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Os Jovens Titãs e seu novo líder

Vale recapitular a bela história de impossibilidade do ano passado. Semana 13, o time de Mike Mularkey chegava a um 8-4, empatado com os Jaguars, que chamavam muito mais atenção – sem muito alarde e brilho, parecia claro que Mariota e seus amigos chegariam pela primeira vez aos playoffs.

Entretanto, três derrotas seguidas (em que sequer conseguiu interceptar Gabbert, e depois se mostrou muito menor que Garoppolo e Goff) deixaram Jacksonville fora de alcance e a batata do treinador claramente assando – então todos já relembravam que Mularkey nunca foi tão bom assim.

Os Titans chegaram na última rodada com boas chances de se classificar: bastava vencer o Jaguars, carregados pela defesa e buscando embalar para a pós-temporada (já classificados) eliminando um rival de divisão (não que as rivalidades da AFC South, entre times que mal chegaram à maioridade, seja grande coisa): parecia a receita perfeita para derrubar um treinador na corda bamba.

Mas eles voltaram aos playoffs pela primeira vez desde 2008. Mesmo assim, todos sabiam que Mularkey era fraco e apenas chegar em janeiro não mudaria essa impressão. Além disso, os Titans enfrentariam uma equipe muito superior, os Chiefs, favoritos por 9 pontos e que abriram 18 ainda no primeiro tempo.

Parecia, óbvia e finalmente, o fim de Mularkey (sério: esse texto foi lançado no meio do jogo). Com direito a TD recebido de Marcus Mariota (antes de Nick Foles) lançado por ele mesmo, os Titans viraram e venceram a primeira partida na pós-temporada desde 2003.

No momento em que Mularkey parecia garantido por ao menos mais um ano – afinal, fora muito mais longe do que se esperava no início de 2017 e até ali nós, pessoas de bem, não podíamos resistir a sonhar com uma vitória sobre o Patriots.

Um 35-14 simples, entretanto, foi o suficiente para provar que a diretoria em Tennessee estava apenas esperando que o time entrasse de férias para se livrar de um Mike. Para seu lugar, trouxeram outro Mike, o Vrabel.

Fé no pai que agora vai.

Uma defesa de talento

Algo que sempre será questionado, até que um deles quebre a maldição, é se os treinadores da “árvore” de Bill Belichick são realmente bons, ou apenas tiveram a sorte de parecer úteis à sombra do mestre.

Com Mike Vrabel, o questionamento não será diferente: apesar de ter sido comprovadamente um grande líder nos tempos de jogador, com 14 temporadas e três Super Bowls conquistados, amado e elogiado por muitos, seus resultados como treinador se limitam a ter lidado com grandes LBs nos Texans (que já eram talentosos, como Clowney, Cushing ou Mercilus) e, em seguida, ter liderado a pior defesa (em número de pontos cedidos) em Houston em 2017.

A sorte de Vrabel é que ele continuará trabalhando com jogadores talentosos do lado defensivo. Os craques são o All-Pro Safety Kevin Byard, que produziu incríveis oito interceptações em 2017, e o Pro Bowler DL Jurrell Casey, ambos jogadores que não tem na mídia espaço equivalente ao seu talento.

E Kevin Byard não está sozinho na secundária, que mesmo assim esteve na parte de baixo das jardas aéreas cedidas: o CB recém-contratado Malcolm Butler e o já estabelecido Logan Ryan, bicampeões do Super Bowl por New England, devem ser titulares, enquanto os jovens LeShaun Sims e Adoree Jackson brigam pela terceira posição enquanto não desbancam Ryan (vai acontecer).

O time ainda terá uma disputa interessante entre Kendrick Lewis e Kenny Vaccaro para complementar a dupla de Safeties, jogadores que já mostraram talento, mas ainda não conseguiram se firmar.

O front seven também apresenta novidades. Rashaan Evans tem tudo para seguir uma longa tradição de grandes ILBs de Alabama na NFL, desde que a lesão misteriosa (Mike Vrabel não discute lesões na pré-temporada) sofrida no training camp seja apenas algo leve.

