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31 times que não irão ganhar o Super Bowl (e o Indianapolis Colts)

Finalmente acabamos de produzir todos os previews da temporada de 2017! Talvez você, leitor, nessa vida atribulada, não tenha tido tempo ou sequer vontade de ler todos, mas para facilitar sua vida, trazemos agora, um compilado de todos os textos.

E para dar um pouco mais de graça e não ser apenas um índice, adicionamos aquela razão pela qual seu time inevitavelmente morrerá na praia mais uma vez: com vocês, o guia final de previews – basta clicar no nome da equipe que desejar ler uma análise aprofundada e isenta de clubismo!

Enfim, reeditando o texto do ano passado: 31 times que não vencerão o Super Bowl (e os Colts) versão 2.0.

OBS: Na versão 1.0 acertamos 31 de 32 comentários. Esperamos repetir o aproveitamento!

AFC South

Houston Texans: Uma defesa que simplesmente não consegue ter todos os melhores jogadores juntos (por exemplo, AJ Bouye se destacou e já vazou – agora que JJ Watt volta. E também um head coach especialista em QBs que não consegue escolher um; não é exatamente um receita para o sucesso.

Jacksonville Jaguars: Blake Bortles, caras! Blake Bortles – aliás, não percam nossa promoção no Twitter!

Tennessee Titans: Dissemos que EVENTUALMENTE Mariota pode chegar lá – não que a grande (?) torcida dos Titans já deveria estar preparando os fogos para o Super Bowl LII.

Pensa em um dia massa.

NFC South

Atlanta Falcons: Provavelmente o preview que menos vale a pena ler: não importa se Matt Ryan e Julio Jones são os melhores do mundo; ressaca pós-perda de Super Bowl é uma realidade. E a regressão ao perder o verdadeiro gênio desse ataque (Kyle Shanahan) também.

Carolina Panthers: Lenta e dolorosamente começaremos a aceitar que, no final das contas, talvez Cam Newton não seja tudo aquilo.

New Orleans Saints: Drew Brees e Adrian Peterson seria a dupla dos sonhos para se ter no Madden NFL 2012. E, bem, essa defesa é de gelatina.

Tampa Bay Buccaneers: Jameis Winston pode muitas vezes parecer promissor ou mesmo uma realidade, mas ele ainda tem que lançar menos (bem menos) interceptações para poder sonhar com Super Bowl.

AFC West

Denver Broncos: Não é apenas uma questão de que somente com um bom QB é possível ganhar o grande título, mas é que a defesa já não é mais aquilo que um dia foi.

Kansas City Chiefs: Seria a franquia mais indicada para ganhar o Super Bowl depois do jogo de estreia, mas qual foi o último time que ganhou a grande final do futebol americano com o QB do futuro no banco?

Los Angeles Chargers: Lesões. Amamos a franquia secundária de Los Angeles muito mais do que o povo da cidade, mas é difícil acreditar que esse time possa estar saudável em novembro – quanto mais em fevereiro.

Oakland Raiders: Tudo bem que, no final das contas, tudo acaba em dinheiro. Mas um time cujo dono se vendeu para Las Vegas não merece ganhar nem rifa de escola.

NFC West

Arizona Cardinals: Vamos combinar que Drew Stanton não tem bola para ganhar nada na pós-temporada, não é? O que? Você realmente acredita que Carson Palmer aguenta vivo 19 jogos?

Los Angeles Rams: O espírito de Jeff Fisher ainda ronda os corredores, o que deverá garantir mais uns três anos de campanhas com 8 vitórias em ritmo de “reconstrução”.

San Francisco 49ers: Sabe qual o título do nosso preview? “Eu escolhi esperar”. Então esperem.

Seattle Seahawks: Porque, eventualmente, algum jogador da linha defensiva que tem tantas opções vai ter que passar para o outro lado e jogar pela linha ofensiva, que tem como melhor jogador os dibres de Russel Wilson.

AFC East

Buffalo Bills: Se eles não tentarão ganhar, nós também não perderemos tempo tentando justificar porque eles não ganharão.

Miami Dolphins: Se Jay Cutler ganhar um Super Bowl, é melhor mudarmos o nome do site para, sei lá, fly out ou double play e começar a cobrir baseballque pelo menos tem Tim Tebow, uma pessoa bem mais legal do que o Cutler.

New England Patriots: Todo mundo viu o jogo de quinta-feira. Parece bem claro que Tom Brady e a sua dinastia está acabada. É hora de começar a dar ritmo de jogo para o Garoppolo pensando em um 2018 melhor.

New York Jets: Se eles não tentarão ganhar, nós também não perderemos tempo tentando justificar porque eles não ganharão, parte 2.

NFC East

Dallas Cowboys: Qual foi o último time que gerou muitas expectativas na imprensa e não decepcionou? Com Dallas não será diferente.

New York Giants: Não vai ganhar o Super Bowl porque se perde muito tempo elogiando um ataque mediano, sendo que o time terá que ser carregado pela defesa.

Philadelphia Eagles: Porque só de imaginar pessoas comemorando a noite inteira pelas ruas da Filadélfia cantando “fly Eagles fly” incessantemente, o próprio universo atua e bloqueia qualquer alegria que esse povo poderia receber.

Washington Redskins: Kirk Cousins já está pensando e estudando em que cidade da Califórnia ele poderá ser mais rico e feliz.

AFC North

Baltimore Ravens: Cite três jogadores dos Ravens que podem ser considerados Top 15 na liga.

Cincinnati Bengals: Vencer o Super Bowl para os Bengals seria ter mais uma temporada bosta com cinco vitórias e que o dono decidisse fazer uma limpa neste roster desgraçado.

Cleveland Browns: Pequenos passos, pequenos passos. Ao menos já evoluiu o suficiente para ser considerado entre os 31 times sérios da NFL. Nesse ritmo, quem sabe lá por 2031.

Pittsburgh Steelers: Defense wins championships. E esse time é puro ataque – o que fará ser muito divertido, mas não ganhar títulos.

NFC North

Chicago Bears: Até elogiamos bastante, mas não nos EMPOLGUEMOS tanto.

Detroit Lions: Matthew Stafford vai levar Detroit pelo caminho que Drew Brees e Flacco levaram seus times: ganhando muito mais dinheiro do que o time poderia pagar e sacrificando a qualidade do elenco. A diferença é que os outros dois ganharam um Super Bowl antes.

Green Bay Packers: Seria uma pena se football fosse um esporte coletivo e você dependesse da ajuda de outros 52 animais para ganhar algo, não é mesmo, Aaron Rodgers?

Minnesota Vikings: Quem tem dois quarterbacks, na verdade, não tem nenhum. O retorno de Bridgewater vai bagunçar o time e, para ajudar, o Super Bowl é em Minnesota.

*Indianapolis Colts: Eles só perderam os dois melhores jogadores do ataque e o melhor da defesa. E não fazem ideia de quando qualquer um deles voltará. Por ora, não dá mais para chamar os restos mortais de Indy sequer de time.

Podcast #2 – uma coleção de asneiras II

Olá amigos do Pick Six! Um dia histórico: o nosso podcast volta ao ar!

Trazemos as principais notícias das últimas semanas (sobre incríveis jogadores, como Jacoby Brissett, TJ Clemmings e Andy Lee) e, como é habitual no começo da temporada, mandamos aquele tradicional SPOILER. Se você quer evitá-los, não ouça; mas lembre-se: só quem ouvir poderá rir da nossa cara e apontar que erramos ao final da temporada.

Edit 1: precisamos de menos de 10 horas para apontarem nossos erros

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos amadores e estamos em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor. E, dessa vez, estamos mais confiantes que existirá!

 

A distância entre céu e inferno é de uma jarda

Discursos motivacionais são comuns nos esportes e, claro, no futebol americano isso não é exceção. Nas peças que retratam o jogo – sejam as reais, como documentários, ou as fictícias, como filmes -, isso fica bem claro, já que o discurso motivacional é sempre mostrado como uma parte emocionante que pode decidir o futuro de um time.

Se você assistiu a série Last Chance U, você sabe do que estou falando. A forma como o técnico fala com o elenco após (SPOILERS) a briga ao final da primeira temporada fez com que seus jogadores (e boa parte dos telespectadores) perdessem o respeito por ele. Em contrapartida, no filme Any Given Sunday, Al Pacino fez um discurso motivacional memorável: ele diz que o football é um jogo de centímetros, e esses centímetros fazem a diferença entre a derrota e a vitória. Ao final, a constatação, em tradução livre: “Ou nós nos recuperamos, como um time; ou morremos, como indivíduos.”

