Posts com a Tag : NFC South

Agora ou nunca (nunca)

Um ano atrás, antes da PELOTA subir, o Bucs bradou aos quatro ventos sua relevância  na NFC South – mas, ao contrário do que pretendia, terminou com apenas cinco vitórias e assistiu as outras três franquias da divisão visitarem os playoffs.

Agora Jameis Winston está entrando em sua quarta temporada e (espera-se) recuperado de uma lesão no ombro que o fez perder três jogos em 2017. O torcedor mais otimista, porém, pode pensar que houve tempo também para Jameis encontrar a sinergia dom DeSean Jackson e reconstruir a defesa – mesmo que a seca por ver TDs em janeiro (uma década repleta de frustrações) continue ali.

“É sobre esse playoffs, cara”, disse Winston durante a offseason. “É sobre conquistar algumas vitórias, trazer a torcida para o nosso lado e realmente mudar a cultura por aqui – estamos caminhando nessa direção, e agora é a hora de fazer acontecer”.

Altos e baixos (e mais baixos)

Se a segunda temporada de Winston mostrou sinais claros de evolução, seu último ano pareceu um passo atrás; ele foi extremamente inconsistente e, se havia bons lampejos em determinadas partidas, Jameis parecia completamente perdido na maioria delas.

Você pode afirmar que Winston tem talento de sobra para fazer um excelente 2018 – e não estará errado –, mas a grande questão é se ele estará focado para dar o próximo passo. O que parece, infelizmente, não ser o caso – o quarterback já está suspenso pelas três primeiras partidas e será substituído por (provavelmente) Ryan Fitzpatrick – como já diria o sábio:

O problema de ter um pereba no elenco é que, invariavelmente, alguém fará merda ou se lesionará e, bem, o pereba precisará jogar.

O fato é que se o Bucs não chegar aos playoffs (spoiler: não chegará, e errado é quem espera diferente), Winston receberá boa parte da fatura, mas, se vivemos em um mundo justo (spoiler: não vivemos), é preciso apontar outros “culpados”.

LEIA TAMBÉM: Jimmy G, San Francisco e a busca pelo QB ideal

Mike Evans é uma aberração física e parece ter o talento natural a um WR de elite – mas questiona-se muito sua conduta profissional; em 2017, por exemplo, ele teve apenas 71 recepções (uma queda significativa se comparadas as 96 recepções de 2016) – mas, mesmo assim, Evans chegou a quarta temporada consecutiva com mais de 1000 jardas. Pelo pacote completo, Tampa decidiu apostar no garoto e ofereceu um novo contrato de cinco anos e mais de US$ 80 milhões. Se Mike não corresponder ao dinheiro investido, é certo afirmar que Tampa estará em apuros. No game tape, podemos analisar Evans como o recebedor que deixa as bolas fáceis passarem para só pegar as difíceis.

Ao seu lado, Evans terá DeSean Jackson e… bem, estamos em 2018, você ainda acredita em DeSean Jackson? DeSean é (talvez) um dos WRs mais superestimados da NFL (seu primeiro ano em Tampa foi um fracasso: 50 recepções para pouco mais de 650 jardas) e sua principal habilidade é tornar piores os sistemas ofensivos por onde passa.

Por outro lado, os Bucs tem um bom slot receiver em Adam Humphries e uma promissora dupla de TEs, com Cameron Brate e OJ Howard (de quem se espera uma evolução nítida em sua segunda temporada, para que se torne um alvo mais efetivo para Winston, sobretudo na redzone).

Chris Godwin, WR selecionado no terceiro round em 2017, também deixou uma boa impressão final e de quem é possível esperar um pouco mais de protagonismo – foram 111 jardas na despedida da temporada contra New Orleans.

Há esperança, também, em uma melhora no jogo terrestre (convenhamos: piorar não é uma possibilidade). Graças ao bom Deus, Doug Martin foi despachado – com pelo menos duas temporadas de atraso – para iludir o já sofrido torcedor de Oakland e a camisa 22 agora será usada por Ronald Jones II, selecionado no segundo round do último draft; o jovem teve 12 corridas para mais de 40 jardas durante seus anos em USC, o que mostra bons sinais para o futuro – Martin, por outro lado, teve duas temporadas de 1400 jardas por Tampa Bay, mas nos dois anos derradeiros na Flórida os números despencaram e o RB conseguiu menos de três jardas por tentativa.

Razões para acreditar

Os Bucs parecem ter focado na reconstrução de seu sistema defensivo. Com sua primeira escolha no último draft, eles selecionaram o DT Vita Vea, um monstro em Washington que inevitavelmente conseguirá pressionar o ataque adversário (pior que tá não fica, diria o outro). Além disso, ele será um ótimo complemento para Gerald McCoy, um dos melhores atletas de sua posição (que merece muito mais reconhecimento do que lhe é conferido).

Tampa ainda apostou alto, e buscou no atual campeão, Philadelphia Eagles, Beau Allen e Vinny Curry. Além disso, trouxe Jason Pierre-Paul, ex-Giants – o entrosamento, claro, pode demorar um pouco para chegar, mas de qualquer forma já é um cenário animador para aquela que até então era uma das piores defesas da liga.

A secundária, porém, levanta algumas interrogações: Brent Grimes e Vernon Hargreaves ainda estão ali – Grimes, contudo, já beira os 35 anos e esperar um declínio em suas atuações não seria absurdo. Os rookies MJ Stewart, de North Carolina, e Carlton Davis, de Auburn, competem com Ryan Smith pelo posto de CB3 – e, conforme se saírem, podem também beliscar a vaga de Grimes.

Já o corpo de linebackers segue o mesmo: Lavonte David é excelente e Kwon Alexander (espera-se) livre das lesões é um reforço considerável. Kendell Beckwith deixou a desejar em 2017, mas era apenas seu primeiro ano e, claro, há espaço para evoluir, sobretudo com Noah Spence, do qual se espera finalmente alguma contribuição em campo.

Palpite:

Em 2018 Winston precisa se estabelecer como um quarterback capaz de liderar uma franquia – e, por consequência, levá-la aos playoffs. A tabela, porém, é cruel: nos três primeiros confrontos, Tamba enfrenta Saints (fora), Eagles e Steelers (em casa), todos sem Jameis. Na sequência visita a Chicago e Atlanta e, bem, esperar apenas uma vitória nas cinco primeiras partidas não é uma previsão irrealista. Se tudo der errado e, ao menos, levar a demissão do HC Dirk Koetter, poderemos considerar que foi um bom ano – resta aceitar uma campanha semelhante a de 2017, com no máximo cinco ou seis vitórias, a lanterna da NFC South e planejar o futuro com um HC capaz de colocar Winston nos eixos.

A última cartada?

Enquanto Drew Brees for o quarterback do New Orleans Saints, eles continuarão sendo candidatos ao título da NFC. Com seu franchise QB completando 39 anos, porém, a franquia está ciente de que sua janela para alcançar mais um Super Bowl está se fechando rapidamente.

Sean Payton é um treinador muito inteligente – afinal, ele está milionário graças a um devaneio em forma de onside kick em uma já distante noite de fevereiro de 2010 – e sabe que precisa deixar tudo em campo nesta temporada.

Como mencionado, Drew completou 39 primaveras na última offseason e, bem, com 38 ele alcançou quase 4400 jardas, 23 TDs e teve apenas oito interceptações – vale lembrar: se não fosse por um erro bizarro, teria levado o Saints ao NFC Championship. Mas como já diria meu avô: “se tivesse um rio aqui, eu estaria pescando – e não falando besteira”.

De qualquer forma, aqueles mais atentos aos números poderão afirmar que 2017 indica um declínio na carreira de um dos grandes quarterbacks da história – para comparar, em 2016, Brees (mais uma vez), havia ultrapassado as 5000 jardas (com 37 touchdowns).

