Posts com a Tag : New York Giants

A(s) última(s) chance(s) de Eli Manning

Em novembro de 2017, Eli Manning era o QB em atividade com o maior número de partidas consecutivas como titular de uma franquia da NFL. Sua sequência de 210 jogos ficava atrás apenas dos 297 que Brett Favre iniciou pelo Green Bay Packers. Eli era o único quarterback que a torcida do New York Giants tinha visto começar um jogo desde novembro de 2004, há exatos treze anos.

O problema é que treze foi, também, o número de derrotas da franquia em 2017. A pior temporada da história do time foi suficiente para que Eli Manning, um dos 12 QBs a vencer dois ou mais Super Bowls, fosse vítima de uma injustiça que jamais será esquecida.

Eli foi colocado no banco em uma temporada que já estava perdida e sua sequência histórica como starter foi interrompida. A justificativa, segundo o então Head Coach Ben McAdoo, era observar jogadores que não precisavam ser observados: Geno Smith, um QB horrível dentro e fora de campo, e Davis Webb, uma escolha de terceiro round do draft que não era nem de longe o futuro da franquia. Não demorou muito para que jogadores em atividade, ex-companheiros de time e até o ex-técnico Tom Coughlin manifestassem publicamente solidariedade a Eli.

Mesmo com pressão de todos os lados, inclusive da torcida, a decisão de McAdoo foi mantida. Jerry Reese, o então General Manager, apoiou o Head Coach com a justificativa de que “todas as posições precisavam ser avaliadas”. Geno Smith entrou para jogar no terrão de Oakland e ali se encerrava uma era. Injusta ou não, a substituição de Eli Manning representou o que parecia ser o início da reconstrução de um dos times mais vitoriosos da última década, começando pelo seu QB.

Reconstrução?

McAddo e Reese, é claro, não resistiram ao desastroso 2017 e já estão bem longe de New York. Para substituí-los, chegam o Head Coach Pat Shurmur, que até ano passado era coordenador ofensivo do Minnesota Vikings, e o General Manager Dave Gettleman, que trabalhou treze anos no próprio Giants antes de ir para o Carolina Panthers. Schurmur e Gettleman parecem discordar da necessidade de reconstrução do time a partir da posição mais importante do esporte. Ao invés de procurar o substituto de Eli Manning, escolheram construir ao redor dele.

A aposta é que Eli, aos 37 anos, ainda pode liderar a franquia a um terceiro Super Bowl. É algo, no mínimo, arriscado. Por mais que seja legítimo defender Eli no episódio de 2017, é necessário admitir que sua performance está muito distante do que um franchise QB deve proporcionar ao seu time; ele não tem mostrado ser capaz de elevar o talento ao seu redor. Na verdade, é extremamente dependente do que seus colegas de time podem fazer. A boa notícia é que falta de talento não será problema em 2018.

Odell Beckham Jr. está saudável e com a conta corrente recheada com o maior salário de um WR da história da NFL. Há infiéis que consideram os US$ 90 milhões em cinco anos de contrato um desperdício de dinheiro e cap space, mas Odell provou ainda mais o seu valor através da ausência. Sua contusão na semana 5 foi decisiva para o desastre que foi o desempenho ofensivo do time em 2017. Beckham parece mais maduro e motivado para assumir de vez o lugar de melhor WR da NFL. Não é exagero dizer que o renascimento da carreira de Eli Manning passa por Odell Beckham Jr.

Além de Odell, Manning conta com o que talvez seja o melhor grupo de jogadores que já teve à disposição em sua carreira. Sterling Shepard já se mostrou um recebedor confiável e eficiente. Evan Engram não vai bloquear ninguém, mas é um bom TE que precisa apenas de mais consistência e menos drops.

Mas a grande novidade e o provável diferencial do ataque para 2018 é o jogo corrido. A campanha horrorosa do ano passado rendeu a segunda escolha do draft e fez com que o New York Giants tivesse uma decisão a tomar: escolher um QB para o futuro ou o jogador mais talentoso disponível? O time ignorou Sam Darnold e escolheu o RB Saquon Barkley.

A importância da posição de QB e a desvalorização dos RBs fazem com que os críticos se encham de razão para dizer que o Giants errou. Mas a torcida, que não vê um jogo corrido minimamente eficiente desde que Ahmad Bradshaw foi embora, não consegue conter a empolgação. Barkley é um RB completo que trará uma dimensão nova ao ataque.

A linha ofensiva, que tem sido um fracasso há muito tempo, recebeu investimentos consideráveis. Nate Solder chega do New England Patriots para que nunca mais Ereck Flowers tenha que proteger o blind side de Eli Manning.

O rookie LG Will Hernandez, que muitos consideram uma das melhores escolhas do draft, chega para consolidar o lado esquerdo da linha. Flowers deve continuar desapontando como RT (e talvez como ser humano), mas com consequências menos desastrosas. É provável que Solder e Hernandez não consigam fazer milagre, mas qualquer evolução, por menor que seja, é bem-vinda para um grupo que flerta com o desastre há anos.

O outro lado da bola

Depois de ter uma das melhores defesas da NFL na temporada 2016, o New York Giants entrou em colapso e foi para o fundo do poço em 2017. Além de seguidas contusões, o time ainda teve que lidar com três suspensões por razões disciplinares. No final da temporada, o caos estava instalado e o Giants tinha que colocar em campo literalmente um bando de desconhecidos.

O talento, porém, não desapareceu, só foi mascarado por um ano em que tudo deu errado. Os principais jogadores que fizeram a defesa brilhar em 2016 – Damon Harrison, Olivier Vernon, Janoris Jenkins e Landon Collins, todos jogadores de elite em suas respectivas posições – retornam para 2018. Apesar dos principais nomes serem os mesmos, a impressão é que a defesa do Giants está começando do zero.

A única perda considerável foi Jason Pierre-Paul, que foi trocado para o Tampa Bay Buccaneers. Além do alto salário e de não ser um encaixe ideal no novo esquema 3-4 do coordenador defensivo James Bettcher, Pierre-Paul parecia desinteressado e não desempenhou o papel de liderança desejado quando tudo começou a desmoronar (junto com seu dedo).

Para compensar a perda de Pierre-Paul, chega o edge rusher Kareem Martin, que trabalhou com Bettcher no Arizona Cardinals e parece ser o típico homem de confiança do treinador. O LB Alec Ogletree chega via troca com o Los Angeles Rams para reviver uma posição que tem sido sistematicamente negligenciada pelo time nos últimos anos. Junto com Damon Harrison e Olivier Vernon, Martin e Ogletree formam um front seven versátil e respeitável.

A secundária perdeu Dominique Rodgers-Cromartie, um dos jogadores suspensos por violar regras do time na temporada passada, e agora terá que depender do problemático Eli Apple, que parece ser tão detestável que foi chamado de câncer por Landon Collins no meio da confusão de 2017. Janoris Jenkins e Landon Collins são titulares acima da média, mas o grupo peca pela falta de profundidade. Caso contusões aconteçam, o resultado pode ser desastroso.

Palpite:

Em uma divisão em que a rotatividade de campeões é grande e que parece mais difícil do que realmente é, o Giants deve ser, ao menos, competitivo. Uma sequência brutal de jogos no início da temporada deve tornar a missão de chegar aos playoffs um pouco mais difícil. Um recorde de 8-8 trará a dignidade de volta à franquia e a certeza de que 2019 será a verdadeira última tentativa de Eli Manning. Mesmo que não dê certo, Eli continuará fazendo parte da história da NFL onde o merecido reconhecimento virá: Canton, Ohio – quer você goste ou não.

Análise Tática #16 – Semana #9: Jared Goff, o ex-bust

Bust é o termo utilizado para denominar jogadores que não justificam em campo a crença neles depositada. Todo o processo do draft da NFL é baseado em julgar atletas em fundamentos que podem ou não se traduzir no futebol americano profissional (baseado em porra nenhuma).

Jared Goff é um desses casos. Primeira escolha geral em 2016, com direito a uma troca que penhorou o futuro do Los Angeles Rams. O primeiro ano de Goff na NFL foi sofrível. Apesar de Jeff Fisher, signal caller dos Rams sobreviveu.

