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Semana #4: os melhores piores momentos

A cada semana que passa, percebemos que não entendemos nada sobre futebol americano. A única certeza é que a NFL continua nos brindando com momentos grotescos para manter essa coluna – uma das poucas instituições que ainda funcionam no Brasil – de pé.

1 – Começando com o pé direito (mais uma vez): o Thursday Night Football

Football Starts Here é o slogan do jogo de quinta-feira a noite. Em uma adaptação livre, acreditamos que Bad Football Starts HereO último jogo, claro, não foi diferente. Mike Glennon mostrou porque sua melhor característica como QB é ser alto.

2 – Ainda sobre jogadas estranhas de gente estranha.

Admita, Travis Kelce é, sim, um cara estranho. Estranho, mas com sorte.

3 – Jimmy Graham: até quando?

Graham é overrated, mas não é ruim. Porém os Seahawks abriram mão de um dos melhores Centers da liga (que viria a calhar no meio daquele bando de retardados que eles chamam de linha ofensiva) e de uma escolha de primeira rodada para adquiri-lo junto aos Saints. Ele até já fez algumas jogadas aqui e acolá, mas, em meio a lesões, Jimmy também protagonizou momentos como os de domingo, em que as duas INTs de Russell Wilson foram em passes na sua direção. Veja uma delas aqui, e a outra, gerada por um drop de Graham, abaixo.

4 – Imagens que trazem PAZ.

4.1 – Eli Manning correndo

Uma mistura de tartaruga manca com tijolos nos pés. Por algum motivo, deu certo.

4.2 – Blake Bortles correndo

Sabemos que Blake não possui as melhores capacidades cognitivas do mundo, e ele deixa isso bem claro quando vai pra trombada ao invés de sair de campo. Em um universo paralelo, ele é um gênio. Ao menos foi uma oportunidade única (para ele) de fazer um defensor passar vergonha.

4.3 – Malik Hooker <3

Porque o mundo merece ver isto. Esse stiff arm foi lindo demais (o adversário morreu, mas passa bem).

4.4 – Josh McCown

Josh McCown é um game manager, eles disseram. Ele não vai estragar tudo, eles disseram.

4.5 – As definições de “totalmente livre” foram atualizadas

Acabem com o New York Football Giants enquanto ainda há tempo.

5 – Gente errada no lugar errado

Jay Cutler e Matt Ryan no Wildcat. Porque ninguém nunca pensou nisso antes?

5.1 – Motivo um: 

5.2 – Motivo dois:

6 – Os intocáveis

Algumas defesas têm dificuldades com conceitos simples, como a ideia de que, para parar uma jogada, você deve derrubar o coleguinha.

6.1 – Bilal Powell

Porque a defesa de Jacksonville é a força do time.

6.2 – Giovani Bernard

Em Alabama isso não seria um touchdown, pelo menos não intocado após não fazer nada além de correr em linha reta.

7 – Chegando ao fundo do poço – e lá encontrando uma pá.

Marquette King é divertido, mas é só um punter, e punters, por natureza, são destinados a fazer pouca coisa. Insatisfeito com a forma como as coisas são, Marquette resolveu ter seu minuto de fama. “O campo tem 100 jardas… Eu só preciso de 11… Eu consigo!”, ele deve ter imaginado. Então decolou, por conta própria, para conseguir o 1st Down em um Fake Punt. Você já deve saber o resultado: não deu certo. Ainda descontente com o resultado, King descontou sua frustração jogando a bola no adversário. O que era pra ser um simples punt se tornou um pesadelo.

8 – Troféu Dez Bryant

Você já sabe: o troféu Dez Bryant é o único que premia aquele jogador de nome que desaparece quando você mais precisa dele.

Nessa semana, Amari Cooper com 2 recepções para 9 jardas em 8 (!!!) targets. Essa atuação inesquecível rendeu uma alfinetada em nosso Podcast e garantiu a Cooper o Prêmio Dez Bryant da semana. Parabéns, garoto!

Cena rara ultimamente.

9 – Bônus:

9.1 – O Pick Six Brasil ganha um inimigo

Porque se Josh Doctson tivesse segurado a bola não precisaríamos sortear um prêmio.

9.2 – O Pick Six Brasil ganha um amigo

Porque Blake Bortles não quer que tenhamos que sortear mais prêmios.

Você pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

PS: Gostaríamos de saber se esse modelo de post, com as imagens ao invés dos links, é mais interessante. Quem puder dar o retorno lá no Twitter será de grande valia. Amamos (mentira) todos vocês!

Retrospectiva: uma coleção das besteiras que falamos

A longa offseason da NFL é um período de muita reflexão para todos nós que, de alguma forma, estamos envolvidos com o melhor esporte do mundo. Não há muito o que falar sobre football: o draft já está no passado, tanto calouros quanto free agents já têm seus contratos assinados e tudo que os jogadores têm que fazer no momento é engordar, gastar seus milhões de dólares e aproveitar o tempo livre para se envolver em problemas com a polícia. No verdadeiro período de férias da NFL, não há notícias e nem nada de novo para ser analisado.

Mas nós do Pick Six decidimos usar esse período de marasmo para fazer uma auto-crítica e exorcizar alguns demônios. Em comemoração ao quase um ano de atividades do site, fui escolhido para ser uma espécie de ombudsman e conduzir uma investigação profunda sobre as bobagens que foram ditas por nossos integrantes  em 2016. Sim, disparamos vários absurdos que merecem ser relembrados e expostos. Acertamos um pouco, também, mas erramos bastante.

E você, leitor, que teve seus olhos maltratados por um monte de lixo, merece a verdade e a justiça. Se não temos bobagens novas para escrever, temos bobagens antigas para ressuscitar e expor no grande tribunal da internet. Vamos a algumas delas.

Atlanta Falcons

Talvez a principal mea culpa que precisamos fazer seja em relação a praticamente tudo que foi publicado a respeito do Atlanta Falcons. Nós conseguimos menosprezar um time que chegou ao Super Bowl com um dos melhores ataques da história durante todo o ano que passou. Em agosto, por exemplo, Murilo publicou um texto fazendo previsões patéticas sobre a temporada do Falcons e disparou a seguinte pérola:

“A grande e dura verdade é que NINGUÉM SE IMPORTA. O Falcons cumpriu sua missão na NFL quando deu Brett Favre para Green Bay. Poderia ter acabado ali e nos poupado de todo o resto – inclusive deste preview. Seis vitórias e fechem a franquia na temporada que vem; não queremos escrever sobre eles novamente.”

Ivo, responsável pelos primeiros Power Rankings do site, não ficou muito atrás e publicou as seguintes pérolas em sequência nas três primeiras semanas da temporada:

Semana 1

“Será muito legal ver Matty Ice lançando TDs para Julio Jones e perdendo jogos. Este será o Falcons deste ano, com uma defesa que não pára ninguém e um ataque que depende quase exclusivamente de Julio – sabemos que Devonta Freeman é uma mentira e estava sob o efeito de entorpecentes no início da temporada passada.”

Semana 2

“Todos sabemos que o Falcons não chegará longe, mas se derrotar o Saints duas vezes terá seu título moral.”

Semana 3

“Segue o sonho de vencer New Orleans duas vezes e conquistar o seu título moral. Freeman, Coleman e Ryan atuaram como se a defesa do Saints não existisse – e na verdade não existe. A dúvida fica se o ataque conseguirá repetir a atuação contra uma defesa de verdade. Spoiler: não.”

Simplesmente épico.

Para fechar com chave de ouro, em seu ranking de Quarterbacks, Digo limitou Matt Ryan à mediocridade eterna quando escreveu as seguintes palavras:

“Ryan, já é hora dos torcedores dos Falcons aceitarem, chegou ao seu melhor com aquela vitória nos playoffs (ainda que siga com boas campanhas na temporada regular) contra os Seahawks.”

