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Análise Tática #27: Semana 1, 2018 – Fitzmagic™

Finalmente a temporada da NFL voltou para que possamos malhar as franquias ruins e reclamar daquele jogo de primetime que foi agendado em março, quando todos os times eram bons, além de cornetas totalmente gratuitas e sem aspecto lógico contra QBs e times que odiamos (no caso todos).

A semana 1 nos proporcionou jogos com tempo-recorde, alguns com “(insira seu time aqui) é isso aí mesmo, errado é quem espera diferente” e até mesmo algumas surpresas, que inclusive será o assunto da primeira análise tática do novo ano desse esporte maravilhoso (às vezes nem tanto).

Ryan Joseph Fitzpatrick, ou Fitzmagic™ (quando joga bem), ou Fitztragic™ (quando vai mal), de acordo com a preferência do leitor, é conhecido, além de por ter estudado em Harvard (marque sua cartela), por ter uma série de eventos coincidentes envolvendo os times que jogou e os QBs que eram titulares na ocasião de sua contratação. O genial @DrawPlayDave categorizou tais coincidências em um fenômeno conhecido como o “O Ciclo de Ryan Fitzpatrick”.

Fonte: @DrawPlayDave (Twitter).

Os Buccaneers entraram no momento do Ciclo Fitzpatrick em que o titular (Jameis Winston) sai de cena e ele assume e joga bem. Tampa Bay foi a maior surpresa da primeira rodada, conseguindo o upset contra os Saints no Superdome.

Análise Estatística

As estatísticas de Fitzpatrick na partida são sensacionais. 21/28, 417 jardas, 4 TDs, 97.1 de rating. Ryan, além disso correu 12 tentativas para 36 jardas e 1 TD. Em termos de estatísticas avançadas, Fitzpatrick teve incríveis 17.75 ANY/A, bem como foi o QB da semana em DVOA pelo Football Outsiders. Uma atuação de gala em um tiroteio contra a defesa dos Saints, que se acreditava que havia melhorado e apresentou os mesmos problemas do início de 2017.

Análise do Tape

Temos conceitos interessantes a se observar nas cinco jogadas de pontuação ofensiva de Fitzpatrick, seu TD corrido e seus passes lançados para touchdown.

Q1 9:41 TB 7-7 NO. 1st & 10 em TB 42.

Tampa Bay alinha-se em singleback 1×2 com Fitzpatrick undercenter. Os Saints demonstram uma formação com um safety single-high um pouco offset na jogada (Marcus Williams, aquele do tackle errado nos playoffs) tentando disfarçar um possível recuo para cover 2.

Apenas três recebedores atacarão o fundo do campo, sendo DeSean Jackson o destino do passe. O X corre uma rota dig, o Z corre uma comeback, ambas de 10 jardas, enquanto Jackson, partindo do slot, corre o que parece ser uma option-route.

Option-routes, similarmente ao jogo corrido em zone blocking, possuem mesh points. Esse conceito tirado da Run N’ Shoot de Glen “Tiger” Ellison, permite que recebedores aproveitem o espaço vazio no campo com base na leitura de comportamento sobre um defensor específico. No caso da jogada, DeSean Jackson, o recebedor que ataca mais fundo no campo, lê o comportamento do Safety. Observemos na imagem a seguir esse exato momento.

Jackson observa que o S dá um passe para a direção da rota do recebedor X (Mike Evans, quebrando uma dig 10 jardas adiante da linha de scrimmage), tendo essa ajuda, Jackson quebra a rota em direção ao pylon. A proteção é boa o suficiente para que Ryan Fitzpatrick espere essa rota se desenvolver e conecte um passe para TD de 52 jardas. O desenvolvimento completo da jogada.

Q1 1:58 TB 14-10 NO. 1st & Goal em NO 3

O leitor mais veterano de NFL provavelmente não esquece que em 2012 a zone read em formação pistol tomou de assalto a liga (quem pegou, pegou). Essa filosofia de ataque foi como uma tomada espremida até a última gota, o que gerou respostas defensivas nas temporadas seguintes. Apesar disso, esse tipo de jogada não foi completamente descartado, e aparece exatamente no TD corrido de Fitzpatrick na partida.

A zone-read é uma jogada de option com uma leitura (!!!!) simples. O QB lê o movimento de um edge rusher e decide se entrega a bola para o RB ou corre ele mesmo. Se o defensor atacar o meio da linha, o QB corre por fora, se o defensor ficar na posição, o QB faz o handoff.

Nessa jogada específica, o defensor que será vítima da leitura é o EDGE #94 Cameron Jordan. Em situação de linha de gol, Jordan ataca a corrida de Peyton Barber, enquanto Fitzpatrick corre para a endzone. No desenvolvimento, Ryan ainda quebra um tackle na linha de gol para completar o TD.

Q2 4:42 TB 24-17 NO. 3rd & 6 em NO 9

O leitor que viu os últimos playoffs e o jogo de abertura da temporada assistiu o coirmão de ambos os times da NFC South morrer em jogadas de fade na endzone. Essa rota de baixa probabilidade de conversão depende de fatores com um passe preciso como uma linha na agulha pelo QB e que o recebedor consiga vencer o duelo físico contra a press coverage.

O leitor também deve estar pensando que uma jogada dos Bucs nessa situação provavelmente seria para um recebedor como Mike Evans, mas aqui é Chris Godwin quem recebe o TD em uma fade em direção ao pylon. Tampa está com um conceito mirrors com duas fades nas extremidades de campo, enquanto rotas no seam tendem a prender os linebackers e os safeties no miolo. Teoricamente, a jogada está armada para funcionar, resta a execução por meio de Fitzpatrick e Godwin.

Chris Godwin consegue vencer o bump-and-run e ganha a vantage física na jogada, resta a Ryan executar o famigerado backshoulder fade. Fazendo um nitpicking, o passe sai um pouco baixo, mas como Godwin teve a vantagem física na jogada, o recebedor não consegue defender, nem fazer a falta. Touchdown com requintes de crueldade que colocou os Saints em uma desvantagem de 14 pontos próximo ao intervalo.

Q3 2:58 TB 41-24 NO. 3rd & 6 em 50

Agora Fitzpatrick inaugura a sessão incendiária da análise, em que ele torna o dia muito difícil para o single-high Safety de New Orleans. Enfrentando formações com zona no fundo do campo, o QB deve manipular tais marcadores com os olhos, fazendo com que eles ataquem espaços errados, abrindo as janelas de passe.

