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Os Jovens Titãs e seu novo líder

Vale recapitular a bela história de impossibilidade do ano passado. Semana 13, o time de Mike Mularkey chegava a um 8-4, empatado com os Jaguars, que chamavam muito mais atenção – sem muito alarde e brilho, parecia claro que Mariota e seus amigos chegariam pela primeira vez aos playoffs.

Entretanto, três derrotas seguidas (em que sequer conseguiu interceptar Gabbert, e depois se mostrou muito menor que Garoppolo e Goff) deixaram Jacksonville fora de alcance e a batata do treinador claramente assando – então todos já relembravam que Mularkey nunca foi tão bom assim.

Os Titans chegaram na última rodada com boas chances de se classificar: bastava vencer o Jaguars, carregados pela defesa e buscando embalar para a pós-temporada (já classificados) eliminando um rival de divisão (não que as rivalidades da AFC South, entre times que mal chegaram à maioridade, seja grande coisa): parecia a receita perfeita para derrubar um treinador na corda bamba.

Mas eles voltaram aos playoffs pela primeira vez desde 2008. Mesmo assim, todos sabiam que Mularkey era fraco e apenas chegar em janeiro não mudaria essa impressão. Além disso, os Titans enfrentariam uma equipe muito superior, os Chiefs, favoritos por 9 pontos e que abriram 18 ainda no primeiro tempo.

Parecia, óbvia e finalmente, o fim de Mularkey (sério: esse texto foi lançado no meio do jogo). Com direito a TD recebido de Marcus Mariota (antes de Nick Foles) lançado por ele mesmo, os Titans viraram e venceram a primeira partida na pós-temporada desde 2003.

No momento em que Mularkey parecia garantido por ao menos mais um ano – afinal, fora muito mais longe do que se esperava no início de 2017 e até ali nós, pessoas de bem, não podíamos resistir a sonhar com uma vitória sobre o Patriots.

Um 35-14 simples, entretanto, foi o suficiente para provar que a diretoria em Tennessee estava apenas esperando que o time entrasse de férias para se livrar de um Mike. Para seu lugar, trouxeram outro Mike, o Vrabel.

Fé no pai que agora vai.

Uma defesa de talento

Algo que sempre será questionado, até que um deles quebre a maldição, é se os treinadores da “árvore” de Bill Belichick são realmente bons, ou apenas tiveram a sorte de parecer úteis à sombra do mestre.

Com Mike Vrabel, o questionamento não será diferente: apesar de ter sido comprovadamente um grande líder nos tempos de jogador, com 14 temporadas e três Super Bowls conquistados, amado e elogiado por muitos, seus resultados como treinador se limitam a ter lidado com grandes LBs nos Texans (que já eram talentosos, como Clowney, Cushing ou Mercilus) e, em seguida, ter liderado a pior defesa (em número de pontos cedidos) em Houston em 2017.

A sorte de Vrabel é que ele continuará trabalhando com jogadores talentosos do lado defensivo. Os craques são o All-Pro Safety Kevin Byard, que produziu incríveis oito interceptações em 2017, e o Pro Bowler DL Jurrell Casey, ambos jogadores que não tem na mídia espaço equivalente ao seu talento.

E Kevin Byard não está sozinho na secundária, que mesmo assim esteve na parte de baixo das jardas aéreas cedidas: o CB recém-contratado Malcolm Butler e o já estabelecido Logan Ryan, bicampeões do Super Bowl por New England, devem ser titulares, enquanto os jovens LeShaun Sims e Adoree Jackson brigam pela terceira posição enquanto não desbancam Ryan (vai acontecer).

O time ainda terá uma disputa interessante entre Kendrick Lewis e Kenny Vaccaro para complementar a dupla de Safeties, jogadores que já mostraram talento, mas ainda não conseguiram se firmar.

O front seven também apresenta novidades. Rashaan Evans tem tudo para seguir uma longa tradição de grandes ILBs de Alabama na NFL, desde que a lesão misteriosa (Mike Vrabel não discute lesões na pré-temporada) sofrida no training camp seja apenas algo leve.

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Por outro lado, Harold Landry foi selecionado para colaborar com a rotação e melhorar os números dos pass rushers com Brian Orakpo e Derrick Morgan, que produziram apenas 14.5 sacks em 2017 – número insuficiente, que reflete diretamente na secundária. Por último, a linha adicionou 143kg de puro Bennie Logan para substituir o decepcionante Sylvester Williams, que durou apenas um de seus três anos de contrato.

Ataque também conta com nova liderança

Talvez a contratação mais interessante do time de treinadores dos Titans não seja Mike Vrabel. Como o head coach vem de uma carreira inteira dedicada à defesa, é natural que ele tenha mais conhecimento e uma vontade maior de lidar com esse setor do time – o que abre espaço para um líder do ataque (pense em Kyle Shanahan/Dan Quinn e Pat Shurmur/Mike Zimmer).

O nome desse cidadão é Matt LaFleur, que sai da sombra de Sean McVay em Los Angeles, tendo trabalhado também nos Redskins de RG3 e Cousins e com Kyle Shanahan nos Falcons.

Seu desafio é fazer com Mariota o que fez com Jared Goff – podendo trabalhar as devidas proporções, claro. Por um lado, os Rams contavam com WRs de verdade e Sean McVay para dar apoio; por outro, Mariota tem alguma experiência e já fez boas apresentações, demonstrando mais talento do que Goff havia demonstrado antes de LaFleur.

Além disso, Jared nunca lançou um passe para ele mesmo nos playoffs (na realidade, Mariota é o único a realizar o feito). De qualquer forma, se o efeito LaFleur for qualquer coisa próxima da evolução de 6 TDs em 7 jogos para 28 TDs em 15 pela qual passou Goff, Mariota (que produziu 28 TDs e apenas 9 turnovers em 2016) deverá ser brilhante em 2018.

É válido relembrar a temporada de 2016 porque lá Mariota também não tinha grande alvos: pelo terceiro ano consecutivo, Delanie Walker e Rishard Matthews (quase 200 bolas lançadas na direção de cada um nos últimos dois anos, enquanto Demarco Murray, já fora do time, vem em um distante terceiro lugar com 114) são as opções mais sólidas.

A grande expectativa para melhorar as opções do jovem QB fica por um grande ano de Corey Davis, 5ª escolha do draft de 2017 que teve problemas com lesões durante a temporada passada, mas recebeu seus dois primeiros TDs na NFL no último jogo da temporada, contra os Patriots. Corey tem a obrigação de se colocar como WR1 de Mariota para não ser considerado um bust.