E por que estamos falando disso? Bem, você já sabe que trata-se de um preview para a temporada dos Seahawks. E, se você leu a matéria da ESPN, sabe que, em Seattle, o que vem pela frente, está baseado em uma jogada. A interceptação de Malcom Butler, que selou a vitória dos Patriots no Super Bowl, ainda não foi digerida. A incapacidade de alcançar a única jarda que faltava para a consagração acabou por ruir a união e a estabilidade de um elenco que parecia destinado a ainda mais glórias. Hoje os Seahawks já não são mais uma equipe 100% unida. A comissão técnica, que é uma das melhores da NFL, já não tem mais o mesmo respeito de seus jogadores. Tudo isso por conta de uma jogada que, apesar das tentativas dos técnicos e da franquia de dizer o contrário, ainda afeta a equipe de Seattle.

O torcedor dos Seahawks, claro, pode discordar da existência dessa “racha” no elenco, e ele tem o direito de fazê-lo. Mas acreditamos que é um problema real, e temos alguns sinais disso. O ponto central da discussão em Seattle é a insatisfação da defesa – em especial Richard Sherman – com o ataque. Podemos elencar diversos momentos que mostram como os Seahawks vencem o jogo por causa da defesa, mas, quando ela falha, o resultado é negativo.

E, em algumas oportunidades, mesmo com brilhantes atuações da defesa, o ataque não consegue chegar a vitória (todos lembramos do memorável duelo contra os Cardinals no ano passado: 6×6). Russell Wilson é um ótimo quarterback, mas a visão que seus colegas de time na defesa têm sobre ele é essa. E, por causa de uma jogada que deu errado e que levantou questionamentos, os Seahawks entram em 2017 com um grande desafio pela frente: se consagrar, como um time. Se não fossem por aqueles 91 centímetros, a narrativa para esse ano seria outra.

Tentando consertar as coisas.

Amigos do Wilson

No ataque de Seattle, há um grande problema: a linha ofensiva. Durante a carreira de Russell Wilson a unidade foi se desmontando aos poucos, sem reposições à altura. Quando perceberam que a situação estava insustentável, já era tarde demais e o setor já havia se tornado uma porcaria.

Para ajudar a resolver o problema, Germain Ifedi foi escolhido na primeira rodada do draft no ano passado, mas não ajudou muito, embora pelo menos seja alguém com potencial – e não um jogador não-draftado que ninguém nunca ouviu falar. O time também foi atrás de Luke Joeckel, que em Jacksonville foi um bust, mas agora há a expectativa de jogar pelo menos um pouco melhor com Tom Cable como seu técnico.

Já no draft desse ano foi escolhido Ethan Pocic, de origem, mas que pode jogar em diversas posições da linha. Center, aliás, que é a posição mais sólida do conjunto, já que Justin Britt, agora de contrato novo, foi o melhor jogador da OL no último ano. O resto dos jogadores ninguém sabe quem são, tirando a comissão técnica, que vive os trocando de posição esperando que produzam algo que não sacks.

No jogo corrido, Thomas Rawls, que quando esteve em campo – seu maior desafio – foi produtivo, disputa posição com Eddie Lacy, que quando esteve no peso ideal – seu maior desafio – foi produtivo. A dúvida fica por conta de qual dos dois jogadores conseguirá superar seus problemas para produzir no sistema, que depende muito das corridas para funcionar. O grupo conta ainda com o versátil CJ Prosise, que mostrou potencial ano passado até, adivinhem, se machucar.

Russell Wilson não verá nenhuma novidade no corpo de recebedores, sendo os três principais o veterano Doug Baldwin, melhor amigo de Russell desde sua entrada na liga; Paul Richardson, que após começo difícil na carreira parece finalmente ter acordado pra vida; e Tyler Lockett, extremamente veloz mas que perdeu parte da última temporada por lesão. Amara Darboh, escolhido na terceira rodada deste Draft, fecha o grupo. Se quisermos também podemos falar de Jimmy Graham por aqui, tendo em vista que TIGHT END QUE NÃO BLOQUEIA É SÓ UM WIDE RECEIVER QUE COMEU ESPINAFRE.

Amigos do Sherman

A defesa de Seattle dispensa apresentações. Já fazem quatro anos que o grupo é o primeiro da liga em pontos permitidos por jogo, algo que não é alcançado desde os anos 50. O feito é ainda maior se considerarmos que Earl Thomas se machucou na semana 13 da última temporada. Mesmo não sendo evidente nas estatísticas finais, a lesão de Earl foi um golpe duro para o time, que sentiu multa falta do seu melhor jogador nos playoffs, quando Matt Ryan e cia. não tomaram conhecimento da defesa que enfrentaram.

Em nenhum dos três níveis vemos uma grande deficiência e, mesmo assim, os Seahawks ainda reforçaram a defesa com algumas peças no draft. Malik McDowell e Nazair Jones para a linha defensiva; e ainda toda uma nova secundária, com dois Cornerbacks, Mike Tyson e Shaquill Griffin; e dois Safeties, Delano Hill e Tedric Thompson. Esses jogadores devem ver uma quantidade limitada de snaps, já que, com exceção da posição de CB 2, os titulares já estão bem definidos.

Lendo ataques e o Código de Defesa do Consumidor.

Na primeira linha, Ahtyba Rubin e Jarran Reed atuam pelo meio, enquanto Cliff Avril e Michael Benett formam talvez a dupla de pass rushers mais underrated da NFL (não que para eles não haja reconhecimento, mas a verdade é que ambos não são muito lembrados quando discutimos os melhores pass rushers).

Pelo meio, jogam KJ Writght e Bobby Wagner, uma dupla extremamente veloz. Quando um deles não está em campo, a defesa perde consideravelmente. O recém-chegado Michael Wilhoite fecha o corpo de LBs.

Por fim, temos a secundária. A Legion of Boom tem em Richard Sherman, Kam Chancellor e Earl Thomas uma força absurda. É um grupo que rivaliza com unidades como a OL do Dallas Cowboys como o melhor da liga. Aqui, Jeremy Lane deve ser o CB 2, mas não seria surpresa se ele perdesse a posição ao longo do ano.

Palpite: Não sabemos até que ponto os problemas dos Seahawks continuarão, mas, eles certamente não impedirão o time de vencer a fraca divisão. Resta saber se nos playoffs a equipe conseguirá chegar longe, já que nos dois últimos anos Seattle não passou do Divisional. Força para competir com o resto da NFC o elenco com certeza tem e já mostrou isso.

Eu escolhi esperar

No mundo dos esportes, existe uma velha citação sobre como você nunca quer ser o cara que substitui “O cara”. Você quer ser o cara que substitui o cara que substitui “O cara”.

Para o 49ers, “O cara” era Jim Harbaugh, o grande treinador que chegou em 2011 de Stanford para salvar a equipe da mediocridade. Antes da chegada de Harbaugh, San Francisco vinha de uma humilhante sequência de oitos anos sem chegar na pós-temporada, tempo esse no qual a franquia teve campanha média de 5-11 e não teve UM ano com mais vitórias do que derrotas; Harbaugh trouxe mudanças, e uma nova cara para a franquia: em seus três primeiros anos, San Francisco foi a três finais de NFC consecutivas e um Super Bowl, ficando a cinco jardas (nota da edição: ou um holding não marcado) de conquistar o sexto anel da franquia. Foram três anos gloriosos, e graças àquele que logo se tornou um dos melhores técnicos da liga.

Saudades.

Mas vocês sabem como a história acaba. Uma diretoria egocêntrica quis os créditos pelo sucesso do time, o que levou a uma queda de braço e à saída de Harbaugh de San Francisco, enquanto Balkee e York buscavam provar que o time não dependia do técnico para continuar ganhando jogos, e que a dupla era a verdadeira origem do sucesso da franquia.

De certa forma, tanto Jim Tomsula (2014) como Chip Kelly (2015) – os dois técnicos seguintes – foram “o cara que substituiu O cara”: sim, eram pessoas diferentes, mas ambos foram um subproduto da mesma mentalidade distorcida, do desejo da diretoria de ganhar no curto prazo para comprovar sua crença no próprio sucesso. Por mais problemas que tivessem, Tomsula e Kelly estavam fadados ao fracasso mesmo antes de começarem seu trabalho.

