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Power Ranking Offseason #2 – Março

Não escondemos de ninguém que é muito mágico projetar a força de equipes sem vê-las jogando. Ano após ano  caímos nessa, mesmo sendo criados no país que gerou a inesquecível seleção de 2006, o melhor time do mundo quando o assunto é papel.

Por isso, já com muitas mudanças em relação a temporada 2017/18, tudo que está escrito abaixo tem uma enorme chance de se provar uma enorme asneira em setembro. Enfim, do jeito que a gente gosta.

1 – Philadelphia Eagles (1)

O melhor time da NFL teve reforços pontuais nas posições em que sofreu perdas. O maior “desfalque” em 2018 será Torrey Smith, mas não podemos sequer chamá-lo de desfalque.

2 – Los Angeles Rams (5)

Aqib Talib e Marcus Peters em uma secundária comandada por Wade Phillips é assustador. Já amávamos os Rams e eles conseguiram nos dar ainda mais motivos para continuarmos essa relação. Que sejo eterno enquanto dure.

3 – Minnesota Vikings (8)

Será mesmo que Kirk Cousins um upgrade em relação ao Case Keenum de 2017? Talvez não muito, mas o time é o mesmo e poderia ter vencido o Super Bowl não fosse uma noite de histeria coletiva na Philadelphia.

4 – New England Patriots (2)

O time sofreu diversas perdas no mercado e, pelo menos na última offseason, as movimentações de Bill Belichick não se mostraram tão acertadas. Mas duvidar dos Patriots é o caminho mais fácil pra ter a boca calada em janeiro/fevereiro.

Acabou?

5 – New Orleans Saints (3)

O Saints sempre se reforça de forma estranha, mas, reforços à parte, o time que vem de 2017 é extremamente competitivo. Com a volta de Drew Brees e um ano mais experiente, a equipe pode fazer barulho. Pena que só descobriremos em seis meses.

6 – Atlanta Falcons (4)

Os nomes que deixaram a franquia, assim como os que chegaram, não mudam o fato de que é um time forte e jovem. Porém a franquia não fez nada demais até aqui na offseason, assim fica difícil falar bem em um mundo em que o que importa é o que está bombando agora no Twitter.

7 – Jacksonville Jaguars (6)

O time manteve Blake Bortles, mas contratou Andrew Norwell para tentar correr ainda mais com a bola. No entanto, contratar Donte Moncrief e renovar com Marqise Lee foi pior do que renovar com Allen Robinson. Apostar na defesa novamente talvez seja arriscado.

8 – Pittsburgh Steelers (7)

Poucas mudanças, como era de se esperar. A dúvida fica por conta de LeVeon Bell, que quer um contrato novo (e de preferência que não seja de apenas um ano).

9 – Kansas City Chiefs (9)

O ataque promete ser no melhor estilo dedo no cu, gritaria e bola longa. Pode dar certo, pode dar errado, mas será divertido. Não sabemos o que esperar da defesa, mas Eric Berry de volta aquece o coração de toda e qualquer pessoa de bem.

10 – Green Bay Packers (11)

Os reforços da Free Agency foram bons, mas seriam excelentes se estivéssemos em 2014. De qualquer forma você já sabe que só um nome importa em Green Bay: DeShone Kizer Aaron Rodgers.

R-E-L-A-X.

11 – Los Angeles Chargers (15)

Estamos há tempos removidos daquele mês de setembro em que os kickers de San Diego chutaram até tiro de meta para fora. O time é bom, mas sempre encontra maneiras revolucionárias de perder, mas não na offseason.

12 – San Francisco 49ers (12)

Richard Sherman pode se mostrar um baita reforço, e o ataque só deve evoluir. Jimmy continua e continuará lindo.

13 – Carolina Panthers (10)

Um time que perde um Guard All Pro e troca um bom CB jovem por um WR decadente só merece cair na nossa lista.

14 – Houston Texans (13)

Os reforços até que foram interessantes, mas o que importa mesmo é saber se JJ Watt e Deshaun Watson voltarão com tudo.

15 – Baltimore Ravens (17)

Melhorar na posição de receiver só não era mais difícil que piorar, e os Ravens melhoraram (um pouco). O time, assim como Joe Flacco, ainda não inspira confiança.

16 – Dallas Cowboys (16)

Quase nada mudou. No time e no nosso Power Ranking. Ainda não sabemos se Dak Prescott é bom (2016) ou ruim (2017).

17 – Detroit Lions (19)

O time parece empenhado em fazer o jogo corrido voltar a funcionar, pena que com as escolhas erradas. Porém, os jogos mais divertidos do primeiro horário você só vê aqui.

18 – Tennessee Titans (20)

Qualquer movimentação interessante fica desinteressante quando sabemos que foi feita pelo Tennessee Titans. Pelo menos se livraram dos pesos mortos (Murray, Mularkey, Decker).

19 – Chicago Bears (26)

Candidato fortíssimo ao “Los Angeles Rams de 2017”, esse time está a um Sean McVay e um salto do naipe Goff-16>17 de ser interessante.

20 – Seattle Seahawks (14)

A franquia tenta, a cada ano, diminuir o número de jogadores de verdade que jogam ao lado de Russell Wilson. O último que sair apague a luz.

Rindo, mas de nervoso.

21 – Tampa Bay Buccaneers (23)

Talvez agora, no segundo ano do “agora vai”, o time, enfim, vá.

22 – Denver Broncos (21)

Case Keenum é um upgrade na posição mais importante do jogo, mas não é como se estivéssemos falando de Peyton Manning. E será que a defesa ainda é tão forte? Talvez não.

23 – Cleveland Browns (32)

Isso mesmo, nenê! Na offseason você não perde todos os jogos que disputa e, no caso dos Browns, você pode fazer movimentos interessantes. Tyrod Taylor não é a solução, mas pode tomar conta das crianças enquanto vocês ajeitam os horários de trabalho.

24 – Oakland Raiders (22)

A defesa ainda conta com vários “ninguém” esperando Khalil Mack fazer algo. O ataque não inspira confiança, e Jordy Nelson está mais próximo da aposentadoria do que das 1000 jardas.

25 – Buffalo Bills (18)

O time está em claro rebuild, mas por enquanto as escolhas do draft ainda não formam um time. E é melhor que o QB escolhido comece jogando no dia 1, por motivos de Nathan Peterman.

26 – Washington Redskins (27)

Porque pela primeira vez em anos a franquia finalmente tem o QB que quer. Uma pena que o time não seja tão bom.

27 – New York Jets (29)

A franquia vai atrás de um QB no draft, isso está bem claro. O resto do time talvez já seja melhor que o que estava disponível em 2017.

28 – Cincinnati Bengals (31)

Um Left Tackle já ajuda muito em uma OL que contava com praticamente nada. Quem sabe Andy Dalton não volta a jogar como o décimo sétimo melhor QB que ele de fato é?

29 – Miami Dolphins (24)

Coloque uma criança de seis anos que não sabe ler para jogar o modo franquia no Madden (paga nois, EA Sports). Talvez os moves façam mais sentido do que os que a diretoria de Miami fez nessa offseason.

30 – New York Giants (28)

Por mais que eles tentem acreditar, esse time não vai longe em 2018. Além disso, menos dois jogadores bons na linha ofensiva mais um jogador bom na linha ofensiva dá menos um jogador bom na linha ofensiva como resultado. A matemática é básica.

Do tempo que o torcedor dos Giants podia sorrir.

31 – Arizona Cardinals (25)

Que tal se livrar de um dos pilares da sua defesa pra contratar um QB sem joelho por 20 milhões por ano e Mike Glennon? Será um último ano difícil para Larry Fitz.

32 – Indianapolis Colts (30)

Por incrível que pareça, o time só conseguiu piorar até aqui. Ainda bem que existe o draft e a possibilidade do renascimento de Andrew Luck.

Podcast #9 – Uma coleção de asneiras IX

Estamos de volta!

Repercutimos, claro, o Super Bowl: como foi a vitória dos Eagles, os personagens envolvidos e mais algumas bobagens.

Discutimos os assuntos do momento, como a renovação de Jimmy Garoppolo e o pé na bunda que Josh McDaniels deu nos Colts.

Por fim, falamos da offseason e o que podemos esperar desse período maravilhoso.

Participação especial: João Paulo, do @EaglesBR.


Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor.

