Posts com a Tag : Marshawn Lynch

Entre 2014 e o futuro, 1998

Se você começou a assistir futebol americano este século (o que é muito provável, e também o nosso caso), dificilmente viu o Oakland Raiders com um desempenho satisfatório – pior: a franquia foi por muito tempo motivo de piada e, ao pensar em organizações avacalhadas, era o nome que vinha em mente junto com o Cleveland Browns.

Desde 2002, ano em que chegou ao Super Bowl, o Raiders acumulou campanhas que variavam entre o 4-12 e o 5-11, com um 2-14 e um 3-13 nesse meio. Pior do que esses records medonhos, era a inércia do time: mesmo com escolhas altas no Draft, Oakland não conseguia retomar os dias de sucesso do século XX.

Em 2014, porém, isso começou a mudar. Após ameaçar até mesmo terminar o ano 0-16, o Raiders começou a dar sinais de melhora. O time ainda não era bom, mas havia encontrado em Khalil Mack uma futura estrela e em Derek Carr um QB com capacidade de liderança e que parecia ser o cara para tirar a franquia do limbo.

LEIA TAMBÉM: Lynch, Oakland e o real significado de uma mudança para Las Vegas

2015 foi um ano de afirmação. Embora vejamos muitos exemplos de times que saem de campanhas catastróficas para os playoffs nos anos seguintes, o Raiders passou pelo processo de natural de maturação. O record final de 7-9 confirmava a boa impressão do ano anterior, e fez com que as expectativas para 2016 fossem pelo teto.

Dias de luta, dias de glória

A temporada regular de 2016 conseguiu superar essas expectativas. Se em setembro o torcedor esperava que a equipe brigaria pelos playoffs, em dezembro o sonho do Super Bowl tinha deixado de ser uma alucinação para se tornar uma possibilidade.

Amari Cooper e Michael Crabtree faziam provavelmente a melhor dupla de Wide Receivers da liga; Derek Carr despontava como candidato a MVP; Khalil Mack jogou como o Defensive Player of The Year; a linha ofensiva era, se não a melhor, a segunda melhor da liga e Jack del Rio aparecia como possível Coach of The Year.

Mais que amigos: friends.

Tudo isso durou até a semana 16, quando Derek Carr quebrou a perna no jogo contra o Indianapolis Colts. Por mais sólida que fosse a equipe, a perda de seu Quarterback acabou com qualquer chances do time de ir longe na pós-temporada (não vamos linkar a atuação de Connor Cook contra os Texans em respeito à saúde do amigo leitor).

Apesar do final ruim, o saldo de 2016 parecia extremamente positivo. Esperava-se que Oakland fosse uma força dentro da AFC pelos próximos anos.

Tudo que sobe, desce

Como você sabe (ou deveria saber), a realidade pode ser dura. Se o 7-9 de 2015 parecia promissor, o 6-10 de 2017 foi visto como catástrofe. Derek Carr, de contrato novo, começou a ser questionado; Crabtree, que acabou sendo cortado, e Cooper tiveram anos abaixo do esperado e Jack del Rio acabou demitido. Khalil Mack ainda foi bem, mas a defesa dos Raiders era tão eficaz quanto um cachorro correndo atrás do próprio rabo.

Além disso, se antes os jovens talentos eram motivo de esperança para a franquia, os jovens de agora não eram nem talentos nem davam esperanças. Amari Cooper foi a única boa escolha do Draft de 2015; nem mesmo a primeira escolha de 2016, Karl Joseph, passou muita confiança; e a classe de 2017 não teve um grande impacto positivo.

Draftar muito bem (Khalil Mack, Derek Carr e Gabe Jackson em 2014) lhe rende alguns anos de tranquilidade, mas, se o sucesso das seleções não se repetir com o tempo, os times acabam com alguns jogadores muito bons porém caros, mas muitos buracos no elenco. O Raiders sentiu isso na pele.

Apertando o reset  (ou o botão do pânico, vai de cada um)

Após a demissão (e até antes de acordo com algumas fontes) de Jack del Rio, Oakland foi atrás de Jon Gruden, o técnico que derrotou o próprio Raiders no Super Bowl da temporada 2002. Gruden, como você provavelmente já sabe, foi o comentarista dos Monday Night Football nos últimos 10 anos.

De volta.

A contratação divide opiniões. Se por um lado é um técnico vencedor do Super Bowl e que ajudou a montar o último time dos Raiders que chegou lá, por outro ele está há 10 anos afastado do cargo de Head Coach, e há quem afirme que ele nunca foi um grande técnico pra início de conversa.

A única certeza que temos é que Jon não vai ser só mais um entre os 32 treinadores da liga. Se vai dar certo ou errado, ele já mostrou que vai fazer as coisas do seu jeito, querendo jogar um futebol americano como o praticado em 1998. 

E não parece ser da boca pra fora, já que as contratações indicam isso: os Raiders foram atrás de jogadores que eram destaques das suas equipes, mas em 1998. São os casos de Jordy Nelson, Doug Martin e Breno Giacomini (sim, aquele. E sim, ainda existe).

VEJA TAMBÉM:  JJ Watt e Houston: o football é maior fora de campo

Além deles, Gruden buscou Ryan Switzer e Martavis Bryant via troca. Estes nem nascidos eram em 1998, mas estão longe de serem certezas na posição. Bryant pode inclusive perder a temporada toda por suspensão. Ainda estão estourando champanhe em Pittsburgh.

