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O primeiro jogo do ano – e do resto de nossas vidas

Parecia que a temporada do Green Bay Packers duraria pouco mais de 20 minutos. Rodgers poderia ter sofrido uma séria lesão no joelho mesmo antes da metade do segundo quarto do primeiro SNF e, de repente, talvez estivéssemos vendo um dos maiores QBs de sua geração desperdiçar mais um ano de seu auge: quando Aaron Rodgers se dirigiu aos vestiários, qualquer apaixonado por football prendeu o ar e pensou “de novo”? E, bem, a expressão do quarterback convergia com aquilo estávamos pensando.

Os próximos atos do roteiro indicavam o pior cenário possível para os torcedores do Packers: Green Bay seria triturado logo na semana #1, contra seu maior maior rival. Khalil Mack fazia o backup, DeShone Kizer, parecer uma criança indefesa assistindo a um filme de terror e, bem, ali mesmo já era claro que seria um longo ano se Kizer fosse o titular nas próximas semanas.

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Mack, ao respirar, MOVIMENTAVA O AR e transformava Kizer em um atleta amador (talvez ele seja isso aí mesmo e errado é quem espera algo diferente). Khalil logo conseguiu um sack, uma interceptação, forçou um fumble e anotou um touchdown em poucos minutos ou tudo no mesmo lance (se você estivesse dopado pelo medo, seria incapaz de distinguir): em pouco tempo, Chicago abria 17 pontos de vantagem no Lambeau Field pela primeira vez desde 1948.

Restava a nós, meros mortais, amaldiçoar o front office de Green Bay eternamente por ser incapaz de cercar Aaron por algum talento capaz de lhe auxiliar, e culpar Mike McCarthy (essa é fácil) por todos os seus crimes inafiançáveis contra o esporte (em breve uma lista própria sobre o tema).

Você já viu o que McCarthy é “capaz” de fazer com um time quando não tem um HoF QB ao seu dispor, e ninguém em sã consciência teria prazer em assistir uma continuação deste filme.

Um quase (não) retorno

Quando Aaron retornou no terceiro quarto, os Bears logo abriram 20 pontos de frente – e o quarterback claramente não estava saudável: ele se protegia, tentava permanecer dentro do pocket (o equivalente a uma tentativa de suicídio quando consideramos a OL de Green Bay) e alterava seu posicionamento para evitar sobrecarregar a perna esquerda.

Mas como o próprio Aaron Rodgers afirmaria na entrevista pós-jogo, para retornar a uma partida, basta “fazer algumas boas jogadas” – facilita, claro, quando se é Aaron Rodgers, e não DeShone Kizer. Não estamos falando de ciência aeroespacial aqui, afinal. 

Algumas jogadas depois, Aaron completou cinco passes em um drive, que terminaria com um FG de Mason Crosby; a vantagem do Bears voltava para 17 pontos, mas agora restavam apenas 15 minutos no relógio. Não era uma cenário necessariamente tranquilo. 

Mas quando o Packers recebeu a bola novamente, já no último período, Rodgers precisou de apenas seis jogadas – em quatro delas, ele encontrou Geronimo Allison para, na última delas, conseguir um touchdown de 39 jardas em que a bola FLUTOU EM UMA PARÁBOLA CELESTIAL, reduzindo o déficit para apenas 10 pontos. Convenhamos: ali, você já sabia o que estava por vir.

Um novo three-and-out de Chicago deu mais uma injeção de ADRENALINA ao Packers que, aproveitou a chance com uma conexão de 51 jardas para Davante Adams – que, três jogadas depois, anotaria o TD. Naquela altura, era evidente o colapso mental que rondava o Bears. Mesmo após marchar quase um campo inteiro, o time conseguiu apenas um FG, insuficiente para selar a vitória – a vantagem no placar era de apenas 6 pontos. 

Segundas chances

Pouco menos de três minutos e uma jogada que poderiam ter selado a partida. Logo na primeira tentativa, Kyle Fuller poderia ter interceptado Rodgers, mas dropou a pelota, em um lance aparentemente fácil para um atleta de seu nível.

Contra Aaron Rodgers, tudo que você pode pedir aos céus é uma chance para terminar a partida. Contra Aaron Rodgers, tudo que você não pode ceder, é uma segunda chance: duas jogadas depois, ele encontrou Randall Cobb no meio do campo – e Randall correu 75 jardas para a glória.

Cobb é inegavelmente quem tem mais méritos no sucesso dessa jogada específica – e também inegavelmente o sistema defensivo do Bears teve uma crise de caibrã mental naqueles segundos. Mas, mesmo que tentemos negar, desde o passe para Geronimo Alisson, um lançamento que nenhum outro ser humano poderia fazer, sabíamos o que os próximos minutos reservavam: após um início com apenas três passes completados em sete tentativas e uma lesão, Rodgers terminou a partida com 20 passes (em 30 tentados), para 286 jardas e três TDs – todos no último período.

Algo possível apenas para alguém capaz de fazer uma torcida inteira acreditar graças ao simples fato de estar em campo.

O outro lado

A então improvável vitória de Green Bay também é fruto de uma série de decisões no mínimo questionáveis de um HC em sua primeira temporada e um QB de 24 anos e apenas 13 partidas como profissional (além de uma dúzia delas em sua carreira universitária).

Durante a primeira etapa (e aqui se inclui o período com Rodgers em campo), o Bears expôs todas as fraquezas do sistema defensivo de Green Bay, tripudiando daquilo que parecia algo formado por torcedores sorteados antes da partida para trajar uniformes e entrar em campo: os RBs Tarik Cohen e Jordan Howard alinhavam no backfield, o OT Charles Leno abria espaços como se estivesse DANÇANDO BALÉ e Clay Matthews tinha como estatística a incrível média de “uma vergonha” por snap. 

Após anos sofrendo nas mãos de John Fox, Chicago enfim tinha um sistema ofensivo criativo e moderno. No fundo, o Packers só chegou com alguma chance ao terceiro período, porque o LB Blake Martinez era um pequeno sopro de dignidade dentre os “defensores”. Sim, Blake Martinez era o melhor jogador de Green Bay em campo. Leia novamente até acreditar.

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Mas com a mesma velocidade que essa sensação de que um novo ataque havia desembarcado em Illinois chegou, ela desapareceu. Durante todo o segundo tempo, Trubisky se limitou a procurar Cohen e Howard (Allen Robinson e Taylor Gabriel eram meros figurantes), sua confiança diminuiu e algumas oportunidades com recebedores livres foram desperdiçadas.

Claro, não se pode colocar toda a conta da derrota no jovem QB, e sua atuação nos dois últimos períodos tornam a decisão de Matt Nagy em uma jogada crucial, capaz de cravar um punhal em Green Bay, ainda mais questionável: em uma 3&1, com pouco menos de três minutos restantes, na linha de 14 jardas do campo de ataque, Chicago tentou um passe para Anthony Miller que acabou incompleto e resultou em um FG – naquela altura, o jogo estava 23 a 17 e, bem, já falamos sobre como essa história termina.

Nesse instante, a defesa do Bears já não era a mesma: Mack foi incrível nos dois primeiros quartos, mas esperar que ele mantivesse o mesmo nível por 60 minutos com apenas uma semana de treinos seria irreal – tanto que nos últimos períodos ele passou uma quantidade significativa de snaps na linha lateral e, quando esteve em campo, encontrou dificuldades para vencer o RT Byan Bulaga (que havia tido uma atuação trágica antes do intervalo).

Mesmo assim é evidente que melhores dias para a defesa do Bears, com Mack e Roquan Smith cada vez mais entrosados, são mera questão de tempo: tudo que aconteceu em Wisconsin são ótimos sinais a se apegar, sobretudo para uma franquia que precisava desesperadamente de novas perspectivas.

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E não há nada de errado em se agarrar ao “se”: “se” Fuller não tivesse dropado uma interceptação fácil, “se” Howard tivesse corrido aquela maldita jarda ou “se” Mitch enxergasse WRs livres, o Bears teria saído com a vitória.

Claro, não se vive de “se” (já diria o ditado: “se estivesse um rio aqui, eu estaria pescando, e não escrevendo merda“), mas há diversas novas possibilidades que valem a pena ter em conta quando olharmos os próximos passos do Chicago Bears em 2018.

Na primeira partida, porém, uma festa que parecia certa foi estragada. Mas foi estragada por uma dos melhores jogadores da história. Não há motivos para desespero: os dias de Chicago na NFC North podem (e devem) chegar em breve. Desde que, claro, Aaron Rodgers não consiga se apoiar em pé no Lambeau Field.

Homens causando (e passando) medo

Nunca é fácil escrever (e por escrever aqui queremos normalmente dizer “falar mal”) sobre o que time que se gosta, mesmo que tal tarefa não possa ser delegada a algum dos outros marginais que também fazem parte desta “mídia” (só os mais antigos entenderão).

Além disso, é ainda mais difícil escrever sobre um time que perdeu o que parecia ser sua grande chance na hora da verdade para ninguém menos que Nick Foles, enquanto se acredita que agora se pode chegar mais longe do que da última vez.

