Posts com a Tag : Mike McCarthy

O primeiro jogo do ano – e do resto de nossas vidas

Parecia que a temporada do Green Bay Packers duraria pouco mais de 20 minutos. Rodgers poderia ter sofrido uma séria lesão no joelho mesmo antes da metade do segundo quarto do primeiro SNF e, de repente, talvez estivéssemos vendo um dos maiores QBs de sua geração desperdiçar mais um ano de seu auge: quando Aaron Rodgers se dirigiu aos vestiários, qualquer apaixonado por football prendeu o ar e pensou “de novo”? E, bem, a expressão do quarterback convergia com aquilo estávamos pensando.

Os próximos atos do roteiro indicavam o pior cenário possível para os torcedores do Packers: Green Bay seria triturado logo na semana #1, contra seu maior maior rival. Khalil Mack fazia o backup, DeShone Kizer, parecer uma criança indefesa assistindo a um filme de terror e, bem, ali mesmo já era claro que seria um longo ano se Kizer fosse o titular nas próximas semanas.

LEIA TAMBÉM: O primeiro dia após a neve

Mack, ao respirar, MOVIMENTAVA O AR e transformava Kizer em um atleta amador (talvez ele seja isso aí mesmo e errado é quem espera algo diferente). Khalil logo conseguiu um sack, uma interceptação, forçou um fumble e anotou um touchdown em poucos minutos ou tudo no mesmo lance (se você estivesse dopado pelo medo, seria incapaz de distinguir): em pouco tempo, Chicago abria 17 pontos de vantagem no Lambeau Field pela primeira vez desde 1948.

Restava a nós, meros mortais, amaldiçoar o front office de Green Bay eternamente por ser incapaz de cercar Aaron por algum talento capaz de lhe auxiliar, e culpar Mike McCarthy (essa é fácil) por todos os seus crimes inafiançáveis contra o esporte (em breve uma lista própria sobre o tema).

Você já viu o que McCarthy é “capaz” de fazer com um time quando não tem um HoF QB ao seu dispor, e ninguém em sã consciência teria prazer em assistir uma continuação deste filme.

Um quase (não) retorno

Quando Aaron retornou no terceiro quarto, os Bears logo abriram 20 pontos de frente – e o quarterback claramente não estava saudável: ele se protegia, tentava permanecer dentro do pocket (o equivalente a uma tentativa de suicídio quando consideramos a OL de Green Bay) e alterava seu posicionamento para evitar sobrecarregar a perna esquerda.

Mas como o próprio Aaron Rodgers afirmaria na entrevista pós-jogo, para retornar a uma partida, basta “fazer algumas boas jogadas” – facilita, claro, quando se é Aaron Rodgers, e não DeShone Kizer. Não estamos falando de ciência aeroespacial aqui, afinal. 

Algumas jogadas depois, Aaron completou cinco passes em um drive, que terminaria com um FG de Mason Crosby; a vantagem do Bears voltava para 17 pontos, mas agora restavam apenas 15 minutos no relógio. Não era uma cenário necessariamente tranquilo. 

Mas quando o Packers recebeu a bola novamente, já no último período, Rodgers precisou de apenas seis jogadas – em quatro delas, ele encontrou Geronimo Allison para, na última delas, conseguir um touchdown de 39 jardas em que a bola FLUTOU EM UMA PARÁBOLA CELESTIAL, reduzindo o déficit para apenas 10 pontos. Convenhamos: ali, você já sabia o que estava por vir.

Um novo three-and-out de Chicago deu mais uma injeção de ADRENALINA ao Packers que, aproveitou a chance com uma conexão de 51 jardas para Davante Adams – que, três jogadas depois, anotaria o TD. Naquela altura, era evidente o colapso mental que rondava o Bears. Mesmo após marchar quase um campo inteiro, o time conseguiu apenas um FG, insuficiente para selar a vitória – a vantagem no placar era de apenas 6 pontos. 

Segundas chances

Pouco menos de três minutos e uma jogada que poderiam ter selado a partida. Logo na primeira tentativa, Kyle Fuller poderia ter interceptado Rodgers, mas dropou a pelota, em um lance aparentemente fácil para um atleta de seu nível.

Contra Aaron Rodgers, tudo que você pode pedir aos céus é uma chance para terminar a partida. Contra Aaron Rodgers, tudo que você não pode ceder, é uma segunda chance: duas jogadas depois, ele encontrou Randall Cobb no meio do campo – e Randall correu 75 jardas para a glória.

Cobb é inegavelmente quem tem mais méritos no sucesso dessa jogada específica – e também inegavelmente o sistema defensivo do Bears teve uma crise de caibrã mental naqueles segundos. Mas, mesmo que tentemos negar, desde o passe para Geronimo Alisson, um lançamento que nenhum outro ser humano poderia fazer, sabíamos o que os próximos minutos reservavam: após um início com apenas três passes completados em sete tentativas e uma lesão, Rodgers terminou a partida com 20 passes (em 30 tentados), para 286 jardas e três TDs – todos no último período.

Algo possível apenas para alguém capaz de fazer uma torcida inteira acreditar graças ao simples fato de estar em campo.

O outro lado

A então improvável vitória de Green Bay também é fruto de uma série de decisões no mínimo questionáveis de um HC em sua primeira temporada e um QB de 24 anos e apenas 13 partidas como profissional (além de uma dúzia delas em sua carreira universitária).

Durante a primeira etapa (e aqui se inclui o período com Rodgers em campo), o Bears expôs todas as fraquezas do sistema defensivo de Green Bay, tripudiando daquilo que parecia algo formado por torcedores sorteados antes da partida para trajar uniformes e entrar em campo: os RBs Tarik Cohen e Jordan Howard alinhavam no backfield, o OT Charles Leno abria espaços como se estivesse DANÇANDO BALÉ e Clay Matthews tinha como estatística a incrível média de “uma vergonha” por snap. 

Após anos sofrendo nas mãos de John Fox, Chicago enfim tinha um sistema ofensivo criativo e moderno. No fundo, o Packers só chegou com alguma chance ao terceiro período, porque o LB Blake Martinez era um pequeno sopro de dignidade dentre os “defensores”. Sim, Blake Martinez era o melhor jogador de Green Bay em campo. Leia novamente até acreditar.

VEJA TAMBÉM: Chicago Bears: o respeito voltou

Mas com a mesma velocidade que essa sensação de que um novo ataque havia desembarcado em Illinois chegou, ela desapareceu. Durante todo o segundo tempo, Trubisky se limitou a procurar Cohen e Howard (Allen Robinson e Taylor Gabriel eram meros figurantes), sua confiança diminuiu e algumas oportunidades com recebedores livres foram desperdiçadas.

Claro, não se pode colocar toda a conta da derrota no jovem QB, e sua atuação nos dois últimos períodos tornam a decisão de Matt Nagy em uma jogada crucial, capaz de cravar um punhal em Green Bay, ainda mais questionável: em uma 3&1, com pouco menos de três minutos restantes, na linha de 14 jardas do campo de ataque, Chicago tentou um passe para Anthony Miller que acabou incompleto e resultou em um FG – naquela altura, o jogo estava 23 a 17 e, bem, já falamos sobre como essa história termina.

Nesse instante, a defesa do Bears já não era a mesma: Mack foi incrível nos dois primeiros quartos, mas esperar que ele mantivesse o mesmo nível por 60 minutos com apenas uma semana de treinos seria irreal – tanto que nos últimos períodos ele passou uma quantidade significativa de snaps na linha lateral e, quando esteve em campo, encontrou dificuldades para vencer o RT Byan Bulaga (que havia tido uma atuação trágica antes do intervalo).

Mesmo assim é evidente que melhores dias para a defesa do Bears, com Mack e Roquan Smith cada vez mais entrosados, são mera questão de tempo: tudo que aconteceu em Wisconsin são ótimos sinais a se apegar, sobretudo para uma franquia que precisava desesperadamente de novas perspectivas.

LEIA MAIS: Jay Cutler, você não sabe jogar!