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Por outro lado, Harold Landry foi selecionado para colaborar com a rotação e melhorar os números dos pass rushers com Brian Orakpo e Derrick Morgan, que produziram apenas 14.5 sacks em 2017 – número insuficiente, que reflete diretamente na secundária. Por último, a linha adicionou 143kg de puro Bennie Logan para substituir o decepcionante Sylvester Williams, que durou apenas um de seus três anos de contrato.

Ataque também conta com nova liderança

Talvez a contratação mais interessante do time de treinadores dos Titans não seja Mike Vrabel. Como o Head Coach vem de uma carreira inteira dedicada à defesa, é natural que ele tenha mais conhecimento e uma vontade maior de lidar com esse setor do time – o que abre espaço para um líder do ataque (pense em Kyle Shanahan/Dan Quinn e Pat Shurmur/Mike Zimmer).

O nome desse cidadão é Matt LaFleur, que sai da sombra de Sean McVay em Los Angeles, tendo trabalhado também nos Redskins de RG3 e Cousins e com Kyle Shanahan nos Falcons.

Seu desafio é fazer com Mariota o que fez com Jared Goff – podendo trabalhar as devidas proporções, claro. Por um lado, os Rams contavam com WRs de verdade e Sean McVay para dar apoio; por outro, Mariota tem alguma experiência e já fez boas apresentações, demonstrando mais talento do que Goff havia demonstrado antes de LaFleur.

Além disso, Jared nunca lançou um passe para ele mesmo nos playoffs (na realidade, Mariota é o único a realizar o feito). De qualquer forma, se o efeito LaFleur for qualquer coisa próxima da evolução de 6 TDs em 7 jogos para 28 TDs em 15 pela qual passou Goff, Mariota (que produziu 28 TDs e apenas 9 turnovers em 2016) deverá ser brilhante em 2018.

É válido relembrar a temporada de 2016 porque lá Mariota também não tinha grande alvos: pelo terceiro ano consecutivo, Delanie Walker e Rishard Matthews (quase 200 bolas lançadas na direção de cada um nos últimos dois anos, enquanto Demarco Murray, já fora do time, vem em um distante terceiro lugar com 114) são as opções mais sólidas.

A grande expectativa para melhorar as opções do jovem QB fica por um grande ano de Corey Davis, 5ª escolha do draft de 2017 que teve problemas com lesões durante a temporada passada, mas recebeu seus dois primeiros TDs na NFL no último jogo da temporada, contra os Patriots. Corey tem a obrigação de se colocar como WR1 de Mariota para não ser considerado um bust.

Se os recebedores não empolgam, a dupla de backfield, porém, conseguiu ficar ainda mais interessante. Derrick Henry recebe finalmente o título de carregador de piano e segundo jogador mais importante desse ataque com a saída já mencionada do (surpreendentemente) velho Demarco – menos de 300 tentativas e 10 TDs para ele, aproveitando um novo estilo de chamadas de ataque, buscando abrir espaços para Mariota brincar.

Para complementá-lo, os Titans trouxeram o baixinho Dion Lewis, que esteve presente nos 16 jogos da temporada pela primeira vez em 2018 e, mesmo entre os 15 RBs que os Patriots costumam utilizar, produziu incríveis 896 jardas. Uma excelente dupla para fazer companhia ao quarterback atrás da linha.

Nunca falamos o suficiente da linha ofensiva

Aqui importante dar destaque para o trabalho que Tennessee está fazendo: o LT Taylor Lewan, que foi ao Pro Bowl nas últimas duas temporadas, recebeu um novo contrato valendo 80M durante a pré-temporada. O RG Josh Kline foi outro que renovou com a equipe (26M, 4 anos) e o C Ben Jones é uma âncora sólida.

O RT Jack Conklin (All-Pro em 2016, quando rookie) infelizmente sofreu uma lesão no joelho contra os Patriots nos playoffs, mas o time se preparou bem ao proporcionar tempo para ele se recuperar e, de quebra, encontrar um LG no processo, competindo com os já presentes Quinton Spain e Dennis Kelly.

