Posts com a Tag : NFC East

Podcast #5 – uma coleção de asneiras V

Voltamos com o tradicional #spoiler: equipes relevantes (e o Tennessee Titans) que não vão para os playoffs em 2017.

Depois discutimos qual equipe assistiríamos se só pudéssemos acompanhar um time até o final da temporada – graças a Deus não acontecerá.

Em seguida, trazemos algumas proposições que sequer acreditamos, mas nos obrigamos a explicar porque é verdade – não sabemos porque fizemos isso.

E, no final, como já é comum, damos dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas duas semanas!

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor.

31 times que não irão ganhar o Super Bowl (e o Indianapolis Colts)

Finalmente acabamos de produzir todos os previews da temporada de 2017! Talvez você, leitor, nessa vida atribulada, não tenha tido tempo ou sequer vontade de ler todos, mas para facilitar sua vida, trazemos agora, um compilado de todos os textos.

E para dar um pouco mais de graça e não ser apenas um índice, adicionamos aquela razão pela qual seu time inevitavelmente morrerá na praia mais uma vez: com vocês, o guia final de previews – basta clicar no nome da equipe que desejar ler uma análise aprofundada e isenta de clubismo!

Enfim, reeditando o texto do ano passado: 31 times que não vencerão o Super Bowl (e os Colts) versão 2.0.

OBS: Na versão 1.0 acertamos 31 de 32 comentários. Esperamos repetir o aproveitamento!

AFC South

Houston Texans: Uma defesa que simplesmente não consegue ter todos os melhores jogadores juntos (por exemplo, AJ Bouye se destacou e já vazou – agora que JJ Watt volta. E também um head coach especialista em QBs que não consegue escolher um; não é exatamente um receita para o sucesso.

Jacksonville Jaguars: Blake Bortles, caras! Blake Bortles – aliás, não percam nossa promoção no Twitter!

Tennessee Titans: Dissemos que EVENTUALMENTE Mariota pode chegar lá – não que a grande (?) torcida dos Titans já deveria estar preparando os fogos para o Super Bowl LII.

Pensa em um dia massa.

NFC South

Atlanta Falcons: Provavelmente o preview que menos vale a pena ler: não importa se Matt Ryan e Julio Jones são os melhores do mundo; ressaca pós-perda de Super Bowl é uma realidade. E a regressão ao perder o verdadeiro gênio desse ataque (Kyle Shanahan) também.

Carolina Panthers: Lenta e dolorosamente começaremos a aceitar que, no final das contas, talvez Cam Newton não seja tudo aquilo.

New Orleans Saints: Drew Brees e Adrian Peterson seria a dupla dos sonhos para se ter no Madden NFL 2012. E, bem, essa defesa é de gelatina.

Tampa Bay Buccaneers: Jameis Winston pode muitas vezes parecer promissor ou mesmo uma realidade, mas ele ainda tem que lançar menos (bem menos) interceptações para poder sonhar com Super Bowl.

AFC West

Denver Broncos: Não é apenas uma questão de que somente com um bom QB é possível ganhar o grande título, mas é que a defesa já não é mais aquilo que um dia foi.

Kansas City Chiefs: Seria a franquia mais indicada para ganhar o Super Bowl depois do jogo de estreia, mas qual foi o último time que ganhou a grande final do futebol americano com o QB do futuro no banco?

Los Angeles Chargers: Lesões. Amamos a franquia secundária de Los Angeles muito mais do que o povo da cidade, mas é difícil acreditar que esse time possa estar saudável em novembro – quanto mais em fevereiro.

Oakland Raiders: Tudo bem que, no final das contas, tudo acaba em dinheiro. Mas um time cujo dono se vendeu para Las Vegas não merece ganhar nem rifa de escola.

NFC West

Arizona Cardinals: Vamos combinar que Drew Stanton não tem bola para ganhar nada na pós-temporada, não é? O que? Você realmente acredita que Carson Palmer aguenta vivo 19 jogos?

Los Angeles Rams: O espírito de Jeff Fisher ainda ronda os corredores, o que deverá garantir mais uns três anos de campanhas com 8 vitórias em ritmo de “reconstrução”.

San Francisco 49ers: Sabe qual o título do nosso preview? “Eu escolhi esperar”. Então esperem.

Seattle Seahawks: Porque, eventualmente, algum jogador da linha defensiva que tem tantas opções vai ter que passar para o outro lado e jogar pela linha ofensiva, que tem como melhor jogador os dibres de Russel Wilson.

AFC East

Buffalo Bills: Se eles não tentarão ganhar, nós também não perderemos tempo tentando justificar porque eles não ganharão.

Miami Dolphins: Se Jay Cutler ganhar um Super Bowl, é melhor mudarmos o nome do site para, sei lá, fly out ou double play e começar a cobrir baseballque pelo menos tem Tim Tebow, uma pessoa bem mais legal do que o Cutler.

New England Patriots: Todo mundo viu o jogo de quinta-feira. Parece bem claro que Tom Brady e a sua dinastia está acabada. É hora de começar a dar ritmo de jogo para o Garoppolo pensando em um 2018 melhor.

New York Jets: Se eles não tentarão ganhar, nós também não perderemos tempo tentando justificar porque eles não ganharão, parte 2.

NFC East

Dallas Cowboys: Qual foi o último time que gerou muitas expectativas na imprensa e não decepcionou? Com Dallas não será diferente.

New York Giants: Não vai ganhar o Super Bowl porque se perde muito tempo elogiando um ataque mediano, sendo que o time terá que ser carregado pela defesa.

Philadelphia Eagles: Porque só de imaginar pessoas comemorando a noite inteira pelas ruas da Filadélfia cantando “fly Eagles fly” incessantemente, o próprio universo atua e bloqueia qualquer alegria que esse povo poderia receber.

Washington Redskins: Kirk Cousins já está pensando e estudando em que cidade da Califórnia ele poderá ser mais rico e feliz.

AFC North

Baltimore Ravens: Cite três jogadores dos Ravens que podem ser considerados Top 15 na liga.

Cincinnati Bengals: Vencer o Super Bowl para os Bengals seria ter mais uma temporada bosta com cinco vitórias e que o dono decidisse fazer uma limpa neste roster desgraçado.

Cleveland Browns: Pequenos passos, pequenos passos. Ao menos já evoluiu o suficiente para ser considerado entre os 31 times sérios da NFL. Nesse ritmo, quem sabe lá por 2031.

Pittsburgh Steelers: Defense wins championships. E esse time é puro ataque – o que fará ser muito divertido, mas não ganhar títulos.

NFC North

Chicago Bears: Até elogiamos bastante, mas não nos EMPOLGUEMOS tanto.