E não há nada de errado em se agarrar ao “se”: “se” Fuller não tivesse dropado uma interceptação fácil, “se” Howard tivesse corrido aquela maldita jarda ou “se” Mitch enxergasse WRs livres, o Bears teria saído com a vitória.

Claro, não se vive de “se” (já diria o ditado: “se estivesse um rio aqui, eu estaria pescando, e não escrevendo merda“), mas há diversas novas possibilidades que valem a pena ter em conta quando olharmos os próximos passos do Chicago Bears em 2018.

Na primeira partida, porém, uma festa que parecia certa foi estragada. Mas foi estragada por uma dos melhores jogadores da história. Não há motivos para desespero: os dias de Chicago na NFC North podem (e devem) chegar em breve. Desde que, claro, Aaron Rodgers não consiga se apoiar em pé no Lambeau Field.

A dicotomia em forma de time

As franquias da NFL podem ser explicadas pela seguinte relação antagônica: há aqueles times que só precisam de um QB para se tornarem competitivos e outros que possuem seu signal-caller, mas pecam em todo o resto. O Green Bay Packers é um exemplo da segunda parte desse fenômeno. Após anos com Brett Favre no comando, sucedidos por anos de Aaron Rodgers, a franquia é daquelas raras situações de estabilidade longeva na posição de quarterback que só conseguimos ver se repetir com o Indianapolis Colts (nesse caso mais na cagada mesmo). 

Ao contrário do coirmão da AFC, os Packers já estão na etapa final de seu segundo first ballot hall of famer QB seguido, e Rodgers possui só um anel de campeão nos dedos para mostrar aos coleguinhas. Após o título do Super Bowl XLV, Green Bay bateu na trave do Grande Jogo duas vezes nas últimas quatro temporadas, e é urgente que o time consiga chegar lá novamente, já que dificilmente conseguirá dar sequência ao alto nível de seus quarterbacks quando chegar a hora de Aaron curtir a aposentadoria.

Brinquedos novos no ataque

É perceptível que é impossível desassociar as pretensões dos Packers à disponibilidade de Aaron Rodgers em campo. O QB mostrou por vezes e vezes que se tiver a última bola do jogo, o torcedor de Wisconsin já pode ir comemorando por que a vitória é certa (pergunte para um amigo torcedor dos Cowboys. Só por diversão mesmo). Ao mesmo tempo que, em caso de lesão, a temporada do time está acabada – o que surpreendeu a diretoria do site, que pagou para ver Rodgers e levou uma atuação de gala de Brett Hundley.

Quase como uma maldição que assombra os QBs de elite (pense em Joe Flacco, por exemplo) da NFL, Rodgers é quase que obrigado a transformar jogadores medianos em peças funcionais de seu ataque. Basicamente, tirar leite de pedra. E assim será mais uma vez na temporada de 2018. Os Packers dispensaram Jordy Nelson e estão colocando Randall Cobb no trade block (mesmo que aleguem não ser verdade). Jeff Janis e Richard Rodgers também saíram, apesar de serem nomes de final de rotação.

Como reposição, chegaram os TEs Jimmy Graham e Marcedes Lewis, sendo que essas foram as únicas adições relevantes para o ataque. Calouros de ataque, entretanto, apenas os recebedores J’Mon Moore (133ª escolha) e Equanimeous St. Brown, que pode até não vingar, mas já é um dos melhores nomes da liga. No jogo corrido, os Packers precisam lidar com o comitê composto por Jamaal Williams, Aaron Jones e Ty Montgomery, nenhum deles excepcional de fato.

A linha ofensiva tem bons nomes em David Bakhtiari e Bryan Bulaga, mas após as saídas de Josh Sitton e TJ Lang vem tendo problemas com a parte interior. O center Corey Linsley parece estar completamente recuperado, enquanto Lane Taylor e Justin McCray completam o grupo titular.

Taticamente, é inegável que o ataque é dependente da capacidade de Rodgers, mas até aí o leitor deve estar pensando “até eu” (e todos os outros 31 times seriam). O trabalho de Mike McCarthy e Joe Philbin (coordenador ofensivo) aqui visivelmente é integrar melhor o jogo corrido, e encontrar um RB principal de facto, mesmo com a possível deficiência no interior da linha ofensiva.

Em relação aos recebedores, por mais que queiramos divagar sobre a contribuição de cada peça, a verdade é que Aaron Rodgers os fará produzir mais que o normal, a menos que o jogador seja incrivelmente ruim. Nesse caso, destaque para Jimmy Graham, cuja principal característica é jogar em times que tenham bons QBs, e será fator preponderante para o ataque dentro da redzone

Defesa em reformulação

Os Packers tiveram Don Capers por anos como coordenador defensivo. Como mostramos nessa análise tática do ano passado, o trabalho do coordenador por anos funcionou, mas caiu obsoleto nas últimas temporadas. A conta chegou e Capers acabou demitido, e para seu lugar foi trazido Mike Pettine. O treinador estava sem trabalho na liga desde a passagem como HC dos Browns, terminada em 2015.

Pettine foi formado sob a árvore do lendário Brian Billick, técnico dos Ravens no início da década de 2000, e teve seus últimos dois trabalhos como coordenador defensivo muito bons, nos Jets (2009 a 2012) e nos Bills (2013). Seu esquema é baseado em um front com jogadores com biótipo de 3-4 baseado em leituras de esquemas 4-3, uma defesa versátil, como disse o próprio a ser anunciado.

A defesa de Mike Pettine é focada no pass rush, e apresenta como principais formações os fronts do tipo sink, odd e over. Teorias de defesa típicas do 4-3, mas que Pettine aplica com atletas de biótipo de 3-4. Essas formações facilitam a aplicação do pacote nickel, mantendo a responsabilidade dos jogadores aos gaps. Os atletas da linha com “mão na terra” alinham-se em techs amplas, enquanto os linebackers cobrem os espaços internos. No front over, o pass rusher vai alinhar em frente ao tight end adversário, e essa responsabilidade será dividida entre Clay Matthews e Nick Perry de acordo com a situação jarda/descida.

Como dito anteriormente, no esquema de Pettine os DEs e DT alinham-se em techs amplas. Nesse caso, o objetivo é dobrar o rush nos OTs, aproveitando-se da capacidade física de bend dos atletas da defesa. Para isso, Mike Daniels e a nova contratação Muhammad Wilkerson serão essenciais para gerar esse cenário de double team, forçando os adversários a tirar TEs e RBs de execução de rotas.

Nota do editor: Eu também pulei essa parte.

Em questão de curva de aprendizado, o leitor deve estar se perguntando se um sistema assim não é complexo o suficiente a ponto de gerar o mesmo contragolpe do fire zone blitz de Don Capers. A resposta é sim, de certa forma. Porém, com a diferença de que, à princípio, o objetivo de Pettine é gerar interceptações de pressão, enquanto Capers tentava criar confusão na leitura do QB a reconhecer a secundária pré e pós-snap. De qualquer forma, a princípio, a chegada do coordenador defensivo é excelente para facilitar a vida da secundária, que por vezes nos últimos anos esteve entre as piores da liga, mas agora terá vida mais fácil em função do novo modelo de jogo.

Palpite

Por mais que haja a promessa de melhora defensiva, a temporada dos Packers ainda inevitavelmente depende da saúde de Aaron Rodgers. Se o QB permanecer saudável, os Packers são favoritos a vencer a NFC North, pendendo o desempenho contra a defesa dos Vikings. Devido a esse confronto, a campanha do time deve variar entre as 10 e 12 vitórias. Depois disso, seja o que Deus quiser.

O caminho até o Hall da Fama: 7 jogadores que não estarão lá

Em meio ao período de inatividade da NFL há muito pouco que se discutir. Vez ou outra surge alguma notícia bombástica, algo como “técnico X diz que jogador Y está tendo uma ótima offseason”. O resto do tempo é preenchido por training camps e gifs inúteis.