O draft também foi um pouco suspeito. As duas melhores escolhas, Arden Key e Maurice Hurst, estavam disponíveis no terceiro e no quinto round por um motivo, e é mais fácil achar um torcedor do Titans que um torcedor do Raiders satisfeito com Kolton Miller na #15. Por fim, Marquette King foi cortado e era tão bom que merecia seu próprio parágrafo. Como se trata de um punter, o parágrafo é curto. Sim, ele já acabou.

Os convocados de Felipão

Passear pelo Depth Chart dos Raiders é como visitar um museu. Para cada Amari Cooper, temos um Marshawn Lynch e um Donald Penn. Para cada Khalil Mack, temos um Leon Hall e um Reggie Nelson. O elenco de Oakland está repleto de nomes conhecidos, de forma que pode pegar o fã casual desprevenido.

Porém talvez a única certeza no time hoje seja Khalil Mack. Derek Carr precisa provar que merece o dinheiro que recebeu em 2017, e Amari Cooper precisa se recuperar do ano aquém que teve. A linha ofensiva, apesar de boa, está cada vez mais velha e pode não ter a mesma força dos últimos anos. Resta saber se Lynch ainda tem gasolina no tanque e se Jared Cook vai se consolidar como boa opção – se você realmente acredita nisso, sentimos muito.

A defesa, porém, dificilmente será pior que a de 2017. Espera-se uma colaboração maior dos jogadores selecionados no ano passado, especialmente de Gareon Conley, além da melhora de Bruce Irvin, que não foi tão bem pelas bandas da Califórnia. Por outro lado, Tahir Whitehead e Derrick Johnson chegam para ocupar o posto de LB mediano deixado por NaVorro Bowman já em fim de carreira.

Palpite

Derek Carr não é o Quarterback que muita gente imaginava, mas também não é o desastre que vimos em 2017. Suas atuações, porém, não serão o suficiente para salvar o time de uma campanha medíocre como a do ano passado. O elenco está mais velho e não terá muita renovação. E, em uma liga como a de hoje, em que Sean McVays e Doug Pedersons são reis, a visão de jogo de Jon Gruden tem tudo para dar errado. Sério, vai dar merda. Não espantaria se o time repetisse o 6-10 do ano passado, mas, enfim, caso chegue aos playoffs, não será um feito tão absurdo. A NFL, como sabemos, é uma caixinha de surpresas #analise #acertada.

Podcast #4 – uma coleção de asneiras IV

Discutimos as principais surpresas da NFL e, depois, com o objetivo de fazer ainda mais inimigos, apresentamos jogadores supervalorizados ao redor da liga.

Também apontamos nosso Super Bowl dos sonhos – sem essa de Patriots x Seahawks, ninguém aguenta mais. Por fim, como já é comum, sugerimos alguns jogos para o amigo leitor ficar de olho!

Participação especial: Vitor, do @tmwarning.

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor.

Em busca da redenção

Os Raiders terminaram a temporada passada com mais vitórias do que derrotas e retornaram a pós-temporada pela primeira vez desde 2002. Apesar disso, ela terminou de forma nada agradável, com um anunciado segundo divórcio com Oakland e um casamento com Las Vegas com data marcada – em um roteiro de traição digno das melhores (piores) novelas mexicanas.

Mas tudo começou a ruir quando Derek Carr fraturou sua perna direita em um lance sem nenhum sentido lógico, durante uma vitória por 33 a 25 contra o Colts na tarde anterior ao Natal. Depois, já sem Carr, Oakland foi destroçada por Denver (24-6), terminando a temporada regular 12-4, para depois ser derrotado por Houston por 27 a 14 no wild card em uma partida em que assistimos Connor Cook (cuzão) desfilar toda sua incompetência e ensinar ao HC Jack Del Rio uma importante lição: “Não perca seu quarterback”, declarou durante o último NFL Scouting Combine.

De qualquer forma, ao longo da temporada passada, abordamos a situação de Oakland diversas vezes no Pick Six; por um período extenso, a franquia foi uma grande confusão. Desde a perda do Super Bowl, passaram pelo Raiders nove treinadores e 18 QBs, até tudo mudar com a chegada de Del Rio e a consolidação de Carr. E, após o fim trágico para uma temporada mágica, houve ainda a chega de Marshawn Lynch, quase como uma resposta aos fãs após a confirmação da mudança para Las Vegas.

Incertezas

Obviamente, se espera que Derek Carr se recupere de sua lesão, mas mesmo assim o Raiders enfrentará muita incerteza naquela que será sua primeira temporada no Oakland Coliseum (aliás, nunca o nome de um estádio fez tanto sentido) enquanto a nova casa em Las Vegas é construída.

Em 2016, Oakland teve um dos melhores desempenhos em casa da NFL, mas agora sabemos como os torcedores irão responder após a “traição” (ou ao business, como você preferir): “Invariavelmente há o fato de que um determinado número de torcedores está desapontado até que chegará um ponto em que não apoiarão mais”, disse Jack.

Parabéns, é exatamente esse o tipo de pessoa que você quer irritar.

As boas notícias

Oakland teve um dos melhores sistemas ofensivos da NFL em 2016 e é bem provável que ele retorne ainda melhor. Com Carr saudável e o retorno de Lynch após um ano de férias (ou aposentadoria, como você preferir), não há motivos para duvidar disso: Lynch correu para mais de 9 mil jardas e 74 TDs em nove temporadas e tirou férias (ou se aposentou, como você preferir), após lutar contra lesões em 2015.

Porém é inegável que, saudável, é uma adição e tanto para um jogo que corrido que até então tinha Latavius Murray como seu principal nome; agora a combinação de Lynch com Jalen Richard e DeAndre Washington dá a Oakland três boas armas – consideremos ainda que o Raiders tem também o FB Jamize Olawale, com (algumas) boas corridas na temporada passada.