Murilo completou a cagada:

“De qualquer forma, a pergunta que fica para esta temporada é até onde pode ir o Atlanta Falcons? Querendo ou não, ela está ligada a outra importante questão: até onde pode ir Matt Ryan? [Spoiler I: nenhum deles irá a lugar nenhum]”

Como todos sabem, o Falcons chegou ao Super Bowl destruindo as defesas adversárias e Matt Ryan foi eleito o MVP da temporada, transformando as nossas previsões pessimistas em grandes piadas de mau gosto.  Porém, é necessário fazermos uma ressalva: o segundo tempo do Super Bowl e a maior pipocada de todos os tempos mostraram que, bem lá no fundo, tínhamos um pouco de razão.

Desculpa, cara!

Carolina Panthers

Ainda na NFC South, enquanto o Atlanta Falcons era subestimado, o Carolina Panthers era extremamente supervalorizado. Ainda sob os efeitos da temporada de MVP de Cam Newton e da aparição no Super Bowl perdido para (a defesa do) o Denver Broncos, não hesitamos em disparar  previsões extremamente otimistas para o Panthers. Novamente, Murilo foi responsável por iniciar a metralhadora de bosta:

“Não há um time na NFC South que tenha hoje um front seven tão potente nem, me arrisco a dizer, um QB tão talentoso. Logo, os Panthers vão chegar tão longe enquanto a sorte de não enfrentar grandes defesas ou ataques aéreos inspirados (ou pegá-los baleados, vide Cardinals) permitir.”

Ele ainda completou a cagada ao dizer que “não tem como o Carolina Panthers perder essa divisão” no nosso primeiro e único podcast (sim, acredite, ele existe e está disponível para download no site).

Ivo, seguindo a mesma “linha editorial”, afirmou em seu primeiro Power Ranking, que tinha o Panthers em quinto, que “mesmo com a derrota na estreia, o Panthers levará com facilidade sua divisão e tem tudo para chegar forte nos playoffs”.

Tudo que podemos fazer nesse momento de glória é rir e, talvez, cogitar o encerramento das atividades do site por vergonha. O Carolina Panthers não só não venceu a divisão como terminou em último, com apenas seis vitórias. Além disso, Cam Newton sofreu colapsos épicos e nem de longe lembrou o jogador que venceu o prêmio de MVP em 2015.

Jacksonville Jaguars

O Jacksonville Jaguars é um time que consegue enganar todo mundo em todos os anos. É impressionante. Sempre acreditamos que o time tem talento e está próximo de vencer, mas sempre temos nossos sonhos frustrados. É muito parecido com o Brasil: queremos acreditar que um dia possa se tornar uma potência, mas acaba sempre destruído pela podridão. Nada vai mudar isso. A falsa esperança coletiva no Jaguars levou ao seguinte diálogo no já mencionado podcast:

Murilo: “Jaguars tem o melhor coletivo da AFC South!”

Digo: “Eles são o melhor time e vão ganhar a divisão.”

Cadu: “Eu concordo!”

Três idiotas discutindo football e nenhum foi capaz de impedir que isso se tornasse público.

Em um trecho de artigo que previa a temporada de Jacksonville e que tinha o sugestivo título de “Bortles é foda, o resto é moda” (vomitei), Murilo foi um visionário e previu a própria existência desse texto e das cobranças que estariam por vir:

“Adoramos errar previsões e você, querido leitor, está autorizado a nos cornetar daqui três ou quatro meses, mas afirmamos que Blake Bortles está pronto para dar o próximo passo.”

Na verdade, ele estava certo: Bortles acabou dando o próximo passo, porém em direção ao abismo. Para finalizar, Digo teve um momento de brilhantismo em um texto sobre o que seria do Patriots em 2016 e previu uma vitória do Jaguars em New England. É simplesmente ridículo:

“Brady não mostra nenhum sinal de ter 39 anos, até uma derrota bizarra para os Jaguares de Jacksonville debaixo de muita neve em Boston. Você ouviu aqui primeiro.”

Enganou vários trouxas.

Fantasy

Xermi foi o responsável por escrever nossas colunas sobre Fantasy em 2016. Entre conselhos maravilhosos como “escale Nelson Agholor sem medo”, Xermi levou seu time a uma honrosa 11ª posição entre 12 times na liga de Fantasy mais importante do mundo. Além disso, conseguiu levar o time do Pick Six apenas a uma desastrosa 9ª colocação na liga com leitores do site, com apenas seis vitórias na temporada regular. Você já sabe em quem não confiar para o Fantasy 2017.

Diversas

Completamos esse texto com alguns aforismos que merecem ser mencionados. Digo, por exemplo, em sua birra com Joey Bosa disse o seguinte: “esse time (Chargers) parece destinado à mediocridade e torceremos contra eles por alguns anos até que alguém admita que fez cagada em relação a Joey Bosa”.

A parte sobre a mediocridade do Chargers é bastante compreensível, porém Bosa mostrou em pouco tempo que pode ser um talento raro. Digo ainda garantiu em seus balanços sobre a temporada que Denver Broncos e Minnesota Vikings estavam garantidos nos playoffs. E para fechar sua contribuição com o universo, disse que “se RGIII jogar tudo o que sabe, esse time (Browns) pode passar o Ravens”. Não temos como justificar isso.

Já Murilo desconsiderou completamente a qualidade do Miami Dolphins, que acabou se mostrando um time razoável e conseguiu chegar aos playoffs: “na oitava semana tudo já estará perdido e o Dolphins estará em algum lugar entre o limbo, o nada e a última posição da divisão. O objetivo deve ser alcançar cinco vitórias, mas com três já será possível comemorar”.

Ivo também se mostrou bastante pessimista quando colocou o Dallas Cowboys na posição 25 de seu Power Ranking (atrás de New York Jets e San Francisco 49ers, acreditem) e desconsiderou a ascensão de Dak Prescott: “resta a Dallas torcer para Romo voltar logo (e então se lesionar novamente).”

Ainda tivemos a capacidade de colocar o modorrento Los Angeles Rams na 13ª posição de um de nossos rankings, o que é completamente inaceitável e é a maneira certa de encerrar um texto com tantas cagadas.

Futuro

Você deve estar se perguntando se todas essas admissões de culpa servirão para que erremos menos no futuro. A resposta é simples e óbvia: não, não nos importamos com isso e vamos continuar por tempo indeterminado. Preparem seus olhos. Eles ainda vão sangrar bastante. Além disso, se você chegou até aqui é porque adora ler uma bobagem.

Razões para o Atlanta Falcons vencer o Super Bowl (e não só esse ano)

As histórias dos esportes muitas vezes são contadas através de narrativas. Aspectos do jogo e dos personagens envolvidos são cuidadosamente selecionados para que seja criado um roteiro com começo, meio e fim. Como em toda história, as narrativas esportivas envolvem o mocinho contra o bandido, o bem contra o mal, a luta pela justiça e a busca pelo final feliz. No Super Bowl LI, a narrativa predominante parece ser a cruzada por vingança do poderoso New England Patriots e de seu QB superstar, submetidos a punições controversas em um caso que chega a murchar nossas bolas de tão ridículo que foi. Mesmo os que não gostam do Patriots sentiriam um gostinho especial se Roger Goodell fosse obrigado a entregar o troféu para Tom Brady. Para o Patriots, vencer o próximo Super Bowl vai muito além de Brady conquistar seu quinto anel e tornar a equipe um dos times mais vitoriosos da história da NFL: é a oportunidade de obrigar a poderosa liga a se curvar diante do time que superou todas as adversidades e, mais uma vez, atingiu o topo.

É uma história realmente muito interessante. Ou, talvez, seja apenas a história mais fácil de se tornar uma bela narrativa, mas não é a única desse Super Bowl. Do outro lado do campo, o New England Patriots encontrará o inexpressivo Atlanta Falcons, time que chega apenas pela segunda vez à grande final da NFL e nunca conquistou o título. Seu líder é um QB que tem menos carisma que um poste e que até a temporada 2016 poucas vezes tinha passado da linha da mediocridade.