Neste cenário de vazio em nossas almas e corações, não espere nenhuma notícia ou análise profunda sobre um tópico qualquer, ainda mais neste site desprezível que você aprendeu a amar. Mas, claro, não é porque estamos lhe dizendo que esse texto não fala sobre algo importante que você precisa parar de lê-lo: por ser uma lista, você pode só passar o olho nos nomes, não ler explicação alguma e ir diretamente as redes sociais do autor ofendê-lo.

(Sério, tá aqui o link).

Não, seu jogador preferido não está no Hall da Fama, trouxa!

Um dos tópicos que pode despertar maior paixão em torcedores é o Hall da Fama. Só de falar isso você já consegue escutar de longe um apaixonado pelo San Diego Chargers (R.I.P) gritando que Phillip Rivers é melhor que Eli Manning. Pode até ser, mas quem vai ter um busto em Canton e a jaqueta dourada daqui a alguns anos será o homem que nos deu a alegria de ver Tom Brady derrotado em um Super Bowl. Duas vezes.

Então, com o intuito de iluminá-lo, após um estudo extenso e com diversas bases científicas, preparamos uma lista com alguns nomes que, além de Rivers, não estarão em Canton. Pode se desesperar.

1. Andrew Luck

O barbudo mais bonito da liga entrou na NFL com toda a carreira já programada: o melhor prospecto da história seria um dos melhores QBs da história, que venceria inúmeros Super Bowls e terminaria com um dos bustos mais belos do Hall da Fama.

Pena que esqueceram de combinar isso com o time que o draftou. O Indianapolis Colts, que outrora já contou com a tríade de pior comando (Irsay-Grigson-Pagano) em qualquer liga esportiva, não tem ajudado Luck em sua jornada. A menos que Chris Ballard consiga dar um golpe em Jim Irsay ou Chuck Pagano nasça novamente, a tendência é que a miséria de Andrew seja mantida.

Chance de estarmos errados: 12%

2. Richard Sherman

Não negamos: é um excelente jogador. Mas talvez não tão bom quanto ele imagine. Porém, fora (e às vezes até mesmo dentro de campo), é chato pra caralho. Toda essa chatice fará com que eventualmente os Seahawks fiquem cansados e o troquem por um pacote de balas com alguma franquia irrelevante, que marcam presença naquela lista intitulada “franquias-com-que-ninguém-se-importa” (oi, Tennessee Titans!), evitando com que Richard se dirija para a eternidade. Quando ele perceber que não será selecionado, certamente brigará com o comitê, que o deixará de fora para sempre.

Chances de estarmos errados: 25%

3. Dez Bryant

Dez muitas vezes figura no topo da lista de algumas pessoas como melhor WR da NFL. Mas a verdade é que ele não tem uma temporada com mais de 1000 jardas desde 2015. Você pode inventar qualquer tipo de desculpa, porém os números mostra que mesmo se jogasse os 16 jogos no último ano, pela sua média, não chegaria a famigerada marca.

TY Hilton, por exemplo, que você provavelmente acha que é um WR mais “do meio do pacote”, tem números mais consistentes. Aceitem: Bryant terminará sua carreira na NFL lembrado por um drop e não tem nada que os torcedores dos Cowboys possam fazer pra mudar isso.

Chance de estarmos errados: nenhuma (0%). Podem cobrar.

4. Le’Veon Bell

Tido por muitos como o melhor RB da liga, algo compreensível, já que ninguém assiste os Cardinals pra ver que David Johnson é melhor, Bell só teve duas temporadas com mais de 1000 jardas terrestres – e só jogou mais do que 13 jogos uma vez em sua carreira, já tendo inclusive cumprido uma suspensão por acender um cigarro diferenciado.

Por não se manter saudável e considerando a pouca vida útil dos running backs na liga, podemos tirar as pretensões do menino Le’Veon de receber uma jaqueta dourada. No entanto, seus companheiros de equipe, Ben e Antonio, terão o acessório para mostra a ele no reencontro do Super Bowl que venceram juntos. Ah, Bell também não tem Super Bowl para alavancar suas credenciais.

Sad, but true.

Chances de estarmos errados: 26%

5. Travis Kelce

Travis Kelce era a principal arma do ataque mais chato da NFL até a chegada do garoto-foguete Tyreek Hill. Não sabemos em que mundo ser a válvula de escape de Alex Smith leva alguém até Canton. Além disso, Kelce só teve uma temporada com mais de 1000 jardas na carreira.

Chance de estarmos errados: 35% (tudo depende de quando Alex Smith for chutado de Kansas City)

6. Gerald McCoy

Gerald McCoy é um excelente jogador e poderia muito bem acabar no Hall da Fama. Mas, pense bem: quando te perguntam sobre um bom jogador, mesmo um defensor, você NUNCA pensa nele. Quando por um acaso do destino, ele habita sua mente, você até poderá vislumbrar sua habilidade, mesmo não tendo visto um jogo dos Bucanneers nos últimos quatro anos.

Chance de estarmos errados: 20%

7. Jimmy Graham

O mundo está dividido entre duas pessoas: as que sabem e as que não sabem que Jimmy Graham é overrated. Além de não ter noção alguma da “arte de bloquear”, o cidadão só teve duas de suas oito temporadas na liga com mais de 1000 jardas. Isso sendo uma TORRE e jogando com dois QBs baixos. Graham é apenas um bom jogador, e qualquer oportunidade que temos de trazer essa realidade deve ser aproveitada.

Chance de estarmos errados: 0,1%

7.1 Mike McCarthy

Ele treinou Brett Favre e Aaron Rodgers. É o famoso “assim até eu”. Mesmo tendo uma jornada longa na liga e vencendo um Super Bowl (acreditamos que o playcalling MEDROSO não permitirá um novo Lombardi), McCarthy ficará de fora do Hall da Fama, onde só os verdadeiros grandes técnicos podem pisar.

Chance de estarmos errados: 5%

Descubra: o editor odeia um desses caras.

Bônus:

8. Jogador que estará no Hall da Fama, quer você queira ou não, quer você goste ou não:

Justin Tucker. Assista ele acertando um FG qualquer de 830 jardas e tente discordar.

Chance de estarmos errados: menor do que no caso do Dez Bryant.

Top Pick Six #9: os 15 melhores HCs da NFL

Último ranking no ar. E para finalizarmos, listamos os 15 melhores HC (head coaches) da NFL. São os cérebros das equipes, responsáveis pelo playbook – alguns inclusive fazem as chamadas das jogadas. Entre os principais técnicos na história da NFL estão nomes como Vince Lombardi, Don Shula, Bill Walsh, Paul Brown, John Madden e George Halas.

Para confecção do ranking, cada um selecionou 15 jogadores. Se o jogador estava na posição 1, lhe atribuí 1 ponto. Na posição 2, 2 pontos, e assim sucessivamente. Se o jogador não apareceu na sua lista, atribuí – pontos. Os jogadores com menos pontos, em média, (soma dos valores dividido por 8) ficou em primeiro lugar, e assim por diante. É possível verificar as somas na tabela ao final desta coluna.

Participaram da formulação do ranking:

Integrantes do Pick Six: Cadu, Digo, Ivo, Murilo e Xermi.

Duas pessoas referência na internet quando o assunto é NFL e que, diferente de nós, realmente sabem o que falam sobre football: Felipe, do @oQuarterback e Vitor, do @tmwarning.

– E um leitor convidado!

Embaixo dos nomes dos jogadores, coloquei a ordem que cada um de nós classificou este jogador. Caso ele não esteja no top 15 de alguém, um traço está no lugar. A ordem é Xermi, Digo, Cadu, Murilo, Ivo, Felipe, Vitor e Rafael. Vamos ao que interessa! 

15° Adam Gase

12 14 11 14 11 10

Time: Miami Dolphins

Idade: 39 anos

Career highlights and awards

AFC champion (2013) / NFL Post-Season Appearances (2011, 2012, 2013, 2014, 2016)

Regular season: 10–6 (.625)

Postseason: 0–1 (.000)

Career: 10–7 (.588)

Um treinador de mentalidade ofensiva, Gase teve muito sucesso como coordenador ofensivo dos Broncos, em 2013, quando ganhou a AFC em um dos ataques mais potentes da história, comandado por um Peyton Manning em seus melhores dias. Após isso, tentou resolver a situação do ataque em Chicago (não deu certo), mas logo em 2016 já foi contratado para o cargo de HC em Miami, onde fez uma boa temporada de início, levando seu time aos playoffs.

