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Homens causando (e passando) medo

Nunca é fácil escrever (e por escrever aqui queremos normalmente dizer “falar mal”) sobre o que time que se gosta, mesmo que tal tarefa não possa ser delegada a algum dos outros marginais que também fazem parte desta “mídia” (só os mais antigos entenderão).

Além disso, é ainda mais difícil escrever sobre um time que perdeu o que parecia ser sua grande chance na hora da verdade para ninguém menos que Nick Foles, enquanto se acredita que agora se pode chegar mais longe do que da última vez.

A razão disso, além da defesa sobre a qual dedicaremos mais linhas do que são devidas para contar suas fortalezas, é o novo quarterback que, quando Mike Zimmer chegou em Minnesota, era uma possibilidade inimaginável: Kirk Cousins, que assinou um contrato de três anos e 84 milhões de dólares com o único objetivo de ganhar o primeiro título da história dos Vikings. Qualquer coisa diferente disso será considerado um fracasso.

E não faltam razões para falarmos em fracassos e decepções na história recente de Minnesota: desde Christian Ponder (que, hoje, vemos que não tinha como dar certo), até as insistentes lesões de Teddy Bridgewater – que agora parece destinado a ser feliz em um lugar mais quente e Sam Bradford.

A efeito de potencial, podemos muito bem olhar para a carreira do próprio Nick Foles: QBs branquelos com cara de nerdões podem ganhar um Super Bowl dada a oportunidade correta. Cousins, inclusive, teve muito mais estabilidade do que Foles (isso depois, assim como um dia fizeram com Aaron Rodgers – alerta de comparação esdrúxula gratuita – passar três anos esquentando banco e aprendendo sobre a liga) e tem números para fortalecer seu posicionamento como um dos bons QBs da NFL: como titular, sempre passou para mais de 4.000 jardas e mais de 25 TDs, coisa que os Vikings não vêm desde Brett Favre – outra temporada feliz, mas deprimente.

Como última curiosidade, quando se enfrentaram em 2017, Cousins conseguiu marcar 2 TDs corridos. Quem sabe o homem seja até mesmo uma ameaça dupla (não é, ele correu para 5 jardas).

Diggs, Thielen & Cook

Se no momento em que falávamos sobre QBs importantes da história recente de Minnesota você sentiu falta do último, Case Keenum, saiba que foi intencional para usá-lo como exemplo de quão bom são esses jogadores de suporte: o eternamente medíocre Keenum teve um rating de 98.3, 22 TDs e 3547 jardas lançadas (das quais 2125 acumularam Diggs – hoje 72 milhões mais rico – e Thielen – o primeiro WR de 1000 jardas desde Sidney Rice), além de ter surpreendentemente vencido 11 jogos (mais do que no resto da carreira). Se Kirk Cousins teve um bom desempenho com Josh Doctson e Jamison Crowder, é válido sonhar com números absurdos com o novo trio.

É preciso mencionar também os complementos Kyle Rudolph e Laquon Treadwell. Rudolph foi um alvo importante na redzone para Keenum e produziu 8 TDs, mas segue sendo apenas um TE sólido, que colabora muito com o ataque sem trazer o brilho que outros têm na liga (como, por exemplo, tem Jordan Reed); Laquon Treadwell, por outro lado, teve uma segunda temporada tão decepcionante quanto a primeira, mas o fato de ter se solidificado como WR3 na equipe durante a pré-temporada lhe coloca como o principal coringa de Cousins (que curte distribuir a bola) e pode surpreender na temporada.

Um terror chamado linha (ofensiva)

É importante marcar que essa linha é o ponto de sustentação mais importante desse ataque com potencial absurdo que já falamos até aqui. E é facilmente o maior medo da torcida – vide o trabalho dos Eagles naquela final de conferência inesquecível (por mais que se tente).

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Ainda é impossível apontar exatamente a escalação completa dos Vikings (claro, tal qual os outros times em que erramos bastante também), mas aqui o problema especial é a própria OL. Mesmo após ter melhorado seu desempenho em relação aos tempos de Sam Bradford e Teddy (e talvez parte disso seja a “lendária” presença no pocket de Case Keenum), somente Riley Reiff estará presente na mesma posição de 2017.

Mike Remmers foi movido para o interior e será o RG, enquanto Rashod Hill (que jogou algumas partidas já no ano passado, mas, de acordo com ele mesmo, sentiu a falta de fôlego naquele jogo dramático contra os Eagles) provavelmente lhe substituirá como RT.