A chegada de Sean McVay trouxe um novo fôlego a uma carreira que parecia destinada ao fracasso antes mesmo ter começado direito. Um ataque mais criativo e com leituras mais simples, foi o suficiente para renascer as carreiras de Goff e Todd Gurley, peças principais do time.

As chegadas de Robert Woods, Sammy Watkins e o recém-draftado Cooper Kupp (caro leitor, pesquise tweets da época do draft e você verá críticas ferrenhas a esta escolha) acrescentaram armas para um QB que tem a missão de não estragar tudo. Como dissemos semana passada, técnicos são pagos para maximizar o rendimento de seus atletas, e é exatamente isso que Sean McVay vem fazendo em LA.

Com objetivo de trazer sempre uma perspectiva nova do football ao leitor da coluna, e também para não desgastar o formato, essa semana focaremos no papel de Jared Goff para o esquema dos Rams, utilizando a partida contra os Giants como exemplo.

Ao se analisar o desempenho de um quarterback dentro de campo, costumo observar os seguintes traits: mecânica de passe, trabalho de pés, velocidade das leituras e progressão ao longo do campo e o uso dos olhos e corpo para deslocar defensores. Evidentemente, não somos a palavra final e nem pretendemos ser, portanto, o debate é sempre bem-vindo.

Quanto aos atributos físicos, a mecânica do movimento de passe tem por objetivo fazer com que a bola oval entre em espiral e atinja uma velocidade favorável para chegar ao recebedor. Existem vários tipos e técnicas de passe no nível profissional que se adequam à árvore de rotas e a situação descida-distância em campo, mas no contexto geral, o movimento perfeito deve ser curto e encerrando na altura da orelha do QB.

Já o trabalho de pés é importante para que o jogador possua o equilíbrio necessário para executar qualquer um dos passes na jogada, bem como gerar a força que é transferida ao longo do corpo até chegar na ponta dos dedos e ser direcionada à bola.

Quanto aos aspectos mentais, o QB deve conhecer a jogada a ser realizada, possibilitando a leitura  do posicionamento da defesa em campo. Novamente fazendo um jabá do livro Take Your Eye off the Ball (ainda estamos esperando o contato, Amazonde Pat Kirwan, em seu capítulo destinado a quarterbacks, o autor menciona a quantidade assustadora de elementos que um jogador profissional precisa processar ao longo da jogada.

Primeiramente, deve-se reconhecer o posicionamento e a quantidade de Safeties em campo, seguindo aos Cornerbacks. Isso permite ao atleta reconhecer o tipo de cobertura e ajustar as rotas, se o mesmo tiver essa liberdade. De forma resumida, em seguida, deverá reconhecer a existência ou não de blitz e de onde a mesma vem, comunicando o ajuste de proteção à linha ofensiva.

É comum observar QBs gritando pré-snap, “54 (ou outro número) is the Mike!”. Isso sinaliza à OL o inside linebacker, ponto de referência dos bloqueios da jogada, corrida ou passe. A partir do momento em que ocorre o snap, o QB precisa processar tudo o que reconheceu na fase anterior da jogada e perceber se o mesmo está realmente acontecendo. É nesse ponto que entra a velocidade das leituras: 2,5 segundos já são suficientes para gerar um sack na jogada, e antes desse tempo, o QB precisa reconhecer padrões de defesa e soltar a bola no ponto certo, um trabalho quase impossível.

Contra marcações em zona, bons QBs movem os jogadores de secundária para longe de onde se desenvolve o melhor matchup em campo com o uso dos olhos. Marcadores em zona observarão para onde o QB está movendo a cabeça, e isso pode ser usado como isca.

Agora depois de todo essa longa e resumida (e ao mesmo tempo, ainda insuficiente) explanação do trabalho de um quarterback da NFL em campo (não é à toa tem tanto cidadão ruim jogando no seu time, caro leitor, o trabalho é difícil mesmo), vamos ao tape. Lembrando que hoje o objetivo não é dizer por que os Rams ganharam dos Giants, e sim observar como Sean McVay está ajudando Jared Goff, e esse por sua vez, o ataque como um todo.

Jogada 1 – Rotas Cruzadas

Uma das formas de ajudar um QB a ESMERILHAR uma defesa é utilizar rotas que se cruzam. Isso faz com que a defesa precise se comunicar devidamente para que ninguém fique livre em uma cobertura em zona, ou que os defensores se atrapalhem entre si no tráfego de uma cobertura mano-a-mano. Aqui, os Rams estão em uma 3rd & 2 na linha de 8 do campo de ataque. Goff em shotgun, stack formation com 1-1 personnel.

Sean McVay abusa das crossing routes, desenhando um padrão que intercala praticamente todos recebedores da jogada, fazendo com que apenas Sammy Watkins execute uma fade route. A defesa dos Giants responde com a tentativa de mostrar uma blitz do nickel corner, que recua. Os demais jogadores de secundária protegem a linha de gol em um padrão semelhante a um cover 3.

Observe que mesmo com alguns tropeções de recebedores, a defesa dos Giants fica confusa com o cruzamento, abrindo um espaço no meio da endzone. Jared Goff executa um 3-step droback. Seu footwork é bem deficitário, mas trabalhando em um ambiente favorável, Goff consegue vender a ameaça de Todd Gurley olhando em direção à sua wheel route. Ele observa que sua OL limpa o caminho em direção ao TE no meio da endzone, projeta seu corpo em direção a essa rota e lança um dagger para o touchdown.

Jogada 2 – A eficiência do No Huddle 

Vimos no texto sobre o drive da vitória dos Raiders contra os Chiefs, que campanhas no huddle, além de clock management, têm por objetivo explorar um pacote errado colocado pela defesa. Por exemplo, caso o adversário esteja esperando a corrida e coloca jogadores mais pesados em campo para contê-la, aproveitar-se do no huddle vale a pena para cansar esse personnel com jogadas de passe.

Além disso, o no huddle também pode ser usado fora de situações de pouco tempo no relógio, aumentando o fator surpresa. Com mesma formação vista no touchdown anterior, o Rams aproveita a tentativa dos Giants (alinhados com formação base de defesa 3-4) em conter a corrida para surpreender com uma big play.

Como é Jared Goff em campo, essa chamada foi feita por Sean McVay via ponto eletrônico no capacete do quarterback (jogadores mais experientes ou melhores teriam a liberdade de escolher a melhor jogada para a situação dentro de um pacote).

le usa Todd Gurley como isca para a defesa dos Giants, que pressiona com 5 rushers. Enquanto isso, Sammy Watkins executa uma rota vertical. Conceito semelhante ao dagger, porém com rotas saindo de pontos opostos do campo. A quebra de rota de Cooper Kupp deixa Watkins no mano-a-mano com Landon Collins.

O Safety dos Giants, fora de posição no início da jogada devido à ameaça de corrida, é batido em profundidade. Sean McVay aproveita-se dos tempos de Goff em Cal, em que executava um ataque da filosofia air-raid, resumidamente se trata de execução de rotas longas. A adição de um bom jogo terrestre permite ao QB explorar o play-action e pegar a defesa desguarnecida. Outro ponto importante dessa jogada é a noção de Goff de onde está a pressão, protegendo-se no ponto oposto ao qual a linha desliza.

Jogada 3 – Queimando a blitz 

Defesas que não encontram respostas em campo costumam mandar mais blitzes que o normal a fim de criar um fato novo. Já outras defesas, como o Titans de Dick LeBeau, o Jets de Todd Bowles e o Cardinals de Bruce Arians baseiam-se em métodos específicos de pressionar o QB com homens a mais que o normal. Para todos esses casos, existe a resposta: ou você tem um jogador da velocidade de raciocínio de Tom Brady ou você precisa ser criativo com as rotas.

Observe as rotas que se cruzam no meio. Elas formam o núcleo de um conceito popular em ataques West coast conhecido como mesh concept. Os Giants sinalizam a overload blitz pelo lado do right tackle, enquanto a secundária está com marcação individual.

Fonte: @ITPylon

No conceito mesh, a marcação individual indica que os recebedores X e Y executantes da shallow-cross devem seguir até o outro lado do campo. O tráfego no box fará com que o recebedor Y esteja livre do outro lado do campo. E é exatamente isso o que aconteceu no MetLife Stadium. Execução de manual de um conceito simples do futebol americano.

