os rankings. Uma coisa é fato: nenhum dos quatro estará na capa da Sport Illustrated segurando o Lombardi Trophy no começo de 2017. Flacco, o único que já conquistou o feito, afundou o seu próprio time (e com ele sua produção) com um contrato mais caro que o de Aaron Rodgers – sem ter metade da sua qualidade.

Cousins – que inexplicavelmente aparece como o 12º melhor QB da liga no ranking elaborado pelo Xermi – e Taylor (que começou a carreira como reserva em Baltimore) tiveram em 2015 temporadas melhores do que Flacco teve em toda sua carreira, mas ainda tem um “asterisco” ao lado de seus nomes porque, até agora, tudo o que fizeram foi isso – e existem sérias dúvidas de que conseguirão repetir seus ratings próximos a 100.

Iniciando a casa dos vigésimos, entra Alex Smith. Ele será constante e protegerá bem a bola, mas a única maneira de chegar mais longe nos playoffs será se levado pela sua defesa, já que o seu estilo conservador dificulta que ele consiga “tirar vitórias da cartola” como fazem grandes quarterbacks (pelo que ele deverá estar perenemente por aqui).

A linha da mediocridade

  1. Marcus Mariota, Tennessee Titans (18, 21, 22, 24, 18)
  2. Andy Dalton, Cincinatti Bengals (21, 18, 18, 25, 23)

Gregg Rosenthal, que escreve na NFL.com, criou a chamada “escala Dalton”, que utiliza o quarterback dos Bengals como último QB respeitável da liga. De acordo com sua temporada passada, em que conseguiu 25 TDs para somente 7 interceptações, o seu lugar já seria bem mais acima do que aqui – entretanto, me arrisco a dizer que, mesmo que a última eliminação tenha sido culpa dos maloqueiros do seu time, enquanto ele não conseguir um mínimo sucesso nos playoffs, seu lugar seguirá sendo esse.

E Marcus Mariota poderia estar tanto entre os jogadores do “próximo passo” quanto os da categoria seguinte. Infelizmente, ele acaba tão injustiçado quanto Philip Rivers, já que os treinadores e o time de Tennessee são medíocres, o que certamente atrapalhará a transformação do seu claro potencial em resultados – motivo pelo qual ele se encontra aqui, introduzindo os medíocres.

Os impressionantemente discutíveis

1Teddy

Amo Teddy e irei protegê-lo (enquanto puder).

  1. Teddy Bridgewater, Minnesota Vikings (14, 22, 24, 28, 19)
  2. Ryan Fitzpatrick, New York Jets (26, 26, 23, 11, 24)
  3. Ryan Tannehill, Miami Dolphins (24, 24, 25, 22, 25)
  4. Jay Cutler, Chicago Bears (16, 25, 27, 27, 27)

Teoricamente, a partir daqui os jogadores já não prestariam mais. Por força de potencial, (surpreendente) produção ou puramente questão de contrato, cada um dos quatro está fortemente ligado aos seus times. O que mais chama a atenção nessa categoria é que, excetuando Tannehill (que de qualquer forma, com Adam Gase agora, deve melhorar e talvez também merecesse mais respeito), tem uma disparidade entre rankings de pelo menos 11 posições.

Bridgewater, e talvez haja um pouco de clubismo aqui, perde muitas posições por seus números insuficientes que são mais fruto do estilo de jogo (e companheiros) dos Vikings que culpa dele – e métricas mais elaboradas mostram que ele tem plena capacidade de chegar a ser um grande quarterback na liga.

Fitzpatrick e Cutler tem posições tão variáveis também em função de seus coordenadores. Fitzpatrick produziu grandes números em função de Chan Gailey, o que pode ter levado também o Xermi colocá-lo como 11º, mas os méritos são dificilmente dele – jogadores como Foles, Gabbert, Sanchez ou nosso querido Tebow produziriam de maneira parecida inseridos nesse esquema. Cutler, por outro lado, perde posições assim como perdeu Gase – mesmo que suas capacidades estejam acima dos demais, quando ele tem vontade de jogar.