Nessa jogada, os Saints mostram blitz e um Safety em profundidade, enquanto os Bucs irão atacar o fundo do campo novamente com três rotas longas. O RB terá funções de bloqueio para que as rotas tenham tempo de se desenvolver. O alvo da jogada é Mike Evans, no canto superior da imagem, marcado individualmente por Marshon Lattimore.

Experiente, Fitzpatrick tem a paciência suficiente de olhar para o X receiver no início da jogada, levando o Safety para aquele lado do campo. Evans vence o duelo individual e tem uma grande janela de recepção. Bomba no fundo do campo e touchdown. Acompanhe o desenvolvimento do lance.

 Q4 12:19 TB 48-24 NO. 1st & 10 em NO 36

No último drive em que Tampa Bay pontuou na partida, mais uma vez Fitzpatrick aproveitou-se da indecisão causada no Safety. Mesmo em um espaço mais curto em relação à jogada anterior e os Saints estarem mostrando um formato de dois Safeties em profundidade (afinal, a coisa estava feia), Tampa inunda o weakside e explora a rota mais profunda partindo do strongside.

Formação singleback com set de 1×2 em 11 personnel. DeSean Jackson é o alvo principal da jogada. Como falamos anteriormente, todas as demais rotas quebram para o lado esquerdo do campo, portanto é natural que a defesa reaja dessa forma. Por causa disso, Jackson fica mano-a-mano com o CB do seu lado do campo que estava em posicionamento de marcação em zona. A ajuda do Safety marcado em vermelho não existe e Jackson tem a vantagem do espaço ao ganhar o meio do campo.

  • Diego Vieira está bolando soluções para não deixar a análise tática monótona como um jogo de quinta à noite.

Agora ou nunca (nunca)

Um ano atrás, antes da PELOTA subir, o Bucs bradou aos quatro ventos sua relevância  na NFC South – mas, ao contrário do que pretendia, terminou com apenas cinco vitórias e assistiu as outras três franquias da divisão visitarem os playoffs.

Agora Jameis Winston está entrando em sua quarta temporada e (espera-se) recuperado de uma lesão no ombro que o fez perder três jogos em 2017. O torcedor mais otimista, porém, pode pensar que houve tempo também para Jameis encontrar a sinergia dom DeSean Jackson e reconstruir a defesa – mesmo que a seca por ver TDs em janeiro (uma década repleta de frustrações) continue ali.

“É sobre esse playoffs, cara”, disse Winston durante a offseason. “É sobre conquistar algumas vitórias, trazer a torcida para o nosso lado e realmente mudar a cultura por aqui – estamos caminhando nessa direção, e agora é a hora de fazer acontecer”.

Altos e baixos (e mais baixos)

Se a segunda temporada de Winston mostrou sinais claros de evolução, seu último ano pareceu um passo atrás; ele foi extremamente inconsistente e, se havia bons lampejos em determinadas partidas, Jameis parecia completamente perdido na maioria delas.

Você pode afirmar que Winston tem talento de sobra para fazer um excelente 2018 – e não estará errado –, mas a grande questão é se ele estará focado para dar o próximo passo. O que parece, infelizmente, não ser o caso – o quarterback já está suspenso pelas três primeiras partidas e será substituído por (provavelmente) Ryan Fitzpatrick – como já diria o sábio:

O problema de ter um pereba no elenco é que, invariavelmente, alguém fará merda ou se lesionará e, bem, o pereba precisará jogar.

O fato é que se o Bucs não chegar aos playoffs (spoiler: não chegará, e errado é quem espera diferente), Winston receberá boa parte da fatura, mas, se vivemos em um mundo justo (spoiler: não vivemos), é preciso apontar outros “culpados”.

LEIA TAMBÉM: Jimmy G, San Francisco e a busca pelo QB ideal

Mike Evans é uma aberração física e parece ter o talento natural a um WR de elite – mas questiona-se muito sua conduta profissional; em 2017, por exemplo, ele teve apenas 71 recepções (uma queda significativa se comparadas as 96 recepções de 2016) – mas, mesmo assim, Evans chegou a quarta temporada consecutiva com mais de 1000 jardas. Pelo pacote completo, Tampa decidiu apostar no garoto e ofereceu um novo contrato de cinco anos e mais de US$ 80 milhões. Se Mike não corresponder ao dinheiro investido, é certo afirmar que Tampa estará em apuros. No game tape, podemos analisar Evans como o recebedor que deixa as bolas fáceis passarem para só pegar as difíceis.

Ao seu lado, Evans terá DeSean Jackson e… bem, estamos em 2018, você ainda acredita em DeSean Jackson? DeSean é (talvez) um dos WRs mais superestimados da NFL (seu primeiro ano em Tampa foi um fracasso: 50 recepções para pouco mais de 650 jardas) e sua principal habilidade é tornar piores os sistemas ofensivos por onde passa.

Por outro lado, os Bucs tem um bom slot receiver em Adam Humphries e uma promissora dupla de TEs, com Cameron Brate e OJ Howard (de quem se espera uma evolução nítida em sua segunda temporada, para que se torne um alvo mais efetivo para Winston, sobretudo na redzone).

Chris Godwin, WR selecionado no terceiro round em 2017, também deixou uma boa impressão final e de quem é possível esperar um pouco mais de protagonismo – foram 111 jardas na despedida da temporada contra New Orleans.

Há esperança, também, em uma melhora no jogo terrestre (convenhamos: piorar não é uma possibilidade). Graças ao bom Deus, Doug Martin foi despachado – com pelo menos duas temporadas de atraso – para iludir o já sofrido torcedor de Oakland e a camisa 22 agora será usada por Ronald Jones II, selecionado no segundo round do último draft; o jovem teve 12 corridas para mais de 40 jardas durante seus anos em USC, o que mostra bons sinais para o futuro – Martin, por outro lado, teve duas temporadas de 1400 jardas por Tampa Bay, mas nos dois anos derradeiros na Flórida os números despencaram e o RB conseguiu menos de três jardas por tentativa.

Razões para acreditar

Os Bucs parecem ter focado na reconstrução de seu sistema defensivo. Com sua primeira escolha no último draft, eles selecionaram o DT Vita Vea, um monstro em Washington que inevitavelmente conseguirá pressionar o ataque adversário (pior que tá não fica, diria o outro). Além disso, ele será um ótimo complemento para Gerald McCoy, um dos melhores atletas de sua posição (que merece muito mais reconhecimento do que lhe é conferido).