A razão disso, além da defesa sobre a qual dedicaremos mais linhas do que são devidas para contar suas fortalezas, é o novo quarterback que, quando Mike Zimmer chegou em Minnesota, era uma possibilidade inimaginável: Kirk Cousins, que assinou um contrato de três anos e 84 milhões de dólares com o único objetivo de ganhar o primeiro título da história dos Vikings. Qualquer coisa diferente disso será considerado um fracasso.

E não faltam razões para falarmos em fracassos e decepções na história recente de Minnesota: desde Christian Ponder (que, hoje, vemos que não tinha como dar certo), até as insistentes lesões de Teddy Bridgewater – que agora parece destinado a ser feliz em um lugar mais quente e Sam Bradford.

A efeito de potencial, podemos muito bem olhar para a carreira do próprio Nick Foles: QBs branquelos com cara de nerdões podem ganhar um Super Bowl dada a oportunidade correta. Cousins, inclusive, teve muito mais estabilidade do que Foles (isso depois, assim como um dia fizeram com Aaron Rodgers – alerta de comparação esdrúxula gratuita – passar três anos esquentando banco e aprendendo sobre a liga) e tem números para fortalecer seu posicionamento como um dos bons QBs da NFL: como titular, sempre passou para mais de 4.000 jardas e mais de 25 TDs, coisa que os Vikings não vêm desde Brett Favre – outra temporada feliz, mas deprimente.

Como última curiosidade, quando se enfrentaram em 2017, Cousins conseguiu marcar 2 TDs corridos. Quem sabe o homem seja até mesmo uma ameaça dupla (não é, ele correu para 5 jardas).

Diggs, Thielen & Cook

Se no momento em que falávamos sobre QBs importantes da história recente de Minnesota você sentiu falta do último, Case Keenum, saiba que foi intencional para usá-lo como exemplo de quão bom são esses jogadores de suporte: o eternamente medíocre Keenum teve um rating de 98.3, 22 TDs e 3547 jardas lançadas (das quais 2125 acumularam Diggs – hoje 72 milhões mais rico – e Thielen – o primeiro WR de 1000 jardas desde Sidney Rice), além de ter surpreendentemente vencido 11 jogos (mais do que no resto da carreira). Se Kirk Cousins teve um bom desempenho com Josh Doctson e Jamison Crowder, é válido sonhar com números absurdos com o novo trio.

É preciso mencionar também os complementos Kyle Rudolph e Laquon Treadwell. Rudolph foi um alvo importante na redzone para Keenum e produziu 8 TDs, mas segue sendo apenas um TE sólido, que colabora muito com o ataque sem trazer o brilho que outros têm na liga (como, por exemplo, tem Jordan Reed); Laquon Treadwell, por outro lado, teve uma segunda temporada tão decepcionante quanto a primeira, mas o fato de ter se solidificado como WR3 na equipe durante a pré-temporada lhe coloca como o principal coringa de Cousins (que curte distribuir a bola) e pode surpreender na temporada.

Um terror chamado linha (ofensiva)

É importante marcar que essa linha é o ponto de sustentação mais importante desse ataque com potencial absurdo que já falamos até aqui. E é facilmente o maior medo da torcida – vide o trabalho dos Eagles naquela final de conferência inesquecível (por mais que se tente).

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Ainda é impossível apontar exatamente a escalação completa dos Vikings (claro, tal qual os outros times em que erramos bastante também), mas aqui o problema especial é a própria OL. Mesmo após ter melhorado seu desempenho em relação aos tempos de Sam Bradford e Teddy (e talvez parte disso seja a “lendária” presença no pocket de Case Keenum), somente Riley Reiff estará presente na mesma posição de 2017.

Mike Remmers foi movido para o interior e será o RG, enquanto Rashod Hill (que jogou algumas partidas já no ano passado, mas, de acordo com ele mesmo, sentiu a falta de fôlego naquele jogo dramático contra os Eagles) provavelmente lhe substituirá como RT.

Pat Elflein, o C e melhor jogador da linha está machucado, enquanto o time trocou por Brett Jones, que não seria titular nos Giants nesse ano (apesar de ter sido o C titular em 2017), e contratou Tom Compton – desses três, deverão sair dois titulares (e se você não tem um titular definido a essa altura do campeonato, já sabemos que algum problema está aí).

Outro terror também chamado linha (defensiva) – e mais alguns amigos ricos

Se por um lado a estabilidade do ataque passa pela linha ofensiva, o caminho para a terra prometida passa pela defesa. Uma das histórias mais interessantes da offseason eram os Vikings tentando achar dinheiro para pagar Kirk Cousins, a melhor opção de QB no mercado, sem ter que abrir mão de importantes peças defensivas – e, ao que tudo indica, conseguiram até mais do que isso, pelo menos para 2018.

Principalmente porque a grande contratação de 2018 pode acabar sendo Sheldon Richardson ao invés de Cousins: no ano passado, a equipe não contava com um verdadeiro 3T como um dia teve Kevin Williams para destruir defesas pelo meio e agora tem, logo ao lado do monstruoso e imparável Linval Joseph.

Para piorar, do lado de cada um deles, estarão Everson Griffen, que dispensa comentários além dos seus 13 sacks (maior marca da carreira, ou seja, ainda está melhorando), e Danielle Hunter que, se não produziu números em 2017 (7 sacks em sua primeira temporada como titular absoluto), sua capacidade de cheirar cangotes de QB e empurrar gordinhos da OL está posta no papel na forma dos mesmos 72 milhões que recebeu Stefon Diggs.

Na rotatividade dessa linha, inclusive, deverá ser incluído o já mencionado Anthony Barr, única estrela de 2017 que ainda não recebeu um novo contrato, que com a saída de Brian Robison (dispensado), deverá ter a oportunidade de caçar QBs da linha como fazia na época da universidade. O seu companheiro, Erick Kendricks, também ganhou contrato novo, mas mais modesto: só 50 milhões.

A secundária, que disputou em 2017 e deverá disputar em 2018 com a dos Jaguars pelo posto de qual cede menos aos adversários, também tem reforços novos, tanto em campo como nas sidelines: ao invés de escolher um jogador de linha ofensiva como todos esperavam, na primeira rodada do draft os Vikings pegaram Mike Hughes, CB maloqueiro e aparentemente já tem dado resultados na difícil posição do slot, tirando a relevância de Mackesie Alexander. Como novo treinador, o time contou com a aposentadoria de Terrance Newman, que chegou ao fim de sua carreira interminável e seguirá como apoio.

Treinados por Newman (“técnico de defesa nickel”, no título oficial), deverá se repetir o grupo que jogou com ele em 2017: as estrelas Xavier Rhodes e Harrison Smith, que frequentemente são colocados como os melhores ou entre os melhores das suas posições, opostos por Trae Waynes e Andrew Sendejo, que um dia foram considerados medíocres, mas a temporada de 2017 apenas consolidou a evolução deles e o esperado é que isso siga para 2018 (sob pena de serem ameaçados por jogadores como o próprio Alexander e George Iloka, velho conhecido de Zimmer que veio por um salário mínimo para brigar pelo seu lugar ao sol).

Palpite:

13-3, sem medo de ser feliz. Uma das derrotas, a mais previsível de todas, será contra os Bears no Soldier Field – porque os Vikings nunca ganham lá e temos medo de Khalil Mack. Outra, será contra os Eagles para enterrar qualquer esperança de que a equipe possa chegar ao título da NFC – e motivará o time para a grande final da conferência. É importante, e devo falar aqui como torcedor, acreditar que a vingança virá. E aí o drama de enfrentar um Super Bowl fica para outro texto.

A dicotomia em forma de time

As franquias da NFL podem ser explicadas pela seguinte relação antagônica: há aqueles times que só precisam de um QB para se tornarem competitivos e outros que possuem seu signal-caller, mas pecam em todo o resto. O Green Bay Packers é um exemplo da segunda parte desse fenômeno. Após anos com Brett Favre no comando, sucedidos por anos de Aaron Rodgers, a franquia é daquelas raras situações de estabilidade longeva na posição de quarterback que só conseguimos ver se repetir com o Indianapolis Colts (nesse caso mais na cagada mesmo). 

Ao contrário do coirmão da AFC, os Packers já estão na etapa final de seu segundo first ballot hall of famer QB seguido, e Rodgers possui só um anel de campeão nos dedos para mostrar aos coleguinhas. Após o título do Super Bowl XLV, Green Bay bateu na trave do Grande Jogo duas vezes nas últimas quatro temporadas, e é urgente que o time consiga chegar lá novamente, já que dificilmente conseguirá dar sequência ao alto nível de seus quarterbacks quando chegar a hora de Aaron curtir a aposentadoria.