Este, claro, é o cenário ideal, mas é preciso ressaltar o que citamos anteriormente: a última vez que Lynch entrou em campo foi em 2015, quando correu para 417 jardas e três touchdowns em sete partidas (média inferior a quatro jardas por tentativa). O que Oakland precisa é uma versão 70% próxima do running back do Seattle Seahawks que teve quatro temporadas consecutivas com mais de 1000 jardas entre 2011 e 2014. Se isso acontecer, Derek Carr terá o campo ainda mais aberto, para encontrar seus alvos.

O preço que se paga

Antes da lesão, talvez por um delírio coletivo, Derek Carr era cogitado para o MVP – seus números eram dignos: 3937 jardas, 28 TDs e apenas seis interceptações. Seu rating anual, aliás, prova sua evolução: 76.6 em sua temporada como rookie, 91.1 no segundo ano e 96.7 no ano passado.

Tudo isto resultou em uma extensão contratual de cinco anos, o tornando o quarterback mais bem pago da NFL (ao menos por ora): US$ 125 milhões, 70 deles garantidos.

“RICO!!!”

Para justificar o valor pago, Carr terá como alvos Amari Cooper, quarta escolha geral do draft de 2015, um talento raro, embora não tenha dado o salto esperado em 2016. Michael Crabtree é a outra opção e se espera que continue sendo acionado na redzone: na temporada passada foram 8 TDs, boa parte deles no final das partidas.

Há, ainda, o TE Jared Cook; Cook sempre foi uma grande promessa, mas nunca entregou realmente aquilo que dele se esperava como profissional – o que pesa a seu favor é que, ao menos em Green Bay, ele teve alguns lampejos (méritos de Aaron Rodgers?), então ao menos há um resquício de esperança.

O quão longe se pode ir

Oakland tem um ataque intenso que certamente o levará aos playoffs, mas na verdade é seu sistema defensivo que nos mostrará o quão longe eles podem chegar em janeiro, por isso o Raiders focou em posições defensivas durante a free agency.

O LB Jelani Jenkins veio do Dolphins – em 2016 ele lutou contra uma lesão no joelho, mas tem apenas 25 anos e sua presença pode reforçar uma unidade historicamente pobre; em contrapartida, os Raiders perderam o LB Perry Riley. A linha defensiva também perdeu Dan Williams e Stacy McGee, mas trouxe o DT Eddie Vanderdoes, selecionado na terceira rodada do draft, mas visto como uma escolha de primeira até lesões invadirem sua carreira no college.

Por outro lado, há alguns pontos fortes no sistema defensivo de Oakland: Khalil Mack é um dos melhores defensores da NFL. Mack começou em 2016 em marcha lenta, com apenas um sack em seus cinco primeiros cinco jogos, mas mesmo assim terminou o ano com 11. Se você precisasse apostar em alguém para ter um 2017 excelente, poderia escolher Khalil sem medo – que deve ter grande ajuda de Bruce Irvin (7 sacks em seu primeiro ano em Oakland).

A secundária pode evoluir com a adição de Gareon Conley, escolha 24 do último draft – ele, porém, enfrenta sérias acusações de estar envolvido em um caso de estupro. Mas como sabemos que nossa querida NFL aparentemente não se importa com esta situações, é bem provável que ele esteja em um campo de football em setembro.

Palpite: Esse ataque é capaz de levar Oakland aos playoffs, assumindo que Carr permaneça saudável. Mas inegavelmente eles precisam evoluir defensivamente para chegar ao Super Bowl. De qualquer forma, cedo saberemos o destino do Raiders: eles têm uma das tabelas mais difíceis da NFL e serão testados logo de cara, com três jogos fora de casa (?) nas quatro primeiras semanas. Mais de 10 vitórias e o título da AFC West, de qualquer forma, é uma realidade palpável – tal qual uma decepção em janeiro.

Divagações de offseason: uma eterna luta contra o tédio

Ao traçar estas linhas, adianto: como é visível o grande interesse que a NBA parece ter tomado no Twitter (NBA!!! Estive até me preocupando com a saída de Ricky Rubio ou a chegada de Jimmy Butler em Minnesota), esse é provavelmente o mês mais tedioso de nossa amada liga.

Para nossa sorte, porém, dentro de poucas semanas devem começar os training camps e, com eles, o contrato de 7 bilhões ao longo de 18 anos de algum suposto astro do basquetebol (sério, os contratos da bola laranja são ridículos) será substituído na escala de relevância do noticiário esportivo pela lesão no dedão do pé do WR4 dos Jets – se Deus (Tebow) permitir.

E como tal, tentemos colocar nossas cabeças para trabalhar e comecemos com suposições. Nem que seja para aparecer logo no início da retrospectiva do ano que vem sobre “percebam como começamos o ano já falando merda”. Pensando nisso, apresentamos nove situações que deveriam acontecer em julho, mas provavelmente não passarão de mera ilusão até meados de setembro:

1 – Kyle Shanahan descolando uma troca por Kirk Cousins

Quem sabe se ele mandasse um 1st round top-10 protected para os Redskins, além de dois core players, Washington desistisse de tanta briga por um novo contrato que nunca acontecerá e aceitasse liberá-lo para o lugar em que Cousins finalmente será feliz. E, inevitavelmente, decepcionará devido à mediocridade que lhe cercará em San Francisco.