EU ACREDITO (mas não deveria)

  1. Robert Griffin III, Cleveland Browns (27, 28, 26, 26, 26)
  2. Brock Osweiler, Houston Texans (29, 29, 28, 29, 28)

Como os dois poderiam aparecer tanto na categoria de acima como na de abaixo, resolvi separá-los do grupo. O drama desses dois é que, combinados, têm uma boa temporada desde que foram draftados (surpreendentemente, juntos) em 2012: a de novato de RG3, da que se ele conseguisse chegar perto já seria muito melhor do que os Browns tiveram em toda sua história (spoiler: infelizmente, para o jogo, como diz o nosso ranking, não repetirá).

Osweiler, por outro lado, apesar de ter entrado na liga no mesmo ano que Griffin, será efetivamente um rookie. Como o seu trabalho em Denver foi efetivamente dar a bola para o jogo corrido e minimizar erros enquanto a defesa carregava o time, mesmo que os Texans e seus quase 100 milhões de dólares queiram dizer algo diferente, é difícil imaginar que ele vá ser um QB capaz de fazer frente na sua divisão.

O fundo do poço

  1. Sam Bradford, Philadelphia Eagles (28, 27, 31, 31, 30)
  2. Blaine Gabbert, San Francisco 49ers (32, 30, 30, 32, 29)
  3. Mark Sanchez, Denver Broncos (30, 31, 32, 30, 31)
  4. Jared Goff, St Louis Rams (31, 32, 29, 31, 32)

Esses são os QBs que certamente acabarão o ano segurando pranchetas (ou tablets) no lado do campo – obviamente excetuando Jared Goff, que já é um adiantamento à inevitável retirada de Case Keenum do time titular. Esse deve ser, também, o principal motivo pela baixa variabilidade entre os rankings: os quatro últimos no ranking final apareciam entre os quatro últimos em 90% dos rankings (só Bradford deu uma escapadinha nos rankings do Cadu e do Murilo).

Blaine Gabbert e Mark Sanchez como titulares são apenas devaneios dos head coaches Kubiak e Kelly e, esperamos que, pelo bem de Broncos, 49ers (não que algo possa sair de bom dessa temporada em San Francisco) e especialmente nossos times no fantasy, eles deem um jeito de encontrar alternativas melhores como QB.

E fechamos o ranking falando de Sam Bradford. Ele tem pedigree de primeira escolha do draft e algumas boas atuações para dar esperança aos que querem acreditar nele – mesmo APESAR das lesões. De qualquer forma, se nem sequer o seu próprio time, os Eagles, acredita nele, como prova a troca para escolher Carson Wentz com a segunda escolha do draft de 2016, não será nesse ano nem ali na Filadélfia em que ele finalmente mostrará toda sua (teórica) capacidade.

1Buttfumble

Pra definir o último grupo, não deixe o Butt Fumble morrer.

9 problemas bizarros com a lei por que passaram jogadores da NFL

Além de lances espetaculares e jogos emocionantes, outra razão que pela qual a NFL está sempre entre as principais manchetes é a quantidade absurda de crimes e prisões em que se envolvem seus jogadores. Pode ser porque a maioria veio de vizinhanças pobres ou porque a quantidade de pancadas na cabeça prejudica seus cérebros e lhes impede de tomar decisões corretas, mas mesmo assim o número de casos é absurdo, e pelos mais variados motivos, desde dirigir sob influência de entorpecentes (os famosos DUIs), até situações mais graves como violência doméstica e maus-tratos de animais.

Além dos motivos mais comuns (que chegaram a um ponto que o que surpreende são semanas sem prisões, e não o contrário), existem também casos especiais, que mostram quão problemáticos são alguns jogadores. E alguns deles já fazem quase parte do folclore da liga.