Brinquedos novos no ataque

É perceptível que é impossível desassociar as pretensões dos Packers à disponibilidade de Aaron Rodgers em campo. O QB mostrou por vezes e vezes que se tiver a última bola do jogo, o torcedor de Wisconsin já pode ir comemorando por que a vitória é certa (pergunte para um amigo torcedor dos Cowboys. Só por diversão mesmo). Ao mesmo tempo que, em caso de lesão, a temporada do time está acabada – o que surpreendeu a diretoria do site, que pagou para ver Rodgers e levou uma atuação de gala de Brett Hundley.

Quase como uma maldição que assombra os QBs de elite (pense em Joe Flacco, por exemplo) da NFL, Rodgers é quase que obrigado a transformar jogadores medianos em peças funcionais de seu ataque. Basicamente, tirar leite de pedra. E assim será mais uma vez na temporada de 2018. Os Packers dispensaram Jordy Nelson e estão colocando Randall Cobb no trade block (mesmo que aleguem não ser verdade). Jeff Janis e Richard Rodgers também saíram, apesar de serem nomes de final de rotação.

Como reposição, chegaram os TEs Jimmy Graham e Marcedes Lewis, sendo que essas foram as únicas adições relevantes para o ataque. Calouros de ataque, entretanto, apenas os recebedores J’Mon Moore (133ª escolha) e Equanimeous St. Brown, que pode até não vingar, mas já é um dos melhores nomes da liga. No jogo corrido, os Packers precisam lidar com o comitê composto por Jamaal Williams, Aaron Jones e Ty Montgomery, nenhum deles excepcional de fato.

A linha ofensiva tem bons nomes em David Bakhtiari e Bryan Bulaga, mas após as saídas de Josh Sitton e TJ Lang vem tendo problemas com a parte interior. O center Corey Linsley parece estar completamente recuperado, enquanto Lane Taylor e Justin McCray completam o grupo titular.

Taticamente, é inegável que o ataque é dependente da capacidade de Rodgers, mas até aí o leitor deve estar pensando “até eu” (e todos os outros 31 times seriam). O trabalho de Mike McCarthy e Joe Philbin (coordenador ofensivo) aqui visivelmente é integrar melhor o jogo corrido, e encontrar um RB principal de facto, mesmo com a possível deficiência no interior da linha ofensiva.

Em relação aos recebedores, por mais que queiramos divagar sobre a contribuição de cada peça, a verdade é que Aaron Rodgers os fará produzir mais que o normal, a menos que o jogador seja incrivelmente ruim. Nesse caso, destaque para Jimmy Graham, cuja principal característica é jogar em times que tenham bons QBs, e será fator preponderante para o ataque dentro da redzone

Defesa em reformulação

Os Packers tiveram Don Capers por anos como coordenador defensivo. Como mostramos nessa análise tática do ano passado, o trabalho do coordenador por anos funcionou, mas caiu obsoleto nas últimas temporadas. A conta chegou e Capers acabou demitido, e para seu lugar foi trazido Mike Pettine. O treinador estava sem trabalho na liga desde a passagem como HC dos Browns, terminada em 2015.

Pettine foi formado sob a árvore do lendário Brian Billick, técnico dos Ravens no início da década de 2000, e teve seus últimos dois trabalhos como coordenador defensivo muito bons, nos Jets (2009 a 2012) e nos Bills (2013). Seu esquema é baseado em um front com jogadores com biótipo de 3-4 baseado em leituras de esquemas 4-3, uma defesa versátil, como disse o próprio a ser anunciado.

A defesa de Mike Pettine é focada no pass rush, e apresenta como principais formações os fronts do tipo sink, odd e over. Teorias de defesa típicas do 4-3, mas que Pettine aplica com atletas de biótipo de 3-4. Essas formações facilitam a aplicação do pacote nickel, mantendo a responsabilidade dos jogadores aos gaps. Os atletas da linha com “mão na terra” alinham-se em techs amplas, enquanto os linebackers cobrem os espaços internos. No front over, o pass rusher vai alinhar em frente ao tight end adversário, e essa responsabilidade será dividida entre Clay Matthews e Nick Perry de acordo com a situação jarda/descida.

Como dito anteriormente, no esquema de Pettine os DEs e DT alinham-se em techs amplas. Nesse caso, o objetivo é dobrar o rush nos OTs, aproveitando-se da capacidade física de bend dos atletas da defesa. Para isso, Mike Daniels e a nova contratação Muhammad Wilkerson serão essenciais para gerar esse cenário de double team, forçando os adversários a tirar TEs e RBs de execução de rotas.

Nota do editor: Eu também pulei essa parte.

Em questão de curva de aprendizado, o leitor deve estar se perguntando se um sistema assim não é complexo o suficiente a ponto de gerar o mesmo contragolpe do fire zone blitz de Don Capers. A resposta é sim, de certa forma. Porém, com a diferença de que, à princípio, o objetivo de Pettine é gerar interceptações de pressão, enquanto Capers tentava criar confusão na leitura do QB a reconhecer a secundária pré e pós-snap. De qualquer forma, a princípio, a chegada do coordenador defensivo é excelente para facilitar a vida da secundária, que por vezes nos últimos anos esteve entre as piores da liga, mas agora terá vida mais fácil em função do novo modelo de jogo.

Palpite

Por mais que haja a promessa de melhora defensiva, a temporada dos Packers ainda inevitavelmente depende da saúde de Aaron Rodgers. Se o QB permanecer saudável, os Packers são favoritos a vencer a NFC North, pendendo o desempenho contra a defesa dos Vikings. Devido a esse confronto, a campanha do time deve variar entre as 10 e 12 vitórias. Depois disso, seja o que Deus quiser.

Senso de urgência

Muito era esperado do Detroit Lions e de quebra de Matthew Stafford quando o quarterback assinou um contrato de 6 anos e US$135 milhões em agosto passado. O resultado foi decepcionante: o Lions ficou fora da pós-temporada e Stafford não repetiu as boas atuações de um passado não tão distante. A campanha resultou na demissão de Jim Caldwell e na contratação de Matt Patricia como HC.

Indiretamente é um reencontro em que todos estão apostando: o GM Bob Quinn, responsável pela contratação, passou mais de uma década com Patricia em New England – nas últimas seis temporadas, Matt foi o DC dos Patriots – e o objetivo é implantar o tão alardeado “modelo Patriots” (não sabemos o que isso quer dizer) em uma franquia onde as palavras “sucesso” e “playoffs” teimar em não se encontrar.

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Mas mesmo com contratos até 2022, tanto Quinn como Patricia sabem que há um senso de urgência para vencer agora, com Stafford ainda próximo de seu auge e uma estrutura de apoio que Bob lutou para construir nas últimas três temporadas.

Onde pouco (ou nada) deve mudar

Em meio a todas estas mudanças em SETORES BUROCRÁTICOS, algo permanece imutável em Detroit: Stafford retorna para sua 10ª temporada, com uma sequência de 112 jogos ininterruptos – a terceira mais longa entre os quarterbacks ativos na liga (obrigado, Ben McAdoo).

E mesmo com a chegada de Patricia, o sistema ofensivo não deve sofrer grandes alterações, visto que o OC Jim Bob Cooter, com quem o QB tem ótima relação, foi mantido – Matthew tem médias de 66.3% de passes completados e 270 jardas desde que Cooter assumiu o cargo durante a temporada de 2015.

É inegável que lesões, sobretudo na OL, destruíram o final de temporada do Lions. A ausência de Taylor Decker, que só retornou em novembro (e, claro, sem ritmo), foi fundamental para o declínio do setor; além dele, Rick Wagner, TJ Lang e Travis Swanson perderam um par de jogos por contusões. Para 2018, se o setor permanecer saudável (e espera-se que permaneça), Detroit já terá um ótimo ponto de partida – em 2017 foram 12 combinações diferentes em 16 partidas.

O ataque terrestre também deve evoluir – e, bem, aqui não é como se regredir fosse uma opção. LeGarrette Blount e a escolha de segundo round Kerryon Johnson devem dividir o trabalho pesado enquanto Theo Riddick pode continuar como uma excelente opção em 3rd downs – Ameer Abdullah, se Deus for justo, em breve estará longe de Detroit e também da NFL.

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Já o ataque aéreo é praticamente o mesmo e não é como se ele precisasse mudar: Golden Tate, Marvin Jones e Kenny Golladay são as principais armas. Jones vem de uma temporada de 1.101 jardas, e não há razão para crer que ele não repetirá os números. Golden Tate também ultrapassou a marca das mil jardas (com 92 recepções), enquanto Golladay é jovem e já mostrou potencial e espaço para evoluir.

O reforço, porém, não está em uma contratação, mas sim em uma AUSÊNCIA: Eric Ebron, pela graça de Martha Firestone Ford, está longe de Detroit e foi iludir pobres almas em Indianapolis. Seu substituto será Luke Wilson (ex-Seattle Seahawks), agora com mais de espaço para tentar adquirir um pouco que seja de protagonismo, além de Levine Toilolo, que pouco (ou nada) fez em Atlanta, mas ao menos tem um nome legal.