Felizmente isso agora ficou no passado, e agora o time tem seu cara para substituir os caras que substituíram “O cara”. Kyle Shanahan chega não para tentar arrumar um time já existe em uma tentativa desesperada de conseguir vitórias, e sim como uma peça para iniciar um processo de reconstrução com foco no longo prazo. E isso é uma ótima notícia para um time que voltou a ser uma piada nos últimos dois anos da sua gloriosa existência.

Para o 49ers voltar a ser bom, primeiro precisava admitir que não era mais. E foi o que o time fez. Shanahan e o novo GM John Lynch assinaram contratos muito longos (seis anos) justamente para terem a segurança e estabilidade no cargo que precisam para poder pensar no amanhã, sem se preocupar em ganhar no hoje. É um processo, e o time parece ter enfim construído sua base para se lançar nessa empreitada.

A realidade

Embora isso seja uma boa notícia para o torcedor de SF, uma guinada na direção certa, isso também significa que pelo menos por enquanto o time está conformado em ser um time ruim, que não vencerá muitos jogos. Tudo fica claro na montagem no elenco: jogadores mais talentosos saíram da equipe, e o time não investiu para estancar o sangramento. Ao invés disso, apostou no draft, trocou para acumular escolhas extras, e encheu o time de jovens promessa. Ainda assim, o mais provável é que ainda demore anos para termos uma noção clara de como e para onde está indo essa reconstrução. E, depois das últimas duas temporadas, isso não será um problema. Ser ruim o time já era, pelo menos agora ele pode oferecer ao torcedor uma coisa pela primeira vez em três anos: a perspectiva de um futuro melhor.

E onde esse futuro parece estar mais próximo é do lado defensivo da bola. Em parte pelos legados de drafts anteriores, em parte pela ótima atuação de San Francisco no seu primeiro draft sob o comando de John Lynch, a defesa do 49ers já possui um número maior de grandes prospectos para servirem de pilar para essa nova etapa.

Onde mora o futuro

Em particular, o que impressiona é o talento que o time acumulou na linha defensiva. Nos últimos três drafts o time usou sua primeira escolha em um jogador da posição: Arik Armstead (#17 em 2015), DeForest Buckner (#7 em 2016) e Solomon Thomas (#3 em 2017).

Armstead teve altos e baixos, mas em geral se destacou na curta carreira indo atrás dos QBs adversários, e Buckner teve um ótimo ano de calouro. Apesar da pouca idade, experiência e rodagem pela NFL, é um trio de enorme talento, altas expectativas e que devem constituir a espinha dorsal da identidade do Niners daqui para frente.

Solomon Thomas, que em português quer dizer “esperança”.

O sistema defensivo de San Francisco mudou para um alinhamento 4-3 nessa temporada, o que também deve ajudar a maximizar o impacto desse grupo, em especial a versatilidade de jogadores como Thomas e Armstead, capaz de se moverem ao longo da linha e jogarem em múltiplas funções e posições. Junte a esse trio o subestimado Aaron Lynch, que vem de um 2016 ruim, mas que já teve destaque no passado com seus sacks e pressão, e a profundidade de nomes como Earl Mitchell, Quinton Dial e Tank Carradine: essa linha de frente pode ser bastante assustadora muito em breve.

O resto da defesa não está com tantas promessas e tantos talentos de ponta, mas ainda tem alguns nomes interessantes. NaVorro Bowman, aos 29 anos e vindo de múltiplas lesões sérias, provavelmente não é uma peça que estará no próximo time vencedor do 49ers, mas é um líder querido e respeitado no vestiário que pode por pra jogar junto do jogador que deve ser o futuro do 49ers no miolo da defesa, o LB Reuben Foster, um talento Top 5 do último draft que caiu até o fim da primeira rodada por problemas no ombro. Se ficar saudável, será um grande achado e mais uma boa peça para essa defesa.

A secundária não tem esse tipo de talento ou de certezas, mas ainda tem jogadores jovens que podem contribuir, como os “herdados” Jaquiski Tartt e Eric Reid, dupla de safeties; o promissor Rashard Robinson (escolha de quarta rodada de 2016); os cornerbacks Jimmy Ward e Dontae Johnson e o calouro Ankhello Witherspoon.  É uma unidade com muito mais jogadores decentes e apostas – o tipo de situação onde você tenta descobrir exatamente o que tem, e ver se alguma das suas apostas se torna um acerto para carregar.

Ainda assim, a secundária deve depender muito mais de boas atuações da linha defensiva – e da pressão colocada nos QBs adversários – do que da sua própria qualidade durante a temporada. Idealmente, Robinson e Witherspoon atingiriam seu potencial e se tornariam uma boa dupla titular, e pelo menos um dos veteranos se mostraria um sólido complemento. É o que o coordenador defensivo Robert Saleh vai esperar encontrar para a temporada, enquanto tenta recuperar a identidade defensiva e física que marcou os anos de ouro do 49ers nessa década.

O lado oposto

O ataque, por sua vez, foi montado com uma abordagem muito diferente – tão diferente que dá para dizer que é quase oposta. Se a defesa está mais avançada na reconstrução, com vários talentos intrigantes de alto nível e altíssimo potencial, o ataque está praticamente sem nenhum talento jovem de alto potencial. Seu QB titular e seu WR #1 em 2017 terão 31 anos, seu melhor jogador de linha tem 32, e o time gastou apenas UMA escolha de draft nas três primeiras rodadas dos últimos três anos com o ataque – o G Joshua Garnett que, aliás, foi muito mal em 2016.

Então, com essa escassez de talento jovem, a diretoria de San Francisco inteligentemente decidiu seguir na direção contrária: ao invés de montar o ataque através de seus jogadores, o time decidiu começar a construí-lo montando e estabelecendo nele um sistema e um plano claro de jogo – o mesmo que Kyle Shanahan implementou com tanto sucesso em Atlanta. Com um esquema definido já implementado, fica muito mais fácil para saber que tipo de jogador buscar, incorporar novas peças, e achar talentos subvalorizados que têm muito mais valor dentro de um estilo de jogo específico – como o New England Patriots tem nos mostrado há 16 anos.

Então o Niners se preocupou em ir atrás dos jogadores que fizessem sentido para o plano de jogo de Shanahan, e trouxe as peças que poderiam ajudar nesse momento. Para jogar como QB veio o veterano Brian Hoyer, um jogador bastante subestimado que jogou com Shanahan no Browns em 2014 e que portanto já conhece seu playbook. Hoyer não é bom o bastante e nem tem a idade para ser o QB do futuro do time, mas como esse jogador não está hoje no elenco, até lá Hoyer é um ótimo nome para fazer a função que o time espera dele.

San Francisco também foi atrás e pagou bem caro por complementos a Hoyer, notavelmente Pierre Garçon, Marquise Goodwin e Kyle Juszczyk (eu olhei no Google). Os valores pagos levantaram questionamentos merecidos, pois foram bastante acima da média de mercado. Isso pode se dar por conta de um GM novo no cargo, e ser atribuído a John Lynch ainda não sabendo lidar bem com o mercado. Pode ser também o fato de que o Niners é um time ruim, com uma imagem pior ainda ao redor da NFL, e que sabia que não conseguiria os jogadores que queria se não pagasse mais por eles.

Mas todas essas caras aquisições foram feitas por um motivo. Pierre Garçon é um sólido WR que também conhece bem o playbook que o time quer implementar, tendo jogado dois anos com Kyle Shanahan em Washington, quando inclusive liderou a NFL inteira em recepções (2013, com 113). Já Marquise Goodwin nunca jogou com Shanahan, mas é um jogador que trás uma habilidade importante: é um WR de grande velocidade e muito dinâmico com a bola nas mãos, um papel importante para o esquema de Shanahan e que deve fazer a função que foi de Taylor Gabriel em Atlanta em 2016. E por fim Juszczky é um fullback bastante versátil, e Shanahan é um dos técnicos mais criativos usando FBs na NFL de hoje e que gosta de ter um em sua formação.

Eu quero acreditar.

Desnecessário dizer que trazer esses jogadores não é nem de longe para igualar o que Matt Ryan, Julio Jones e companhia fizeram em 2016 por Atlanta. Os jogadores que levarão esse ataque – espera-se – ao próximo nível ainda não estão na equipe, e devem ser um dos focos para os próximos anos.