Tampa ainda apostou alto, e buscou no atual campeão, Philadelphia Eagles, Beau Allen e Vinny Curry. Além disso, trouxe Jason Pierre-Paul, ex-Giants – o entrosamento, claro, pode demorar um pouco para chegar, mas de qualquer forma já é um cenário animador para aquela que até então era uma das piores defesas da liga.

A secundária, porém, levanta algumas interrogações: Brent Grimes e Vernon Hargreaves ainda estão ali – Grimes, contudo, já beira os 35 anos e esperar um declínio em suas atuações não seria absurdo. Os rookies MJ Stewart, de North Carolina, e Carlton Davis, de Auburn, competem com Ryan Smith pelo posto de CB3 – e, conforme se saírem, podem também beliscar a vaga de Grimes.

Já o corpo de linebackers segue o mesmo: Lavonte David é excelente e Kwon Alexander (espera-se) livre das lesões é um reforço considerável. Kendell Beckwith deixou a desejar em 2017, mas era apenas seu primeiro ano e, claro, há espaço para evoluir, sobretudo com Noah Spence, do qual se espera finalmente alguma contribuição em campo.

Palpite:

Em 2018 Winston precisa se estabelecer como um quarterback capaz de liderar uma franquia – e, por consequência, levá-la aos playoffs. A tabela, porém, é cruel: nos três primeiros confrontos, Tamba enfrenta Saints (fora), Eagles e Steelers (em casa), todos sem Jameis. Na sequência visita a Chicago e Atlanta e, bem, esperar apenas uma vitória nas cinco primeiras partidas não é uma previsão irrealista. Se tudo der errado e, ao menos, levar a demissão do HC Dirk Koetter, poderemos considerar que foi um bom ano – resta aceitar uma campanha semelhante a de 2017, com no máximo cinco ou seis vitórias, a lanterna da NFC South e planejar o futuro com um HC capaz de colocar Winston nos eixos.

Semana #7: os melhores piores momentos

A NFL segue se mostrando cada vez mais estranha. Os jogos de quinta-feira estão sendo os mais divertidos, Joe “Iron Man” Thomas (conversou conosco, nunca esqueceremos) se machucou e o Piores Momentos da Semana voltou a sair na terça-feira. Agora que já cumprimos o requisito do editor de sempre introduzir os textos com algo, vamos ao que interessa:

1 – Defesas passando vergonha

Miami Dolphins e Indianapolis Colts. Quem diria.

1.1 – Miami Dolphins

A cabeça até doeu contando quantos defensores perderam o tackle. Paramos em 73.

1.2 – Indianapolis Colts

“O time está mal por que Andrew Luck não joga”, disse o iludido torcedor.

2 – O pior onside kick da história

Alguém avise o rapaz que a bola só precisa viajar 10 jardas. E é ideal também que ela suba.

3 – Kelvin Benjamin 

Você sabe o que é awareness? Entenda o significado da palavra ao ver um exemplo de um rapaz que não o tem. Aparentemente Kelvin Benjamin ficou paralisado por ter feito uma boa jogada (não mostramos ela de propósito – ele não merece). Ainda bem que o juiz estava lá para ajudá-lo.

Preste atenção no relógio e no momento do jogo.

4 – Jeff Heath, verdadeiro herói americano

Quando Dan Bailey se machucou, o Safety Jeff Heath assumiu os kickoffs Extra Points dos Cowboys, e o resultado vai te surpreender. Infelizmente ele não teve a oportunidade de chutar um Field Goal de 47 jardas para se consagrar ainda mais.

5 – Imagens que trazem PAZ

Até hoje não sabemos pAra quem.

5.1 – Trabalhe pra NFL, eles disseram. Vai ser divertido, eles disseram.

A sensibilidade de Mike Evans é comovente. Ele se preocupa apenas em mostrar que pegou a bola.

Strike

5.2 – Khalil Mack

Especialista em fazer os outros passarem vergonha.

5.3 – Ainda sobre verdadeiros heróis nacionais

Repare como o nosso ídolo sequer derruba o copo.

5.4 – Le’Veon Bell 

Nosso amigo @oQuarterback disse tudo.

6 – Jimmy Graham 

Não gostamos dele e não escondemos de ninguém (ver: http://picksix.com.br/podcast-4-uma-colecao-de-asneiras-iv/). Deixaremos as imagens falarem por si só.

6.1 

6.2 

7 – A saga de um torcedor dos Colts

Estragar um carregador. Atropelar o seu celular. Lançar o seu celular no campo. E essa nem é a pior parte. Acompanhe esse emocionante relato de um sofredor.

8 – Prêmio Dez Bryant da Semana

O prêmio que premia o jogador de nome que, quando você mais precisa dele, desaparece. Lembre-se disso quando pensar em criticar a escolha da semana.

TY Hilton. Sempre evito colocar WRs aqui sem que eles recebam muitos targets – é o caso de TY. Mas depois de duas semanas com jogos medíocres (menos de 50 jardas no total), ele se tornou um forte candidato. Então ele resolveu botar a culpa de sua ineficiência na linha ofensiva. Assim levou o Troféu Dez Bryant para casa. Parabéns!

Foda certas situs.

Você pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

O que os olhos veem e o coração sente

Você, leitor, certamente não sabe, mas quando chega o final de julho e começamos a escrever nossas previsões para a temporada fazemos uma espécie de draft para distribuir os times entre os integrantes do site.

Por motivos óbvios, cada um escreve sobre o time que torce, mas os demais estão lá para ser livremente selecionados. As escolhas não têm uma lógica definida. A qualidade do time, por exemplo, não influencia muito nossa vontade de escrever sobre ele: ninguém parecia muito interessado em redigir um texto de duas páginas contando como o New England Patriots já está na final da AFC em 2018, mesmo que ainda estejamos em meados de agosto.

Há, porém, algumas escolhas interessantes, como a do nosso menor aprendiz, que decidiu usar sua primeira escolha com o Los Angeles Rams, por algum motivo que apenas diversas sessões de psicanálise seriam capazes de explicar. Nosso editor chefe usou sua primeira escolha no Cleveland Browns, aparentemente por gostar de escrever sobre fracasso e melancolia.

Os motivos que levaram meus companheiros de site a priorizar escrever textos sobre Rams e Browns não importam. A NFL, ao contrário de alguns outros esportes, é bastante democrática. Podemos torcer por um time e ter simpatia por mais uns dois, cinco ou 31 times. Somos livres para nos fascinar por pequenos detalhes, que muitas vezes são incompreensíveis para os outros, mas que, para nós mesmos, fazem todo o sentido.