14° Sean Payton

5 13 11 10 12 14

Time: New Orleans Saints

Idade: 53 anos

Career highlights and awards

Saints Career Wins Record (94) / Super Bowl (XLIV) / 2x NFC champion (2000, 2009) / 3x NFC South champion (2006, 2009, 2011) / AP Coach of the Year (2006)

Head coaching record

Regular season: 94–66 (.588)

Postseason: 6–4 (.600)

Career: 100–70 (.588)

Payton, que foi um QB nada brilhante em seus tempos de atleta – na NFL jogou apenas nos Bears – é um dos treinadores com mais relação ao seu atual time. Ele treina os Saints desde 2006 e, nesse período, formou uma excelente parceria com o QB Drew Brees, um dos melhores da liga, levando seu time ao título do SB XLIV. Payton é o recordista de vitórias como HC dos Saints: 94.

13° Mike McCarthy

7 10 8 13 8

Time: Green Bay Packers

Idade: 53 anos

Career highlights and awards

Super Bowl champion (XLV) / 6× Division champion (2007, 2011–2014, 2016)

Head coaching record

Regular season: 114–61–1 (.651)

Postseason: 10–8 (.556)

Career: 124–69–1 (.642)

McCarthy, assim como Payton, é o comandante dos Packers desde 2006. Com ele, seu time venceu o Super Bowl XLV em cima dos Steelers. Ele também é seis vezes campeão da divisão norte da NFC, tendo ganhado em 2007, 2011, 2012, 2013, 2014 e 2016. Nos últimos anos, foi alvo de críticas de torcedores e jornalistas, que afirmavam que ele era o responsável por uma queda de rendimento do QB Aaron Rodgers, tido por muitos como o melhor da NFL.

12° Mike Zimmer

14 10 7 15 15 11 6 13

Time: Minnesota Vikings

Idade: 60 anos

Career highlights and awards

Super Bowl champion (XXX) / NFC champion (1995) /3x NFC East champion (1995, 1996, 1998) / 2x AFC North champion (2009, 2013) / NFC North champion (2015)

Head coaching record

Regular season: 26–21 (.553)

Postseason: 0–1 (.000)

Career: 26–22 (.542)

Com estilo focado na defesa e no jogo físico, Mike Zimmer, que foi coordenador defensivo dos Cowboys, Falcons e Bengals, foi contratado em 2014 para ser o homem a frente da equipe dos Vikings. Tido por muitos torcedores como um técnico ruim, Zimmer tem se mostrado consistente e, mesmo com equipes teoricamente fracas e sem um QB excelente, tem feito boas campanhas baseadas em suas defesas sólidas. Ano passado, chegou a abrir a temporada 5-0, mas o carro desandou e o time acabou ficando fora dos playoffs.

11° Jason Garrett

11 8 8 12 12 13 11

Time: Dallas Cowboys

Idade: 51 anos

Career highlights and awards

NFC Offensive player of the week (1994) / 2× Super Bowl champion (XXVIII, XXX) / PFWA Assistant Coach of the Year (2007) / NFL Coach of the Year (2016)

Head coaching record

Regular season: 58–46 (.558)

Postseason: 1–2 (.333)

Career: 59–48 (.551)

Jason Garrett, que foi QB nos seus tempos de NFL (jogou muito pouco), é head coach dos Cowboys desde 2010. Em seis anos à frente do time teve, no ano passado, a melhor campanha de sua carreira. Puxado pelos calouros Dak Prescott e Ezekiel Elliott, o time de Dallas chegou à semifinal de conferência, onde acabaram derrotados pelos Packers, em um FG no final da partida.

10° Dan Quinn

13 9 12 10 13 8 14 9

Time: Atlanta Falcons

Idade: 46 anos

Career highlights and awards

Super Bowl Champion (XLVIII) / 3x NFC Champion (2013, 2014, 2016)

Head coaching record

Regular season: 19–13 (.594)

Postseason: 2–1 (.667)

Career: 21–14 (.600)

Outro head coach de mentalidade defensiva, Quinn teve sua carreira impulsionada quando atuava como coordenador defensivo dos Seahawks em 2013 e 2014, naquele grande time cuja defesa ficou conhecida como Legion of Boom – time que, inclusive, foi campeão do SB XLVIII dando uma surra nos Broncos de Manning. Em 2015, foi anunciado HC dos Falcons que, por incrível que pareça, vem se destacando por sua força ofensiva. Perderam o último SB na prorrogação para os Patriots, após sofererem uma virada improvável, no que ficou conhecido como um dos melhores Super Bowls já vistos na história do esporte.

09° Ron Rivera

12 5 9 14 10 9 5 15

Time: Carolina Panthers

Idade: 55 anos

Career highlights and awards

2× NFC champion (2006, 2015) / 2x AP NFL Coach of the Year (2013, 2015) / 2× PFWA NFL Coach of the Year (2013, 2015) /PFWA NFL Assistant Coach of the Year (2005)

Head coaching record

Regular season: 50–37–1 (.574)

Postseason: 3–3 (.500)

Career: 53–40–1 (.569)

Ron Rivera teve uma carreira boa como jogador na NFL. Atuou pelos Bears como linebacker de 1984 a 1992, inclusive vencendo o SB XX. Como membro da comissão técnica, principalmente na parte defensiva, passou por Bears, Eagles e Chargers, até ser contratado, em 2011, como HC dos Panthers. Junto com Cam Newton, chegou a disputar o Super Bowl em 2016, mas perdeu para os Broncos. Em 2013 e 2015, foi nomeado o Coach of the Year pela imprensa especializada.

Pouco tiozão.

08° Jack Del Rio

9 7 11 6 9 7 12

Time: Oakland Raiders

Idade: 54 anos

Career highlights and awards

2× All-PAC-10 (1982, 1983) / Third-team All-American (1983) / Consensus All-American (1984) / Second-team All-PAC-10 (1984) / Pop Warner Trophy (1984) / Rose Bowl Co-MVP (1985) / NFL All-Rookie Team (1985) / Saints Rookie of the Year Award (1985) / Pro Bowl (1994) / Super Bowl champion (XXXV) / USC Athletic Hall of Fame (2015) / Earle “Greasy” Neale Award

Head coaching record

Regular season: 87–84 (.509)

Postseason: 1–3 (.250)

Career: 88–87 (.503)

Jack Del Rio foi, assim como Rivera, um grande atleta na NFL. Iniciou sua carreira como jogador atuando como linebacker dos Saints. Passou também por Chiefs, Cowboys, Vikings e Dolphins, durante seus 11 anos como profissional. Em 1997, assumiu um cargo na comissão dos Saints, e de lá pra cá só foi crescendo. Foi HC dos Jaguars de 2003 a 2011 e, em 2015, assumiu os Raiders, já levando o time aos playoffs na última temporada. Venceu o SB XXXV como treinador de LBs dos Ravens.

07° Bill O’Brien

10 14 8 9 7 4 6

Time: Houston Texans

Idade: 47 anos

Career highlights and awards

Paul “Bear” Bryant Award (2012) / Big Ten Coach of the Year (2012) / Maxwell Coach of the Year (2012) / AT&T-ESPN Coach of the Year (2012) / 2× AFC champion (2007, 2011)

Head coaching record

Regular season: 27–21 (.563)

Postseason: 1–2 (.333)

Career: 28–23 (.549)

HC de Penn State, um dos principais times de futebol americano universitário, em 2012 e 2013, Bill O’Brien foi contratado pelos Texans em 2014 para buscar um título inédito para a franquia. Desde que chegou, foi aos playoffs todos os anos, mas a falta de um QB de qualidade tem atrapalhado seus planos. Com a chegada da sensação DeShaun Watson para 2017, a esperança que ronda a cidade de Houston por vôos maiores é alta.