A arte da paciência

Somando tudo isso, é difícil para o torcedor do 49ers realmente esperar um grande ano da sua equipe em termos de vitórias e performances. É o primeiro passo de um projeto de longo prazo, e paciência será parte importante dele. Mas isso não quer dizer que não possa ser um ano divertido. Do fundo do poço só se pode ir para cima, e o Niners TEM pontos de interesse para se acompanhar. Em particular, a linha defensiva tem chance de ser especial, e o ataque é um sistema de sucesso que já produziu momentos muito divertidos.

Com um pouco de sorte, San Francisco talvez tenha mais talento do que parece à primeira vista. Hoyer é um QB competente, e tem algumas armas de valor ao seu redor. Ninguém vai confundir esse ataque com o do Steelers, claro, mas tanto Hoyer como Garçon já produziram temporadas muito boas sob o comando de Shanahan.

Carlos Hyde é secretamente um dos RBs mais subvalorizados da NFL (quando saudável), e se a linha defensiva conseguir pressão suficiente para encobrir a secundária, esse time pode pelo menos almejar ser respeitável . E esse é um aspecto mais importante do que parece: a percepção do 49ers ao redor da NFL hoje, depois de chutar um dos melhores técnicos da NFL em uma batalha de egos e afundar por dois anos, é péssima. Técnicos, coordenadores e executivos recusaram entrevistas para assumir cargos na franquia, e jogadores não queriam jogar lá. Reconstruir esse tipo de coisa leva tempo, mas um bom ano, com performances respeitáveis, poucas brigas e algumas vitórias empolgantes pode fazer muito por reparar a reputação de um time.

A nova era do San Francisco 49ers começa agora. Onde ela vai dar, nós não sabemos. Mas aproveite a jornada, porque essa é uma franquia que sabe muito bem o que é estar sem direção, nadando no fundo do poço e achando que está acima de todos os demais.

Palpite: 6-10. San Francisco não deve ser tão ruim quanto o esperado em 2017 se alguns fatores funcionarem. A linha defensiva tem totais condições de estar em boa forma, e Brian Hoyer é um veterano que pode trazer estabilidade para o ataque – ambas as unidades devem caminhar mais para a média da NFL esse ano. O calendário não é dos melhores, com quatro jogos contra os sempre fortes Cardinals e Seahawks, e mais quatro jogos contra a forte NFC East, mas também tem dois jogos contra Rams, um contra Chicago e quatro contra a AFC South para buscar algumas vitórias. Com a possibilidade de alguns jovens talentos explodirem esse ano, San Francisco conseguirá uma mais que respeitável campanha de 6 ou 7 vitórias, a melhor desde a saída de Jim Harbaugh (saudades).

Deixando o fantasma de Jeff Fisher para trás

Existem grandes momentos. E existem momentos que nós não vamos esquecer. A demissão de Jeff Fisher é um deles. Após empatar o recorde de maior número de derrotas de um head coach na história da NFL, Fisher foi chutado do Los Angeles Rams. O momento da demissão e o discurso final foram gravados pela HBO em sua série All or Nothing, que acompanha a temporada de algum time da liga e, em 2016, deu o azar de acompanhar os Rams.

Resolver os problemas que cinco anos de Fisher trouxeram não será fácil. O time ainda colhe frutos das decisões tomadas por seu antigo técnico, mas não podemos deixar de apontar também para o GM Les Snead. À seu favor consta que o histórico no draft não é dos piores – vejam Ryan Grigson, por exemplo.

Claro, algumas escolhas deram muito errado, outras deram muito certo, é assim em toda NFL. Porém Snead falhou completamente em um lado da bola: o ataque. Seleções como as de Tavon Austin e Greg Robinson não vingaram e o dispêndio de escolhas altas nesses jogadores criou buracos no elenco, pois acreditava-se que eles resolveriam problemas existentes nas suas posições. Além deles, nenhum WR escolhido pelos Rams desde a chegada de Snead, seja em St. Louis ou em LA, vingou na liga.

Para piorar, esse exemplo de modelo de “gestão” tem outra dificuldade: superar seus erros. A demora para demitir Fisher demonstra isso claramente. Além disso, renovar com jogadores como  Austin por quantias absurdas fez com que os Rams se tornassem, hoje, a equipe com menos espaço disponível no Salary Cap (Sério, já pararam pra pensar no quão absurdo isso é? Existem elencos muito mais talentosos ao redor da liga com muito mais espaço para gastar com salários.). E esse feito foi conquistado sem ao menos ter sido realizada a astronômica renovação de contrato do DT Aaron Donald. Concomitantemente, a franquia deixou o CB Janoris Jenkins partir em favor do CB Trumaine Johnson. Jenkins teve uma temporada de destaque em Nova York, enquanto Johnson está em sua sua segunda franchise tag: além de optarem pelo cara errado, os Rams ainda não sabem o que fazer com Trumaine e seu contrato.

Virando a página

O homem encarregado de resolver as cagadas supracitadas atende pelo nome de Sean McVay. Sean chega a Los Angeles principalmente para resolver os problemas do ataque. Para isso, ele terá que fazer mágica, tendo em vista que Jared Goff, quando jogou, pareceu qualquer coisa, menos um QB titular da NFL.  Não acreditamos que Goff tenha um futuro promissor, mas é preciso ser justo com ele: todos sabiam que Jared era um jogador cru, e ter seu primeiro ano no sistema de Jeff Fisher não ajudou em nada o seu desenvolvimento. Podemos até taxá-lo como bust, mas Goff ainda pode mostrar resultados.

Ainda no ataque, McVay terá o trabalho de reencontrar o futebol de Todd Gurley, perdido no meio dos buracos que a OL de Los Angeles abre – para os defensores adversários. Gurley estava claramente insatisfeito com a comissão técnica anterior, afirmando inclusive que o sistema parecia um “ataque de escola”. Essa talvez seja a missão mais fácil que o novo técnico encontrará: Todd tem muito talento e, a situação, pior que estava, dificilmente ficará.

Ele arruinou o Fantasy de milhões de pessoas.

E falando em linha ofensiva, ela terá algumas mudanças importantes: Andrew Whitworth, um dos melhores LTs da NFL, chega para o lugar de Greg Robinson, que foi trocado para Detroit por um saco de bolas vazias e um pirulito. O resto do grupo deve se manter o mesmo e, agora em um novo sistema, os jogadores terão chances de mostrar mais resultado. Intriga um pouco, porém, a inércia da equipe no draft em relação a OL, já que nenhum jogador da posição foi escolhido.

Já no corpo de WRs, a principal mudança é a chegada de Sammy Watkins, trocado junto aos Bills. Todos conhecemos o potencial de Sammy – quando ele está em campo, embora essa seja sua maior dificuldade. Robert Woods também chega de Buffalo e, ainda falando em mudanças,  o time crê que Cooper Kupp e Josh Reynolds, escolhidos no último draft, possam ajudar a suprir a perda de Kenny Britt, líder da equipe em recepções na temporada passada. Por fim, espera-se que Tavon Austin consiga produzir no sistema de McVay; do contrário, ele dificilmente continuará em LA por muito tempo.

Na posição de Tight End, os Rams esperam ver uma evolução de Tyler Higbee, escolha de quarta rodada, agora em seu segundo ano na liga, além de boas atuações de Gerald Everett, escolha de segunda rodada neste draft, a primeira da equipe. Se eles conseguirem um bom desempenho – o que é de se esperar, visto que McVay fez um bom trabalho com TEs em Washington -, Los Angeles terá mais força tanto no ataque aéreo quanto terrestre.

Um novo xerife na cidade

Não, não estamos falando de Dan Orlovsky, mas sim do “novo” coordenador defensivo, Wade Phillips. Wade dispensa apresentações, mas, se você não sabe quem ele é, saiba que estamos falando do arquiteto da defesa dos Broncos que carregou aquilo-que-diziam-ser-Peyton-Manning para o Super Bowl. Phillips chega para o lugar de Gregg Williams – chamado por muitos de, simplesmente, “um babaca”.