Os números, porém, ocultam outra verdade: pela primeira vez, me muito tempo, New Orleans não dependeu exclusivamente de seu ataque aéreo e pôde avançar pelo chão – se iniciou o último ano com Adrian Peterson (por que, meu Deus?), Mark Ingram e Alvin Kamara, logo ficou claro que aposta em AP era uma furada, e errado é quem esperava diferente. Brees continuou extremamente preciso (72% das tentativas completadas na temporada passada) e, embora a força de seu braço tenha naturalmente diminuído, ele compensa com inteligência: poucos são tão eficientes em identificar e adaptar a jogada ao ponto fraco do adversário quando ele é exposto.

E mesmo que Ingram tenha tido números relativamente sólidos, foi Kamara quem impressionou: com uma média de mais de 6 jardas por tentativa, o rookie RB ainda conseguiu 826 jardas aéreas (em apenas 81 tentativas, média superior a 10), marcando 13 TDs em seu primeiro ano na NFL.

As recepções de Kamara, aliás, são um caso à parte: muitas delas não fazem o menor conexão com a lógica, são apenas momentos em que alguma entidade divina que controla o esporte escancara diante de nossos olhos que nada faz sentido e você precisa lidar com isso; Brees simplesmente atirava a bola para o lado e Alvin encontrava espaços – espaços estes que devem aumentar em 2018, mesmo que Ingram esteja suspenso pelos quatro primeiros jogos (para seu lugar o Saints trouxe Terrance West e, bem, não vamos perder tempo com ele).

Com o ataque terrestre a ponto de se consolidar entre os melhores da liga, os Saints tentam aperfeiçoar as opções aéreas: na offseason buscaram Cameron Meredith (ex-Chicago Bears), que parecia destinado a um ano sólido, interrompido por uma lesão ainda na pré-temporada (tem que acabar a pré-temporada!).

LEIA TAMBÉM: O New Orleans Saints está voltando

Meredith terá ao seu lado Michael Thomas (196 recepções em apenas dois anos), alvo em total sinergia com Drew, sobretudo em na redzone ou em 3rd downs – quanto a Ted Ginn, bem sejamos justos e adotemos a mesma diretriz estabelecida com Terrance West: vamos apenas seguir em frente.

Para suprir a ausência (haha) de Coby Fleener na posição de TE, o Saints tentou repatriar Jimmy Graham (que não superou o divórcio e escolheu Green Bay) e, como consolação, trouxe dos mortos Ben Watson (37 anos e 61 recepções por Baltimore na última temporada, contra 74 recepções para 825 jardas pelo próprio Saints dois anos atrás).

Já a linha ofensiva, se não é um PUDIM, está longe de ser um SAGU: saudável, Terron Armstead é um excelente jogador e, bem, Ryan Ramczyk, é uma futura estrela (aceitem) e extremamente eficaz pelo lado esquerdo.

O outro lado da bola

Após anos fedendo, New Orleans investiu alto, seja com escolhas de draft ou mesmo queimando dólares desesperadamente na free agency, para reformular o sistema defensivo. Os resultados começaram a aparecer – e se não estamos no céu, a 17ª posição em 2017 é algo a se comemorar.

O ponto de virada para o Saints voltar a disputar a NFC South, porém, foi a secundária: Marshon Lattimore se provou uma excelente escolha e surgiu como uma melhores CBs da liga – ao seu lado, Ken Crawley, apenas de não ter o mesmo nível, é um bom atleta e eficaz dentro do sistema.

Já a sólida temporada rookie do S Marcus Williams, porém, foi ofuscada após o tackle frustrado em Steffon Diggs – mas uma aposta certeira é que Williams tem talento para superar o peso de sua falha. Na linha defensiva, o DE Cameron Jordan segue como referência: vindo de uma temporada em que teve 13.5 sacks, Jordan é considerado uma dos melhores atletas da posição e líder indiscutível em New Orleans.

Ao seu lado estará Marcus Davenport, selecionado com a 14ª escolha no último draft em um trade up que, bem, ninguém entendeu – agora as expectativas com Marcus são extremamente altas, apesar de ser mais cru que aquele churrasquinho de esquina. Há ainda Sheldon Rankins, que sofreu com lesões em seu primeiro ano, mas melhorou consideravelmente em sua segunda temporada, e Tyeler Davison, selecionado na quinta rodada e que, dizem os especialistas (a equipe Pick Six não se enquadra, tampouco pretende, estar nesta categoria), será eficiente contra o jogo corrido. Spoiler: você, caro leitor, verá jogos dos Saints e provavelmente não notará a existência do jogador.

Palpite:

New Orleans acredita que os últimos anos investindo em talento defensivo darão ainda mais resultado; Sean Payton, claro, sabe que não pode assistir seu QB envelhecer marcando 40 pontos por jogo (enquanto a defesa entrega 50): ele já fez isso por dois ou três anos, é hora de adotar uma nova estratégia. Em um cenário catastrófico, bem, talvez eu esteja cego pela paixão por ter apreciado Drew Brees nos últimos anos e não consiga ver uma ou outra falha já evidente em seu jogo (não consigo e, bem, tentar me mostrar não irá adiantar). De todo modo, hoje o Saints têm um dos melhores sistemas ofensivos da liga e uma defesa (compreensivelmente) subestimada (após anos cheirando cocô). Em um cenário em que Tampa Bay é uma eterna incógnita, Steve Sarkisian está em um projeto consolidado para destruir o ataque do Falcons e Cam Newton pode dar um chilique a qualquer momento, vencer a NFC South – e 10 jogos, apesar da tabela ingrata – não é uma aposta tão insegura assim. Depois disso, basta torcer para que ninguém tenha uma pane mental na pós-temporada.

Nota do editor: o chefe do site adora parênteses e regionalismos da Rússia Brasileira.

A (des)construção de legados

Há três anos, Cam Newton foi eleito o jogador mais valioso da NFL. Na mesma temporada, chegou ao Super Bowl e esteve muito perto de conquistar o Lombardy Trophy. Seu nome não foi escrito na história como vencedor; do outro lado havia um time melhor, é claro, mas é importante lembrar que, no último quarto da maior partida de sua vida, Newton hesitou em pular na bola em um fumble que ele mesmo sofreu. Apenas parou, contemplou a bola na sua frente e assistiu o Denver Broncos recuperar a posse e virtualmente ganhar a partida.

A jogada é um reflexo da montanha-russa que é a carreira de Cam Newton. No mesmo ano em que se tornou o melhor jogador da liga, desistiu de lutar em um lance que daria ao seu time a chance de virar o jogo. Parece apenas mais uma jogada – e realmente um atleta não pode ser julgado por uma decisão questionável em uma fração de segundos – mas escancara que Cam é o QB dos extremos: quando está bem, não é possível pará-lo; quando está mal, vai direto para o fundo do poço.

Apesar das oscilações, é possível dizer que Newton tem, sem dúvidas, uma boa carreira na NFL. Sua habilidade como corredor o torna uma arma única na história da liga. Apenas Michael Vick e Randall Cunningham tem mais jardas corridas entre QBs. Newton, em apenas sete temporadas, já tem o recorde da liga de TDs corridos por QBs, com 54. Em compensação, lançando a bola, tem apenas uma temporada com mais de quatro mil jardas e apenas em 2015 ultrapassou a marca de 30 TDs passados. Além disso, em  todas as temporadas como profissional, lançou mais de dez interceptações.

Newton é um bom jogador e tem qualidades peculiares, mas a diferença entre seus números como passador e como corredor impede que ele seja colocado entre os grandes QBs. A falta de um título também. Joe Flacco e Eli Manning sabem como uma carreira pode ser alavancada quando um troféu está em suas mãos. Aos 29 anos, e ainda em busca de um Super Bowl, Cam Newton se aproxima de uma fase em sua carreira que definirá como ele será lembrado.

O texto chega em seu quinto parágrafo e o nome do time em que Cam Newton joga ainda não foi mencionado. É estranho, já que o objetivo é antecipar a temporada do time – e não do atleta. Mas é perfeitamente justificável, já que, por bem ou por mal, Cam Newton é o Carolina Panthers. E o Carolina Panthers é Cam Newton.