 06° Andy Reid

8 6 3 7 6 6 7 3

Time: Kansas City Chiefs

Idade: 59 anos

Career highlights and awards

Eagles career wins’ record (130) / 6× NFC East Division Champion (2001, 2002, 2003, 2004, 2006, 2010) / NFC Champion (2004) / AP Coach of the Year (2002) / Sporting News Coach of Year (2000, 2002) / Pro Football Weekly Coach of Year (2002) / Maxwell Club NFL Coach of Year (2000, 2002) / Philadelphia Eagles 75th Anniversary Team

Head coaching record

Regular season: 173–114–1 (.602)

Postseason: 11–12 (.478)

Career: 184–125–1 (.595)

Um dos grandes treinadores da história da NFL, Reid comandou os Eagles de 1999 a 2012, sendo o recordista de vitórias por essa franquia (130). Foi seis vezes campeão de divisão na Filadélfia, em 2001, 2002, 2003, 2004, 2006 e 2010. Em 2004, levou a NFC e foi vice-campeão do Super Bowl. Em 2009, perdeu a final da NFC para os Cardinals. Em 2013, foi contratado como HC dos Chiefs, onde está até hoje. Pelo time de Kansas City, vem fazendo ótimas campanhas, mesmo com um QB mediano como Alex Smith à frente do time.

05° Bruce Arians

4 13 6 4 2 4 3 7

Time: Arizona Cardinals

Idade: 64 anos

Career highlights and awards

2× Super Bowl champion (XL, XLIII) / 3× AFC champion (2005, 2008, 2010) / 2× NFL Coach of the Year (2012, 2014)

Head coaching record

Regular season: 45–21–1 (.679)

Postseason: 1–2 (.333)

Career: 46–23–1 (.664)

Arians tentou ser QB, mas melhor pularmos essa parte. Seu sucesso veio mesmo como treinador. Com uma grande mentalidade ofensiva, teve excelentes trabalhos nos Steelers e nos Colts, como coordenador ofensivo. Em 2013, substituiu Ken Wisenhunt nos Cardinals e fez excelentes campanhas, chegando inclusive à final da NFC na temporada de 2015. Em 2012 e 2014, venceu o prêmio de HC do Ano. Como head coach dos Cardinals, vem fazendo um excelente trabalho, e dá esperanças à torcida do time para os próximos anos.

 04° Mike Tomlin

2 3 5 5 3 3 9 4

Time: Pittsburgh Steelers

Idade: 45 anos

Career highlights and awards

Super Bowl champion (XLIII) / 2× AFC champion (2008, 2010) / 5× AFC North champion (2007, 2008, 2010, 2014, 2016) / Motorola NFL Coach of the Year (2008) / Super Bowl champion (XXXVII)* / NFC champion (2002)*

*assistant coach

Head coaching record

Regular season: 103–57 (.644)

Postseason: 8–5 (.615)

Career: 111–62 (.642)

Tomlin, que iniciou sua carreira na NFL como técnico de DBs nos Bucs, ganhou muito respeito após assumir como HC dos Steelers, em 2007. Venceu o Super Bowl XLIII em uma partida memorável contra os Cardinals e, em 2008 foi considerado o técnico do ano. Além disso, detém um coaching record invejável de .644, um dos maiores da liga. Na pós temporada, seu coaching record também é excelente, com .615. Em uma equipe altamente qualificada, puxada pelo triplete Big Ben, Antonio Brown e Le’Veon Bell, Tomlin tem tudo para aumentar o número de vitórias .

03° John Harbaugh

6 4 4 2 4 5 2 5

Time: Baltimore Ravens

Idade: 54 anos

Career highlights and awards

Super Bowl champion (XLVII)

Head coaching record

Regular season: 85–59 (.590)

Postseason: 10–5 (.667)

Career: 95–64 (.597)

John Harbaugh é técnico dos Ravens desde 2008. Sua formação vem de Special Teams: foi coordenador dos Eagles de 1998 a 2007. Ele, inclusive, usa jogadas mirabolantes em seu time de especialistas até hoje. No Super Bowl XLVII, em que foi campeão, no último lance da partida ele proporcionou um lance bizarro de safety, selando a vitória. Com um coaching record de .590 na temporada regular e de .667 nos playoffs, Harbaugh merece a posição no top 3. Como curiosidade, no SB XLVII ele enfrentou o 49ers, que tinha como HC seu irmão Jim Harbaugh, hoje técnico de Michigan no futebol americano universitário – e que certamente estaria entre os melhores deste ranking se ainda estivesse na NFL (aceitem, haters!).

Cadê o chicletes?

02° Pete Carroll

3 2 2 3 5 2 8 2

Time: Seattle Seahawks

Idade: 65 anos

Career highlights and awards

Super Bowl championship (XLVIII) / 2× NFC champion (2013, 2014) / AP national champion (2003, 2004) / 4× Rose Bowl champion (2003, 2006–2008) / 2× Orange Bowl champion (2002, 2004)

Head coaching record

Regular season: 101–69–1 (.594)

Postseason: 10–7 (.588)

Career: 110–76–1 (.591)

Um dos grandes treinadores da história do futebol americano, Pete Carroll é treinador dos Seahawks desde 2010. De 2001 a 2009, comandou o time de USC no futebol americano universitário. Ele é um de apenas três técnicos que foram campeões no College e na NFL (os outros são Jimmy Jonhson e Barry Switzer). Carroll tem uma carreira invejável, especialmente na NCAA, onde teve um recorde de .814. Na NFL, é o líder do time de Seattle, onde não é somente HC, mas também VP. É atualmente o HC mais velho da NFL, com 65 anos.

01° Bill Belichick

1 1 1 1 1 1 1 1

Time: New England Patriots

Idade: 65 anos

Career highlights and awards

5× Super Bowl champion (XXXVI, XXXVIII, XXXIX, XLIX, LI) / 3× AP NFL Coach of the Year (2003, 2007, 2010) / NFL 2000s All-Decade Team / 2x Super Bowl champion (XXI, XXV)*

*As a defensive coordinator

Head coaching record

Regular season: 237–115 (.673)

Postseason: 26–10 (.722)

Career: 263–125 (.678)

Número 1 unânime e de longe o melhor HC da liga. Muitos já o consideram o melhor HC da história da NFL. Como coordenador defensivo, levou os SBs XXI e XXV, pelos Giants. Como HC, venceu outras cinco vezes, todas com o New England Patriots. Melhor treinador da NFL em 2003, 2007 e 2010, Bill Belichick ainda pode vencer mais, e isso é o que impressiona. Seus times são sempre muito dominantes e, para 2017, o Patriots parece continuar invencível. Ele assumiu os Patriots em 2000 e terminou a temporada 5-11; sua única temporada com mais derrotas do que vitórias. Desde 2001, Belichick e os Patriots só não venceram a AFC East em duas das 16 temporadas, uma supremacia absurda. Desde que comanda o time de New England, Belichick chegou a sete Super Bowls.

Algumas curiosidades do ranking:

  • Bill Belichick é a única unanimidade no Top 3 e Top 5. Inclusive, todos os votantes o selecionaram como o melhor HC da NFL;
  • Bruce Arians é o HC com maior diferença entre dois rankings: é o segundo no do Ivo, e décimo terceiro no do Digo;
  • Um total de 21 técnicos diferentes foram citados, veja na tabela final abaixo;
  • O top 15 contempla 8 técnicos da NFC e 7 da AFC;
  • 9 HCs são comuns a todos os rankings: Belichik, Carroll, Harbaugh, Tomlin, Arians, Reid, Rivera, Quinn e Zimmer;
  • 11 deles já foram campeões do Super Bowl, seja como HC ou apenas como participante da comissão técnica: Belichick, Carroll, Harbaugh, Tomlin, Arians, Del Rio, Rivera, Quinn, Garrett, Zimmer, McCarthy e Payton.
  • Ficaram fora do top 15, em ordem: Jay Gruden (WAS), John Fox (CHI), Kyle Shanahan (SF), Hue Jackson (CLE), Marvin Lewis (CIN) e Jim Caldwell (DET);
  • Todos os treinadores citados são milionários!