Quanto ao trabalho de Goff na jogada, trata-se de um 5-step dropback (conte os passos após o snap, leitor). Quanto ao trabalho de olhos, ele não precisa necessariamente atrair marcadores para determinado ponto do campo, nem conseguiria, já que em marcações individuais, os defensores preocupam-se apenas em acompanhar as rotas – nesse caso, Goff só precisa não ser estúpido o suficiente a ponto de telegrafar o passe.

Contra a blitz, o principal fator é a velocidade de processamento da jogada. Observe que o mesmo mantém o olho focado na região em que se desenvolverá o conceito mesh. Goff reconhece o camisa #17 livre após cruzar as hashmarks e manda o passe no mesmo momento em que é atingido pelo pass rusher. Touchdown.

  • Diego Vieira aparentemente capturou os GIFs com uma pedra e obrigou o editor a ir atrás do gametape. 

Podcast #5 – uma coleção de asneiras V

Voltamos com o tradicional #spoiler: equipes relevantes (e o Tennessee Titans) que não vão para os playoffs em 2017.

Depois discutimos qual equipe assistiríamos se só pudéssemos acompanhar um time até o final da temporada – graças a Deus não acontecerá.

Em seguida, trazemos algumas proposições que sequer acreditamos, mas nos obrigamos a explicar porque é verdade – não sabemos porque fizemos isso.

E, no final, como já é comum, damos dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas duas semanas!

 

Podcast #4 – uma coleção de asneiras IV

Discutimos as principais surpresas da NFL e, depois, com o objetivo de fazer ainda mais inimigos, apresentamos jogadores supervalorizados ao redor da liga.

Também apontamos nosso Super Bowl dos sonhos – sem essa de Patriots x Seahawks, ninguém aguenta mais. Por fim, como já é comum, sugerimos alguns jogos para o amigo leitor ficar de olho!

Participação especial: Vitor, do @tmwarning.

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Se existir um próximo, será melhor; considere uma promessa.

Podcast #3 – uma coleção de asneiras III

Trazemos as lesões mais recentes da NFL e discutimos jogadores injury prone. Realidade? Mentira? O que comem? Onde habitam? Em seguida, apresentamos a realidade de alguns times, se são bons ou ruins. Por fim, sugerimos alguns jogos para o amigo leitor ficar atento nas próxima semanas!

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor.

Semana #1: os melhores piores momentos

Depois de muito tempo, finalmente a NFL voltou! Foram alguns meses de espera para que voltássemos a ver o Cleveland Browns perdendo, o Indianapolis Colts fazendo merda e o Detroit Lions iludindo sua torcida. Mas para sair do senso comum, vamos apresentar o que de PIOR aconteceu na semana 1 da liga. Os highlights da NFL.com e do SportsCenter não nos interessam: apenas se alguém passou vergonha no processo.

1 – QB Play

Precisamos reconhecer: o talento entre os quarterbacks é o melhor da história do futebol americano. Até mesmo por isso, jogadores como Colin Kaepernick não tem espaço em uma liga que está recheada com titulares e reservas de altíssima qualidade na posição.

Para ilustrar o alto nível de jogo dos signal callers da NFL, separamos algumas atuações de destaque. Você pode nos ajudar a decidir quem foi pior.

1.1 – Scott Tolzien: 9/18; 128 jardas; 2 INTs

Tolzien lançou duas pick six, sendo a primeira na sua tentativa de passe número 1 no jogo. Já a segunda foi quase um replay da primeira. Seu rating seria melhor se ele fosse um jogador de Los Angeles. É sério. Ele não durou muito tempo na partida, dando lugar para Jacoby Brissett no início do último quarto. Compartilhe o vídeo para estragar o dia de algum torcedor dos Colts.

1.2 – Andy Dalton: 16/31; 170 jardas; 4 INTs; um fumble perdido

Um jogo ruim de Andy Dalton ainda surpreende alguém? Contra a boa defesa dos Ravens, ele não conseguiu fazer nada produtivo. Sinceramente, não sabemos mais o que dizer sobre Dalton, apenas sentir. A desgraça alheia pode ser vista aqui.

‘Não pode se’

1.3 – Carson Palmer: 27/48; 269 jardas; 1 TD; 3 INTs

O INSS possui uma fila preferencial para aqueles que não conseguem jogar bem contra a defesa de Detroit. Levando o tape do jogo, Palmer tem uma oportunidade única de vazar logo da liga e parar de passar vergonha.

2 – OL Play

Dizem que jogos são ganhos – ou perdidos – nas trincheiras. Algumas equipes ignoram o plural da palavra, achando que uma linha defensiva de qualidade basta para vencer partidas – lógica curiosa; você tenta fazer o QB adversário passar dificuldades, mas esquece que o seu sofre do mesmo mal. É o caso das três franquias que citaremos abaixo. Você pode nos ajudar a decidir quem foi pior.

2.1 – New York Giants: 3 sacks

Foram apenas 3 sacks permitidos, mas os Giants sofreram com a incompetência de sua linha ofensiva principalmente por medo (justificado). Sabendo que o grupo não conseguiria proteger Eli por muito tempo, o plano de jogo consistiu em passes curtos. Não deu certo e o ataque conseguiu apenas 3 pontos. Além disso, os jogadores conseguiram a proeza de permitir um sack enquanto se apresentavam na transmissão. Veja a letargia do ataque nos melhores momentos.

2.2 – Seattle Seahawks: 3 sacks

Uma imagem vale mais que mil palavras. Russell Wilson, se conseguir se manter vivo, dificilmente conseguirá levar esse ataque longe. Assista os melhores momentos, quem sabe você não descobre se pode ser contratado para ser um jogador dos Seahawks na posição?

Existiu ou não existiu?

2.3 – Houston Texans: 10 sacks

Tom Savage não sabemos nem se existe, e Deshaun Watson não está preparado pra ser um QB titular na NFL. Não ajuda a nenhum deles jogar com uma peneira a sua frente. É melhor o time pagar o LT Duane Brown. Você pode ver a OL de Houston consagrando a defesa de Jacksonville aqui.

3 – O começo avassalador do Detroit Lions

A sequência de jogadas que iniciou o jogo em Detroit (infelizmente vimos muito da peleja) foi medonha: Matthew Stafford lançou um Pick Six e, no drive seguinte, o ataque sofreu um three and out. Na hora de fazer o punt, algo deu absolutamente errado: o punter tentou resolver com as pernas, e acabou morrendo no processo – o time teve que contratar outro cara pra posição.

Felizmente a defesa conseguiu evitar um TD dos Cardinals para então cometer uma falta no chute e dar mais uma chance de Arizona chegar a endzone. Felizmente (?) não aconteceu – Carson Palmer não estava jogando nada.

4 – Imagens que trazem PAZ

Preferimos as jogadas horríveis – aquelas que nos fazem rir – àquele highlight que até aquele seu amigo chato que acha futebol americano é “demorado demais” vai curtir.

4.1 – Jets e Bills: Só de ler o nome das duas equipes você já sabe que vem bosta. Acompanhe conosco: Tyrod Taylor lançou uma interceptação, que parecia que ia ser retornada para touchdown. Até o jogador dos Jets – que não sabemos quem é – tropeçar em seu companheiro de equipe, que também não sabemos quem é. Para piorar, ele quase sofreu um fumble no processo. Clique aqui se você ainda não entendeu.

4.2 – A defesa dos Saints: Eles já são ruins e precisam de turnovers para conseguir ser pelo menos razoáveis. Não foi o caso na segunda-feira. Veja!

4.3 – Blake Bortles: Allen Robinson se machucou (seriamente, está fora da temporada) e Blake foi lhe consolar DANDO TAPINHAS NO JOELHO MACHUCADO. É sério.

Bônus: o Monday Night Football

A ESPN americana montou uma equipe diferente para a transmissão do jogo entre Chargers e Broncos. Beth Mowins foi a primeira mulher a narrar um jogo da NFL, e achamos que ela foi muito bem – melhor que Joe Buck, por exemplo.

Mas, ao seu lado, colocaram Rex Ryan, que não tem cacoete nenhum para comentar uma partida (apesar de ter alguns insights interessantes). E, na sideline, o repórter foi Sergio Dipp*.  Os 30 segundos que ele teve durante a transmissão foram um desastre: claramente nervoso, ele misturou informação nenhuma com desespero total. Para piorar, nem o câmera estava preparado: acharam que um cara aleatório era Vance Joseph, head coach de Denver.