A chegada de Norv Turner

Coordenadores ofensivos são peças valiosas no jogo de xadrez da NFL. O Atlanta Falcons, que passou de Kyle Shanahan para Steve Sarkisian e teve uma queda de produção considerável, pode confirmar esse ponto. Desde que entrou na NFL, em 2011, Cam Newton sempre teve ao seu lado Mike Shula – nos primeiros anos como técnico de QBs e depois como coordenador ofensivo.

Não é exagero dizer que muito do que Newton é vem de Mike Shula, que foi demitido após o fim da temporada 2017. De acordo com o head coach Ron Rivera, a demissão foi o resultado do desejo de trazer novas ideias para um ataque que não conseguia mais brilhar desde a espetacular temporada de 2015, que rendeu o prêmio de MVP para Newton.

O substituto é Norv Turner, um dos mais notáveis coordenadores ofensivos da NFL nos últimos anos, que agora fará parte da construção da parte final do legado de Cam Newton. O casamento parece promissor. Turner teve sucesso com QBs como Philip Rivers, que tem as mesmas características de Newton como passer: grandes, com braços fortes, que exploram passes em profundidade.

Turner provavelmente tentará explorar a força física de Cam e não a sua (falta de) precisão em passes curtos. É fundamental, é claro, que Newton não tenha o seu diferencial prejudicado: ele não pode parar de correr. De qualquer forma, Turner pode trazer o oxigênio que faltava para a carreira de um QB que parece ter atingido seu auge como passador em 2015.

Para colocar em prática o ataque vertical de Norv Turner, Cam terá a sua disposição os velhos conhecidos Greg Olsen e Devin Funchess. Olsen não é um dos tight ends mais talentosos da liga, mas é um dos mais eficientes. Seu entrosamento com Newton é notável e a diferença do ataque sem Olsen, que perdeu várias semanas em 2017 com uma contusão no pé, é mais notável ainda. Funchess não é um grande jogador, mas já se mostrou útil em algumas oportunidades e agora tem a missão de substituir Kelvin Benjamin, que também não é nenhum primor, pela temporada inteira.

Porém, Olsen e Funchess não parecem ser suficientes para o que o Panthers pretende fazer em 2018. No draft, o time gastou uma escolha de primeiro round no WR D.J. Moore, que vem causando frisson na pré-temporada com sua habilidade pós-recepção. Moore pode acrescentar uma nova dimensão ao ataque do Panthers. Além dele, também chegou o veterano Torrey Smith, que a essa altura de sua carreira não parece capaz de causar muitos estragos.

Além de colocar o ataque aéreo para funcionar, o Panthers precisa achar uma maneira de obter ainda mais da sua escolha de primeiro round de 2017. Christian McCaffrey teve um desempenho sólido em 2017, mas apresentou dificuldades especialmente correndo entre os tackles. Como a habilidade principal McCaffrey não é quebrá-los, Turner terá que usar a criatividade para extrair tudo o que uma escolha tão alta precisa proporcionar ao time. Para fazer o trabalho sujo, chega o bom CJ Anderson, que parece ser um substituto ideal para o dispensado Jonathan Stewart.

Um baita front seven

Quando se fala em Carolina Panthers, é natural que a figura de Cam Newton venha à mente. Mas o Panthers tem a sorte de ter um franchise player tanto no ataque quanto na defesa. Luke Kuechly é o melhor middle linebacker da liga e comanda um dos front sevens mais temidos da NFL.

Kuechly é tão bom que, se não fosse ofuscado pela presença de Cam, seria tão badalado quanto JJ Watt e Von Miller. Junto com Thomas Davis e Shaq Thompson, Kuechly forma o melhor grupo de LBs da liga. Porém, nem tudo é perfeito: Kuechly passou pelo protocolo de concussão nas últimas três temporadas e Thomas Davis está suspenso pelos quatro primeiros jogos.

A linha defensiva, que em 2017 terminou a temporada em terceiro em número de sacks, perdeu o bom Star Lotulelei. Dontari Poe (que já concedeu entrevista ao Pick Six e é um dos maiores QBs da história), chega para substituí-lo.

Ao seu lado, na posição de tackle, Kawann Short é bastante efetivo. Os defensive ends são idosos, mas continuam mostrando trabalho. Julius Peppers e Mario Addison lideraram o time em sacks no ano passado, com 11 cada. Resta saber até quando vão durar, já que ambos estão na casa dos 30 anos.

É fundamental que o front seven faça um bom trabalho, pois as deficiências da secundária precisam ser compensadas. Não se sabe quem vai jogar do lado oposto a James Bradberry, que não é conhecido por fazer grandes jogadas.

Os demais jogadores que compõe a unidade, como Mike Adams e Captain Munnerlyn (que deveria ganhar o prêmio de nome mais valioso), são veteranos medianos que já não estão mais no auge. É difícil imaginar essa secundária tendo que enfrentar os ataques de New Orleans Saints e Atlanta Falcons duas vezes por ano e não sendo dizimada. É rezar para que o front seven não permita que a bola nem seja lançada.

Palpite

O Carolina Panthers de 2017 era um bom time, mas teve um pouco de sorte de chegar ao recorde de 11-5. Dos oito jogos com placares apertados, o time ganhou sete. Dificilmente essa marca será repetida. É provável que o Panthers figure no famigerado quadrinho “in the hunt” das televisões americanas até o fim da temporada, mas é difícil imaginar um cenário com mais de nove vitórias. Na NFC, que tem por volta de dez times que podem tranquilamente chegar aos playoffs, não é suficiente. A base do time é forte, mas falta um pouquinho mais para competir com New Orleans Saints e Atlanta Falcons. É possível cravar um 9-7 e Cam Newton sentado no sofá em Janeiro. Pelo menos ninguém vai reclamar que ele não pulou na bola.

Torcendo para manteiga cair virada para cima

Regressão é um conceito estatístico que pode ser aplicado quando se observa uma variação muito diferente entre amostras de dados. Fazendo um mea culpa por esse momento monóculo, esse conceito ilustra bem as duas últimas temporadas do Atlanta Falcons. Um time que esteve a 25 pontos do paraíso em 2016 (nunca poderemos nos esquecer da vantagem de 28 a 3 ao fim do terceiro quarto no Super Bowl), mostrou-se muito menos explosivo em 2017.

A queda de produção no ataque

Em 2016, Matt Ryan foi MVP em um ataque que se tornou referência de jogo moderno na NFL, ao contar com aplicação de conceitos clássicos já estabelecidos no modelo profissional, além da adição de elementos de College Football. Tudo era lindo até que o sistema se mostrou vítima da própria complexidade no Super Bowl, quando se precisava de chamadas mais simples para queimar tempo. Em 2017, esse cenário mudou.

A substituição de Kyle Shanahan por Steve Sarkisian, vindo de passagens por USC e Alabama, foi como cancelar o pacote de internet mais foda que você tem disponível na sua cidade (ESPAÇO DESTINADO À MARCAS INTERESSADAS EM PARCERIAS) e voltar para a internet discada.

Nos primeiros jogos, Sarkisian até tentou manter os conceitos do ataque, muito pela manutenção das peças, mas à medida em que a temporada foi avançando, as tendências ficaram gravadas em game tape, tornando complicada a missão de manter o nível ofensivo.

“Você se importaria em chamar as jogadas no meu lugar?”

Sarkisian foi criticado principalmente por diminuir o envolvimento do WR Julio Jones na endzone: Julio recebeu apenas 3 TDs na temporada. A falta de capacidade do coordenador de variar as chamadas de acordo com a situação de campo fez com que o ataque emperrasse por muitas vezes na redzone. Um exemplo dessa inépcia são as duas partidas nos playoffs. Após uma vitória improvável contra os Rams em Los Angeles, em que a defesa se sobressaiu para parar o ataque mais prolífico da temporada, uma ida à Philadelphia. Um jogo bem feio.