Não tive dúvidas na minha primeira escolha: por diversos motivos, o Tampa Bay Buccaneers é o time que mais me interessa em 2017, com exceção do maior de todos, o New York Football Giants. Mas por que o Bucs me fascina e por que o escolhi como primeira opção para escrever um texto sobre seu futuro brilhante?

Pequenos (grandes) laços afetivos

Podemos começar falando de Jameis Winston. Todos nós guardamos na memória algumas jogadas que não se tornam icônicas por não terem impacto profundo no resultado de um jogo ou de um campeonato, mas que são espetaculares e devem sempre ser relembradas.

Jameis Winston foi o responsável pela jogada mais espetacular da temporada 2016 da NFL. O jogo era em Tampa contra o Chicago Bears. O terceiro quarto tinha acabado de começar e o Bucs tinha a bola na linha de 25 jardas do próprio campo em uma 3rd&10. Jameis recebeu o snap e logo foi pressionado pela linha defensiva do Bears. Ao invés de desistir da jogada e aceitar o sack, Winston foi recuando e se esquivando dos defensores até chegar a sua própria endzone.

O sack e o consequente safety eram praticamente inevitáveis, mas Jameis conseguiu deixar os três defensores que ainda o perseguiam para trás, ganhar mais umas 15 jardas e lançar um passe de mais ou menos 60 jardas para o WR Mike Evans.

A jogada resume bem quem é Jameis Winston e por que ele é um dos motivos que me fazem acreditar que Tampa Bay pode chegar longe em 2017. Há uma energia diferente no jogo de Jameis, uma intensidade maior do que vimos na maioria dos QBs.

Ao contrário de idiotas como Jared Goff, Jameis é um líder natural que não desiste das jogadas e carrega o time nas costas, mesmo que aos trancos e barrancos. É como se ele fosse uma mistura da energia de Philip Rivers e da capacidade de improvisação de Ben Roethlisberger. Apesar de ter lançado para mais de quatro mil jardas, seus números não são espetaculares e há muito o que melhorar, especialmente quando falamos em QB rating e fazemos a relação entre número de passes para TD e número de interceptações, que em 2016 terminou 28/18. Jameis ainda precisa cuidar melhor da bola e 2017 deve ser o ano em que ele dará o próximo passo para chegar ao nível de um dos grandes QBs da NFL.

Jameis: isso ainda vai ser grande na NFL.

Uma nova arma

Ajuda para isso não vai faltar: na offseason, Tampa Bay assinou com o explosivo WR DeSean Jackson, que mesmo em fim de carreira deve trazer uma dimensão a mais para o ataque, a da velocidade nos lançamentos em profundidade. Além dele, o Bucs draftou O.J. Howard, que muitos especialistas consideram o melhor TE a chegar à NFL em anos, já que mistura qualidades de bloqueador e recebedor. Normalmente rookie TEs não causam tanto impacto logo em suas primeiras temporadas, mas se isso acontecer o problema não será tão grande, já que em 2016 o Bucs descobriu em Cameron Brate um TE bem efetivo.

Esses jogadores são todos úteis e talentosos, mas são apenas complementos à principal arma de Jameis e mais um dos motivos que me fazem gostar do Bucs. Mike Evans. Em nosso ranking de WRs, fui quem o colocou mais alto, em terceiro, porque acho que ele é um monstro e pode, rapidamente, se tornar o melhor recebedor da NFL.

Evans tem todas as qualidades que um WR top precisa: tamanho, velocidade, agilidade, capacidade de correr rotas e mãos confiáveis. É assustador pensar os números que ele pode conseguir em 2017, levando em conta que as defesas não poderão focar em coberturas duplas ou triplas nele, já que o cobertor será curto se lembrarmos de todos os alvos de Jameis Winston. Somadas todas as dimensões e possibilidades que o ataque do Buccaneers terá em 2017, tenho que confessar que estou apaixonado.

As interrogações

Se existe uma ressalva no encanto que sinto por esse time, é o jogo corrido. Doug Martin é um bom jogador, mas ultimamente está machucado ou suspenso, dificilmente em campo. É difícil contar com ele pra qualquer coisa e houve rumores de que inclusive poderia ser dispensado. Sobram no depth chart Jacquizz Rodgers e Charles Sims, que são razoáveis e podem quebrar um galho, mas não trazem brilho aos olhos.

Filme repetido.

Já a defesa do Tampa Bay Buccaneers não encanta tanto quanto o ataque, mas não chega a atrapalhar ou impossibilitar nossa história de amor. Seu principal jogador é o DL Gerald McCoy, que já está em sua oitava temporada na liga e em 2016 mostrou pequenos sinais de declínio, mas mesmo assim conseguiu sete sacks. Para ajudar os trabalhos de McCoy na linha defensiva, a principal contratação foi o free agent Chris Baker, que chega do Washington Redskins trazendo seus 9,5 sacks, cinco fumbles forçados e 100 tackles em seus dois anos em DC.

No corpo de LBs, o Bucs vai continuar contando com os versáteis Lavonte David e Kwon Alexander, que combinaram para seis sacks e duas interceptações em 2016 e são bons em tackles. A fraqueza da defesa parece estar na secundária: Brent Grimes é um bom jogador, mas já tem 34 anos e está em fim de carreira. Vernon Hargreaves teve apenas uma interceptação em sua temporada de rookie, mesmo jogando razoavelmente bem. O problema é que a profundidade acaba aí. O Bucs parece ter direcionado a maior parte de seus recursos para melhorar o ataque. O time até investiu uma escolha de segundo round no safety Justin Evans, mas é difícil acreditar que sua contribuição seja efetiva já em seu ano de calouro, principalmente em uma divisão com ataques tão potentes.

Palpite: Se fosse obrigado a escolher um time alternativo para chegar ao Super Bowl, seria o Tampa Bay Buccaneers, mas a paixão muitas vezes nos cega. Quero acreditar que o time estará nos playoffs e terá uma participação digna, mas sei que posso estar sendo enganado por mim mesmo. Porém, continuarei otimista e meu coração prevê um surpreendente Bucs na final da NFC.