Se os recebedores não empolgam, a dupla de backfield, porém, conseguiu ficar ainda mais interessante. Derrick Henry recebe finalmente o título de carregador de piano e segundo jogador mais importante desse ataque com a saída já mencionada do (surpreendentemente) velho Demarco – menos de 300 tentativas e 10 TDs para ele, aproveitando um novo estilo de chamadas de ataque, buscando abrir espaços para Mariota brincar.

Para complementá-lo, os Titans trouxeram o baixinho Dion Lewis, que esteve presente nos 16 jogos da temporada pela primeira vez em 2018 e, mesmo entre os 15 RBs que os Patriots costumam utilizar, produziu incríveis 896 jardas. Uma excelente dupla para fazer companhia ao quarterback atrás da linha.

Nunca falamos o suficiente da linha ofensiva

Aqui importante dar destaque para o trabalho que Tennessee está fazendo: o LT Taylor Lewan, que foi ao Pro Bowl nas últimas duas temporadas, recebeu um novo contrato valendo 80M durante a pré-temporada. O RG Josh Kline foi outro que renovou com a equipe (26M, 4 anos) e o C Ben Jones é uma âncora sólida.

O RT Jack Conklin (All-Pro em 2016, quando rookie) infelizmente sofreu uma lesão no joelho contra os Patriots nos playoffs, mas o time se preparou bem ao proporcionar tempo para ele se recuperar e, de quebra, encontrar um LG no processo, competindo com os já presentes Quinton Spain e Dennis Kelly.

O Titans ainda trouxe Xavier Su’a-Filo (LG titular dos Texans e 33ª escolha do draft de 2013) e Kevin Pamphile (LG titular nos Buccaneers). Quando essas disputas se definirem, será fácil cravar que Mariota e Henry terão uma bela proteção.

Palpite

Talvez Tennessee seja o time mais equilibrado de uma divisão que poderia ter qualquer uma das quatro franquias brigando forte nos playoffs, caso tudo encaixasse da maneira esperada. Como a equipe nunca venceu Andrew Luck e tomou incríveis 57 (!!!) pontos de um Deshaun Watson saudável, fica claro o que poderá segurá-los mais longe do céu. Ambos fatores serão decisivos para uma arrancada inicial: 6 ou 7 vitórias até o primeiro jogo contra Luck, que pode já ter voltado dos mortos até lá, não são inimagináveis caso tudo se encaixasse, levando os Titans ao primeiro título de AFC South desde 2008 – a última campanha vitoriosa da carreira de Jeff Fisher.

Análise Tática #23 – Wild Card: os pontos chaves para a virada do Tennessee Titans

Finalmente chegamos aos playoffs. No último sábado, o Kansas City Chiefs foi eliminado mais uma vez no Arrowhead Stadium após uma boa temporada, assumindo o papel de seleção mexicana da NFL, em seu mote “jogamos como nunca, perdemos como sempre”.

E dessa vez, foi com requintes de crueldade. 21 a 3 no primeiro tempo, grande exibição, ataque produzindo bastante jardas e jogo corrido engrenado. A defesa dos Titans comandada por Dick LeBeau não conseguia respostas, enquanto o ataque comandado por Marcus Mariota parecia mal preparada e desenhada.

No segundo tempo, tudo mudou: os Titans anotaram 19 pontos seguidos, enquanto a defesa não cedeu nada aos Chiefs, 22 a 21 na primeira vitória de pós-temporada de Marcus Mariota. O técnico Mike Mularkey inclusive pensou que seria demitido, enquanto o time ganhou uma sobrevida para enfrentar o New England Patriots na rodada divisional.

Domínio dos Chiefs

O primeiro tempo foi marcado pelo ataque dos Chiefs dominando a defesa dos Titans em todos os pontos do jogo, principalmente com o TE Travis Kelce. O ataque coordenado por Matt Nagy partiu principalmente do 11 personnel. Nagy costuma posicionar Kelce em diferentes pontos do ataque, como X, Y e Z, geralmente utilizando motion para fornecer leituras defensivas ao QB Alex Smith. Esse comportamento é comum em times com TEs dominantes.

Na imagem acima mostra-se a primeira conversão de terceira descida do jogo. Jogada desenhada para Travis Kelce sair do motion e ajudar Alex Smith detectar a marcação. Junto com a posição do quadril dos CBs e o acompanhamento de um jogador, Smith sabe que encara uma cobertura mano-a-mano.

O desdobramento dessa leitura pré-snap é que Kelce provavelmente terá vantagem em relação a seu marcador devido ao atleticismo. O TE executa uma rota de double move que eu chamo de slant-corner (na realidade esse nome é um conceito, como o curl flats do Madden), provavelmente o corte para fora é devido à sua leitura de opção. Smith coloca a bola no ombro de fora, ponto que apenas Kelce consiga alcançar. Novo set de downs.

Aqui, cabe-se o fato de que devido ao cushion dado pelos safeties na marcação em zona, Kelce fica em marcação individual. Adoree’ Jackson percebe e larga Tyrek Hill para fechar o tackle e evitar um ganho maior que 14 jardas.

A defesa dos Chiefs segurou o ataque dos Titans. Novamente em uma terceira descida, o Chiefs apresenta um shotgun em 11 personnel.

O interessante dessa jogada, que dependendo da progressão que Alex Smith faça na jogada, ela pode ser um conceito smash, levels ou mesh. Aqui, pela situação descida/distância, Smith enfrenta um 3-men rush e se concentra nas rotas internas, definindo o conceito mesh.

Mariota a ponto de ter o passe desviado.

Tyreek Hill quebra os tackles, conta com o bloqueio de Kareem Hunt na rota wheel e consegue um ganho de 45 jardas. Big play responsável por ditar o ritmo do drive que terminou com o primeiro touchdown da partida.

A defesa dos Chiefs forçou mais um 3-and-out, e o ataque novamente capitalizou. Após um drive de 6 jogadas, 3 delas com ganho maior que 15 jardas. A pontuação veio com um ganho de 13 jardas em uma 1st & 10 na redzone, ainda no primeiro quarto.

Travis Kelce parte da posição de 3 apoios na rota seam, a preferida dos TEs dominantes, pois é impossível defender contra um lob-pass. Contra um LB e um safety, Alex Smith coloca o passe acima da cabeça de Kelce, que faz a recepção. As rotas espalhadas para as laterais criam esse mismatch, deixando o meio do campo livre.