Contar uma história sobre Matt Ryan definitivamente não é fácil. Seus coadjuvantes também não chamam muita atenção. São competentes, mas estão longe de ser grandes estrelas e poderiam ser substituídos tranquilamente por grande parte dos jogadores da NFL. A exceção talvez seja o WR Julio Jones, que é um dos melhores recebedores da liga quando é considerada a mescla de tamanho, velocidade e talento natural. Julio, porém, tem uma ética de trabalho admirável e é avesso às polêmicas que envolvem outros WRs, como Odell Beckham Jr e Antonio Brown. Ou seja, é mais um personagem difícil de virar parte central de uma bonita história.

A sorte do Atlanta Falcons é que as narrativas esportivas são superestimadas e tendem a distorcer um pouco a percepção que as pessoas têm do que realmente importa quando o objetivo é lançar uma bola e marcar mais pontos do que o adversário. Não, não é uma tentativa de menosprezar Tom Brady, mas é muito mais fácil enxergar nele um QB com poderes sobrenaturais do que reconhecer e valorizar tudo que Matt Ryan fez nessa temporada. É muito mais fácil perceber as virtudes de um QB que disputará seu sétimo SB do que dar o valor adequado a um time que tem, entre todos os seus jogadores, cinco participações na grande decisão. Existe um contraste midiático muito grande entre Patriots e Falcons. Porém, narrativas à parte, o fato é que o Atlanta Falcons é um time melhor que o New England Patriots. Mesmo que não seja uma história bonita, que vá emocionar e trazer lágrimas aos olhos, não há motivo algum para ter receio de dizer: não vai ser fácil, mas Matt Ryan levantará o Lombardi Trophy no próximo domingo.

Fiquem sussa, caras.

Um ataque perfeito

Poucos ataques na história da NFL se aproximaram da perfeição. O Atlanta Falcons de 2016 é um deles. Mesmo com apenas uma grande estrela, Julio Jones, o sistema ofensivo do Falcons funciona com uma eficiência poucas vezes vista. Na temporada regular, foram 33,8 pontos por jogo, melhor da NFL, 415,8 jardas totais, segundo melhor, 295,3 jardas passadas e 120,5 jardas corridas, terceiro e quinto melhores números da liga, respectivamente. Ou seja, eles estão no top 5 da NFL em todas as estatísticas ofensivas relevantes.

Desavisados podem pensar que a temporada regular pode não ser o parâmetro ideal, já que o Falcons enfrentou times fracos que poderiam ter colaborado com a inflação dos números. Mas a resposta veio rápida: nos dois jogos de pós-temporada que disputou, inclusive contra a defesa do Seattle Seahawks, Atlanta marcou 80 pontos. OITENTA, uma média de sete pontos a mais que na temporada regular e a terceira melhor marca da história dos playoffs.

O ataque explosivo começa com Matt Ryan, virtual vencedor do prêmio de MVP da temporada. Ryan é o cérebro que distribui a bola como nenhum outro e, além de ter sido o melhor jogador da temporada regular, parece ainda melhor na pós temporada. Nos jogos contra Seahawks e Packers foram 730 jardas passadas, 7 TDs e 0 INT, que gerou um rating de 132,6. Voltando à história inicial das narrativas, como esses números foram produzidos por Matt Ryan, e não por Tom Brady, eles parecem um pouco menosprezados. Mas a verdade é que estamos diante de uma performance histórica que tem grandes chances de continuar no Super Bowl.

Mesmo que Bill Belichick seja conhecido por criar esquemas eficientes para barrar os pontos fortes dos ataques adversários, o Falcons é equilibrado o suficiente para tornar essa missão praticamente impossível. Não adianta criar um esquema de marcação dupla, ou mesmo tripla, para parar Julio Jones. Se isso acontecer, Matt Ryan encontrará Mohamed Sanu, Taylor Gabriel, Austin Hooper e outros ilustres desconhecidos completamente livres. Se Bill decidir enfatizar a defesa contra o passe, o Falcons tem em Devonta Freeman e Tevin Coleman a dupla de RBs mais dinâmica e produtiva da NFL que certamente vai causar estragos.

O cobertor é curto e, por mais genial que Belichick seja, a defesa do Patriots (ou qualquer defesa da NFL) não parece ser capaz de neutralizar ou reduzir significativamente os estragos provocados pelo ataque do Falcons. Esse argumento pode parecer falho, já que a defesa de New England é a melhor da NFL em termos de ponto por jogo. Mas é necessário lembrar que trata-se de uma defesa que ainda não foi verdadeiramente testada, especialmente nos playoffs. Convenhamos que o Houston Texans de Brock Osweiler e o Pittsburgh Steelers sem Le’Veon Bell não estão nem perto do que é o Atlanta Falcons. No duelo ataque do Falcons contra defesa do Patriots, a vantagem é de Atlanta.

Defesa arroz com feijão

Como o Super Bowl LI tem como protagonistas dois ataques prolíficos, que dificilmente serão parados, há quem considere que o jogo será um duelo de defesas: quem fizer o melhor trabalho, ganha. Esse pode ser um dos motivos que abalam levemente a convicção de que o título vai acabar na Georgia, já que a defesa do Atlanta Falcons não é um primor, muito longe disso. O Falcons tem a sexta defesa que mais cedeu pontos na temporada regular da NFL, em contraste com a defesa do Patriots, a melhor neste quesito. Nos playoffs, porém, Atlanta mostrou uma evolução significativa e só permitiu 41 pontos combinados para o razoável ataque do Seattle Seahawks e para o excelente Green Bay Packers.

O segredo da boa performance nos dois jogos de playoff que venceu parece ser a capacidade de colocar pressão no QB adversário. Mesmo que não tenha conseguido um número significativo de sacks contra Wilson e Rodgers, o Falcons conseguiu mover a linha ofensiva adversária o suficiente para que os QBs ficassem incomodados e apressassem suas decisões. A mesma fórmula deve funcionar com Tom Brady, que perdeu dois SBs para o New York Giants, que não tinha uma defesa espetacular, mas contava com um pass rush eficiente. Vic Beasley, que liderou a liga em sacks em 2016, pode acabar se tornando uma espécie de Von Miller no SB L, fazendo a diferença no jogo.

Esse dia foi massa.

Além de incomodar Tom Brady, o Atlanta Falcons terá que usar uma estratégia completamente diferente as usada pelo Pittsburgh Steelers, que preferiu colocar cones em campo e acabou comido vivo por Julian Edelman e Chris Hogan. Pelas características do ataque e dos recebedores do Patriots, é fundamental optar por mais marcação homem a homem e menos marcação por zona. Edelman e Hogan são recebedores pequenos, que têm dificuldade em ganhar disputas físicas com os marcadores e buscam sempre o espaço vazio que as marcações em zona permitem. É claro que é impossível parar completamente o ataque do Patriots, mas se conseguir marcar fisicamente os recebedores na linha de scrimmage, acabando com a precisão das rotas e com o timing das jogadas, o Atlanta Falcons aumenta significativamente suas chances. É necessário fazer o arroz com feijão e limitar possíveis ganhos grandes de jardas: se ficar assistindo Chris Hogan anotar TDs de 60 jardas, como o Steelers fez, estará escrita a receita para o fracasso.

O sucesso da defesa do Falcons no SB também está atrelado ao ataque. Se abrir uma boa vantagem no começo do jogo, como costuma fazer, New England terá que abandonar, em parte, o jogo corrido e terá um ataque unidimensional que, teoricamente, será mais fácil de ser marcado. Se seguir essa cartilha básica, é provável que o Atlanta Falcons pelo menos não seja ridicularizado, como o Pittsburgh Steelers foi, o que aumentará significativamente as chances de Atlanta vencer seu primeiro Super Bowl.

Palpite: 33×27, em um jogo em que o Falcons abrirá uma boa vantagem no primeiro tempo, mas permitirá uma reação no segundo. Haverá um pouco de emoção no final, mas a vantagem de seis pontos será mantida e Matt Ryan ajoelhará para a glória.