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Análise Tática #26 – As jogadas-chave do Super Bowl LII

O Super Bowl LII talvez tenha sido a final da NFL mais prolífica da história em termos de ataque. Foram 1152 jardas totais somando os dois times, recorde da liga seja para jogos de temporada regular ou playoffs.

Como ninguém esperava, inclusive nós do site, como vocês podem conferir no preview tático, o Eagles se saiu melhor que o New England Patriots em um festival ofensivo. Podem conferir em qualquer analista brasileiro ou de fora, seja texto, vídeos ou podcast, absolutamente ninguém esperava isso.

Apontamos no preview tático que a chave para a vitória dos Eagles seria a atuação da defesa, mas esse ponto não envelheceu bem. Como apontou nosso amigo Vitor Camargo do Two-Minute Warning, a responsabilidade da vitória é em boa parte no ataque e na capacidade que Nick Foles teve de causar estragos com passes a partir da média distância. Parafraseando o que nosso colega escreveu (leia o texto completo), Philly venceu apesar da atuação defensiva e não por causa da mesma.

Comparando, foi algo assim que Blake Bortles não conseguiu. O QB dos Jaguars executou muito bem o plano de jogo, mas para vencer os Patriots é preciso mais que isso, e o ataque de Jacksonville não tinha teto suficiente para se sobressair.

As estatísticas

Total de 143 jogadas a partir da linha de scrimmage, apenas um punt entre os dois times (chutado pelo Philadelphia Eagles), um sack (que definiu o confronto), uma interceptação e um turnover on downs. Para completar o festival, houve também extra points perdidos e chutados na trave.

O Philadelphia Eagles executou 71 jogadas ofensivas, converteu 25 first downs em 34min04s de posse de bola. Teve ganho de 538 jardas em 10 drives, 374 jardas pelo ar e 164 jardas terrestres. Nick Foles completou 27 de 43 passes e o time correu com a bola 27 vezes.

O New England Patriots, por sua vez, executou 72 jogadas ofensivas em 25min56s de posse de bola, converteu 29 first downs. Teve ganho de 613 jardas em 11 drives, 500 jardas pelo ar e 113 terrestres. Tom Brady completou 28 de 48 passes e o time correu com a bola 22 vezes.

A bola longa dos Eagles

Jogadas de passe de mais de 20 jardas tiveram um fator importante em relação ao plano de jogo dos Eagles. Esticar o campo é um mantra repetido por técnicos de futebol americano e funciona como uma das premissas do jogo, deixando a defesa sempre em dúvida sobre o que virá a seguir.

Como o Eagles correu bem com a bola, média de 6,1 jardas por tentativa, o Patriots foi obrigado a aproximar os jogadores da linha de scrimmage como compensação. E essa dúvida é suficiente para armar o playaction fake. Foi exatamente isso o que vimos no primeiro touchdown da partida, passe de Nick Foles para Alshon Jeffery.

Observe na imagem, um conceito de rotas cruzadas perto do segundo “I” no logo do Super Bowl, com Alshon Jeffery atacando a endzone e Nick Foles a partir do playaction. Os jogadores de linha ofensiva estão em posição de três apoios e encaram 4-men-rush. A linha contém muito facilmente o rush dos Patriots, permitindo que Nick Foles fique confortável para escalar o pocket.

Olhando a defesa dos Patriots, eles estão marcando de forma individual todas as rotas, e as do meio disfarçando a posição dos marcadores como se estivessem em zona. Apenas um safety está em profundidade (cover 1 man). Esse cenário é ideal para Nick Foles atirar no fundo do campo, e o safety ficando preso nas rotas do meio ajudou. Passe perfeito e Alshon Jeffery ainda fez uma recepção física.

O interessante dessa jogada é sobre os seguintes pontos: esse cenário construído é o que não seria ideal para os Eagles ganharem dos Patriots. Foi repetido intensamente de que o ataque coordenado por Doug Pederson não poderia cair em situações que eles precisassem confiar no braço de Nick Foles, o que exatamente aconteceu. Os Eagles mostraram para Bill Belichick e Matt Patricia que eles podiam explorar a bola longa a partir do playaction, e isso aconteceu repetidas vezes, já que o jogo corrido se desenvolveu.

As Trick Plays

Como em uma tarde de College Football qualquer, além do tiroteio, o Super Bowl apresentou as trick plays. Duas jogadas de reverse-pass para o quarterback, cada uma executada por um dos times.

Aos 12:04 restantes do Q2, os Patriots estão na linha de 35. James White parte do outside para o lado de Brady, e este entrega a bola para o corredor. A linha bloqueia para a esquerda dando a entender de se trata de uma inside zone. Entretanto, White entrega a bola para Danny Amendola, configurando o reverse. Brady parte em uma rota wheel e Danny Amendola arrisca o passe na linha de 25 (10 jardas a partir da linha de scrimmage). Tom Brady derruba a bola, colocada à frente de seu corpo.

O interessante dessa jogada, é que por todo o processo do Super Bowl houve a dúvida sobre a lesão reportada na mão de Brady. Segundo informações, o jogador se machucou em um treinamento e precisou sofrer quatro suturas na mão direita (a de lançamento). Apesar de toda essa novela, a verdade é que pela forma como o passe foi colocado, Brady, um QB de 40 anos, não tinha atleticismo suficiente para buscar essa bola, o que nos rendeu essa belíssima imagem.

Ele realmente não pode passar e receber passes ao mesmo tempo.

Agora observemos a chamada conhecida como Philly Special. Opção de Nick Foles para converter uma quarta descida para o touchdown restando 34 segundos antes do intervalo, quando os Eagles venciam por 15 a 12. Segundo relatos, essa jogada foi colocada no plano de jogo contra o Minnesota Vikings, mas não se fez necessária. Assim como a trick play dos Patriots, trata-se de um reverse pass para o quarterback, com alguns diferenciais.

Os Eagles se alinham em singleback com stack do lado direito. Nick Foles sai da posição de shotgun disfarçando que vai passar instruções de bloqueio à linha ofensiva, a estilo Peyton Manning. O QB toca as costas do right tackle, o snap sai diretamente para o RB em wildcat, esse se desloca para a esquerda em uma outside zone, faz o handoff para Trey Burton.

Nesse instante, Nick Foles parte da posição de linha ofensiva em direção à endzone. Touchdown. Aqui, cabe salientar que a questão da trick play, como o próprio nome sugere, é surpreender completamente a defesa adversária. Geralmente, isso começa snaps antes armando uma possível leitura de tendência a partir de determinado personnel.

No caso dos Eagles, o personnel com Corey Clement em campo indica uma jogada de corrida em zona ou passe, pela versatilidade do atleta em executar ambos os tipos de conceito – simplificando ao máximo a leitura, evidentemente, as possibilidades são maiores que isso. Como podemos ver nas primeiras amostras do NFL Turning Point pela NFL Films, Doug Pederson decidiu pela conversão da quarta descida e em discussão com Nick Foles, o quarterback chamou a jogada.

Como podemos conferir, jogadas antes, Nick Foles converteu uma terceira descida com ganho de 55 jardas a partir de um passe para Clement em uma rota wheel. Esse lance e mais outros com o camisa 30 em campo semearam a dúvida suficiente para fazer a trick play funcionar. Como disse Matt Patricia na coletiva pós-jogo a única forma de parar esse tipo de jogada é a defesa estar completamente ciente do que está acontecendo em campo, pois o reverse anula qualquer ajuste tático que poderia ser desenhado na cobertura.

Linha desbalanceada

Doug Pederson apresentou em seu plano de jogo uma variedade de conceitos que colocaram em cheque a capacidade de ajuste pelo New England Patriots. Um desses é a linha desbalanceada.

Acrescenta-se um jogador a mais de OL, geralmente um tackle e não um tight end, e este jogador se declara elegível a receber o passe para a arbitragem, mas sequer correrá uma rota. Sabemos que a linha ofensiva convencional se posiciona de forma simétrica em relação ao center. A OL desbalanceada posiciona um jogador a mais em um dos lados.

Na imagem acima, vemos o touchdown corrido de LeGarrete Blount partindo de uma inside zone com linha desbalanceada. O jogador extra é o camisa 73 Isaac Seumalo, marcado no retângulo vermelho. Ele alinha como um TE bloqueador, mas com melhor capacidade de realizar a função que um jogador com esse rótulo.

Acrescentar um jogador de linha na inside zone permitiu que o LT Halapoulivaati Vaitai bloqueasse em segundo nível, e esse foi o fator diferencial para que Blount chegasse a endzone.