Detroit Lions: Matthew Stafford vai levar Detroit pelo caminho que Drew Brees e Flacco levaram seus times: ganhando muito mais dinheiro do que o time poderia pagar e sacrificando a qualidade do elenco. A diferença é que os outros dois ganharam um Super Bowl antes.

Green Bay Packers: Seria uma pena se football fosse um esporte coletivo e você dependesse da ajuda de outros 52 animais para ganhar algo, não é mesmo, Aaron Rodgers?

Minnesota Vikings: Quem tem dois quarterbacks, na verdade, não tem nenhum. O retorno de Bridgewater vai bagunçar o time e, para ajudar, o Super Bowl é em Minnesota.

*Indianapolis Colts: Eles só perderam os dois melhores jogadores do ataque e o melhor da defesa. E não fazem ideia de quando qualquer um deles voltará. Por ora, não dá mais para chamar os restos mortais de Indy sequer de time.

Podcast #2 – uma coleção de asneiras II

Olá amigos do Pick Six! Um dia histórico: o nosso podcast volta ao ar!

Trazemos as principais notícias das últimas semanas (sobre incríveis jogadores, como Jacoby Brissett, TJ Clemmings e Andy Lee) e, como é habitual no começo da temporada, mandamos aquele tradicional SPOILER. Se você quer evitá-los, não ouça; mas lembre-se: só quem ouvir poderá rir da nossa cara e apontar que erramos ao final da temporada.

Edit 1: precisamos de menos de 10 horas para apontarem nossos erros

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos amadores e estamos em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor. E, dessa vez, estamos mais confiantes que existirá!

 

O grande dilema do capitão Kirk

Você provavelmente já ouviu isto nos últimos anos, mas aqui vamos nós mais uma vez: o Washington Redskins foi, novamente, um caos na offseason. E desta vez a confusão teve protagonista o então GM Scot McGloughan, demitido poucas semanas antes do draft e transformando a franquia em um prato cheio para especulações sensacionalistas – sobretudo quando Washington relutava em comentar a demissão, supostamente movida por problemas com álcool de McCloughan.

Tudo isto em uma franquia que foi capaz de vencer sua divisão em 2015 e disputou a primeira posição em 2016 até a semana final, perdida apenas após uma derrota para o New York Giants. Mas os problemas não se restringem apenas a demissão do seu então GM; eles passam também pela constante incerteza com o futuro de seu quarterback (pelo segundo ano consecutivo jogando com a franchise tag) e a partida de diversos integrantes chave da comissão técnica.

O “x” da questão

A questão Cousins, aliás, é um capítulo particular: Washington parece não ter certeza de que Kirk é o futuro da franquia – ao menos não proporcionalmente a sua pedida salarial. Dessa forma, ambos os lados seguem paralisados em meio a rumores de que o 49ers, agora sob o comando de Kyle Shanahan, seu antigo parceiro, seria o destino do quarterback – de qualquer forma, resta a certeza que uma eventual negociação com San Francisco terá que esperar até a próxima primavera.

O argumento do Redskins, de que Cousins não é um franchise quarterback (mesmo, repetimos, tendo jogado as duas últimas temporada com a franchise tag), soa um pouco contraditório: os números estão a favor de Kirk; o quarterback lançou para quase 5 mil jardas na temporada passada (exatas 4917), completando mais de 67% dos passes nos dois últimos anos (foram 7,7 e 8,1 jardas por tentativa em 2015 e 2016, respectivamente).

Somando os dois anos, Kirk teve 54 touchdowns e apenas 23 interceptações, ou seja, os números estão lá para confirmar seu talento, da mesma maneira que se pode afirmar que ele não teria conseguido tanto êxito caso não contasse com um excelente elenco de apoio ao seu redor. 2017, porém, pode trazer as respostas definitivas.

Ele é bom, caras.

Partidas e chegadas

Washington viu partir dois de seus principais recebedores durante a offseason: os WRs Pierre Garçon (San Francisco) e DeSean Jackson (Tampa Bay) procuraram novos ares. A perda de Jackson talvez não seja tão sentida, sobretudo pela adição de Terrelle Pryor na free agency.

Pryor será uma válvula de escape para que Cousins melhore o trágico aproveitamento na redzone – um QB durante o college, Pryor completou com sucesso sua transformação para WR em Cleveland, sobrevivendo a um ataque quase anêmico; foram 77 recepções para 1007 jardas pelo Browns.

Há ainda Jamison Crowder, que teve 67 recepções para 847 jardas e seis TDs em 2016. E é nele que deve estar a resposta para o sucesso do ataque aéreo de Washington – e, talvez por confiar em seu WR, o Redskins tenha deixado Pierre e DeSean partirem.

Pelo ar, Kirk contará ainda com o TE Jordan Reed, uma das melhores opções da NFL na posição quando saudável (vale lembrar que Reed nunca jogou uma temporada completa em sua carreira profissional) e Josh Doctson, escolha geral número 22 no draft de 2016 que teve uma temporada como rookie digna de esquecimento – Washington espera que agora ele efetivamente consiga estrear.

O foco, inegavelmente, será o jogo aéreo, já que as perspectivas de sucesso por terra estão a muitas jardas de serem animadoras – mesmo contando com uma excelente OL. Os RBs Robert Kelley e Samaje Perine competirão pelo posto de titular, enquanto Chris Thompson seguirá como terceira opção.

O cenário se torna assustador se você levar em conta que em uma equipe séria, Kelley, titular em Washington, seria a terceira opção – e não há indícios, seja na pré-temporada ou em seu passado na universidade, de que Perine se tornará algo próximo de um jogador minimamente relevante.

Vai que dá.

Não mais tão confiável

Há um ano, os Redskins concentram seus esforços no draft no setor ofensivo, o que lhes custou caro – algo como uma vaga nos playoffs em 2016. Na temporada passada, o sistema defensivo de Washington cedeu uma média de 377,9 jardas por partida; a quinta maior da NFL.

O DC Joe Barry e dois de seus assistentes foram demitidos por aquilo que se convencionou chamar de justa causa, e no draft de 2017 o Redskins investiu pesado no setor, selecionando nas três primeiras rodadas jogadores de defesa: o DE / DT Jonathan Allen, o OLB Ryan Anderson e o CB Fabian Moreau.

Allen chegou a ser cotado como melhor jogador universitário durante sua carreira, mas caiu para a escolha número 17 devido a algumas lesões – que, no entanto, não devem afetar seu desempenho. Além disso ele é exatamente o que o Redskins precisava após perder o melhor jogador de sua linha defensiva, Chris Baker, para Tampa Bay.

Já Moreau por muito tempo foi cotado como escolha de primeira rodada, mas despencou no draft devido a problemas de saúde. Se ele puder entrar em campo, porém, deve ganhar a vaga de Bashaud Breeland e formar uma boa dupla com Josh Norman.