Eugene Robinson

Comecemos bem para mostrar como NÃO SALVA UM nesse grande circo que é a NFL. O cornerback estava prestes a jogar o seu terceiro Super Bowl seguido no ano de 1999 pelos Falcons, depois de duas aparições e um título com o Packers. No dia anterior ao grande jogo, Robinson recebeu o Bart Starr Award, que busca premiar atletas que mostram grande caráter e liderança em campo e na comunidade. Durante a noite, o jogador foi preso tentando contratar uma policial que estava disfarçada de prostituta.

Para piorar, perdendo uma importante noite de sono pelo incidente, o CB foi apontado como principal culpado em dois TDs (inclusive uma recepção de 80 jardas que deveria estar marcando) que foram cruciais para a vitória por 34-19 dos Broncos.

Eugene Robinson

Exatamente a cara que ele fez quando foi preso. Talvez.

Jeff Reed

Aqui vai a cota de “kickers também são jogadores de futebol americano”, pelo menos quando o quesito é fazer cagada. Jeff Reed sempre foi conhecido pelo seu estilo simpático, mas também por ser um grande apreciador de álcool. Em uma bela madrugada em Pittsburgh, Reed foi usar o banheiro de uma loja de conveniência de beira de estrada quando, absurdamente, descobriu que não havia papel para secar as mãos. Ao invés de secar as mãos na calça ou na camiseta como um bom bêbado e seguir com a vida, o kicker se revoltou, destruindo o depósito de papel que estava vazio e xingando os empregados da loja, que chamaram a polícia.

Kenyatta Jones

O offensive tackle do New England Patriots estava se recuperando de uma lesão no joelho e prestes a voltar aos treinos quando, durante uma provável discussão com seu assistente pessoal (aparentemente jogadores profissionais precisam disso), ele o atacou com água fervendo e acabou preso após causar queimaduras de segundo e terceiro grau no assistente. Jones acabou sendo dispensado do time cinco dias depois do incidente.

Após os acontecimentos de 2003, Jones só voltou a ter outra chance de jogar futebol americano em 2008, pelo Tampa Bay Storm da Arena Football League. Obviamente, nesse ano voltou a ter problemas com a lei, sendo preso por tentar urinar na pista de um clube de Tampa e ainda agredir um policial que tentou pará-lo (lembre-se, o OT tinha 1.93m e mais de 120kg).

Justin Miller

Esse mandou muito bem. É quase normal imaginar os brutamontes da NFL buscando (e encontrando) brigas nas baladas por aí, mas não foi só assim que Miller veio parar nessa lista. O, na época, retornador dos Jets estava em uma festa alcoolizado e, de acordo com o relato da agredida, começou a provocar e tentar acertar socos em um outro grupo que também estava ali, enquanto era contido pelos amigos. O problema é que ele “errou” um desses socos aleatórios e atingiu uma das garotas do grupo com que discutia.

Ao perceber o que tinha feito, o homem mais rápido da NFL em 2006 tentou fugir correndo, mas foi seguido e acabou preso por um policial que passava na região. Para piorar, a mulher atacada era chefe da equipe de Barack Obama, o que só trouxe ainda mais atenção ao caso.

Bobby Massie

Como já dito, beber e dirigir é uma atitude comum entre jogadores da NFL. Nesse caso, o na época right tackle de Arizona (essa temporada ele estará em Chicago) tentou ser um pouco mais consciente que a média. Massie estava bebendo em uma região próxima (aproximadamente 2km) ao centro de treinamentos do time e resolveu dirigir até e estacionar ali, para poder dormir e deixar passar a bebedeira. O problema foi que o segurança do centro não reconheceu o carro do jogador e imediatamente chamou a polícia, que prontamente atendeu ao chamado e prendeu o jogador alcoolizado, o que resultou em uma punição de dois jogos na temporada seguinte ao acontecido (a primeira na história em que um segurança de um clube da NFL foi responsável pela punição do próprio jogador).

**FILE**Atlanta Falcons quarterback Michael Vick scrambles during the first quarter of an exhibition game against the Tennessee Titans on in this Friday, Aug. 19, 2005, file photo in Atlanta. Three games into the season, Michael Vick has yet to get the Atlanta Falcons' passing attack on track. He has completed less than half his throws, is averaging just 123 yards per game through the air and his rating ranks near the bottom of the league. (AP Photo/John Bazemore)

Vick não está na lista porque ele passou dos limites.