De Rodgers a Ty, passando por Cook: como o Packers voltou a ser Packers

Considerando a frieza dos números, podemos afirmar sem medo que, por mais de um ano, Aaron Rodgers não foi ele mesmo. Já abordamos os problemas de Green Bay há alguns meses, de qualquer forma, é fato que desde a semana 6 de 2015, um dos melhores quarterbacks da NFL lutava contra a mediocridade: partindo da derrota para Denver por 29 a 10 ainda na temporada passada, seus últimos 10 jogos naquele ano trouxeram um percentual de passes completos de apenas 57%, aproximadamente seis jardas por tentativa e um rating inferior a 82; nesse período foram 16 touchdowns e seis interceptações. Green Bay foi derrotado em seis dessas dez partidas, chegando a pós-temporada como wild card após perder para o Vikings em casa na semana 17, em partida que valia o título da NFC North.

O início de 2016 também foi cambaleante, com apenas quatro vitórias nas dez primeiras partidas – que contou com uma sequência de quatro derrotas consecutivas, uma delas uma atuação embaraçosa diante do Titans em Tennessee capaz de justificar qualquer eventual demissão (ou prisão por falta de vergonha) e outra partida constrangedora contra o Redskins.

Hoje, olhando em retrospecto, não havia um sinal claro de que Rodgers ressurgiria antes da sequência de vitórias. Eram números razoáveis para os padrões de Aaron Rodgers, e derrotas como as que ocorreram contra o Falcons ou o Colts estiveram longe de ser vergonhosas. De qualquer forma, o que também precisamos enxergar naquela sequência, é que enquanto o Packers parecia implodir na NFC North, o que o manteve vivo foi o fato de Aaron ser a única peça minimamente funcional em uma equipe aparentemente quebrada.

R-E-L-A-X.

Voltando à velha forma

Se para analisar a queda de produção de Rodgers – e, por consequência, do Packers – era preciso olhar para diversos fatores, compreender o retorno de sua produtividade habitual é um pouco mais simples: o principal fator a ser considerado passa pela melhora na precisão do quarterback; durante a primeira metade da temporada atual, Aaron completou pouco mais de 60% das tentativas, enquanto nas últimas seis partidas, esse número saltou para mais de 70%.

Nesse cenário, o jogo do camisa 12 flui, principalmente, graças a seu talento único para realizar ajustes em janelas de tempo estreitas, fator fundamental para um sistema ofensivo como o de Green Bay, baseado em rotas longas que espera que Rodgers tenha tempo e confie em seus recebedores, exige que eles simplesmente estejam onde se supôs que iram estar para que então Rodgers lance a bola naquele local. Quando isto ocorre, estamos diante de um ataque imprevisível, quase impossível de ser marcado; já quando algo sai errado, mas é dado a Aaron um pouco de tempo, resta ainda um QB capaz de improvisar e encontrar alternativas.

Danny Kelly, em artigo publicado no The Ringer, relembra uma entrevista antiga de Rodgers, onde o quarterback reflete sobre seu estilo de jogo. “Não importa o quão próxima esteja a marcação. Se o defensor me deu as costas, se posso ler seu nome e não vejo a sua cara, considero o recebedor livre e vou lançar a bola sempre. Na hora em que ele vira e encontra a bola, já é tarde. Confio que o nosso cara vai vencê-lo e ficar com a bola”.

O autor então relembra uma gama infinita de lances com as características descritas acima por Rodgers. Na semana 14, contra o Seahawks, Davante Adams bateu DeShawn Shead para um TD de 66 jardas . Já na semana 15, diante do Bears, talvez o melhor exemplo do que Rodgers dissera: uma bomba de 60 jardas para Jordy Nelson, sem nenhuma chance para o CB Cre’von LeBlanc.

Foram esses passes, essas jogadas, que falharam por um longo ano, entre a já citada semana 6 de 2015 e as 11 primeiras semanas desta temporada: agora Rodgers voltou a atacar, sem medo, toda e qualquer cobertura. Outro ponto notável no crescimento do sistema ofensivo de Green Bay é que se seu QB pode castigar a defesa adversária quando está retido no pocket, ele também tem uma capacidade única para escapar da pressão e encontrar a melhor alternativa – fora do pocket, Rodgers terminou ao lado de Jameis Winston em passes para TD (13 de seus 40, mais de 30%).

Quarterbacks comuns normalmente se desesperam quando sob pressão; perdem de vistas seus recebedores, se debatem no pocket enquanto ele entra em colapso e, bem, apenas torcem para não terem uma costela quebrada. Para Aaron Rodgers, porém, trata-se de uma oportunidade para encontrar touchdowns. E mesmo que ele eventualmente não consiga encontrar um recebedor disponível, ele ainda é uma ameaça com os pés – na última partida da semana regular, diante do Lions, foram convertidos três 3rd downs para 8 jardas ou mais; um deles proporcionou um corrida de 25 jardas, a maior do Packers na partida.

Como um WR se tornou o melhor RB de Green Bay

Ty Montgomery alinhou como RB pela primeira vez na semana 3 e, bem, ali, parecia apenas mais um truque de Mike McCarthy, fadado ao fracasso, afinal, quantas vezes vimos, vez ou  outra, Randall Cobb no backfield nos últimos anos? Ele estava ali para correr contra uma defesa naturalmente preparada para conter apenas o passe, quase que como uma pequena piada interna, criada para criar alguns desajustes no adversário, claro, mas em nenhum momento sólida o suficiente para construir um sistema ofensivo ao seu redor.

Mas três semanas depois, Eddie Lacy (que Deus o tenha), com uma lesão no tornozelo, deu adeus à temporada. O joelho de James Starks também não resistiu e ele foi posto de molho na mesma semana e ali Ty começou a ser forçado a participar mais ativamente como um RB regular: foram 16 tentativas para 113 jardas nas semanas seguintes – uma média de mais de 7 por tentativa. Mas ainda assim soava mais como desespero do que qualquer outra coisa: Green Bay apenas lutava contra o tempo e lesões enquanto entregava a bola para um WR(!) correr, não é mesmo?

Um RB em forma.

Para o bem ou para o mal, Starks foi liberado momentaneamente na semana 10, mas algo havia acontecido nas três semanas em que ele esteve ausente: o Packers percebeu que aquela piada inicial, na verdade, se tornara uma das boas histórias desta temporada: Ty Montgomery era o melhor RB de seu elenco. E na semana 15, com 162 jardas em 16 tentativas para dois TDs, Ty sepultara qualquer dúvida: ali ele deixara de ser um tampão, uma alternativa emergencial, para provavelmente se tornar um RB em quem o Packers pode confiar seu futuro.

Para a maior parte dos jogadores, fazer esta transição de WR para RB leva anos. Mas Montgomery, além da adaptação, mostrou também uma capacidade de pensar um ou dois passos adiante. Agora ele não soa mais com um truque; ele corre em grande nível, é extremamente físico e protege a bola de uma maneira que, por exemplo, Starks, RB de ofício, já não protegia mais. Ty também é capaz de antecipar o contato e reagir de forma que o impacto não o derrube.

Como segundo corredor, há ainda Christine Michael, que parece ter se reencontrado em Green Bay após ser chutado de Seattle. Montgomery e Michael forneceram, contra o fraco Chicago na semana 15, uma dupla no backfield que o Packers não tinha desde quando Lacy não lutava contra a balança (nota de edição: tempo em que ele TEORICAMENTE não lutava, já que né) e James Starks não sentia ainda efetivamente o peso da idade. E estes elementos são influências diretas no crescimento de Aaron Rodgers: o quarterback agora tem consigo os benefícios apenas proporcionados pelo equilíbrio entre jogo corrido e jogo aéreo.

“Um TE para chamar de meu”

No início de novembro, quando tentamos diagnosticar os problemas de Green Bay, abordamos a inclusão efetiva de um TE no plano de jogo como uma das soluções para o Packers. Um tight end atlético, quando envolvido no ataque, pode avançar pelo meio do campo abrindo espaço e, consequentemente, diversas novas possibilidades. Já falamos sobre como Rodgers reencontrou sua melhor forma e você provavelmente sabe que Jordy Nelson levará o Comeback Player of the Year. O que talvez não seja tão simples de enxergar é a participação de Jared Cook nisto.