Na verdade, adoraríamos sugerir a troca de Philip Rivers ou Eli Manning – vem Davis Webb! – ou algum veteraníssimo, mas como esse é uma época de esperanças, não encontramos nenhuma situação em que poderíamos ser criativos o suficiente – mas imagina que doido Rivers no Broncos, hein?

2 – Alex Smith, Mike Glennon pro banco

Pensamos em adicionar Tom Savage à lista, mas até para essa dupla de medianos, comparar com Savage é muita humilhação – e talvez os Texans sejam sábios o suficiente para colocar o Tom ruim no banco em julho mesmo. Mas, sério: alguém tem alguma dúvida que, mais cedo ou mais tarde, Mahomes e Mitch serão os titulares de Chiefs e Bears?

Alex Smith teria que se transformar no Tom Brady do Oeste para evitar que o novo Brett Favre (a cada passe fué de Smith, Reid olhará para o banco e lembrará que Pat está ali, completamente cru, mas com o canhão que todos amam na liga) tome a sua posição mesmo com uma campanha vitoriosa.

“Alex Smith sentiu um desconforto na alma, precisa meditar e, portanto, vai ficar fora tempo suficiente para Mahomes assumir”, será a manchete que encontraremos.

O veterano tem ainda menos esperança no duelo Mike x Mitch. Entretanto, é válido lembrar: o último time que apostou pesado duplamente em QBs (os Redskins, em 2012, draftando Cousins no quarto round ao invés de apostar em alguma outra posição em que poderia encontrar um titular) acabou se dando bem justo com a opção “secundária”.

Passa credibilidade?

3 – Algum RB admitindo que não correrá para mais de mil jardas na temporada

“É, sabe como é, na verdade estaremos em um grande comitê, vou dividir carregadas com outros dois jogadores medianos como eu e, no final das contas, não vou produzir o suficiente para ser draftado com qualquer das suas três primeiras escolha no fantasy.”

Era só o que queríamos ouvir: um pouco de realidade para variar e poder, assim, evitar as dicas do Michael Fabiano. É claro que em uma época do ano em que todos os times esperam vencer todas as  partidas (menos os Jets, na AFC, e os Rams, na NFC), talvez esperar ouvir verdades de jogadores do grupo de Adrian Peterson e Marshawn Lynch seja excesso de esperança.

4 – Pete Carroll admitindo que tentará matar Russel Wilson

A ideia era começar o tópico listando os titulares possíveis. A verdade: é impossível adivinhar quem serão. Luke Joeckel (daquele maravilhoso draft de 2013) e Ethan Pocic (rookie) são nomes reconhecíveis, mas tampouco passam segurança.

Senhoras e senhores, a OL dos Seahawks. Além disso, Carroll se diz “animado com a evolução da linha”, que cedeu 42 sacks em um jogador liso como Russell Wilson, que também acabou sofrendo com lesões em 2016. Também, com o novo contrato do QB, a janela para a incrível Legion of Boom está se fechando: Kam Chancellor, por exemplo, tem seu contrato acabando esse ano e Michael Bennett e Cliff Avril não estão ficando mais novos.

Se o responsável por manter os bons resultados em Seattle será o marido da Ciara (e seus US$ 20 milhões anuais), é bom que seu head coach e o grande “especialista em linha ofensiva” Tom Cable parem de tentar assassiná-lo.

“Vou te matar”

5 – Jogador reconhecendo que não está totalmente saudável ou em plena forma física

Acontece todo ano. Todo mundo chega das férias voando, melhor forma da carreira e blablabla independente de raça, posição ou idade. Chega o final de setembro, o mesmo craque sente o quadril, o tornozelo, o joelho e admite que “não era bem assim”.

Um belo exemplo, como torcedor dos Vikings, será observar o retorno de Teddy Bridgewater. Por mais emocionante que seja, uma lesão que levaria dois anos para uma boa recuperação está se tornando uma lesão que permitirá que ele volte para competir diretamente pela titularidade com Bradford. Atenção às mentiras: não é bem assim.

6 – Os Chargers encontrarem um estádio de verdade

Ataque gratuito: mas, sério, com um esporte que tem de média 60-70 mil espectadores tanto a nível profissional como a nível universitário, jogar em um estádio que não poderia receber uma final de Libertadores, é uma piada.

7 – Josh Gordon liberado

Maconha: essa droga que destrói famílias na liga e faz as pessoas sofrerem ao redor do mundo. De qualquer forma, especialmente com o aumento de estados americanos que permitem o uso da erva, é uma questão de tempo até que a NFL inevitavelmente supere suas regras de Arábia Saudita e permita que, ao menos, se teste os benefícios que ela pode ter para seus funcionários.

Enquanto isso, já passou da hora de perdermos talentos do nível de Gordon (87 catches, 1646 jardas em 2013 com Brian Hoyer ou algo equivalente) simplesmente por serem maconheiros. Legaliza, Goodell.

8 – Parar de ler esse tipo de texto quando bate a saudades e damos aquela passadinha no site da NFL

Sério? Calma, caras! E, pior, até faria sentido trabalhar com nomes do nível de Odell Beckham, que tem destruído a liga já há algumas temporadas. Mas colocar Carson Wentz como HOFer em potencial é apostar muito, mas muito alto; inclusive, apostamos que Schein não botou nem 10zão em Vegas esperando que Wentz chegue em Canton lá por 2040.

E para não dizer que batemos só em casos fáceis, Jameis Winston e Amari Cooper? Eles têm potencial, lógico, mas tanto quanto, sei lá, Jarvis Landry. Sério, uma média de 1 INT/jogo e ser o WR1a do WR1b Michael Crabtree não são exatamente o que esperamos ver como Hall of Famer em 20 anos.