Pat Elflein, o C e melhor jogador da linha está machucado, enquanto o time trocou por Brett Jones, que não seria titular nos Giants nesse ano (apesar de ter sido o C titular em 2017), e contratou Tom Compton – desses três, deverão sair dois titulares (e se você não tem um titular definido a essa altura do campeonato, já sabemos que algum problema está aí).

Outro terror também chamado linha (defensiva) – e mais alguns amigos ricos

Se por um lado a estabilidade do ataque passa pela linha ofensiva, o caminho para a terra prometida passa pela defesa. Uma das histórias mais interessantes da offseason eram os Vikings tentando achar dinheiro para pagar Kirk Cousins, a melhor opção de QB no mercado, sem ter que abrir mão de importantes peças defensivas – e, ao que tudo indica, conseguiram até mais do que isso, pelo menos para 2018.

Principalmente porque a grande contratação de 2018 pode acabar sendo Sheldon Richardson ao invés de Cousins: no ano passado, a equipe não contava com um verdadeiro 3T como um dia teve Kevin Williams para destruir defesas pelo meio e agora tem, logo ao lado do monstruoso e imparável Linval Joseph.

Para piorar, do lado de cada um deles, estarão Everson Griffen, que dispensa comentários além dos seus 13 sacks (maior marca da carreira, ou seja, ainda está melhorando), e Danielle Hunter que, se não produziu números em 2017 (7 sacks em sua primeira temporada como titular absoluto), sua capacidade de cheirar cangotes de QB e empurrar gordinhos da OL está posta no papel na forma dos mesmos 72 milhões que recebeu Stefon Diggs.

Na rotatividade dessa linha, inclusive, deverá ser incluído o já mencionado Anthony Barr, única estrela de 2017 que ainda não recebeu um novo contrato, que com a saída de Brian Robison (dispensado), deverá ter a oportunidade de caçar QBs da linha como fazia na época da universidade. O seu companheiro, Erick Kendricks, também ganhou contrato novo, mas mais modesto: só 50 milhões.

A secundária, que disputou em 2017 e deverá disputar em 2018 com a dos Jaguars pelo posto de qual cede menos aos adversários, também tem reforços novos, tanto em campo como nas sidelines: ao invés de escolher um jogador de linha ofensiva como todos esperavam, na primeira rodada do draft os Vikings pegaram Mike Hughes, CB maloqueiro e aparentemente já tem dado resultados na difícil posição do slot, tirando a relevância de Mackesie Alexander. Como novo treinador, o time contou com a aposentadoria de Terrance Newman, que chegou ao fim de sua carreira interminável e seguirá como apoio.

Treinados por Newman (“técnico de defesa nickel”, no título oficial), deverá se repetir o grupo que jogou com ele em 2017: as estrelas Xavier Rhodes e Harrison Smith, que frequentemente são colocados como os melhores ou entre os melhores das suas posições, opostos por Trae Waynes e Andrew Sendejo, que um dia foram considerados medíocres, mas a temporada de 2017 apenas consolidou a evolução deles e o esperado é que isso siga para 2018 (sob pena de serem ameaçados por jogadores como o próprio Alexander e George Iloka, velho conhecido de Zimmer que veio por um salário mínimo para brigar pelo seu lugar ao sol).

Palpite:

13-3, sem medo de ser feliz. Uma das derrotas, a mais previsível de todas, será contra os Bears no Soldier Field – porque os Vikings nunca ganham lá e temos medo de Khalil Mack. Outra, será contra os Eagles para enterrar qualquer esperança de que a equipe possa chegar ao título da NFC – e motivará o time para a grande final da conferência. É importante, e devo falar aqui como torcedor, acreditar que a vingança virá. E aí o drama de enfrentar um Super Bowl fica para outro texto.

Cheios de esperanças, mas sabemos como isso acaba em Minneapolis

Alerta: texto cheio de esperança clubista. O editor não pode me controlar. Esse time vai para o Super Bowl, queira Blair Walsh ou não.

Obviamente, a menos que você seja um torcedor dos Browns, nessa época da temporada qualquer um acredita que o seu próprio time irá fazer o que os Patriots de 2007 não foram capazes: ganhar todos os jogos e se consagrar campeão da NFL.