Um ídolo.

Você pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

*Estamos torcendo para que ele se recomponha depois do vexame. Sergio reagiu super bem as brincadeiras e temos que reconhecer que não é nada fácil estar em uma transmissão ao vivo no horário mais nobre da TV americana – ainda mais quando inglês não é sequer a sua língua nativa. Força, Sergio!

Correndo contra o tempo

Quando entrar em campo para enfrentar o Dallas Cowboys, no dia 10/09, Eli Manning completará 200 jogos consecutivos de temporada regular como QB titular do New York Giants. Se os playoffs forem incluídos na conta, são 212 partidas seguidas como starter. Entre QBs, a marca é a terceira melhor de todos os tempos, atrás apenas do irmão Peyton e de Brett Favre.

O número é impressionante para um esporte em que tantas contusões acontecem. A durabilidade de Eli é um dos motivos que o tornam um dos poucos verdadeiros franchise QBs da NFL. Desde a temporada de 2004, quando foi draftado na primeira escolha geral do draft e assumiu a titularidade do Giants, Eli não perdeu nenhum jogo e se tornou a cara da franquia.

A cara da franquia.

Em 2017, Eli Manning completará 14 temporadas de muitos altos e baixos na NFL. Os dois prêmios de MVP do Super Bowl contrastam com performances medíocres e muitas (muitas mesmo) interceptações. Eli parece adorar os extremos: ou é muito bom, ou é muito ruim.

O tempo, porém, parece ter feito bem a ele. Suas melhores temporadas em termos de estatística vieram depois dos 30 anos completos. Em 2011, por exemplo, ficou a 77 jardas de entrar para o seleto clube de QBs que passaram para cinco mil jardas em uma temporada. Os 35 TDs que lançou em 2015, quando já tinha 34 anos, foram o recorde de sua carreira.

O tempo traz experiência, mas também traz o inevitável declínio. Mesmo jogando razoavelmente bem nas últimas temporadas, Eli mostrou certa queda em sua performance física. Os passes já não são tão potentes e precisos e ele depende muito da habilidade de seus recebedores para mover o ataque.

O New York Giants sabe que a janela de Eli Manning está se fechando e parece estar determinado a conquistar mais um título com seu franchise QB. O time, que nunca teve o costume de gastar na free agency, foi às compras antes da temporada 2016 para tentar melhorar principalmente a defesa, que teve uma performance ridícula em 2015. A queima de dinheiro parece ter dado certo. Em 2016, primeira temporada de Ben McAdoo como head coach, o time conseguiu 11 vitórias e 5 derrotas e voltou aos playoffs pela primeira vez desde que venceu o Super Bowl, na temporada 2011. Porém, a derrota para o Green Bay Packers, logo na rodada de Wild Card, mostrou que ainda falta bastante coisa para que o time seja levado a sério como candidato a chegar ao Super Bowl.

Um novo velho ataque

Em 2016, o sistema ofensivo do Giants foi apenas o 25º melhor da NFL em jardas por partida, abaixo de ataques bem questionáveis, como o do Jacksonville Jaguars, e apenas um pouco acima de times verdadeiramente horrorosos, como o New York Jets e o Cleveland Browns. Os números mostram que o Giants chegou à pós-temporada muito mais por mérito da defesa e que algo teria que ser feito para tornar o ataque mais produtivo em 2017.

O Giants parece acreditar que para melhorar o ataque basta trazer armas novas para Eli Manning. Brandon Marshall foi contratado na free agency para ser o alvo “grande” que faltava, especialmente na red zone. Marshall é um ótimo jogador que há dois anos teve uma temporada de 1502 jardas e 14 TDs recebidos, mas que em 2016 não chegou a 800 jardas e recebeu apenas 3 TDs. Os números ruins na última temporada podem ser creditados à bagunça que foi o New York Jets, mas é possível considerar que Marshall já esteja no final de sua carreira. De qualquer forma, ele ainda deve contribuir de forma significativa para o ataque do Giants.

Outra arma adicionada na offseason foi o TE Evan Engram, draftado no primeiro round do draft de 2017. Engram foi uma das escolhas mais criticadas, por não ser um bom bloqueador e por não atender às reais necessidades do time; ele terá que provar o seu valor como recebedor e parece ser isso que o time espera dele. Após o draft, o General Manager Jerry Reese disse que o Giants vê Engram como uma arma. Engram terá que mostrar que sua presença acrescenta uma dimensão a mais ao ataque, já que nos últimos anos Eli Manning teve que se virar com TEs como  Will Tye e Larry Donnel.

Peguei.

Marshall e Engram devem ser bons complementos a Odell Beckham Jr., talvez o melhor WR da NFL, e Sterling Shepard, um slot receiver muito eficiente. Os quatro formam um dos melhores grupos de recebedores da liga. O problema é que não adianta ter recebedores tão bons se a linha ofensiva não protege o QB. O Giants terá em 2017 basicamente a mesma OL que jogou muito mal em 2016. A única contratação foi D.J. Fluker, veterano que não conseguiu sucesso em seus cinco anos de NFL. Se o setor não mostrar uma evolução razoável, será muito difícil para Eli Manning tirar proveito de suas armas.

Outro problema é a posição de RB. Depois de muitos anos de sofrimento com o nada inspirador Rashad Jennings como titular, o Giants decidiu que Paul Perkins e Shane Vereen são suficientes para comandar o jogo corrido. O problema é que eles não são. Perkins teve oportunidades em 2016 e mostrou ser um jogador mediano. Shane Vereen, além de não conseguir permanecer saudável, é um mero especialista em receber passes. Com um jogo corrido que não inspira quase nenhuma confiança, o Giants novamente deve ter um ataque unidimensional, até o braço de Eli Manning cair.

Spoiler: isso não é uma coisa boa.

Uma pequena grande evolução

Assim como a linha ofensiva, a defesa do Giants retorna praticamente intacta para a temporada 2017. A diferença é que, ao contrário da OL, o retorno da mesma defesa é uma excelente notícia para os torcedores do Big Blue. A única perda entre os titulares foi a do DT Johnathan Hankins, que foi substituído por Dalvin Tomlinson, escolha de segundo round vinda de Alabama.

Tomlinson se junta a uma linha defensiva bastante respeitável, com potencial para ser excelente. O pass rush será comandado por Olivier Vernon, a grande contratação da offseason de 2016 e o grande símbolo da reconstrução da defesa. Do outro lado da linha, Jason Pierre-Paul mostrou que pode jogar mesmo sem metade da mão e renovou seu contrato. Pelo meio, Damon “Snacks” Harrison talvez seja o melhor jogador de linha da liga defendendo o jogo corrido.

E se DL é boa, a secundária é melhor ainda. Até o desastre que foi o segundo tempo do já citado jogo de Wild Card contra o Packers, o Giants tinha feito um trabalho excelente defendendo recebedores. Em 2017, é provável que a evolução continue. Janoris Jenkins, outra das contratações milionárias do ano passado, Dominique Rodgers-Cromartie e Eli Apple formam um dos bons grupos de cornerbacks da NFL, enquanto Landon Collins talvez tenha sido o melhor Safety da liga no ano passado e foi selecionado para o Pro Bowl.

As vitórias que o Giants conseguiu nos Super Bowls contra o New England Patriots foram graças a defesas dominantes, que pressionavam fortemente os QBs adversários e não permitiam grandes avanços. A fórmula parece estar se repetindo. Resta saber se a defesa conseguirá compensar as carências do ataque. E se o time terá a sorte de encontrar o eterno freguês na decisão.

Palpite: talvez o Giants não tenha evoluído o suficiente para melhorar o recorde de 11-5 conseguido em 2016, especialmente no ataque. Se é difícil enxergar uma evolução considerável, também é difícil perceber uma queda muito acentuada. Portanto, é provável que o time consiga 10 vitórias em 2017, principalmente por mérito da defesa. É provável também que esse desempenho seja suficiente para uma vaga nos playoffs, mas o time não deve ir longe. A não ser que Eli Manning esteja inspirado, aí a gente já sabe até onde o Giants pode chegar.