A capacidade de ajustes de New England

Se tem alguma coisa que eu tive capacidade acertar nos previews sobre os Patriots é a capacidade de ajustes de Bill Belichick e o uso de Rob Gronkowski como ponto focal do ataque (“mas aí até eu”, deve estar pensando o caro leitor). Após um primeiro tempo ruim na conexão Brady-Gronk, a dupla começou a clicar as jogadas no início de terceiro quarto, resultando em um drive para touchdown apenas com recepções do Tight End.

Comparando com o que foi feito no primeiro tempo, a defesa dos Eagles não travou apenas um jogador na marcação individual de Gronkowski, confiando na capacidade de execução do defensor que estivesse no matchup.

A jogada apresentada acima ocorreu no jogo contra os Titans e uma vez anterior no primeiro tempo do Super Bowl, e ilustra exatamente o que o New England Patriots tem de melhor: a capacidade de ajustes táticos do staff de Bill Belichick e passar isso aos jogadores. Temos os Patriots alinhando em 11 personnel com set 2×2 e stack no lado esquerdo. A linha está em posição de 2 apoios e a situação de placar e relógio (PHI 32-26 NE Q4 9:22) indica o passe.

Amendola sai em motion da posição de Split-end para o lado do right tackle. Nesse momento, podemos ver os jogadores dos Eagles apontando entre si, o que significa que eles estão reajustando as marcações individuais na jogada. O Safety ataca o ponto em que as rotas dos três recebedores se cruzando no lado direito e deixa Gronkowski no mano a mano. Matchup que beira o injusto e touchdown para os Patriots, que naquele momento empataria o jogo em 32 pontos.

A pressão dos Eagles

O número de sacks leva a crer que Tom Brady jogou com pocket limpo a maioria das vezes. Mas esse tipo de análise preguiçosa focando apenas em drives brutos sempre leva a tirar conclusões erradas de qualquer situação estatística. Por vezes o front dos Eagles foi capaz de apressar passes ou acertar Brady com hits. Levar pancada de jogadores de mais de 140 kg afeta um QB de 40 anos de idade, por melhor que ele seja, simplesmente por questões físicas.

Essa pressão constante, principalmente em speed rush permitiu que Brady escapasse do sack algumas vezes escalando o pocket, mas quando ela vinha pelos A e B gaps, deixava o QB dos Patriots com a movimentação limitada, tendo que arriscar passes antes da hora. Isso explica principalmente a taxa de 56,25% passes completos (28/48), um pouco abaixo do que Brady normalmente produz.

Na jogada que praticamente selou o Super Bowl em favor dos Eagles, vemos Derek Barnett e Chris Long alinhados em wide-9-technique, enquanto Fletcher Cox (5-tech) e Brandon Graham (4-tech) estão na parte interna da linha. No resto do front, quando a jogada se desenvolver, percebemos que a defesa dos Eagles rotaciona para a direita, apesar de não ser uma fire zone blitz, e o mais importante, Malcolm Jenkins defende o flat, rota de James White, único jogador no lance livre para a recepção.

Chris Long é o jogador que consegue a melhor pressão em Brady com o speed rush, impulsionando o QB à direção de Brandon Graham, que consegue o strip-sack. A bola cai no chão e é recuperada por Derek Barnett. Os Eagles aproveitam o turnover na redzone e fecham o placar em 41 a 33.

O plano de jogo dos Eagles

Percebemos que o Eagles conseguiu a vitória no Super Bowl LII em uma situação de jogo que por muitas vezes pareceu desfavorável em determinados momentos. O maior tempo de posse de bola, o sucesso na conversão de terceiras descidas e a capitalização de pontos após drives em que parecia que o ataque dos Patriots havia entrado na partida foi essencial para que o time saísse com a vitória.

Doug Pederson explicou a ousadia na chamada das jogadas como “ser conservador é uma ótima maneira de terminar a temporada 8-8”, e o time, além de ser agressivo nas chamadas, conseguiu as converter, o que é mais importante.

Os Eagles jogaram com um quarterback reserva e conseguiram vencer os Patriots em um tiroteio. A secundária não conseguiu conter os recebedores dos Patriots (as 505 jardas aéreas não deixam mentir) e mesmo assim o time conseguiu responder em todas as instâncias do jogo.

O Super Bowl LII mostra ainda mais a importância de um coaching staff competente na construção de um plano de jogo. Pederson e sua equipe usaram a melhor arma dos Patriots contra eles, e surpreenderam mostrando leituras diferentes ao que havia passado na temporada regular. Por exemplo: no touchdown que deu a vantagem aos Eagles no final do último quarto, Zach Ertz correu uma rota slant em marcação individual, movimento que ele só tinha repetido no ano de calouro (2013).

Além do mais, tendo que responder drives de touchdowns para manter a vantagem no placar, Doug Pederson manteve a compostura e continuou apostando no plano de jogo montado, em vez de se afobar e tentar buscar Money plays que talvez estivessem marcadas do outro lado do jogo estratégico. Isso ajudou, sobretudo, a manter Nick Foles confiante e confortável a executar a melhor atuação de sua carreira.

Análise Tática #25 – Parte 4: O ataque do New England Patriots

Metamorfose. A unidade comandada por Tom Brady e coordenada por Josh McDaniels mostra, além de tudo, ser a prova do tempo e imprevisível. O time é capaz, mais do que qualquer outro na liga já foi, a ajustar adequadamente a cada adversário e explorar suas fraquezas.

O Patriots já foi um time de spread offense no início da década, aplicou bastante 12 personnel quando Rob Gronkowski e Aaron Hernández jogavam juntos, utilizou de run-heavy para vencer os Colts na final de conferência em 2014. Nos playoffs, New England utilizou bastante formações com dois running-backs contra os Titans e contra os Jaguars valeu-se bastante dos passes em rotas cruzadas.

E esse filme se repete há 18 anos. Domingo será a oitava aparição em Super Bowl da dupla Bill Belichick e Tom Brady, e na maioria delas o time manteve o grau alto de desempenho. Se nos três títulos entre 2001 e 2004 a fortaleza do time era a defesa, no Super Bowl XLIX e LII, o ataque fez seu trabalho. Esse cenário se repetirá no US Bank Stadium no domingo, com Tom Brady sendo responsável por comandar o melhor setor do time.

Estatísticas

Os Patriots conseguiram 8 touchdowns na pós-temporada, sendo 5 passados por Tom Brady e 3 corridos. Brady não foi interceptado e o único giveaway dos Patriots foi um fumble cometido Dion Lewis contra os Jaguars.

Passes para Running Backs

Utilizar os jogadores de backfield no jogo aéreo é uma arma utilizada por vários times da liga. Masterizado pela West Coast Offense de Bill Walsh, o passe para RBs é uma forma de criar uma dimensão extra para a defesa ler, aumentando as possibilidades de sucesso das jogadas.

O Patriots extrapola a dimensão do passe para RBs com o conceito jet-sweep. Trick plays são sempre pontos utilizados como inversores de fase no jogo, uma forma de “tapa na cara” do adversário.

A Jet-Sweep consiste em uma forma de passe parecido com o levantamento do vôlei. Um jogador sai em motion em direção ao quarterback, e no momento em que ele se encontra, sai o snap. O QB toca a bola com a ponta dos dedos e o ballcarrier a pega no ar. Com a bola na mão, o RB corre uma rota wheel na direção oposta do campo, como se fosse um end around.

Nesse outro exemplo, o Patriots ataca o flat a partir do playaction em uma jogada que deveria ser de passe longo mas as opções estão marcadas. Os Titans estão sem safeties por estarem preocupados com o jogo corrido nesse ponto da partida, aspecto básico do futebol americano.

Tom Brady se livra da pressão e encontra Dion Lewis para um ganho de 8 jardas.

Rob Gronkowski como eixo motor

Falar sobre como Gronkowski é bom é chover no molhado. O TE é uma aberração física, criando um matchup desfavorável em 90% das defesas da NFL, mesmo após tantas lesões.

Bill Belichick investiu no TE após a derrota contra os Jets no divisional round de 2011. A partir daquele momento, o Patriots fez a transição do spread offense para um ataque de rotas mais curtas. Como diz Chris B. Brown em “The Essential Smart Football”, Belichick usa os TEs para tornar o ataque flexível mesmo com um set pesado, sendo capaz de receber passes e bloquear com a mesma excelência.