Palpite: Você pode ter uma certeza: este ataque vai funcionar – desde que esteve sob o comando de Jay Gruden, Washington sempre liderou rankings ofensivos. Mas mesmo assim tudo pode dar errado enquanto as especulações sobre o futuro de Kirk Cousins continuarem. E, acredite, elas durarão até meados de janeiro. Ao menos para 2017, Kirk estará bem armado – mas as distrações e a falta de um jogo terrestre confiável farão com que, mais uma vez, eles nadem e morram na praia.

Em busca da direção certa

O desempenho do QB Carson Wentz em sua temporada de rookie está longe de ser um primor. Foram 3782 jardas aéreas conquistadas, apenas 16 TDs e 14 INTs, números que são suficientes para colocá-lo, no máximo, próximo da linha da mediocridade. A NFL, felizmente, não é feita apenas de estatísticas. Assistir um QB em ação muitas vezes nos diz muito mais do que analisar friamente os números que ele produziu.

Desde que pisou no gramado para enfrentar o Cleveland Browns, na primeira semana da temporada de 2016, Wentz aparenta ser o que uma franquia espera de um QB. Os erros, é claro, estão lá, como estão para todos os rookie QBs, mas aparentam ter origem mais na inexperiência do que em uma eventual deficiência o que, claro, seria mais difícil de ser corrigido.

Wentz errou bastante em 2016, mas também acertou. O controle e a liderança que ele tinha no ataque do Philadelphia Eagles são raros para um calouro. Sua capacidade de leitura das defesas, antes mesmo do snap, também chama a atenção. O que mostrou em campo comprova o que muitos especialistas diziam antes mesmo do draft: Wentz é um grande amante e estudioso do football, algo semelhante a Peyton Manning, guardadas as devidas proporções.

Matou no peito.wentz

As armas

Não é à toa que o Eagles decidiu que Carson Wentz é o franchise QB que o time aguardava desde a saída de Donavan McNabb e decidiu construir o futuro ao redor dele. O primeiro passo foi reformular o grupo de recebedores, que em 2016 foi um grande problema para o ataque. O time mandou o inconstante Jordan Matthews para o Buffalo Bills em uma troca e contratou os veteranos Alshon Jeffery e Torrey Smith.

Jeffery tem o talento necessário para ser um dos melhores WRs da liga, sem dúvidas, mas precisa permanecer saudável, o que não era rotina em seus tempos de Chicago Bears. Em cinco anos em Chicago, foram apenas duas temporadas sem perder jogos por contusão. Nos dois anos em que ficou saudável, Jeffery recebeu mais de 1000 jardas aéreas e, em 2013, anotou 10 TDs. Seu talento nunca foi questionado e, se conseguir ficar longe das contusões, Alshon deve ser o principal jogador do ataque do Eagles em 2017.

Torrey Smith, outro contratado na free agency, ficou escondido por dois anos no horroroso San Francisco 49ers, mas em seus três anos de Baltimore Ravens mostrou que pode ser um jogador bastante útil e que adiciona o elemento do passe em profundidade ao ataque. Jeffery e Smith são uma versão um pouco mais pobre do que o Tampa Bay Buccaneers tem em Mike Evans e DeSean Jackson, por exemplo, mas têm a capacidade de complementar um ao outro e oferecer opções que Carson Wentz simplesmente não tinha em 2016.

Além de Jeffery e Simith, Wentz terá à disposição o bom TE Zack Ertz, que merece ser mais acionado, e o WR Nelson Agholor que, segundo os repórteres que acompanham o time, é um dos jogadores que mais evoluiu nessa offseason depois de um turbulento 2016.

Com esse grupo de recebedores e com uma linha ofensiva que tem Jason Peters, Jason Kelce e Lane Johnson, considerada a melhor da NFL pelo site Pro Football Focus, o Philadelphia Eagles pode ter um ataque bem interessante em 2017.

O ponto de interrogação

A dúvida fica para o grupo de RBs: Ryan Mathews, principal corredor do time em 2016, foi dispensado. Para o seu lugar, o Eagles contratou LeGarrette Blount, que deve ser responsável pelo trabalho sujo entre os tackles. As informações sobre Blount, porém, não têm sido boas durante o training camp e chegou, inclusive, a surgir a especulação de que ele poderia ser dispensado.

Além de Blount, o Eagles tem o segundo anista Wendell Smallwood, que teve oportunidades no ano passado e não mostrou muito serviço, e o especialista em receber passes e já idoso Darren Sproles. Em teoria, é um grupo que traz habilidades diversas e que pode se complementar bem, mas algo parece que vai dar errado.

As contratações ofensivas feitas pelo Eagles criaram um ataque com mais talento e mais alternativas, portanto é justo esperar uma performance melhor de Wentz e seus alvos em 2017.

O dono da bola.

O copo meio cheio

A defesa do Philadelphia Eagles em 2016 não teve uma performance horrível. A unidade terminou a temporada em 12º em pontos cedidos e 13º em jardas permitidas, por exemplo. Mas as deficiências de defesa são óbvias e talvez a principal delas seja na posição de cornerback.

Na temporada passada, os defensores do Eagles permitiram que os QBs adversários completassem 60% dos passes. Nolan Carroll e Leodis McKelvin deixaram o time, para a felicidade dos torcedores de Philly. O problema é que quem ficou não inspira confiança e talvez isso tenha motivado a troca com o Buffalo Bills, em que o Eagles enviou Jordan Matthews e recebeu o CB Ronald Darby, que chega e automaticamente entra no time titular. O grupo de linebackers também é uma preocupação. Além do dinâmico Jordan Hicks, não há muita certeza.

A força da defesa talvez esteja na linha defensiva. Fletcher Cox é um dos melhores DTs da NFL e vence constantemente as coberturas duplas que recebe. Além de Cox, o Eagles conta com jogadores de pedigree que ainda não conseguiram atingir todo o potencial que têm, como Brandon Graham, escolha de primeiro round do draft de 2010, e Vinny Curry, que assinou uma extensão contratual de 47,5 milhões de dólares que alguns classificam como o pior contrato de um DL da NFL.  Chris Long e Timmy Jernigan chegam via free agency com a expectativa de adicionar elementos a mais no pass rush, que será fundamental para o sucesso da defesa.

Palpite: A evolução, principalmente ofensiva, acontecerá, mas é difícil enxergar esse time ganhando mais do que oito jogos. Um recorde de 8-8 não seria surpreendente. Um 9-7 seria um sucesso absoluto. Mas, como mencionado no início do texto, a NFL não é feita apenas de números. O que o Philadelphia Eagles precisa em 2017 é ter a certeza que encontrou seu QB e que a franquia está no caminho certo.