Mas a verdade é que isso pouco importa: até mesmo um cone seria mais eficiente que Ebron. Boa sorte, Colts, e lembre-se da sabedoria popular: “o problema de ter um pereba no elenco é que, hora ou outra, ele precisará jogar“.

Onde muito (ou pouco) pode mudar

Ao contrário do ataque, a defesa do Lions deve mudar; o setor foi patético na última temporada, ocupando a 27ª colocação em jardas cedidas – e tudo começou a ruir com a lesão de Haloti Ngata na semana 5. E se não deve mudar muito em nomes, ao menos deverá ter alterações em estilo de jogo, já que espera-se que Patricia implante conceitos trazidos de New England.

Devon Kennard chegou na free agency para ajudar o corpo de linebackers – da FA também vieram Christian Jones e Jonathan Freeny. Ezekiel Ansah, agora um dos atletas mais bem pagos de sua posição, retorna com a franchise tag para provar seu valor; na última temporada foram 12 sacks e nos últimos dois anos constantes brigas com lesões.

Já para reforçar a secundária, o Lions tentou trazer Malcolm Butler – mas o perdeu para o Titants. O ótimo Darius Slay (oito interceptações em 2017) precisará de mais ajuda, já que Nevin Lawson tem sido oscilante – DeShawn Shead chegou de Seattle como uma tentativa, mas tampouco conseguiu esquentar os pads e já rumou para a fila do desemprego. Já Quandre Diggs funcionou muito bem como Safety durante o final do ano passado e, ao lado de Glover Quinn, poderá repetir as boas atuações.

Palpite:

Mesmo não chegando aos playoffs pelo segundo ano consecutivo, não se pode dizer que uma campanha 9-7, em uma das divisões mais difíceis da NFL, é motivo para uma implosão completa. Para 2018, com um novo HC e novos métodos, sem no entanto trocar boa parte do roster, é possível imaginar que, em um cenário dos sonhos, o Lions consiga beliscar uma vaga na pós-temporada. A hipótese mais realista, porém, nos lembra que a NFC North é uma verdadeira selva, a tabela é cruel e aposta mais segura é de uma nova frustração em dezembro – bom, não é como se o sofrido torcedor do Lions não estivesse acostumado com decepções.

O respeito voltou

Quando foi a última vez que você respeitou o Chicago Bears pelo que a franquia é no presente? É difícil lembrar. O time não joga os playoffs desde o começo da década e, quando esteve próximo de quebrar a sequência negativa, acabou colapsando de maneira que só Aaron Rodgers é capaz de explicar. Antes de tudo isso, bem… Acreditamos que o amigo leitor não quer gastar seu tempo lendo sobre Rex Grossman.

Essa inércia que só se deslocava em direção a fracassos era representada, principalmente, por Jay Cutler. Você sabe quem ele é. A paciência da diretoria com a apatia de Jay eventualmente se esgotou e, ao final da temporada 2016/17, Cutler foi enfim chutado da franquia.

Para o seu lugar o time foi atrás de Mike Glennon, que nos reservamos o direito de ignorar, já que também foi defenestrado de Illionois. Além dele, o Bears selecionou Mitch Trubisky no draft, gastando – desnecessariamente – algumas escolhas para isso. Após anos vivendo a experiência Jay Cutler, Chicago percebeu que uma equipe reflete o seu quarterback. Se ele é um vencedor, a franquia tende a seguir o mesmo caminho. Se não é… Bem, existem outros esportes para acompanhar.

Por isso, a escolha de Mitch simboliza a virada nos rumos de um time que, além de tudo, carecia de uma personalidade. Agora, com seu novo QB – e seu contrato de calouro – o Bears espera montar uma equipe jovem, dinâmica e capaz de competir com a elite da liga.

Iniciando o processo

O início de carreira de Trubisky não foi muito promissor. Após começar no banco de Glennon, o jovem finalmente recebeu a oportunidade para mostrar seu valor. As atuações não inspiraram muito confiança, mas podemos atribuir isso a dois fatores: em primeiro lugar, o sistema montado pelo técnico John Fox era voltado para uma época em que Jon Gruden ainda prestava como HC; em segundo lugar, não era segredo pra ninguém que Mitch não chegava à NFL “pronto”, seria necessário tempo para que ele pudesse moldar seu jogo ao nível profissional.

Em outros tempos, provavelmente não teríamos essa boa vontade com Trubisky. Acontece que, após protagonizar uma das piores temporadas de calouro da história, Jared Goff provou que é possível realizar um grande salto de qualidade e produtividade no segundo ano.

Percebendo as novas tendências ofensivas da liga e o sucesso de Goff em Los Angeles, Chicago decidiu copiar esse processo. Para isso, a franquia buscou Matt Nagy que, assim como Sean McVay, é uma mente ofensiva da nova geração. A expectativa é que Nagy consiga extrair de Mitch resultados semelhantes aos que McVay conseguiu de Goff.

Está saindo da jaula, o monstro (?)

Para dar continuidade ao processo “salvem a carreira de Trubisky e os nossos traseiros da demissão“, o Bears percebeu que precisava de Wide Receivers. Não de Wide Receivers novos ou promissores, de Wide Receivers mesmo. Afinal, uma pequena busca pelos “tops” do time na posição em 2017 tem Titus Davis (conhecido pelo pseudônimo QUEM?) como primeiro retorno. O resto do elenco você pode encontrar nas famosas listas “Que fim levou?”, de nosso concorrente mais rico.

Por isso, foram contratados Allen Robinson, que conseguiu se provar útil mesmo recebendo passes de Blake Bortles e Taylor Gabriel, que quando usado efetivamente pode ser uma espécie de curinga no ataque. No draft, a escolha de Anthony Miller dará a Kevin White a tranquilidade para não ser nem o WR3, o que pode ajudá-lo a, enfim, deslanchar. Além deles, para a posição de TE, Trey Burton poderá mostrar que é muito mais que uma jogadinha ensaiada – aliás, saudades.

Fechando o ataque, a linha ofensiva composta por Bobby Massie, Kyle Long, Cody Whitehair, Eric Kush e Charles Leno Jr não apenas não compromete, como não surpreenderia se fosse uma 6 ou 7 melhores da NFL no ano. Também underrated, o RB Jordan Howard forma uma dupla interessante com Tarik Cohen, ainda mais agora que estão sob a batuta da mente ofensiva de Matt Nagy.

A defesa, esta sim, uma besta enjaulada com ódio

É importante destacar que, se esse preview tivesse sido escrito com antecedência, os elogios a defesa dos Bears também estariam presentes. Porém, como você já deve saber, a unidade saltou de um bom grupo com grande potencial para uma das grandes forças da conferência, mesmo se tratando da forte NFC.

Khalil Mack, um dos jogadores mais consistentes do esporte e um dos três melhores defensores dos últimos anos, chega para ser o grande nome de um grupo que já era bom, mas ainda não tinha uma super-estrela como ele. Ao seu lado, estará uma linha defensiva composta por Akiem Hicks e Eddie Goldman, ambos bons jogadores, além do LB Leonard Floyd que, além de ótimo jogador, se beneficiará da atenção que será dada aos talentos de Mack. Fechando o grupo de linebackers, Roquan Smith, um dos calouros mais interessantes do ano – e que de fato conhecemos, afinal esteve nos playoffs do College – jogará junto de Danny Trevathan, outro, adivinhem, bom jogador.

Na secundária, Adrian Amos e Eddie Jackson formam uma dupla interessante e underrated que pode inclusive melhorar em relação ao ano anterior, já que tratam-se de jogadores novos. Por fim, Prince Amukamara e Kyle Fuller não formam a melhor tandem de CBs, mas, quando são eles o (talvez) elo mais fraco da defesa, é um sinal de que será difícil se preparar para enfrentar essa unidade em 2018.

Palpite

Por se tratar de um time novo, um QB ainda inexperiente e um Head Coach em seu primeiro ano, o Bears, mesmo sendo uma franquia de potencial, ainda é muito imprevisível. Um cenário em que as peças não se encaixem como o esperado é perfeitamente plausível, assim como uma situação parecida como a dos Rams em 2017, em que tudo vai bem, obrigado e a equipe surpreende a todos. Como a possibilidade mais razoável provavelmente é o meio-termo, podemos esperar uma evolução considerável em relação aos anos anteriores. Porém, levando em conta os times da NFC e da própria divisão, sonhar com playoffs já em 2018 pode ser demais. Mais que um bom record final, o que o torcedor mais espera é que a temporada mostre que a franquia está, enfim, de volta ao caminho das vitórias.

Análise Tática #17 – A “defesa” de Dom Capers

O conceito de novidade é definido, pelo dicionário, como algo novo. Também pode significar inovação. Em termos técnicos, de direitos autorais, novidade é requisito para a existência de um invento e, como consequência, direito de propriedade.

Mesmo as melhores invenções sucumbem ao Pai Tempo, e as pessoas precisam se atualizar para continuarem desempenhando de forma excelente seus trabalhos (eu mesmo leio semanalmente uma porção de textos do Inside The Pylon para produzir essas análises). Isso não é diferente para os técnicos da NFL, ainda mais em um ambiente que trata o esporte como ciência e produz horas de vídeos para descobrir as tendências dos adversários.