Isso nos ajuda a entender como Belichick trata seus RBs como assets descartáveis, ao mesmo tempo em que tem apreço por seu QB e seu TE. Mesmo se não fossem talentos geracionais dentro de suas posições, as tarefas que esses dois desempenham no ataque são primordiais para a execução do mesmo. Belichick pensa primeiro nas tarefas, ter dois talentos absurdos executando as mesmas é quase como um bônus que ninguém é tolo de recusar.

Simplesmente marcar Rob Gronkowski seja individualmente ou em zona é uma tarefa quase impossível. Além disso, Belichick e Josh McDaniels ainda potencializa ao máximo as chances de seu TE na jogada chamando um slant-flats.

Aqui, basta Tom Brady mandar um backshoulder fade e esperar que seu jogador ganhe a bola na força física. Basicamente, se um jogador tentar defender esse passe, fará uma falta de interferência, colocando os Patriots na linha de gol. Exemplo de como o Patriots é tão dominante por tanto tempo, um time que além de ter bons jogadores, ainda utiliza o sistema para maximizar suas habilidades.

Ajuste às necessidades

Em boa parte do AFC Championship Game os Patriots estiveram sem Rob Gronkowski, que saiu do jogo por concussão. Em parágrafos anteriores, eu disse que Gronk é o ponto central do ataque (à exceção do quarterback), então como o Patriots conseguiu a virada sem seu principal recebedor?

Bem, é de conhecimento geral que os Patriots são o time que melhor ajusta o plano de jogo de acordo com a situação. É talvez a capacidade que mais importa pelo fato de essa dinastia durar tanto tempo. Quando Gronkowski saiu do jogo, Josh McDaniels passou a colocar em campo sets mais variados de recebedores, bem como a habilidade dos mesmos em rotas curtas. Forma semelhante à que utilizou para combater a Legion of Boom no Super Bowl XLIX.

A jogada acima mostra as rotas utilizadas no primeiro touchdown de Danny Amendola no jogo contra os Jaguars. Sem Edelman, Amendola foi o responsável por usar as rotas de opção com cortes curtos ao longo da temporada. Aqui, ele corre uma shallow cross contra uma marcação em zona, e reagindo ao posicionamento em zona dos linebackers, cruza o campo inteiro. As demais rotas têm o objetivo de atrair os jogadores dos Jaguars para o fundo da endzone.

Observe que Brady poderia ter tentado o backshoulder fade em Brandin Cooks alinhado de Split-end, mas esse é um passe de baixa taxa de conversão. Ele espera a segunda leitura e conta com Amendola ganhando jardas após a recepção para o touchdown.

O TD da virada contra os Jaguars é mais um exemplo de como Brady tem a paciência de esperar a melhor opção para o passe aparecer livre, bem como o excelente trabalho de Dante Scarnecchia com a linha ofensiva ao permitir que isso aconteça. Duas rotas dig ao fundo da endzone enquanto Cooks corre uma slant/out.

Brady espera Amendola aparecer em cima do “P de Patriots” na endzone e manda o passe perfeito, o tipo de conexão que só é possível graças à capacidade do QB de antecipar esse momento. Vitória por 24 a 20 e os Patriots vão para o oitavo Super Bowl comandados por Bill Belichick.

Pontos-chave para o Super Bowl

É tolice não considerar os Patriots como favoritos no Super Bowl LII, ao mesmo tempo que também não se deve descartar o trabalho dos Eagles. Conter o poderoso front seven dos Eagles é uma necessidade. David Andrews terá um trabalho primordial contra Fletcher Cox no A-Gap.

Ano passado em Houston vimos um Patriots que parecia despreparado (uma novidade) contra os Falcons e que conseguiu fazer história graças aos ajustes de intervalo. Esse tipo de previsão não é possível de ser feita, já que seria pretensão afirmar que os técnicos não se preparariam adequadamente para um jogo da grandeza do Super Bowl.

Com Gronkowski fora do protocolo de concussão, o TE terá sua segunda atuação na grande final totalmente saudável fisicamente, já que esteve fora ano passado e jogou machucado no Super Bowl XLVI, em Indianapolis. O terror dos matchups será mais uma vez o eixo motor dos recebedores do New England Patriots.

 

Análise Tática #25 – Especial Super Bowl LII

O ápice da temporada, o maior evento esportivo anual do planeta. O Super Bowl LII em Minneapolis está definido e será o confronto entre o New England Patriots e o Philadelphia Eagles.

Enquanto os Patriots buscam o sexto título de sua história, os Eagles buscam seu primeiro na era Super Bowl. Vencedores nas edições XXXVI (2001), XXXVIII (2003), XXXIX (2004), XLIX (2014) e LI (2016), o time de Massachusetts busca o título em anos consecutivos pela primeira vez desde 2004.

A principal força do time de New England é o ataque comandado pelo QB Tom Brady (prazer, Capitão Óbvio), líder na maioria das estatísticas avançadas, e provavelmente será anunciado MVP no sábado anterior à final.

A defesa do time teve momentos de dúvidas após a lesão de Dont’a Hightower e pela instabilidade do pass-rush. Nos playoffs, a unidade coordenada por Matt Patricia contornou as dificuldades e apareceu em momentos importantes contra Tennessee e Jacskonville, em que pese ter enfrentado ataques pouco explosivos.

Já o Philadelphia Eagles, melhor time da temporada regular, contornou lesões em posições importantes (QB Carson Wentz, LT Jason Peters, RB Darren Sproles e LB Jordan Hicks) e finalizou a primeira posição da NFC.

Nos playoffs, os Eagles contaram principalmente com sua defesa para vencer os Falcons e com a excelente atuação de Nick Foles para bater os Vikings.

Em razão do ponto máximo da temporada, a análise tática das próximas duas semanas virá em textos separados para cada unidade de cada time, (à exceção do special teams). Dois por semana. O espaço amostral da análise será determinado pelas duas partidas de cada time nos playoffs. Confira cada análise nos links abaixo:

Análise Tática #25 – Parte 1: A defesa dos Patriots

Por boa parte da temporada regular, a defesa dos Patriots foi alvo de críticas da torcida e dos especialistas – principalmente após as lesões do calouro Derek Rivers e de Dont’a Hightower, discutivelmente melhor jogador da unidade.

As atuações instáveis de Stephen Gillmore e Malcolm Butler, bem como a fragilidade do pass rush e dos linebackers em rotas laterais foram motivos de preocupação em Foxborough, mesmo que nós saibamos que no final das contas, Bill Belichick sempre encontra um jeito de fazer a unidade produzir.

As estatísticas

Contra Tennessee no divisional round o principal número a se mencionar é os oito sacks obtidos contra Marcus Mariota. Foram 61 jogadas e 27min04s em campo por 10 campanhas, cedendo 65 jardas terrestres em 16 tentativas. Foram 202 jardas aéreas em 22 passes completos de 37 tentados.

Contra Jacksonville no AFC Championship Game, a defesa passou 35min08s em campo, em 71 jogadas divididas em 12 drives. Foram 101 jardas terrestres em 32 tentativas e 273 jardas aéreas em 23 passes completos de 36 tentativas. Dessa vez, foram 3 sacks.

Apesar de boas atuações, em nenhuma das duas partidas a defesa dos Patriots forçou turnovers.

A importância dos sacks contra Tennessee

A defesa dos Patriots colocou o ataque de Tennessee em quinze situações de terceira descida, permitindo apenas cinco conversões.  Dos oito sacks, dois foram nessas ocasiões, em que a defesa forçou os punts.

Em uma unidade em que nenhum jogador é exatamente uma estrela da liga, New England se sobressai principalmente pela leitura pré-snap de cada jogador e a dedicação dos mesmos em cumprir sua função na jogada. Tennessee alinha seus recebedores em um set 2×2 em stack formation, concentrando a defesa no meio do campo.

Observe que o safety Patrick Chung lê o motion de Delanie Walker e o acompanha, dando a entender que o mesmo estará em cobertura individual contra o mesmo, apesar de seu posicionamento de quadril dizer o contrário.

Observe também que o jogador marcado com uma estrela (Corey Davis) está cercado por pelo menos três jogadores de New England. Esse sistema de cobertura é constantemente utilizado por Belichick e Patricia para anular recebedores velozes dos adversários. Pelo menos dois jogadores irão marcar o principal WR em uma combinação de marcação individual e zona half, semelhante à cobertura cover 2-man, porém acontecendo em apenas um lado do campo..