O domínio defensivo dos Chiefs

Como mencionado repetidas vezes, a defesa dos Chiefs forçou 3 punts, conquistou uma interceptação e cedeu apenas um field goal. Vamos observar a jogada em que Marcus Peters intercepta Marcus Mariota quando o placar estava 14 a 0 para o time de Kansas City.

Os Titans tentam aplicar um tipo de Strong flood em que três rotas out e uma rota dig quebram em regiões diferentes do campo, criando camadas de leitura (tal como o conceito levels) para o QB. Aqui, a progressão provavelmente é entre as rotas dos recebedores no lado forte da linha (direito).

O recebedor mais aberto tentará atrair Marcus Peters até o fundo da endzone enquanto Delanie Walker quebrará a rota na altura da linha de 5 jardas. A jogada dá errado por que Peters (marcando em zona, repare como os quadris estão voltados para o meio do campo) reconhece o padrão e percebe que o passe vai na direção de Walker, pula na rota e faz a interceptação.

Um ball placement abaixo do desejável por Mariota permite que Marcus Peters alcance a bola.

Os ajustes ofensivos de Tennessee

No segundo tempo o jogo mudou. Em parte, devido à concussão de Travis Kelce, o Kansas City Chiefs não conseguiu manter o poderio ofensivo mostrado na primeira etapa, além do fato de que o coordenador ofensivo Matt Nagy ter limitado Kareem Hunt a cinco carregadas. Não se tira a bola do seu melhor jogador quando se está ganhando o jogo, ainda mais quando o mesmo é um running back.

Na parte defensiva, Dick LeBeau ajustou seus esquemas de pressão a Alex Smith, ao contrário do que estava tentando na primeira etapa. Smith não é exatamente o QB mais prolífico da liga, então algumas blitzes pontuais eram necessárias para dar uma nova leitura ao QB, tentar deixá-lo desconfortável no pocket. No primeiro tempo de jogo, Tennessee tentava pressionar Smith na maioria das vezes com 3-men-rush, e o QB encontrava jogadores livres devido ao tempo disponível no pocket.

No ataque, Marcus Mariota finalmente apareceu para jogar. O QB vindo de Oregon fez exatamente o que se espera de um líder de um time no momento de maior necessidade. Criou jogadas com as pernas, conectou bons passes e mesmo bloqueou na jogada que selou a vitória.

Tennessee virou a relação de posse de bola, passando a comandar campanhas ofensivas mais longas, da mesma forma em que a defesa conseguia tirar Kansas City de campo mais rapidamente. Os Titans abriram o terceiro quarto com uma campanha de 15 jardas e quase 10 minutos que acabou em touchdown, o cenário dos sonhos para qualquer bom ataque.

Os Titans executam o conceito levels, porém a defesa de Kansas City marca todas as rotas individualmente e obriga Marcus Mariota a ir para o checkdown. Contra um 4-men-rush, o QB consegue permanecer no ponto ótimo de proteção e conecta o passe.

Pela “teoria do cobertor curto”, como as rotas principais estavam bem marcadas, isso logicamente abriu um espaço para que Derrick Henry conquistasse muitas jardas com as pernas, 29 ao todo. O drive terminou no touchdown de Mariota em que ele recepcionou o próprio passe defletido pela defesa de Kansas City e se atirou no pylon.

Em seguida, os Titans tiveram sorte ao Harrison Butker perder um field goal em um drive vindo de um turnover de special teams. Os Titans capitalizaram com touchdown, reduzindo a vantagem para 5 pontos.

Pelo texto em que demonstramos o plano de jogo dos Steelers, o leitor já deve conhecer o conceito trap. Um jogador de linha ofensiva, geralmente o guard bloqueia no lado oposto ao seu em relação ao center, na direção em que se desenvolve a jogada. Aqui, vemos Josh Kline realizar esse papel.

 

Observando a jogada de frente, observamos que Kline engaja seu bloqueio no camisa 21, enquanto a linha se desloca para a direita. O gap criado ocorre bem na direção da hashmark esquerda. Alcançando o mesh point em velocidade, Henry toma a leitura bang. Nenhum defensor é capaz de alcançá-lo e o touchdown acontece.

Na jogada que resultou a virada no placar, observamos que Terry Robiskie –coordenador ofensivo – desenha duas rotas para a mesma direção, com Eric Decker e Delanie Walker. Em quesito estratégico, isso dificulta o trabalho de Mariota, pois concentra os dois safeties para a direção da bola, em vez de abrir o espaço no meio do campo.

Aqui, Mariota conta com o excelente trabalho da linha contra um 4-men-rush e coloca o passe em uma ótima posição, resultando em touchdown. 22 a 21, a virada aconteceu.

Ajustes defensivos de Tennessee

Para exemplificar como Dick LeBeau trabalhou a defesa no segundo tempo, vamos observar uma jogada chave de passe incompleto, stop que antecedeu o drive do touchdown da virada pelos Titans.

Os Chiefs tentam realizar uma conversão rápida de um 3rd & 2 com uma slant simples. Por causa do press coverage, a rota fica fora de timing com Alex Smith, enquanto o recebedor tenta improvisar indo um pouco mais fundo no campo. O single-high safety reage bem na jogada e fecha a linha de passe.

Após uma virada improvável, Tennessee tem mais uma dura tarefa ao enfrentar os Patriots em Foxborough, onde não perdem em um jogo de playoffs desde o AFC Championship Game da temporada de 2012.

  • Diego Vieira será Titans desde criancinha no próximo sábado.

Semana #12: os melhores piores momentos

75% da temporada da NFL já foi jogada. Já estreamos novos segmentos, consagramos jogadores e vimos muita desgraça até aqui. Porém, a coluna só trouxe uma certeza até hoje: se ela for continuar em 2018, certamente não serei eu que a farei. Eu não aguento mais. O leitor não liga para os meus desabafos, então vamos lá:

1 – Fuck It I’m Going Deep Fan Club

Quando o Quarterback (semana passada vimos que nem sempre só o quarterback) resolve jogar a bola longe sem medo de ser feliz.

1.1 – Matt Moore 

Quando o DB disputa com outro DB quem vai agarrar a bola, certamente não foi uma boa decisão.

1.2 – Marcus Mariota

Baseado na jurisprudência do caso anterior, além de que o drop do Darius Butler e o receiver escorregando mereceram ser destacados.

1.3 – Tyrod Taylor (part. especial: Marcus Peters)

Nada como ter o defensor do seu lado.

1.4 – Joe Flacco

Claramente procurando Rahim Moore na secundária.