Mal dá para esperar que cheguem finalmente aqueles reports maravilhosos de Training Camp sobre lesões irrelevantes ou pequenas cenas lamentáveis rapidamente solucionadas.

9 – Um QB machucado sendo substituído por ELE: Colin Kaepernick

Vocês sabiam, quando começaram a ler esse texto, que chegaríamos inevitavelmente aqui. Os mais desiludidos já dizem que Kaep jamais voltará a liga; a regra geral diz que é questão de tempo. Por exemplo, sabemos que, no caso de lesão de Flacco ou Wilson, John Harbaugh e Pete Carroll sabem onde encontrar um quarterback titular.

No resto da liga, será ao menos curioso ver o que acontece quando o inevitável fantasma das lesões atacar e deixar algum time pronto refém de Case Keenum ou Matt Cassel para chegar aos playoffs.

Como dissemos lá no início: talvez não aconteça em julho, mas setembro. E com ele nossa liga favorita, (ansiosos esperamos) sempre chega.

From Cleveland to Brazil: Joe Thomas speaks about the Browns future

It is hard to talk about everything that makes Joe Thomas so effective; he’s probably the quintessential offensive tackle: nobody in the NFL can use their hands better or has the same reaction power.

Joe’s individual accomplishments make us realize how good he really is. After all, since he entered the league in 2007, watching a Browns game was, for a long time, summed in watching the OT’s game: 160 games (he started all games since he was drafted) and 10 trips to the Pro Bowl.

On the other hand, Joe also saw 18 quarterbacks, 8 offensive coordinators and 6 head coaches passing through Cleveland in that span. All these changes led the Browns to just 48 wins, 10 of those in his first year as a player and, since then, just one season with more than 5 (7 in 2013).

The selection

Joe was drafted right after Calvin Johnson. Adrian Peterson came off the board four spots after the Wisconsin lineman. Patrick Willis, the linebacker who made history playing for the San Francisco 49ers and Marshawn Lynch, drafted by the Buffalo Bills, were picks 11 and 12 that year. Darrelle Revis was number 14 and the likes of Eric Weddle and Ryan Kalil were drafted only in the second round.

In my freshman year in college, coaches questioned me whether I’d like to participate in the Scouting Combine, to measure my status for the draft”, Joe remembers. “Until that day, I’d never really thought of reaching the NFL, even with a few more years with the Badgers ahead”.

Combine results showed he would be drafted in the beginning of the first round and amplified Joe’s perception: in that moment, he realized the NFL would become a reality. Years later, with the third pick, the Browns drafted Thomas. And, even if the Draft is generally an erroneous science, it is almost unquestionable that, among that years’ picks, Joe has built one of the most solid careers so far.

A nice guy!

A long winter

Thomas landed in Cleveland at the same time as the Cavs were flirting with the NBA Finals and the city was trying to purge its sports curses trough LeBron James, Akron’s prodigy son. “Definitely, there is a different buzz”, Thomas joked in a Grantland interview at the time. “But I know that even if the people are happy about having a great basketball team, deep down, Cleveland is still a football city”.

And even if neither the Cavaliers nor the Browns won titles in 2007, there was a clear excitement in Ohio; Browns won 10 games in Thomas’ rookie season. “You heard about Believeland. People used to hold posters in the stadium. It looked like it was coming back. But in the following year we had a bad season and since then we got into ‘reset mode’”.

The last “reset”

With each new quarterback and each new head coach, Joe realized this also meant two or three more years of rebuilding, and that pushed him away from his objectives: to make the Browns a winning team. After years in this process, projections are great now.

I think the Browns are gonna be much better this year. We’ve had a huge infusion of talent from free agency and more recently from the draft. I think Sashi Brown did an excellent job during the draft picking talented players while also adding picks in future years”, says Joe, who promises to be a mentor to the rookies. “My favorite thing to tell young players is: be on time, pay attention, and work hard. Those are three simple things but they are the keys to success in the NFL”.

Maybe for the first time, Thomas doesn’t hide his excitement: in his Twitter account, Joe affirmed that Myles Garrett, Jabrill Peppers and David Njoku will all be Hall of Famers. And if the future reserves better days to Cleveland, nothing is better than making the franchise global.

I’m really excited to be playing in London this upcoming season and hope the NFL will continue to expand in future years, including Brazil”, says. “I think this international expansion is one of the best things the NFL has done recently. It’s important for us to realize how many fans we have in other countries and how eager those fans are to be able to enjoy the fantastic NFL product in person”.

*Special thanks to @ShikSundar and @EulerBropleh for making this possible.

De Cleveland ao Brasil: Joe Thomas fala sobre o futuro do Browns

É difícil falar sobre tudo que torna Joe Thomas tão efetivo; ele é provavelmente um modelo perfeito do que é ser um offensive tackle: ninguém usa melhor as mãos, ninguém tem um poder reativo semelhante a ele na NFL atual.

E isolar os feitos individuais de Joe apenas faz com que vejamos o quão bom ele realmente é; desde sua estreia na liga em 2007, por muito tempo assistir a uma partida do Browns se resumiu a apreciar o jogo do OT: são 160 partidas (todas, desde sua seleção) e 10 idas ao Pro Bowl (todos).

Por outro lado, Joe também viu passarem por Cleveland 18 quarterbacks entre idas e vindas, oito coordenadores ofensivos e seis head coaches. Tudo isso resultou em apenas 48 vitórias, sendo que 10 delas logo no primeiro ano e, desde então, apenas uma temporada com mais de cinco (sete, em 2013).