No momento em que a jogada se desenvolve, a secundária rotacional de um desenho de cover 2 para uma cover 1, com todas as rotas tendo pelo menos um jogador marcando individualmente. É como se New England tivesse uma superioridade numérica na cobertura, portanto, nenhuma rota dará uma janela de passe confiável para Mariota.

No front, temos os seguintes alinhamentos de techniques (9-0-3-8), enquanto o defensor na 3-tech (Rufus Johnson) ficará de QB-Spy em Mariota. Trey Flowers na 9 tech é o jogador que traz a pressão pelo speed rush, forçando Mariota a escalar o pocket. O espaço preenchido por Rufus Johnson tira a possibilidade do scramble de Mariota e ajuda a Deatrich Wise a fechar o sack.

Como mostramos no texto sobre a defesa do Jacksonville Jaguars, esse é um tipo de sack obtido graças à excelente cobertura, o chamado sack-coverage.

O cover 2-man aparece empregado em sua totalidade nessa jogada no terceiro quarto, o segundo sack em terceira descida conquistado pelo New England Patriots. Pela situação, consideremos que o alvo principal seja Delanie Walker no meio do campo, por ser o recebedor mais confiável e ter o melhor matchup em tese.

Walker é marcado de forma individual, enquanto no flat do lado esquerdo de campo, o esquema de cover 2 anula o checkdown de Marcus Mariota. Ele novamente está sem opções para passar a bola, enquanto enfrenta um 3-men rush com spy. Observemos o front de New England.

Dessa vez a linha varia o alinhamento das techs para 9-4-0-8, com o defensor na 4-tech em QB Spy. Com o objetivo de prender Mariota no pocket, o flat do lado esquerdo está coberto por uma marcação em zona, enquanto no lado com a marcação individual, está justamente posicionado o espião. Além disso, esse é o lado em que a pressão vem pelo speed rush.

Adam Butler (#70) ataca pelo A-gap do lado direito da linha enquanto Kyle Van Noy (#53) permanece em spy. Essa combinação é suficiente para gerar pânico em Mariota e fazer com que o mesmo tire o olho de suas progressões. Mais um sack em terceira descida.

Os ajustes contra o jogo corrido de Jacksonville

É de conhecimento geral que o ataque do Jacksonville Jaguars é uma unidade predicada ao jogo terrestre. Como mostrado anteriormente, foram 101 jardas em 32 tentativas, uma média 3.2 jardas por corrida, abaixo do ideal de 4 YPC (yards per carry). Considera-se tal valor para determinar que o jogo terrestre de uma unidade foi bem aplicado durante a partida.

Essa jogada no segundo quarto mostra como o Jacksonville Jaguars estava utilizando conceitos de misdirection para utilizar o jogo corrido de Leonard Fournette. O misdirection aplicado ao jogo terrestre tem o objetivo de tirar alguns jogadores da defesa da direção da jogada.

Aqui, os jogadores alinhados em trips-bunch se deslocarão para a direita, atraindo os defensores marcando em zona para aquele lado. O movimento de Blake Bortles vendendo o draw ajuda a dar veracidade a essa tentativa.

A corrida se desenvolve como uma outside zone para o lado direito, com Fournette atacando o espaço entre o left guard e o center (A-Gap). Observe que ficam apenas 5 jogadores do lado em que se desenvolve a jogada, e apenas o safety Patrick Chung não está bloqueado, podendo reagir ao tackle. Fournette consegue ganhar 13 jardas na jogada, em drive que terminaria em touchdown para os Jaguars.

Observemos agora os Jaguars realizando uma inside zone no início do último quarto da partida, quando os Patriots buscavam a virada no placar. Conter Leonard Fournette e Corey Grant foi um dos pontos chave para que o Patriots tivesse tempo de relógio, considerando o jogo quase limpo em termos de turnovers (apenas Myles Jack forçou um fumble em drives anteriores).

O leitor já deve estar familiarizado com o sistema de zone blocking, o jogador bloqueará o adversário à sua frente ou ajudará o bloqueio ao seu lado na direção em que a jogada se desenvolve, de olho na possibilidade de atacar o segundo nível da defesa.

Observe pelo alinhamento dos recebedores, que os Jaguars tentarão repetir o misdirection. Mas provavelmente pela análise de tendências e situação da partida, os Patriots basicamente sabem que será uma corrida. Bill Belichick se sobressai como técnico exatamente nesse ponto, New England quase sempre faz os ajustes corretos no segundo tempo de jogos importantes, mesmo nas derrotas.

Malcom Brown consegue fechar o tackle a partir da 0-tech, após receber apenas o bloqueio do center de Jacksonville. Com os linebackers fechando as opções no mesh point de Fournette, o mesmo não consegue ganhar mais que duas jardas.

Uma unidade que mesmo sem jogadores de elite é capaz de ajustar tão bem graças à competência de seu coaching staff. Essa capacidade foi importante para os Patriots diante dos Falcons no Super Bowl LI e deverá ser novamente fundamental em Minneapolis.

Dessa vez, Belichick e Matt Patricia deverão estar atento a uma arma que já os derrotou na temporada, a Run-Pass-Option, dessa vez empregada pelos Eagles.

Ainda odiados, cada vez melhores: nada muda em New England

Não somos fãs de discussões definitivas sobre aqueles que são, eventualmente, os melhores da história dentro de campo – invariavelmente, não se chega a lugar algum: Manning pode ter sido melhor que Brady e, na verdade, isso pouco importa. Hoje, e talvez até mesmo quando o sol engolir o planeta terra e todos derretermos, pode ser possível que Rodgers seja enfim considerado um atleta melhor e mais completo que Brady. Ou tudo isso é um misto de delírio e negação e, bem, Brady é melhor que Montana, Elway e Marino somados.

O fato é que se dentro das quatro linhas sempre haverá margem para discussões, fora delas, Bill Belichick construiu um império particular capaz de suplantar qualquer dúvida: em 17 anos, o New England Patriots têm 15 títulos de divisão, chegou no AFC Championship Game 12 vezes e ao Super Bowl outras sete – o número de anéis, claro, você já sabe de cor.

Falando em números, quando isolamos as conquistas do Patriots – e as quantificamos – em um recorte de tempo histórico, eles soam ainda mais irritantes. E ainda assim, não são capazes de contar a história em sua totalidade.

O domínio na AFC é produto direto da máquina que Bill construiu e aperfeiçoou a cada temporada – ele é o Head Coach, o GM e, por um momento, também foi coordenador defensivo; hoje ele talvez mande mais que Robert Kraft e ninguém saiba.

E enquanto é possível comparar jogadores, é quase impossível colocar Bill ao lado de outras treinadores e traçar comparações sólidas: não há HC na NFL contemporânea que sequer se aproxime de seus êxitos e, caso voltemos muito no tempo, pesará a seu favor a longevidade; enquanto grandes nomes como Vince Lombardi e Bill Walsh estiveram na NFL por uma década, nada indica que Belichick não chegará aos 20 anos comandando o Patriots – e, nas próximas semanas, ao seu oitavo Super Bowl, com o sexto título conquistado.

Sim, se existe uma sabedoria popular que deveria ser incorporada ao imaginário coletivo é esta: quando antes você aceitar seu triste destino, menor será frustração. Pode soar duro, mas é a mais pura verdade: estamos todos prestes a entrar em uma realidade em que Brady e Belichick venceram o Super Bowl seis vezes.

Bem louco.

Por que pode dar errado?

A sabedoria popular também nos ensina que quando tudo parece que dará errado é preciso se apegar ao passado. Mesmo dominantes, as derrotas de New England contaram com, claro, o destino: David Tyree recebeu um passe com o capacete, Asante Samuel caiu em desesperança, Randy Moss não alcançou bolas que normalmente alcançaria. Tudo ao mesmo tempo.

Enfim, mesmo para as equipes que costumeiramente estão no topo, algumas vezes, vencer ou perder pode ser determinado por um capacete.

Por que o Patriots vencerá?

Porque, afinal, está é a ordem natural das coisas: nada parece estar acontecendo e, mesmo assim, o New England Patriots está no topo da NFL. Eles podem não ter Tom Brady por quatro jogos, mas Brissett ou Jimmy G (também conhecido como o homem mais lindo que já pisou na terra) darão conta do recado.

Você também pode não ter escolhas de primeira rodada no draft e, mesmo assim, o planeta continuará girando normalmente: tudo está sempre sob controle e nada fará com que a franquia faça uma movimentação desesperada. Com o Patriots aprendemos sempre a esquecer o presente, afinal, eles estão sempre um passo a frente.