Correndo contra o tempo

Quando entrar em campo para enfrentar o Dallas Cowboys, no dia 10/09, Eli Manning completará 200 jogos consecutivos de temporada regular como QB titular do New York Giants. Se os playoffs forem incluídos na conta, são 212 partidas seguidas como starter. Entre QBs, a marca é a terceira melhor de todos os tempos, atrás apenas do irmão Peyton e de Brett Favre.

O número é impressionante para um esporte em que tantas contusões acontecem. A durabilidade de Eli é um dos motivos que o tornam um dos poucos verdadeiros franchise QBs da NFL. Desde a temporada de 2004, quando foi draftado na primeira escolha geral do draft e assumiu a titularidade do Giants, Eli não perdeu nenhum jogo e se tornou a cara da franquia.

A cara da franquia.

Em 2017, Eli Manning completará 14 temporadas de muitos altos e baixos na NFL. Os dois prêmios de MVP do Super Bowl contrastam com performances medíocres e muitas (muitas mesmo) interceptações. Eli parece adorar os extremos: ou é muito bom, ou é muito ruim. O tempo, porém, parece ter feito bem a ele. Suas melhores temporadas em termos de estatística vieram depois dos 30 anos completos. Em 2011, por exemplo, ficou a 77 jardas de entrar para o seleto clube de QBs que passaram para cinco mil jardas em uma temporada. Os 35 TDs que lançou em 2015, quando já tinha 34 anos, foram o recorde de sua carreira.

O tempo traz experiência, mas também traz o inevitável declínio físico. Mesmo jogando razoavelmente bem nas últimas temporadas, Eli mostrou certa queda em sua performance física. Os passes já não são tão potentes e precisos e ele depende muito da habilidade de seus recebedores para mover o ataque.

O New York Giants sabe que a janela de Eli Manning está se fechando e parece estar determinado a conquistar mais um título com seu franchise QB. O time, que nunca teve o costume de gastar na free agency, foi às compras antes da temporada 2016 para tentar melhorar principalmente a defesa, que teve uma performance ridícula em 2015. A queima de dinheiro parece ter dado certo. Em 2016, primeira temporada de Ben McAdoo como head coach, o time conseguiu 11 vitórias e 5 derrotas e voltou aos playoffs pela primeira vez desde que venceu o Super Bowl, na temporada 2011. Porém, a derrota para o Green Bay Packers, logo na rodada de Wild Card, mostrou que ainda falta bastante coisa para que o time seja levado a sério como candidato a chegar ao Super Bowl.

Um novo velho ataque

Em 2016, o ataque do Giants foi apenas o 25º melhor da NFL em jardas por partida, abaixo de ataques bem questionáveis, como o do Jacksonville Jaguars, e apenas um pouco acima de times verdadeiramente horrorosos, como o New York Jets e o Cleveland Browns. Os números mostram que o Giants chegou à pós-temporada muito mais por mérito da defesa e que algo teria que ser feito para tornar o ataque mais produtivo em 2017.

O Giants parece acreditar que para melhorar o ataque basta trazer armas novas para Eli Manning. Brandon Marshall foi contratado na free agency para ser o alvo grande que faltava, especialmente na red zone. Marshall é um ótimo jogador que há dois anos teve uma temporada de 1502 jardas e 14 TDs recebidos, mas que em 2016 não chegou a 800 jardas e recebeu apenas 3 TDs. Os números ruins na última temporada podem ser creditados à bagunça que foi o New York Jets, mas é possível considerar que Marshall já esteja no final de sua carreira. De qualquer forma, ele ainda deve contribuir de forma significativa para o ataque do Giants.

Outra arma adicionada na offseason foi o TE Evan Engram, draftado no primeiro round do draft de 2017. Engram foi uma das escolhas mais criticadas, por não ser um bom bloqueador e por não atender às reais necessidades do time; ele terá que provar o seu valor como recebedor e parece ser isso que o time espera dele. Após o draft, o General Manager Jerry Reese disse que o Giants vê Engram como uma arma. Engram terá que mostrar que sua presença acrescenta uma dimensão a mais ao ataque, já que nos últimos anos Eli Manning teve que se virar com TEs como  Will Tye e Larry Donnel.

Peguei.

Marshall e Engram devem ser bons complementos a Odell Beckham Jr., talvez o melhor WR da NFL, e Sterling Shepard, um slot receiver muito eficiente. Os quatro formam um dos melhores grupos de recebedores da liga. O problema é que não adianta ter recebedores tão bons se a linha ofensiva não protege o QB. O Giants terá em 2017 basicamente a mesma OL que jogou muito mal em 2016. A única contratação foi D.J. Fluker, veterano que não conseguiu sucesso em seus cinco anos de NFL. Se o setor não mostrar uma evolução razoável, será muito difícil para Eli Manning tirar proveito de suas armas.

Outro problema é a posição de RB. Depois de muitos anos de sofrimento com o nada inspirador Rashad Jennings como titular, o Giants decidiu que Paul Perkins e Shane Vereen são suficientes para comandar o jogo corrido. O problema é que eles não são. Perkins teve oportunidades em 2016 e mostrou ser um jogador mediano, mas que não se transformará no próximo Adrian Peterson. Shane Vereen, além de não conseguir permanecer saudável, é um mero especialista em receber passes. Com um jogo corrido que não inspira quase nenhuma confiança, o Giants novamente deve ter um ataque unidimensional, até o braço de Eli Manning cair.

Spoiler: isso não é uma coisa boa.

Uma pequena grande evolução

Assim como a linha ofensiva, a defesa do Giants retorna praticamente intacta para a temporada 2017. A diferença é que, ao contrário da OL, o retorno da mesma defesa é uma excelente notícia para os torcedores do Big Blue. A única perda entre os titulares foi a do DT Johnathan Hankins, que foi substituído por Dalvin Tomlinson, escolha de segundo round vinda de Alabama.

Tomlinson se junta a uma linha defensiva bastante respeitável, com potencial para ser excelente. O pass rush será comandado por Olivier Vernon, a grande contratação da offseason de 2016 e o grande símbolo da reconstrução da defesa. Do outro lado da linha, Jason Pierre-Paul mostrou que pode jogar mesmo sem metade da mão e renovou seu contrato. Pelo meio, Damon “Snacks” Harrison talvez seja o melhor jogador de linha da liga defendendo o jogo corrido.

E se DL é boa, a secundária é melhor ainda. Até o desastre que foi o segundo tempo do já citado jogo de Wild Card contra o Packers, o Giants tinha feito um trabalho excelente defendendo recebedores. Em 2017, é provável que a evolução continue. Janoris Jenkins, outra das contratações milionárias do ano passado, Dominique Rodgers-Cromartie e Eli Apple formam um dos melhores grupos de cornerbacks da NFL, enquanto Landon Collins talvez tenha sido o melhor safety da liga no ano passado e foi selecionado para o Pro Bowl.