Louis Murphy

O medíocre WR dos Raiders foi parado por estar dirigindo com o som do carro muito alto em uma manhã de domingo. Assim tudo começou. Os policiais exigiram identificação, ele se recusou e resistiu ao ser algemado. Assim tudo piorou. Depois de tanta discussão, os policiais fizeram uma revista completa no carro do jogador e o que encontraram foi o que o trouxe para essa lista. Viagra, sem identificação, que de acordo com Murphy era porque ele não queria que sua namorada soubesse que ele precisava do medicamento. No final das contas, ele acabou expondo sua necessidade especial para todo mundo e ainda provavelmente ficando sem seu combustível.

Love Boat

Durante a temporada de 2005, na qual o time do Minnesota Vikings havia começado com 5 derrotas nos primeiros 7 jogos, vários jogadores (as informações chegam a incluir 17 atletas da equipe, entre eles o QB Daunte Culpepper, os DTs Kevin e Pat Williams e o então rookie e futuro bust WR Troy Williamson) organizaram uma festinha com dois barcos alugados no Lago Minnetonka e prostitutas “importadas” de Miami e Atlanta exclusivamente para o evento.

A atenção da polícia foi chamada quando uma mulher lhes chamou porque “sete homens negros saídos de uma limusine urinaram em seu jardim”. No final das contas, além de infinitas histórias bizarras (sério, a internet é incrivelmente cheia delas) sobre acontecimentos na festa e uma tripulação e equipe de limpeza traumatizadas, quatro jogadores acabaram indiciados por exposição indecente e outros crimes menores. Quem levou a pior de verdade foi o então head coach Mike Tice (hoje treinador de linha ofensiva dos Raiders), que teve o evento como uma das principais razões para sua demissão.

Stanley Wilson II

O mais recente dos acontecimentos aqui relatados. O antigo cornerback de Detroit foi encontrado nu na fonte de uma casa em uma região rica de Portland, depois de tentar invadir essa mesma casa e seus moradores chamarem a polícia. Além disso, Wilson também havia sofrido ferimentos de bala, apesar de não correr risco de vida. Tudo isso aconteceu sem maiores explicações – talvez mais um motivo para a NFL continuar com seus estudos sobre os efeitos que tantas pancadas causam na cabeça dos jogadores.

Plaxico Burress

O último artista desta lista! Um dos heróis dos Giants no Super Bowl XLII, com um recém assinado contrato de 35 milhões de dólares. Bem, o wide receiver estava curtindo a noite no clube LQ em Nova York, quando, por alguma razão, meteu a mão no revólver que mantinha no bolso de trás da calça jeans, apertando o gatilho sem querer e dando um tiro na própria perna.

O acidente chamou a atenção da polícia, que descobriu que Plaxico não possuía a Glock legalmente – o que, sendo quem ele era, trouxe muita atenção da mídia e o próprio prefeito Michael Bloomberg exigiu que ele fosse punido severamente. O resultado final foi a dispensa dos Giants e 20 meses na prisão, além de alguns (muitos) milhões mais pobre.

1Plaxico

Agradeça a deus seu talento. Dê um tiro na perna pra comemorar.

Fantasy Football: um guia

Fantasy Football: tá aí um negócio que vicia! E se você clicou neste texto, das duas uma: ou você já é um viciado, ou vai ser. Não há escapatória. Estamos falando de um jogo datado dos anos 60, criado nos EUA e que hoje move não somente milhares de pessoas, como milhares de dólares; anualmente a indústria do fantasy football movimenta aproximadamente US$ 5 bilhões.

Mas o que é esse jogo afinal? Se você é brasileiro, provavelmente já ouviu falar no Cartola FC, um jogo em que você escala um time com os jogadores de futebol e os pontos que você faz no jogo são baseados no que os atletas produzem no jogo real. É bacaninha. O fantasy football segue o mesmo raciocínio, até porque o Cartola FC foi lançado muito depois e com certeza baseado no fantasy de futebol americano.