2 – O Fumble Bowl 

2.1 – Malcom Jenkins

Sempre muito triste sofrer um fumble depois de interceptar um passe.

2.2 – Mitch Trubisky

Quando draftado, sabia-se que Trubisky precisaria de um tempo para se adaptar. Mas, porra, no College tu não segurava snap também não?

2.3 – Jay Ajayi

Quando a vontade de se consagrar é maior que a vontade de segurar a bola.

3 – Imagens que trazem PAZ

3.1 – Brock Osweiler

3.2 – Broncos @ Raiders 

3.3 – Robbie Anderson (assista com áudio)

3.4 – A defesa do Oakland Raiders, Paxton Lynch e… isto.

A primeira interceptação do Raiders na temporada veio em grande estilo.

3.5 – Este idiota dos Redskins

Repare como ele desconhece a regra do touchback. Seu companheiro de equipe conhecia, e ficou pistola.

3.6 – O center de New England

Tentou dar uma chance aos Dolphins. Não adiantou.

3.7 – Tyreek Hill e outro guerreiro de Kansas City 

A imagem que simboliza como o ataque dos Chiefs derreteu de algumas rodadas pra cá.

4 – Troféu Dez Bryant da Semana

Sabe quando seu time tem um jogo complicado e precisa que o jogador de nome apareça? O torcedor dos Cowboys sabe. O torcedor dos Cowboys também sabe que Dez Bryant não é o nome ideal para esses momentos.

Por tudo isso, o vencedor do troféu Dez Bryant da Semana é Leonard Fournette. Parabéns!

 

Semana #11: os melhores piores momentos

Já estamos na semana 11.  Passou rápido, não é? A essa altura já sabemos quem é quem na NFL (embora não precisássemos chegar até aqui pra lembrar que Jay Cutler não presta), e as brigas já estão definidas – lembrando que a temporada da NFL antecede aquilo que realmente importa: o Draft.

Sem mais enrolações, vamos ao que importa: o piores momentos da semana 11, a última com times de folga!

1 – Fuck It I’m Going Deep Fan Club

A cada semana, mais jogadores (até mesmo de outras posições!) se juntam a SEITA criada por ele, Rex Grossman.

1.1 – Jared Goff 

Ainda ocupa um lugar especial em nossos corações, mesmo tendo lançado em cobertura tripla.

1.2 – Brett Hundley

O homem que destruiu os sonhos do dono do site.

1.3 – Dak Precott 

Porque, toda rodada, alguém nos lembra do conceito conhecido como “PUNT COM O BRAÇO”.

1.4 – Travis Kelce

Uma participação mais que especial. “TEs não são interceptados!”, ele deve ter pensado. Aham, fera. vai nessa.

2 – Imagens que trazem PAZ

2.1 – Este cidadão

A desgraça que é trabalhar para a franquia Chicago Bears. Força, Cairo! 

2.2 – Joe Flacco

A culpa provavelmente foi do Center. Mas o que vale é a narrativa.

2.3 – A defesa dos Saints

Sabe quando você manda aquele All Out Blitz e ainda marca para a defesa ir contra a corrida no Madden (paga nois, EA Sports)? Então…

2.4 – Delanie Walker

Mike Tirico chegou a gritar “TOUCHDOWN“. Errou, pois duvidou da capacidade do ser humano de ser imbecil.

2.5 – O guerreiro #30 de Dallas

Retardado, imbecil, idiota, feio, bobo.

2.6 – O guerreiro #16 de Oakland 

Quase caiu no chão e resolveu descontar no coleguinha. Note como ele dá passos serelepes em direção ao jogador dos Patriots.

2.7 – Connor Barth

Entenda aqui porque Cairo Santos é o novo kicker do Chicago Bears. (Assista com áudio)

2.8 – Este cidadão 

Temos certeza que não é assim que as crianças aprendem a bloquear nas Pee Wee Leagues.

2.9 – Tahir Whitehead

2.10 – Os idiotas do STs de Atlanta

Qualquer kickoff que acaba com o time que chutou pode demitir 11 homens por justa causa.

2.11 – Os idiotas do STs de Seattle

A culpa provavelmente é do técnico que chamou essa merda, mas vamos culpar quem executou mesmo.

3 – A semana do Quarterback 

A cada jogo um desgraçado diferente na posição mais importante do jogo.

3.1 – Brett Hundley

Hundley já teve uma de suas peripécias mostrada acima, mas ele merece ser citado novamente. A falta de perspectiva que o “jogador” dá ao seu time é desanimadora e, segundo relatos de nossa equipe no Lambeau Field, torcedores diziam coisas como “Desculpe, essa é a coisa mais triste que mais vi em um campo de football.” Porém, um alívio: o apito final, e um grito de “HUNDLEY, YOU SUCK!”, que foi acompanhado por uma meia dúzia.

Crack.

3.2 – Marcus Mariota

O queridinho de muitos torcedores que se apoiam em seus stats na redzone, mas nunca viram Mariota com um jogo memorável contra um time de verdade. A verdade é que Marcus é hoje um QB bom, mas as pessoas esperam que ele seja mais. A atuação desastrosa contra os Steelers mostrou que ele ainda precisa evoluir muito se quiser mudar de prateleira. Inclusive quem viu a Análise Tática da Semana pôde acompanhar uma de suas interceptações sendo ESMIUÇADA.

Um dos meus analistas de football preferidos é o Kevin Clark. Para os próximos dois QBs, vou usar as palavras dele como minhas.

3.3 – Jay Cutler

“Quando o RedZone corta pro Jay Cutler em uma terceira descida longa no campo de defesa, o potencial de retorno é bem baixo.”

“O maior truque de Jay Cutler foi convencer o Miami Dolphins que ele tinha deixado a aposentadoria.”

3.4 – Nathan Peterman

“Nathan Peterman é um personagem fictício inventado por uma propaganda de Tyrod Taylor.”

“Nathan Peterman é o primeiro jogador na história dos esportes cuja simples existência é forma de motivação para o time adversário.”

4 – Prêmio Dez Bryant da Semana

Sabe quando seu time precisa que a estrela brilhe, afinal é um momento importante? Dez Bryant sabe, mas ele não consegue brilhar nesses momentos. O Prêmio Dez Bryant da Semana premia o jogador de nome que some durante a partida e/ou em um momento decisivo dela. E, dessa vez, o vencedor do prêmio veste as mesmas cores que Dez.