O ataque teve o último drive da partida, com placar em 15 a 10. Após chegar a redzone com uma sequência de boas jogadas, duas tentativas de fade (aquela que, no Madden, você muda no audible) para Julio Jones, uma delas com rollout, determinaram o destino de Atlanta. Os Falcons terminaram o ano com um record 10-6, e a regressão se mostrou clara nas estatísticas das principais peças do ataque. Comparando, Matt Ryan foi de uma temporada de 4944 jardas e 38 TDs para 4095 jardas e 20 TDs, mesmo com as peças em 2017 sendo praticamente as mesmas de 2016.

Para o infortúnio do torcedor do estado da Georgia, não houve manutenção do elenco para 2018, com o time perdendo os WRs Taylor Gabriel e Andre Roberts e o TE Levine Toilolo. Via Draft, Atlanta adicionou o WR Calvin Ridley (escolha de primeira rodada) e o RB Ito Smith. Ridley é apontado como um grande corredor de rotas e provavelmente terá uma transição tranquila para o jogo profissional, o que não ocorre com a maioria dos recebedores.

LEIA TAMBÉM: Patriots e Brady: vencer é mera formalidade

No papel, um ataque com Matt Ryan, Julio Jones, Mohamed Sanu, Calvin Ridley, Austin Hooper, Jake Matthews, Alex Mack, Andy Levitre, Tevin Coleman e Devonta Freeman é bastante talentoso, mas fica a dúvida se Sarkisian será capaz de fazer tanto talento corresponder dentro de campo. Se o cenário não mudar, é provável que o coordenador ofensivo entregue o boné ao fim da temporada, o que já deveria ter sido feito, inclusive.

Uma defesa modelo

Se o ataque dos Falcons foi decepção, o torcedor não pode reclamar da defesa (na realidade, até pode, pois é inalienável o direito do torcedor à corneta gratuita e injustificável – especialmente quando sua defesa permite AQUELA conversão de terceira descida). A unidade, construída com a velocidade como foco, deu um grande passo em 2017 para se tornar uma das grandes forças na NFL. O trabalho de Dan Quinn vem dando resultados e é possível ver evoluções inclusive em relação à sua passagem pelo Seahawks.

“Excuse me, but I’ll take this.”

Nomes como Takkarist McKinley, Grady Jarrett, Keanu Neal, De’Vondre Campbell, Desmond Trufant, Robert Alford, além dos principais destaques: Vic Beasley e Deion Jones. Um time muito jovem e talentoso, que ainda terá destaque por pelo menos as próximas cinco temporadas. Apesar de uma regressão de Beasley no número de sacks, o time aumentou a quantidade de pressões em relação a 2016 e viu os holofotes se voltarem para Deion Jones, atualmente um dos melhores linebackers da liga. À medida em que essa jovem defesa se torna mais experiente, vai roubando espaço com uma das melhores da liga.

A disponibilidade de talento no lado defensivo da bola em Atlanta é enorme, o que se evidencia pelo fato de que, mesmo após as saídas de Dontari Poe e Adrian Clayborn, a expectativa para 2018 é de melhora.

Precisamos falar sobre Special Teams

Apesar de um visível contrabalanço na gestão de ataque e defesa dos Falcons, o fiel da balança para o time salvar o pescoço de Steve Sarkisian está no special teams. Espera-se que a defesa segure ataques logo no início dos drives, com sua agressividade e velocidade. Se o ataque emperrar, a atuação do punter Matt Bosher e do kicker Matt Bryant será essencial como forma de desafogo. O punter pode colocar a defesa em situação de anotar pontos através de turnovers, enquanto o kicker pode garantir aqueles field goals longos essenciais a um ataque que pouco produz quando o campo diminui. Para isso, o Falcons conta com dois dos melhores jogadores da NFL nesse quesito, capazes de ter importante contribuição para o placar das partidas.

Nota do editor: perceba a fé que o jovem tem nos esquemas de Steve Sarkisian. 

Palpite

É praticamente impossível prever o desenrolar da NFC South, que conta com três times que foram aos playoffs em 2017 e ainda tem condições de repetir o feito. Em uma divisão que é uma legítima briga de foice no escuro, não perder jogos para o Tampa Bay Buccaneers em pura implosão será obrigatório. Enquanto isso, a tabela não facilita em nada, com confrontos contra Eagles, Panthers, Saints e Steelers em quatro das cinco primeiras semanas.

O time é talentoso, mas terá que lidar com o azar de ter uma força de tabela muito alta devido à sua divisão. Podemos visualizar um cenário em que o Falcons encaixe uma campanha de 14 vitórias e garanta uma semana de descanso nos playoffs. Mas também pode acontecer de o time “trocar” derrotas com os rivais de divisão, precisando fazer contas para entrar no Wild Card. Tudo parece estar nas mãos do ataque comandado por Steve Sarkisian. A unidade deve ser o fiel da balança ao final da temporada. Com base no histórico do coordenador ofensivo, isso não acontecerá e o time pode terminar o ano entre 8 e 10 vitórias. 

31 times que não irão ganhar o Super Bowl (e o Indianapolis Colts)

Finalmente acabamos de produzir todos os previews da temporada de 2017! Talvez você, leitor, nessa vida atribulada, não tenha tido tempo ou sequer vontade de ler todos, mas para facilitar sua vida, trazemos agora, um compilado de todos os textos.

E para dar um pouco mais de graça e não ser apenas um índice, adicionamos aquela razão pela qual seu time inevitavelmente morrerá na praia mais uma vez: com vocês, o guia final de previews – basta clicar no nome da equipe que desejar ler uma análise aprofundada e isenta de clubismo!

Enfim, reeditando o texto do ano passado: 31 times que não vencerão o Super Bowl (e os Colts) versão 2.0.

OBS: Na versão 1.0 acertamos 31 de 32 comentários. Esperamos repetir o aproveitamento!

AFC South

Houston Texans: Uma defesa que simplesmente não consegue ter todos os melhores jogadores juntos (por exemplo, AJ Bouye se destacou e já vazou – agora que JJ Watt volta. E também um head coach especialista em QBs que não consegue escolher um; não é exatamente um receita para o sucesso.

Jacksonville Jaguars: Blake Bortles, caras! Blake Bortles – aliás, não percam nossa promoção no Twitter!

Tennessee Titans: Dissemos que EVENTUALMENTE Mariota pode chegar lá – não que a grande (?) torcida dos Titans já deveria estar preparando os fogos para o Super Bowl LII.

Pensa em um dia massa.

NFC South

Atlanta Falcons: Provavelmente o preview que menos vale a pena ler: não importa se Matt Ryan e Julio Jones são os melhores do mundo; ressaca pós-perda de Super Bowl é uma realidade. E a regressão ao perder o verdadeiro gênio desse ataque (Kyle Shanahan) também.

Carolina Panthers: Lenta e dolorosamente começaremos a aceitar que, no final das contas, talvez Cam Newton não seja tudo aquilo.

New Orleans Saints: Drew Brees e Adrian Peterson seria a dupla dos sonhos para se ter no Madden NFL 2012. E, bem, essa defesa é de gelatina.

Tampa Bay Buccaneers: Jameis Winston pode muitas vezes parecer promissor ou mesmo uma realidade, mas ele ainda tem que lançar menos (bem menos) interceptações para poder sonhar com Super Bowl.

AFC West

Denver Broncos: Não é apenas uma questão de que somente com um bom QB é possível ganhar o grande título, mas é que a defesa já não é mais aquilo que um dia foi.

Kansas City Chiefs: Seria a franquia mais indicada para ganhar o Super Bowl depois do jogo de estreia, mas qual foi o último time que ganhou a grande final do futebol americano com o QB do futuro no banco?

Los Angeles Chargers: Lesões. Amamos a franquia secundária de Los Angeles muito mais do que o povo da cidade, mas é difícil acreditar que esse time possa estar saudável em novembro – quanto mais em fevereiro.

Oakland Raiders: Tudo bem que, no final das contas, tudo acaba em dinheiro. Mas um time cujo dono se vendeu para Las Vegas não merece ganhar nem rifa de escola.