Se com Williams a defesa já era forte, agora ela pode dar o próximo passo e se tornar uma das melhores da NFL. Aaron Donald é um dos cinco melhores jogadores da liga por apresentar capacidades que nenhum outro atleta da sua posição possui. Capaz de gerar pressão no QB adversário, além de parar as corridas, tudo isso pelo interior da DL, Donald é o melhor Defensive Lineman do país.

Paguem o homem!

Porém ele está em busca de um contrato novo, como já havíamos mencionado. Aaron ainda não se apresentou para os treinos, mas esperamos que ele não deixe de jogar durante a temporada regular, apesar dos rumores de que se trata de uma possibilidade real (seria muita burrice dos Rams se isso acontecesse).

O front 7 é a principal força dessa defesa, que conta, na linha defensiva, com o já citado Donald (que sozinho já vale mais que muitas defesas inteiras) e com o bom Michael Brockers, antiga escolha de primeira rodada. No corpo de LBs Alec Ogletree e Mark Barron formam uma dupla versátil; e agora o grupo também conta com Robert Quinn, que deixou de ser DE para se tornar um OLB no novo esquema tático. Além deles, Connor Barwin, recém-chegado da Philadelphia, promete ajudar, tanto com suas jogadas como com sua experiência.

No entanto, a secundária ainda é um ponto de interrogação. Trumaine Johnson e Maurice Alexander são os titulares da última temporada que retornam para uma nova aventura. Nas outras posições, brigam pela titularidade na posição de cornerback Nickell Robey-Coleman e Kayvon Webster. Já entre os safeties, John Johnson, escolha de terceira rodada no último draft, e Lamarcus Joyner, disputam a última vaga de titular.

Não é só isso

Assim como fizemos com Kansas City, é importante lembrar dos Special Teams dos Rams. Esse, que foi o grupo mais bem-sucedido da era-Jeff Fisher, segue inalterado: Greg “The Leg” Zuerlein continua como kicker, assim como Johnny Hekker como punter e Tavon Austin retornando chutes. O técnico John Fassel, que assumiu a equipe interinamente após a demissão de Fisher, retorna para o cargo de coordenador. Esperamos, assim, que Los Angeles continue com suas jogadas divertidas nos times especiais – especialmente aquelas que enganam Seattle.

Palpite: Os Rams ainda não são um time bem balanceado. O ataque precisa de playmakers, já que, hoje, não podemos confiar 100% em Sammy Watkins e Todd Gurley. A defesa fará o suficiente para vencer muitos jogos, mas, no final, o time esbarrará nas limitações técnicas de Jared Goff e da linha ofensiva. Após esse ano, o experimento com Goff terminará. E, quem sabe com a iminente campanha medíocre, Los Angeles possa escolher um verdadeiro franchise QB na suposta classe recheada de 2018.

A angústia de quem ainda espera um final feliz

Existem times irrelevantes na NFL. Times com que sabemos que não vale perder muito tempo, porque ele simplesmente não chegará a lugar nenhum, como não tem chegado nunca. Isso serve para Bengals ou Lions. E servia para Arizona até a chegada de um certo Kurt Warner, que quase deu um título à franquia, não fosse por um certo passe agarrado na ponta dos pés no fundo da endzone.

Quando Kurt se aposentou e o time não tinha um substituto à mão, esperamos outra vez pelo seu retorno à irrelevância. Entretanto, com uma combinação de bons movimentos na free agency (roubando, por exemplo, o LT e QB titulares do Oakland Raiders), a chegada de um grande treinador (também roubado do Indianapolis Colts, enquanto estes ficaram com o original, Chuck Pagano, que era pior) e belos drafts para ajudar a defesa, o time inclusive conseguiu vencer a NFC West contra a Legion of Boom em 2015.

Homão.

Resta, agora, saber se ainda há forças para chegar até o fim e vencer de verdade.

Os tropeços previstos de uma defesa monstruosa

Pode não parecer, mas a unidade mais importante para as campanhas  importantes dos Cardinals tem sido a sua defesa, no top 6 em número de jardas cedidas em três dos últimos quatro anos, inclusive sendo a número 2 de 2016 (pouco mais de 305/jogo). Entretanto, algumas recentes perdas importantes sofridas podem mudar esse panorama.

Calais Campbell é talvez um dos jogadores de linha defensiva mais ignorados da liga, um paralelo talvez com Jurrell Casey (dos Titans, que você também não conhece); seus 8 sacks e seis passes defendidos produzidos da posição de DE de um 3-4 em 2016 são extremamente respeitáveis, assim como seu reconhecimento pelo site PFF.

Já na secundária, o S Tony Jefferson foi ganhando importância ao longo dos anos, fazendo o serviço sujo lá no fundo do campo tanto contra o jogo corrido como contra o passe. Ambos não jogarão em Arizona em 2017, recebendo mega-contratos em Jacksonville e Baltimore, respectivamente.

A mesma secundária, porém, deverá sofrer menos porque ainda conta com Patrick Peterson, um dos melhores cornerbacks da NFL, e Tyrann Mathieu, um dos melhores safeties, All-Pro em 2015, única temporada de suas quatro na liga em que não terminou na injured reserve (o que faz com que nos perguntemos quanto tempo mais ele poderá durar, mesmo com seu contrato de cinco anos). Complementando os craques, há uma disputa entre Antoine Bethea e o rookie Budda Baker para a posição de strong safety, enquanto Justin Bethel é atualmente posicionado do lado oposto de Peterson – de qualquer forma, quem estiver por ali será explorado pelos adversários.

Já o front seven deverá sentir mais a perda para os Jaguars. O time até estará bem servido de pass rushers, com os LBs Markus Golden e Chandler Jones, que somaram 23.5 sacks em 2016. O rookie Haason Reddick se responsabilizará pelo meio da defesa ao lado do veterano Karlos Dansby, em sua 13ª temporada.

O problema se encontra nas trincheiras. Corey Peters retorna como NT, mas ao seu lado estão atualmente posicionados Josh Mauro e Frostee Rucker, que somaram apenas 40 tackles em 2016. A decepção principal fica por conta do maloqueiro Robert Nkemdiche, draftado justamente para substituir Calais, mas que com problemas de dedicação, não deve conseguir tão cedo a oportunidade de ser titular nessa defesa.

O fator David Johnson

Se você não sabe quem é e não sente maravilhas só de ler esse nome, o senhor está perdendo tempo na NFL. Um dos melhores e mais assustadores RBs da liga, deve ser o ponto focal desse ataque por muitos anos ainda – foda-se esse papo de “mimimi QBs são os mais importantes sempre”, Bruce Arians não tem tempo para seus mimimis.

Você diria não a esse homem?

Os que complementarão David Johnson

Se a primeira opção não é o QB, com certeza a segunda é. O problema é que Carson Palmer (draftado em 2003), está beirando os 82 anos de idade e, ainda que seus números mais básicos possam indicar o contrário (4233 jardas, 26 TDs para 18 turnovers), a piora na sua produção é iminente porque Palmer não é Tom Brady.

Mesmo assim ele ainda é um QB perfeitamente adequado para executar o que Bruce Arians espera (aguentar tempo no pocket e fazer lançamentos longos precisos), motivo pelo qual é possível que suas 7.1 jardas lançadas por jogo tenham sido mais reflexo de uma linha ofensiva ruim do que de seu próprio declínio – mas Arizona faria bem em já se preparar para substituí-lo com alguém que não fosse Drew Stanton.

Carson Palmer precisará de tempo para pensar e usar seu braço de velho para soltar a bola para esses alvos – além de que até deuses como David Johnson precisam de algum apoio. O interior da linha ofensiva deverá melhorar, já que Mike Iupati versão 2017, obrigatoriamente, deve ser melhor do que o Iupati de 2016, mas a novidade mesmo fica por conta da troca entre tackles: o seguro Jared Veldheer, que teve um bom 2015, mas jogou apenas metade de 2016, vai para a direita, enquanto D.J. Humphries, que ainda parece “em processo de desenvolvimento” mesmo em seu terceiro ano na liga, é o novo protetor do lado cego de Palmer.

De qualquer forma, é válido lembrar que essa mudança reflete uma necessidade de proteger durante o passe também do lado direito (além do tradicional RT gigantesco que destrói no jogo corrido), com jogadores como J.J. Watt e Von Miller atacando pela esquerda da defesa.