O Titans ainda trouxe Xavier Su’a-Filo (LG titular dos Texans e 33ª escolha do draft de 2013) e Kevin Pamphile (LG titular nos Buccaneers). Quando essas disputas se definirem, será fácil cravar que Mariota e Henry terão uma bela proteção.

Palpite

Talvez Tennessee seja o time mais equilibrado de uma divisão que poderia ter qualquer uma das quatro franquias brigando forte nos playoffs, caso tudo encaixasse da maneira esperada. Como a equipe nunca venceu Andrew Luck e tomou incríveis 57 (!!!) pontos de um Deshaun Watson saudável, fica claro o que poderá segurá-los mais longe do céu. Ambos fatores serão decisivos para uma arrancada inicial: 6 ou 7 vitórias até o primeiro jogo contra Luck, que pode já ter voltado dos mortos até lá, não são inimagináveis caso tudo se encaixasse, levando os Titans ao primeiro título de AFC South desde 2008 – a última campanha vitoriosa da carreira de Jeff Fisher.

Para esse time, o único preview que importará é dos playoffs

“Deflategate is finally over”, era o anúncio que ecoava pelos jornais e sites esportivos quando finalmente Tom Brady desistiu que ia deixar de lutar contra a suspensão de quatro jogos pelos incidentes da já longínqua final da AFC da temporada de 2014, em que bolas murchas ajudaram (ou não) o time de Boston a bater os Colts por uma ampla margem de 45-7. Além disso, Bill Belichik também perdeu sua primeira escolha no draft deste ano e a quarta de 2017, o que pode ter sido mais um fator motivador para trocar Chandler Jones (mais sobre a seguir). Dessa vez, após muito drama, reviravoltas e julgamentos, o comissário Roger Goodell levou a melhor.

Outro acontecimento importante da offseason dos Patriots foi a já mencionada troca do pass-rusher Chandler Jones, responsável por 12.5 sacks em 2015, pelo guard Jonathan Cooper, sétima escolha do draft de 2013 e por uma escolha de segundo round em 2016 (novamente trocada, resultando no G Joe Thuney e no WR Malcolm Mitchell).

Jones, o principal responsável para colocar pressão no QB nessa defesa, foi trocado especialmente porque Belichik buscava ter mais opções no draft e, principalmente, porque considera mais importante renovar com os LBs Donta Hightower e Jamie Collins (também em ano de receber um novo contrato), acreditando que não teria salary cap suficiente para manter os três – e ao invés de perdê-lo de graça no final da temporada, preferiu apostar em um guard cheio de potencial, mas com problemas com lesões, e em dois jogadores aparentemente medianos no draft.

WaterBoy

Water boy, muso das sidelines. QB reserva nas horas vagas.

Não vai acontecer de novo

O ano era 2001, o QB e titular indiscutível Drew Bledsoe havia assinado um contrato de 10 anos e (então recorde) 103 milhões de dólares, quando, no segundo jogo da temporada, sofre hemorragia interna após um tackle de um jogador dos Jets e é substituído pela escolha 199 do draft do ano interior. O resto, como dizem, é história: Bill Belichik tomaria nas rodadas seguintes uma decisão discutível, mas certeira, Tom Brady seria o MVP do Super Bowl daquele ano e o aparentemente intocável e ídolo da torcida não mais vestiria a camisa dos Patriots, trocado para o Buffalo Bills.

15 anos depois, tudo o queríamos era ver um pouco de história se repetindo – quase não nos importaria ver os Patriots campeões do Super Bowl de novo desde que Tom Brady estivesse vendo tudo de fora com cara de bunda. Infelizmente, não parece que irá acontecer. Jimmy Garoppolo terá a primeira oportunidade de ser titular em jogos de verdade na NFL e sofrerá um batismo de fogo jogando contra as ferozes (e inclusive contra o ex-companheiro Chandler Jones) defesas de Cardinals, Texans e Bills. Mais do que isso, seus números (7 TDs, 3 INTs, 7,4 jardas por passe) em sete jogos contra defesas medíocres em pré-temporada não empolgam.