NFC West

Arizona Cardinals: Vamos combinar que Drew Stanton não tem bola para ganhar nada na pós-temporada, não é? O que? Você realmente acredita que Carson Palmer aguenta vivo 19 jogos?

Los Angeles Rams: O espírito de Jeff Fisher ainda ronda os corredores, o que deverá garantir mais uns três anos de campanhas com 8 vitórias em ritmo de “reconstrução”.

San Francisco 49ers: Sabe qual o título do nosso preview? “Eu escolhi esperar”. Então esperem.

Seattle Seahawks: Porque, eventualmente, algum jogador da linha defensiva que tem tantas opções vai ter que passar para o outro lado e jogar pela linha ofensiva, que tem como melhor jogador os dibres de Russel Wilson.

AFC East

Buffalo Bills: Se eles não tentarão ganhar, nós também não perderemos tempo tentando justificar porque eles não ganharão.

Miami Dolphins: Se Jay Cutler ganhar um Super Bowl, é melhor mudarmos o nome do site para, sei lá, fly out ou double play e começar a cobrir baseballque pelo menos tem Tim Tebow, uma pessoa bem mais legal do que o Cutler.

New England Patriots: Todo mundo viu o jogo de quinta-feira. Parece bem claro que Tom Brady e a sua dinastia está acabada. É hora de começar a dar ritmo de jogo para o Garoppolo pensando em um 2018 melhor.

New York Jets: Se eles não tentarão ganhar, nós também não perderemos tempo tentando justificar porque eles não ganharão, parte 2.

NFC East

Dallas Cowboys: Qual foi o último time que gerou muitas expectativas na imprensa e não decepcionou? Com Dallas não será diferente.

New York Giants: Não vai ganhar o Super Bowl porque se perde muito tempo elogiando um ataque mediano, sendo que o time terá que ser carregado pela defesa.

Philadelphia Eagles: Porque só de imaginar pessoas comemorando a noite inteira pelas ruas da Filadélfia cantando “fly Eagles fly” incessantemente, o próprio universo atua e bloqueia qualquer alegria que esse povo poderia receber.

Washington Redskins: Kirk Cousins já está pensando e estudando em que cidade da Califórnia ele poderá ser mais rico e feliz.

AFC North

Baltimore Ravens: Cite três jogadores dos Ravens que podem ser considerados Top 15 na liga.

Cincinnati Bengals: Vencer o Super Bowl para os Bengals seria ter mais uma temporada bosta com cinco vitórias e que o dono decidisse fazer uma limpa neste roster desgraçado.

Cleveland Browns: Pequenos passos, pequenos passos. Ao menos já evoluiu o suficiente para ser considerado entre os 31 times sérios da NFL. Nesse ritmo, quem sabe lá por 2031.

Pittsburgh Steelers: Defense wins championships. E esse time é puro ataque – o que fará ser muito divertido, mas não ganhar títulos.

NFC North

Chicago Bears: Até elogiamos bastante, mas não nos EMPOLGUEMOS tanto.

Detroit Lions: Matthew Stafford vai levar Detroit pelo caminho que Drew Brees e Flacco levaram seus times: ganhando muito mais dinheiro do que o time poderia pagar e sacrificando a qualidade do elenco. A diferença é que os outros dois ganharam um Super Bowl antes.

Green Bay Packers: Seria uma pena se football fosse um esporte coletivo e você dependesse da ajuda de outros 52 animais para ganhar algo, não é mesmo, Aaron Rodgers?

Minnesota Vikings: Quem tem dois quarterbacks, na verdade, não tem nenhum. O retorno de Bridgewater vai bagunçar o time e, para ajudar, o Super Bowl é em Minnesota.

*Indianapolis Colts: Eles só perderam os dois melhores jogadores do ataque e o melhor da defesa. E não fazem ideia de quando qualquer um deles voltará. Por ora, não dá mais para chamar os restos mortais de Indy sequer de time.

Podcast #2 – uma coleção de asneiras II

Olá amigos do Pick Six! Um dia histórico: o nosso podcast volta ao ar!

Trazemos as principais notícias das últimas semanas (sobre incríveis jogadores, como Jacoby Brissett, TJ Clemmings e Andy Lee) e, como é habitual no começo da temporada, mandamos aquele tradicional SPOILER. Se você quer evitá-los, não ouça; mas lembre-se: só quem ouvir poderá rir da nossa cara e apontar que erramos ao final da temporada.

Edit 1: precisamos de menos de 10 horas para apontarem nossos erros

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos amadores e estamos em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor. E, dessa vez, estamos mais confiantes que existirá!

O que os olhos veem e o coração sente

Você, leitor, certamente não sabe, mas quando chega o final de julho e começamos a escrever nossas previsões para a temporada fazemos uma espécie de draft para distribuir os times entre os integrantes do site.

Por motivos óbvios, cada um escreve sobre o time que torce, mas os demais estão lá para ser livremente selecionados. As escolhas não têm uma lógica definida. A qualidade do time, por exemplo, não influencia muito nossa vontade de escrever sobre ele: ninguém parecia muito interessado em redigir um texto de duas páginas contando como o New England Patriots já está na final da AFC em 2018, mesmo que ainda estejamos em meados de agosto.

Há, porém, algumas escolhas interessantes, como a do nosso menor aprendiz, que decidiu usar sua primeira escolha com o Los Angeles Rams, por algum motivo que apenas diversas sessões de psicanálise seriam capazes de explicar. Nosso editor chefe usou sua primeira escolha no Cleveland Browns, aparentemente por gostar de escrever sobre fracasso e melancolia.

Os motivos que levaram meus companheiros de site a priorizar escrever textos sobre Rams e Browns não importam. A NFL, ao contrário de alguns outros esportes, é bastante democrática. Podemos torcer por um time e ter simpatia por mais uns dois, cinco ou 31 times. Somos livres para nos fascinar por pequenos detalhes, que muitas vezes são incompreensíveis para os outros, mas que, para nós mesmos, fazem todo o sentido.

Não tive dúvidas na minha primeira escolha: por diversos motivos, o Tampa Bay Buccaneers é o time que mais me interessa em 2017, com exceção do maior de todos, o New York Football Giants. Mas por que o Bucs me fascina e por que o escolhi como primeira opção para escrever um texto sobre seu futuro brilhante?

Pequenos (grandes) laços afetivos

Podemos começar falando de Jameis Winston. Todos nós guardamos na memória algumas jogadas que não se tornam icônicas por não terem impacto profundo no resultado de um jogo ou de um campeonato, mas que são espetaculares e devem sempre ser relembradas.

Jameis Winston foi o responsável pela jogada mais espetacular da temporada 2016 da NFL. O jogo era em Tampa contra o Chicago Bears. O terceiro quarto tinha acabado de começar e o Bucs tinha a bola na linha de 25 jardas do próprio campo em uma 3rd&10. Jameis recebeu o snap e logo foi pressionado pela linha defensiva do Bears. Ao invés de desistir da jogada e aceitar o sack, Winston foi recuando e se esquivando dos defensores até chegar a sua própria endzone.

O sack e o consequente safety eram praticamente inevitáveis, mas Jameis conseguiu deixar os três defensores que ainda o perseguiam para trás, ganhar mais umas 15 jardas e lançar um passe de mais ou menos 60 jardas para o WR Mike Evans.

A jogada resume bem quem é Jameis Winston e por que ele é um dos motivos que me fazem acreditar que Tampa Bay pode chegar longe em 2017. Há uma energia diferente no jogo de Jameis, uma intensidade maior do que vimos na maioria dos QBs.

Ao contrário de idiotas como Jared Goff, Jameis é um líder natural que não desiste das jogadas e carrega o time nas costas, mesmo que aos trancos e barrancos. É como se ele fosse uma mistura da energia de Philip Rivers e da capacidade de improvisação de Ben Roethlisberger. Apesar de ter lançado para mais de quatro mil jardas, seus números não são espetaculares e há muito o que melhorar, especialmente quando falamos em QB rating e fazemos a relação entre número de passes para TD e número de interceptações, que em 2016 terminou 28/18. Jameis ainda precisa cuidar melhor da bola e 2017 deve ser o ano em que ele dará o próximo passo para chegar ao nível de um dos grandes QBs da NFL.