Kyle Shanahan e Matt Ryan (ou porque devemos levar o Falcons a sério)

Do quarteto que chega às finais de conferência de 2017, você certamente já ouviu falar muito sobre Tom Brady, seu retorno após suspensão e como ele fica melhor com o passar do tempo; do assustador trio BBB do ataque de Pittsburgh e dos milagres de Aaron Rodgers. Já a opinião sobre o quarto time deste seleto grupo, antes da temporada iniciar, estava restrita a um “vai cumprir tabela e ser interessante para o fantasy”, afinal o potencial desse ataque para produzir era claro – mas obviamente não esperávamos nada além disso, especialmente porque se acreditava que a mediocridade tomaria conta de Matt Ryan: hoje, um QB que passa para 4000 jardas e 25 TDs em 16 partidas é considerado normal? Sam Bradford conseguiu praticamente a mesma coisa! E, bem, também se esperava que a defesa de Atlanta fosse perder muitos jogos.

Tínhamos em Atlanta os Bengals da NFC (perdão, amigos!); era o time menos atrativo da sua divisão, já que o Saints e Brees PRECISAM ALGUM DIA conseguir não perder para a própria defesa; o Panthers vinha de um Super Bowl com o atual MVP da liga e Tampa Bay era uma equipe em franco crescimento e que deve incomodar mais ainda nos próximos anos.

Mas obviamente nos enganamos. Nada fora do padrão Pick Six – e aqui já adiantamos que ninguém será demitido por isso.

A defesa de Dan Quinn

Há muitos anos o elo fraco da equipe é seu sistema defensivo, tanto que, em 2015, a equipe contratou o DC da mítica defesa de Seattle para tentar consertar seu caos particular. O 8-8 da temporada passada mesmo com Devonta Freeman e Julio Jones inspiradíssimos rodada após rodada, contando também com o líder de sacks do time, Vic Beasley, conseguindo quatro na temporada toda, mostra que o processo não ocorreu tão rapidamente quanto se gostaria. E logo no primeiro jogo de 2016 o time sofreu 31 pontos dos Buccaneers, então a certeza era de que a sina continuaria.

Já quando o time chegou à semana 11 cedendo menos de 20 pontos somente uma vez (para Trevor Siemian!) e mais de 30 em metade dos jogos, parecia questão de tempo até que os velhos hábitos voltassem e o Falcons acabasse inevitavelmente fora dos playoffs com um ataque espetacular. Mas os ajustes aconteceram. Os turnovers (por exemplo, Beasley e o rookie S Keanu Neal são números 1 e 2 em fumbles forçados com 6 e 5 respectivamente) só aumentavam as chances de um ataque que marca pontos em mais da metade das suas posses de bola (obviamente líder da NFL no quesito). O sinal da evolução, porém, só ficou claro logo após a bye week: nas 7 vitórias que teve desde o descanso, o Falcons cedeu mais de 20 pontos somente uma vez. Contra New Orleans, claro, em nome da tradição.

E se Matt Ryan é o MVP da NFL e quem está carregando esse time nas costas, lembre-se que Atlanta também tem seu próprio projeto de Von Miller: o já citado Vic Beasley, aquele que liderou o time em 2015 com quatro sacks, repetindo o feito esse ano com incríveis 15.5, dessa vez liderando também a NFL, deixando para trás outros nomes muito mais famosos.

Foto artística.

Válido também acentuar outro grande responsável por essa ascensão, o veterano dos spin moves que chegou esse ano para provavelmente encerrar a carreira em Atlanta: Dwight Freeney tomou o jovem para ensiná-lo de perto desde a pré-temporada e demonstrou orgulho do seu pupilo, o considerando defensor do ano: “Agora mesmo, acho que nossa defesa está jogando melhor que a dos Broncos. Acho que isso diz muito sobre o que Vic tem feito. E acho que seria incrível que seu nome fosse mencionado”, disse Dwight.

Um trio ou quarteto ou quinteto ou… um conjunto!

Todos esperavam uma temporada decente de Ryan, do nível que ele é acostumado a proporcionar ano após ano – em comparação a negações que temos por aí, Ryan sempre mostrou “bons” resultados, mas nunca suficientes para enfrentar a elite de QBs da liga e carregar uma defesa sofrível.

Mas desta vez ele veio provar que estávamos enganados. Obviamente, como diria gente velha, “uma andorinha sozinha não faz verão” – e, curiosamente, o paralelo com Cincinnati, especialmente o do ano passado, na melhor temporada da vida de Dalton (atenção aos parênteses), fica assustadoramente claro; como ponto positivo, aqui se nota a diferença que Matt Ryan faz em relação a Andy Dalton, produzindo bem mais e não pipocando, contra um sempre bom time dos Seahawks.

Mas como elenco de apoio, para a sorte dos Falcons, há talentos genuínos, e não simplesmente fabricados por um QB mágico: Julio Jones (AJ Green) e suas 1409 jardas recebidas, independente de quanto marcado esteja; Devonta Freeman (Giovani Bernard) e sua capacidade de achar 1541 jardas totais, além de 13 TDs só no rebolado; Tevin Coleman (Jeremy Hill) atropelando defesas para complementar o jogo corrido; além de Mohamed Sanu e Taylor Gabriel, complementando o rolê fazendo os alvos de segurança. Somado a isso, todos estes jogadores conseguiram manter-se saudáveis: a linha ofensiva é uma das únicas que repetiu a mesma formação em todas as partidas da temporada, garantindo estabilidade e entrosamento.

E assim, graças a todo um grande conjunto, Matt Ryan produziu sua grande temporada – ainda que, por comparação, percebemos que ele poderia ter simplesmente atrapalhado. Mas assim como Dalton teve em seu tempo o auxílio de Hue Jackson, Matt Ryan também tem uma grande cabeça ao seu lado.

Sangue no zóio.

O verdadeiro MVP

Confesso que existia vontade de questionar seriamente o título que Ryan inevitavelmente ganhará no sábado de Super Bowl, falando em Tom Brady (que, de qualquer forma, já ganhou tantas vezes que é quase um hors concours) ou em como Derek Carr tinha um time inferior ao seu redor e mesmo assim foi mais divertido. Mas o grande mestre que poderia (deveria) tirar o título de Ryan não compete com ele; na verdade é talvez o grande responsável pela inevitável coroação de Matt: Kyle Shanahan – enquanto digitamos estas linhas, ainda OC dos Falcons, mas provavelmente em um futuro não muito distante HC dos 49ers.

Filho do lendário Mike Shanahan (head coach dos Broncos de John Elway bicampeões do Super Bowl), Kyle chegou à liga com aquela ajuda do papai, alguma indicação aqui e ali, tornou-se o coordenador ofensivo mais jovem da história da NFL, mas manteve-se nela porque realmente entende os “X’s and O’s” do esporte, como ele mesmo gosta de dizer.

Um nerd assumido, Kyle teve problemas até para fazer seus próprios jogadores compreenderem os conceitos de seu ataque. “No primeiro ano ele quis fazer tudo do jeito dele e tivemos problema em entender que tínhamos os mesmos objetivos”, comentou Julio Jones, que ainda assim recebeu para 1871 jardas em 2015. Entretanto, o time também foi o que mais cometeu turnovers na redzone na temporada passada, fazendo com que mesmo sendo o sétimo em número de jardas, algo habitual na carreira de Shanahan, que coordenou um ataque top10 em jardas sempre que teve um QB minimamente capaz, fosse apenas o 21º ataque em número de pontos.

Já em 2016 o time claramente entendeu a proposta de Shanahan, finalmente transformando jardas em pontos e vitórias. “Ele entende como colocar-nos em posições para fazer o que fazemos melhor. Ele entende o que todos fazem e o que ele quer que eles façam nesse ataque. E nós também”, disse o WR Aldrick Robinson.

O Ludacris torce para o Falcons?