Ernest Dominic “Dom” Capers é um técnico da NFL desde 1984, e com uma carreira toda voltada para defesas, assumiu a função de coordenador defensivo do Green Bay Packers em 2009. Vindo da coaching tree de Marty Schottenheimer, também passou pelo staff de Bill Cowher e Dick Lebeau nos Steelers. Esse último, o leitor provavelmente deve conhecer como o criador do conceito defensivo de zone blitz. Ao assumir a posição de DC, Capers passou a implantar o que aprendeu desse esquema. Tal sistema foi desenvolvido para ser eficiente contra ataques de rotas curtas e que dependiam muito do timing entre recebedor e QB, como a West Coast Offense.

Segundo o Pro Football Reference, a defesa dos Packers sob o comando de Capers foi ranqueada no top-10 em jardas ou em pontos cedidos em apenas 2009 e 2010, nos primeiros dois anos de sua gestão, o que culminou com a conquista do Super Bowl XLV. Em 2011, temporada que os Packers tiveram a melhor campanha da NFL, a defesa foi a pior ranqueada em jardas cedidas. Em 2016, a unidade esteve em 21º em pontos e 22º em jardas. Evidentemente, existem estatísticas avançadas e métricas melhores para avaliar do que os parâmetros supracitados.

Utilizando a fonte do Football Outsiders, um dos melhores sites que cobrem a NFL em termos de estatísticas avançadas, o desempenho da defesa dos Packers teve uma clara queda. O sistema DVOA resumidamente analisa o desempenho de uma unidade em relação à média dos adversários da NFL. Para defesas, a porcentagem negativa é melhor pois significa menor pontuação cedida. A variância representa a consistência da defesa ao longo da temporada. Evidentemente, lesões de jogadores podem influir nessas estatísticas.

Temporada DVOA Variância Ranking
2009 -18% 11% 2
2010 -13,90% 3,70% 2
2011 8,60% 3% 25
2012 -7% 2,90% 8
2013 14,40% 4,00% 31
2014 -1% 7,40% 16
2015 -7,30% 5% 9
2016 3% 6,10% 20
Fonte: Football Outsiders

Após essa breve divagação sobre estatística do esporte, voltando aos aspectos táticos, a defesa dos Packers se baseia em um front de 3-4 com conceitos de zone blitz. Evidentemente, com a maior tendência dos ataques em prol do passe, a mesma começa a jogar em um 3-3-5 em formação nickel. O conceito de zone blitz tem por objetivo confundir a capacidade de detecção do quarterback em relação à pressão extra do pass-rush. Isso ocorre, por que nesse tipo de front, há rushers que jogam em posição de 3 apoios (mão na grama) ou dois apoios (em pé).

A blitz consiste em mandar mais que quatro homens em direção ao QB, entretanto, o esquema de Dom Capers realiza isso sem ficar totalmente desprotegido contra o passe (ou pelo menos no campo das ideias), tanto que esse sistema derivado do original de Dick LeBeau é costumeiramente chamado de Fire Zone Blitz na literatura especializada. Geralmente, um dos rushers que mostram a blitz recua em zona para cobrir o passe, o que combinado com o uso de stunts (jogadores de linha defensiva se cruzando para confundir os bloqueios), dificulta o diagnóstico de pressão pelo quarterback.

Com jogadores alinhados em posturas direrentes, uma fire zone blitz de 3-4 pode combinar os mais diversos tipos de pressão, desde o comum ataque dos OLBs, até o uso de CBs e safeties em situações de pressão com delay. Os jogadores do front precisam ser dedicados ao gap da jogada, e o jogador que recua precisa executar essa função no tempo correto. Normalmente, a divisão de tarefas da defesa é de 5 jogadores dedicados à pressão, 3 cobrindo as primeiras 10 jardas após a linha de scrimmage e 3 cobrindo o fundo do campo, esses últimos em zona.

A grande desvantagem desse esquema, é o constante uso de pick plays pelos ataques. Esse tipo de jogada é o uso legal de bloqueios dentro do limite de 5 jardas, evitando que jogadores de cobertura de passe se posicionem corretamente, geralmente aplicado em situações de poucas jardas, como na red zone, por exemplo. Como a zone blitz tem por objetivo mostrar uma hot-read para o quarterback inicialmente e rotacionar a defesa em torno dessa leitura, tirando o passe curto. Com isso, o QB pode induzir os adversários a cobrir uma rota de armadilha, carregando a defesa para um lado do campo com os olhos (lembre-se, a secundária está em zona), e então atacar outro ponto do campo livre com o passe rápido.

Na imagem acima, observa-se dois esquemas de pressão baseados em fire zone blitz. No esquema à esquerda, a zona rotaciona no sentido do strongside, enquanto o LOLB recua. Para a jogada à direita, a rotação é no sentido anti-horário, enquanto a blitz vem do FS. Agora, vamos observar isso no vídeo da jogada, o espaço amostral utilizado será o jogo da semana contra o Chicago Bears. Aqui, há dois agravantes: o ângulo lateral de All-22 do Soldier Field é uma piada de mal gosto. John Fox também é uma piada de mau gosto como técnico.

Isso aqui é uma SACANAGEM, caro leitor.

Observando as estatísticas do jogo, a defesa dos Packers cedeu 21 passes completos de 35 tentados, sendo 5 sacks para perda de 29 jardas. Foram 268 jardas aéreas, sendo 6.7 por tentativa de passe. No jogo corrido, foram 55 jardas de 17 corridas, explicado pelo fato de que os Bears sempre estiveram atrás do placar na partida, o que força situações de passe. Além disso a defesa dos Packers não cedeu nenhuma possibilidade de ataque dentro da redzone, e o único touchdown cedido na partida pelos Packers foi já no último quarto (passe de 46 jardas para Josh Bellamy – o famoso QUEM).

Nessa jogada, observa-se que o Packers apresenta um esquema de blitz a partir da formação nickel em que o guerreiro #27 ataca o right guard. Dentro do esquema de fire zone blitz, esse é o design mais simples pois não há o disfarce. Clay Matthews é o mais próximo de conseguir o sack pois vence seu bloqueio através de um stunt em direção ao B-gap (espaço entre o LT e o LG). Em contrapartida, um 3-step dropback de Mitchell Trubisky e um passe no flat para Tarik Cohen dá um ganho de 10 jardas para os Bears.

Observe nesta jogada de sack em terceira descida, que a secundária dos Packers mostra uma forma de cobertura single-high pré-snap. Observe que a secundária desliza no sentido-horário, formando uma cover-2-zone, já que os cornerbacks estão em zona (repare nos quadris voltados ao QB).

O ataque dos Bears tenta atacar essa cobertura com um conceito z-spot. Porém, em uma blitz de 6 homens, a linha ofensiva não é capaz de dar o tempo necessário a Mitch Trubisky executar o passe.

Um gif para analisar o desenvolvimento das rotas:

Agora analisando o front dos Packers, observe que de todos os sete jogadores que mostram a blitz, apenas Clay Matthews e Blake Martinez recuam em zona. Para aumentar o grau de confusão do QB e da OL em detectar os homens que irão para a pressão, Martinez sai em motion do edge para o box, enquanto Matthews se posiciona em frente ao right guard.

O nickel corner também vai para a blitz, executando stunts em conjunto com o ROLB. A linha ofensiva dos Bears não sabe quem bloquear, resultando em um sack na terceira descida.

 

  • Diego Vieira torce para o Vasco e para o Indianapolis Colts. É.

31 times que não irão ganhar o Super Bowl (e o Indianapolis Colts)

Finalmente acabamos de produzir todos os previews da temporada de 2017! Talvez você, leitor, nessa vida atribulada, não tenha tido tempo ou sequer vontade de ler todos, mas para facilitar sua vida, trazemos agora, um compilado de todos os textos.

E para dar um pouco mais de graça e não ser apenas um índice, adicionamos aquela razão pela qual seu time inevitavelmente morrerá na praia mais uma vez: com vocês, o guia final de previews – basta clicar no nome da equipe que desejar ler uma análise aprofundada e isenta de clubismo!

Enfim, reeditando o texto do ano passado: 31 times que não vencerão o Super Bowl (e os Colts) versão 2.0.

OBS: Na versão 1.0 acertamos 31 de 32 comentários. Esperamos repetir o aproveitamento!

AFC South

Houston Texans: Uma defesa que simplesmente não consegue ter todos os melhores jogadores juntos (por exemplo, AJ Bouye se destacou e já vazou – agora que JJ Watt volta. E também um head coach especialista em QBs que não consegue escolher um; não é exatamente um receita para o sucesso.

Jacksonville Jaguars: Blake Bortles, caras! Blake Bortles – aliás, não percam nossa promoção no Twitter!

Tennessee Titans: Dissemos que EVENTUALMENTE Mariota pode chegar lá – não que a grande (?) torcida dos Titans já deveria estar preparando os fogos para o Super Bowl LII.