Top Pick Six #1: os 15 melhores WRs da NFL

Rankings. Nós amamos rankings. Por mais que eles não signifiquem muita coisa (NADA), é sempre legal termos rankings para nos apegarmos. Quem é o melhor QB da história? Qual foi o melhor Super Bowl já disputado? Qual a recepção mais milagrosa? Enfim, rankings! Pensando nisso, resolvemos nos perguntar: atualmente quem são os melhores jogadores nas principais posições da NFL?

Encabeçando uma série de rankings que faremos (WR, CB, TE, DE, RB, S, K e LB), vamos abrir com os wide receivers. A NFL já teve grandes nomes da posição, como o lendário Jerry Rice, o monstro Michel Irvin, os falastrões Chad Ochocinco e Terrell Owens e outros gênios da posição, como Randy Moss, Marvin Harrison, Isaac Bruce e Torry Holt.

Ao todo oito pessoas fizeram uma lista com seus 15 melhores WRs que devem estar na temporada de 2017. Não é uma lista que contém os 15 melhores do ano passado. Não é uma lista contendo os 15 melhores para o futuro da franquia. É uma lista com os 15 melhores, com jogadores essenciais e que podem fazer a diferença para seus times agora.

Para confecção do ranking se o jogador estava na posição 1, lhe atribuí 1 ponto. Na posição 2, 2 pontos, e assim sucessivamente. Se o jogador não apareceu na sua lista, atribuí 16 pontos. O jogador com menos pontos, em média, (soma dos valores dividido pelo total de votos) ficou em primeiro lugar e assim por diante. É possível verificar as somas na tabela ao final desta coluna.

Participarão da formulação dos rankings semanais:

Integrantes do Pick Six: Cadu, Digo, Ivo, Murilo e Xermi.

Duas pessoas referência na internet quando o assunto é NFL e que, diferente de nós, realmente sabem o que falam sobre football: Felipe, do @oQuarterback e Vitor, do @tmwarning.

– E um leitor convidado por ranking!

Embaixo dos nomes dos jogadores, coloquei a ordem que cada um de nós classificou este jogador. Caso ele não esteja no top 15 de alguém, um traço está no lugar. A ordem é Xermi, Digo, Cadu, Murilo, Ivo, Felipe, Vitor e Henrique. Vamos ao que interessa!

15° Doug Baldwin
10 | – | 15 | – | – | 8 | 15 | –
Time: Seattle Seahawks
Idade: 28 anos
Draft: 2011, Undrafted
College: Stanford
2016 stats: 16 jogos, 94 recepções, 1128 jardas, 7 TDs

Baldwin é um dos melhores valores que estão no elenco dos Hawks. Jogador que não foi draftado, mas que soma boas temporadas pelo time de Seattle, Doug tem sido fundamental nas boas campanhas de sua equipe. Mesmo o time não lhe dando muitas oportunidades – Russell Wilson não é conhecido por ser um cara que sempre passa pra muitas jardas, além do esquema ter sempre sido focado no jogo terrestre – Baldwin é peça chave no elenco de Pete Carroll e teve participação direta nas duas finais que seu time fez nos últimos anos. É, com certeza, um dos principais alvos de Russell Wilson.

14° Jarvis Landry
– | – | – | 11 | 8 | 14 | 11 | 15
Time: Miami Dolphins
Idade: 24 anos
Draft: 2014, round 2, pick 63
College: LSU
2016 stats: 16 jogos, 94 recepções, 1136 jardas, 4 TDs

Talvez eu, Digo e Cadu não tenhamos incluído Landry em nossos rankings por ele não ter conseguido fazer grandes temporadas, o que era esperado de um jogador de sua categoria. O amiguinho de Odell poderia se dar melhor em outro time, e vem sofrendo com os jogos fracos de seu QB Ryan Tannehill. De qualquer forma, ficou válida a décima quarta posição para o campeão do torneio de Best Hands do Pro Bowl. Com um pouco mais de ajuda se seus companheiros de equipe, pode chegar no top 10 em 2017.

Pena que joga com o Tannehill.

13° Alshon Jeffery
– | 8 | 10 | 14 | 11 | – | – | –
Time: Chicago Bears
Idade: 26 anos
Draft: 2012, round 2, pick 45
College: South Carolina
2016 stats: 12 jogos, 52 recepções, 821 jardas, 2 TDs

Esse é um dos que mais discordo de meus colegas votantes. Talento puro, mas não demonstra. Lesões atrás de lesões atrapalham muito a carreira de Jeffery. Sem contar os quarterbacks de seu time, que não são lá essas coisas (Jay, cof, cof, Cutler). Em todo caso, até aceito que coloquem ele no ranking, mas em oitavo não dá, Digo! Talvez eu me engane, mas acredito que Jeffery é um desses atletas que teve uma ou duas boas temporadas e não se recupera mais. Veremos agora, já que provavelmente ele irá para outro time na free agency, se eu, Felipe, Vitor e Henrique mandamos muito mal de não colocá-lo em nossos rankings, ou se estávamos certos e meus colegas de site errados.

TOP PICK SIX #2: Os 15 melhores CBs da NFL

12° Allen Robinson
9 | 6 | 11 | – | – | – | – | –
Time: Jacksonville Jaguars
Idade: 23 anos
Draft: 2014, round 2, pick 61
College: Penn State
2016 stats: 16 jogos, 73 recepções, 883 jardas, 6 TDs

De mito em 2015 para bust em 2016, essa é a história de Allen Robinson por enquanto. Jogou demais pelos Jaguars há 2 anos, porém na temporada passada deixou a desejar, muito por conta da fraca performance de Blake Bortles, o que pode ter pesado para 5 dos 8 votantes não terem o incluído em seus rankings. Muitos associaram o fracasso de Bortles ao esquema de jogo, até por isso houve substituição na comissão técnica. Com um novo head coach na cidade, a esperança é de que, por fim, o Jaguars volte a ser um time competitivo. Se isso acontecer, e pelo visto poucos acreditam que seja possível, o jogador de 23 anos será um dos principais responsáveis. Atleticismo e talento ele já mostrou que tem!

11° Amari Cooper
15 | – | 9 | 12 | 13 | 10 | 13 | 10
Time: Oakland Raiders
Idade: 22 anos
Draft: 2015, round 1, pick 4
College: Alabama
2016 stats: 16 jogos, 68 recepções, 1153 jardas, 4 TDs

Cooper teve uma temporada de calouro excelente, porém ano passado caiu de produção. Isso é o mais estranho, visto que o time do Raiders melhorou muito, fez uma campanha sensacional, com um QB que jogou muito. Por isso acredito que Cooper caiu muito nos rankings, mas não me surpreenderia se ele subisse no próximo ano. Derek Carr é a nova cara da franquia e, se não fosse sua lesão no fim da temporada, o time poderia ter ido mais longe. A tendência é que Cooper melhore cada vez mais, elevando seu jogo ao nível dos grandes nomes da posição nos próximos 2/3 anos.