E basta observar alguns lances de Ryan e compará-los com outros QBs para entender o poder que Shanahan tem nesse ataque. É tudo tão bem desenhado que, desde que todos executem suas funções estabelecidas e as leituras sejam bem-feitas (SEMPRE TEM ALGUÉM LIVRE), a defesa não terá opção senão tentar minimizar danos, seja no jogo aéreo das mãos de Ryan, seja no jogo corrido com a dupla Coleman-Freeman.

Sem mágicas, sem jogadas criadas no calor da partida; o verdadeiro MVP dos Falcons é um gênio que tem tudo desenhado antes da jogada acontecer. Mesmo que ele não esteja tão certo disso: “Minha esposa, Mandy, seria a primeira a dizer que eu não sou tão inteligente assim. Ela te contaria quantas vezes não consigo encontrar as chaves do carro. Ou seja, se eu não servisse para o football, estaria em grandes problemas”.

Fantasy Week #15 – Chegamos à semifinal, não corra mais riscos

Semana de semifinais do fantasy, e nós aqui ainda dando pitaco.

QB Ups!

Matt Ryan, ATL vs SF: Ryan é o Segundo melhor QB em fantasy points e QB rating em 2016. Nessa semana joga em casa contra o fraco 49ers, jogo em que precisa ganhar para manter o Falcons na liderança da divisão Sul da NFC.

Philip Rivers, SD vs. OAK: Após um excelente início de temporada, Rivers decaiu. Mas nesse jogo ele deve produzir bem novamente, já que enfrenta uma equipe do Raiders que é muito forte, mas que cede muitos pontos no jogo aéreo.

Kirk Cousins, WAS vs. CAR: You like that! Cousins, pra quem não sabe, está no top 5 dos QBs esse ano. Sua boa forma deve continuar nesse jogo contra os Panthers, que sem Luke Kuechly terão dificuldades em parar o ataque dos Redskins.

QB Busts!

Andrew Luck, IND @ MIN: Luck não vem fazendo uma temporada excelente, mas tem, claro, feito bons jogos em certas ocasiões. Acredito que nesse final de semana, contra os Vikings, Luck não pontuará bem. O matchup é difícil e o ataque dos Colts ainda não inspira confiança.

Marcus Mariota, TEN @ KC: Jogar em KC nunca é fácil, ainda mais quando os Chiefs estão com um time bom. Mariota vai ter trabalho se quiser sair de lá com uma vitória, que, se alcançada, colocará o Titans definitivamente na briga por uma vaga nos playoffs.

Matthew Stafford, DET @ NYG: A defesa dos Giants tem se mostrado uma das melhores da liga, parando inclusive o forte ataque dos Cowboys na semana passada. Apesar de Stafford estar bem esse ano, não me passa confiança nesse duelo.

WR Ups!

Taylor Gabriel, ATL vs. SF: Com ou sem Julio Jones em campo, vale a pena escalar Gabriel nesse duelo. O ex jogador dos Browns tem feito boas partidas nas últimas semanas, já ganhando a confiança de seu QB.

Doug Baldwin, SEA vs. LA: Jogando em casa e num jogo teoricamente fácil, acredito que os Seahawks vão vencer os Rams pelo ar. Baldwin deve ser um dos beneficiados!

DeSean Jackson, WAS vs. CAR: DJax tem tudo pra fazer uma boa partida contra os Panthers. Como disse anteriormente, os Panthers tem lesões críticas em sua defesa, oq eu deve abrir oportunidades de conexões de várias jardas entre Cousins e Jackson.

"Agarra, tem problema não, viu"

Caso você já tenha esquecido quem é Julio Jones, o de branco.

WR Busts!

TY Hilton, IND @ MIN: Assim como Luck, Hilton deve ter dificuldades em produzir contra uma das melhores defesas da liga. Não se engane, será um jogo muito complicado.

Amari Cooper, OAK @ SD: Cooper tem sido um jogador inconsistente em 2016. Nessa semana deve ter dificuldades no duelo de divisão contra os Chargers, que são uma das defesas que menos cedem pontos a WR na liga.

Emmanuel Sanders, DEN vs. NE: Sanders é o melhor WR dos Broncos, em se tratando de fantasy points em 2016. Mesmo assim ele terá um jogo muito difícil contra os Patriots no domingo. Cuidado.

RB Ups!

LeSean McCoy, BUF vs. CLE: McCoy, um dos mais consistentes RBs da NFL, deve produzir muito bem neste jogo contra os Browns, já que eles são a segunda pior defesa contra RBs.

Latavius Murray, OAK @ SD: Murray tem jogado muito bem, inclusive está posicionado no top 10 os RBs desse ano. Deve ter nova boa performance contra os Chargers, jogando em SD.

Devonta Freeman, ATL vs. SF: Freeman deve pontuar muito bem nesta partida contra os Niners, em casa. Os Falcons estão com um ataque explosivo e não devem faltar oportunidades de pontuar.

RB Busts!

Todd Gurley, LA @ SEA: Se você foi um dos que draftou Gurley esse ano, parabéns! Esse será apenas mais um jogo que ele será um bust!

Frank Gore, IND @ MIN: Gore, por incrível que pareça, é um dos melhores RBs do fantasy em 2016 (12º em fantasy points). Mesmo assim, deve ter dificuldades contra os Vikings, em Minnesota.

Mark Ingram, NO @ ARI: Os Cardinals ainda tem chance de irem aos playoffs, mas pra isso vão precisar parar o forte ataque dos Saints. Isso deve prejudicar Ingram, já que a defesa dos Cardinals é a segunda melhor contra RBs.

TE Ups!

Greg Olsen, CAR @ WAS: Olsen, que tem feito partidas muito ruins nos últimos jogos, deve reencontrar a boa forma nessa semana contra os Redskins. Eles são uma das piores defesas contra TEs da liga.

Cameron Brate, TB @ DAL: Esse jogão, que tem implicações diretas em playoffs, deve ter diversos destaques. Um deles deve ser Brate, TE dos Bucs que tem cada vez mais ganho a confiança de Winston, especialmente na redzone.

TE Busts!

Delaine Walker, TEN @ KC: Difícil deixar Walker no banco, mas saiba que ele enfrenta uma das melhores defesas da liga, ainda mais quando o assunto é parar TEs.

CJ Fiedorowicz, HOU vs. JAX: O matchup até parece tentador, pois os Jaguars são os Jaguars. Mas mesmo assim, não dá pra confiar em alguém que tem Osweiler como QB (que o diga DeAndre Hopkins).

K Ups!

Matt Prater, DET @ NYG: Parter vem fazendo uma boa temporada, e enfrenta os Giants, que são uma das piores defesas contra kickers. Isso se deve ao fato de eles pararem muitos ataques na redzone, facilitando os chutes de FG.

Nick Novak, HOU vs. JAX: Os Jaguars são a pior defesa contra kickers da liga. Nem imagino o porquê…

E aquela foto antiga de kicker bonito…

K Busts!

Justin Tucker, BAL vs. PHI: Na semana passada o mitou acabou tendo um FG bloqueado. Nessa semana enfrenta os Eagles, na Filadélfia, e com provável clima de chuva. Jogo difícil.

Caleb Sturgis, PHI @ BAL: Mesmo problema de Tucker, com o adendo de que Sturgis não é mito.

DEF Ups!

MIA @ NYJ: Miami deve ser bastante beneficiada neste jogo de sábado, já que enfrenta os Jets, um dos piores ataques da NFL e máquina de pontos para defesas adversárias.

ATL vs. SF: A defesa dos Falcons simplesmente mitou na semana passada. Nessa semana, pode repetir a dose enfrentando os Niners, em Atlanta.

DEF Busts!

DEN vs. NE: A defesa dos Broncos todos sabemos que é muito boa. Mas quando vão enfrentar Tom Brady, acaba sendo difícil de confiar. Evitem.

NYG vs. DET: A defesa dos Giants tem se portado muito bem. De qualquer forma, ainda acho arriscado escalar essa unidade contra os Lions, que tem obtido vitórias e muito sucesso ofensivo, especialmente no quarto período de seus jogos.

