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Podcast #6 – uma coleção de asneiras VI

Trazemos as análises mais acertadas do mundo sobre o último dia de trocas na NFL. E, de brinde, apresentamos algumas trocas que não aconteceram, mas gostaríamos de ter visto.

Em seguida, voltamos com o #spoiler: dessa vez, quais jogadores vencerão os prêmios de MVP, Defensive Player of the Year Offensive Rookie of the Year. Já pode fazer suas apostas que o dinheiro é garantido.

Depois abrimos espaço para cada um destacar uma pauta que chamou a atenção nessa temporada – inclusive uma tentativa medonha de defender o Cleveland Browns (!!!). Por fim, damos as tradicionais dicas de jogos para o amigo ouvinte ficar de olho nas próximas semanas. Só jogão.

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor (dessa vez acreditamos que foi bom, é um milagre).

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O complicado conto de fadas do quarterback e seu treinador

Quando assumiu o comando do Buffalo Bills, no início de 2015, Rex Ryan foi logo garantindo que o time conseguiria a classificação aos playoffs. É o tipo de declaração ousada e irresponsável, especialmente para o novo técnico de um time que há anos não faz nada digno de ser lembrado e que sustenta a indesejável marca de mais tempo sem disputar uma partida de pós-temporada – aliás, a última aparição do Bills lá foi há 16 longos anos. Desde então, foram apenas duas temporadas com mais vitórias do que derrotas e uma série de vexames dentro da divisão: entre 2008 e 2013, por exemplo, foram seis temporadas consecutivas terminando em último lugar na AFC East.

Se o passado precisa ser esquecido, tudo que resta ao torcedor do Buffalo Bills é a esperança de um futuro melhor. E quando surge um técnico que vem logo garantindo glórias, alguns desavisados podem acabar acreditando. O problema é que todo mundo sabe que Rex Ryan é um grande fanfarrão. Nunca esqueceremos que, quando era o head coach do New York Jets, chegou a garantir que o time ganharia um Super Bowl. A confiança na transcendência daquele Jets que ele ajudou a construir era tanta que Rex tatuou uma imagem de sua esposa vestindo a inesquecível camisa 6 de Mark Sanchez. Você provavelmente não acredita que algo tão bizarro e doentio possa ser verdade, mas temos provas do crime.

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A imagem mais incrível que a NFL pode nos proporcionar.

Rex chegou muito perto de cumprir sua promessa, é verdade – o Jets perdeu dois AFC Championship Games consecutivos, logo em seus dois primeiros anos. Se tivesse vencido pelo menos um Super Bowl, provavelmente ainda estaria no Jets e a tatuagem de Sanchez talvez não nos parecesse um sinal de algum transtorno psiquiátrico ainda desconhecido. Mas não venceu, assim como o Buffalo Bills não foi aos playoffs em 2015. As promessas foram em vão.

Quando se trata do Buffalo Bills– ou de qualquer outro time que coleciona fracassos recentes– não podemos nos ater muito ao que passou. Se Rex não cumpriu sua promessa, ao menos conseguiu desenvolver uma base sólida para os próximos anos, especialmente no ataque. O Bills, depois de muito tempo, tem estrelas: LeSean McCoy e Sammy Watkins, quando saudáveis, estão entre o top 5 de suas posições em termos de talento. Tyrod Taylor ainda não alcançou o mesmo status, mas é um quarterback que dá sinais de que talvez possa evoluir ao nível de um titular acima da média.

Se juntarmos esse ataque talentoso a uma defesa sólida, que vem evitando vexames ainda maiores, podemos criar a ilusão de que o Bills chegará a algum lugar em 2016. Porém, ao contrário de Rex Ryan, não vamos prometer nada. Afinal, trata-se de um time que conseguiu perder quatro Super Bowls consecutivos na década de 90 e que, simplesmente, não consegue dar o próximo passo.

