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Exorcizando fantasmas

Pittsburgh foi um ótimo time, com um ataque empolgante e uma defesa sólida em 2017 – tudo muito bom para ser eliminado no Divisional Round contra um Jaguars semi-virgem em pós-temporada; a tão esperada revanche contra o New England Patriots não se concretizou e o Steelers foi relegado a uma offseason com muito a ponderar sobre passado, presente e, sobretudo, futuro; não há como cravar por quanto tempo o trio composto por Big Ben, Antonio Brown e Le’Veon Bell se manterá unido, mas enquanto eles estiverem no Heinz Field, o Steelers é um candidato ao Super Bowl.

Novos (velhos) dramas

Em 2017, mais uma vez, Ben Roethlisberger “anunciou cogitar” a aposentadoria, para a surpresa de absolutamente ninguém. Um ponto crítico, aliás, foi a derrota para o Jaguars ainda na temporada regular, quando após ser interceptado cinco vezes em uma atuação constrangedora, Ben declarou não ter mais o que era necessário para um quarterback – seja lá o que isso signifique. Mas Roethlisberger se recuperou e levou os Steelers para os playoffs, mudando o discurso e sugerindo que ainda poderia atuar mais três ou quatro anos em alto nível.

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Dramas à parte, esta é uma ótima notícia para Pittsburgh que, enquanto tiver Ben como QB, sempre será favorito na Série B (AFC). Em 2017, porém, pela primeira vez desde 2011 Roethlisberger não terá ao seu lado o OC Todd Haley, que rumou para os Browns; Randy Fichtner, até então treinador de QBs, assumiu o cargo.

Aqui não há motivos para preocupação, visto que não há buracos a preencher no sistema ofensivo do Steelers (há anos entre as melhores unidades da NFL), mas espera-se que o Fichtner aproveite ainda mais o potencial do veterano QB, que não apresenta sinais de declínio em seus números – eles têm sido os mesmos individualmente desde que Ben começou a atuar ao lado de Brown e Bell, exceção ao ano passado, com alguns problemas na redzone não habituais ao Steelers.

Em 2018 as mesmas armas estarão à disposição: Antonio Brown é, sem dúvida, o melhor WR da NFL. Na posição 2, JuJu Smith-Schuster tem tudo para brilhar ainda mais após sua temporada de estreia: foram 58 recepções para 917 jardas e sete touchdowns; Schuster completará 22 anos em novembro e seu futuro parece cada vez mais promissor. Pese ainda o fato de que, enfim, o Steelers se livrou de Martavis Bryant e agora James Wasington, selecionado no segundo round do draft, já desembarcará no Heinz Field com espaço para acelerar seu processo de desenvolvimento.

Pelo chão, assim que a novela mexicana terminar, Le’Veon Bell será o responsável por carregar o piano – Bell é um dos melhores RBs da NFL e correu para 1.291 jardas na última temporada – além de ter recebido 85 passes. Pensando no longo prazo, talvez Pittsburgh tenha cometido um pequeno deslize ao não encontrar alguém mais eficaz para dividir a carga de trabalho com Le’Veon; enquanto isso, o papel auxiliar segue com James Conner – uma ótima história, mas pouco eficaz em campo em seu primeiro ano.

NOTA DO EDITOR: quando defecamos estas linhas, apostamos que seria apenas um dramalhão mexicano com final feliz, mas aparentemente Bell e os Steelers conseguiram tornar a história melhor que A Usurpadora.

Muito do sucesso do sistema ofensivo do Steelers também é mérito da OL; aliás, estabilidade tem sido a chave para que todo o sistema se mantenha eficiente ao longo dos anos; os OTs Alejandro Villanueva e Marcus Gilbert são excelentes, o C Maurkice Pouncey é extremamente talentoso (embora tenha mostrado alguns indícios de queda de produção no último ano) e o G David DeCastro dispensa comentários.

Pittsburgh, porém, deve sentir falta do OT Chris Hubbard, importante reserva em quem a franquia investiu quatro temporadas, mas que rumou para o Cleveland Browns durante a free agency.

O outro lado

Não há como dissociar o final da última temporada do Steelers da lesão trágica lesão de Ryan Shazier na semana 12; Pittsburgh não se recuperou do trauma causado naquela noite diante do Bengals. Desde então, eles tiveram toda uma offseason para se preparar para a vida sem Shazier – que fez progressos incríveis, mas já está descartado para a temporada 2018 e, bem, é muito provável que nunca mais pise em um campo de football.

A reconstrução, porém, se centrou na secundária. Pittsburgh abriu mão de Mike Mitchell, na esperança de rejuvenescer e melhorar a defesa contra o passe. Joe Haden segue no setor – e, embora não seja o mesmo atleta dos tempos de Cleveland, ainda é um nome  que não causa desconfiança.

A avenida Artie Burns também segue em Pittsburgh, mas a esperança é que Morgan Burnett, que passou suas primeiras oito temporadas em Green Bay, e Terrell Edmunds, escolha de primeiro round, impeçam que ataques aéreos minimamente eficientes tornem a vida do Steelers um inferno.

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Já  DL segue entre as melhores da liga; o DE Cameron Heyward vem de uma temporada em que teve 12 sacks e nada indica que ele não possa repetir a performance. Ao seu lado Stephon Tuitt foi extremamente eficiente, e as boas atuações tendem a continuar.

O corpo de LBs é jovem e eficiente: TJ Watt liderou as estatísticas, com sete sacks, mas Bud Dupree, agora em sua quarta temporada, não ficou atrás, com seis – Dupree ainda não se tornou o que Pittsburgh esperava quando o selecionou no primeiro round do draft de 2015, mas longe de ser uma decepção, ainda há espaço para mais uma tentativa.

Palpite:

O Steelers se desintegrou no ano passado quando Ryan Shazier sofreu uma terrível lesão na coluna. A boa notícia é que eles ainda são o melhor time da AFC North – e devem continuar no topo da divisão enquanto Big Ben, Brown e Bell forem vivos. Nesse cenário, confirmar a vaga na pós-temporada parece mera questão de tempo. Lá, tudo pode acontecer: um colapso contra um time inferior, a derrota ou mesmo a revanche contra o Patriots – esta última, sobretudo, se o time se unir em torno de um senso de urgência e cientes de que a janela de Big Ben para um novo Vince Lombardi Trophy está se fechando. Como na vida, é tudo uma questão de perspectiva – mas o meu dinheiro, se preciso fosse, ainda seria apostado em um tal de Thomas Edward Patrick Brady.