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Análise Tática #6 – OBJ: pelo menos nós nunca duvidamos

As cinco primeiras semanas da temporada foram turbulentas para Odell Beckham Jr, WR do New York Giants e uma das grandes estrelas da NFL. Entre ataques de histeria na sideline, demonstrações de fúria após jogadas sem sucesso e lutas perdidas contra o golzinho de treinamento do kicker, OBJ estava longe de produzir o que se esperava de um dos melhores jogadores da liga.

Na semana 6, porém, tudo voltou ao normal ─ se é que 8 recepções para 222 jardas e 2 TDs, a melhor marca de sua carreira, pode ser considerado um desempenho meramente normal. Beckham quase bateu o recorde do Giants para jardas recebidas em apenas um jogo e foi o primeiro jogador da franquia a receber dois TDs de mais de 66 jardas na mesma partida desde 1966. A grandiosidade dos números de OBJ não se resume à quebra de recordes do time. Desde que estreou na liga, OBJ tem dez jogos de 140 ou mais jardas e está empatado com Julio Jones, WR do Atlanta Falcons. Esses dez jogos são o recorde da liga para um WR em suas três primeiras temporadas ─ e é bom lembrar que o Giants ainda tem dez jogos para disputar na temporada regular de 2016.

Mas como esses números espetaculares foram construídos? Na vitória contra o Baltimore Ravens, Odell recebeu 211 jardas e 2 TDs apenas no segundo tempo. Foram duas recepções longas (75 e 66 jardas), que foram fundamentais para a vitória e aconteceram assim:

TD de 75 jardas

Passes longos normalmente acontecem por ausência/falha dos Safeties. Em seu primeiro TD, Odell tinha uma rota curta, em que avançava cerca de 5 jardas e voltava para receber o passe. O Baltimore Ravens deixou um CB na marcação individual de Beckham e um Safety posicionado do mesmo lado do campo.

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Quando percebeu que estava bem marcado, Odell ajustou a rota e partiu para a recepção em profundidade. Não é possível determinar se a rota originalmente previa o passe em profundidade ou se foi uma boa leitura do ataque do Giants. De qualquer forma, a jogada mostrou um excelente entrosamento entre QB e WR. A paciência de Eli Manning, que teve boa proteção, e a movimentação do Safety, que partiu para cobrir a rota do TE, foram fundamentais para o sucesso da jogada.

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No momento do passe, não havia muita separação entre Odell e o marcador, mas Eli Manning não hesitou em confiar na velocidade de seu WR. Entre OBJ e o TD havia apenas o S que estava posicionado do lado oposto do campo.

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Quando recebeu o passe, Beckham já estava a cerca de duas jardas a frente do CB e não teve dificuldades para vencer o Safety e marcar o touchdown.

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TD de 66 jardas

Em uma 4th & 1, com 1:36 no relógio no último quarto, o Giants precisava de pelo menos um Field Goal para empatar a partida. Como o Giants precisava de apenas uma jarda, o Baltimore Ravens optou pela marcação mais próxima à linha de scrimmage, com apenas um Safety em profundidade. Odell Beckham tinha uma rota slant, em que o recebedor dá um ou dois passos para frente e corre na diagonal em direção ao meio do campo. A movimentação do Safety próximo à linha, que novamente foi para a marcação do TE, foi fundamental para o resultado da jogada, assim como no primeiro TD de Beckham.

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As rotas de Beckham e do TE do Giants se cruzavam, o que fez com que os dois defensores do Ravens que estavam na marcação individual se chocassem, permitindo uma recepção fácil.

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A partir daí, Beckham só precisou usar novamente sua velocidade para bater o Safety e garantir a vitória do Giants.

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Análise Tática #3 – Eli Manning é o (segundo) mais idiota da rodada

Eli Manning é conhecido por ser um QB que costuma resolver nos momentos decisivos. De acordo com o site Pro Football Reference, Eli é o segundo quarterback em atividade com mais viradas no último quarto. Desde 2004, quando estreou na NFL, foram 28 viradas no quarto período, atrás apenas de Tom Brady, com 37. Quando o busto de Elisha Nelson Manning for colocado no Pro Football Hall of Fame, em Canton, Ohio,  o que virá à mente são duas performances espetaculares no último quarto de dois Super Bowls, quando levou o New York Giants a duas viradas contra o New England Patriots.