As vitórias que o Giants conseguiu nos Super Bowls contra o New England Patriots foram graças a defesas dominantes, que pressionavam fortemente os QBs adversários e não permitiam grandes avanços. A fórmula parece estar se repetindo. Resta saber se a defesa conseguirá compensar as carências do ataque. E se o time terá a sorte de encontrar o eterno freguês na decisão.

Palpite: talvez o Giants não tenha evoluído o suficiente para melhorar o recorde de 11-5 conseguido em 2016, especialmente no ataque. Se é difícil enxergar uma evolução considerável, também é difícil perceber uma queda muito acentuada. Portanto, é provável que o time consiga 10 vitórias em 2017, principalmente por mérito da defesa. É provável que esse desempenho seja suficiente para uma vaga nos playoffs, mas o time não deve ir longe. A não ser que Eli Manning esteja inspirado, aí a gente já sabe até onde o Giants pode chegar.

Um grande hype enfrentando enormes expectativas

Após o surpreendente sucesso na temporada passada, Dallas, ao que tudo indica, está agora em uma nova direção; 11 atletas deixaram a equipe na última free agency, enquanto outros dois se aposentaram. Aliás, estes 11 jogadores começaram mais de 500 jogos de suas carreiras com o Cowboys – incluindo 94 no último ano.

Mesmo assim, o dono e novo hall of famer Jerry Jones mantém o otimismo. “Perdemos um número significativo de atletas, mas fomos seletivos nestas perdas”, justificou o proprietário da franquia durante a offseason.

É importante que os novatos joguem, eles realmente precisam de oportunidades. Eu não ousaria projetar nosso número de vitórias, mas acredito que temos uma equipe melhor do que a que terminou a temporada passada; temos a chance de sermos melhores do jeito correto: mais novos”.

Jaqueta em homenagem a todo o ouro que este homem trouxe para liga.

Pequenos fantasma

Tony Romo sofreu uma lesão durante a pré-temporada de 2016 e, como em qualquer outro dia, todas as perspectivas se dissiparam em Dallas. Naquela ano, porém, tudo foi diferente: havia uma pequena esperança no Texas de que Dak Prescott poderia fazer o trabalho com dignidade até Romo estar recuperado.

Mas Prescott foi tão eficiente que não deixou brechas e assumiu a posição: foram 23 touchdowns e apenas quatro interceptações – e outros 6 TDs corridos. Com mais de 67% dos passes completos, Dak teve média aproximada de 8 jardas por tentativa. Claro, ele tem um ótimo elenco de apoio para auxiliá-lo, mas de qualquer forma é pouco provável que grande parte dos quarterbacks da NFL teriam atuado no mesmo nível que Dak – menos ainda se considerássemos que Prescott era um mero rookie.

Voltando ao elenco de apoio, o integrante de maior destaque, também foi um novato: o RB Ezekiel Elliott correu para 1631 jardas e 16 TDs – ele ainda teve 32 recepções para outros 363 jardas. O fato é que algumas equipes não tiveram respostas para Elliott em seu primeiro ano. Mas tudo pode ser diferente em 2017.

O grande hype a espera de uma grande decepção

Diante do exposto, Prescott terminou o ranking dos 100 melhores jogadores para esta temporada organizado pela NFL Network na 14ª posição. Releia com atenção: 14ª posição.

E que fique claro que aqui não há nada contra Prescott; ele talvez tenha tido a melhor temporada de um quarterback rookie da história da NFL. Mas também é fato que ele não é sequer o melhor jogador ofensivo de Dallas – o já citado Eliott, o WR Dez Bryat, o G Zack Martin e o C Travis Frederick são melhores jogadores que Dak.

Inegavelmente, Prescott é mais valioso, sobretudo por sua posição. E achamos Dak extremamente talentoso e um potencial grande QB para os próximos anos, mas a verdade é que será muito difícil para ele evoluir seus números de maneira proporcional ao hype em sua segunda temporada – entenda que os adversários, agora, tiveram uma offseason toda para estudá-lo e a tabela está longe de ser fácil.

E não é apenas as expectativas em torno de Prescott que podem fazer os sonhos de Dallas desmoronarem: há também a dúvida sobre a possível suspensão de Elliott, que ainda não sabemos como acabará – hoje, ela é de seis jogos, mas o recurso ainda será julgado. A defesa, que já era mediana, perdeu peças-chave, sobretudo na secundária e torce para que alguns novatos consigam preencher os buracos – vale lembrar que Dallas terminou com 7 vitórias e uma derrota em partidas decididas por sete pontos ou menos na última temporada.

Onde realmente mora a esperança

Se você crê que Dallas pode repetir as mais de 10 vitórias da temporada passada, saiba que a esperança para isso ainda mora na linha ofensiva, uma das melhores da NFL nos últimos anos. Zeke foi incrível e Dallas construiu seu sistema ofensivo em torno dele – ele era a base do ataque, e não Prescott. E, claro, Elliott deveria ter conquistado o ROY caso o hype não vencesse.

Pode vir.

O fato é que a linha ofensiva permite que Dallas controle o ritmo das partidas, conquistes caminhões de jardas por terra, mantenha o ataque adversário fora de campo e dê tranquilidade ao seu jovem quarterback. Essa fórmula permanece inalterada: enquanto a OL continuar dominante, os Cowboys podem chegar longe.

Já os WRs Cole Beasley, Dez Bryant e Terrance Williams somaram para 169 recepções, 2223 jardas e 17 touchdowns, uma das melhores unidades da NFL. E enquanto Bryant continua a ser a grande estrela, Beasley, que liderou a equipe em recepções (75), se mostrou uma opção de segurança para Dak. Há ainda o TE Jason Witten, que renovou seu contrato durante a offseason e terminará sua carreira em Dallas – mas apesar de ter jogados as 16 partidas pela 13ª temporada consecutiva, aos 36 anos, parece difícil que Witten siga produzindo efetivamente.

Preenchendo o vazio

Não parece surpresa que Dallas tenha investido suas três primeiras escolhas de draft para reforçar o setor defensivo: a unidade foi fraca quando comparada ao ataque, terminando na 14ª posição da NFL.

Foram 36 sacks, cinco a mais que em 2015, mas mesmo assim a temporada  foi a quinta consecutiva em que a defesa dos Cowboys terminou fora do top 10 da liga. Dallas, aliás, não tem um jogador com dígitos duplos em sacks desde que o DE Jason Hatcher conseguiu 11 em 2013.

Talvez por isso a escolha de primeira rodada tenha sido usada no DE Taco Charlton, de Michigan, trazido para reforçar a linha defensiva (adendo: nenhum jogador da equipe teve mais que seis sacks na temporada passada). Além dele, o setor também espera mais de Demarcus Lawrence, que teve oito sacks em 2015, mas viu o número despencar para apenas um na temporada passada – pese o fato de que ele esteve em campo em apenas nove partidas, devido a uma cirurgia nas costas.