Balanço do draft: erros, alguns acertos e várias bobagens

Passados os três dias de draft, podemos fingir que entendemos alguma coisa sobre o que aconteceu e avaliar a escolha de jogadores que agora são profissionais, mas nunca enfrentaram o nível de competitividade da NFL.

Como ninguém liga para as asneiras que dizemos (e se liga, precisa refletir sobre o que diabos está fazendo com sua vida), não será um grande problema. Dessa forma listamos alguns erros, acertos e bobagens do último processo seletivo.

Cagadas (ou porque alguns times não se contentaram em deixar seus torcedores putos durante a temporada e decidiram fazer o mesmo até na offseason)

1) Chicago Bears:

Poderíamos apenas listar alguns tweets dos torcedores de Chicago para mostrar o quão satisfeita a torcida ficou com as escolhas da equipe:

“Um puta desastre!!! Nossa diretoria é horrível!!!”

“Ótimo draft Bears… Vocês perderam a torcida. McCaskey, venda a franquia”

“O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO???”

“Que merda foi essa?”

Bem, estes são alguns dos nossos favoritos. Poderíamos também dizer que a equipe foi a única a tirar menos que “B-” nas notas que o site da NFL dá a cada franquia, mas escolhemos explicar porque os Bears fizeram o que fizeram (bosta).

Mitchell Trubisky, o “futuro” da franquia, é um quarterback que jogou apenas 13 jogos em sua carreira no college. Você pode argumentar que ele não teve oportunidades e, de fato, não teve. Por incompetência própria. O titular da época quando Mitch (ele não quer ser chamado de “Mitch”, mas quem se importa?) era reserva nós não nos demos nem ao trabalho de pesquisar quem era e, se algo ainda pode piorar, a comparação de Trubisky com um jogador da NFL atual é com… Jay Cutler.

Já nas escolhas seguintes o Bears selecionou um TE que pode até ser promissor, mas jogava em divisões inferiores do futebol americano universitário, enquanto a escolha de round 3 seria excelente se ela conseguisse se manter em campo – não foi o caso em 2016.

As outras picks são um RB (que eles não precisam) e um jogador de linha ofensiva que duvidamos que você já tenha ouvido falar. Parabéns, Chicago Bears: vocês são oficialmente o novo Cleveland Browns.

2) New York Giants:

Quando dissemos em nosso Mock que os Giants iriam atrás de um TE na primeira rodada nós, pelo menos, acreditávamos que o time escolheria alguém que soubesse bloquear. Evan Engram, porém, é classificado por alguns analistas como WR. Para proteger Eli Manning – o que deveria ser uma prioridade, a medida em que ele ruma para a fila da Previdência Social – a equipe gastou uma escolha daquelas rodadas em que, se alguém diz que entende algo, está mentindo.

Nas outras seleções, um jogador de linha defensiva para substituir os que eles não conseguiram segurar na Free Agency; um RB que era reserva em seu time, mas com potencial; um jogador de linha defensiva, que também não era o principal do seu time; e um QB pra aprender com Eli Manning e se tornar seu substituto – seja lá o que diabos isso signifique.

3) Los Angeles Rams:

Ninguém liga pros Rams e não somos a exceção que confirma a regra. Não vamos tomar muito do seu, nem do nosso tempo, falando sobre eles. O time, que luta cada vez mais para se tornar irrelevante, esqueceu que precisava montar uma linha ofensiva e, ao invés disso, escolheram dois jogadores de linha defensiva e um fullback, mas ninguém para proteger o futuro da franquia, Todd Gurley. Talvez, no fundo, a mediocridade seja um legado de Jeff Fisher.

Surpresas (ou não, não vamos falar daquele jogador que ninguém conhece e que acabou não sendo draftado)

1) Chicago Bears trocando com o San Francisco 49ers

O Chicago Bears fez o novo GM dos 49ers, John Lynch, parecer Sonny Weaver Jr (GM dos Browns no filme Draft Day, em que toda a história é desenvolvida para que Sonny saia como herói).

Os Bears deram escolhas de terceira e quarta rodada desse ano e mais uma escolha de terceira rodada do ano que vem para subir uma posição no board e escolher um jogador que San Francisco não queria. Experimente digitar no Google “Bears 49ers trade“: você verá manchetes como “49ers roubaram os Bears“, “Como os 49ers conseguiram três escolhas dos Bears?” e “49ers vencem primeira rodada do draft após troca com os Bears“.

Se você acha que os Bears fizeram isso para evitar que outra equipe o fizesse, saiba que até agora ninguém que cobre a NFL conseguiu encontrar alguma franquia disposta a trocar com os 49ers para selecionar Mitch-esquecemos-a-grafia-correta-do-sobrenome-e-não-vamos-pesquisar.

A verdade é que nem os 49ers acreditavam que os Bears selecionariam Trubisky.

2) Três WRs sendo escolhidos nas 9 primeiras posições

Não há muito o que dizer sobre isso apenas que foi, de fato, uma surpresa. Poucos mocks apontavam esse cenário. Corey Davis era apontado como provável escolha no TOP 10, mas a seleção de Mike Williams por parte dos Chargers e de John Ross III por parte dos Bengals acabou pegando muita gente desprevenida.

Um amigo para Mariota.

3) O que o desespero pode fazer com algumas franquias

Por alguns segundos, imagine-se na posição de Texans e Chiefs. Uma não tem um quarterback que lançou um touchdown na liga e não se chama Brandon Weeden, enquanto a outra tem Alex “short of the 1st down marker” Smith.

Para sair da situação incômoda que estavam, as duas franquias tiveram que dar suas escolhas de primeira rodada em 2018 para escolher quarterbacks que ninguém tem coragem de colocar a mão no fogo.

4) Bônus: como uma música pode ser irritante

Se eu ouvir o “grito de guerra” Fly Eagles Fly mais uma vez, não respondo por meus atos.

Acertos (ou infelizmente não há muita diversão no sucesso alheio) 

1) Cleveland Browns:

Os Browns tem feito tudo certo para se tornarem uma franquia decente e nesse último draft não foi diferente. A equipe saiu da Philadelphia com três seleções na primeira rodada, sendo uma delas o melhor jogador disponível.

Além disso, na segunda rodada, o time escolheu DeShone Kizer, que era cotado para sair na primeira. Para completar, os Browns tem ainda cinco escolhas nas duas primeiras rodadas do draft de 2018.

2) Miami Dolphins:

Os Dolphins conseguiram uma classe bem sólida: a franquia adicionou peças para o front seven, que não era exatamente uma necessidade, mas que poderiam ser colocadas como prioridade; secundária e ataque.

Além disso, conseguiram um potencial guard titular na quinta rodada e um WR considerado por muitos um sleeper em sua última escolha. Devolvam os Dolphins que nós aprendemos a amar.

3) Los Angeles Chargers:

Parece que os Chargers finalmente perceberam que o tempo de Phillip Rivers está se esgotando. Em suas três primeiras escolhas, a equipe selecionou um WR para se tornar o melhor amigo de Rivers quando Keenan Allen não está em campo (sempre), além de dois guards para fortalecer o interior da linha ofensiva.

Na segunda metade do draft, o foco foi reforçar a defesa. Se tudo der certo, Phillip Rivers vencerá dois Super Bowls e entrará no Hall da Fama no lugar de Eli Manning.

4) Bônus: New England Patriots

Se os Patriots escolherem uma tartaruga manca as pessoas vão, pelo menos, tentar entender o lado de Bill Belichick. Não precisamos nem olhar as escolhas para elogiá-las.

**MOMENTO CORNETA**

Perdedores (ou nem todo mundo saiu fortalecido da Philadelphia)

Chuck Pagano:

O cerco está se fechando. Depois de demitir Ryan Grigson e contratar um GM de verdade, os Colts parecem no caminho certo para montar uma equipe competitiva. Chris Ballard tem arrancado elogios de toda liga sobre a forma como tem montado o time durante essa offseason e agora Pagano não tem mais desculpas: com uma defesa mais razoável em mãos, ele tem que mostrar que é capaz de ser um técnico de qualidade. Spoiler: não vai rolar.

Revendo o Mock Draft

Todos sabemos que Mock Drafts não querem dizer nada, mas revê-los depois que tudo realmente acontece é uma ótima oportunidade de xingar quem se dispôs a tentar prever o imprevisível.