A escolha

Joe foi selecionado logo após Calvin Johnson. Adrian Peterson veio quatro escolhas após o OT de Wisconsin. Já Patrick Willis, LB que fez história no San Francisco 49ers, e Marshawn Lynch, RB selecionado pelo Buffalo Bills, foram as escolhas 11 e 12 daquele ano. Darrele Revis foi o número 14 e gente como Eric Weedle e Ryan Kalil só saíram na segunda rodada.

Em meu primeiro ano no college, os treinadores questionaram se eu queria me inscrever na avaliação dos scouts, para ter uma noção de meu status para o draft”, relembra. “Até aquele dia, realmente nunca havia pensado em chegar a NFL, mesmo com vários anos de Badgers pela frente”.

O resultado dos scouts indicaram que ele sairia logo na primeira rodada e ampliaram a percepção de Joe: foi ali que ele percebeu que a NFL poderia se tornar uma realidade. Anos depois, na terceira escolha, o Browns selecionaria Thomas. E, mesmo que o draft seja uma ciência com mais erros do que acertos, é quase inquestionável afirmar que dentre os selecionados naquele ano, Joe construiu umas das carreiras mais sólidas até aqui.

Um cara legal!

Um longo inverno

Thomas chegou a Cleveland na mesma época em que o Cavs flertava com as finais da NBA e a cidade tentava expurgar suas maldições esportivas através de LeBron James, o filho prodígio de Akron. “Definitivamente há um zumbido diferente”, brincara Thomas em entrevista ao Grantland na época. “Mas sei que mesmo que as pessoas estejam felizes por ter uma ótima equipe de basquete, no fundo, Cleveland ainda é uma cidade sobre football”.

E mesmo que nem o Cavaliers, tampouco o Browns, tenham saído vencedores em 2007, havia uma nítida excitação em Ohio; Cleveland venceu 10 partidas no ano de estreia de Thomas. “Você ouvia sobre Believeland. As pessoas seguravam cartazes no estádio. Parecia que estava voltando. Mas no ano seguinte tivemos uma temporada ruim e desde então entramos em ‘modo reset’”.

O último “reset”

E a cada novo quarterback, a cada novo head coach, Joe percebia que isso também significava dois ou três anos de reconstrução, o que o afastava de seu objetivo: tornar o Browns um time vencedor. Após anos neste processo, as perspectivas são animadoras.

Os Browns vão ser muito melhores esse ano. Conseguimos bons talentos na free agency e mais recentemente no draft; Sashi Brown fez um trabalho excelente durante o draft, selecionando jogadores talentosos e ainda adicionando escolhas de draft para o futuro”, diz Joe, que promete ser um mentor para os rookies. “O que mais gosto de falar aos jovens jogadores é ‘seja pontual, preste atenção e trabalhe duro’. São três coisas simples, mas que são a chave para ter sucesso na NFL”.

Talvez pela primeira vez, ele não esconda a empolgação: em seu Twitter, já afirmou que Myles Garret, Jabrill Peppers e David Njoku irão todos para o Hall da Fama. E se o futuro reserva dias melhores para Cleveland, nada melhor do que tornar a franquia global.

Não vejo a hora de jogar em Londres esse ano e espero que a expansão continue no futuro, inclusive para o Brasil”, diz. “Essa internacionalização é uma das melhores coisas que a liga fez recentemente: é importante percebermos a quantidade enorme de fãs que temos em outros países e o quão ansiosos eles estão para curtir a NFL ao vivo”.

*Agradecemos aos amigos @ShikSundar e @EulerBropleh por tornar essa conversa possível.

Marshawn Lynch, Oakland e uma mudança para Las Vegas

Sobre o que realmente estamos falando quando dizemos que o Oakland Raiders, tradicional franquia californiana, está se mudando para a cidade de Las Vegas para aproveitar um “melhor mercado para a NFL”? A resposta é simples: falamos da realidade impiedosa dos números. E não nos referimos a números de vitórias, pontos por jogo e outras estatísticas caras ao football. Na maior parte das decisões da liga, números significam dinheiro, balanço de contas, venda de ingressos e merchandising.

De qualquer forma, o primeiro número que podemos considerar nessas contas da NFL é a população das cidades de Oakland, com aproximadamente 400 mil habitantes, e Las Vegas, já na casa dos 620 mil. A liga se baseia nesse argumento para dizer que a franquia se sustenta melhor em um mercado mais amplo de mídia (direitos de transmissão televisiva) e venda de ingressos, incluindo nesse caso a presença massiva de turistas na “capital do pecado”. Bem, esse argumento cai com um sopro quando pensamos que várias cidades de população menor que Oakland, como New Orleans, Minneapolis, Cleveland, Tampa, Pittsburgh, Cincinnati e Buffalo, possuem franquias da NFL e não circulam boatos relativos à mudança de endereço dessas equipes.

Talvez o número mais importante a ser considerado é 17.0%. Essa é a porcentagem de habitantes de Oakland abaixo da linha da pobreza, enquanto a mesma estatística em Las Vegas traz um índice inferior a 7%. Em resumo, Oakland não teve o dinheiro para manter seu popular time de football. Mas porque isso é um grande problema?

Senso de comunidade

A única pessoa a votar contra a mudança dos Raiders de cidade foi o proprietário do Miami Dolphins, Stephen Ross: “Minha posição hoje foi que nós, como donos e como uma liga, devemos aos fãs nossos esforços para fazermos tudo que pudermos para ficar nas comunidades que nos apoiaram, até todas nossas opções forem esgotadas“.