Mas fantasy é muito melhor, acreditem. Por que achamos isso? Porque no Cartola FC todo mundo pode ter, por exemplo, o Gabigol, o Ganso, o Gabriel Jesus, etc. No fantasy, somente uma pessoa da liga pode ter o Antonio Brown, o Larry Fitzgerald, o Cam Newton. Além disso, os confrontos são sempre diretos. O objetivo não é fazer mais pontos que todo mundo e sim mais pontos que o seu adversário da semana, classificar-se aos playoffs, e levantar o caneco no jogo final. Isso torna a disputa bem mais interessante.

Agora vamos direto ao ponto: isto é um guia para os iniciantes deste jogo e um complemento para os que já jogam. Quando comecei a jogar fantasy, em 2009, não tinha a menor ideia de como funcionava e a maioria dos textos que encontrei sobre o assunto na internet eram em inglês. Então vamos lá!

A TEMPORADA DE FANTASY

O fantasy começa antes da temporada regular da NFL. Isso porque a primeira parte é a criação de uma liga e o cadastro dos times que vão disputá-la. Existem diversos sites que proporcionam ligas de fantasy de forma gratuita. Recomendamos os seguintes: Yahoo, NFL, ESPN e CBS. Você pode criar uma liga e convidar seus próprios amigos (mais legal e recomendado) ou você pode entrar em uma liga pública. As ligas variam de 6 a 20 pessoas, mas a grande maioria é composta por 10 a 12 membros, o que não deixa os times nem muito fortes, nem muito fracos. São consideradas ligas Standard (padrão).

Depois, é necessário marcar o dia e hora do Draft, que é feito online através uma plataforma do site que você escolheu para criar sua liga. O Draft é realizado sempre antes da temporada regular começar, normalmente após a 3ª semana da pré-temporada. É possível realizar o Draft depois do início dos jogos oficiais da NFL, porém as pontuações e confrontos entre os times só contarão a partir dali. O draft-day é o dia mais importante do fantasy, pois é nele que você vai escolher seu time para o ano todo, tanto titulares quanto reservas.

Com seu time montado, a liga gera um calendário e a cada semana você joga um confronto contra outro time. Normalmente a temporada regular do fantasy tem 13 ou 14 semanas. Isso porque as ligas de FF devem terminar antes dos playoffs da NFL, visto que apenas 12 times o disputam. As semanas 14, 15 e 16 normalmente são jogados os playoffs do fantasy (com quatro ou seis times classificados, normalmente), sendo que na semana 16 ocorre o Fantasy Super Bowl. Ele também pode ser jogado na semana 17, mas as ligas evitam isso, pois alguns times da vida real começam a poupar alguns atletas para os playoffs da NFL.

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Durante a temporada, os times podem trocar atletas entre si. Também é possível contratar jogadores que não foram escolhidos, mantendo sempre o número máximo de atletas por time (geralmente 15 ou 16). E claro, como bom general manager, você vai mandar alguns atletas embora, perder outros por lesão, suspensão, aposentadoria, etc.

No final, o que importa é tirar sarro dos perdedores ou pagar o churrasco que você apostou com os amigos.

AS LIGAS, PONTUAÇÕES E POSIÇÕES DE FANTASY FOOTBALL

Basicamente existem três tipos de ligas que você pode montar. Abaixo vou explicar cada uma delas:

Head-to-head: Essa é a liga mais comum, na qual os times se enfrentam em temporada regular (13 a 14 semanas) e depois nos playoffs (duas ou três semanas). A liga dura um ano e, no ano seguinte, você faz o draft do seu time todo de novo, sem manter jogadores do ano anterior.

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Keepers: Neste tipo de liga, você poderá manter no próximo ano um número pré-programado de jogadores do seu time desse ano.

Dynasty: Nas ligas Dynasty, você mantém o seu time de ano a ano, trocando apenas jogadores que você quiser, e selecionando novos através do rookie draft (draft dos calouros).