O caminho até aqui, parte 2: já chegamos à metade da temporada

E já chegamos à metade da temporada. Passando rápido, não é? E nunca parece que dá tempo de acompanhar tudo o que está acontecendo, nem como a divisão do outro lado do país, da outra conferência do seu time, está jogando. Mas para isso existe o resumão do PickSix: tentamos recuperar tudo o que está acontecendo de principal nesse grande circo que é a NFL.

Previsões infalíveis

Até agora, podemos garantir que os times que disse anteriormente que não iam aos playoffs realmente não foram (não importando o fato de que eles não chegaram ainda). Por isso, as apostas seguem, com os times adicionados em negrito. E, novamente, melhores justificativas no resumo por divisões.

Times garantidos: Patriots, Broncos, Raiders (AFC); Vikings, Cowboys, Seahawks (NFC).

Times fora: Browns, Colts, Dolphins, Jaguars, Ravens (AFC); 49ers, Bears, Lions, Bucs, Rams (NFC).

AFC South

Confesso que Andrew Luck, às vezes, me dá medo. Ele teria capacidade de levar um time mediano (como os Chargers, Lions ou Redskins) muito longe, como seu jogo contra os Titans prova. Entretanto, a exemplo daquele seu amigo ruim de bola que às vezes acerta um lance maravilhoso, de Indianapolis você pode esperar que a natureza (no caso, o resto do time montado por Ryan Grigson) cuida. Parecido com eles, temos os Jaguars, outra grande decepção da temporada, inclusive culminando com a demissão do guru que ia levar Bortles à elite, Greg Olson (sorte do time que contratá-lo para o ano que vem).

A disputa pela divisão não é entre times muito menos medíocres que os dois primeiros. De um lado temos um Houston que carrega Brock Osweiler (“praticamente um rookie”, diz o head coach) com a quinta melhor defesa da liga e usando Lamar Miller até o seu limite (finalmente alguém!), contra Tennessee que está no top 10 de jardas de ataque e de defesa, tem um ataque corrido potente com o retorno de DeMarco Murray a boa fase, mas que conta com um treinador medíocre que pode acabar sendo o diferencial para deixar o time como a eterna “potência para o ano que vem”.

AFC North

Cleveland é o primeiro time a ser totalmente eliminado das chances de playoffs esse ano e fortíssimo candidato a acabar 0-16. Como ponto interessante, é de se observar que apesar da fase horrível, metade das partidas foram perdidas por menos de um touchdown e que a defesa é, de longe, o problema do time – já que o ataque de Terrelle Pryor e companhia parece estar no caminho correto para receber um QB que lhe dê forma. Junto com eles na metade de baixo vêm os Ravens, que apesar de sofrerem menos de 20 pontos por partida, não conseguem produzir o suficiente com um ataque composto por Mike Wallace e Terrance West, além de ir acumulando lesões – se ajustando muito mais ao que esperávamos antes da temporada (como a derrota para o Jets sem QB indica).

Ainda na briga, temos os Bengals que conseguiram empatar em Londres – dando exatamente aos ingleses o que eles merecem: um time que não empolga nada e que no fundo torcemos para que finalmente fiquem fora dos playoffs um ano, para que quem sabe assim mudar algo para sair da rotina dos últimos anos. E por fim, como líder por exclusão, vem Pittsburgh, que sente falta de Big Ben e cuja defesa não consegue sustentar e vencer jogos com Landry Jones – sob o risco ainda pior de Roethlisberger querer acelerar a sua volta, piorar a lesão e enfiar toda a temporada no lixo.

FILE - This is a 2015 file photo showing Terrelle Pryor of the Cleveland Browns NFL football team. Terrelle Pryor may be down to his last chance to make Cleveland's roster. The former Raiders quarterback trying to switch to wide receiver and prolong his NFL career is expected to finally take the field in an exhibition game on Thursday night, Sept. 3, 2015, when the Browns visit the Chicago Bears. (AP Photo/File)

Por trás desse sorriso há um coração sofrendo.

AFC East

Rei dos power rankings, lorde das trevas, grande pedra no sapato do comissário, melhor time da NFL. Essa é a divisão do nosso querido New England Patriots, que dispensa mais comentários; pior, se Jamie Collins (provavelmente um dos 10 melhores linebackers da NFL) foi trocado por Bill Belichik para os Browns, por mais bizarro que isso seja, sabemos que as chances de descobrirem drogas em seu carro, ou que ele é um espião russo ou ainda um eleitor de Donald Trump, são maiores do que cogitar que os Patriots saiam perdendo nesse rolê.

Os outros três times não merecem muita menção. Os Dolphins vêm de uma bye depois de duas vitórias consecutivas e grande partidas de Jay Ajayi – nas quais não convenceram nada além de sua eterna razoável mediocridade. Buffalo, por outro lado, se prova absurdamente dependentes de McCoy, ainda que isso possa indicar que o time brigará por uma vaga de wildcard se o running back se mantiver saudável. Por último, o Jets é o time em que mais confio dessas três porcarias: o ataque pode voltar à velha forma e a sequência de jogos é benéfica. Olho nesses verdinhos.

AFC West

Depois dos Patriots, vem a divisão oeste. É basicamente a isso que se resume o bom da AFC: basta observar e, em uma suposta classificação de toda a conferência americana, as posições 2-4 seriam ocupadas por essa divisão. E por mais que me doa admitir, se tivesse Joey Bosa desde o começo, é provável que os Chargers fossem os quintos – o que é uma pena, especialmente para Philip Rivers. Na parte de cima, inclusive, outro QB se destaca: Derek Carr lidera o quinto melhor ataque da liga e sonha, graças a partidas como 513 jardas e 4 TDs contra os Bucs, com o título de MVP (tem 17 TDs totais para apenas 5 turnovers), especialmente porque compensa a segunda pior defesa (no caso, a pior defesa de jogadores profissionais).

Denver também, com sua defesa assustadora (26 sacks, 8,5 só por Von Miller) e Booker substituindo C.J. Anderson como se este nunca houvesse existido, é outro time que está praticamente garantido para brigar nos playoffs e se plantear como maior rival a New England (Trevor Siemian x Tom Brady? Queremos). Por último, o ignorado Kansas City Chiefs: calmamente, sem alardes, por pouco (14ª e 15ª posições) na parte de cima em número de jardas no ataque e na defesa, nem sequer sofreu riscos desde o massacre que lhes aplicou Pittsburgh e também deve levar Alex Smith a mais uma oportunidade de tentar algo nos playoffs. E perder logo na primeira rodada.

NFC North

Do ataque de Sam Bradford já sabíamos: tinha prazo de validade. Tanto foi que, após duas derrotas seguidas, Norv Turner, o coordenador ofensivo, decidiu que realmente não tinha solução e pediu o boné. Para piorar, a defesa tampouco está conseguindo manter o nível de outrora, especialmente contra Chicago e Jay Cutler – que deveriam ter servido de reabilitação, não criação de crise. Para piorar (para os Vikings, claro), Aaron Rodgers dá sinais de estar voltando ao normal (7 touchdowns nas últimas duas semanas) e de que por isso os Packers e sua defesa também top10 deverão brigar pelo título da divisão.

Azar, obviamente, de Lions e Bears. Os fãs dos ursos, especialmente, deveriam aproveitar e comemorar o título dos Cubs e esquecerem do football pelo menos por 2016: a vitória sobre os Vikings diz muito mais sobre tradição e problemas em Minnesota do que sobre uma reviravolta que esteja acontecendo em Chicago. Ao contrário deles, Detroit já até poderia ter um pouco mais de esperança: o segundo quarto de temporada tem feito bem a Matthew Stafford, a defesa de Teryl Austin cede muitas jardas, mas não tantos pontos e uma vitória (ainda que improvável) em Minneapolis poderia criar uma situação muito interessante na divisão norte.