Mesmo quando não é concretamente acionado, ele confere uma nova dimensão ao playbook – o que no Packers, por exemplo, resultou nos já citados lances de Davante Adams contra Seattle e Jordy Nelson diante do Bears. Seu impacto pode ser mais nitidamente sentido na frieza dos números: Green Bay está 8-2 na temporada quando Cook esteve em campo, com média de mais de 28 pontos por jogo, 25 TDs e apenas uma interceptação e seu quarterback com um rating de 114. Já sem ele a campanha cai para 2-4, a média para 24,7 pontos, são 15 TDs e 6 interceptações, além de um rating de 92,3 para Aaron Rodgers.

Jared retornou de lesão na semana 11 e, desde então, em situações de 3rd downs, foram 13 passes em sua direção, com 10 recepções para 175 jardas (e um rating de 118,2). “Creio que o retorno de Cook tem sido importante. Obviamente, ele normalmente é marcado por um linebacker e, nessas situações, isso é uma vantagem, como vimos em vários jogos”, disse Rodgers em entrevista à ESPN.  “Tenho falado sobre isso desde que cheguei: o caminho mais rápido à endzone é pelo centro do campo. Então quanto maior o alvo que você tem recebendo passes, melhor para o QB. Quanto particularmente mais atlético, maior raio de recepção. E Jared Cook tem todas essas qualidades”, completou o head coach Mike McCarthy.

Ajudo e não atrapalho.

Diferenciando-se dos mortais

Hoje Green Bay é um time mais completo; com o braço ou com as pernas, Aaron Rodgers pode vencer qualquer adversário na NFL. É um repertório difícil de ser previsto quando usado em sua totalidade; dispondo de rotas curtas, lances de alta velocidade no meio do campo com Cook ou lançamentos de mais de 50 jardas para Nelson ou Adams. E se algo sair errado, ainda é possível escapar da pressão e avançar no campo com os pés.

Assim, tudo que o Packers fez nas últimas semanas prova que se você der a Rodgers uma equipe versátil, ele tornará jogadores comuns, como Davante Adams, bons jogadores. Tornará ótimos recebedores, como Nelson, ainda melhores. E desde a semana 12, quando Rodgers sugeriu que seria perfeitamente possível para o Packers “run the table”, ele beirou à perfeição: seis vitórias em sequência, o título da NFC North e hoje o Packers é o adversário que ninguém quer enfrentar na pós-temporada; seja o Giants ou qualquer outra equipe que cruze o caminho de Green Bay nos playoffs, ele irá entrar em campo temendo um ataque recheado de possibilidades, irá entrar em campo receoso, sobretudo, com o que Aaron Rodgers vem fazendo.

O complexo paradoxo “Aaron Rodgers-Mike McCarthy”

O que lhe vem a mente quando você pensa em Aaron Rodgers? Passes rápidos sob pressão? Boas decisões tanto no pocket como fora dele? Jogadas eficientes em 3rd downs? De qualquer forma, seriam estes alguns dos fatores que viriam a tona se você deixasse os últimos 12 meses de lado: a realidade é que hoje Rodgers nem de longe lembra o quarterback vencedor do MVP em 2014.

A temporada de 2016, aliás, tem se assemelhado a uma montanha russa. Voltemos, por exemplo, a semana 2, quando contra o Vikings Aaron completou apenas 56% dos passes para apenas 213 jardas e dois turnovers. E, sim, ele foi superado por Sam Bradford: ali, ele já não era Aaron Rodgers, duas vezes MVP; era apenas a memória de um grande quarterback.

R-E-L-A-X

Em meados de 2014, Rodgers tranquilizou todo o Wisconsin com uma palavra de duas sílabas. Mas o que aconteceu até aqui pouco se assemelha com aquele início cambaleante de dois anos atrás; já não se trata apenas de uma queda de produção que poderia ser relativizada ou de se acostumar a um novo sistema. Para um jogador como Aaron Rodgers se trata de uma batalha prolongada para reencontrar o bom football e a consistência que, hoje, faz todo este processo soar estranho e desconfortável.

E se em 2014 Green Bay se recuperou rapidamente após iniciar o ano com uma vitória e duas derrotas, vencendo 11 das 13 últimas partidas – Rodgers terminou aquela temporada com 38 touchdowns e cinco interceptações –, para compreender o momento atual dos Packers é preciso ir além das 10 primeiras semanas de 2016: após a derrota para o Seahawks na decisão da NFC, Green Bay iniciou 2015 com seis vitórias e nenhuma derrota e naquele período, Aaron completou 68% dos passes, com mais de 8 oito jardas por tentativa, para 15 TDs e apenas duas interceptações, além de um rating médio de 115,9.

Veio, porém, a derrota para Denver por 29 a 10 e com ela o início de uma mediocridade ofensiva preocupante: os últimos 10 jogos de Rodgers em 2015 trouxeram um percentual de passes completos de apenas 57%, aproximadamente seis jardas por tentativa e um rating inferior a 82; nesse período foram 16 touchdowns e seis interceptações. Green Bay foi derrotado em seis dessas dez partidas, chegando a pós-temporada como wild card após perder para o Vikings em pleno Lambeau Field na semana 17, em partida que valia o título da NFC North

Por mais estranho que poderia parecer na época, os playoffs reservaram algumas surpresas: a vitória contra o Redskins, em Washington, pode ser classificada como tranquila, enquanto a derrota para Arizona veio apenas no overtime em uma situação atípica, incapaz de ser prevista ou controlada.

Mas aqui também é preciso ressaltar que, apesar de uma última jogada milagrosa, Aaron Rodgers completou apenas 56,3% dos passes para apenas 5,9 jardas por tentativa naquela pós-temporada.

As origens do problema

Quando alguém com tanto talento como Aaron Rodgers oscila por um período de tempo tão extenso é tentamos encontrar uma explicação lógica. Podemos imaginar que a origem desta queda acentuada talvez esteja no início de 2015, quando Mike McCarthy passou a responsabilidade das jogadas ofensivas para Tom Clements; em meados de dezembro, porém, o próprio Mike retomou a função e não houve nenhuma melhora significativa. Outro motivo poderia ser a ausência de Jordy Nelson, seu principal alvo, lesionado na semana 2 da pré-temporada de 2015 e ausente durante toda a última temporada. Tese que perde um pouco de força pelo simples fato de que o sistema ofensivo ainda não teve evolução evidente desde seu retorno.

O dia em que tudo começou a foder.

O dia em que tudo começou a foder.

De qualquer forma, o que todos esses fatores nos mostram, quando aliados a um esquema ofensivo inflexível e engessado, a falta de um recebedor para rotas longas durante a ausência de Nelson, é a potencialização das piores características de alguém com talento inegável: Aaron Rodgers passou a tentar resolver tudo sozinho.

Ao mesmo tempo que possui, indiscutivelmente, o braço mais potente de toda a NFL (nota do Digo: clubismo. Joe Flacco Mr Elite é o braço mais potente) e é capaz de fazer jogadas que aparentemente nenhum outro quarterback no planeta conseguiria, ele se tornou extremamente dependente de seu talento e, ao longo do caminho, foi deixando de lado alguns fundamentos básicos – sobretudo devido a um estilo de jogo que passou a ser unidimensional. E foi assim que Rodgers perdeu sua capacidade de encontrar soluções por conta própria.

Uma montanha russa particular

Rodgers tem em si elementos raros de serem combinados em outros jogadores da posição: atletismo, visão de campo e uma velocidade de raciocínio que o ajuda a liberar a bola das mãos em um piscar de olhos. Tudo isto faz com que ele seja capaz de criar soluções fora do playbook em uma fração de segundos e exemplos disso ainda surgem semana após semana. Para compreender isso, lembremos da partida contra Jacksonville na abertura da temporada atual, quando, improvisando, Rodgers garantiu a vitória para Green Bay.