Para rodar uma liga de fantasy, você precisará escolher um sistema de pontuação e posição dos atletas. Abaixo estão as mais comuns:

Standard: Essa é a liga básica de fantasy, sem nenhuma alteração na pontuação. As posições dos times normalmente são compostas por 1 QB, 2 WR (ou 3 WR), 2 RB, 1 FLEX (WR ou RB), 1 TE, 1 K, 1 DEF, 6 reservas.

PPR: As ligas PPR (points per reception), como o próprio nome já diz, dão pontos extras por recepção. Em todas as ligas, os atletas recebem pontos pelas jardas que recebem/correm, mas somente nas ligas PPR eles recebem pontos apenas pela recepção (mesmo que ela seja negativa ou para 0 jardas). As posições são as mesmas da liga standard.

IDP: As ligas standard e PPR não contemplam jogadores de defesa individuais. Você seleciona uma defesa/special teams completo, ou seja, não pode ter o JJ Watt ou o Richard Sherman. As ligas IDP (individual defensive player) são mais completas, pois você escolhe não somente os jogadores de ataque, mas também o de defesa. As posições dessa liga são, via de regra, as seguintes: 1 QB, 2 WR (ou 3 WR), 2 RB, 1 FLEX (WR ou RB), 1 TE, 1 K, 2 LB, 2 DB, 2 DL, 10 reservas.

Abaixo está o sistema de pontuação mais tradicional:

Jogadores de ataque

1 ponto a cada 25 jardas passadas;

1 ponto a cada 10 jardas corridas;

1 ponto a cada 10 jardas recebidas;

6 pontos a cada touchdown recebido;

6 pontos a cada touchdown corrido;

4 pontos a cada touchdown passado;

-2 pontos a cada interceptação;

-2 pontos a cada fumble perdido;

Kickers

1 ponto a cada extra point feito;

3 pontos a cada FG feito de 0-39 jardas;

4 pontos a cada FG feito de 40-49 jardas;

5 pontos a cada FG feito de 50 ou mais jardas;

DEF/ST

2 pontos por cada interceptação feita;

2 pontos por cada fumble recuperado;

1 pontos por sack;

2 pontos por safety;

2 pontos por FG bloqueado;

6 pontos por touchdown feito pela defesa ou special teams;

2 pontos por extra point retornado;

10 pontos por não ceder nenhum ponto ao adversário;

7 pontos por ceder de 1-6 pontos ao adversário;

4 pontos por ceder de 7-13 pontos ao adversário;

1 ponto por ceder de 14-20 pontos ao adversário;

0 pontos por ceder de 21-27 pontos ao adversário;

-1 ponto por ceder de 28-34 pontos ao adversário;

-4 pontos por ceder 35 ou mais pontos ao adversário;

DRAFT DAY, O DIA MAIS IMPORTANTE DO ANO!

Para todo jogador de fantasy, o draft é o dia mais importante do calendário. Isso porque ele é a base para a montagem do seu time. Muitas vezes após o draft já sabemos quais times irão brigar pelo título.

O draft client normalmente abre 30 minutos antes do dia e hora marcada pelo comissário de sua liga. A ordem de escolha é randomizada e o draft é feito no sistema snake, ou seja, o primeiro time a escolher na rodada 1, é o último na rodada 2, e assim por diante. Isso deixa os times equilibrados e a escolha justa. Também é possível fazer um auction draft, que funciona como um leilão, onde os jogadores tem um valor em moeda virtual pré-definido para gastar nos jogadores, sendo que as grandes estrelas custam mais caro e os jogadores menos requisitados, mais barato.