É tudo resultado de um longo processo, que pode parecer complexo, mas na verdade é essencialmente simples: faça as coisas certas, repetidamente. Em algum momento elas já funcionaram e você sabe o resultado final. Repita o processo ao longo dos anos e, invariavelmente, os resultados aparecerão.

Lógico, é impossível vencer sempre: times comuns implodem ao não saber lidar com suas frustrações, além de não ser possível controlar todos os fatores, como o capacete de Tyree ou as mãos de Wes Welker.

Ao olhar o sucesso do Patriots, entendemos porque nos desesperamos com os altos e baixos das demais franquias: é inacreditável o que o Vikings vem fazendo, mas parece que, para eles, é a última oportunidade de alcançar a glória – e, caso ela não venha, tudo será implodido. Lembramos que, por muito tempo, Indianapolis rodeou Peyton Manning por idiotas sem a mínima coordenação motora e esperou que seus milagres se repetissem até fevereiro. Ou ainda ficamos pasmos ao sermos confrontados com a ideia de que o Packers está desperdiçando os melhores anos de Aaron Rodgers com uma defesa, ano após ano, composta exclusivamente por débeis mentais.

Enquanto isso, em New England, absolutamente nada sai de controle.

Esperança.

O que nos resta?

O esporte é usado como válvula de escape para nossas frustrações, então é difícil, mas compreensível, aceitarmos o sucesso alheio repetido exaustivamente diante de nossos olhos. Queremos esforço coletivo e jornadas heroicas; queremos que David derrube Golias com uma frequência quase diária – para que assim possamos nos sentir vingados, seja de um boleto atrasado, de um chefe babaca ou do aumento da gasolina.

Por que alguns têm tanto enquanto nós temos tão pouco? De certa forma, a inveja é essencial para a evolução humana. Schadenfreude, palavra alemã que emprestamos para um segmento de nosso podcast (e o resto da civilização também emprestou para usar como julgar melhor), refere-se basicamente à felicidade que sentimos com a desgraça alheia.

Algo, ao mesmo tempo, humano e desprezível, mas que, de alguma forma, tentamos transparecer ainda mais no esporte, ainda mais em nossa relação com o New England Patriots: assim como o resto da liga, queremos ver seu reinado em chamas – mas ao mesmo tempo, podemos deixar esse egoísmo de lado e apreciar um momento tão raro como este, aproveitando o que resta disso: nenhuma dinastia dura para sempre.

A do Patriots, por exemplo, deve durar só mais uma década ou duas décadas. Começando no próximo dia 4.

OBS: se Blake Bortles e os Jaguars vencerem domingo, por favor, esqueçam esse monte de merda.

#SuperBowlChallenge: nossos palpites

O Pick Six é composto por pessoas que não entendem porcaria nenhuma e gostam de cagar regra. Mas mesmo assim vocês pediram, e aqui estamos expondo nossos palpites para o #SuperBowlChallenge.

Obviamente, passaremos vergonha e seremos humilhado por algum leitor mentalmente mais capaz que nós (convenhamos, está longe de ser algo difícil).

Aliás, se você ainda não se inscreveu na disputa pelo já tradicional MIMO SURPRESA, pare o que está fazendo e distribua pitacos abalizados e coerentes – isso, claro, antes de ler nossos palpites logo abaixo; não se deixe influenciar por nosso retardo mental.

Cadu

É difícil imaginar um cenário em que New England Patriots e Pittsburgh Steelers não estejam na final da AFC. Mas se tem um time que pode surpreender é o Kansas City Chiefs. O provável confronto com o Patriots no Divisional Round é o que teremos de mais emocionante na Conferência. De qualquer forma, o vencedor será derrotado na final pelo Steelers, que seguirá para o Super Bowl e ganhará seu sétimo título.

Na NFC, fazer previsões é um desafio enorme. Com exceções de Carolina Panthers e Philadelphia Eagles, que parecem estar um pouco abaixo dos demais, o equilíbrio toma conta da Conferência. O confronto Los Angeles Rams x Atlanta Falcons tem o potencial de criar um monstro, já que o vencedor deve sair muito embalado.

O grande desafio estará nas mãos do time que passar por Minnesota. Se o Rams bater Falcons e Vikings em sequência, não terá dificuldade para vencer o Saints, que é um time bom, mas não com a força necessária para vencer qualquer outro na final da NFC.

Diego

A rodada de wild card, principalmente na AFC é um grande “é o que sobrou”; Chiefs e Jaguars devem passar já que são times mais organizados que os adversários, enquanto em Falcons @ Rams e Panthers @ Saints aposto no homefield advantage. Para a rodada divisional, o Eagles é o grande candidato a one and done pelo simples fator Nick Foles, enquanto o Vikings deve sobreviver.

Já na AFC, todo mundo sabe que só há três formas de derrotar o New England Patriots nos playoffs: ser Mark Sanchez, ser Joe Flacco ou não deixar o time de Foxborough terminar com a seed #1. Como nenhum dessas três coisas aconteceu, o Patriots deve ser o representante da AFC no Super Bowl, enquanto a maldição da sede não deixará os Vikings passarem do NFC Championship Game. Duelo de QBs no Super Bowl LII com vitória dos Patriots, pois Belichick é um melhor técnico que Sean Payton e, aceitemos, isso fará a diferença.

Digo

O palpite mais clubista do PickSix está aqui mesmo. Será dolorido quando der errado, mas tem sua lógica além da própria torcida. Porém, pelo começo: Kansas City é o único certeiro (queira José Aldo ou não); Jaguars e Saints são apostas seguras porque, bem, Bills e Panthers parecem já ter feito demais só por chegar até aqui.

Por último, Rams e Falcons são o jogo mais difícil para apostas – combinando a “tentativa de escolher enfrentar os Eagles na segunda parte dos playoffs ao escalar o time reserva contra Garoppolo” e o peso da inexperiência de Goff e cia, o Falcons é quem passa de fase.

Nas semifinais de conferência, Falcons e Steelers passam por ser simplesmente melhores e mais completos que seus adversários (Philadelphia provavelmente é o time com menos chance de Super Bowl entre os 12). O Vikings passa por já ter demonstrado ser capaz de parar qualquer grande ataque, enquanto a defesa dos Saints parece destinada a uma pipocada quando menos se espera; Kansas City de Alex Smith, sim, é uma escolha do coração. Esse time já mostrou ser capaz de parar Belichick e Brady uma vez, por que não uma segunda?

Seguindo a mesma lógica, um Pittsburgh Steelers mais descansado é simplesmente melhor que os Chiefs, como já mostraram na semana 6. E se os Vikings são capazes de parar um ataque da NFC South, por que não dois? E apostar contra o próprio time em um Super Bowl em casa simplesmente seria inumano (nota do editor: ou burro. O que é o caso).

Murilo

O Titans sequer existe e não gastarei meu tempo com ele – assim como o Chiefs não deverá gastar. A história do Bills foi linda (obrigado, Joe Flacco), mas infelizmente ela acabará no próximo domingo. É triste aceitar que o já citado Chiefs será triturado por Tom Brady, que posteriormente também acabará com Big Ben & companhia – se você acha que o Jaguars terá alguma chance, por favor, procure um médico: você está delirando.

Do outro lado, a defesa do Rams triturá Matty Ice e depois comerá Case Keenum com farinha – tudo isso enquanto você, enfim, se convence que está assistindo o início da jornada de Jared Thomas Goff rumo ao Hall of Fame (quanto antes você aceitar, melhor).

O Saints sofrerá um pouco, apenas por esporte, mas no fim do dia vencerá o Panthers e depois passará sem problemas pelo Eagles – que nestes playoffs, graças ao óbito de Carson Wentz (descanse em paz!), só é mais relevante que o Titans – que como já citamos, nem existe. Sério, parem de inventar times.

Voltando o que interessa, uma final entre Saints e Patriots será algo mágico, mesmo que todos saibamos que, bem, essa desgraça comandada por Tom Brady vencerá novamente.

Mas é indigno vencer algo apostando no Patriots; seria como faturar uma grande BOLADA, mas lá no fundo saber que se trata de DINHEIRO SUJO. E, bem, eu não conseguiria conviver com minha consciência comemorando uma vitória do Patriots.

Então pela minha família, pelos meus filhos (que nem nasceram), pelo Brasil e pelo povo brasileiro, o Saints vencerá essa merd*.