10° Larry Fitzgerald
11 | – | – | 15 | 10 | 12 | 9 | 7
Time: Arizona Cardinals
Idade: 33 anos
Draft: 2004, round 1, pick 3
College: Pittsburgh
2016 stats: 16 jogos, 107 recepções, 1023 jardas, 6 TDs

Uma baita injustiça por parte dos meus colegas Digo e Cadu. Larry é um dos melhores WRs da história, com certeza vai pro Hall da Fama. OK, mas o ranking é pra 2017… Mesmo assim, Larry deveria estar nele. Em 2016 ele liderou a NFL em recepções com 107, mesmo já tendo 33 anos. Em fim de carreira, Fitz pensou em se aposentar, mas resolveu retornar pra mais uma temporada com os Cardinals. Os pássaros do Arizona devem ter um ano melhor em 2017 do que o que tiveram em 2016, quando eram considerados favoritos na conferência e acabaram tendo uma temporada decepcionante.

09° DeAndre Hopkins
8 | 7 | 7 | 9 | 12 | 13 | 4 | 14
Time: Houston Texans
Idade: 24 anos
Draft: 2013, round 1, pick 27
College: Clemson
2016 stats: 16 jogos, 78 recepções, 954 jardas, 4 TDs

Coitado desse garoto. Um talento nato, que vai se perdendo por conta de um QB horrível (leia-se Brock Osweiler / Edward Cullen). De qualquer forma, Hopkins é bom demais para ser deixado de fora de qualquer ranking de WRs. As recepções sensacionais de Hopkins nos últimos dois anos fizeram os torcedores dos Texans não sentirem saudades do grande Andre Johnson. Esperamos que Bill O’Brien ache uma luz no fim do túnel e consiga um QB decente para Houston (Romo?), aí poderemos ver mais deste grande talento que é DeAndre Hopkins.

08° T.Y. Hilton
6 | 10 | 8 | 8 | 9 | 11 | 8 | 12
Time: Indianapolis Colts
Idade: 27 anos
Draft: 2012, round 3, pick 92
College: Florida International
2016 stats: 16 jogos, 91 recepções, 1448 jardas, 6 TDs

Difícil jogar contra os números de Hilton em 2016. Atuou em todos os jogos e, de quebra, foi o líder em jardas recebidas da temporada. Jogando em um ataque explosivo junto com Andrew Luck, Hilton só não foi melhor porque o Colts tem uma linha ofensiva de papel, o que acarreta em pressão excessiva em seu QB e, por consequência, menos recepções e jardas para ele. De qualquer forma, acredito em nova boa temporada de T.Y., que a cada ano que passa mostra que foi uma baita escolha no draft de 2012, quando os Colts usaram apenas uma escolha de terceiro round para drafta-lo. Com a saída de Ryan Grigson, espera-se um melhor draft por parte do time de Indianapolis e, com isso, melhora na linha ofensiva que tanto atrapalha esse time recheado de talentos.

“Beijos, Brad Wells”.

07° Jordy Nelson
12 | 12 | 12 | 5 | 7 | 7 | 6 | 9
Time: Green Bay Packers
Idade: 31 anos
Draft: 2008, round 2, pick 36
College: Kansas State
2016 stats: 16 jogos, 97 recepções, 1257 jardas, 14 TDs

Opiniões diferentes aqui nesse ranking, comigo, Digo, Cadu e Henrique colocando Nelson mais abaixo, e Murilo, Ivo, Felipe e Vitor mais acima. Acredito que meus outros 3 colegas que também colocaram Nelson mais abaixo acham que muito do talento dele vem de seu QB, Rodgers, que faz qualquer um estar apto a receber uma bola. Sabemos que não é assim, tão óbvio, e que Nelson tem talento. Mas para estar no top 5, o jogador tem que ser mesmo muito bom (indireta para excesso de clubismo). Agora  veremos o que acontece, a idade pode pesar e o jogador passou por lesões nas duas últimas temporadas.

06° Mike Evans
4 | 9 | 3 | 7 | 5 | 5 | 10 | 5
Time: Tampa Bay Buccaneers
Idade: 23 anos
Draft: 2014, round 1, pick 7
College: Texas A&M
2016 stats: 16 jogos, 96 recepções, 1321 jardas, 12 TDs

Um dos principais nomes de 2016, Mike Evans jogou muito. Temos que tirar o chapéu para este garoto que é um dos melhores em sua posição. Acho que o Digo e o Vitor estão loucos de colocá-lo em nono e décimo, e arrisco dizer que o Murilo também está louco de deixá-lo em sétimo. Evans é uma máquina, ganha jogadas em double coverage, é rápido, forte e habilidoso. Com certeza vai figurar no top 5 por muito tempo. Com a evolução do jogo de Jameis Winston, seu QB, ele pode melhorar ainda mais. Não espero nada menos que uma nova temporada de mais de mil jardas e dez touchdowns para 2017.

05° Dez Bryant
7 | 4 | 6 | 6 | 4 | 6 | 7 | 6
Time: Dallas Cowboys
Idade: 28 anos
Draft: 2010, round 1, pick 24
College: Oklahoma State
2016 stats: 13 jogos, 50 recepções, 796 jardas, 8 TDs

Não fossem as lesões, Dez poderia até estar ranqueado mais alto. Porém há algum tempo ele já vem sofrendo com isso, perdendo jogos durante a temporada e prejudicando seus números com a camisa dos Cowboys. Mas mesmo com essas lesões, Dez tem tudo pra fazer um grande ano em 2017. Se ficar saudável, arrisco dizer que entra no top 3. Isso porque o Cowboys achou um excelente QB em Dak Prescott e, com a atenção das defesas focada em parar o jogo corrido de Ezekiell Elliott, Bryant pode sobrar. Nenhuma loucura aqui, acredito que os oito votantes deste ranking estão corretos em suas posições quanto à Dez Bryant.