Já na secundária, Dallas perdeu os CBs Brandon Carr e Morris Claiborne e os S Barry Church e JJ Wilcox. Claro, nenhum dos quatro possui números que saltam aos olhos e podem ser considerados perdas irreparáveis, mas enquanto grupo eles contribuíram com 254 tackles, 5 interceptações e 28 passes defendidos na temporada passada – a responsabilidade agora está com uma turma de novatos, que têm potencial, mas não sabemos como se sairão.

Palpite: em Dallas, tudo parece um pouco demais. É, ainda, muito cedo, para o nível de otimismo que se instalou. Prescott pode ter uma segunda temporada maravilhosa, e ainda assim não ter os mesmos números de seu ano de estreia. A defesa está longe de ser uma das melhores da NFL; e um ou dois contratempos, envolvendo Dak, Bryant, Elliott ou mesmo a OL, pode fazer tudo desmoronar – além disso, o calendário não será fácil. De qualquer forma, um número maior que 10 vitórias é factível e o Cowboys pode estar na pós-temporada. Mas também pode facilmente perder o controle da divisão.

Análise Tática #3 – Eli Manning é o (segundo) mais idiota da rodada

Eli Manning é conhecido por ser um QB que costuma resolver nos momentos decisivos. De acordo com o site Pro Football Reference, Eli é o segundo QB em atividade com mais viradas no último quarto. Desde 2004, quando estreou na NFL, foram 28 viradas no quarto período, atrás apenas de Tom Brady, com 37. Quando o busto de Elisha Nelson Manning for colocado no Pro Football Hall of Fame, em Canton, Ohio,  o que virá à mente são duas performances espetaculares no último quarto de dois Super Bowls, quando levou o New York Giants a duas viradas espetaculares contra o New England Patriots.

O que aconteceu no último domingo, porém, não será digno de menções no futuro. Eli foi, provavelmente, o grande responsável pela derrota do Giants para o Washington Redskins. No jogo que marcava o reencontro do WR Odell Beckham Jr e do CB Josh Norman, que quase se mataram dentro de campo na temporada passada, o destaque negativo foi Eli Manning. Com leituras equivocadas, passes forçados e TDs fáceis perdidos, Manning foi decisivo para o resultado final.

Analisamos três jogadas que aconteceram no último quarto que mostram por que o New York Giants não conseguiu sua terceira vitória na temporada.

Odell Beckham COMPLETAMENTE LIVRE para o TOUCH… NÃO:

A primeira jogada do último quarto foi uma play action em que Eli Manning teria três rotas de WRs à disposição. Odell Beckham, na parte de baixo da tela, era o único recebedor com rota em profundidade. O safety do Washington Redskins posicionado na linha de 35 jardas iria para blitz, enquanto Josh Norman, marcando Odell, se deslocaria para o meio do campo.

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Com a jogada em andamento, percebemos que o safety que foi para blitz não chegou nem perto de Eli e que Josh Norman deixou Odell Beckham completamente sozinho. Eli Manning, porém, jamais olhou para o seu lado esquerdo enquanto Beckham entrava em completo desespero pedindo a bola.
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No momento do passe, é possível perceber que Odell estava completamente livre e seria um TD fácil. Eli Manning acabou completando o passe para Sterling Shepard, no meio do campo, porém perdeu o que seria um touchdown de 75 jardas e o primeiro de OBJ na temporada.

Passe forçado (e interceptado) #1:

Mesmo com a oportunidade perdida, o Giants seguiu avançando. Algumas jogadas depois, no mesmo drive, Eli já estava na redzone de Washington. No shotgun, Eli percebeu que Washington mandaria blitz e pediu a proteção do RB Shane Vereen.

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Washington mandaria blitz com sete jogadores, deixando os quatro recebedores com marcação individual. Mesmo enfrentando a tentativa de presão da defesa, Eli teve o pocket praticamente limpo. Victor Cruz e Sterling Shepard, no alto da tela, tinham rotas cruzando o campo e tinham uma certa separação dos defensores. O problema é que Eli não estava muito disposto a procurar alvos livres e focou no TE Will Tye, bem marcado, na parte de baixo da tela.

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Enquanto Vitor Cruz estava a cinco jardas do defensor mais próximo, Manning forçou o passe para Tye; ele não conseguiu brigar pela bola, que acabou interceptada.

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Por outro ângulo, é possível perceber claramente que o marcador tinha uma visão muito mais clara do que estava acontecendo e acabou levando vantagem.

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Passe forçado (e interceptado) #2:

Na última jogada da partida, precisando de um field goal para vencer, o Giants colocou em campo uma formação 11, ou seja, com 3 WRs, 1 TE e 1 RB. O WR no slot e o TE, ambos no meio do campo, tinham rotas em profundidade. Victor Cruz e Odell Beckham rotas comeback nas laterais. Washington mandou apenas um LB para blitz.

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Todos os recebedores tinham marcação individual, com um safety no fundo do campo fazendo a leitura da jogada. Assim como na primeira interceptação, Eli Manning não esperou a jogada se desenvolver e forçou um passe para o RB Shane Vereen, com rota cruzando o campo.

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O passe foi tão telegrafado que o defensor não teve dificuldades em adiantar a jogada e fazer a interceptação. TODOS (nota da edição: O CADU) nós te amamos, Elisha, mas pare com isso, por favor.eli11

BÔNUS

Read Option é uma jogada em que o QB recebe o snap, faz a leitura da defesa e decide se fica com a bola, se entrega para o RB ou mesmo se faz um passe rápido. Esse tipo de jogada, como o próprio nome já diz, é baseada em OPÇÕES. A falta delas não parece afetar Blaine Gabbert. Flagramos o QB do San Francisco 49ers fingindo que entregaria a bola para um RB que só existe em sua imaginação e ainda sair correndo surpreendido para 1 jarda. Lamentável, Blaine.

Destinados à decepção: quanto maior a expectativa, maior o tombo

Era algo que não esperávamos, mas a verdade é que Kirk Cousins impressionou em seu primeiro ano como quarterback titular do Washington Redskins; com ele foram nove vitórias e sete derrotas, além do título da NFC East. O que mais chamou a atenção, porém, foi que tudo ocorreu de maneira despretensiosa, afinal, no início desta história, ninguém em sã consciência acreditaria que ele levaria o Redskins tão longe.

De qualquer forma, exceto por um ou outro motivo esquecível, como ajoelhar na bola a cinco jardas do touchdown ou ainda a explosão que viralizou (“You like that?”, amigos?), Kirk raramente esteve próximo das manchetes ou de declarações desagregadoras: seu jogo falou por si só e, ao menos parece, era o que ele buscava. E é o que ainda diz buscar.