Rafael

Panthers, Titans e Bills são times que já chegam na rodada do Wild Card mortos. Queremos acreditar que o Falcons ainda está vivo, mas a verdade é que o time sensacional que vemos no papel não existe, e a equipe será eliminada pelo Rams.

Chiefs e Jaguars não têm forças pra vencer Patriots e Steelers, respectivamente. Não se engane com o duelo da temporada regular: Pittsburgh vai dar uma sova em #Sacksonville (foram vocês que financiaram essa merd*) e não sobrará um defensor para contar história. Aceitemos: os playoffs da AFC só serão interessantes daqui a duas semanas.

O Eagles também chega morto & enterrado na pós-temporada, por motivos de Nick Foles. O Saints só precisa não se boicotar pra chegar na final da NFC, onde enfrentará o Vikings que, assim como na temporada regular, vencerá o Rams (<\3).

Na final da AFC, é bem impossível que Belichick perca para os Steelers novamente (o jogo da temporada regular ele perdeu no campo e sabe disso), ainda mais jogando em Foxborough. Acontece que não quero estar certo se isso significar ver o lado negro da força no Super Bowl novamente.

Na NFC, muita coisa mudou desde que Vikings e Saints se encontraram lá na semana 1. Mas Minnesota, com uma ótima defesa e com um ataque capaz de vencer a defesa de New Orleans, vencerá o jogo. Será a vingança daquele jogo em que Brett Favre teve uma de suas múltiplas cãibras mentais.

Enfim, valerá a máxima: ataques vencem jogos, defesas vencem campeonatos. A ofensiva dos Steelers será anulada pela defesa dos Vikings no primeiro Super Bowl jogado pelo time da casa. Se preparem para viver em um mundo em que Minnesota (!), e Case Keenum (!!!!) possuem um anel. Talvez assim finalmente consigamos acabar com a NFL.

(nota da edição: outro idiota)

Análise Tática #21 – Semana #15: O plano de jogo do Pittsburgh Steelers

A análise tática semanal dá mais um passo no entendimento do jogo (ou não). Nas últimas semanas, introduzimos alguns conceitos de situações espeíficas, como trabalho do quarterback, jogo terrestre, two-minute drill. O objetivo do texto dessa semana é introduzir a percepção de como se desenvolve o plano de jogo de uma equipe durante uma partida, no caso, o ataque do Pittsburgh Steelers contra o New England Patriots na semana 15 da temporada de 2017.

O amigo leitor sabe que o futebol americano é um jogo estratégico, um “xadrez dentro de campo” (marca registrada). Apesar de eu odiar essa analogia, ela faz o perfeito sentido. Segundo Pat Kirwan, o desenvolvimento do plano de jogo começa logo após o encerramento da partida anterior, e se estende ao longo dos treinamentos até os ajustes de intervalo.

No aspecto ofensivo, um quarterback experiente como Ben Roethlisberger participa de todo esse processo, seja vendo vídeos de partidas anteriores para detectar as tendências e deficiências da defesa adversária, junto com o setor de scouting. Também opinar sobre aquilo o que ele se sente confortável a executar durante a partida, juntamente com os técnicos.

Em um aspecto macro, é trabalho do head-coach e do coordenador ofensivo, ao obterem as informações vindas do setor de scouting, saber determinar as próprias tendências. Assim, a defesa adversária mantém-se em dúvida sobre qual tipo de jogada será executada quando observa um determinado pacote em campo. Assim se instala o jogo de futebol americano, na maioria dos casos, quem consegue ocultar melhor suas características, leva vantagem no plano estratégico.

Em uma jornada semanal completa (o time joga aos domingos), a detecção de tendências geralmente ocorre às segundas e terças, enquanto o plano é levado a campo a ser passado aos jogadores de quarta à sexta. O sábado é focado em ajustes e testes de sincronismo aos jogadores, por que provavelmente o time se concentrará em algum hotel da cidade ou necessita viajar ao local da partida.

Tratando, especificamente da partida, a situação ideal de plano de jogo. Como inativos, o Steelers teve apenas os OT Matt Feller, TE Vance McDonald e WR Justin Hunter, nenhum ponto central do ataque. Já como deficiências do adversário, podemos sinalizar de imediato a falta de um pass-rush dominante e a falta de linebackers como principais pontos do New England Patriots. Dont’a Hightower está fora da temporada e o time ainda teve a ausência do DT Alan Branch no último domingo.

Apesar de que bons técnicos são capazes de contornar essas situações, a falta de estrelas em uma unidade afeta a construção estratégica, por que o time precisa considerar o planejamento de prancheta só se converterá em campo se houver no elenco as peças certas para tal. Parece um ponto óbvio, mas acredite leitor, vemos muitas equipes no domingo tentando executar sistemas que não são capazes, não à toa temos tantos times abaixo da média na liga (16 ataques com DVOA negativo em 2017).

Em termos estatísticos, o ataque dos Steelers executou 63 jogadas, sendo 22/30 passes (completos/tentados) para 270 jardas, 31 tentativas de corridas para 143 jardas. Houve uma interceptação, justamente a que deu a vitória ao New England Patriots, e Roethlisberger sofreu sack em duas ocasiões. Esse montante se desenvolveu em 9 drives ofensivos, 5 punts, 3 touchdowns ofensivos e 1 field goal. A campanha mais longa se desenvolveu no segundo quarto, totalizando 15 jogadas. As demais tiveram entre 6 e 8 snaps.

Observando jogada a jogada cada formação colocada em campo pelo ataque dos Steelers, percebemos um determinado padrão. Roethlisberger alinhou 30 vezes em shotgun em situações de corrida e 24 vezes em situações de passe, maioria absoluta (das 31 tentativas de corrida e 32 dropbacks), destes, os 22 primeiros snaps foram com Big Bem alinhado 5 jardas atrás do center.

Claramente Mike Tomlin deu um padrão a ser observado por Bill Belichick e Matt Patricia nos ajustes de intervalo. Em relação aos personnel (quantidade de TEs e RBs em campo, ajuda a saber se o ataque está propenso ao passe ou à corrida), destacou-se o 11 personnel, que apareceu em 21 ocasiões de passe e 17 ocasiões de corrida. Quanto às descidas, a relação foi a seguinte:

  • 1st down: 12 passes, 17 corridas.
  • 2nd down: 7 passes, 15 corridas
  • 3rd down: 15 passes, 1 corrida.

Aqui cabe a observação que em nenhum momento do jogo o time da Pensilvânia arriscou uma tentativa de conversão de 4th down. No primeiro tempo da partida, os Steelers concentraram a maior quantidade de jogadas de passe no jogo, situação que se reverteu na metade seguinte. O objetivo foi basicamente comprometer a defesa com a bidimensionalidade do ataque, permitindo com que Bem Roethlisberger explorasse o play action fake, fato que se sucedeu principalmente em terceiras descidas.

Depois dessa quantidade de números, vamos finalmente tratar dos conceitos apresentados em campo. Afinal, essa coluna é a análise tática, então vocês esperam ver prints com rotas desenhadas no paint e GIFs, certo?

A inside zone dos Steelers

Em termos de jogo terrestre , a jogada mais executada na partida foi a inside zone. Valendo-se da elusividade de Le’Veon Bell, os Steelers utilizaram esse conceito de forma direta em sete oportunidades. Conta-se outros formatos de corrida que contam com esse tipo de bloqueio indiretamente. Em contrapartida, o outro método que vimos semana passada, a outside zone, foi executada em quatro oportunidades.

Houve uma diferença básica apresentada pelos Steelers nesse jogo. Como o time correu 30 vezes do shotgun, isso causa uma pequena diferença conceitual: o mesh point ocorre quase ao mesmo tempo em que Bell recebe o handoff. Isso obriga o RB a observar antecipadamente a disposição da defesa em campo ao mesmo tempo em que recebe a bola em mãos, fato que explica por que vemos Bell lenta e pacientemente observando os bloqueios se estabelecerem em vez de atacar o gap à toda velocidade.

A vantagem é que essa é exatamente a melhor característica do jogador, e o Steelers a utiliza com perfeição, exemplo de um plano de jogo montado às características dos skill players disponíveis. Se Bell não jogasse, com certeza veríamos números diferentes aos mostrados acima. O desenvolvimento de uma inside zone pode ser visto no gif abaixo.