Podem falar de qualquer ausência, mas Prescott teve um jogo ruim, horrível, o que acabou me custando uma vitória no Fantasy. Acabou a paz em Dallas.

5 – Nosso lance preferido da semana

Como você pôde ver acima, a disputa foi bem acirrada. Mas uma quase-Pick Six de Brock Osweiler, encerrada por um auto-fumble acabou levando o prêmio.

Você pode nos ajudar a fazer essa coluna semanalmente! Viu algo de horrível que acha que deve ser destacado? Mande para o nosso Twitter que com certeza vamos considerar!

Análise Tática #18 – A perspectiva do jogo pela Sky Cam

Na noite da última quinta-feira, semana 11 da temporada, a NBC transmitiu a partida entre Tennessee Titans e Pittsburgh Steelers por um novo ângulo: a SkyCam ou na tradução mais livre e sacana possível, a câmera do Madden (paga nois, EA Sports).

Evidentemente, o ser humano é uma espécie que cultiva hábitos, e apesar de uma excelente novidade, muitos telespectadores estranharam e reclamaram bastante da nova perspectiva. Se você leitor, é daqueles que, assim como eu, é um  entusiasta do video-game ou da tática do esporte, já estava acostumado com a novidade e provavelmente gostaria que todas as transmissões do seu time fossem assim, para que você possa xingar aquele pereba específico com MAIS PROPRIEDADE e no calor do AO VIVO.

Entretanto, é perfeitamente compreensível que a maioria do público que acompanha a NFL, principalmente no Brasil, não saiba diferenciar um 4-3 under de um 4-3 over, e isso não desclassifica em nada a experiência em relação àquelas pessoas que saibam todos os check-with-me possíveis em situações de passe em uma West Coast Offense. Aliás, entendimento da tática não é fator obrigatório para você acompanhar a NFL, apenas acrescenta em sua experiência, que já é ótima caso você não queira desbravar este campo do conhecimento.

Depois dos panos quentes, vamos ao que interessa. A câmera aérea é um conceito que foi introduzido no futebol americano através da XFL (liga alternativa que teve apenas uma temporada em 2001). Hoje, todas as quatro emissoras que compartilham os direitos de imagem da NFL nos EUA utilizam em suas transmissões. Nesta temporada, a NBC a utilizou previamente no segundo tempo do Sunday Night Football entre Patriots e Falcons, quando a neblina tomou conta do Gillete Stadium e tornou impraticável o uso dos ângulos tradicionais. Na última quinta, esse recurso voltou a ser utilizado como a principal fonte de imagens da partida pelo fato de o TNF ser o ambiente de testes da liga – o que também explica o Color Rush.

Em situações específicas, a direção de TV decidiu retornar aos ângulos tradicionais, como ataques na redzone e terceiras descidas longas. Em outros pontos, o ângulo alternativo não agradou muito, como jogadas de retorno em special teams. Nas situações restantes, foi um deleite acompanhar o desenvolvimento de rotas, quarterbacks realizando a progressão de leitura, bloqueios se desenvolvendo no jogo corrido e comportamento da defesa.  Agora, vamos ELUCIDAR com o auxílio de imagens, o melhor e o pior dessa nova proposta.

O Passe Longo

Observe a seguinte situação:

Os Steelers estão em formação trips-bunch, Roethlisberger (esse nome eu escrevo sem pesquisar no Google) em shotgun e LeVeon Bell à sua esquerda. Antonio Brown, o alvo da jogada, não aparece nesse frame, já que o operador da câmera a aproximou demais do campo (ponto negativo para a utilização do recurso, que se aproveita melhor para a observação tática em tomadas mais abertas). Observe que na linha ofensiva todos os jogadores à exceção do center estão em posição de dois apoios. Juntando todas essas informações, podemos determinar que a jogada será de passe.

Quanto à defesa, os Titans apresentam um safety no fundo do campo, enquanto os corners se aproximam do box (região entre os tackles) por resposta à formação trips-bunch dos recebedores. Observando a jogada em movimento, repare que Ben Roethlisberger, atleta experiente, reconhece a marcação em zona e atrai o safety para o lado direito do campo. Eli Rogers desempenha uma rota nessa região e ajuda a fixar o adversário nessa região do campo. Big Ben conta com excelente proteção da linha ofensiva e percebe Antonio Brown no mano a mano com seu recebedor, um matchup favorável em 90% das vezes – até eu, que não consigo fazer um espiral decente com a bola oval, passaria para o 84 em marcação individual. Bola na endzone e touchdown.

A Interceptação

Nessa jogada protagonizada por Marcus Mariota, o posicionamento defesa e ataque pré-snap é semelhante ao mostrado nas imagens anteriores, com exceção que a defesa dos Steelers mostra um “casco” de cover-2. Se você leu o texto da semana passada, aprendeu sobre o esquema de zone blitz e como os jogadores da secundária rotacionam em direção a um sentido do campo de forma a cobrir o espaço deixado pelos jogadores extras que pressionam o quarterback.

Nesse caso, os Titans utilizam uma combinação de rotas comeback, go e post no lado esquerdo do campo. Devido à blitz, Mariota é obrigado a lançar antes do timing da jogada, a receita para o caos, já que ataques são como relógios e QBs precisam de ritmo.

Na jogada em movimento, pode-se ver a pressão vindo pelo strongside (lado que está posicionado o TE Delanie Walker, camisa 82), apressando o passe, apesar de um pocket razoavelmente limpo. Repare que o jogador do miolo da linha dos Steelers não engaja na pressão, respeitando a possibilidade do scramble de Mariota, postura conhecida como QB-spy. A secundária dos Steelers alterna os jogadores que cobrirão o fundo do campo e Mariota solta uma bola muito alta, que passa por cima da cabeça de Rishard Matthews e é interceptada.

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O Jogo Corrido

Podemos afirmar que o principal ganho de perspectiva que a câmera aérea proporciona é em situações de jogo corrido. No ângulo lateral, acompanhamos o desenvolvimento do lance sem vermos como os bloqueios, principais elementos da jogada, são construídos. Basicamente torcemos para que o carregador da bola atravesse a barreira de jogadores e apareça do outro lado.

A transmissão da NBC nesse momento preferiu retornar ao método tradicional, com ângulo da sideline, e foi esse o padrão ao longo da partida: toda vez que um time chegava à redzone, isso acontecia. Agora vamos utilizar o recurso da coaches film para observar o lance anterior em perspectiva semelhante a que a câmera aérea nos proporciona.