Com os Vikings, a história não seria diferente. É a terceira temporada do HC Mike Zimmer e do QB Theodore Edmond Bridgewater II no comando do time e eles vêm do primeiro título da NFC North desde o ano mágico propiciado por Brett Favre em 2009. Sim, lembro como ele acabou. Falemos de desgraças em breve.

Para somar a tudo isso, depois de dois anos jogando no frio estádio da Universidade de Minnesota, o time inaugurará sua nova e belíssima casa de vidro, sede do Super Bowl LII, no segundo Sunday Night Football da temporada já contra o maior rival e principal adversário pelo título da divisão, Green Bay. E o retorno a um estádio fechado como casa deve trazer benefício para as duas principais armas do ataque, o quarterback Bridgewater e o running back Adrian Peterson, que tem números bem melhores quando não estão expostos às intempéries.

O que realmente importa para o treinador: a defesa

Mike Zimmer foi coordenador defensivo por quase 20 anos antes de ter a sua primeira oportunidade como treinador principal de uma equipe e, até por isso, não deixou suas raízes no passado. Ele, em conjunto com bons drafts realizados pelo GM Rick Spielman, pegou uma defesa que era a última em pontos concedidos em 2013 e a transformou em uma defesa top 10 – com sérios argumentos para desafiar defesas como a dos Broncos ou dos Seahawks como melhor defesa da NFL.

E tudo começa com o domínio nas trincheiras. Everson Griffen tem valido cada centavo do contrato de 42.5 milhões de dólares assinado em 2014 e é presença constante na cara dos quarterbacks adversários, enquanto Danielle Hunter (6.5 sacks em tempo limitado como rookie) parece a alternativa do futuro para pressionar pelo outro lado. O meio da linha é ocupado por Linval Joseph e Sharrif Floyd, que estão acostumados a dominar dois bloqueadores sozinhos quando saudáveis (12 e 13 partidas jogadas ano passado respectivamente, e ainda assim figuraram entre os melhores da posição de acordo com o site PFF).

No back seven o time conta com suas duas maiores estrelas: Anthony Barr (All-Pro de acordo com o mesmo PFF) e Harrison Smith (que assinou o contrato mais caro de um safety da NFL, valendo mais de 10 milhões por ano). Também é nessa área que se encontram três importantes dúvidas: Trae Waynes (uma interceptação como rookie, no jogo dos playoffs) precisa conquistar seu espaço e tomar a posição do veteraníssimo Terrence Newman; a competição pelo posto de terceiro linebacker, para acompanhar Barr e Eric Kendricks (que pode ser quase ignorada, considerando que o time está mais da metade do tempo na formação nickel, com 3 CBs e somente dois LBs); e a aparentemente eterna busca por uma dupla minimamente decente para Smith na posição de safety (o mais provável parece ser Michael Griffin, de 31 anos, pro bowler em 2010).

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Mike Zimmer feliz (ele nunca está feliz).

O treinador que pode estragar tudo: Norv Turner

No começo de 2015, muito se falou do quão importante seria esse time depender cada vez menos das capacidades de Adrian Peterson e deixar o jogo nas mãos de Teddy Bridgewater, já que ele é (e precisa provar ser) realmente o futuro desse time. Não foi o que se viu. Mais do que isso, o coordenador ofensivo Norv Turner, talvez o grande responsável pelo ataque que ficou na 29ª posição em jardas totais em 2015, seguiu limitando as jogadas ao tradicional run, run, pass (que frequentemente traz situações claras de passe no 3rd down e assim mais pressão) e insistindo em correr da formação shotgun, que não favorece as capacidades do MVP de 2012.

Com as oportunidades limitadas, as estatísticas de Bridgewater não saltam aos olhos. 17 TDs totais para 12 turnovers são números bem medíocres, especialmente se comparado aos seus dois principais companheiros de draft, Blake Bortles e David Carr, que lançaram mais de 30 touchdowns cada. Ainda assim, outras métricas trazem esperança para os fãs do ex-QB de Louisville como, por exemplo, seus quase 80% de passes completos ajustados (um cálculo da PFF que exclui drops e passes desviados na linha de scrimmage).

Outra razão para a baixa produtividade de Bridgewater também foi a proteção recebida por parte da linha ofensiva – ruim a ponto de o técnico de linha ofensiva Jeff Davidson ter sido demitido na segunda-feira seguinte à derrota nos playoffs. Para o seu lugar, Mike Zimmer trouxe o ex-head coach dos Dolphins, Tony Sparano. Também foram trazidos dois novos jogadores, o RT Andre Smith e o LG Alex Boone (o único com a titularidade assegurada pelo treinador), que já tiveram grandes temporadas apesar de não terem jogado seu melhor em 2015.