Tyrod Taylor, o semideus

Tyrod Taylor talvez tenha sido o QB mais improvável de 2015. Venceu a disputa pela titularidade em uma batalha com o veterano Matt Cassel e com E.J. Manuel, uma das escolhas de primeiro rodada mais absurdas de todos os tempos e que ainda permanece no elenco do Bills. Como titular, teve uma temporada de um sucesso que no máximo pode ser classificado como moderado. Porém, em um time que já dependeu de E.J. Manuel, foi logo colocado em um pedestal e recebeu o exagerado apelido de TyGOD Taylor. A admiração da torcida e a temporada razoável em 2015 renderam uma extensão contratual de cinco anos valendo US$ 92 milhões.

Você deve estar pensando que um QB mediano, abaixo da média de peso e altura e que teve apenas uma temporada razoável como titular não valha tudo isso. E não vale mesmo. Assim como Rex Ryan, o salário de Taylor promete algo que provavelmente não vai cumprir. O Bills se cercou de cuidados e acrescentou cláusulas que proporcionam total flexibilidade, permitindo que o time se livre de Tyrod a partir de 2017 sem grandes consequências no salary cap. Basicamente, trata-se de um contrato de um ano que vale apenas US$ 9,5 milhões.

É um excelente negócio para o Bills, que dá mais uma oportunidade de crescimento para um QB promissor sem colocar em risco o futuro do time. Para Taylor, é a oportunidade de jogar em um nível muito mais alto do que já jogou para fazer com que o contrato seja cumprido até o fim.

Entre os cenários disponíveis, o mais provável é que Tyrod mantenha o que mostrou em 2015, o que pode ser difícil para um QB que depende muito das pernas para ganhar jardas. Nos últimos anos vimos Colin Kaepernick, Robert Griffin III e Michael Vick conseguirem bastante sucesso correndo com a bola e logo em seguida desaparecerem completamente. As defesas da NFL se adaptam muito rapidamente às novidades e Tyrod já não é mais o desconhecido que até pouco tempo esquentava o banco de Joe Flacco no Baltimore Ravens. Taylor terá que melhorar, principalmente, em passes de curta e média distâncias, já que em 2015 foi um dos QBs mais eficientes da liga em passes longos. Quando não corria com a bola, lançava passes longos em play actions, o que é muito pouco para quem quer ser um franchise quarterback. Ele precisa aprimorar sua capacidade de leitura rápida em jogadas com rotas curtas/médias. Precisa, resumidamente, ser um pouco mais pocket passer.

Sammy Watkins, LeSean McCoy e quem mais?

O sucesso de Tyrod Taylor – e de qualquer QB mediano – passa, em grande parte, pelo desempenho de seus recebedores. WRs acima da média, como Calvin Johnson e Odell Beckham Jr., conseguem potencializar o jogo de seus QBs.

Sammy Watkins é, sem dúvida, um dos melhores recebedores da NFL atualmente. Mas para que seu potencial seja plenamente atendido, ele precisa se manter saudável, o que parece ser um grande desafio se levarmos em conta seus dois anos como profissional. Ainda se recuperando de uma cirurgia para corrigir um osso quebrado no pé, Watkins começa a temporada de 2016 como a grande chave para o sucesso ofensivo do Bills. Se conseguir participar de pelo menos 12 jogos na temporada, é praticamente certo que passará de 1000 jardas recebidas e se aproximará de 10 TDs.

Se olharmos para o grupo de recebedores do Buffalo entenderemos por que Sammy Watkins é tão importante. Tirando o WR Robert Woods e o TE Charles Clay, que já tiveram alguns momentos produtivos, o restante dos jogadores faz parte de um grupo de desconhecidos que poderiam estar fritando hamburger em um fast food qualquer.

Talvez o Buffalo Bills nem precise de muitas opções em seu ataque aéreo. Além de falar bastante, Rex Ryan gosta muito de ver seu ataque correndo com a bola: Buffalo liderou a NFL em jardas terrestres e foi o segundo em tentativas de corrida em 2015.