Jameis: isso ainda vai ser grande na NFL.

Uma nova arma

Ajuda para isso não vai faltar: na offseason, Tampa Bay assinou com o explosivo WR DeSean Jackson, que mesmo em fim de carreira deve trazer uma dimensão a mais para o ataque, a da velocidade nos lançamentos em profundidade. Além dele, o Bucs draftou O.J. Howard, que muitos especialistas consideram o melhor TE a chegar à NFL em anos, já que mistura qualidades de bloqueador e recebedor. Normalmente rookie TEs não causam tanto impacto logo em suas primeiras temporadas, mas se isso acontecer o problema não será tão grande, já que em 2016 o Bucs descobriu em Cameron Brate um TE bem efetivo.

Esses jogadores são todos úteis e talentosos, mas são apenas complementos à principal arma de Jameis e mais um dos motivos que me fazem gostar do Bucs. Mike Evans. Em nosso ranking de WRs, fui quem o colocou mais alto, em terceiro, porque acho que ele é um monstro e pode, rapidamente, se tornar o melhor recebedor da NFL.

Evans tem todas as qualidades que um WR top precisa: tamanho, velocidade, agilidade, capacidade de correr rotas e mãos confiáveis. É assustador pensar os números que ele pode conseguir em 2017, levando em conta que as defesas não poderão focar em coberturas duplas ou triplas nele, já que o cobertor será curto se lembrarmos de todos os alvos de Jameis Winston. Somadas todas as dimensões e possibilidades que o ataque do Buccaneers terá em 2017, tenho que confessar que estou apaixonado.

As interrogações

Se existe uma ressalva no encanto que sinto por esse time, é o jogo corrido. Doug Martin é um bom jogador, mas ultimamente está machucado ou suspenso, dificilmente em campo. É difícil contar com ele pra qualquer coisa e houve rumores de que inclusive poderia ser dispensado. Sobram no depth chart Jacquizz Rodgers e Charles Sims, que são razoáveis e podem quebrar um galho, mas não trazem brilho aos olhos.

Filme repetido.

Já a defesa do Tampa Bay Buccaneers não encanta tanto quanto o ataque, mas não chega a atrapalhar ou impossibilitar nossa história de amor. Seu principal jogador é o DL Gerald McCoy, que já está em sua oitava temporada na liga e em 2016 mostrou pequenos sinais de declínio, mas mesmo assim conseguiu sete sacks. Para ajudar os trabalhos de McCoy na linha defensiva, a principal contratação foi o free agent Chris Baker, que chega do Washington Redskins trazendo seus 9,5 sacks, cinco fumbles forçados e 100 tackles em seus dois anos em DC.

No corpo de LBs, o Bucs vai continuar contando com os versáteis Lavonte David e Kwon Alexander, que combinaram para seis sacks e duas interceptações em 2016 e são bons em tackles. A fraqueza da defesa parece estar na secundária: Brent Grimes é um bom jogador, mas já tem 34 anos e está em fim de carreira. Vernon Hargreaves teve apenas uma interceptação em sua temporada de rookie, mesmo jogando razoavelmente bem. O problema é que a profundidade acaba aí. O Bucs parece ter direcionado a maior parte de seus recursos para melhorar o ataque. O time até investiu uma escolha de segundo round no safety Justin Evans, mas é difícil acreditar que sua contribuição seja efetiva já em seu ano de calouro, principalmente em uma divisão com ataques tão potentes.

Palpite: Se fosse obrigado a escolher um time alternativo para chegar ao Super Bowl, seria o Tampa Bay Buccaneers, mas a paixão muitas vezes nos cega. Quero acreditar que o time estará nos playoffs e terá uma participação digna, mas sei que posso estar sendo enganado por mim mesmo. Porém, continuarei otimista e meu coração prevê um surpreendente Bucs na final da NFC.

E se colocássemos a culpa de tudo em Drew Brees?

Bom dia, torcedor dos Saints. Se eu te dissesse que vocês têm um jogador que pode simplesmente largar o time ano que vem e, ainda assim, custar 10 milhões, quanto vocês amariam esse cara? E se esse ser fosse a mesma única fonte de esperança da equipe, com uma média de quase 5000 jardas e garantidos mais de 35 TDs, qual cabeça deveria rolar? A dele ou de Mickey Loomis, o GM que produziu esse contrato?

Histórias de descontrole do salary cap não são raras na NFL, mas talvez o New Orleans Saints seja o melhor exemplo disso; não que Brees não merecesse muito mais, mas em um contexto de dinheiro limitado, seu salário é extremamente proibitivo para a equipe – prejudicando, especialmente, a defesa.

E, por isso, vemos que o grande problema da equipe reside exatamente nesse lado do time (que não tem uma boa campanha desde aquele 2009 incrível em que produziu 39 turnovers), e o próprio Sean Payton já está cansado dessa palhaçada: “Eu só sei que já tivemos jogos que acabam 48-40 suficientes e isso é algo que precisa mudar”.

Considerando que Drew Brees chega aos 39 anos no dia 15 de janeiro, provavelmente assistindo aos playoffs tranquilamente de sua casa, a janela de oportunidade para a equipe vai tornando-se cada vez menor. Especialmente quando o jogador já afirmou que está levando as coisas “ano a ano” – sem falar, entretanto, em aposentadoria. Quem sabe ele só esteja cansado da Louisiana.

Vovô e sua netinha.

Precisamos proteger o nosso dinheiro

Para tirar a pressão do lançador, sabemos que é essencial protegê-lo; não à toa, o time investiu pesado na sua linha ofensiva, substituindo o envelhecido Jahri Evans pelo bom G Larry Warford, vindo de Detroit, e escolhendo o tackle Ryan Ramczyk no final do primeiro round do draft.

Não obstante, nada disso será suficiente se os dois melhores e mais importantes jogadores da linha ofensiva, o LT Armstead e o C Unger (para ajudar ainda mais o time, só entre esses dois há 15M do salary cap parado), não voltarem de suas lesões logo. Por exemplo, Ramczyk, que foi escolhido para ser RT, agora parece ser o substituto do grande Terron Armstead, e sabemos bem como esse tipo de improvisação, ainda mais com rookies, acaba.

Adeus, Cooks; olá, Peterson

A chegada de Ryan Ramczyk, inclusive, é fruto de uma outra movimentação ousada da offseason dos Saints. Brandin Cooks (que é carinhosamente conhecido na melhor liga de fantasy do Brasil, a nossa, como “enganação”) foi repassado ao New England Patriots por duas escolhas desse último draft (Ramczyk, 32º escolhido, e o pass rusher Trey Hendrickson, o 103º escolhido).

A troca aconteceu pelo excesso de talento dos Saints na posição de WR (ou, como já dito, pela capacidade de Brees de transformar medianos em excepcionas), já que Michael Thomas (92 recepções, 1137 jardas, 9 TDs mesmo sendo apenas o quinto WR escolhido no draft de 2016), Willie Snead e os recém-chegados Ted Ginn Jr, que brilhou como opção secundária para Cam Newton, e Coby Fleener – que, esperamos, finalmente alcançará seu potencial em New Orleans se conseguir manter-se saudável – devem sobrar como opções para Brees.

“Cês me odeiam muito pra trazer tanto substituto, né?”

E se as movimentações no grupo de recebedores foram concisas, no grupo de corredores ocorreu exatamente o oposto. Mark Ingram vem da melhor temporada de sua carreira, finalmente ultrapassando as mil jardas e a média de 5 por tentavia, e parecia finalmente pronto para se tornar mais uma opção segura; Sean Payton e cia, obviamente, pensaram exatamente o oposto, investindo recursos que poderiam ser melhor aproveitados em outras áreas (mais sobre a seguir) na posição.

O lendário Adrian Peterson foi contratado (2 anos, 7 milhões, barato para 90% dos times da liga, mas não para alguém com um cap tão apertado), mas sua capacidade de repetir suas históricas atuações já é questionada – e, bem, ele provavelmente só assinou com os Saints porque o primeiro jogo da equipe é justamente em Minnesota.