Com a exceção sendo a escolha dos Bears, que já mencionamos, acertamos 4 das 5 primeiras escolhas. A partir da sexta, porém, tudo desandou. O outro acerto só veio na posição que os Bills escolheram, mas só aconteceu na escolha 27, devido a troca com os Chiefs.

Já os Saints acabaram escolhendo o jogador que previmos na 10, que também era um CB. A escolha 12 também foi certeira, mas com os Texans escolhendo no lugar dos Browns. Outro acerto só veio na escolha 18, com os Titans escolhendo um CB, mas não quem apontamos. A última escolha que cravamos foi a do Broncos, na 20. Os Lions na 21 também foram de LB, como era esperado.

Já na 23, os Giants foram de TE, e o que escrevemos na oportunidade serve perfeitamente para analisar a escolha, que não foi exatamente a mesma: é um recado para Eli Manning, algo como “a linha ofensiva continua uma droga, mas você tem que dar um jeito de vencer. Tem muito cara para pegar a bola. Ou vai ou racha”.

A escolha 25 foi um safety, não um QB, mas ao menos acertamos que os Texans iriam atrás de um signal caller, por motivos óbvios. Por outro lado, Seattle não só não escolheu na primeira rodada, como sua primeira escolha não foi um jogador de linha ofensiva: se eles querem que Russell Wilson morra em campo, o problema não é nosso.

Os Falcons, que escolheram na posição, optaram por um pass rusher, o que podemos considerar um acerto. Os Cowboys, não foram de CB, como era de se esperar: a equipe deixou para reforçar a secundária mais a frente no draft. Já os Browns trocaram com os Packers na 29, mas pelo menos acertamos a posição da primeira escolha de Green Bay: CB.

Já a escolha dos Steelers, de acerto, só o lado da bola: Pittsburgh escolheu um LB, e não um S. Por fim, os Saints, por alguns motivos que vão além da compreensão humana, resolveram escolher um jogador de linha ofensiva ao invés de um defensor.

Saldo:

– Quatro escolhas cravadas (1, 4, 5 e 20);

– Escolhas que passaram perto: a posição em que Deshaun Watson foi escolhido (12) e que os 49ers iriam de Solomon Thomas; mesmo que isso tenha acontecido na 3 e não na 2. Não me culpem, a mente humana é incapaz de compreender o que diabos acontece em Chicago;

– Posições acertadas: sete, excluindo as picks acima;

– Uma dúzia de novos inimigos.

*Rafael é administrador do @ColtsNationBr e está cada vez mais apaixonado por Chris Ballard.

Por que não aguentamos mais o New England Patriots?

Confesso que não me sinto tão hater do New England, mesmo que, provavelmente, tenhamos que assumir que eles são a maior franquia do século XXI. De qualquer forma, meu time não é sequer da AFC para tomar pau deles com frequência. Mesmo assim estamos aqui para tentar entender por que diabos o massacre do Texans ocorreu e os motivos que fazem esse time parecer, cada vez mais, imparável.

Obviamente esperávamos algo parecido com isso quando Brady foi suspenso (vide o preview que escrevemos, onde falávamos sobre um 2-2 no início da temporada, com Tom Brady voltando para destruir). Esperávamos, enfim, porque Belichik é foda e já tinha feito essa graça uma vez, não é?

Essa doeu.

Essa doeu.

Relembrando Matt Cassel

As chances são altas de que você conheça Matt Cassel. Provavelmente o odeie porque ele jogou no seu time, ou talvez lhe ache um palhaço porque jogou contra – de uma maneira ou de outra, você não o admira nem contaria com ele para ganhar jogos pela sua equipe do coração se ele iniciasse um jogo por ela.

OBS I: não é mesmo, Jerry Jones?

OBS II: ATENÇÃO TITANS CUIDEM DE MARIOTA!

Inclusive, a falta de crédito a Cassel é bem mais antiga que isso. Ele esteve na Universidade do Sul da Califórnia (a sempre potente USC) entre 2001-2004 e nunca iniciou uma partida como quarterback (33 passes e 11 corridas em quatro anos para um total de 224 jardas), estando na famosa melhor posição do mundo: esquentando o banco para Carson Palmer e Matt Leinart (inclusive, ambos ganharam o Heisman) tomarem porrada em campo, enquanto aproveitava a fama de ser QB do time da universidade. Bom, ao menos gostamos de imaginar que ele tenha aproveitado, mesmo que não mereça.

De qualquer forma, veio o draft e na sétima rodada ele acabou sendo escolhido por Belichik, em uma de suas tradicionais escolhas (no momento) incompreensíveis: já que ele queria um QB reserva para o estabelecido tricampeão Tom Brady, que escolhesse algum jogador que havia mostrado potencial no college (como o vencedor do Heisman, Jason White). De qualquer forma, mais três anos tranquilo se somaram à vida de Cassel.

Até que, na primeira rodada da temporada de 2008, em um lance complicado de definir, para não ser injusto com o Safety (não sabemos se Pollard realmente foi maldoso, ou se apenas Brady teve azar de estar com a perna no lugar errado na hora errada), o então MVP da liga explodiu o joelho e foi decretado fora da temporada, dando passagem ao até então pouco testado e quase desconhecido Matt Cassel (alguns repórteres previam que ele sequer seria o reserva de Tom no ano); era a fórmula ideal para o fracasso, perfeitamente aceitável nessas circunstâncias.

E essa íngua (se hoje ele já é ruim, imagina quando ele não tinha começado um jogo sequer por oito anos) produziu 3693 jardas (oitavo na liga), 21-11 em TD-INT, 410 pontos totais (sétimo na liga, segundo na AFC) e 11 vitórias, que só não levaram o time aos playoffs (e sério, essa porra ia acabar ganhando o Super Bowl) por uma combinação bizarra de resultados. E foi a segunda e última vez que os Patriots não ganharam a AFC East desde o início da era Brady-Belichik (a primeira foi em 2002, entre os três Super Bowls).

Obviamente, é válido lembrar que o time veio de uma campanha invicta em 2007, o que mostra que a decadência sem Brady realmente aconteceu (ou seja, não, Brady não é só um QB simplesmente produzido pelo sistema em que está) – mas decair para 11 vitórias talvez seja a decadência ideal.

E se Cassel talvez não merece tantos méritos, com certeza o New England Patriots (liderados por Belichik e seus moletons) merece: construir uma defesa, jogo corrido e alvos tão eficientes a ponto de funcionarem com qualquer QB é uma tarefa difícil.

Brady jogará até os 45 anos

Quando esperamos ansiosamente que Brady anuncie que irá se aposentar logo e aproveitar a vida com Gisele (essa, sim, já aposentada), esquecemos que ele talvez só não ganhou mais prêmios de “jogador mais valioso” por causa de Belichik, que insiste em montar uma defesa para apoiá-lo e ajudá-lo a ganhar jogos (inclusive ressuscitando jogadores que não conseguem jogar bem em nenhum outro time, como Patrick Chung ou Jabaal Sheard, que produziu oito sacks sendo titular em apenas um jogo em 2015 e já tem dois nessa temporada).

Além disso, é fácil ignorar que, ao contrário de Peyton Manning, ele é apenas um jogador de sexta rodada que não tinha grandes atributos físicos quando chegou à liga – e obviamente não evoluirá eles com a idade. O segredo está todo em sua capacidade mental de trabalhar defesas e em como o ataque dos Patriots foi evoluindo (os seus passes longos mágicos são muito mais técnica do que um braço parecido com Joe Flacco ou Matt Stafford) – desde os tempos em que só se corria e evitava vacilos, passando por Randy Moss e Aaron Hernandez, até chegar no que é hoje.

Originalmente, o sistema Erhardt-Perkins tem como lema “passes para marcar pontos, corrida para vencer jogos”, ou seja, precisa que seu quarterback realize grandes lançamentos para vencer partidas (coisa que Brady sempre se mostrou capaz de fazer), mas lhe retira muita pressão com um jogo corrido insuportável, trabalhando o famoso ground and pound para cansar a defesa e manter o ataque adversário fora de campo o maior tempo possível.