Pensa em um dia massa.

NFC South

Atlanta Falcons: Provavelmente o preview que menos vale a pena ler: não importa se Matt Ryan e Julio Jones são os melhores do mundo; ressaca pós-perda de Super Bowl é uma realidade. E a regressão ao perder o verdadeiro gênio desse ataque (Kyle Shanahan) também.

Carolina Panthers: Lenta e dolorosamente começaremos a aceitar que, no final das contas, talvez Cam Newton não seja tudo aquilo.

New Orleans Saints: Drew Brees e Adrian Peterson seria a dupla dos sonhos para se ter no Madden NFL 2012. E, bem, essa defesa é de gelatina.

Tampa Bay Buccaneers: Jameis Winston pode muitas vezes parecer promissor ou mesmo uma realidade, mas ele ainda tem que lançar menos (bem menos) interceptações para poder sonhar com Super Bowl.

AFC West

Denver Broncos: Não é apenas uma questão de que somente com um bom QB é possível ganhar o grande título, mas é que a defesa já não é mais aquilo que um dia foi.

Kansas City Chiefs: Seria a franquia mais indicada para ganhar o Super Bowl depois do jogo de estreia, mas qual foi o último time que ganhou a grande final do futebol americano com o QB do futuro no banco?

Los Angeles Chargers: Lesões. Amamos a franquia secundária de Los Angeles muito mais do que o povo da cidade, mas é difícil acreditar que esse time possa estar saudável em novembro – quanto mais em fevereiro.

Oakland Raiders: Tudo bem que, no final das contas, tudo acaba em dinheiro. Mas um time cujo dono se vendeu para Las Vegas não merece ganhar nem rifa de escola.

NFC West

Arizona Cardinals: Vamos combinar que Drew Stanton não tem bola para ganhar nada na pós-temporada, não é? O que? Você realmente acredita que Carson Palmer aguenta vivo 19 jogos?

Los Angeles Rams: O espírito de Jeff Fisher ainda ronda os corredores, o que deverá garantir mais uns três anos de campanhas com 8 vitórias em ritmo de “reconstrução”.

San Francisco 49ers: Sabe qual o título do nosso preview? “Eu escolhi esperar”. Então esperem.

Seattle Seahawks: Porque, eventualmente, algum jogador da linha defensiva que tem tantas opções vai ter que passar para o outro lado e jogar pela linha ofensiva, que tem como melhor jogador os dibres de Russel Wilson.

AFC East

Buffalo Bills: Se eles não tentarão ganhar, nós também não perderemos tempo tentando justificar porque eles não ganharão.

Miami Dolphins: Se Jay Cutler ganhar um Super Bowl, é melhor mudarmos o nome do site para, sei lá, fly out ou double play e começar a cobrir baseballque pelo menos tem Tim Tebow, uma pessoa bem mais legal do que o Cutler.

New England Patriots: Todo mundo viu o jogo de quinta-feira. Parece bem claro que Tom Brady e a sua dinastia está acabada. É hora de começar a dar ritmo de jogo para o Garoppolo pensando em um 2018 melhor.

New York Jets: Se eles não tentarão ganhar, nós também não perderemos tempo tentando justificar porque eles não ganharão, parte 2.

NFC East

Dallas Cowboys: Qual foi o último time que gerou muitas expectativas na imprensa e não decepcionou? Com Dallas não será diferente.

New York Giants: Não vai ganhar o Super Bowl porque se perde muito tempo elogiando um ataque mediano, sendo que o time terá que ser carregado pela defesa.

Philadelphia Eagles: Porque só de imaginar pessoas comemorando a noite inteira pelas ruas da Filadélfia cantando “fly Eagles fly” incessantemente, o próprio universo atua e bloqueia qualquer alegria que esse povo poderia receber.

Washington Redskins: Kirk Cousins já está pensando e estudando em que cidade da Califórnia ele poderá ser mais rico e feliz.

AFC North

Baltimore Ravens: Cite três jogadores dos Ravens que podem ser considerados Top 15 na liga.

Cincinnati Bengals: Vencer o Super Bowl para os Bengals seria ter mais uma temporada bosta com cinco vitórias e que o dono decidisse fazer uma limpa neste roster desgraçado.

Cleveland Browns: Pequenos passos, pequenos passos. Ao menos já evoluiu o suficiente para ser considerado entre os 31 times sérios da NFL. Nesse ritmo, quem sabe lá por 2031.

Pittsburgh Steelers: Defense wins championships. E esse time é puro ataque – o que fará ser muito divertido, mas não ganhar títulos.

NFC North

Chicago Bears: Até elogiamos bastante, mas não nos EMPOLGUEMOS tanto.

Detroit Lions: Matthew Stafford vai levar Detroit pelo caminho que Drew Brees e Flacco levaram seus times: ganhando muito mais dinheiro do que o time poderia pagar e sacrificando a qualidade do elenco. A diferença é que os outros dois ganharam um Super Bowl antes.

Green Bay Packers: Seria uma pena se football fosse um esporte coletivo e você dependesse da ajuda de outros 52 animais para ganhar algo, não é mesmo, Aaron Rodgers?

Minnesota Vikings: Quem tem dois quarterbacks, na verdade, não tem nenhum. O retorno de Bridgewater vai bagunçar o time e, para ajudar, o Super Bowl é em Minnesota.

*Indianapolis Colts: Eles só perderam os dois melhores jogadores do ataque e o melhor da defesa. E não fazem ideia de quando qualquer um deles voltará. Por ora, não dá mais para chamar os restos mortais de Indy sequer de time.

Ano novo, novas esperanças e novas decepções

2016 foi uma montanha-russa para o calmo povo de Minnesota. Da derrota para Seattle no chute mais fácil da carreira de Blair Walsh (curiosamente, hoje jogador dos Seahawks), à esperança de repetir e chegar mais longe em 2017 com um Teddy Bridgewater cada vez jogo mais maduro e um novíssimo estádio. Passamos também pela brutal lesão do quarterback, o desembarque de Sam Bradford e o início como melhor time da NFL até chegarmos a decadência (um dos poucos times da história a iniciar a temporada com 5-0 e mesmo assim não ir aos playoffs.

Mas ano passado, claro, já é passado, de mesma forma que 2017 traz seus próprios desafios. Teddy ainda está em processo de recuperação (válido lembrar que as previsões originais para sua recuperação eram de dois anos), mas as expectativas e os vídeos que ele adora colocar no Instagram indicam que o menino prodígio voltará ainda esse ano (também para poder ser um free agent na próxima temporada).

Se tudo correr dentro da normalidade, voltará para ser banco de Sam Bradford, outro que ficará desempregado no final da temporada e precisa mostrar serviço para garantir um grande contrato – com os Vikings ou qualquer outro time.

Volta.

O pior grupo da história

Comecemos com as notícias ruins, daquelas que desgraçam a cabeça do torcedor dos Vikings. Esqueçamos o desempenho do ano passado, já que toda a linha ofensiva foi reformulada (apenas Joe Berger seguirá como titular, mas saindo da posição de center para se tornar right guard), com demissões até surpreendentes como a de Alex Boone, provavelmente o segundo melhor daquela que foi apontada como pior linha de todos os tempos pela avaliação do PFF.

Os tackles serão jogadores experientes: Riley Reiff, ex-Detroit Lions que sempre foi razoável protegendo Stafford por lá durante 5 anos, protegerá o lado cego após receber um contrato de quase 60 milhões, mesmo com as lesões que lhe limitaram durante toda a pré-temporada; do outro lado, Mike Remmers vem de Carolina também com um grande contrato (5 anos, 30 milhões).

No interior, além do já citado veteraníssimo Joe Berger, o time adiciona juventude: Pat Elflein, escolha de terceira rodada, já assumiu a posição de center e terá ao seu lado esquerdo Nick Easton, jovem que chegou à equipe após uma troca com San Francisco e jogou algumas partidas como C em 2016 devido às inúmeras lesões que acometeram a unidade.

Perceba: nenhum desses caras é excepcional ou sequer pode ser considerado bom. Entretanto, tudo que o time precisa é de um desempenho abaixo da média – e não o pior da história -, para que cada um dos cinco seja considerado herói.

A defesa mais rica do mundo

Não surpreendentemente, nas últimas semanas de pré-temporada, três dos principais jogadores da equipe receberam gordas ampliações contratuais – todos da defesa; afinal de contas, ela é a que será responsável por carregar o time novamente onde quer que ele chegue. O grande destaque fica para Xavier Rhodes e seus 70 milhões ao longo de cinco anos, afinal, uma performance anulando Odell Beckham (e qualquer outro que tenha caído na ilha do jovem cornerback) não poderia ser melhor recompensada.