Com atuações pouco espetaculares, mas eficientes (Bill Belichik fez Matt Cassel produzir uma campanha 11-5), de Jimmy Garoppolo (palpite: 10 TDs, 5 interceptações, e trocado para algum time desesperado e pouco inteligente por uma escolha de segundo round ano que vem. 2º palpite: Washington Redskins), é provável que os Patriots comecem com uma campanha de pelo menos duas vitórias antes que Tom Brady retorne para levar New England mais uma vez aos playoffs.

O motor rumo aos playoffs

Falando em Brady, era de esperar que o jogador estivesse começando a fazer a curva agora que está chegando aos 39 anos. Entretanto, jogando de maneira inteligente e eficiente (4770 jardas, 36 TDs e somente 7 interceptações em 2015), aproveitando-se dos passes curtos e rápidos, além do entrosamento criado ao longo dos anos com o monstro TE Rob Gronkowski, seu alvo favorito e sério candidato a mais de 15 TDs todos os anos enquanto saudável (a vida de festeiro sempre parece roubar-lhe alguns jogos da sua condição física todos os anos), e o seguro WR Julian Edelman (692 jardas e 7 TDs em apenas 9 jogos), Tom afirma que pretende jogar até os 45 anos.

Além dos alvos tradicionais, o quarterback contará com ainda mais ajuda do que teve em 2015. O WR Chris Hogan e o TE Martellus Bennett foram trazidos para tentar emular jogadores que fizeram sucesso na equipe no passado e que até agora não foram substituídos a altura: o eterno WR Wes Welker e o complemento perfeito de Gronkowski, o hoje preso TE Aaron Hernandez. O time da Nova Inglaterra também contará com o retorno de um saudável RB Dion Lewis, que impactou a NFL com sua habilidade em evitar tackles (os famosos dibres) e grande produção em apenas sete jogos.

Brady também deverá contar com melhor proteção após ser destruído na final da AFC pela defesa dos Broncos, já que o T Nate Solder estará de volta após atuar em apenas quatro jogos em 2015. Além disso, a competição que adicionou os dois novos guards já mencionados (Cooper e Thuney) aos titulares medianos (Tre Jackson e Shaq Mason, rookies em 2015) só pode ser benéfica para escolher os melhores à frente de Brady.

Entretanto, perder Sebastian Vollmer na segunda semana da pré-temporada deverá ser um grande golpe à linha, já que Marcus Cannon não parece ser um RT capaz na NFL – nem parece possível que o time encontre um substituto melhor a essa altura.

Apostando em veteranos

As grandes perdas dos Patriots essa temporada parecem concentrar-se no lado defensivo. Além de Chandler Jones, o time também perdeu o DT Akiem Hicks (para os Bears) e dispensou o DT Dominique Easley por causar problemas no vestiário. Para resolver o problema de falta de opções na linha, Belichik contará com dois novos veteranos que já demonstraram qualidade, mas não tiveram no seu melhor em 2015: o DT Terrance Knighton (de Washington, mas que jogou bem pelos Broncos) e o DE Chris Long (titular em apenas cinco partidas pelos Rams ano passado).

Atrás deles, os já comentados LBs Collins e Hightower devem repetir as boas atuações da temporada anterior, e para complementá-los e tentar adicionar um pouco de profundidade ao grupo, foi trazido o bust Shea McLellin, em uma tentativa de que o HC faça dos seus milagres. Na secundária, caberá ao sempre presente S Devin McCourty e ao herói do Super Bowl XLIX Malcom Butler, oposto ao CB Logan Ryan, tentarem compensar a fraca linha defensiva que os Patriots devem ter esse ano.

BUTLEY

Jogada que permitirá uma carreira de 10 anos a Malcolm Butler.

Sempre importante lembrar: Belichik tem fama de tirar leite de pedra e fazer jogadores medíocres parecerem elite. Logo, não nos deve surpreender se essa defesa aparentemente mediana acabar entre as 10 melhores no final das contas.

Palpite: 13-3, folga na primeira rodada dos playoffs e a lenda continua. Jimmy Garoppolo continua só sendo lindo no banco a partir da quinta rodada e Brady não mostra nenhum sinal de ter 39 anos, até uma derrota bizarra para os Jaguars embaixo de muita neve em Boston. Você ouviu aqui primeiro.