“Gostaria de ser o San Antonio Spurs da NFL”, disse Cousins recentemente em entrevista à NBC. “Seja entediante e talvez, ao final da temporada, as pessoas apenas pensem ‘eles tiveram um bom ano’. E em nenhum momento precisamos falar sobre isso”.

A busca por um modelo de gestão consagrado é justificada e o espelho para o Redskins não poderia ser melhor: ano após ano o Spurs é um dos melhores times da NBA e levou cinco títulos desde 1999, além de marcar presença na pós-temporada consecutivamente desde 1998.

Há, no entanto, alguns poréns: enquanto San Antonio se restringe as quadras, nos últimos anos, Washington tem vivido em ebulição constante, ocupando o noticiário mais por polêmicas extra campo do que pelos resultados conseguidos nele. “Não preciso me promover. Temos muitas pessoas aqui são boas o suficiente no que fazem. Só quero jogar football, não quero me preocupar com outra coisa: se você ganhar seus jogos, o resto é consequência. É uma receita simples”, pondera o mesmo Cousins.

O fato é que, em qualquer grande liga norte, muitos usam San Antonio como modelo. E a mudança entre como o Spurs deixou de ser o “time que todo mundo odeia” para exemplo de “gestão e basquete bem jogado” deixa claro os motivos deles estarem no topo há tanto tempo: sempre elogiamos a escolha de um projeto a longo prazo e ideia de transpor o modelo pode soar tentadora, mas o Redskins tem alguém como Tim Duncan disponível para construir um projeto ao seu redor? Há um Manu Ginobili em início de carreira FedEx Field? A teoria parece simples, mas a verdade é que todo este sistema depende de algumas peças bem difíceis de se encontrar. E depende, sobretudo, de talento.

O lado bom

Os números de 2015 de Kirk Cousins são os melhores da franquia: 4166 jardas, 379 passes completos (69,8%). O mais importante é que tudo indica que Kirk aprendeu a proteger a bola – algo de que ele parecia muito longe em seus primeiros anos na NFL: foram apenas 11 interceptações e 4 fumbles. Ele também foi mais eficiente ao escapar de sacks que seu antecessor. Números estes que fizeram o Redskins a usar a frachise tag em Cousins.

Também é inegável que Kirk tem bons alvos a sua disposição: o TE Jordan Reed liderou Washington em recepções (87), jardas (952) e touchdowns (11) em sua terceira temporada. DeSean Jackson se destacou em rotas longas, com média superior a 17 jardas por recepção e Pierre Garçon, apesar da idade, ainda se mostra confiável.

A dúvida paira sobre o jogo corrido: Matt Jones, após um bom ano como rookie, assume a responsabilidade do jogo terrestre substituindo o veterano Alfred Morris – outro que deixou a equipe foi o fullback Darrel Young. Como Morris irá reagir dirá muito sobre as pretensões do Redskins na temporada.

Já o meio termo está na linha ofensiva: se a linha ofensiva não é extremamente confiável, ao menos deixou de feder. O LT Trent Williams, quatro vezes selecionados para o Pro Bowl, continua a ser sustentação do sistema, enquanto LG Brandon Scerff, quinto selecionado no draft de 2015, foi brilhante em sua temporada de estreia.

GLENDALE AZ, OCTOBER 12: Washington quarterback Kirk Cousins (8), left, sits with injured quarterback Robert Griffin III (10) on the bench very late in the 4th quarter as the Arizona Cardinals defeat the Washington Redskins 30 - 20 in Glendale AZ, October 12, 2014 (Photo by John McDonnell/The Washington Post via Getty Images)

Cousins também pode ter problemas essa temporada porque perdeu seu segurador de prancheta.

O lado não tão bom

A outra grande história que gerou muita expectativa na offseason em Washington foi a chegada de Josh Norman, dando-lhe rapidamente um mega-contrato de 5 anos que poderá valer até 75 milhões de dólares – um contrato que os Panthers, seu ex-time, não tinha intenção de dá-lo, o que talvez fale um pouco sobre quão duvidosa é essa contratação.

De qualquer maneira, o cornerback Norman, que complicou a vida de quase todos os wide receivers que enfrentou no ano passado, deverá melhorar imediatamente a secundária ao lado de Bashaud Breeland, DeAngelo Hall (que trocou de posição e jogou razoavelmente como safety) e Duke Inehacho. Mais reforços também foram trazidos: Greg Toler, que era apenas mediano nos Colts, e Kendall Fuller, que era cotado para a primeira rodada do draft, mas caiu para a terceira por ter sofrido uma micro fratura no joelho – se estiver saudável, será com certeza um grande reforço, mesmo que CBs novatos demorem a se desenvolver.

A frente deles, o rookie Su’a Cravens foi trazido para tentar ajudar um corpo de linebackers que foi especialmente ruim em 2015 – ninguém parecia adequado para jogar como inside LB. Além disso, Cravens deverá executar uma função híbrida de LB/S, a la Kenny Vaccaro, fazendo uma ligação entre os dois extremos da defesa e colaborando contra a corrida e o jogo aéreo.

Junto a ele estarão Preston Smith, agora mais maduro após um ano de estreia eficiente (foi inclusive apontado como um dos melhores jogadores com menos de 25 anos pela NFL.com) e Ryan Kerrigan, talvez finalmente jogando uma temporada inteira saudável (jogou parte da passada com a mão quebrada) e com um novo contrato, em busca de melhorar um pass rush que conseguiu apenas 38 sacks ano passado – sem conseguir pressão suficiente.

Por último, a linha defensiva perdeu provavelmente o seu melhor jogador em Terrance Knighton, que foi para New England – por pura falta de esforço da diretoria de Washington. Assim, sobraram Trent Murphy, que mudará de posição e começará a correr atrás dos QBs partindo com a mão no chão (depois de dois anos como OLB) e Chase Baker pelas laterais, enquanto Knighton será substituído por outro gigante no nose tackle Kendric Golston, mas bem menos habilidoso: não é um bom cenário.

Sep 27, 2015; Charlotte, NC, USA; Carolina Panthers cornerback Josh Norman (24) celebrates after intercepting a pass in the fourth quarter against the New Orleans Saints at Bank of America Stadium. Carolina defeated the Saints 27-22. Mandatory Credit: Jeremy Brevard-USA TODAY Sports

Ok, Odell, olhamos para essa carinha e também temos vontade de dar uma cabeçada.

Palpite: Podemos acreditar que Cousins repetirá o feito incrível do ano passado? E Josh Norman é realmente um craque ou apenas mais um que é produto de um bom esquema de jogo? De qualquer forma, parece que os Giants fizeram bem mais para evoluir, enquanto os Redskins parecem destinados a repetirem o 9-7 do ano passado – dessa vez, sem playoffs.