Por último, Palmer e Arians também contam com bons receptores. O time se livrou do WR Michael Floyd ainda durante 2016, mas para seu lugar estão os jovens John Brown (1000 jardas em 2015, o que mostra seu potencial para ser grande após se recuperar de uma lesão na coluna em 2016) e J.J. Nelson (6 TDs em 2016 em apenas 6 starts), além do já veterano Aaron Dobson, que jogou pela última vez em 2015 no New England Patriots. O time também espera mais do TE Troy Niklas, draftado no segundo round de 2014 e também lesionado e 2016.

O alvo estrela, de qualquer maneira, ainda será o hall of famer Larry Fitzgerald, que teve suas primeiras temporadas seguidas com mais de 100 recepções agora, aos 32 e 33 anos. Entretanto, assim como o time deve se preparar para não depender de Drew Stanton como QB, também é hora de começar a se planejar a uma vida sem Fitz como WR, porque ele já diz que não se pegará chorando quando se aposentar.

“A única razão pelo qual ainda estou jogando, é para vencer um campeonato. De um ponto de vista pessoal, já conquistei o suficiente. ”

Previsão: Pode parecer clichê da NFL, mas a temporada de Arizona se concentra nas trincheiras. Se ambas as linhas forem medianas, as capacidades das unidades aéreas (tanto na defesa como no ataque) deverão garantir bons resultados. Além disso, será crucial ter uma campanha melhor em casa do que as 4 vitórias de 2016. Aproveitando-se de 4 vitórias fáceis contra Rams e 49ers, Johnson, Arians e cia poderão chegar aos playoffs – onde, sabemos, na NFC sempre tem jogo (até pegar New England no Super Bowl e perder).

Status: em um relacionamento sério com a mediocridade

Pela primeira vez desde 2002 (quando foi criado o Texans, devolvendo uma franquia da NFL a Houston), temos um “novo” nome na liga. Aspas porque, na verdade, 2016 marcará a o retorno dos Rams a Los Angeles, cidade que deixaram em 1994 e que, na época, dividiam com os Raiders.

Em St. Louis, a franquia conquistou seu primeiro Super Bowl (em um jogo contra os Titans que acabou com The Tackle), com o “The Greatest Show on Turf”, um dos ataques históricos da NFL, liderado por Kurt Warner, duas vezes MVP da liga em St. Louis. Entretanto, nos últimos 10 anos pelo menos, a franquia já não conseguia o mesmo sucesso de outrora, o que só diminuía o interesse da torcida.

Além disso, dois nomes foram muito importantes para esta mudança (ou retorno) do time: Edward Jones e Stan Kroenke. O primeiro é o estádio, de propriedade da cidade de St. Louis, que já não cumpria os requisitos para manter-se como um dos melhores da liga, o que abriu a possibilidade da quebra de contrato de aluguel. Já o segundo é o homem que se tornou dono majoritário do time em 2010, um grande empresário da área de construção e especulação imobiliária, que em 2014 comprou um terreno em Los Angeles com planos de construir um novo estádio – tendo time ou não.

O único grande problema da nova velha cidade é o batido motivo pelo qual Raiders e Rams a abandonaram em um primeiro momento: se saíram de St. Louis porque o povo já não estava tão interessado na equipe, tudo leva a crer que esse não será um problema resolvido em LA.

A cidade já está dividida entre os outros três times da Califórnia e é tão cosmopolita que tem torcedores de provavelmente todos os times do país vivendo nela – tanto é que os verdadeiros torcedores do Rams já devem estar preparados para disputar ingressos e gritos contra os adversários.

Sobre chegar causando impacto

Jared Goff será um dos maiores busts da história da NFL e não consigo escrever isso sem cogitar quebrar a tela do notebook com minha própria testa. Pese ainda o fato de que o Los Angeles Rams gastou meia dúzia de escolhas para selecioná-lo, o que só torna tudo ainda mais absurdo – você até pode tentar justificar a decisão, alegando que não é possível chegar em uma nova cidade com Nick Foles como seu quarterback, mas convenhamos: Jared Goff está longe de ser a resposta.

De qualquer forma, aclamado como o QB do futuro dos Rams, estabeleceu-se que Jared iria ser o ponto do crescimento do Rams em algum momento da temporada – nunca no início. É, claro, preciso dar o benefício da dúvida, mas infelizmente já vimos Goff em campo, mesmo que durante a pré-temporada, este período tão relevante quanto o elenco de apoio da nova novela das seis.

Mesmo assim, dos três QBs do Los Angeles Rams, Goff foi de longe o pior. Foi pior que Case Keenum e outro cidadão que mal lembramos o nome. E não nos referimos apenas a questões técnicas, mas, sobretudo, inteligência e tomada de decisões: além de tudo, Goff parece extremamente burro.

Podemos estar sendo exigentes e até certo ponto cruéis demais, afinal, se adaptar à NFL é algo extremamente complexo – e você precisa fazer isso enquanto um projétil humano de 180kg mira seu tórax. Sim, adaptação é sempre uma questão tensa para quarterbacks rookies mas, bem, nem todos eles custam seis escolhas de draft para sua equipe.

Por que cês fizeram isso, caras?

Por que cês fizeram isso, caras?

Vamos supor que Jared Goff não feda

Até aqui é nítido que Case Keenum iniciará a temporada como QB titular dos Rams, mas assumir que Keenum é um projeto a longo prazo seria o mesmo que casar com a mediocridade. E não se investe tanto em uma escolha se não se pretende usá-la, não é? Então vamos supor que Goff consiga se adaptar com certa velocidade, apesar das dificuldades habituais: seu melhor wide receiver será… Tavon “30 milhões” Austin.

Os Rams, aliás, tiveram um dos piores núcleos de recebedores da NFL em 2015. O próprio Austin tem sido uma decepção, considerando que foi uma escolha top 10 em 2013. E, bem, se você vê algum valor em Kenny Britt ou tem um excelente coração ou está alucinado (ou ambos).

O fato é que tudo leva a crer que em vez do futuro de uma franquia, o Rams encontrou, na verdade, um novo Sam Bradford – uma figura já quase terna, encoberta em um passado que, embora se negue, eles devem sentir muita saudade. O que basicamente resume a situação atual.

O que realmente importa neste ataque

Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley, Todd Gurley.

Só eu presto.

Só eu presto.

Jeff Fisher e a mediocridade

Jeff Fisher é medíocre. Fisher já teria sido demitido de 30 times da NFL. Talvez tivesse muletas para sobreviver nos Browns e, sabe Deus como, ainda sobrevive no Rams.

Há duas verdades inexoráveis sobre o Rams de Fisher: eles irão terminar a temporada com um 8-8 ou, na pior das hipóteses, um 7-9. Eternamente, enquanto Jeff Fisher for seu head coach. E irão vencer o Seatlle ou Arizona, em algum jogo completamente sem sentido, que lhes dará alguma falsa esperança em algum momento aleatório da temporada.

De todo modo, quando olhamos para o que foi este ataque na temporada passada, compreendemos o tamanho da desgraça. Era um time que não tinha a menor ideia do que estava fazendo ou buscando. O que torna tudo ainda mais triste é que temos certeza que, um par de anos atrás, o Rams teve a chance de se tornar relevante. Houve esta janela de tempo, onde eles tinham algum talento, uma boa defesa e inúmeras escolhas: Fisher então pautou a reformulação da equipe através da negociação de Robert Griffin III, que abasteceu o Rams com as ótimas escolhas de draft por três ou quatro anos.

Mas nada minimamente decente aconteceu e todas estas escolhas, somadas a movimentos “certeiros” na free agency, conduziram o Rams exatamente a uma média de zero vitórias a mais do que antes da clássica negociação.

O currículo de Jeff Fisher apenas corrobora nossa tese: são 20 temporadas completas como head coach e, se em apenas duas delas, equipes sob seu comando terminaram com menos de seis vitórias, também vale lembrar que em 12 delas os pupilos de Jeff acabaram com recorde entre seis e nove vitórias.

Jeff Fisher é isto, amigos: se lhe dá a certeza que raramente você será péssimo, também está no contrato que você nunca deixará de ser medíocre.

O lado não tão ruim

Se a situação do ataque é desanimadora e soa compreensível que o Rams entregue a bola para Gurley (provavelmente o melhor RB desde… Adrian Peterson?) e confie em sua defesa. O porém é que se um dia ela flertou com as melhores da liga, hoje o futuro é incerto.