Obviamente, a partir disso se foi evoluindo, junto com Brady, já tricampeão do Super Bowl, enquanto chegavam melhores armas para o jogo aéreo e as mudanças de regras da liga o beneficiavam – que aumentou bastante a proporção de passes nesse ataque, como lembramos do ano mágico de 2007 (sabotado pelos Giants). Além disso, Brady também é muito bom em “vender” o play-action, mantendo sempre a defesa em dúvida e atacando-a nas suas costas.

Entretanto, não por isso o espírito do ataque mudou. Com a formação da dupla Gronkowski-Hernandez (agora tentando reeditar-se com Martellus Bennett ao invés de Hernandez, preso por assassinato – desde que Gronkowski consiga manter-se saudável) e Wes Welker (depois substituído por Julian Edelman), o sistema de passes curtos e rápidos, que diminuem as pancadas sofridas por Brady e se aproveitam de sua capacidade única de enxergar o recebedor certo na hora certa, junto com o no-huddle (em que o ataque não forma aquela rodinha no campo para repassar a jogada seguinte, mas vai diretamente para a linha de scrimmage) inferniza a defesa e a esgota, especialmente para os finais da partida.

Muso.

Muso.

Construindo Jimmy Garoppolo (ou Matt Cassel versão atualizada)

Quem viu a decadência súbita de Peyton Manning, de gênio MVP para meramente eficiente (por ser um gênio) e posteriormente para “é melhor que Brock Osweiler seja titular”, em duas temporadas sabe: todos estão sujeitos à idade. Pensando nisso, mesmo sendo uma equipe que está sempre em busca do Super Bowl – e, portanto, toda escolha, especialmente as iniciais, deve ter seu valor maximizado – quando teve a oportunidade de draftar Jimmy Garoppolo, de Eastern Illinois (mais conhecida como “universidade do Tony Romo”), no final da segunda rodada, Belichik puxou o gatilho.

O quarterback teve um período pre-draft incrível, sendo inclusive apontado como possibilidade para a primeira rodada, além de ser descrito como ideal para esse ataque: tomava boas decisões, de maneira rápida e com passes certeiros.

Dessa forma, Bill sabia que estaria protegido para o inevitável declínio de Tom Brady, caso ele acontecesse. Se não, ele esperava conseguir trocá-lo por uma escolha mais alta quando seu contrato de rookie chegasse próximo do fim. No final das contas, Garoppolo aproveitou, como Cassel, dois aninhos tranquilos segurando a prancheta e aprendendo cada elemento desse ataque.

Ao contrário de Cassel, para sua sorte, Jimmy descobriu que teria a oportunidade de ser titular bem mais cedo, com toda uma pré-temporada para preparar-se, já que sua oportunidade veio não por decadência ou acidente de Brady, mas sim por suas já conhecidas “maracutaias” – ou o que quer que queiram chamar o Deflategate.

Muito também foi feito para facilitar as coisas para o basicamente rookie (pelo menos no que consta em seus 31 passes lançados antes de 2016), o time voltou às origens de Erhardt-Perkins: basta olhar para LeGarrette Blount, líder em jardas corridas na NFL até o momento, em grande parte por suas absurdas 75 carries em 3 partidas (que seriam 400 em 16 jogos) para um corredor sem grande potencial para grandes jogadas.

Assim, obviamente, ele correspondeu às expectativas e acertou 70% dos seus passes para quase 500 jardas e 4 TDs em um jogo e meio mesmo sem poder contar com o seu suposto principal alvo, antes de também se machucar.

Making a Jacoby Brissett

Vá a qualquer empresa dos Estados Unidos e eles devem ter pelo menos um funcionário de capacidade parecida. Até agora não sabemos exatamente de onde surgiu Brissett (selecionado antes de jogadores muito mais conhecidos e teoricamente mais capazes, como Connor Cook, Dak Prescott e Cardale Jones) – mas é assim que o homem trabalha; a big board do draft de Bill Belichik é dita ser seguida à risca, além de conter pouquíssimos jogadores (100-150), o que às vezes leva a escolhas “diferentes”, sobre as quais todos já aprendemos a calar a boca e não duvidar que funcionarão.

Tudo dá errado; começamos com três vitórias

É possível viver sem Brady. Isso todos imaginávamos, porque esse ataque está bem montado. Obviamente se produziria menos e não se pode esperar milagres típicos de quarterbacks de elite, mas com bons alvos como Dion Lewis e Rob Gronkowski, além de uma proteção sólida começando por um grande LT Nate Solder, não era difícil imaginar um início de temporada consistente.

Exceto que todos eles se machucaram. Gronk está voltando lentamente, mas obviamente não é aquele, MELHOR TE DA LIGA, que estamos acostumados a ver. Até o próprio Garoppolo se machucou (depois de 4 TDs e duas vitórias) e Jacoby Brissett, apenas um rookie de qualidade duvidosa, teve a chance de ser titular. E jogou (razoavelmente) bem! Ou pelo menos não acabou com o time.

E agora Brissett também sofreu uma lesão e é dúvida junto com Garoppolo para o jogo contra o Bills. A melhor opção seria fazer que Tebow deixasse de brincar de beisebol e voltasse por pelo menos um jogo SÓ PELA ZOEIRA (e para dar alguma emoção). Mas Belichik vai acabar escalando Julian Edelman – e quando lembramos do seu passe para Amendola nos playoffs de 2014, alguém apostará em Rex Ryan nesse matchup?

Se Brady jogará mais uns 10 anos, Bill treinará eternamente

Válido lembrar que para a rodada 5, Brady volta, lindo e 100% saudável, como se estivesse começando a temporada (porque, atenção, ele está), o que pode acabar fazendo com que a suspensão acabe até sendo benéfica para ele (!) – afinal, do alto dos seus 39 anos, mesmo que sua intenção seja jogar até os 45 anos (e nesse estilo de jogo, não duvidamos), melhor fazer cada snap valer o máximo.

Junto com ele, Rob Gronkowski deverá estar saudável. E mesmo que não esteja 100%, não é como se isso lhe fizesse falta para ser o melhor TE da liga e ainda acabar sendo o que recebe mais TDs no final da temporada. Além disso, esperamos ansiosamente que Dion Lewis (outro que nunca havia conseguido produzir antes de Bill Belichik) possa voltar saudável e jogar o final da temporada em um nível próximo ao eletrizante início que teve em 2015 (622 jardas e 4 TDs em 85 toques e 6 jogos como titular), sendo mais uma arma para esse jogo de passes curtos [chato] dos Patriots.

Por último, também não podemos esquecer da importância dessa defesa, que é a quinta em pontos sofridos e a sétima que menos fica em campo, que simplesmente acabou com Houston na última rodada e parece melhor mesmo após “perder” Chandler Jones (trocado para os Cardinals). Lembrando que, apesar de todo o brilhantismo do ataque, a grande especialidade de Belichik é a defesa – e onde ele parece sempre capaz de tirar o máximo de todo jogador medíocre.

A última esperança.

A última esperança.

E se Dick LeBeau, coordenador defensivo, ainda tem seu cargo do alto de seus 79 anos, Bill, com 64, deve ter pelo menos mais 15 para aterrorizar a liga. De qualquer forma, é melhor que os Bills apareçam bem esse domingo e mostrem que Belichik é humano. Do contrário nos restará rezar para que Eli Manning, Jason Pierre-Paul e cia ajeitem suas vidinhas na NFC e reapareçam para salvar o dia e evitar o pentacampeonato desses malditos gênios.

A paciência está acabando; agora é hora de curar a ressaca

Talvez nenhuma outra torcida na NFL tenha tanto para comemorar na última década quanto a do New York Giants. As duas vitórias em Super Bowls em um intervalo de quatro anos contra o poderoso New England Patriots eram tão improváveis que se tornaram instantaneamente momentos clássicos do esporte.  Em uma liga em que o equilíbrio ­predomina ­– vale lembrar que nos últimos dez anos a NFL teve nove campeões diferentes, sendo o Giants o único a conquistar dois títulos ­–, vencer dois em tão pouco tempo é uma missão muito difícil. Bater Tom Brady e Bill Belichick em duas decisões é (era) praticamente impossível.

As lágrimas vêm ao rosto quando nós, torcedores desse time maravilhoso, lembramos de Plaxico Burres recebendo o passe perfeito de Eli Manning em 2008. Não conseguimos conter o choro quando nos recordamos de Ahmad Bradshaw caminhando indeciso e permitindo que sua nádega relutante tocasse a endzone do Patriots em 2011.