Não há luz no fim no túnel (tampouco uma equipe confiável)

O quarto quarterback a iniciar a temporada em quatro anos, sexto a iniciar uma partida nesse mesmo período de tempo (o último a conseguir começar duas temporadas foi o grande Michael Vick em 2012-13): essa é a condição em que estreará Carson Wentz na principal liga de futebol americano, depois de apenas dois anos como titular na “segunda divisão” do football universitário, sob uma pressão que ele jamais teve na vida.

Pressão essa que vai muito além do valor investido em escolhas do draft para subir à segunda posição para levá-lo à Filadélfia. A torcida dos Eagles é conhecida por ser uma das mais impacientes dos Estados Unidos (e já estamos todos ansiosos por essa revolta constante quando o draft aterrissar na cidade ano que vem) – eles vaiam até o Papai Noel. E também há salários em jogo: só esse ano, o time vai pagar mais de 15 milhões de dólares a Chase Daniel e Sam Bradford para não jogarem; um absurdo, considerando-se que esses contratos foram feitos meses antes do draft e Doug Pederson e companhia poderiam ter se adiantado e economizado alguns trocado (e espaço no cap).

Sam Bradford, inclusive, cuja saída abriu as portas para Wentz atropelar Chase Daniel (que, inclusive, com certeza foi enganado com a oportunidade de tomar a posição assim que Bradford se machucasse). A proposta de troca do Minnesota Vikings, dando a oportunidade ao time de recuperar a escolha de primeira rodada investida na troca por Wentz, foi boa demais para ser recusada.

O sorriso de quem não sabe onde está se metendo.

O sorriso de quem não sabe onde está se metendo.

Desistindo da temporada

É valido lembrar já no começo do texto ao mais otimista dos torcedores que a temporada de 2016 será de muito aprendizado e surras para os Eagles. Por mais brilhante que seja o futuro de Carson Wentz, a velocidade do jogo na FCS (a já mencionada segunda divisão em que ele jogava) é muito reduzida em relação a da NFL – e abrir mão de Bradford, assim como voltou a dar esperança a Minnesota, levou o último QB suficientemente adaptado a liga de Philadelphia.

Além disso, Wentz perdeu treinamentos e oportunidades da pré-temporada (mais um motivo pelo qual Chase Daniel deve estar felizão com o comando da equipe) por conta de uma lesão nas costelas, além de disputas contratuais, e não há talento ou físico que possa superar isso, especialmente no caso de um jogador tão cru.

Mas pelo menos o rookie entra em uma condição boa, né?

Não. Na verdade, muito pelo contrário, a começar pela companhia no backfield. Ryan Mathews já realizou boas partidas na NFL, mas nunca conseguiu ser constante quando titular (sua média de 5.1 jardas por corrida veio sendo o RB2 atrás de DeMarco Murray), especialmente por ser mais sensível a lesões que o já citado Bradford (jogou as 16 partidas somente em 2013, em seus 6 anos de liga); a outra opção é Darren Sproles, que aos 33 anos parece eminente a sua decadência.

Falando em opções, Wentz também não terá grandes recebedores (talvez o mais seguro seja o próprio Sproles): o grupo foi apontado pela PFF como o pior da NFL e o único reforço trazido foi Dorial Green-Beckham (em uma troca por um OL sem nome), que fracassou nos Titans, outro time que tampouco é conhecido pelos seus WRs.

Suas melhores opções deverão ser Jordan Matthews, que apesar de suas quase 1000 jardas e 8 TDs atrapalhou muito a vida de Bradford com drops, Nelson Agholor, que teve apenas 23 recepções como novato, e Zach Ertz, que assinou um novo contrato com o valor de 42 milhões de dólares (5 anos) mesmo sem nunca ter recebido mais de 4 touchdowns em uma temporada (mas 853 jardas ano passado).

Por último, a proteção também vai mal das pernas. Os melhores jogadores da linha, os tackles, têm problemas: Jason Peters, left tackle, está sentindo o peso da idade e seu nível já vem caindo desde o ano passado, enquanto Lane Johnson, o homem da direita, está suspenso por 10 jogos pelo uso de esteroides e será substituído por um jogador que deveria ser guard ou por um rookie. Por dentro, Wentz ao menos receberá os snaps do confiável Jason Kelce e Brandon Brooks foi trazido de Houston para reforçar a linha – quem começará como left guard ainda é uma incógnita, pois Allen Barbre pode acabar como RT.

Ao menos temos Fletcher Cox

A situação do outro lado da bola é um pouco mais otimista, especialmente com a chegada de Jim Schwartz (medíocre como head coach, um grande coordenador defensivo). O DT Fletcher Cox (9.5 sacks em 2015) assinou em junho um merecido novo contrato com 63 milhões garantidos e deverá trazer terror por dentro da linha defensiva dos Eagles, que volta a jogar na formação 4-3. No pass rush, ele terá a companhia de Brandon Graham, Connor Barwin (7 sacks ano passado) e Vinny Curry, que também recebeu um novo contrato e parece destinado a despontar nessa nova formação, mesmo após um 2015 decepcionante.

Atrás deles, Philadelphia sofreu reformas importantes no seu back seven. O LB Kiko Alonso e o CB Byron Maxwell foram enviados para o Miami Dolphins para que os times trocassem as escolhas de primeira rodada (manobra que depois permitiu a troca pela segunda escolha, Carson Wentz), mas não é como estejam prestes a fazer muita falta, especialmente o segundo.

O dono da bola.

O dono da bola.

Alonso será substituído por Nigel Bradham, também vindo do Buffalo Bills, mas tendo uma passagem bem menos impressionante por ali. Ele será acompanhado de Jordan Hicks, voltando de uma lesão no peitoral que interrompeu um bom início que teve como novato, e Mychal Kendricks, que protege bem contra a corrida e… só.

A secundária estará bem servida dos safeties Malcolm Jenkins e Rodney McLeod, vindo dos Rams por 37 milhões de dólares. Além disso, Leodis McKelvin e Ron Brooks deverão ser substitutos mais do que suficientes à mediocridade de Byron Maxwell, jogando do lado oposto a Nolan Carroll – mesmo que isso não signifique que qualquer um desses CBs será grande coisa.

Palpite: A defesa pode até tentar nos enganar e gerar um pouco de otimismo com bons jogadores, mas a situação do ataque é de reforma total e não ilude: esse é o pior time da NFC East. De qualquer forma, com a troca de Bradford o próprio time admite estar mais interessado em seguir trabalhando e construindo uma nova equipe ao redor de Wentz nos próximos anos – a disputa pela primeira escolha de 2017 será intensa. Seria uma pena se ela já tivesse sido trocada para os Browns.