O CB Janoris Jenkins rumou para os Giants com um contrato de mais de US$60 milhões, então agora será preciso encontrar alguém que preencha este espaço para atuar ao lado de Trumaine Johnson. E. J. Gaines, selecionado na sexta rodada de 2014 e que impressionou em seu primeiro ano, deve ocupar esta lacuna – ele, porém, perdeu toda a temporada de 2015 devido a uma lesão.

Outra perda na secundária será Rodney McLeod, que assinou com o Eagles. Ainda não se sabe quem atuará ao lado do S T. J. McDonald, possivelmente um dos melhores nomes da posição.

A saúde do DE Chris Long, que perdeu 14 jogos nas últimas duas temporadas, é outro ponto incerto para colaborar no pass rush ao lado do monstro Aaron Donald, o único que parece capaz de fazer frente à JJ Watt na disputa por melhor jogador defensivo da atualidade (e ele está apenas em seu terceiro ano!), especialmente em relação às famosas avaliações dos caras da PFF.

Em um cenário ideal, as peças de reposição irão se encaixar naturalmente em um sistema já consolidado, mas sabemos que isso é difícil de acontecer. Ao menos a boa notícia é que James Laurinaitis, um dos piores linebackers que já pisou em um campo de football, não está mais entre eles – que Deus o tenha.

Palpite: o importante é ser fiel aos compromissos que um dia você assumiu e ao assinar com Jeff Fisher o Rams se comprometeu a terminar 7-9 ou 8-8 e iludir seus fãs com uma atuação espetacular aleatória contra Cardinals ou Seahawks. De qualquer forma, quanto antes aceitarem que Jared Goff é absurdamente burro, antes poderão planejar a próxima grande besteira que farão em um futuro não tão distante.

 

Há times que não nasceram para vencer: cedo ou tarde algo dará errado

Maior número de vitórias na história da franquia, 7 jogadores no Pro Bowl, um quarterback que lançou para 4671 jardas e 35 TDs e muitas outras grandes marcas individuais. Ainda assim, a impressão que fica quando se lembra do time de Bruce Arians em 2015 é estranha, é de fracasso – obviamente, o 49-15 com direito a sete turnovers na final da NFC para os Panthers (a segunda derrota em dois anos seguidos para Carolina nos playoffs) não faz nenhum favor à história.

Mais do que isso, talvez a grande razão para decepção seja a impressão de que Carson Palmer gastou todas as suas últimas forças até o penúltimo jogo da temporada passada e a sua última oportunidade de chegar (sempre bom lembrar: seria a segunda vez que um idoso seria o QB dos Cardinals no grande jogo) e ganhar o título foi desperdiçada – ele se machucar e sermos obrigados a curtir alguns jogos com Drew Stanton parece uma questão de “quando” e não de “se”.

E ainda assim, Arizona parece disposto a seguir tentando com Palmer – por mais preocupante que isso seja para o futuro da franquia, já que aos 37 anos Carson pode implodir a qualquer momento (vide Manning, Peyton) e Bruce Arians terá como melhor plano “dar oportunidades a Drew f***ing Staton” ou desenvolver Zac Dysert e Aaron Murray, do practice squad, ou ainda assinar alguém como Brock Osweiller ou Tyrod Taylor, com sorte.

De qualquer forma, mais importante, isso deverá manter o ídolo-mor da franquia, Larry Fitzgerald, feliz. Larry, aliás, que anunciou que se aposentará quando os Cardinals não tenham mais um QB decente; ele confirmou ainda ter pesadelos com John Skelton, Ryan Lindley e Kevin Kolb, e que seu grande sonho é ir viver em uma fazenda com Carson e um Lombardi Trophy. E ele com certeza não é a única pessoa em Phoenix que tem esse sonho.

Vou decepcioná-los.

Vou decepcioná-los.

Falando em Fitzgerald…

Já que mencionamos o ídolo do time, comecemos pelo ataque. Enquanto Palmer se mantiver saudável e jogando o que sabe, provavelmente o único ataque que pode fazer frente ao do Cardinals é o do Pittsburgh Steelers; e ainda assim, Big Ben não tem tantas armas. A começar por Larry, que parecia estar sentindo a idade entre 2012-14, mas suas 109 recepções e 1215 jardas em 2015 parecem divergir dessa impressão – mesmo que não se repita em 2016 ele ainda será um alvo muito sólido.

John Brown também superou as 1000 jardas no ano passado em apenas seu segundo ano na NFL e deverá cada vez mais ganhar status de alvo principal do time; Michael Floyd, que perdeu um pouco de espaço com o crescimento de Brown, está no último ano de seu contrato de rookie, e tipicamente a produção de qualquer jogador da liga cresce nesse tipo de situação. Para finalizar o quarteto (!) (provavelmente são poucos os outros quarterbacks na NFL que têm mais de três bons alvos),         Arizona ainda tem Jaron Brown, um jogador que entrou na liga sem ser draftado em 2013, mas que Bruce Arians, falastrão, chamou de “melhor WR dos Cardinals” em uma entrevista durante a pré-temporada.

E, na verdade, ainda há um quinto grande alvo para Carson: David Johnson, novato que surgiu no final da temporada (mais exatamente na semana 13, bem a tempo dos playoffs do fantasy), bom em todos os aspectos do jogo: correndo, recebendo, e até colaborando na proteção ao QB. Válido lembrar que David só surgiu após a lesão de outro Johnson, Chris, o famoso CJ2K, que vinha fazendo um grande 2015, mas deverá assumir a condição de veterano secundário enquanto o garoto em seu segundo ano, como titular, deverá ser um dos melhores running backs da liga.

Para fechar, como com qualquer QB e especialmente um de tanto valor e com risco como Palmer, a proteção é fundamental. Por isso, é sorte dos Cardinals poder contar com o LT Jared Veldheer e com os guards Mike Iupati e Evan Mathis, roubado dos Broncos, três jogadores de altíssimo nível (prova de que Jonathan Cooper, trocado, não fará falta). As dúvidas ficarão por conta do center A. Q. Shipley, que não foi grande coisa em 2015, e no basicamente novato D. J. Humphries, draftado na primeira rodada do ano passado, mas que não jogou nenhum snap. Teremos o veredicto agora se o ano de transição foi bem utilizado.

Não aprendi dizer adeus.

Não aprendi dizer adeus.

Melhorando o que já era bom

Falando em Cooper, desconsiderando a possível mágica que Bill Belichik poderá operar para torná-lo o melhor guard da NFL, ele foi envolvido em uma troca (somado a uma escolha de segunda rodada) que, em uma primeira impressão, parece um grande ganho para os Cardinals ao adicionar um grande pass rusher ao time em Chandler Jones (12.5 sacks em 2015). Oposto a ele, deverão aparecer Alex Okafor e principalmente Markus Golden, que fechou bem seu ano rookie com 3 sacks nos últimos seis jogos (que, sim, não são grandes números, para ver como Arizona chegou pouco ao QB).

A frente deles estará o grande DE Calais Campbell, também colaborando especialmente em exercer pressão no QB. Com ele, na linha defensiva também estarão Corey Peters, que é provavelmente o jogador com o maior *asterisco* dessa defesa por estar voltando de uma lesão no tendão de Aquiles do alto de seus 138kg, e Frostee Rucker, especialmente responsáveis por ocupar espaços e bloqueadores.

Rucker, entretanto, deverá ceder espaço ao longo da temporada para a escolha de primeira rodada, o talentoso Robert Nkemdiche, que só chegou aos Cardinals pelos tradicionais problemas fora de campo (em seu caso, um irmão mala e uma atitude muito cool para os padrões apreciados pela NFL).

Por último, o ponto forte da defesa, uma raridade na NFL moderna, a secundária. O safety Tyrann Mathieu, que recebeu um contrato de 5 anos, 62.5 milhões, mesmo voltando de uma lesão no joelho (que o tirou do fim da sua incrível temporada passada, em que conseguiu 5 INTs, fazendo muita falta nos playoffs) e o cornerback Patrick Peterson dispensam maiores comentários. Ambos estarão considerados entre os melhores de suas respectivas posições e deverão ser evitados pelos adversários.

Pelo depth chart atual, a dupla de Mathieu será Tony Jefferson, que venceu Tyvon Branch na disputa por posição da pré-temporada. O time ainda conta com Deone Buccanon fazendo a (agora) famosa posição híbrida de LB/S apoiando a secundária (e fazendo dupla com Kevin Minter como LB, esse mais responsável por parar o jogo corrido).

