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Razões para o New England Patriots vencer o Super Bowl (e não só esse ano)

O Patriots talvez tenha sido um dos grandes tópicos de toda a intertemporada de 2016, enquanto acompanhávamos ansiosos as idas e vindas dos julgamentos de Tom Brady e, quando elas acabaram, passamos a esperar o começo do fim da carreira de um dos maiores vencedores da história da NFL. Surpreendentemente, olhando hoje, Belichick era apenas mais um coadjuvante (um grande sidekick, mas um coadjuvante do marido da Gisele) que escrevia cartas para Donald Trump nas horas vagas.

Hoje, já questionamos quem realmente é o monstro, como questionávamos há muitos anos, quando Brady “ganhou de presente” (MVP com 145 jardas lançadas e 1 TD?) seu primeiro Super Bowl em apenas seu segundo ano de carreira.

E então calculamos se Bill não seria capaz de tais feitos mesmo se Jimmy Garoppolo fosse o homem no comando de seu ataque. Para a sorte dos representantes de Boston, eles têm os dois e muito mais.

A loucura que não faz falta

Todos conhecem Rob Gronkowski e sabem que ele é um gênio em todos os sentidos. Infelizmente, o melhor amigo (dentro de campo, obviamente) de Tom Brady segue pagando o preço de sua vida desregrada, sofrendo com lesões que, dessa vez, lhe tiram da grande final. Para a sorte dos Patriots, Bill estava preparado para isso e, no começo do ano, contratou Martellus Bennett, TE titular dos Bears para complementar Gronk; Bennett, aliás, é até mais falastrão que a grande estrela: ele consegue formular frases e contar histórias engraçadas!

Obviamente Martellus não é um alvo acionado 10 vezes por partida, mas trata-se de um bom complemento que descolou 700 jardas e 7 TDs na temporada regular e, ainda que não tenha sido acionado muito durante a pós-temporada, é alguém para se ter em conta contra a defesa insegura dos Falcons, ao lado de outros jogadores igualmente perigosos nas mãos de Josh McDaniels, como Julian Edelman e Chris Hogan (Chris FUCKING Hogan: reserva dos Bills).

Com essa cara de atendente de loja chique, você já desviaria dele no shopping.

Por outro lado, provavelmente os melhores skill players do time estão no backfield. Atrás de uma linha ofensiva sólida ancorada pelo left tackle Nate Solder, o nosso maconheiro trombador favorito LeGarrette Blount correu para absurdos 18 TDs (máximo na NFL), mesmo sem nunca ter mostrado grande talento; ao lado dele, o retorno de Dion Lewis dá o elemento dos sonhos para causar inferno nas defesas adversárias; Emmanuel Acho, jogador pelo qual ele foi trocado de Philadelphia para Cleveland, dias atrás comentava no Twitter que alguém merecia ser demitido por achar que os dois tinham o mesmo valor.

E obviamente, para fechar, o começo e o fim de tudo, a grande estrela é Tom Brady. Se ele mantivesse as médias que teve em 12 jogos para os 16 jogos de uma temporada normal (sem punição por murchar bolas e destruir celulares), teria lançado para 4738 jardas e 37 TDs, números equivalentes aos de Matt Ryan, e os dois estariam concorrendo ao título de MVP voto a voto. Truque do destino, ou de Roger Goodell, Brady perdeu esses jogos que na verdade só devem ajudá-lo a estar um pouco menos cansado para brincar com a defesa dos Falcons.

Sobre clichês

À parte da historinha clássica de que Brady e Bill serão favoritos todos os anos ao grande título até que decidam aposentar-se (depois do vigésimo, provavelmente), falemos de outra história muito repetida ano após ano na NFL e que, no caso desse Super Bowl, pode fazer mais sentido do que nunca: “defense wins championships”. Primeiramente, porque isso tem sido verdade na história de New England.

Você já deve ter ouvido falar no Greatest Show on Turf, de Kurt Warner – se não, saiba que só faltavam fazer chover, com as devidas proporções de monstruosidades, a exemplo do que Matt Ryan faz hoje. Eram favoritos por 14 (DOIS TOUCHDOWNS) na final… e perderam para Belichick e um QB em seu primeiro ano como titular. Donovan McNabb estava na melhor temporada de sua vida, mas perdeu para Deion Branch MVP. E Malcolm Butler. Esse duvido que alguém já tenha esquecido, especialmente Russell Wilson.

(Eu sei que só foram três jogos listados. Mas o outro foi contra Jake Delhomme, achei que não fortaleceria nosso ponto)

De qualquer forma, essa temporada tem tomado contornos parecidos. Perceberam como depois de tanto escândalo na preseason (com Garoppolo e aquele outro QB que ficará rico daqui a três anos em algum time trouxa), os Pats seguiram seu caminho para um 14-2 quase que por inércia. A razão disso? O ataque não foi o elemento mais espetacular do mundo, afinal sem Gronk as coisas se distribuíram bastante, mas a defesa foi sólida.

Quão sólida? Oitava em jardas cedidas e a que menos cedeu pontos para os oponentes. Basicamente o oposto perfeito para o ataque dos Falcons. E para aqueles que quiserem um “fator corretor” para os oponentes que o time enfrentou (sim, na temporada regular as maiores potências enfrentadas foram Seahawks, Bengals, Dolphins e Ravens, não exatamente exemplos de ataques), ele atende pelos nomes de Big Ben e Antonio Brown.

Marcando o Brown, já de olho em Julio Jones.