Mais questionável ainda foi a seleção de Alvin Kamara no terceiro round do draft; apesar de bom jogador, supõe-se que a defesa precisa receber o talento possível, e um jovem RB atrás de dois veteranos no banco não deverá colaborar com isso.

A defesa (supondo que ela existe)

Está claro que a defesa precisa de ajuda (454 pontos cedidos foram o 2º maior da NFL); não há como culpar diretamente esse ataque liderado por Drew, e tudo indica que esse ano tampouco será possível; mas comecemos com uma boa notícia (prometo, deverá ser a única): Cameron Jordan, DE caso você não conheça esse mito, é um dos melhores pass rusher da NFL mesmo tendo conseguido apenas 7.5 sacks em 2016. Sua média de pressão colocada no QB só é inferior a Von Miller e JJ Watt, de acordo com dados do site PFF, ou seja, podemos estabelecer ao menos um não-culpado.

Mas Cam não deverá ter muita ajuda: o time trouxe Alex Okafor de Arizona porque ele é amigo de Kenny Vaccaro – mas em seus quatro anos pelos Cardinals ele não conseguiu 15 sacks totais. O LB Hau’oli Kikaha vem de uma lesão no joelho, sempre complicada para os grandalhões e o já comentado Trey Hendrickson deverá precisar de um tempo para adaptar-se à velocidade da NFL.

Para piorar os problemas no front-seven, o DT Nick Fairley, titular em todas as partidas de 2016, teve um problema de coração detectado e dificilmente jogará essa temporada. Ao menos outro rookie, o LB Alex Anzalone, tem aproveitado bem as oportunidades que recebeu na pré-temporada e já é considerado titular no depth chart.

“Palmas pra vocês… Vocês merecem o título de pior defesa do mundo.”

Para finalizar o assunto de rookies, o CB Marshon Lattimore, primeira escolha do draft do time, não deverá encontrar seu antigo companheiro de secundária de Ohio State Vonn Bell para tentar ao menos não ser a pior defesa contra o passe da liga; outra grande razão para isso foram as lesões do bom safety Kenny Vaccaro e do melhor jogador defensivo do time em 2015, o CB Delvin Breaux. Se os quatro conseguirem estar juntos em campo, as coisas ao menos não serão tão deprimentes – mas talvez estejamos sendo muito otimistas, especialmente considerando que os dois cornerbacks já não têm sido presença constante nem mesmo no training camp.

Palpite: 7-9. Normalmente olhamos jogo a jogo e tentamos fazer uma previsão de quais partidas a equipe pode vencer para dar um palpite mais aproximado da realidade, mas o New Orleans Saints é especial pelo simples fato de que essa é a campanha desde 2014 e não parece que as coisas tenham mudado o suficiente, especialmente com a quantidade de lesões que perturbam o training camp da franquia, sejam elas mais ou menos graves. Com sorte, ano que vem Drew Brees larga essa zona e a campanha poderá mudar (para pior).

Tentando curar a grande ressaca

Se a ascensão foi rápida, a queda foi ainda mais intensa. E agora, novamente, o Carolina Panthers se encontra no chão, tentando escalar a montanha mágica com um misto de novos e velhos talentos. Claro, o “velho” não é tão velho assim: Cam Newton recém completou 28 anos, e entra em sua sétima temporada na NFL – o grande “porém” é que, inegavelmente, ele deu alguns (vários) passos para trás em 2016, com uma de suas temporadas profissionais com menor percentual de passes completos, apenas 52,9%; além disso, seu YPA esteve abaixo de 7 pela primeira vez, enquanto seu touchdown-to-interception ratio, que antes figurava em 35:10, chegou a 19:14.

O fato é que, após chegar ao Super Bowl, em um ano com 15 vitórias e apenas uma derrota, a temporada que passou trouxe um choque de realidade a franquia da Carolina do Norte. Para o novo ano, Newton, além da pressão inerente por retornar ao nível que o levou ao MVP em 2015, terá ainda que superar uma lesão em seu ombro após uma cirurgia em meados de março.

As novas armas

Para recuperar a força ofensiva, o Panthers investiu alto no draft para dar nova vida a um sistema que parecia velho e lento em 2016: o RB Christian McCaffrey e WR Curtis Samuel entrarão rapidamente em campo para adicionar velocidade e juventude ao Carolina.

McCaffrey será uma arma extremamente versátil no arsenal ofensivo e se, por um lado deve dividir carregadas com os restos mortais de Jonathan Stewart, será ainda um alvo de Newton, principalmente em formações como slot. Já Curtis traz um estilo de jogo comparado aos bons tempos de Percy Harvin (você, jovem, já não lembrará dessa época) e pode explodir em campo sempre que receber a bola.

Chama “esperança” isso aí.

Samuel já é um cenário melhor que confiar em Ted Ginn e sua mera presença anima um corpo de recebedores que flertou com a irrelevância na temporada passada: Kelvin Benjamin, talvez então o alvo mais confiável de Cam, parecia lutar contra lesões e seu próprio corpo em 2016 e nunca efetivamente se reencontrou, enquanto Devin Funchess talvez tenha se consolidado como uma das maiores decepções a já pisar em Charlotte – com incríveis 23 recepções para 371 jardas em um 2016 já distante.

Mesmo assim, o alvo preferido de Newton continuará sendo o TE Greg Olsen – amanhã e enquanto ele ainda tiver forças para estar em campo. É ótimo ter alguém como Olsen para confiar, já que é impossível sequer ter algum resquício de esperança com a OL, setor que tem sido horrível há anos no Panthers e que, claro, tende a continuar fedendo.

Protegendo Cam

Proteger Cam Newton e mantê-lo saudável irá determinar como esta temporada se desenrolará para o Panthers. A aposta para isso foi no ex-Viking Matt Kalil, responsável agora por proteger o lado cego do quarterback – mesmo assim, tudo na negociação, desde o contrato válido por cinco anos e US$55 milhões, é questionável, já que basta perguntar a qualquer torcedor de Minnesota para ouvir que Matt não é um bloqueador decente; a verdade é que Kalil teve um bom início de carreira, mas as inúmeras lesões o trituraram.

O acordo com Kalil, aliás, acabou sendo um dos últimos atos do então GM Dave Gettleman, demitido em meados de julho, em um atitude clara de uma franquia que tem total controle e convicção em seus atos, afinal, demitir um GM após a Free Agency e faltando pouco mais de um mês para o começo da temporada é uma prática que consta em todos os manuais de gestão de uma franquia da NFL.

De todo modo, se Matt tende a ser uma decepção – ou na melhor das hipóteses apenas não irá suprir as altas expectativas -, Carolina tem em seu irmão, Ryan, um dos melhores C da NFL, que terá ao seu lado a companhia de dois G extremamente talentosos: Andrew Norwell e Trai Turner.

Outro ponto positivo para Carolina é que a tabela se mostra significativamente mais fácil em 2017 e da FA ainda desembarcaram o DE Julius Peppers e o CB Captain Munnerlyn diretamente da NFC North, dois veteranos que já jogaram em Charlotte e devem se encaixar relativamente bem no cotidiano da franquia.

Volta, bb!

Reconstruindo a casa

Cam Newton foi o MVP em 2015, mas talvez a principal razão para o Panthers ter chegado ao Super Bowl tenha sido seu sistema defensivo que, assim como toda a equipe, regrediu muito em 2016 graças ao adeus de Josh Norman e as lesões do LB Luke Kuechly.

Para 2017, Carolina terá o primeiro ano de Steve Wilks como coordenador defensivo, substituindo Sean McDermott que assumiu como HC do Buffalo Bills. E, para se sobressair na NFC South enfrentando Jameis Winston, Drew Brees e Matt Ryan, melhorar a secundária é fundamental.