Se você leu o texto de semanas atrás sobre Dolphins-Falcons, lembrará-se da filosofia de bloqueios conhecida como zone-blocking, em que cada jogador da linha ofensiva deve bloquear o jogador à sua frente ou ao seu lado na direção em que a jogada se desenvolve. Aqui, temos exatamente essa situação. Os Steelers partem de uma corrida stretch para a direita, em que LeVeon Bell deverá acompanhar a linha e ler o local em que se abrirá o espaço que deverá atacar. O running back dos Steelers é o mais elusivo da liga, então as corridas em zone-blocking são predominantes no playbook de Todd Haley.

LeVeon Bell consegue ler o bloqueio, mas a defesa dos Titans fecha bem o segundo nível no ponto futuro e reduz a jogada que poderia resultar em TD para um ganho de cinco jogadas.

Missão Tennessee: surfando em direção ao Super Bowl

Uma outra verdade irrefutável da NFL é que o Tennessee Titans é um time irrelevante e sem graça. Reflita: você, leitor, conhece algum torcedor verdadeiramente apaixonado pelo Titans? Ou então, tem algum amigo que odeia o time de Tennessee do fundo do seu coração? Provavelmente não, porque o Titans, com raras exceções, não desperta amores e ódios. É uma franquia que vive no limbo do pior dos sentimentos: a indiferença.

Isso acontece porque, desde que deixou de ser Houston Oilers para se tornar Tennessee Titans, em 1997, o time não tem incomodado ninguém. É verdade que, em 1999, com apenas dois anos de idade, o Titans chegou ao Super Bowl e esteve a, literalmente, centímetros de levar o Lombardi Trophy para casa, mas o destino, talvez por mero bom senso, não quis que acontecesse. Desde a improvável aparição no SB, foram apenas duas vitórias em playoffs, em 2002 e 2003, ainda nos tempos do QB Steve McNair, umas das poucas estrelas que vestiram o bonito uniforme azul. Sem vencer em pós-temporadas há 14 anos, o Titans tem sido, no máximo, um figurante na NFL.

Não deu.

Novos ventos

Mas isso tudo vai mudar. Apesar do negativismo do início do texto, podemos afirmar com uma boa dose de certeza que esse cenário de mediocridade está muito próximo de ser superado. Sim, é arriscado e corremos o risco de amargar um profundo arrependimento no futuro, mas temos que dizer que, em breve, o Tennessee Titans será uma das grandes forças da NFL.

A reviravolta vai começar já em 2017 e o responsável por ela se chama Marcus Mariota. Enquanto outros times (oi, Browns e Jets) vivem uma luta eterna para encontrar seu franchise QB, o Titans já tem o seu. Em duas temporadas como titular, Mariota não foi perfeito – inclusive cometeu erros difíceis de aceitar –, mas mesmo assim mostrou que tem qualidade mais do que suficiente para tirar a franquia do ostracismo e ser um dos grandes QBs da NFL.

Em 2016, na temporada regular, Mariota passou para 3426 jardas, 26 TDs e apenas nove interceptações, o que resultou em um excelente rating de 95,6. Uma das estatísticas mais impressionantes do QB do Titans é a de eficiência na red zone: de acordo com o site Pro Football Focus, Mariota completou 64% dos passes que tentou nas últimas 20 jardas do campo com 33 TDs e nenhuma interceptação. É necessário repetir e enfatizar: Marcus Mariota nunca lançou uma interceptação na red zone.

É impressionante e, claro, difícil acreditar que esse ritmo possa ser mantido. Porém, mesmo que haja uma regressão nos números, se conseguir terminar uma temporada saudável e reduzir o número de fumbles sofridos (apenas em 2016 foram nove), Canton é o limite para Marcus.

Nota do editor: calma, cara!

Cercado por talento

Reconhecendo a qualidade do QB que tem e a necessidade de aumentar a dose de talento ao redor dele, os técnicos do Tennessee Titans decidiram renovar o corpo de recebedores à disposição de Mariota. O mediano Kendall Wright e o sexagenário Andre Johnson foram dispensados e o time investiu duas altas escolhas do draft de 2017 em WRs: Corey Davis, no primeiro round, e Taywan Taylor, no terceiro. Na free agency, o time contratou o bom Eric Decker, que terá que superar uma contusão no ombro que o tirou da temporada 2016. Os recém-chegados se juntam ao bom Rishard Matthews e a um dos melhores Tight Ends da liga, Delaine Walker.

Além do grupo de recebedores acima da média, Tennessee ainda tem talvez a melhor dupla de RBs da NFL, o que é muito importante para um time que, em 2016, teve a terceira maior porcentagem de corridas da liga e ficou em quarto em jardas por carregada.

Por terra, DeMarco Murray tem tudo para repetir as 1287 jardas corridas que conquistou na temporada passada, a segunda melhor marca de sua carreira. Murray, porém, já tem bastante kilometragem na liga, e precisa de descanso; por isso, Derrick Henry, que não foi tão acionado quanto Murray no ano passado, mostrou que pode e deve ser mais utilizado. Com um ataque aéreo mais perigoso e com uma participação maior de Henry, o Tennessee Titans tem tudo para, no mínimo, estar no top 10 ofensivo da NFL em 2017.

Destino: Canton.

Evolução

O sistema defensivo do Tennessee Titans terminou a temporada 2016 na média em quase todas as estatísticas, apesar de ter tido momentos de brilho, como na vitória por 47×25 contra o Green Bay Packers, em que Aaron Rodgers foi interceptado duas vezes. A força da defesa foi o grupo de DL e LB, responsáveis por 40 sacks, sexta melhor marca da liga. Jurrell Casey, Brian Orakpo e Derrick Morgan, responsáveis por 24 dos 40 sacks de 2016 continuam no time e formam um grupo que pode tanto ser eficiente parando o jogo corrido adversário quanto pressionando o QB.

A secundária, ponto fraco do time na temporada anterior, foi onde o Titans mais investiu. No draft, Tennessee investiu uma de suas escolhas de primeiro round no CB Adoree Jackson, que tem habilidade atlética semelhante a Darrelle Revis e Patrick Peterson e deve ser colocado instantaneamente como titular. Do outro lado do campo, o Titans deve ter o veterano CB Logan Ryan, que chegou do New England Patriots na free agency com um contrato de três anos valendo 30 milhões de dólares. Além deles, a secundária será reforçada pelo ex-Jaguar Johnathan Cyprien, que será um dos safeties titulares.