12-13-2009---Chicago Bears host the Green Bay Packers---Bears quarterback Jay Cutler waits for a challange call regarding a possible Bears TD in the 2nd quarter--Sun-Times photo by Tom Cruze

“Te iludi? Porque eu já estou aceitando o fracasso.”

NFC South

O ataque de Atlanta é uma das coisas mais bonitas da NFL em 2016. Matt Ryan sonhando com o MVP (já percebeu como a lista de candidatos desse ano é meio merda? Ainda bem que Tom Brady vai acabar ganhando de novo), com seus coadjuvantes Julio Jones e a dupla de RBs chatos trabalhando bem para produzir mais de 420 jardas por jogo orquestrados por Kyle Shanahan, futuro head coach do seu time.

Porém seria uma pena se a defesa estivesse disposta a destruir tudo, como conseguiu contra os Chargers, por exemplo. Coincidentemente, o segundo melhor ataque é de Drew Brees, mas este é acompanhado de uma defesa ainda mais determinado em afundá-lo.

Na segunda metade, dois times sem grandes aspirações a não ser lutar por respeito. Jameis Winston conseguiu diminuir o número de interceptações nesse segundo quarto de temporada, mas junto com sua melhora, parece que a defesa dos Bucs piorou (que bela coleção de defesas tem a divisão sul da NFC!). E continuamos batendo na tecla de que quem tem Roberto Aguayo (7/12 chutes apenas)…

Enquanto isso, os Panthers seriam nossa escolha de time da parte de baixo da tabela para uma recuperação bonita e histórica, mas sonhar com playoffs com a schedule que vem por aí já parece ousado demais.

NFC East

Como acontece sempre, a costa leste (e Dallas?) da conferência gosta de criar boas histórias, especialmente porque os quatro times tem campanhas com mais vitórias que derrotas. Primeiramente, os Cowboys que têm a disputa mais interessante (já que sua posição como líderes da divisão parece que se manterá até o final): Dak Prescott, o rookie maravilha, contra o possível retorno do veterano Tony Romo – que, apostaria, nunca melhorará da lesão que lhe tirou de atividade.

Logo em seguida, temos outro rookie: Carson Wentz, que lidera os Eagles e flutua junto com o time, como corresponde a um novato, ainda assim se mantendo no páreo (e ganhando de times como o até então imbatível Minnesota Vikings).

New York é o Kansas City Chiefs da NFC. Silenciosamente, medianamente, ganhando os jogos que tem que ganhar, especialmente contando com seus (grandes) talentos individuais, está ali beliscando uma vaga nos playoffs, como a grande esperança de parar Bill Belichik no Super Bowl (LEMBRE-SE: você leu aqui primeiro). Por último, o time de Kirk Cousins – que, também como breaking news, certamente será um dos FAs mais disputados de 2017 e um dos mais novos ricos (de maneira discutivelmente merecida). Kirk, aliás, tem o terceiro melhor ataque da liga em número de jardas, mesmo que infelizmente não consiga as traduzir em pontos e vitórias, especialmente por causa dos turnovers.

NFC West

A divisão de Chandler Catanzaro e Steven Hauschka, o que já indica onde queremos chegar falando dela. Mas, para começar, vale lembrar que essa também é a divisão de San Francisco, que ao contrário dos Browns, não tem mostrado absolutamente nada de valor para se pensar em anos seguintes mais felizes que o atual, e de Jeff Fisher, que após um começo escandaloso, estabilizou e trouxe Los Angeles ao lugar que lhe corresponde enquanto ele for o treinador: a busca sagrada pelo 8-8 enquanto é liderado bravamente por um Case Keenum que sabe que Jared Goff tomará seu lugar (mais cedo que tarde, já que ele tem tido cada vez mais chances nos treinos).

A defesa dos Cardinals é a que menos cede jardas aos adversários, o ataque conta com o brilhante David Johnson, que será uma estrela em breve, mas o time tem uma campanha de 3-4-1 (o tal empate em 6-6 com Seattle, que poderia levá-los à uma briga séria por playoffs) e não parece que chegará a lugar nenhum. Assim, por eliminação, a defesa dos Seahawks e o sempre capaz, ainda que baleado, Russel Wilson deverão vencer a divisão por simples incompetência dos rivais – quer você goste ou não.

Análise Tática #4 – O melhor ataque da liga e um desastre chamado Mariota

Matt Ryan & Julio Jones

A vitória por 48 a 33 do Atlanta Falcons contra o Carolina Panthers foi marcada por duas performances histórias. O QB Matt Ryan e o WR Julio Jones quebraram os recordes da franquia de jardas passadas (503) e de jardas recebidas (300). Foi a primeira vez na história da NFL que um QB lançou mais de 500 jardas e que um WR recebeu pelo menos 300 jardas em um mesmo jogo. Julio ainda entrou para o livro de recordes da liga ao se tornar apenas o sexto WR a ter um jogo de 300 jardas.

A performance do ataque do Falcons foi espetacular, porém foi construída também devido à incapacidade da defesa do Carolina Panthers, que deixou de ser uma unidade sólida, fundamental para levar o time ao Super Bowl do ano passado, para se tornar o grande problema, especialmente contra o passe.

A seguir, analisaremos duas jogadas que evidenciam tanto os méritos do ataque dos Falcons quanto as dificuldades da defesa do Panthers.

Austin Hooper (QUEM?) completamente livre para o TD:

Apesar de ter lançado 300 jardas apenas para Julio Jones, Matt Ryan tem se mostrado extremamente confortável distribuindo a bola para os mais diversos alvos. Nessa jogada, por exemplo, foi o TE Austin Cooper (81) que ajudou a construir as histórias 503 jardas passadas de Ryan.

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O Falcons optou por um play action para o RB Devonta Freeman com Matt Ryan se deslocando em um rollout para o lado direito. Os LBs do Panthers (no círculo) morderam a isca e foram para a marcação do jogo corrido, o que foi chave para o sucesso da jogada.

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Além dos LBs não terem percebido que se tratava de play action, toda a secundária do Panthers se movimentou em direção ao lado direito do ataque para marcar os recebedores que tinham rotas cruzando o campo. Enquanto isso, não havia um jogador do Panthers a pelo menos 24,3 KM de Matt Ryan.

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O rookie TE Austin Hooper também ficou completamente sozinho para receber seu quarto passe na temporada e anotar o TD mais fácil que terá em sua carreira.

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Julio Jones, TD de 75 jardas, sem muito esforço:

Julio Jones atingiu a marca de 300 jardas recebidas no último quarto da partida, quando recebeu um passe de 75 jardas para o touchdown. Em formação em I, o Falcons novamente usou play action. E os LBs do Panthers novamente morderam a isca.

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Todos os LBs do Panthers estão próximos à linha de scrimmage para evitar o avanço terrestre. Isso deixou os dois WRs do Falcons em marcação individual, com apenas um safety em profundidade. Julio Jones, na parte de baixo da tela, tinha rota cruzando o campo.

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Quando recebeu o passe, Julio precisou apenas usar sua velocidade para bater o CB e se livrar do S, que estava muito distante para poder fazer algo.

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Um desastre chamado Marcus Mariota:

Marcus Mariota, QB segundo anista do Tennessee Titans, tem sido uma das grandes decepções da temporada. Mariota, que tinha mostrado flashes de brilhantismo antes de se machucar na temporada passada, não está conseguindo mostrar evolução em 2016: em quatro jogos foram apenas 4 TDs, 5 INT e um rating de 73,9, apenas o número 39 da liga.

Os péssimos números foram construídos em jogadas como a da imagem abaixo. Mariota fez play action para o RB Derrick Henry enquanto os dois recebedores tinham rotas comeback em profundidade. Henry também seria opção para o passe curto.

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Com a jogada em andamento, Mariota não tinha nenhum dos alvos livres e precisou correr para seu lado esquerdo para se livrar da pressão que vinha atrás.