TOP PICK SIX #3: Os 15 melhores TEs da NFL

04° A.J. Green
5 | 5 | 5 | 3 | 3 | 4 | 3 | 2
Time: Cincinnati Bengals
Idade: 28 anos
Draft: 2011, round 1, pick 4
College: Georgia
2016 stats: 10 jogos, 66 recepções, 964 jardas, 4 TDs

A.J. Green é a primeira unanimidade no top 5 e ele merece estar aqui. Não fosse a lesão que sofreu no fim da temporada, Green teria tido sua sexta temporada seguida com mais de mil jardas recebidas. Apesar de Andy Dalton não ser nada demais, ele também não compromete. Mestre em conexões longas, Green deve se recuperar bem na offseason e voltar a ter mais um ano bom, acima de mil jardas recebidas, Pro Bowl nas costas e talvez uma volta dos Bengals aos playoffs – para, claro, passar vergonha em janeiro.

03° Odell Beckham Jr
3 | 1 | 2 | 4 | 6 | 3 | 5 | 4
Time: New York Giants
Idade: 24 anos
Draft: 2014, round 1, pick 12
College: LSU
2016 stats: 16 jogos, 101 recepções, 1367 jardas, 10 TDs

O que falar deste gênio do football? Odell, apesar de momentos “chilquentos”, é um tremendo jogador. Não à toa Digo o colocou como o WR número 1. Cadu deixou o clubismo de lado e o colocou como número 2. O fato é que as recepções incríveis de Odell, com uma mão só, acabam por vezes mascarando o quão bom esse jogador é. Rotas precisas, velocidade e atleticismo são só algumas das suas qualidades. O futuro da franquia está aqui. Eli Manning é um bom QB, mas já em fim de carreira. Isso deve fazer o Giants procurar um novo QB logo, pois seria um desperdício ter um talento como esse jogando com QBs ruins.

Peguei.

02° Julio Jones
2 | 2 | 1 | 2 | 1 | 2 | 2 | 3
Time: Atlanta Falcons
Idade: 28 anos
Draft: 2011, round 1, pick 6
College: Alabama
2016 stats: 14 jogos, 83 recepções, 1409 jardas, 6 TDs

Julio é a única unanimidade no top 3 e isso fez com que a ele fosse agraciada a segunda posição deste ranking. Não é pra menos: as recepções milagrosas que ele fez no Super Bowl deixaram qualquer um de boca aberta. Um acerto na mosca dos Falcons no draft de 2011, Jones vem sendo, desde que entrou na liga, uma das estrelas de seu time. Com a evolução e amadurecimento de Matt Ryan, o time do Falcons se tornou uma poderosa máquina ofensiva que, pelo ar, chega a dar pena dos adversários. Pra 2017, acredito em mais uma boa temporada de Jones e dos Falcons.

TOP PICK SIX #4: OS 15 MELHORES LBS DA NFL

01° Antonio Brown
1 | 3 | 4 | 1 | 2 | 1 | 1 | 1
Time: Pittsburgh Steelers
Idade: 28 anos
Draft: 2010, round 6, pick 195
College: Central Michigan
2016 stats: 15 jogos, 106 recepções, 1284 jardas, 12 TDs

O único jogador que levou cinco votos pra número 1, tem que acabar o ranking no topo. Antonio Brown é um monstro e todos sabemos. Uma verdadeira steal no draft de 2010, Brown foi selecionado apenas no sexto round, na pick 195. Um jogador versátil, com precisão invejável, ele vem ajudando os Steelers a se manterem no topo. É outro que pode sofrer caso Big Ben se aposente, mas acredito que Ben ainda volta pra essa temporada e Brown terá pelo menos mais um ano fenomenal, com Pittsburgh novamente nos playoffs.

Algumas curiosidades:

– 3 jogadores foram unanimidade no top 5 (Brown, Jones, Green);

– Apenas 1 jogador foi unanimidade no top 3 (Julio Jones);

– 9 jogadores são comuns aos 8 rankings (Brown, Jones, Beckham, Green, Bryant, Evans, Nelson Hilton, Hopkins);

– Um total de 23 jogadores diferentes foram citados, veja na tabela final abaixo;

– O top 15 contempla 9 jogadores da NFC e 6 da AFC;

– 8 jogadores foram escolhas de primeiro round em seus drafts (Jones, Beckham, Green, Bryant, Evans, Hopkins, Fitzgerald, Cooper);

– Somente dois são campões do Super Bowl (Nelson e Baldwin – já Julio Jones foi por apenas três quartos);

– DeAndre Hopkins é o jogador que aparece com maior diferença de posição (10) entre dois rankings: 14° pelo Henrique e 4° pelo Vitor;

– Antonio Brown foi o jogador mais citado como número 1, em 5 dos 8 rankings;

– Apenas dois times, Broncos e Jets, tiveram 2 jogadores citados: Thomas/Sanders e Marshall/Decker. Nenhum dos 4 está entre os 15 melhores;

– Ficaram fora do top 15, em ordem: Brandon Marshall (NYJ), Julian Edelman (NE), Demaryius Thomas (DEN), DeSean Jackson (WAS), Sammy Watkins (BUF), Emmanuel Sanders (DEN), Eric Decker (NYJ), Stefon Diggs (MIN);

– 21 dos 32 times da liga tem jogadores nos rankings. Não foram citados jogadores de: BAL, CLE, TEN, KC, SD, PHI, DET, CAR, NO, STL, SF;

– Todos os atletas citados são milionários!

Confira todos os votos do nosso “colegiado”:

O futuro parece brilhante, mas quem escolhe kicker não merece respeito

A temporada de 2015 deve ter sido um misto de emoções para os torcedores e também para a equipe dos Buccaneers, porque serviu para ratificar fortemente a escolha de Jameis Winston com a primeira escolha do draft – considerando que ele superará os defeitos de novato, mas o talento que ele mostrou (além de números como mais de 4000 jardas e 28 TDs) simplesmente não se encontra todos os dias, com especial esperança na sua evolução quando se considera que ele foi o jogador mais jovem a lançar para essas 4000 jardas, com apenas 21 anos.

Obviamente, apesar do otimismo que possa ter gerado, uma temporada com apenas seis vitórias e último lugar na divisão tem consequências além da decepção da torcida. Após ter conseguido apenas duas vitórias em 2014 (e a primeira escolha do draft que permitiu Jameis Winston), o general manager Jason Licht perdeu a paciência com Lovie Smith e o mandou embora logo ao fim da sua segunda temporada.