A secundária é completada por outro craque, Harrison Smith, além de Andrew Sendejo, que a cada ano que passa parece ser um safety bem mais seguro que aquele que a torcida dos Vikings tinha como principal candidato “a ser substituído” a cada intertemporada. Na secundária também está a grande interrogação: Terrence Newman parece estar sentindo o peso da idade, enquanto Trae Waynes pode não ser o CB2 dos sonhos e um alvo a ser explorado; no slot, o substituto de Captain Munnerlyn deveria ser Mackensie Alexander, escolha de segunda rodada em 2016, mas Mike Zimmer visivelmente não estava satisfeito com ele, já que o time foi atrás de um veterano, Tramaine Brock, para a posição.

O front-seven tem como principal dúvida a capacidade de Anthony Barr voltar à forma que lhe rendeu comparações com Von Miller em 2015 – e dessa forma, ter bons argumentos para garantir um novo contrato gordo. Os outros dois jogadores que ficaram mais ricos durante a pré-temporada são da linha defensiva: Linval Joseph, pago como um dos melhores NT da liga e esperança para ocupar todos os espaços possíveis, e Everson Griffen, agora assumindo a condição de “defensive end veterano secundário”. Veterano porque o grande pass-rusher da equipe deverá ser Danielle Hunter, que produziu 12.5 sacks na temporada passada sem iniciar nenhum jogo e com snaps limitados; agora, como titular, seu objetivo é causar ainda mais terror nos QBs adversários.

Sorriso maroto de quem vai te agarrar.

As armas de Pat Shurmur

Uma das ideias mais repetidas durante o training camp foi que “agora, com tempo para treinar e entender bem as ideias do novo coordenador ofensivo, o ataque vai ser mais potente” – coordenador ofensivo que é melhor conhecido por o OC que treinava e chamava as jogadas com Chip Kelly na Philadelphia.

Além disso, Sam Bradford também teve finalmente tempo para trabalhar com seus colegas e ganhar confiança neles – recordes à parte, o principal stat a definir o estilo de jogo do QB deve ser a “quantidade de passes lançados antes da marca do first down” com 80%, 22º na NFL. Ousar um pouco mais deve ser o principal ponto para Sammy mudar e levar esse ataque em frente.

Stefon Diggs e Adam Thielen voltam para sua segunda temporada como titulares, o que também deve proporcionar uma melhora – válido lembrar que ambos quase chegaram às 1000 jardas recebidas em 2016 (ainda que, para os dois, quase metade das jardas foi conquistada em apenas 3 ou 4 jogos excepcionais), fato que não acontece para um WR dos Vikings desde Sidney Rice com Brett Favre em 2009. Laquon Treadwell, depois de receber apenas um passe ano passado, e Malcolm Floyd, quando voltar de suspensão, deverão ser as opções secundárias que podem crescer ao longo da temporada.

O alvo mais veterano de Bradford será Kyle Rudolph, TE que teve sua melhor temporada da carreira em 2016 e deverá voltar a ser uma opção de segurança enfatizada no estilo de jogo de Pat Shurmur (pelo menos é o prometido).

Para finalizar, a grande mudança entre os skill players será a partida de Adrian Peterson, mesmo que ele não tenha praticamente jogado já no ano passado. Para a sorte do time, que não tinha uma escolha de primeiro round (investida em Sam Bradford), um jogador que poderia ter sido draftado bem antes caiu tanto que Minnesota não teve alternativa a não ser subir umas escolhas e selecioná-lo: Dalvin Cook.

E se a sua posição de escolha nos drafts de fantasy football é indicação de produção que virá por aí, Cook fará uma dupla muito potente no backfield seja lá o quarterback que a equipe escolha manter.

Estádio do Super Bowl

É válido lembrar, antes de ousar na previsão, que nenhum time jamais disputou o Super Bowl no seu próprio estádio; caso você não soubesse, a sede da grande final de número 52 é o U.S. Bank Stadium, em Minnesota. Para repetir o final pessimista da prévia escrita no ano passado, é fácil concluir que não devem ser os Vikings a quebrar esse tabu.

Palpite: Com a proximidade do jogo de estreia já no domingo, fica um palpite mais específico: na vingança de Adrian Peterson, quem deverá fazer o seu nome em rede nacional será a linha defensiva dos Vikings. A campanha final será de entre 10 e 11 vitórias, com os jogos das semanas 5 e 16, em Chicago e Green Bay, responsáveis por decidir se esse time vai recuperar o título da NFC North ou se contentar com um wild card.

Enfrentando os mesmos velhos problemas

Após uma nova implosão e a perda do NFC Championship Game para o Atlanta Falcons por 44 a 21 – aliás, a segunda vez que Green Bay bateu na porta do Super Bowl em três anos –, Aaron Rodgers foi a público, com ar não tão sutil como o habitual.

Não creio que precisamos nos reconstruir. Precisamos, na verdade, nos recarregar”, disse naquela noite após a derrota. “Temos apenas que ter certeza que temos todo o necessário para vencer a cada ano”, completou.

O fato é que as expectativas sempre estarão altas quando nos referirmos a um ataque comandado por Aaron Rodgers; as esperanças dos cheeseheads de retornar ao Super Bowl estão seguras enquanto Rodgers liderá-los. O outro lado da linha, porém, é onde está o caminho para o sucesso: mais uma vez, os sonhos de Green Bay, passam pela defesa.

Reconstruindo sem implodir

Green Bay viu nesta offseason um Ted Thompson mais arrojado (para os padrões de Ted Thompson, claro), com alguns movimentos na free agency e uma dúzia de escolhas no draft focadas em preencher buracos específicos no roster: a cobertura contra o passe, por exemplo, beirou a tragédia na última temporada, então o GM trouxe Davon House de volta para Wisconsin e selecionou o CB Kevin King no topo da segunda rodada também para reforçar o setor.

Já para o corpo de linebackers, Thompson trouxe o veterano Ahmad Brooks, cortado pelo 49ers – você pode não se empolgar com esta contratação, e será compreensível, mas lembre-se do novo gás que o Packers proporcionou para a carreira do também veterano Julius Peppers quando o contratou. Já para o ataque, a adição do TE Martellus Bennett fez com que a equipe nada se importasse com a perda de Jared Cook.

Pelo chão

Um sucesso ofensivo de Green Bay ainda maior que o esperado passa por seu jogo corrido: Ty Montgomery agora é o motor de arranque inquestionável deste sistema ofensivo – e uma ameaça constante; obviamente, seu passado recente como WR mostra que ele pode alternar posições e se tornar um recebedor confiável, tornando-se uma possibilidade a mais que defesas adversárias terão que encontrar forma de neutralizar.

Mas apesar do sucesso na metade final do ano passado, Ty ainda precisará provar que pode lidar com a carga de uma temporada completa – e, para isso, ele contará com a ajuda de três rookies: Jammal Wiliams, Aaron Jones e Devante Mays, selecionados na quarta, quinta e sétima rodadas do último draft.

Durante a pré-temporada, William se mostrou um ótimo bloequador, enquanto Aaron Jones teve algumas boas jogadas explosivas – já Mays tende a alternar entre o nada e o Practice Squad. De qualquer forma, já é um cenário melhor para o jogo terrestre do que aquele que o Packers viveu nos últimos anos – Lacy nos deixou pela gastronomia de Seattle e James Starks (obrigado por tudo) já deve estar curtindo a aposentadoria.

Pode confiar.

Uma incógnita em forma de linha

Green Bay teve uma das melhores OLs da NFL na temporada passada – mas perdeu TJ Lang e JC Tretter nesta offseason. O adeus de Tretter não seria tão sentido se Corey Linsley não estivesse retornando de (mais uma) cirurgia no tornozelo; Corey é um ótimo C, mas perdeu 10 partidas nas duas últimas temporadas, então sua saúde se torna uma questão central, já que não há um substituto viável para ele.

Já a deserção de Lang para Detroit (Deus encarregou de puni-lo o despachando para aquela desgraça de time), é muito mais preocupante: apesar da tristeza por vê-lo vestindo azul, é inegável que TJ se consolidou com um dos melhores G da NFL em Green Bay – além de um dos melhores atores que Hollywood já viu.

TJ será substituído por Jahri Evans e só de pensar nisso meus olhos já sangram. Como se isso não bastasse, há ainda Lane Taylor, outra desgraça em forma de guard. O lado bom é que os tackles David Bakhtiari e Bryan Bulaga retornam e, considerando o estado atual do interior da OL de Green Bay, isso já deve bastar para deixar Aaron Rodgers minimamente feliz.

Pelo ar

O arsenal ofensivo de Rodgers permanece praticamente o mesmo, exceto pela partida de Jared Cook – Cook sempre foi um alvo cobiçado por qualquer franquia, especialmente devido ao seu potencial atlético, mas também é verdade que ele nunca respondeu a altura das expectativas.

Para seu lugar foi contratado Martellus Bennett, e nenhum torcedor do Packers em sã consciência sentirá saudades de Cook. Martellus, aliás, vem de uma temporada em que recebeu 55 passes para 701 jardas e 7 TDs com os Patriots; ele será um alvo intermediário para Aaron muito mais confiável do que foram Cook e Richard Rodgers nos últimos anos.