Algumas verdades sobre o draft:

  • A posição de escolha não importa muito, é possível fazer times bons draftando de qualquer posição;
  • Antes do draft, verifique jogadores que tem potencial para estourar no ano em questão, ou que foram muito mal no ano passado, mas que estão agora em situações melhores. Normalmente eles sobram para as rodadas finais do draft e acabam sendo de grande valor para o seu time;
  • Os rankings de jogadores pré-definidos dos sites de fantasy fazem sentido. Ou seja, se você é novo no negócio, vá se baseando nele;
  • NUNCA, JAMAIS, EM HIPÓTESE ALGUMA escolha um kicker ou uma defesa nos primeiros rounds. Isso é uma tolice sem tamanho. Use sempre os dois últimos rounds pra escolher essas posições. Mas não é nenhum absurdo selecionar essas posições a partir do round 10, porém não recomendamos.
  • As cinco primeiras escolhas são as mais importantes e devem equilibrar as principais posições de um time de fantasy (WR e RB). Existem algumas exceções na posição de TE (Rob Gronkowski, Jordan Reed e Greg Olsen, por exemplo) e QB (Cam Newton, Aaron Rodgers, entre outros), mas o principal é reforçar o corpo de recebedores e corredores.
  • Fantasy é questão de valor: em 2014 joguei uma liga em que um manager draftou o QB Aaron Rodgers com a 4ª escolha do 3º round. Essa foi uma escolha de valor e oportunidade, visto que naquele ano o Rodgers vinha saindo em vários mocks que fiz, no round 2 e até mesmo no round 1.
  • Faça vários mock drafts antes do draft real: mock draft é uma simulação de um draft real, com pessoas reais. Quando chega o mês de julho faça alguns, mas em agosto faça um intensivo. Faça teste em posições de começo, meio e fim de draft. Isso ajuda a “prever” o draft, dando uma vantagem competitiva em relação aos outros managers despreparados. Um site recomendado é o Fantasy Football Calculator.

Abaixo um pedaço de um mock draft que fiz. São os primeiros cinco rounds, estou na posição 6.

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  • Fique atento às notícias: é uma vantagem competitiva saber que jogadores estão vindo de lesão, quais estão se recuperando bem, quais trocaram pra times com situação ideal, etc. Para quem não se lembra, em 2011 o astro RB Adrian Peterson sofreu uma séria lesão. Em 2012, muitos diziam que ele não estava bem, mas algumas reportagens sinalizavam uma recuperação boa. Um dos meus colegas de fantasy o escolheu na 11ª rodada do round 2 e o RB acabou tendo a melhor temporada de sua carreira naquele ano. É bom lembrar que AP era considerado top 3 de escolhas em todos os outros anos (anteriores e posteriores à lesão).
  • O inverso também é verdadeiro: uma pessoa não muito atenta às notícias de que Peyton Manning já não parecia mais o velho xerife em 2015, acabou drantando-o no round 5 de seu draft (5º QB draftado). Manning finalizou a temporada como a pior de sua carreira em números e não entrou nem no top 12 de QBs.
  • Não seja clubista: sou fã e torcedor dos Cardinals. Nem por isso escolhi Kevin Kolb como meu QB quando ele foi contratado pelo meu time. Isso pode destruir sua temporada. Escolha jogadores do seu time, se eles caírem pra você na posição ideal.
  • Escolha jogadores em situação favorável: Em 2012 o QB Peyton Manning assinou um contrato para jogar pelo Denver Broncos. Essa movimentação deixou o WR Demaryius Thomas em situação favorável, visto que ganhou no seu time um grande passador. Ele teve uma temporada fantástica, com 94 recepções, 1.434 jardas e 10 touchdowns.
  • O time ideal completo, com titulares e reservas, geralmente tem 2 QBs, 5 WRs, 5 RBs, 1 TE, 1 K, 1 DEF. Nas 10 primeiras rodadas o ideal é ter 1 QB, 4 WR, 4 RB e 1 TE. As outras rodadas são de ajuste.

Essas dicas são já um bom começo pra quem vai estrear no fantasy. Certa vez, um amigo nosso, hoje integrante DESTE SITE, draftou dois QBs nos três primeiros rounds da liga. Se ele tivesse lido essas dicas, isso não teria acontecido!

TROCAS, FREE AGENCY E WAIVERS

O draft é muito importante, mas é óbvio que é possível salvar uma temporada com trocas, waiver e free agency. Mas como funcionam essas movimentações?