James Bradberry, escolhido na segunda rodada do draft em 2016, jogou muito bem como novato na temporada passada, mas é improvável que ele atinja o status que Norman atingiu em Carolina se não tiver auxílio. A secundária, aliás, foi incendiada na primeira metade da temporada passada, mas evoluiu com o passar do tempo e o entrosamento de James e Daryl Worley.

Já sobre a linha defensiva, o Panthers tem o retorno do já citado Julius Peppers, que obviamente não está ficando mais jovem, mas teve bons números com o Packers em 2016 já com um papel limitado – mesma situação do DE Charles Johnson que aos 31 anos perdeu toda offseason por conta de uma cirurgia e precisará ter seu tempo em campo dosado.

Inegavelmente, o grande trunfo do sistema defensivo do Panthers é o corpo de LBs – mesmo que esse não tenha sido o caso após a concussão de Kuechly. Luke, porém, está de volta e junto com Shaq Thompson e Thomas Davis formam o melhor trio da posição na NFL.

Palpite: Mesmo com todas as mudanças e a tentativa de reconstruir o sistema defensivo, a chave para o sucesso do Panthers ainda é Cam Newton: ele precisará usar as novas armas de maneira eficaz e também precisará se livrar da bola mais rapidamente, já que conta com uma OL capaz de passar vergonha no college. Além disso, precisará vencer jogos no quarto período, o que esteve longe de ocorrer em 2016. E mesmo que Carolina tenha cercado seu quarterback com uma boa equipe, o topo da montanha só será alcançado se, de alguma forma, Cam atuar como em 2015 (antes do Super Bowl, claro). Bom, não vai acontecer e 8 vitórias é uma realidade mais palpável.

 

45 minutos no paraíso e a próxima grande decepção

Quem gosta de esportes precisa saber conviver com derrotas. Mesmo os melhores times estão sujeitos a elas. Essa constatação é bastante óbvia e todo torcedor a conhece muito bem. Mas existem algumas derrotas especiais, que causam cicatrizes profundas e podem se tornar verdadeiras maldições. O colapso épico que o Atlanta Falcons sofreu no Super Bowl LI é uma delas.

Aceitemos: coração sofrido do torcedor do Falcons só vai parar de sangrar quando o time vencer a grande final da NFL e levar o Lombardi Trophy para casa. Qualquer coisa diferente disso será apenas um prolongamento do sofrimento iniciado quando o placar do jogo contra o New England Patriots estava 28×3 para Atlanta e tudo começou a desmoronar.

A reviravolta no placar do Super Bowl foi tão inacreditável quanto o desempenho do Atlanta Falcons em 2016. O time produziu um dos mais eletrizantes e prolíficos ataques da história da NFL, que colaborou, inclusive, para que o QB Matt Ryan, até então um jogador apenas bom, fosse eleito com sobras o MVP da temporada. Seus principais companheiros de ataque não ficaram atrás: o WR Julio Jones recebeu para 1400 jardas e o RB Devonta Freeman conquistou mais de 1500 jardas totais e anotou 13 TDs. Freeman certamente teria sido o MVP do Super Bowl, se o Falcons não tivesse jogado tudo no lixo. O ataque era tão bom que até os coadjuvantes conseguiam estatísticas melhores que os titulares de muitos times: o RB Tevin Coleman, por exemplo, se aproximou das 1000 jardas totais e conseguiu 11 TDs.

Até aqui tava tudo bem.

Máquina perfeita e os novos ajustes

O ataque do Atlanta Falcons do ano passado era uma máquina em perfeito funcionamento. A boa notícia para os ainda incrédulos torcedores de Atlanta é que todos os jogadores que faziam parte dessa engrenagem super eficiente continuam no time em 2017.  Nenhuma perda significativa aconteceu. Julio Jones continua sendo, talvez, o melhor WR da NFL. Devonta Freeman deve continuar sendo um dos melhores RBs da liga e Tevin Coleman tem tudo para melhorar e até igualar as performances de Freeman. Mohamed Sanu, Taylor Gabriel e o TE Austin Hooper também são jogadores suficientemente bons para complementar as performances das estrelas.

Até aí tudo parece nos trilhos para que as excelentes performances ofensivas continuem em 2017, mas a má notícia é que o responsável por construir esse ataque maravilhoso e coordená-lo foi embora. Kyle Shanahan, coordenador ofensivo do time em 2016, hoje é head coach do San Francisco 49ers.

Shanahan foi muito criticado pela maneira com que chamou as jogadas no segundo tempo do Super Bowl perdido para o Patriots. As críticas foram justas, já que Atlanta desperdiçou diversas oportunidades de fazer o relógio correr e deixou tempo demais para Tom Brady se transformar ainda mais em mito, mas não se pode tirar o mérito do ataque histórico que ele construiu e é preciso, desde já, admitir que Kyle fará falta.

Seu substituto será Steve Sarkisian, técnico que teve longa carreira no college e algumas passagens curtas na NFL. Sarkisian terá o desafio de manter a máquina funcionando como em 2016, mas já é possível adiantar que não conseguirá. Atlanta não repetirá a temporada ofensiva histórica do ano passado, mas continua tendo o talento necessário para ser um dos melhores ataques da NFL. A regressão é certa, mas resta saber se a ressaca da sofrida derrota no Super Bowl não causará estragos maiores às perturbadas mentes dos Falcões de Atlanta.

O outro lado da bola

As críticas às chamadas ofensivas quando o Alanta Falcons tinha a liderança no segundo tempo do Super Bowl são justas, mas é importante lembrar que a defesa parece ter entrado em estado de choque e apenas assistiu o desfile do New England Patriots para a glória.

É difícil explicar o que realmente aconteceu nos últimos 20 minutos do jogo, já que o sistema defensivo do Falcons incomodou bastante Tom Brady e dominou completamente a partida até a metade do terceiro quarto. Para 2017, a pergunta que fica é: qual defesa do Falcons vai aparecer? A que entregou o jogo para Tom Brady? Ou a que tomou apenas três pontos do poderoso Patriots em metade do Super Bowl e limitou Aaron Rodgers e Russel Wilson a jogos ruins nos playoffs da NFC?

O que sabemos é que o head coach Dan Quinn parece não ter ficado muito satisfeito com o que viu em 2016, já que demitiu o coordenador defensivo Richard Smith para promover o então técnico de defensive backs Marquand Manuel ao cargo.

O futuro a Ele pertence.

O despertar da força?

A principal força da defesa agora comandada por Manuel deve ser a linha defensiva. Vic Beasley liderou a liga em sacks em 2016, com 15,5 e é o principal jogador da defesa. A ele se juntam o lendário e amigo do Pick Six Dontari Poe e a escolha de primeiro round do draft de 2017, Takkarist (grande nome) McKinley, que formam um grupo de respeito tanto contra o jogo corrido quanto colocando pressão nos QBs adversários.

Na secundária, completamente exposta por Tom Brady no segundo tempo do Super Bowl, o principal nome é Desmond Trufant, que retorna de uma contusão no peitoral que o tirou da temporada na semana 9 de 2016, quando já havia se tornado um dos verdadeiros shutdown CBs da NFL.

Trufant fez muita falta e deve comandar uma secundária com jogadores inexperientes, mas com bastante potencial, como o safety Keanu Neal. Não é uma unidade em que se possa confiar totalmente e a força da defesa do Falcons estará na capacidade de colocar pressão nos QBs. De qualquer forma, com a inevitável regressão da performance do ataque, a defesa do Falcons precisará ser um pouco melhor para vencer uma divisão que tem ataques bastante fortes. Pode acontecer, mas talvez a evolução defensiva não seja suficiente.

Palpite: A empolgação tomará conta da torcida na primeira temporada em seu belo novo estádio e as dores do Super Bowl perdido serão temporariamente amenizadas. O Atlanta Falcons estará nos playoffs, pois ainda é o melhor e mais completo time da divisão, mas a dominação não será tão grande quanto em 2016. Noa pós-temporada, uma vitória é possível, mas a derrota virá e a realidade voltará à tona: a cura para as feridas abertas se chama Lombardi Trophy –  ele ainda demorará um pouco para desembarcar em Atlanta.