Como Ross disse, é uma questão de comunidade. A Raider Nation, torcida oficial do time, é uma tradição completamente embrenhada nas raízes das comunidades em Oakland – e foi a cidade e seu povo que emprestou ao time uma identidade imediatamente reconhecida em todo o planeta. Adotado como time oficial de uma cena de hip-hop de Compton, um dia centrada na N.W.A., cujo membro Ice Cube usava o boné com o escudo dos piratas do futebol americano com orgulho em todas as suas aparições, hoje centrada em Kendrick Lamar, os Raiders se tornaram parte da identidade das comunidades afro-americanas de baixa renda na Califórnia e além. E a recusa do time, motivado por dinheiro, a permanecer com seu público, é brutal.

Outro motivo apontado por muita boataria para a mudança de endereço dos Raiders é uma possível renovação nas políticas da NFL em relação às apostas e jogos de azar. Atualmente, jogadores da liga não podem nem mesmo visitar a cidade de Nevada por causa desses regulamentos estritos, e a cidade é vista como uma enorme distração para jovens com milhões de dólares no bolso e, claro, potenciais problemas com a lei. Mas se Roger Goodell está mirando o modelo britânico da Premier League, com apostas legalizadas, talvez esse seja o caminho que a liga esteja trilhando.

Terremotos em Oakland.

O bom filho a casa torna

A parte mais peculiar de toda essa história? Bem, os Raiders terão que permanecer dois anos, mesmo após o anúncio oficial da mudança, em sua cidade de origem. E para reverter esse caos de relações públicas, eles conseguiram uma peça importante para a narrativa do time: tiraram da aposentadoria um dos filhos mais célebres da cidade de Oakland, o running back Marshawn Lynch, ex-estudante do mesmo Colégio em Oakland que gerou Huey Newton, ícone do movimento negro pelos direitos civis nos EUA.

Já sobre Marshawn, uma de suas muitas histórias conhecidas, aconteceu na offseason de 2015. Durante um Youth Camp, Lynch correu ao lado de um jovem. “Essa interação de dois minutos pode mudar a vida dele”, disse Yossef Azim, oficial do departamento de Polícia de San Francisco, que levara ao camp três jovens, casos considerados graves de delinquência juvenil. Ali, na Oakland Tech High School, eles foram orientados por uma estrela da NFL.

“Marshawn está fazendo com que vejam a vida de uma nova perspectiva. Ele está realmente atingindo um grupo e os influenciando de uma maneira que ninguém mais poderia“, completou Yossef. Mais do que touchdowns ou nomeações ao Pro Bowl, Lynch estava construindo seu legado através de ações diárias na região de Oakland.

Há pouco mais de um ano, Lynch inaugurou sua loja na 811 Broadway, coração de Oakland. As sete pessoas que ali trabalham, estão ligadas a sua infância. As confecções são quase em sua exclusividade locais; Marshawn faz alguns projetos por conta própria, outros em parceria com o designer local Hingeto. Por todos estes fatores, o apelo populista dessa contratação é inegável, mas será suficiente para encobrir a traição inicial?

Vai dar boa.

Dentro de campo

Inegavelmente há certa melancolia ao redor de um retorno que, talvez, esteja acontecendo apenas para atenuar uma perda. Mas vamos levantar também outra questão: Lynch no Raiders pode ser muito, muito divertido.

Marshawn já é uma lenda nos arredores; há camisas penduradas por toda a costa. E, como já dissemos, ele sempre permaneceu ligado à comunidade. Agora, dentro das quatro linhas, o Raiders de 2017 contará com um ataque comandado por Derek Carr, um jovem e talentoso quarteback; Khalil Mack, um dos defensores mais dominantes da liga e, bem, a última temporada já nos prova que, sob o comando de Jack Del Rio, eles estão preparados para a grandeza.

Agora adicione Marshawn Lynch que, mesmo com 30 anos de idade e após um ano aposentado, ainda é um RB que impõe respeito: é uma aposta muito mais seguro que as que Saints e Broncos fizeram com Adrian Peterson e Jamaal Charles, por exemplo.

Mesmo assim, o Oakland Coliseum nunca teve um nome tão simbólico como em 2017. O que o fã verá lá é a luta de uma cidade contra sua desvalorização, de um fã contra o impulso de abandonar sua paixão, de um time que finalmente tem chances de trazer para seus torcedores um título, mas resolveu buscar novos ares. Verá o passado e o futuro da liga, dois gladiadores em campo em um embate que, invariavelmente, só acabará com a morte de um símbolo americano.

*Ana Clara torce para os Patriots, morreu no intervalo do último SB, mas passa bem.

A única OL no caminho da Legion of Boom é a de Seattle

E chegamos ao final dos previews dos times da NFL, assim como chegou ao fim da carreira do sempre polêmico, mas muito eficiente dentro de campo, running back Marshawn Lynch depois de uma temporada em que sofreu muito com lesões e atrapalhou a vida dos repórteres (alegrando a nossa) com seu tradicional “só estou aqui para não ser multado”.

De qualquer forma, mesmo perdendo um de seus melhores jogadores, não é como se o time de John Schneider e Pete Carroll parecesse sentir – sempre parece haver um substituto pronto, como vimos com Brandon Browner para Byron Maxwell para Jeremy Lane, ou com o surgimento de Thomas Rawls substituindo Lynch no ano passado. Ano vai, ano vem, e Seattle novamente parece presença certa nos playoffs e um candidato certo para o Super Bowl.