Para seu lugar, foi promovido Dirk Koetter, coordenador ofensivo de Smith. O seu sucesso como coordenador é inegável desde os tempos de Jaguars e Falcons, além da sintonia que demonstrou com Jameis. Resta saber como ele trabalhará com as responsabilidades maiores de head coach, ainda que ele saiba que possa contar com o auxílio do DC Mike Smith, antigo treinador dos Falcons (onde trabalharam juntos), no lado defensivo do time.

O mistério do draft

Em um bom draft, existem boas escolhas, existem escolhas óbvias, existem escolhas absurdas, existem escolhas que deveriam gerar a demissão imediata da pessoa que a fez. E aí, por último, depois do fundo do poço, no pré-sal, existe escolher um kicker na segunda rodada. Isso mesmo, se você perdeu a notícia na época do draft, leia de novo e seguimos.

É importante lembrar que Tampa tinha um kicker razoável. Connor Barth não é nenhum monstro que chuta todas de 50 jardas, mas poucos são. Além disso, sua carreira de quase 10 anos na liga mostra o quanto estável ele é: em 2015, ele foi automático em todos os chutes dentro das 40 jardas, indo para 23/28 no total e errando apenas um XP (normal, depois da mudança de regra). E os Bucs consideraram essa como uma das posições que mais necessitava de reforço.

E aí entrou Roberto Aguayo, na 59ª escolha (após trocar picks com Kansas!), a frente de jogadores bem cotados como Vonn Bell (safety, Ohio St) e Jonathan Bullard (DT, Florida) que, veremos a seguir, poderiam servir para essa defesa. Para piorar, a pré-temporada tem sido algo ingrata com o jovem, que já perdeu um XP e 2 FGs – e ainda admitiu estar sentindo a pressão e buscando ajuda psicológica. Alguém não aprendeu a lição que Bryan Anger (punter, Jaguars, 70ª escolha de 2012) e Russel Wilson (75ª escolha) tentaram deixar para todos nós, não é mesmo, Licht?

1geraldao

Geraldo, um gigante simpático, só queria novos amigos que manjem de football.

A defesa que poderia evoluir

Além da bizarra escolha de Aguayo, as outras três das primeiras quatro escolhas do draft do time foram para tentar ajudar o lado defensivo do time. Com as adições da offseason, a linha defensiva deve se repetir como a unidade mais forte da defesa: os DEs Robert Ayers (9.5 sacks em 2015 pelos Giants) e o novato Noah Spence (11.5 sacks na sua última temporada na universidade de Eastern Kentucky, após ser banido do Big Ten por problemas com drogas) devem tocar o terror nos ataques adversários flanqueando o monstruoso Gerald McCoy, que é basicamente um Suh que joga limpo.

Os linebackers também devem garantir algo de solidez – ainda que só Lavonte David possa ser garantido como um diferencial. Kwon Alexander teve um ano regular como novato, enquanto o recém-chegado Daryl Smith, de 34 anos, foi dispensado dos Ravens mesmo após produzir mais de 100 tackles no ano passado.

O problema mais sério se concentra na secundária: os recém-chegados Brent Grimes, desde o Dolphins (que o cortou porque ele não quis reestruturar o contrato), e Vernon Hargreaves, 11ª escolha do draft, deveriam trazer alguma estabilidade – mas considerando que são essenciais pelo menos 3 CBs para ter uma defesa efetiva, será necessário que, entre Alterraun Verner e Johnthan (não foi escrito errado, editor) Banks, saia alguém minimamente capaz.

Os gigantes do ataque e o Muscle Hamster

O grande defeito de Winston saindo da universidade (o que acabou gerando muita controvérsia no período pré-draft, porque ele botou boa parte da culpa nos seus recebedores) e na sua primeira temporada foi a sua mira. Para colocar em perspectiva, ele acertou apenas 58.3% dos passes, enquanto Joe Flacco (que não é nenhum Drew 68.3% Brees) acertou 64.4%. Ou seja, com uma pequena melhora nisso, a sua produção deverá aumentar ainda mais.

E não é como se os seus alvos não ajudassem. 1.96m é o que têm Mike Evans e Vincent Jackson (“as torres gêmeas”, de acordo com o GM Jason Licht), e lhes falta habilidade – são dois jogadores que buscariam mesmo passes lançados por Josh Freeman, desde que consigam se manter saudáveis, considerando que os dois perderam jogos em 2015. Além disso, também não é possível excluir o tight end Austin Seferian-Jenkins, que batalhou lesões em suas duas primeiras temporadas de liga, mas, dizem, estará finalmente saudável para ser o terceiro amigo monstruoso de Jameis.

E ainda que seja um ataque dominado por gigantes, sobra espaço para um pequeno de 1.75m: Doug Martin, “o hamster musculoso” do alto das suas 1402 jardas (2ª melhor marca da NFL ano passado), que lhe renderam um novo contrato de 5 anos e 36 milhões de dólares. Infelizmente esse contrato coloca dúvidas sobre o desempenho futuro de Martin, que pode ficar muito confortável e suscetível a lesões (como em 2013 e 2014) com tanto dinheiro.

Por fim, para que Martin possa funcionar e Winston tenha tempo suficiente para “caprichar na mira” desde o pocket, será importante um bom trabalho da linha ofensiva. O retorno do RT Demar Dotson de lesão deve colaborar, mas a evolução crucial está nas mãos de Donovan Smith no lado cego, após um primeiro ano fraco, e do recém contratado J.R. Sweezy, que recebeu mais de 30 milhões de dólares mesmo sendo uma negação em Seattle (mais uma grande decisão pra conta de Licht!).

Importante lembrar para fechar o ataque: Roberto Aguayo será uma decepção. Acertará menos de 80% dos chutes e será culpado por pelo menos uma derrota do time – deixando Licht tentado a simplesmente assumir o erro e seguir em frente. Como um bom GM cabeça-dura que se recusa a admitir picks desperdiçados (como a maioria da liga), seguirá empurrando com a barriga por pelo menos mais um ano.

VEM MONSTRO, TEM PRESSÃO NÃO, SAÍ DE CASA COMI PRA CARALHO

Palpite: A NFC ainda está muito forte para os Buccaneers. Fosse na AFC, o time provavelmente teria chance de chegar aos playoffs. Entretanto, existe o fator Jameis para se levar em consideração – quem sabe ele evolua mais rápido do que esperamos e melhore sua produção de 2015. Provavelmente Tampa chegará às nove vitórias e terá novamente a oportunidade de ajeitar a defesa e se preparar para brigar pelos playoffs em 2017.