Como WRs, as três principais opções se mantém: Jordy Nelson, um dos melhores WRs da NFL (aceitem logo e parem de negar a verdade), recém completou 32 anos, então um pequeno declínio pode ser sentido, mas com Nelson se mantendo saudável, nada que possa preocupar. Randall Cobb, porém, precisa se recuperar após duas temporadas medianas e com algumas lesões, enquanto para Davante Adams basta repetir 70% do que fez em 2016 e o torcedor do Packers já estará feliz.

A grande interrogação

A principal razão para Green Bay ter iniciado a última temporada com 4 vitórias e 6 derrotas foi a desgraça que se tornou sua secundária: nenhum CB foi minimamente confiável. Então utilizar sua primeira escolha no draft em um atleta da posição foi natural.

Kevin King veio de Washington para preencher esta lacuna, mas apesar de talentoso e com ótimo potencial físico, trata-se de um jogador ainda cru, que talvez precise de algumas semanas para assumir a titularidade. Enquanto isso não ocorre, também para o setor, há o retorno de Davon House, que lutou contra um Jaguars horrível no último ano, mas mesmo assim teve bons jogos individuais.

Já com os S não há tanto com o que se preocupar: Morgan Burnett e HaHa Clinton-Dix são ótimos talentos, e não existe razão para acreditar que eles irão regredir, já que estão com 28 e 24 anos respectivamente – aliás, Burnett entra em seu ano final de contrato com os Packers, que também podem significar seus últimos dias em Green Bay antes de garantir a aposentadoria dos seus bisnetos.

Já Julius Peppers retornou a Carolina, deixando com o recém chegado Ahmad Brooks a função de preencher os espaços deixados por Clay Matthews, já que há muito tempo, lutando contra lesões, Clay não é mais o mesmo. O ponto positivo é que Nick Perry (11 sacks em 2016) retorna cada vez melhor e tanto Kyler Fackrell e Vince Biegel (este quando conseguir estrear), podem trazer um pouco mais de profundidade ao setor.

Para a DL, Green Bay trouxe Ricky Jean-Francois na FA e Montravius Adams na terceira rodada do draft; ambos devem alternar com Kenny Clark, que deve retornar melhor após uma temporada de estreia apenas razoável. O melhor jogador, porém, seguirá sendo Mike Daniels – subestimado, afinal, os números não refletem seu real valor.

Palpite: enquanto existir Aaron Rodgers e uma defesa minimamente capaz de permanecer em pé, Green Bay levará a NFC North. Para trazer o Lombardi Trophy de volta para o Wisconsin, porém, é preciso de muito mais que um sistema defensivo com coordenação motora e hoje Green Bay não possui uma grande defesa. É preciso então que essa infinidade de rookies se encaixem sem maiores problemas, quase que com uma sinergia cósmica. A boa notícia é que estamos em um ano em que os planetas estarão perfeitamente alinhados, então resta apenas esperar, gelar a cerveja e se decepcionar novamente em janeiro.

Porque, eventualmente, as coisas têm que dar certo

A maldição de Bobby Layne

Bobby Layne comandou Detroit em três títulos da NFL, até ser trocado em 1958. Ele havia se machucado na última temporada, e os Lions decidiram mandá-lo para Pittsburgh. Ao deixar a cidade, Layne praguejou: seu ex-time não venceria mais nada por 50 anos.

Dito e feito. No intervalo da “maldição”, Detroit só venceria um jogo de playoff – em 1991, o suficiente apenas para não ser a franquia há mais tempo sem vencer na pós temporada. Desde aquela partida, são oito viagens aos playoffs. E oito derrotas.

A maldição deveria terminar em 2008. Naquele ano, a torcida até acreditou que o azar havia acabado, com um grand finale digno de cinema: a temporada marcou os Lions para sempre na história, como o único time a perder todos os dezesseis jogos. Dali pra frente, não dava para cavar mais fundo. A franquia só podia ir para cima. Porém, como não estamos em Hollywood, Detroit até melhorou nos anos subsequentes, mas nada que fizesse o torcedor bater no peito com o orgulho e bradar: “Aqui é Lions, PORRA!!!

Força, amigo.

A desgraça, ela é eterna

Todo time é feito de ídolos. Sem eles, você acaba sendo um New England Patriots: a menos que o melhor técnico de todos os tempos e um menino de ouro salvem a franquia do anonimato, ninguém conhecerá sua história.

Antes que você, torcedor dos Patriots, destile seu ódio nesse texto sobre o Lions, pare para pensar em quantos ídolos você conhece antes de Brady – não vale citar Drew Bledsoe.

Nota da edição: Procuramos por Patriots Idols no Google Imagens e só vimos fotos de jogadores recentes ou da década passada. Então deixamos essa menção aleatória ao time de New England passar.

Mas, e se os ídolos do seu time resolverem parar de jogar por ele, porque simplesmente não aguentam mais? É o caso dos Lions.

Barry Sanders, o maior ídolo da franquia, resolveu se aposentar porque estava insatisfeito com a incapacidade dos Lions de montar um time competitivo. “Era difícil me manter focado em motivado“, Sanders contou em seu livro, que revelou para o mundo o verdadeiro motivo de sua aposentadoria.

Com Calvin Johnson Jr. não foi diferente. O jogador, que abandonou a NFL quando ainda poderia produzir muito, também demorou, mas revelou os motivos de sua aposentadoria: “Não via a chance de eles ganharem um Super Bowl na época. Pelo trabalho que eu fazia, não valia meu tempo continuar batendo a cabeça na parede, e não chegar a lugar nenhum.”

Não os culpamos.

O messias e seus amigos

Finada a maldição de Bobby Layne, os Lions esperam que um homem leve a franquia de volta para o caminho das vitórias: Matthew “is he worth it?” Stafford. Stafford é o quarterback de Detroit desde 2009, quando foi escolhido na primeira escolha geral do draft. Hoje ele é o jogador mais bem pago da liga – amanhã será outro QB de outro time desesperado.

Matthew é um bom jogador, mas possui números bastante questionáveis quando joga contra times com um winning record. Ao menos é a maior certeza que o time tem na posição de quarterback desde que as cores existem.

A banda agora é de um homem só.

Jogando na posição de running back, os Lions contam com Ameer Abdullah e Theo Riddick. O primeiro é mais eficiente correndo com a bola, enquanto o segundo é melhor recebendo passes. Se eles conseguirem se manter saudáveis (não foi o caso em 2016), o backfield pode ser bastante produtivo. Ao menos Zach Zenner, atualmente o segundo melhor RB branco da liga, se mostrou um backup razoável.

O corpo de WRs será comandado por Golden Tate, um dos jogadores mais divertidos da NFL. Marvin Jones Jr, porém, irritou muito a torcida no ano passado, mas já teve seus momentos de destaque. Fecha o grupo Kenny Golladay, que, após jogadas brilhantes na preseason, entrou no radar de muita gente como futuro membro do Hall da Fama – o futuro sem Calvin Johnson realmente não parece muito empolgante. 

Não espere, neste site, mais uma take do tipo “esse é o breakout year do Eric Ebron!“. Nós não diremos isso, porque não será. E é bem possível que Michael Roberts, escolha de quarta rodada esse ano, se destaque mais que ele.

A linha ofensiva foi reforçada durante a offseason, mas perdeu o OT Taylor Decker, que só deve voltar de lesão no meio da temporada. Para o seu lugar, o time trocou dois bonés por Greg Robinson, que é péssimo. Será a missão de Graham Glasgow, Travis Swanson, TJ Lang e Rick Wagner consertar suas eventuais cagadas. Eles são bons jogadores, se pelo menos isso serve de alento.

Tentando ser boa pela primeira vez na história

Começando pela linha defensiva, a defesa de Detroit está repleta de incertezas. A’Shawn Robinson, escolha de segunda rodada em 2016, e Haloti Ngata, já em final de carreira, jogam pelo meio. Com a perda de Kerry Hyder, Ziggy Ansah deve ser o único pass rusher de destaque da equipe.

O corpo de linebackers não era bom, e os reforços que vieram também não são certezas absolutas, o que preocupa. Jarrad Davis não foi a escolha mais empolgante da primeira rodada desse ano, e Paul Worrilow também é recém-chegado, mas vem de uma temporada decepcionante em Atlanta – onde perdeu a titularidade. Tahir Whitehead teve um bom ano em 2016, e talvez seja o jogador mais confiável do grupo.

A secundária é comandada por Darius Slay, um dos melhores cornerbacks da liga. Opostos a ele, Nevin Lawson e Teez Tabor, escolha de segunda rodada, devem revezar a titularidade. O safety Glover Quin tem sido um bom jogador em Detroit, e agora jogará ao lado do pouco-inspirador Tavon Wilson.

Palpite: O time dos Lions não empolga. A ida aos playoffs no ano passado foi algo aleatório, e esse ano a briga será para não ser o pior time da divisão. A equipe conseguirá vencer no máximo meia dúzia de jogos em 2017. A ideia de ser grande vai continuar para o futuro. Essa também será a última temporada (graças a Deus) de Jim Caldwell como um head coach da NFL.