A trap como contrapeso

A trap é um tipo de corrida em bloqueio por zona que depende do atleticismo dos jogadores de linha ofensiva. Basicamente, um dos guards é o lead blocker e deverá se deslocar ao lado oposto ao que está alinhado, enquanto o restante da linha bloqueia no sentido inverso. O RB deverá desenvolver sua leitura seguindo o bloqueio do guard.

Na imagem acima, vemos uma situação logo do início da partida, bola na linha de 28 do campo de defesa, uma 2nd & 15, com 13:05 de relógio. Foi a primeira vez que o Steelers estabeleceu a trap na partida. New England mostra um formato de Cover 2-Man, contra o shotgun singleback weak com recebedores em 1×2 de Pittsburgh. O safety mais próximo a parte inferior da tela mostra a blitz seguidas vezes de forma a tentar confundir a leitura do QB, até o ponto em que ele se mostra estar reagindo ao que Le’Veon Bell fará na jogada, tornando a defesa em Cover 1.

A jogada se desenvolve com o camisa #66 sendo o lead blocker para o lado direito, enquanto Le’Veon Bell o acompanha. O RB tropeça e encerra o que poderia ser uma jogada de grande avanço.

Na partida do último domingo observamos os Steelers bastante comprometidos com o jogo corrido, seja de forma a dominar o tempo de posse de bola contra o New England Patriots (manter Brady fora de campo é uma das premissas para derrotar o time de Foxboro), seja estruturando Bell como o ponto central do ataque. Outra possibilidade estratégica é explorar a fragilidade dos inside linebackers de New England: sem Dont’a Hightower fora da temporada por lesão, Kyle van Noy e Elandon Roberts, não são as opções mais apropriadas para conter um jogador elusivo como Le’Veon Bell.

Isso aconteceu também no jogo aéreo, em que os Steelers aproveitaram-se de passes curtos e laterais para aproveitar a velocidade de seus recebedores contra os linebackers adversários.

O passe curto

O subtítulo acima pode ser confuso e contraditório, mas no início da partida, Pittsburgh utilizou passes curtos como contrabalanço, de forma a manter a defesa dos Patriots com um mesmo conjunto defensivo em campo, principalmente em situações de terceira descida.

Como observamos, os Steelers concentraram a grande quantidade das jogadas de passe no primeiro tempo, e as jogadas de poucas jardas aéreas serviram como análogo ao jogo terrestre. Le’Veon Bell aparece novamente aqui executando com perfeição a wheel route. Foram três recepções executando essa rota, duas delas em shotgun weakside singleback (11 personnel) e uma em shotgun strongside singleback (10 personnel). Nenhuma, entretanto, foi para pontuação, apesar de que uma dessas se deu em conversão de terceira descida.

Na figura acima, observa-se o uso da wheel route em situação de primeira descida. O objetivo é deixar LeVeon Bell sem marcação nenhuma, enquanto dois recebedores percorrem rotas verticais e os mais internos realizam um conceito mesh. Isso permite que Bell ganhe várias jardas após a recepção pela incapacidade física dos LBs de o acompanhar e pela distância do safety responsável por aquele lado do campo.

O Steelers utilizou novamente essa combinação de duas rotas verticais e duas que se cruzam no meio do campo em conjunto com a wheel na conversão de terceira descida. Aqui, objetivo era guiar os linebackers ao fundo do campo e deixar Bell apenas acompanhado pelos safeties, que chegariam tardiamente na jogada.

Em uma situação de poucas jardas, o Patriots naturalmente protegeu a linha de first down, mas não foi suficiente para evitar a conversão.

As jogadas de pontuação

O Steelers conquistou 3 TDs em uma partida que terminou em uma derrota de 27-24. Vamos a cada um deles.

O primeiro touchdown de Pittsburgh na partida foi obtido em um mismatch entre o WR Eli Rogers e um linebacker. O recebedor executou uma angle route em direção ao meio do campo e venceu seu marcador na agilidade. No decorrer da jogada, a cobertura não foi capaz de alcançá-lo antes da endzone.

Esse é o típico caso em que a leitura do QB pré-snap sobre a defesa traz bons frutos. Big Ben observou o matchup favorável e fez o ajuste por meio de audibles. A defesa de New England não reagiu e o TD aconteceu. Reparem que a situação é tão favorável que os demais recebedores sequer correm suas rotas até o final e mesmo assim a jogada é bem-sucedida.

Antes ao intervalo, o Steelers executou seu melhor drive na partida. Foram 15 jogadas que consumiram 8 minutos de relógio, terminando em TD, mostrado na imagem acima. Os Steelers partiram de uma formação 1×3, e Bell saiu em motion para sobrecarregar o strongside, alinhando como recebedor. O WR à esquerda também se deslocou para esse lado, formando o conceito Strong Flood. O recebedor com a rota em laranja se desloca em sentido inverso, com o objetivo de se desmarcar com o tráfego no meio do campo.

Ben Roethlisberger executa um lob pass, e mesmo bem marcado, Martavis Bryant consegue fazer a recepção.

Lembra-se da trap que terminou em um tropeção de LeVeon Bell, caro leitor? Bem, ela reaparece aqui, dessa vez para render 6 pontos aos Steelers, no que foi sua última pontuação no jogo. O conceito é semelhante: o right guard será o lead blocker e guiará LeVeon Bell. O RB usa a inércia e se projeta na endzone mesmo sofrendo o tackle.

Como dito anteriormente, o New England Patriots venceu fora de casa por 27 a 24, situação que o deixou confortável na briga pela home field advantage. Porém, observamos que mesmo com a derrota, o Steelers, em seu plano de jogo, foi fiel às características das peças de seu ataque e conseguiu executar, em alguns momentos de manual o que foi planejado.

Mesmo com a derrota, o time de Pittsburgh conseguiu explorar as deficiências do adversário, não conseguiu vencer por que na outra fase do jogo havia um Rob Gronkowski em dia inspirado.

Semana #12: os melhores piores momentos

75% da temporada da NFL já foi jogada. Já estreamos novos segmentos, consagramos jogadores e vimos muita desgraça até aqui. Porém, a coluna só trouxe uma certeza até hoje: se ela for continuar em 2018, certamente não serei eu que a farei. Eu não aguento mais. O leitor não liga para os meus desabafos, então vamos lá:

1 – Fuck It I’m Going Deep Fan Club

Quando o Quarterback (semana passada vimos que nem sempre só o quarterback) resolve jogar a bola longe sem medo de ser feliz.

1.1 – Matt Moore 

Quando o DB disputa com outro DB quem vai agarrar a bola, certamente não foi uma boa decisão.

1.2 – Marcus Mariota

Baseado na jurisprudência do caso anterior, além de que o drop do Darius Butler e o receiver escorregando mereceram ser destacados.

1.3 – Tyrod Taylor (part. especial: Marcus Peters)

Nada como ter o defensor do seu lado.

1.4 – Joe Flacco

Claramente procurando Rahim Moore na secundária.

2 – O Fumble Bowl 

2.1 – Malcom Jenkins

Sempre muito triste sofrer um fumble depois de interceptar um passe.

2.2 – Mitch Trubisky

Quando draftado, sabia-se que Trubisky precisaria de um tempo para se adaptar. Mas, porra, no College tu não segurava snap também não?

2.3 – Jay Ajayi

Quando a vontade de se consagrar é maior que a vontade de segurar a bola.

3 – Imagens que trazem PAZ

3.1 – Brock Osweiler

3.2 – Broncos @ Raiders 

3.3 – Robbie Anderson (assista com áudio)

3.4 – A defesa do Oakland Raiders, Paxton Lynch e… isto.

A primeira interceptação do Raiders na temporada veio em grande estilo.

3.5 – Este idiota dos Redskins

Repare como ele desconhece a regra do touchback. Seu companheiro de equipe conhecia, e ficou pistola.

3.6 – O center de New England

Tentou dar uma chance aos Dolphins. Não adiantou.

3.7 – Tyreek Hill e outro guerreiro de Kansas City 

A imagem que simboliza como o ataque dos Chiefs derreteu de algumas rodadas pra cá.

4 – Troféu Dez Bryant da Semana

Sabe quando seu time tem um jogo complicado e precisa que o jogador de nome apareça? O torcedor dos Cowboys sabe. O torcedor dos Cowboys também sabe que Dez Bryant não é o nome ideal para esses momentos.

Por tudo isso, o vencedor do troféu Dez Bryant da Semana é Leonard Fournette. Parabéns!