Obviamente não há uma razão clara apenas para o sucesso dos Seahawks, porque muitas coisas são muito bem-feitas: como o bom trabalho dos coordenadores de Carroll (mais raro nessa liga do que deveria) e a capacidade de encontrar novos jovens jogadores constantemente (terão 16 rookies no time em 2016). E a sorte é uma componente muito presente nesse sucesso também: desde ter encontrado um QB de elite, Russell Wilson, na terceira rodada do draft, que não se machuca nunca, até o erro de Blair Walsh no final do jogo de wildcard – que eu, como torcedor de Minnesota, não superarei tão cedo.

O resto é muito bom, mas a OL é um lixo

Antes de escrever sobre os Seahawks, consultei alguns amigos em busca de alguma história importante que eu tivesse deixado passar durante a pré-temporada, mas além de críticas gratuitas sobre Jimmy Graham (mais a seguir), a única grande impressão que deixaram é: a linha ofensiva que já era ruim conseguiu ficar pior (último lugar no ranking da PFF) com as saídas de Russell Okung (que apesar de ter perdido vários jogos por lesão, tem qualidade) e do já mediano J.R. Sweezy.

O melhor jogador da linha provavelmente é o razoável center Justin Britt, e daí é só ladeira abaixo. O guards serão o rookie German Ifeidi, escolhido no final da primeira rodada, terá sua oportunidade de provar seu valor junto com Mark Glowinski, escolhido no draft de 2015, mas que não jogou muito no ano passado. A situação dos tackles, por último, não dá qualquer esperança: afinal de contas, provavelmente só sabemos que Bradley Sowell e Garry Gilliam existem porque anunciamos já que eles matarão Russel Wilson.

Essa cena deverá ser mais comum essa temporada. E não por vontade de Wilson.

Essa cena deverá ser mais comum essa temporada. E não por vontade de Wilson.

Russel Wilson é a esperança

De qualquer forma, pelo menos na temporada regular contra defesas medianas ou não tão motivadas (difícil fazer os gordões darem o máximo de si o tempo inteiro, né), Wilson deverá ser o suficiente para livrar a cara dessa OL, porque além de realizar um bom trabalho dentro do pocket (mesmo que esse não deva se formar bem), ele trabalha muito bem com as pernas também, como mostram seu rating de 110.1 e suas 553 jardas corridas no ano passado.

Thomas Rawls e Christine Michael também parecem que conseguirão dar um jeito de trabalhar atrás dessa linha, se a preseason e o ano passado são alguma indicação. Rawls conseguiu uma média absurda de 5.6 jardas por corrida quando conseguiu tomar a posição de Lynch no time titular, enquanto Michael parece destinado a finalmente mostrar seu potencial de segunda rodada (depois de muitas idas e vindas nesses 4 anos de NFL), tendo uma média de 6 jardas por corrida nos jogos amistosos de começo de temporada.

Por último, os recebedores, apesar de não serem grandes nomes (a exceção de Jimmy Graham, que foi envolvido numa grande troca em 2015 e até agora só decepcionou entre lesões), são no mínimo extremamente sólidos. Doug Baldwin era um secundário de carreira até assustar a liga com 14 touchdowns no ano passado, enquanto também deveremos ter grandes jogadas de Jermaine Kearse e especialmente Tyler Lockett (664 jardas ano passado), agora em seu segundo ano, que foi o único rookie a ser nomeado All-Pro como retornador.

Legion of Boom versão 5.0

Já faz quatro anos que a defesa do Seattle Seahawks é a que menos sofre pontos na NFL e não há uma razão para acreditar que isso vá mudar, já que considerando que ano passado eles começaram muito mal, com um Kam Chancellor mal preparado por conta de brigas contratuais, e ainda assim deram a volta por cima e chegaram à média (à sua média, obviamente, acima de todos os outros times com seus 17.6 pontos cedidos por jogo – inclusive se lembramos que a defesa dos Broncos é teoricamente a melhor da liga e vencedora do Super Bowl).

Cliff Avril e Michael Bennett retornam à titularidade e assumem novamente a responsabilidade de ser os principais a chegar ao QB adversário, e deverão conseguir mais que os 19 sacks que produziram ano passado, o que só poderá melhorar o desempenho da defesa. Também contarão com a ajuda de Frank Clark para executar bem a sua tarefa, já que o jogador deverá seguir evoluindo em seu segundo ano, além do veterano Chris Clemons, que já teve grandes anos em Jacksonville, especialmente para substituírem a produção de Bruce Irvin, que partiu para Oakland.

O back seven, por último, deverá seguir sendo incrível e o principal responsável por acabar com a vida dos ataques adversários. Os linebackers KJ Wright e Bobby Wagner seguirão dominando todos os níveis de jogo, tornando impossível correr contra e lançar nas rotas curtas e intermediárias.

E tampouco é como se lançar as rotas longas vá ser fácil: Kam Chancellor estará de volta, dessa vez até fazendo uma aparição em dois jogos da pré-temporada, enquanto Earl Thomas seguirá sendo Earl Thomas e Richard Sherman seguirá bloqueando o seu lado do campo, como já é tradicional.

legionofboom

Mais um ano aguentando Richard Sherman e tendo que aplaudir sua arrogância, sim.

Palpite: 12-4 e fé para os playoffs. Entretanto, por mais que a boa campanha garanta a vantagem de jogar pelo menos um dos jogos ao lado da sua infernal torcida, ter problemas com a linha ofensiva é o tipo de coisa que acaba voltando quando a coisa fica séria contra defesas de alto nível e atrapalhando sua vida. É exatamente o que acabará acontecendo com Seattle e não será esse ano que voltarão ao Super Bowl.