Mas desde então, as lágrimas continuam a rolar, porém o motivo é outro: desgosto profundo. Depois das duas glórias máximas, uma fonte inesgotável de mediocridade predomina em East Rutherford. Desde 2012, o Giants coleciona exatamente zero aparições em playoffs e apenas um ano com recorde positivo. Depois de um razoável 9-7 em 2012, as três últimas temporadas foram um fracasso quase total: 7-9 em 2013 e 6-10 em 2014 e 2015.

Em 2015, apesar do recorde pífio, o Giants mostrou alguns lampejos de qualidade, exclusivamente no ataque. Ficou em sexto na NFL em pontos por jogo, com 26, à frente de ataques considerados superiores, como New Orleans Saints e Green Bay Packers. Foi o número oito em jardas por jogo e, apesar do número ridículo de apenas cinco TDs corridos, foi o sétimo da liga em TDs totais. Em um dos números mais relevantes, o Giants liderou a liga junto com o New England Patriots em TDs aéreos, com 36.

Os bons números ofensivos não foram suficientes para a permanência de Tom Coughlin, técnico que comandou o time por 12 anos. Erros estratégicos que, tranquilamente, podem ser classificados como bizarros, levaram o time a perder seis jogos por menos de um TD, com o adversário marcando os pontos da vitória nos últimos dois minutos. Essa estatística, vista com bons olhos, mostra que o time esteve muito perto de vencer seis partidas a mais e que, talvez, não esteja tudo perdido. Porém, a demissão de Coughlin também mostra que a paciência está acabando e que o Giants na era Ben McAdoo não pode mais usar as lembranças das vitórias contra o Patriots como muleta. É preciso curar a ressaca e tudo leva a crer que qualquer evolução, por menor que seja, já será suficiente para brigar pela sempre aberta NFC East.

"Fiz merda".

“Fiz merda”.

Defesa historicamente horrorosa

O ataque acima da média não foi capaz de mascarar a podridão de uma das defesas mais vulneráveis da história da liga. Em 2015, o Giants cedeu 420 jardas por jogo aos ataques adversários, a segunda pior marca dos últimos dez anos em toda a NFL. Foi o pior contra o passe, cedendo quase 300 jardas aéreas por partida. Foram apenas 23 sacks durante todo o ano, a terceira pior marca da liga.

Sem alternativa e com bastante espaço no teto salarial, o Giants foi, disparado, o time que mais gastou contratando free agents. Os US$ 106,3 milhões em salários garantidos foram gastos quase exclusivamente com jogadores de defesa. Entre os contratados está o DE Olivier Vernon, um dos jogadores mais disputados na free agency e que assinou um contrato de US$ 85 milhões, com US$ 52 milhões garantidos. Junto com Jason Pierre-Paul, que renovou o contrato por um ano após ter grande parte da mão amputada em um acidente com fogos de artifício, Vernon chega para tentar dar um pouco mais de energia a um pass rush que, com muita boa vontade, pode ser chamado de anêmico.

Além de colocar mais pressão nos QBs adversário, o Giants precisava pelo menos tentar melhorar a secundária responsável pela pior defesa da liga contra o passe. O CB Janoris Jankins veio do Saint Louis Los Angeles Rams recebendo US$ 29 milhões garantidos e se junta ao veterano CB Dominique Rodgers-Cromartie. O DT Damon Harrison recebeu US$ 24 milhões garantidos e deve colaborar com uma das partes da defesa que não comprometeram tanto em 2015: a defesa contra o jogo corrido.

Além dos gastos astronômicos, o time também deu ênfase à defesa no draft, escolhendo três jogadores de defesa nas quatro primeiras escolhas: CB Eli Apple, S Darian Thompson e LB B.J. Goodson. Eli Apple deve ser exigido logo no início da temporada e tem a missão de provar que as escolhas de primeiro round do Giants que não se chamam Odell Beckham Jr. podem ser jogadores de sucesso na NFL.

Normalmente, gastos exorbitantes como esses não dão o resultado esperado. Times desesperados acabam pagando muito mais do que deveriam para jogadores que talvez não valham tanto (oi, Olivier Vernon!). Mas a situação da defesa do Giants é tão caótica que não há outra alternativa senão melhorar. É claro que o time não terá uma das melhores defesas da NFL da noite para o dia, mas se ao menos chegar à linha da mediocridade ­– o que deve acontecer –, a torcida já pode comemorar.

Fala aqui com a minha mão.

Fala aqui com a minha mão.

Elisha Nelson Manning

Após um ano com números terríveis em 2013, Eli Manning logo se aproveitou do sistema ofensivo de Ben McAdoo, que assumiu o cargo de coordenador ofensivo do Giants em 2014, e melhorou em todas as estatísticas que medem a eficiência de um QB. Se compararmos os números de 2013 com os de 2015, por exemplo, perceberemos que os TDs quase dobraram e as interceptações foram reduzidas pela metade.

Mesmo tendo Odell Beckham Jr. à disposição, é difícil acreditar que Eli conseguirá melhorar ainda mais os números que obteve nas duas últimas temporadas, já que parece ter atingido seu teto. O cenário mais provável é que a produtividade permaneça semelhante aos dois anos no sistema de McAdoo.

Eli terá à sua disposição uma linha ofensiva mediana, que foi colocada na posição 20 da NFL pelo site Pro Football Focus. Do lado esquerdo da linha, o guard Justin Pugh e, especialmente, o tackle Ereck Flowers ainda têm que provar que valem as escolhas de primeiro round no draft investidas neles. O lado direito da linha sofreu bastante já na pré-temporada e é o que muitos consideram o verdadeiro ponto fraco da proteção ao QB. O tackle Marshall Newhouse terá que melhorar a performance que lhe rendeu a não tão desejada avaliação de sexto pior pass blocker pelo PFF. Espera-se que, com um pouco mais de entrosamento, a linha ofensiva tenha um desempenho levemente melhor e seja ao menos regular.

OBJ e o resto

Odell Beckham Jr. talvez seja o grande responsável por uma crise gigantesca ainda não ter se instalado permanentemente em East Rutherford. Com recepções espetaculares, rotas perfeitas e velocidade assustadora, Beckham bateu o recorde de Randy Moss de jardas recebidas nas duas primeiras temporadas como jogador profissional. Foram 2744 jardas em 2014 e 2015 que ajudaram a esconder a ruindade do resto do ataque. Mas nenhuma narrativa ou estatística é capaz de traduzir em palavras ou em números o que OBJ faz dentro de campo. Se conseguir evitar episódios de descontrole emocional, como o que aconteceu no confronto contra Josh Norman no ano passado, Odell tem tudo para ser um dos grandes WRs da história da NFL. E não há nada que indique que isso possa mudar em breve.

Do lado oposto de Beckham, o principal contribuinte deve ser Sterling Shepard, rookie escolhido no segundo round do draft. Shepard tem criado bastante expectativa com sua performance no training camp, mas não mostrou muito nos jogos da pré-temporada.

Além dele, Victor Cruz volta (ou pelo menos espera-se que volte) de lesão grave e, apesar da esperança da torcida, não deve chegar nem perto do jogador que levantou o troféu Vince Lombardi em 2011.

RBs: a prateleira de mediocridade

O principal ponto fraco do ataque do Giants é, sem dúvida, o jogo corrido. Rashad Jennings, Andre Willians, Orleans Darkwa e Bobby Rainey são a própria personificação da mediocridade. Sem muito mérito, Jennings deve ser o titular, mas não seria nada surpreendente se, além dele, outros dois ou mais jogadores iniciarem jogos como titulares, inclusive o rookie Paul Perkins. O grupo não anima, mas também não deve comprometer, até porque o ataque do Giants deve depender muito mais do passe do que do jogo corrido.

Palpite: o Giants iniciará a temporada com cinco vitórias em seus sete primeiros jogos, antes da folga na semana oito. No pacote de vitórias, estão incluídas as revanches de derrotas que doeram muito em 2015, contra Cowboys e Saints, logo nas primeiras duas semanas. No final, a temporada trará um redentor recorde de 11-5, que é mais do que suficiente para, depois de quatro anos, vencer a NFC East e avançar para uma frustrante derrota logo no Wild Card round.