Com a base da linha defensiva mantida e com as adições à secundária, a única possibilidade para a defesa do Titans é a evolução. É claro que não se trata de uma defesa do mesmo nível de Denver Broncos, Houston Texans ou Seattle Seahawks, mas deve ser suficiente para, junto com um ataque equilibrado, levar o time à pós-temporada pela primeira vez desde 2008.

Palpite: Las Vegas acredita que o Tennessee Titans conseguirá 8,5 vitórias em 2017. Nós discordamos e acreditamos em uma temporada com 10 vitórias e o título de uma divisão que terá apenas um real adversário: o Houston Texans. Nos playoffs, não seria nada surpreendente se o Titans conseguisse pelo menos uma vitória, se tiver a sorte de enfrentar um adversário favorável. Mesmo que o sucesso não chegue tão logo quanto 2017, lembre-se que o Pick Six foi o primeiro a te alertar sobre o futuro brilhante do Tennessee Titans.

Análise Tática #4 – O melhor ataque da liga e um desastre chamado Mariota

Matt Ryan & Julio Jones

A vitória por 48 a 33 do Atlanta Falcons contra o Carolina Panthers foi marcada por duas performances histórias. O QB Matt Ryan e o WR Julio Jones quebraram os recordes da franquia de jardas passadas (503) e de jardas recebidas (300). Foi a primeira vez na história da NFL que um QB lançou mais de 500 jardas e que um WR recebeu pelo menos 300 jardas em um mesmo jogo. Julio ainda entrou para o livro de recordes da liga ao se tornar apenas o sexto WR a ter um jogo de 300 jardas.

A performance do ataque do Falcons foi espetacular, porém foi construída também devido à incapacidade da defesa do Carolina Panthers, que deixou de ser uma unidade sólida, fundamental para levar o time ao Super Bowl do ano passado, para se tornar o grande problema, especialmente contra o passe.

A seguir, analisaremos duas jogadas que evidenciam tanto os méritos do ataque dos Falcons quanto as dificuldades da defesa do Panthers.

Austin Hooper (QUEM?) completamente livre para o TD:

Apesar de ter lançado 300 jardas apenas para Julio Jones, Matt Ryan tem se mostrado extremamente confortável distribuindo a bola para os mais diversos alvos. Nessa jogada, por exemplo, foi o TE Austin Cooper (81) que ajudou a construir as histórias 503 jardas passadas de Ryan.

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O Falcons optou por um play action para o RB Devonta Freeman com Matt Ryan se deslocando em um rollout para o lado direito. Os LBs do Panthers (no círculo) morderam a isca e foram para a marcação do jogo corrido, o que foi chave para o sucesso da jogada.

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Além dos LBs não terem percebido que se tratava de play action, toda a secundária do Panthers se movimentou em direção ao lado direito do ataque para marcar os recebedores que tinham rotas cruzando o campo. Enquanto isso, não havia um jogador do Panthers a pelo menos 24,3 KM de Matt Ryan.

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O rookie TE Austin Hooper também ficou completamente sozinho para receber seu quarto passe na temporada e anotar o TD mais fácil que terá em sua carreira.

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Julio Jones, TD de 75 jardas, sem muito esforço:

Julio Jones atingiu a marca de 300 jardas recebidas no último quarto da partida, quando recebeu um passe de 75 jardas para o touchdown. Em formação em I, o Falcons novamente usou play action. E os LBs do Panthers novamente morderam a isca.

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Todos os LBs do Panthers estão próximos à linha de scrimmage para evitar o avanço terrestre. Isso deixou os dois WRs do Falcons em marcação individual, com apenas um safety em profundidade. Julio Jones, na parte de baixo da tela, tinha rota cruzando o campo.

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Quando recebeu o passe, Julio precisou apenas usar sua velocidade para bater o CB e se livrar do S, que estava muito distante para poder fazer algo.

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Um desastre chamado Marcus Mariota:

Marcus Mariota, QB segundo anista do Tennessee Titans, tem sido uma das grandes decepções da temporada. Mariota, que tinha mostrado flashes de brilhantismo antes de se machucar na temporada passada, não está conseguindo mostrar evolução em 2016: em quatro jogos foram apenas 4 TDs, 5 INT e um rating de 73,9, apenas o número 39 da liga.

Os péssimos números foram construídos em jogadas como a da imagem abaixo. Mariota fez play action para o RB Derrick Henry enquanto os dois recebedores tinham rotas comeback em profundidade. Henry também seria opção para o passe curto.

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Com a jogada em andamento, Mariota não tinha nenhum dos alvos livres e precisou correr para seu lado esquerdo para se livrar da pressão que vinha atrás.

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Em movimento, Mariota conseguiu encontrar o TE Delanie Walker, que conseguiu se livrar do marcador. Se tivesse optado por continuar correndo com a bola, teoricamente um de seus pontos fortes, o QB do Titans poderia ter conquistado por volta de 5 jardas.

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Como teve que lançar contra o movimento do corpo, o passe não foi na direção do recebedor.

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A jogada acabou em uma interceptação muito fácil do safety do Houston Texans.

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Eterno retorno: entre o limbo, o nada e lugar nenhum

Quando a temporada de 2015 começou, Marcus Mariota parecia a reencarnação de Steve Young (não que ele já tenha morrido); quando ela chegou ao final, estava mais para um RGIII a partir do seu segundo ano. Em resumo, podemos afirmar que suas 2818 jardas, 21 TDs e 16 turnovers (Mariota sofreu tantos fumbles quanto Adrian Peterson, 6, para liderar a NFL) em 12 jogos como um rookie demonstram potencial em alguns momentos, mas também deixava claro que ele ainda estava passando por um processo de crescimento em diversos aspectos.

Uma pessoa que não deve ter ficado muito feliz com as growing pains de Mariota é o agora ex-head coach Ken Wisenhunt, que foi demitido após vencer apenas 3 de 23 jogos em um ano e meio no time. Importante notar o imediatismo quase brasileiro da diretoria dos Titans, já que o time era basicamente um deserto de talento na chegada de Wisenhunt (treinador dos Cardinals de Kurt Warner que chegaram ao Super Bowl XLIII) e era sabido que provavelmente Marcus Mariota precisaria de mais de um ano para desenvolver seu talento.

E os dois conversavam sobre como é tentar levar um time merda nas costas.

E os dois conversavam sobre como é tentar levar um time merda nas costas.