E oposto a Patrick Peterson deverá jogar Brandon Williams, um novato de segunda rodada, que ganhou a posição por pura falta de competição (Justin Bethel teve problemas com uma lesão no pé na preseason e não conseguiu vencer o rookie). Válido lembrar que Williams só jogou uma temporada como CB na universidade e cornerbacks, por mais brilhantes que sejam, levam tempo para se adaptar à liga – sendo que lançar contra Peterson não é uma opção, pode ser que Williams sofra bastante já em seu primeiro ano.

Palpite: um caminhão de vitórias na temporada regular, título da divisão e a decepção inevitável nos playoffs, seja por uma lesão de Carson Palmer e a necessidade de utilizar um cone como quarterback, ou por alguma pipocada do mesmo Palmer na hora “h”. Aceitemos: há times que não nasceram para vencer.

31 times que não irão ganhar o Super Bowl (*e o Cleveland Browns)

Na pré-temporada, sempre parece claro que todo time na NFL terá 100% dos jogadores saudáveis e que todos são top 5 em suas posições e os que não são, fizeram o melhor para chegar a essa condição durante o período longe dos treinadores. Pensando assim, parece óbvio que todos os times, menos o Browns, terminarão 19-0 na temporada, atropelando todos os adversários com vitórias por 30-0 – porque o head coach, em um ato de humildade, pede para o time tirar o pé:

Classificação

Para a sorte de nossos leitores, nós do PickSix não nos deixamos enganar. Sabemos perfeitamente que, se no final das contas, um time ganha o Super Bowl, é mais por culpa dos outros 31 do que por méritos próprios.

Obviamente, para um melhor entendimento, escreveremos elaborados previews sobre cada uma das equipes (não se deixe enganar pelas otimistas), mas a lista seguir deve servir como resumo suficiente como a principal razão do por que seu time não vai ganhar o Super Bowl LI:

AFC North: provavelmente a divisão mais furada da NFL e a com maiores possibilidades de que um dos times só chegue aos playoffs porque conseguiu uma campanha perfeita nos confrontos internos.

Baltimore Ravens – O contrato de Joe Flacco está matando um time que chegou e ganhou duas vezes o Super Bowl em belos esforços coletivos.

Cincinatti Bengals – Depois de 2015, acho que está mais do que claro que Andy Dalton nunca vai ganhar um jogo de playoff, seja por culpa própria ou não.

Pittsburgh Steelers – O ataque mais incrível e a defesa mais bosta da NFL. Talvez não cheguem nem nos playoffs.

NFC North: a divisão das desculpas esfarrapadas. Todos os times parecem prontos para ganhar o Super Bowl, mas sempre no ano seguinte quando tudo magicamente irá dar certo.

Chicago Bears – Jay Cutler é o QB mais deprimente em uma divisão ganha por um Teddy Bridgewater que não consegue lançar para mais de 15 jardas.

Detroit Lions – Um time que recém terminou uma temporada com um 7-9 após uma campanha de recuperação e perde o melhor jogador do seu ataque. Não é exatamente a receita para chegar ao título.

Green Bay Packers – O time sempre tem alguma lesão para botar a culpa dos seus fracassos, seja de Aaron Rodgers ou de um linebacker reserva. Esse ano não será diferente.

Minnesota Vikings – E quando tudo parecer que vai dar certo para os Vikings, algo completamente inexplicável acontecerá. Pode ser uma lesão ou um FG de menos de 30 jardas errado a 10 segundos do fim.

Tem coisas que só acontecem com o Lions...

Tem coisas que só acontecem com o Lions…

AFC South: a divisão mais disputada da Conferência Americana. Infelizmente, qualquer um deles que chegue aos playoffs já terá gastado todo o fôlego e morrerá sem nem chegar na praia.

Houston Texans – Nunca um time da NFL jogou o Super Bowl em casa e não vai ser Brock Osweiller o responsável por conseguir tal façanha.

Indianapolis ColtsQuarterbacks são tudo na NFL. Mas não quando o único bom jogador do seu time é o quarterback.

Jacksonville JaguarsDream team da temporada de 2016. Não precisa entender muito de futebol americano para saber como isso vai acabar.

Tennessee Titans – Talvez o time mais triste da NFL, já que os Browns pelo menos não iludem o torcedor. Vão acabar com a carreira do Mariota.

NFC South: o QB que jogue bem ganhará essa divisão. Infelizmente nenhum dos times parece ter muito além disso.

Atlanta Falcons – Matty Ice fez o James Hunt e nunca mais voltou aos playoffs desde que ganhou uma partida lá.

Carolina Panthers – Kelvin Benjamin terá a desculpa de que está voltando de lesão e a defesa terá a desculpa de que perdeu Josh Norman.

New Orleans Saints – Drew Brees é muito melhor jogador do que Joe Flacco, mas seu contrato acabou igualmente com o time (e com o meu fantasy nessa necessidade de não ter um WR principal).

Tampa Bay Buccaneers – Como todo bom QB que não se chame Russell Wilson, Jameis Winston “precisará de mais um ano para se desenvolver”.

Agora assista aí de camarote.

Agora assista aí de camarote.

AFC West: se tem uma divisão da qual não sairá um campeão do Super Bowl é essa. A defesa dos Broncos operou um milagre em 2015, mas um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.

Denver Broncos – Mark Sanchez no time (e ele ainda acabará sendo titular) elimina automaticamente a chance de qualquer time chegar ao Super Bowl.

Kansas City Chiefs – Na AFC, Alex Smith só é mais QB que Mark Sanchez, o que no fundo não quer dizer porra nenhuma.

Oakland Raiders – O dono do time está mais interessado na mudança de cidade do que na temporada. Certo ele.

San Diego Chargers – Philip Rivers terá mais filhos do que TDs e Joey Bosa começará jogos como QB, já que foi draftado para jogar fora de posição mesmo.

NFC West: já foi indiscutivelmente a melhor divisão da liga. Hoje é apenas fonte de expectativas e decepções.

Arizona Cardinals – Quando não se machuca, Palmer pipoca na hora da verdade. Seriam meus favoritos ao Super Bowl se tivessem Tim Tebow.

Los Angeles Rams – Pode demorar algumas rodadas, mas logo o owner Stan Kroenke vai perceber que os estádios vazios em St Louis não eram mais culpa de Case Keenum que da cidade (Jared Goff é um bust).

San Francisco 49ers – Por mais que falemos de Titans ou Browns, a equipe de Chip Kelly é a mais bosta da NFL. Um RT ex-aposentado deve ser o melhor jogador do time (Anthony Davis).

Seattle Seahawks – Muito amados para um time que não tem linha ofensiva (e uma linha defensiva cheia de jogadores insatisfeitos).

AFC East: aquela eterna disputa pelas vagas de wild card atrás dos Patriots.

Buffalo Bills – Rex Ryan conseguiu estragar uma defesa que parecia pronta para carregar o time. Além disso, o melhor alvo do time, Sammy Watkins podia tentar parar de se estourar.

Miami Dolphins – Adam Gase vai ajudar Ryan Tannehill a melhorar, mas Suh recebeu 80 milhões para liderar essa defesa e não irá.

New England Patriots – Vão ganhar a divisão, mas Belichik e Brady não vão mais conseguir roubar para chegar à grande decisão. Talvez Garoppolo tenha novas ideias.

New York Jets – Geno Smith foi considerado como substituto de Ryan Fitzpatrick. O time poderia começar respeitando o próprio QB titular.

NFC East: divisão com mais hype da NFL. A imprensa americana ama todos eles, mas nós não nos deixamos enganar tão facilmente.

Dallas Cowboys – Tony Romo está do tamanho dos jogadores da melhor linha ofensiva da NFL. Além disso, todos nessa defesa são idiotas.

New York Giants – Pagarão mais de 25 milhões de dólares por ano para um gordo de linha defensiva e um DE com apenas 29 sacks na carreira.

Philadelphia Eagles – Um time que conseguirá ser pior sem Chip Kelly. E porque odiamos Sam Bradford.

Washington Redskins – Por mais que todos queiramos crer no contrário, Kirk Cousins vai acabar se provando pior do que Robert Griffin III.

*Cleveland Browns – excluído da lista original pelo simples fato de, bem, não podemos considerá-los um time de football.