TROCAS: As trocas são simples e intuitivas e devem ser baseadas nas necessidades dos times. No ano passado escolhi Peyton Manning no draft. Na semana 4, insatisfeito com minha escolha, propus uma troca a um outro time: eu enviei Peyton Manning (QB), Charles Clay (TE) e Alfred Morris (RB) e recebi Cam Newton (QB), Gary Barnidge (TE) e Nelson Agholor (WR), ou seja, enfraqueci minha posição de TE e RB para obter um ganho em QB. Esse ganho acabou se tornando excelente, pois Cam Newton teve uma temporada histórica e os outros envolvidos na troca não fizeram diferença no campeonato.

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Lembrando que, se a troca for propositadamente injusta (Ex: trocar um kicker pelo melhor QB ou RB do jogo), ela pode ser vetada pelo comissário ou pelos membros da liga. Por esse motivo, toda troca passa por um período de aprovação.

FREE AGENCY: Todos os jogadores que não são escolhidos no draft ficam em um local chamado free agency. Eles podem ser contratados por qualquer equipe após o período de waivers (que será explicado abaixo). Essa contratação é momentânea: você dispensa um jogador do seu time, e contrata outro da free agency. Lembrando que o jogador que você dispensa vira um waiver, e pode ser contratado por outra equipe. Usamos a free agency por diversos motivos, como lesões, reposição de semanas de folga (bye week – cada time tem 1 por ano e seu jogador não joga), selecionar um jogador que está indo bem, etc. Em 2014, nosso colega de site Ivo puxou o Odell Beckham Jr direto da free agency. OBJ estava lá, pois iniciou a temporada lesionando, estreando apenas na semana 5. Ele terminou o ano com 91 recepções, 1.305 jardas e 12 touchdowns.

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WAIVERS: O waiver é uma ferramenta do fantasy que trava o jogador na free agency, deixando-o ser escolhido através de uma ordem de prioridade. Quando o jogo de um jogador começa, ele automaticamente vira um waiver até o fim da rodada. Isso porque ele pode se destacar muito, fazendo que todos os managers o queiram em seu time. Caso você queira aquele jogador, você coloca uma waiver claim nele, que roda basicamente na quarta-feira pela manhã e, se você tiver a prioridade, vai tê-lo em seu time. Existem dois tipos de waivers:

  • Standard: Após o draft, o jogador com a escolha 12 é o número 1 na prioridade do waiver e assim por diante. Assim que esse jogador utilizar sua prioridade a primeira vez, ele vai para o fim da fila. Nesse caso, é necessário usar o waiver com cautela, e apenas se extremamente necessário, afim de guardar a prioridade pra uma “escolha certa”.
  • Inverse Order of Standings: Após o fim da primeira semana, a prioridade do waiver passa a ser do último time na tábua de classificação. Se, na segunda semana, esse time continuar em último, a prioridade continua dele, mesmo que ele já tenha usado na semana 1.

Em 2015, o RB Marshawn Lynch, dos Seahawks, sofreu uma lesão que o afastou da temporada. Essa era a situação perfeita para que o RB reserva Thomas Rawls virasse uma máquina de fantasy points. Pensando nisso, o Ivo usou a prioridade que tinha nos waivers para contratá-lo:

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ESPECIALISTAS E RANKINGS

Existem alguns especialistas em fantasy, que dão dicas durante a temporada e fazem rankings pré-draft e semanais. Você pode seguir alguns deles no Twitter ou até mesmo procurar essas listas de quem escalar durante a temporada em sites especializados (NFL, Yahoo, Rotoworld). Aqui você encontra algumas listas de TOP 200 para a temporada:

@JameyEisenberg (CBS);

@MatthewBerryTMR (ESPN);

@Michael_Fabiano (NFL);

Ao longo da temporada, seguiremos com palpites furados, seja sobre fantasy ou NFL. Caso queiram mandar perguntas, dicas, tirar dúvidas de escalação e draft, fiquem à vontade e entrem em contato pelo Twitter!