Agora, não é como se o novo treinador, antes técnico de tight ends do time, Mike Mularkey (somente uma campanha vitoriosa como head coach em quatro anos) fosse uma grande opção ou mudança, especialmente porque grande parte da comissão técnica foi mantida. Como coordenadores, Mularkey trouxe Terry Robiskie, antigo treinador de WRs nos Falcons (que tiveram os bons WRs Roddy White e Julio Jones nos últimos oito anos), e o eterno Dick LeBeau, que foi “aposentado” pelos Steelers porque suas ideias já foram um pouco ultrapassadas na NF – Pittsburgh acabou sentindo sua falta, mas isso é mais problema deles que vantagem para Tennessee.

A troca do século (o retorno)

Apesar de 2016 não ter o melhor dos prognósticos – o time de Music City empolga tão pouco que o único jogo de destaque que terá é o Thursday Night Football, em que obrigatoriamente jogam todas as equipes da NFL -, o draft desse ano parece que dará todas as oportunidades para que, caso os Titans trabalhem bem, o time seja uma força na NFL nos próximos anos. Após ter a pior campanha da NFL pelo segundo ano seguido, Tennessee recebeu a primeira escolha do draft. Após muita especulação, ela foi passada para os Rams, que a utilizaram para selecionar seu futuro QB Jared Goff. 

Em troca, o time acabou um caminhão de escolhas em altas posições no draft (especialmente porque o desempenho de Los Angeles não deverá ser muito bom nesse ano): duas de primeira rodada, duas de segunda e duas de terceiro, que somadas às suas próprias escolhas, deve servir para uma grande infusão de talento no time nos próximos anos. O que era desesperadamente necessário.

Temos o pass rush, mas nada muito além disso

Nos tempos de Peyton Manning, por muitos anos pareceu que tudo o que um time precisava para vencer a AFC South era ter um bom quarterback. Esses tempos acabaram – hoje, os quatro times da divisão têm (aparentemente) bons jogadores liderando seus ataques (incluindo Andrew Luck nos Colts) e, especialmente Texans e Jaguars, parecem ter todas as peças para boas defesas. Nessa batalha, os Titans parecem largar como claro último time.

No entanto, caso isso aconteça, não será por falta de pressão nos QBs adversários. O OLB Brian Orakpo conseguiu finalmente uma temporada saudável após sofrer para manter-se em campo nos seus últimos três anos em Washington, produzindo 7 sacks, mesmo número do DE Jurrell Casey, provavelmente o melhor jogador dessa defesa e único que presta na linha defensiva. Eles terão ainda a companhia do OLB Derrick Morgan, que muitos colocavam como futura estrela após o contrato de quatro anos e 30 milhões assinado no começo da temporada de 2015, mas que acabou muito limitado por uma lesão no ombro; e do rookie Kevin Dodd, enquanto este também se recupera de uma lesão no pé. Se todos se mantiverem saudáveis, muitos quarterbacks estarão correndo por suas vidas contra essa defesa.

Apesar disso, o resto da defesa se limita a mediano. Na secundária, o melhor jogador é o S Da’Norris Searcy – que se destaca mais pelo contexto que por sua própria habilidade. Ao seu lado, Searcy terá provavelmente Rashad Johnson, trazido dos Cardinals. Para completar a secundária, os Titans terão Jason McCourty, irmão gêmeo de Devin McCourty dos Patriots e o menos talentoso dos dois, além uma competição entre vários cornerbacks que não deveriam ser titulares do outro lado: Perrish Cox ou os recém contratados Brice McCain ou Antwon Blake, ambos pouco confiáveis em Dolphins e Steelers, respectivamente.

Marcus Mariota e (poucos) amigos

Ou ainda nenhum amigo. Outra razão pela produção duvidosa e quatro jogos perdidos de Mariota em 2015 foi o grupo ao seu redor. Pelo menos a impressão que ficou nessa offseason é de que o novo GM Jon Robinson fez muito para melhorá-lo, a começar pela linha ofensiva. Além do left tackle Taylor Lewan, que tem sido o ponto forte da proteção, o guard escolhido na primeira rodada de 2013 Chace Warmack deve receber mais uma (e provavelmente última) chance de provar que não é mais um bust – mas o time deve ter novos jogadores nas outras três posições.

Jack Conklin, de Michigan St, foi a primeira escolha do time no draft desse ano (antes dos provavelmente superiores Laremy Tunsil e Taylor Lewan) e já deverá tomar a posição de RT para si. O center Ben Jones, trazido dos Texans, e Jeremiah Pouatasi, rookie RT em 2015, deverá mover-se para right guard, que parece ser sua posição ideal.

Na questão “alvos” a situação não é tão boa. Primeiro, porque Mariota não parece ter no grupo atual um WR1 indiscutível. Kendall Wright é um bom alvo de segurança no estilo Wes Welker e deverá ser importante, mas não pode ser o foco do ataque. Rishard Matthews (662 jardas em 11 jogos) e Harry Douglas também não são maus jogadores, mas rendem melhor como complemento. Restará a esperança de que um dos grandalhões Dorial Green-Beckham ou Justin Hunter aprenda a segurar os passes lançados para eles, já que o potencial físico já têm – ou ainda o rookie Tajae Sharpe, que tem feito uma boa pré-temporada.

Os Titans ainda trouxeram o veterano WR Andre Johnson para o training camp, mas considerando a decepção que ele foi pelos Colts no ano passado (503 jardas, 4 TDs), não será nenhuma surpresa se ele acabe servindo mais como mentor durante a preparação e cortado quando o time tenha que decidir seus 53 jogadores para a temporada.

Não lembro como segura.

Não lembro como segura.

Também por essa mediocridade, Tennessee deve ser um time prioritariamente corredor em 2016. Mais do que isso, um time dedicado a atropelar defesas na força bruta. O time enviou uma escolha de quarta rodada para os Eagles em troca da decepção de 2015 DeMarco Murray, que não se adaptou bem ao estilo de jogo de Chip Kelly, e ainda investiu uma escolha de segunda rodada em Derrick Henry, que detém agora o maior número de jardas corridas da história de Alabama, uma universidade conhecida por produzir grande running backs (incluindo Forrest Gump). Com essa dupla Thunder & Thunder, qualquer defesa mais leve sofrerá para parar o ataque corrido dos Titans.

Palpite: O único elemento que pode empolgar nesse time é o jogo corrido (combinado com Mariota), mas para esse estilo funcionar seria preciso uma boa defesa, que não existe. Os Titans são um time em formação e disputando uma divisão difícil, o que lhes acabará garantindo um novo recorde entre 3-13 e 5-11. Mike Mularkey acabará demitido e Nashville poderá ter um time bom, mas terá de esperar até, mais ou menos, 2019.