Além deles, Minnesota também espera contar com um Matt Kalil motivado pela busca por um novo contrato e pela primeira offseason sem cirurgias desde a sua primeira temporada (na qual jogou em alto nível) protegendo o lado cego de seu QB. Nas demais posições, a promessa é de uma competição intensa durante o training camp entre diversos jogadores (C Joe Berger, RG Brandon Fusco, RT Andre Smith – como palpite de vencedores) mesmo com o anúncio de aposentadoria do gigante RT Phil Loadholt, devido a uma lesão no tendão de Aquiles.

Teddy também contará pela primeira vez em sua carreira com uma grande gama de bons alvos no ataque aéreo: o retorno de Stefon Diggs (primeiro rookie a ter pelo menos 87 jardas em seus primeiros quatro jogos na NFL) à titularidade é garantido e o recém-draftado Laquon Treadwell deve causar impacto nas suas primeiras semanas na liga especialmente em rotas intermediárias, as favoritas de Bridgewater. Também fica a esperança de temporadas saudáveis para o TE Kyle Rudolph, um alvo importante especialmente na endzone, e para o WR Charles Johnson, alvo favorito de Teddy em sua época de rookie. Ainda há Cordarrelle Patterson como última incógnita, jogando por um contrato essa temporada (os Vikings optaram por não ativar a opção automática de um quinto ano a que teriam direito), que será muito maior se ele se mostrar uma opção no jogo aéreo além de um grande retornador.

Por último, no jogo corrido, além da presença óbvia e importante de Adrian Peterson, que dispensa apresentações, fica a curiosidade pelas oportunidades que pode receber o jovem running back Jerick McKinnon, que demonstrou qualidade quando teve a titularidade em 2014 (enquanto Peterson estava suspenso) e manteve uma média de 5.2 jardas por corrida nas poucas oportunidades que teve em 2015, talvez iniciando uma lenta transição no time, já que All-Day pode parecer eterno, mas fez 31 anos em março e tem 18 milhões de dólares a receber em 2017 – que talvez Rick Spielman acredite poder ser investido melhor em outras áreas no time.

Discutindo quem vai ser o dono do time em 2016.

Discutindo quem vai ser o dono do time em 2016.

Blair Walsh

Impossível querer fazer uma análise completa do time e ignorar os special teams. Blair Walsh, VAI TOMAR NO CU! ATÉ O IDIOTA DO CORDARRELLE PATTERSON ACERTAVA AQUELE CHUTE! E já passou da hora de você tomar o rumo para o buraco do qual você saiu, Jeff Locke (30º punter da NFL em jardas netas, holder que segurou a bola de maneira incorreta para aquele chute do Walsh). Seu corno.

Palpite: Teddy lança para 21 TDs, exatamente ¼ do que lançarão Carr, Bortles e Garoppolo somados, mas ele pelo menos vai para os playoffs. 13-3 e mais um título da NFC North para decorar o novo estádio, no qual o time vencerá todas as partidas. Alguma desgraça acontecerá pelo caminho porque é assim que as coisas funcionam para os Vikings, mas sinceramente não quero me esforçar para prevê-la e antecipar o sofrimento.

O desastre aconteceu

Como já deve ser conhecimento geral, aproximadamente uma hora após esse preview ser publicado, a temporada dos Vikings sofreu um forte golpe: Teddy Bridgewater se machucou sozinho num treinamento, deslocando o joelho e rompendo ligamentos. Apesar do susto das primeiras horas, em que sua carreira parecia ameaçada, as primeiras notícias indicam que Teddy não sofreu danos em nervos e artérias e, apesar de estar fora da temporada, estará de volta em 2017.

Seu substituto, a princípio, apesar das muitas especulações que deverão surgir nos próximos dias, será o veterano Shaun Hill. Ele dificilmente chegará próximo do desempenho de Teddy, mas terá o apoio do jogo corrido e conseguirá ajudar a defesa a ganhar partidas, especialmente enquanto proteger bem a bola. Obviamente as grandes expectativas de Super Bowl que o time tinha foram pelo ralo, mas uma boa campanha ainda parece possível nas costas de Peterson (palpite: no mínimo 400 corridas) e cia – e como disse Mike Zimmer, o sol voltará a nascer amanhã.