LeSean McCoy já foi o melhor RB da liga e só não permaneceu no posto devido a contusões e a um comportamento questionável fora de campo, que inclusive colaboraram com a troca que o mandou para Buffalo pelo LB Kiko Alonso, que foi para o Philadelphia Eagles. Assim como Watkins, a questão para McCoy é a saúde. Se conseguir permanecer saudável, com o volume de carregadas que receberá, é difícil imaginar um cenário em que não termine no top 10 da liga em jardas e TDs.

Karlos Williams, o reserva de McCoy que foi uma das revelações de 2015, quando marcou 7 TDs, está suspenso por quatro jogos pelo uso de substâncias proibidas. Além da suspensão, Williams já tinha aparecido para treinar muito acima do peso. Segundo ele, a culpa dos quilos a mais era da gravidez de sua namorada, já que ele não podia deixar que ela atendesse aos desejos de grávida sozinha. Bizarrices à parte, pelo menos durante a sua suspensão, não há nenhuma opção além de LeSean McCoy. Com o histórico de contusões do titular, o jogo corrido do Bills pode se tornar rapidamente uma grande bagunça.

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Destrói lá, Tyrod. Mas sem pressão, tá?

Uma defesa desfigurada

Com esquemas complexos, que envolvem muito movimento e blitz exóticas, Rex Ryan criou a fama de ser um especialista em defesa. Nos anos em que levou o NY Jets à final da AFC, sua defesa foi a número dois da liga. Porém, como já vimos antes, Rex também é especialista em falar demais. Logo que assumiu o comando do Bills, além de prever a classificação aos playoffs, afirmou também que sua defesa seria a melhor da NFL em 2015. Como todas as suas promessas, essa também não se realizou. Muito pelo contrário: o Bills foi a quarta melhor defesa da liga em 2014, enquanto em 2015, o primeiro ano da era Rex, a defesa foi apenas a número 19. Uma queda vertiginosa.

O péssimo desempenho pode ser explicado pela ausência de pass rush. O Bills foi o segundo pior time da liga em 2015 em sacks, com apenas 21. Para efeito de comparação, o Denver Broncos, vencedor do Super Bowl, conseguiu 52.

O Bills até tentou melhorar nesse aspecto e procurou suprir as necessidades defensivas no draft. As três primeiras escolhas do time foram defensores. No primeiro round, draftou o DE Shaq Lawson, que acabou tendo que fazer uma cirurgia no ombro e não deve fazer sua estréia até  sexta semana. A escolha de segundo round, LB Reggie Ragland, que deveria ser titular, deve perder toda a temporada com os ligamentos do joelho rompidos.

Além dos calouros, o Bills perdeu também o DT Marcell Dareus, suspenso por quatro jogos por uso de substâncias ilícitas. A perda de Dareus, que no início da temporada de 2015 assinou um contrato de seis anos com US$ 60 milhões garantidos, deve colaborar com a piora tanto da defesa contra o jogo corrido quanto da pressão no quarterback adversário.

Outra perda, que não deve ser tão sentida quanto a de Dareus, foi a do LB IK Enemkpali, famoso por ser o responsável pelo soco que tirou Geno Smith dos primeiros jogos do Jets em 2015, que rompeu os ligamentos do joelho no jogo contra o Indianapolis Colts pela pré-temporada.

Como não consegue se conter, Rex Ryan já foi avisando que, mesmo com as contusões e suspensões, a defesa do Bills em 2016 será melhor do que a da temporada passada. Já não acreditamos mais, Rex.

Palpite: LeSean McCoy e/ou Sammy Watkins perderão vários jogos com contusões, Tyrod Taylor mostrará que não passa de um bom reserva e o Bills não irá aos playoffs. Rex Ryan será demitido e terá que se reinventar na arte de confeccionar promessas inviáveis como coordenador defensivo de um time ainda mais irrelevante.