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Em movimento, Mariota conseguiu encontrar o TE Delanie Walker, que conseguiu se livrar do marcador. Se tivesse optado por continuar correndo com a bola, teoricamente um de seus pontos fortes, o QB do Titans poderia ter conquistado por volta de 5 jardas.

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Como teve que lançar contra o movimento do corpo, o passe não foi na direção do recebedor.

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A jogada acabou em uma interceptação muito fácil do safety do Houston Texans.

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Não vamos a lugar nenhum (e não temos vergonha disso)

Por um breve espaço de tempo, aquele lapso entre nada e coisa alguma, o Atlanta Falcons foi o melhor time da NFL em 2015. Por um instante, Matt Ryan era o melhor QB da liga, Devonta Freeman conquistava corações órfãos e Julio Jones… Bem, Julio Jones sempre foi Julio Jones. Essa combinação explosiva rendeu vitórias contra Redskins, Giants, Eagles, Dallas e Houston. O Texans, aliás, levava 42-0 após três quartos. O futuro parecia brilhante e o céu (Super Bowl) era o limite!

A verdade, porém, é que ele foi cruel – não que nos importemos com o Falcons, sabemos que ninguém se importa com o Falcons. Como sentir alguma compaixão de um time que sai de um 5-0 para um 3-8, passando por uma sequência em que o único triunfo em oito partidas foi sob um Tennessee Titans que tinha Zach Mettenberg como quarterback titular? Nossos avós já nos avisaram que é feio bater em bêbado.

O fato é que, em um primeiro momento, o HC Dan Quinn fez tudo parecer fácil. Ele começou corrigindo minimamente a defesa, sua especialidade, até que nada mais deu certo. E se o início foi arrasador, no final ninguém se salvou. O próprio Matt Ryan, referência da equipe, parecia inerte e incapaz de reagir. Seus números finais ajudam a demonstrar a catástrofe: foram apenas 21 touchdowns, 16 interceptações e um rating de 89.

Mas enquanto QBs tradicionalmente são os maiores culpados por todo e qualquer fracasso, seria injusto dar a Ryan a maior carga deste fardo quando seu ataque teve 37 drops, a quarta maior marca da liga.

De qualquer forma, a pergunta que fica para esta temporada é até onde pode ir o Atlanta Falcons? Querendo ou não, ela está ligada a outra importante questão: até onde pode ir Matt Ryan?

[Spoiler I: nenhum deles irá a lugar nenhum]

Há luz no fim do túnel?

Dan Quinn foi contratado para dar um pouco de credibilidade aquela que até então era umas das piores defesas da NFL. Não podemos negar que houve uma certa evolução, mas a verdade é que o cenário anterior era tão deprimente que parar em pé já seria considerado positivo.

Mesmo assim, esse leve crescimento influenciou positivamente no ataque dos Falcons, já sob responsabilidade do coordenador ofensivo Kyle Shanahan. Shanahan começou o trabalho pela linha ofensiva, moldando-a à mesma forma que seu pai, Mike Shanahan, consagrou em Denver. O resultado foi um Falcons dominante pelo chão, liderados por um Devonta Freeman ensandecido (1056 jardas e 11 TDs) que provavelmente nunca mais veremos.

Os números citado acima, claro, estão inflados pelo começo arrasador, já que na reta final Freeman ganhou pouco mais de 3 jardas por tentativa. 2016 deve lhe render uma nova chance, ao menos no início da temporada porque, aos poucos, Tevin Coleman, em sua segunda temporada, deve ter mais oportunidades – sua média de 4,5 jardas por tentativa em 2015 reforça esta impressão, porém também é verdade que ele teve apenas duas recepções, número insignificante quando comparado a Devonta.

De qualquer forma, o grande reforço para a nova temporada também está nas trincheiras: qualquer RB agradeceria por ter o C Alex Mack a sua frente, abrindo espaços. E por isso Atlanta despejou um caminhão de dinheiro no ex-jogador do Browns.

“VOU PARA UM TIME DE VERDADE AGORA!!!” (inocente)

Talvez o túnel não tenha fim

Se Matt Ryan teve apenas quatro interceptações nos primeiros cinco jogos, depois a carroça desandou: foram 12 nas 11 partidas restantes. O Falcons ainda perdeu cinco partidas por 4 pontos ou menos e três delas (Saints, Bucs e Colts) acabaram em interceptações de Matt Ryan.

Há quem justifique o excesso de turnovers por um certo desconforto com o novo sistema implantado, mas, quando analisados as jogadas isoladamente, vemos que boa parte deles vieram de passes forçados ou decisões estúpidas.

Aqui, mesmo que sejamos um pouco condescendentes com Matt Ryan, começamos a perceber que no fundo Atlanta não tem acompanhado seu potencial ofensivo nos últimos anos; o jogo corrido se reencontrou apenas na última temporada, enquanto o jogo aéreo insiste em se resumir a um homem só. Julio Jones é um dos melhores WRs da NFL e inquestionavelmente o principal alvo de Ryan. Principal? Sejamos sinceros: hoje Jones é o único alvo de Ryan.

Em seus melhores momentos, assim como qualquer mortal, Ryan teve opções. Por um período de tempo, teve Tony Gonzalez ou ainda Roddy White – antes de se tornarem zumbis, claro.  E nenhum dos dois foi substituído à altura.

A esperança agora está no rookie Austin Hooper, que possui porte atlético, mas provavelmente não estará pronto para contribuir imediatamente (como a maioria dos WRs novatos). Por isso, é bem provável que Jones precise continuar fazendo tudo sozinho, já que para substituir o que restou de White, o Falcons trouxe Mohamed Sanu – mas seria melhor ter gasto menos dinheiro com os restos mortais de Roddy do que com Sanu.

Bom, vamos parar de falar de Mohamed Sanu, nos entristece lembrar que ele ganhará US$32 milhões enquanto estamos aqui cagando regra de graça.

Um túnel longo e escuro

Se há inúmeros problemas no ataque, não há nada comparado a esta defesa. Mas vamos começar pelo lado positivo [spoiler II: será um conversa curta]: há um ótimo cornerback em Robert Alford e Desmond Trufant é mais do que isso, se solidificando cada dia como um dos melhores da posição – ele permitiu uma porcentagem de conclusão inferior a 60% pelo terceiro ano consecutivo. Também é preciso ressaltar que a bola foi lançada sob sua cobertura apenas 56 vezes, contra uma média superior a 90 lançamentos em suas duas primeiras temporadas; o que só prova como os coordenadores ofensivos o enxergam. E, bem, acabaram as boas notícias.

O restante é uma tristeza sem fim: a defesa contra o jogo corrido dependerá do velho Johnathan Babineaux pelo interior da linha defensiva e de dois rookies que ainda tem que se adaptar à velocidade da NFL em Deion Jones e De’Vondre Campbell, já que os velhos linebackers como Philip Wheeler e Sean Wheatherspoon não se mostraram capazes de cumprir bem os seus papéis.

Enquanto isso, para tentar colaborar com o trabalho de Trufant e Alford, Jalen Collins, escolha de segunda rodada em 2015, simplesmente fedeu em seu primeiro ano, enquanto Vic Beasley, escolha de primeira rodada no mesmo ano, ganhou o título de bust antes da metade da temporada. Como resultado, Atlanta conseguiu apenas 19 sacks em 2015. Para tentar melhorar o pass rush, que não funciona desde a saída de John Abraham, o Falcons ainda trouxe Courtney Upshaw (5 sacks… em 4 anos na liga) – para ajudar o Baltimore Ravens, obviamente, que se livrou desta desgraça.

Uma das melhores duplas de CBs da liga. Jogando sozinhos.

Uma das melhores duplas de CBs da liga. Jogando sozinhos.

Palpite: a grande e dura verdade é que NINGUÉM SE IMPORTA. O Falcons cumpriu sua missão na NFL quando deu Brett Favre para Green Bay. Poderia ter acabado ali e nos poupado de todo o resto – inclusive deste preview. Seis vitórias e fechem a franquia na temporada que vem; não queremos escrever sobre eles novamente.