Em um de seus passes para touchdown, Aaron transitou em um pocket prestes a entrar em colapso, se deslocou para a área mais congestionada da jogada e encontrou Nelson na parte posterior da endzone, enquanto o WR mergulhava em direção ao passe. Como ele enxergou Jordy em meio ao caos? Coisas que só o bom e velho Aaron Rodgers conseguiria fazer. Já o passe para Davante Adams foi ainda mais impressionante. Novamente, ele escapou da pressão enquanto o pocket ruía e, ao mesmo tempo em que postava os pés no chão e era puxado pela camisa, encontrou um passe no único local em que Davante poderia alcançá-lo.

Já o que aconteceu no último confronto contra o Colts foi completamente diferente. O Packers teve diversas oportunidades para dominar a partida e reverter o placar. Talvez por já estar atrás do marcador com 15 segundos de jogo, a “escolha” foi ir desde o início para big plays, sem necessidade alguma. Outra decisão inexplicável foi o retorno da formação com 3 WRs, 1 TE e 1 RB, que há dois anos não funciona em Green Bay, abdicando de uma spread offense que funcionou efetivamente nos dois jogos anteriores à derrota diante de Indianapolis.

O que vimos foi um ataque prepotente, que acreditou que venceria a partida quando bem entendesse, com o fraco TE Richard Rodgers totalmente envolvido no plano de jogo, que em diversos drives se resumiu ao ridículo “duas corridas e um passe”. Nesse cenário, Rodgers se restringiu a ir para o home run e abdicou do básico, esqueceu passes curtos e, bem, inventou demais.

Essa confiança excessiva em suas habilidades talvez explique a queda de produção de Aaron Rodgers nos últimos anos: segundo o Pro Football Focus, Aaron completou 80,6% dos passes em 2011. Em 2012 esse número caiu para 80,2%, para em 2013 chegar a 79,3% e em 2014 na casa dos 75%. Já na temporada passada, foram apenas 73,1%. Em passes para mais de 20 jardas, por exemplo, entre 2011 e 2014, ele nunca esteve abaixo de 51,8%, enquanto em 2015 esse indicador chegou a 39,1%.

Quando o buraco é mais profundo do que pensamos

A pouca versatilidade de seus WRs isenta um pouco Rodgers e torna mais difícil para ele confiar nas opções que dispõe, o que limita significativamente o playbook de McCarthy, excessivamente dependente de atletas que superem coberturas por conta própria. Assim Aaron precisa confiar que seus recebedores estarão onde deveriam estar, combinando velocidade, profundidade e sincronia exatas que a rota pré-estabelecida exige. O que, claro, é diretamente influenciado por situações que muitas vezes fogem do controle dos próprios WRs: um passo mais lento que o previsto já é suficiente para tudo ruir; é quando Rodgers precisa esperar e o desenho da jogada implode, o que o deixa se movimentando dentro do pocket enquanto tenta encontrar alguma solução mágica. 

Um ponto nítido do ataque de Mike McCarthy é que com ele não há meio termo: é quase impossível de defender quando Aaron Rodgers e seus WRs estão sincronizados, como vimos no Super Bowl XLV contra os Steelers ou, mais recentemente, durante toda a temporada regular de 2014. Mas, como citamos anteriormente, a margem de erro é mínima e quando o Packers não tem o tipo de talento necessário para fazê-lo funcionar, tudo falha.

Agora Green Bay precisa encontrar soluções e acrescentar possibilidades que não dependam exclusivamente de fatores como profundidade e separação em sincronia, precisa encontrar opções que não estejam restritas a slants padrões e rotas go. Em poucas palavras, é preciso facilitar o ataque.

Saudades.

Saudades.

Um TE no natal (ou saudades, Finley)

Outro fato significativo é que, atualmente, para parar o ataque do Packers basta ser físico com os recebedores na linha de scrimmage. Como tudo indica que McCarthy não irá alterar o plano de jogo (falaremos especificamente sobre o tamanho deste problema logo a seguir), uma parte dos problemas de Green Bay seria solucionada com um TE eficiente e veloz (Jermichael Finley, quem lembra?).

A ideia era que Jared Cook fosse esse jogador, porém aparentemente foram contratados apenas seus restos mortais. Já Richard Rodgers tem a velocidade de uma paca obesa pós-almoço. Atacar o meio do campo abriria novas possibilidades para Aaron Rodgers, mas para isso é preciso um TE atlético e veloz e hoje o TE de Green Bay é incapaz de vencer um linebacker com sono na velocidade.

A parcela de culpa do chefe

Poderíamos acrescentar nesta conversa toda aquela ladainha, hoje em voga, sobre a importância de evoluir, afinal é inegável que a NFL, assim como qualquer grande liga, evolui diariamente. E grande parte deste processo evolutivo vem desde o college football, passando pela formação inicial de atletas, expostos a técnicas e treinamentos cada vez mais complexos e sofisticados, até toda e qualquer pessoa direta ou indiretamente envolvida com o esporte.

Amigos para sempre é o que nós iremos ser, na primavera ou em qualquer das estações.

Amigos para sempre é o que nós iremos ser, na primavera ou em qualquer das estações.

Neste cenário de constantes mudanças quem mais precisa se adaptar são os head coaches. Há planos de jogos desenvolvidos há décadas que até hoje são confiáveis; há elementos que serão funcionais e úteis independente da época. Assim como, em alguns casos, é preciso abandonar o que não está mais dando certo. E aqui é inegável que o play calling de Green Bay há tempos é duramente criticado pelo simples fato de não funcionar. Ou por já ter se tornado óbvio.

Olhando em retrospecto, McCarthy assumiu o Packers em 2006 e desde então levou a equipe a 108 vitórias, 60 derrotas e um empate. A análise fria dos números indicaria um treinador inquestionável, já que em 11 anos esteve na pós-temporada em oito deles. É aí, porém, que os números começam a pesar contra Mike: nos 15 jogos de playoffs sob seu no comando foram apenas oito vitórias (quatro delas na campanha que trouxe o Super Bowl ao Lambeau Field) e sete derrotas.

O que torna tudo mais triste é que neste período McCarthy teve Brett Favre e Rodgers como quarterbacks. É pouco para uma franquia com tamanha grife e com dois dos melhores QBs da história em suas trincheiras. A realidade é que os melhores anos de Aaron Rodgers estão sendo desperdiçados. Mas ao mesmo tempo em que esta realidade pode soar como um “tapa na cara” para o Packers, é nela que reside a solução: hoje não há nada errado com Rodgers fisicamente e ele continua sendo um dos melhores QBs que a NFL já viu.

Mas, mesmo com um Rodgers oscilante, é preciso que McCarthy tenha consciência que precisa evoluir e abandonar a convicção que restringe Green Bay a um jogo baseado em tempo e precisão. Sem um Jordy Nelson totalmente funcional e saudável, ainda reencontrado o ritmo, é necessário incorporar combinações que não dependam exclusivamente de profundidade-separação e dar chance para jogadores com características distintas serem envolvidos. Do contrário, Aaron Rodgers seguirá pressionado por resultados enquanto tenta resolver tudo por conta própria.  

“Aaron Rodgers é um ótimo quarterback e isso não vai mudar. Ele teve fases em que não jogou tão bem? Claro. Mas aí você coloca pressão e quando se coloca pressão geralmente coisas ruins vão acontecer”, disse Brett Favre. “Ele precisa de um pouco de folga. Ele vai conseguir hoje? Ele vai conseguir semana que vem? Não sei, mas ele é um excelente QB e esse é o ponto principal”, completou o ex-quarterback de Green Bay em entrevista recente a Fox Sports.

É claro que o Packers pode ter sucesso com Rodgers tentando fazer tudo sozinho e é extremamente plausível que, enquanto ele estiver em Green Bay, a pós-temporada seja sempre uma realidade tangível. Porém, o tempo está passando e também é necessário reconhecer que ele dificilmente voltará a ser o quarterback imparável que vimos entre 2011 e 2014 sem um esquema tático que lhe dê algum suporte.