Adendo importante: dessa defesa foram retirados dois dos seus melhores jogadores, que mesmo depois da troca mantiveram o alto nível de atuação: os linebackers Chandler Jones (trocado por uma escolha de segundo round e um G que já foi dispensado) e Jamie Collins (trocado por uma escolha de terceiro). Isso tudo basicamente nos ensina a nunca duvidar das mágicas que pode fazer Bill Belichick.

Sobre Eli

São seis Super Bowls até aqui e uma escrita é completamente verdadeira, independente da maneira que você olhe: sempre que não enfrentou Eli Manning, Brady saiu vencedor. Do outro lado, para esse domingo, só vemos um Matty Ice magrão e ansioso para derreter, torcendo para que, como o próprio Eli disse, “tenha sorte de enfrentá-los no dia certo”.

Acontecerá de novo?

Enfim, o dia em que Tom Brady quer se provar mais homem que o comissário da maior liga americana não parece propício para um dia certo. É bom ter isso em conta na hora de marcarem suas apostas.

A minha: Tom lança 2 TDs para nosso querido Bennett e outros dois para Hogan, o próximo milionário fabricado por ele. Malcolm Butler repete o gostinho de ter uma interceptação decisiva e os Patriots vencem por 37×31.

Análise Tática #8 – É impossível parar Rob Gronkowski

Robert Paxton Gronkowski talvez seja a principal arma ofensiva da NFL. Muito rápido para ser marcado por linebackers e muito grande para ser marcado por defensive backs, o tight end do New England Patriots é o grande pesadelo dos coordenadores defensivos da liga. Após perder os dois primeiros jogos com uma contusão na coxa e ter os snaps limitados nas semanas 3 e 4, Gronk já recebeu para 484 jardas. Isso resulta em uma média de 118 jardas por jogo, se forem descontadas as duas semanas em que praticamente não jogou. Para efeito de comparação, AJ Green e Julio Jones, os dois WRs mais produtivos da NFL nessa temporada, têm a média de 112 e 107 jardas por jogo, respectivamente.

Além da média absurda de jardas, os três TDs que anotou entre as semanas 6 e 8 foram suficientes para estabelecer o novo recorde do New England Patriots para um TE: desde 2010, quando foi draftado, Gronkowski já anotou 69. Nos sete anos em que está na liga, descontados os jogos perdidos por contusão, Gronk disputou 86 partidas, o que resulta em uma média de 0,8 TDs por partida. Trata-se de um monstro, de um candidato certo ao Hall of Fame da NFL e, se permanecer saudável, do melhor TE da história.

E como parar um jogador tão bom? Marcação individual não funciona. É como se estivesse completamente desmarcado. A solução para as defesas é planejar marcação dupla, ou até mesmo tripla, certo? Mais ou menos. O cobertor é curto. Além de ser um dos melhores jogadores da liga, Gronk também joga em um dos melhores (senão o melhor) ataques da liga. Se a ênfase das defesas for parar Rob Gronkowski, Tom Brady não terá dificuldades em tirar proveito do que estiver à sua disposição. É por isso que é difícil imaginar um cenário em que o New England Patriots não esteja disputando o Super Bowl em Fevereiro. Não estamos felizes com isso, mas temos que aceitar a (dura) realidade.

Para mostrar como a conexão Tom Brady-Rob Gronkowski é a melhor da liga, analisaremos os três TDs anotados pela dupla em 2016. Não há mágica ou rotas complexas: é apenas Rob Gronkowski recebendo passes perfeitos de Tom Brady e humilhando defensores. Confira:

TD 1 – Week 6:

Gronk costuma receber passes longos com frequência, mas também é a arma perfeita em passes curtos, na redzone. No jogo contra o Buffalo Bills, na semana 6, Gronk era o único recebedor posicionado na parte de cima da tela, com dois marcadores nas proximidades. O deslocamento do RB James White para o lado direito do ataque puxou um dos defensores e deixou Gronk com marcação individual.

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No momento do passe, Brady acha Gronk sem dificuldades.

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TD 2 – Week 7:

No jogo contra o Pittsburgh Steelers, na semana 7, Gronk estava posicionado no alto da tela, junto com dois outros recebedores do Patriots. Com rota em profundidade, o TE do Patriots tinha dois potenciais marcadores: o Safety, na linha de 25 jardas, e o linebacker do lado esquerdo do ataque.

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No momento do passe, os dois marcadores estão próximos a Gronkowski, mas a antecipação de Brady e a rota perfeita, deslocando o Safety para a parte de cima da tela, garantem o sucesso da jogada.

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Quando recebeu a bola, Gronk já tinha deixado o LB para trás, enquanto o Safety fazia a leitura errada da jogada. Mais um TD tranquilo para o Patriots.

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TD 3 – Week 8:

Contra o Buffalo Bills, na semana 8, uma jogada muito parecida: Gronk com rota em profundidade junto com dois recebedores no mesmo lado do campo, mas dessa vez com marcação individual, sem o Safety para ajudar. Mesmo sem RB próximo a Brady, o Bills deixou dois LBs congestionando o meio do campo.

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Um dos DBs do Bills se juntou ao LB que estava próximo à linha de scrimmage, fazendo marcação dupla na rota curta. Brady fez a fácil leitura de Gronk em marcação individual na rota em profundidade, já batendo o marcador.

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Quando recebe o passe, Gronk já abriu duas jardas para o marcador e apenas desfila para a endzone.

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Ele não anda, ele desfila.