O que aconteceu no último domingo, porém, não será digno de menções no futuro. Eli foi, provavelmente, o grande responsável pela derrota do Giants para o Washington Redskins. No jogo que marcava o reencontro do WR Odell Beckham Jr e do CB Josh Norman, que quase se mataram dentro de campo na temporada passada, o destaque negativo foi Eli Manning. Com leituras equivocadas, passes forçados e TDs fáceis perdidos, Manning foi decisivo para o resultado final.

Analisamos três jogadas que aconteceram no último quarto que mostram por que o New York Giants não conseguiu sua terceira vitória na temporada.

Odell Beckham COMPLETAMENTE LIVRE para o TOUCH… NÃO:

A primeira jogada do último quarto foi uma play action em que Eli Manning teria três rotas de WRs à disposição. Odell Beckham, na parte de baixo da tela, era o único recebedor com rota em profundidade. O Safety do Washington Redskins posicionado na linha de 35 jardas iria para blitz, enquanto Josh Norman, marcando Odell, se deslocaria para o meio do campo.

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Com a jogada em andamento, percebemos que o Safety que foi para blitz não chegou nem perto de Eli e que Josh Norman deixou Odell Beckham completamente sozinho. Eli Manning, porém, jamais olhou para o seu lado esquerdo enquanto Beckham entrava em completo desespero pedindo a bola.
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No momento do passe, é possível perceber que Odell estava completamente livre e seria um TD fácil. Eli Manning acabou completando o passe para Sterling Shepard, no meio do campo, porém perdeu o que seria um touchdown de 75 jardas e o primeiro de OBJ na temporada.

Passe forçado (e interceptado) #1:

Mesmo com a oportunidade perdida, o Giants seguiu avançando. Algumas jogadas depois, no mesmo drive, Eli já estava na redzone de Washington. No shotgun, Eli percebeu que Washington mandaria blitz e pediu a proteção do RB Shane Vereen.

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Washington mandaria blitz com sete jogadores, deixando os quatro recebedores com marcação individual. Mesmo enfrentando a tentativa de pressão da defesa, Eli teve o pocket praticamente limpo.

Victor Cruz e Sterling Shepard, no alto da tela, tinham rotas cruzando o campo e tinham uma certa separação dos defensores. O problema é que Eli não estava muito disposto a procurar alvos livres e focou no TE Will Tye, bem marcado, na parte de baixo da tela.

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Enquanto Vitor Cruz estava a cinco jardas do defensor mais próximo, Manning forçou o passe para Tye; ele não conseguiu brigar pela bola, que acabou interceptada.

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Por outro ângulo, é possível perceber claramente que o marcador tinha uma visão muito mais clara do que estava acontecendo e acabou levando vantagem.

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Passe forçado (e interceptado) #2:

Na última jogada da partida, precisando de um field goal para vencer, o Giants colocou em campo uma formação 11, ou seja, com 3 WRs, 1 TE e 1 RB. O WR no slot e o TE, ambos no meio do campo, tinham rotas em profundidade. Victor Cruz e Odell Beckham rotas comeback nas laterais. Washington mandou apenas um LB para blitz.

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Todos os recebedores tinham marcação individual, com um Safety no fundo do campo fazendo a leitura da jogada. Assim como na primeira interceptação, Eli Manning não esperou a jogada se desenvolver e forçou um passe para o RB Shane Vereen, com rota cruzando o campo.

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O passe foi tão telegrafado que o defensor não teve dificuldades em adiantar a jogada e fazer a interceptação. TODOS (nota da edição: O CADU) nós te amamos, Elisha, mas pare com isso, por favor.eli11

BÔNUS

Read Option é uma jogada em que o QB recebe o snap, faz a leitura da defesa e decide se fica com a bola, se entrega para o RB ou mesmo se faz um passe rápido. Esse tipo de jogada, como o próprio nome já diz, é baseada em OPÇÕES. A falta delas não parece afetar Blaine Gabbert. Flagramos o QB do San Francisco 49ers fingindo que entregaria a bola para um RB que só existe em sua imaginação e ainda sair correndo surpreendido para 1 jarda. Lamentável, Blaine.