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O homem de ferro cercado por homens de vidro

É o terceiro ano de prévias da temporada no PickSix e pelo terceiro ano sou responsável por San Diego (ou Los Angeles, se você consegue lidar com essa bizarrice) Chargers. Pelo terceiro ano seguido, a lógica de que esse time é fadado ao fracasso e às lesões diz uma coisa, mas a análise fria diz outra – obviamente, em julho, todo time é destinado ao Super Bowl, mas os Chargers contam, de fato, com boas peças (mais sobre isso a frente).

Como é um time sobre o qual falamos apenas uma vez por ano, é preciso comentar certos pontos da temporada de 2017: a depressão da chegada em Los Angeles já parece clara, como mostra a incapacidade de lotar um estádio de futebol-futebol com capacidade para 30 mil pessoas apenas com torcedores do próprio time (que, só nos resta concluir, não existem). Há também a comparação com os Rams, talvez a equipe mais empolgante de 2017 mesmo sendo o terceiro melhor time da conferência, o que já coloca os Chargers com menos de 365 dias de nova casa na condição de Clippers, Mets, Atlético de Madrid ou, pior, algo como um Botafogo da NFL.

Outro tema agridoce que viverá a torcida (inexistente) dos Chargers versa sobre a posição de Tight End. Pela primeira vez em 15 anos, Antonio Gates não será o sexto homem complementando a linha ofensiva, nem o gigantesco ex-jogador de basquete pulando mais alto que linebackers e fazendo safeties questionarem se é o que querem para sua vida é mesmo jogar football.

LEIA TAMBÉM: Antonio Gates era San Diego. Mas já é tempo de Hunter Henry

Teoricamente, para a sorte da equipe de Los Angeles, eles pareciam já ter encontrado o substituto ideal para Gates em Hunter Henry que, quando saudável, produziu muito como alvo seguro de Philip Rivers.

Infelizmente, seu joelho não aguentou o peso do uniforme azul bebê e explodiu ainda em maio. E isso pode ser um prenúncio de um ano como todos os outros, porque poucos times parecem apostar tanto que “lesões passadas não são indicativos de lesões futuras”.

*Muito bom, se estiver saudável

Se apenas a lesão de Hunter Henry já parece ruim, a lista de candidatos a substitutos de Gates sofre com a maldição: o jovem Austin Roberts, ainda que apenas mais um undrafted free agent (assim como o velho Antonio) buscando seu lugar ao sol, também teve seu joelho saindo fora do lugar. Virgil Green, que teve 71 recepções em sete anos com os Broncos, é o nome mais conhecido do grupo e não é nada mais que um sexto bloqueador razoavelmente útil – o que pode, inclusive, até motivar um último retorno de Gates* ao time (mera especulação, mas se rolar vocês viram primeiro aqui).

Para a sorte do velho Philip, por outro lado, o seu grupo de WR está em melhor estado. Ao menos por enquanto. Keenan Allen*, vencedor do prêmio de Comeback Player Of the Year (que por si só já mostra o histórico de problemas de saúde) em 2017, jogou pela primeira vez, em cinco anos de carreira, os 16 jogos da temporada e, até surpreendendo os que já haviam desistido, chegou próximo das 1400 jardas recebidas, atrás apenas dos irreais Julio Jones e Antonio Brown. Com múltiplos jogos de mais de 10 recepções e de 100 jardas – inclusive contra a forte secundária dos Bills -, não há razão para não repetir números do tipo.

Outro que conseguiu excelentes números combinados com participação em todos os jogos pela primeira vez na carreira foi o RB Melvin Gordon* – nada espetacular no jogo corrido, mas sólido, e especialmente importante como alvo seguro no jogo aéreo, sendo suas 54 recepções um número maior do que qualquer outro WR além de Keenan Allen.

Para suprir esse vazio como segunda opção de recebedor, especialmente agora sem TE, o nome ideal seria Mike Williams* (e não só porque esse é um nome extremamente comum para WR na NFL). Uma curiosidade interessante sobre o início da temporada de 2018 é que a equipe comandada por Anthony Lynn e gerenciada por Tom Telesco não escolheu nos quatro primeiros rounds um jogador ofensivo sequer; o que, além de confiança no que tem, pode indicar que o time acredita que poderá aproveitar suas duas primeiras escolhas de 2017 finalmente.

O primeiro foi Williams, que perdeu a pré-temporada e os seis primeiros jogos com problemas nas costas, simplesmente fatal para seu desenvolvimento e limitando-o a 11 recepções. Certamente Rivers visualiza tirar mais dele, devido ao seu pedigree que gerou 1361 jardas na última temporada, como alvo de Deshaun Watson. Já os WR Tyrell Williams e Travis Benjamin não são maus jogadores, e tê-los como opções complementares apenas pode tornar esse ataque em um dos (ainda) melhores da liga.

O segundo jogador ofensivo que é praticamente um rookie é o G Forrest Lamp*, que (adivinhem) também se machucou na pré-temporada e nunca voltou. É fácil assumir que ele deverá ser muito bom para além do hype do draft: o próprio Chargers selecionou o G Dan Feeney uma rodada depois e ele acabou eleito um dos melhores rookies do ano.

Completam a linha ofensiva o LT Russell Okung*, que justificou a aposta em si mesmo após assinar um contrato cheio de incentivos, sem orientação de empresário, e chegou ao segundo Pro Bowl da vida; o Center Mike Pouncey*, que vem de Miami e acumula três Pro Bowls da época em que esteve saudável; e Joe Barksdale*, que perdeu cinco jogos na última temporada, mas mantém o alto nível quando está presente.

*para entender tantos asteriscos, basta olhar o título. Sério, vai ser muito incrível se todos aguentarem toda a temporada – e muito bom para os Chargers também.

Sobre Iron Man e Geno Smith

Philip Rivers dispensa muitas apresentações e comentários. Suas 4500 jardas e 28 TDs são números dos sonhos para equipes sem QB e, com a riqueza de talento ao seu redor, não há razão para esperar que ele vá decair com apenas (para os padrões Tom Brady de ser) 37 anos a serem comemorados com seus 15 filhos (ou algo assim) em dezembro – especialmente como detentor do título de Iron Man da liga, com 192 jogos de temporada regular seguidos, conquistando a simbólica medalha após o episódio estranho com Eli em Nova York.

Entretanto, para aqueles que duvidam de coincidências, é válido relembrar: para a descrença de todos, um Manning que parecia destinado a uma última oportunidade foi substituído pelo eternamente desacreditado Geno Smith. E adivinha quem foi contratado para ser o QB reserva em Los Angeles em 2018? Pelo bem de Rivers, vamos torcer que Cardale Jones ganhe a disputa de posição.

É saudades que chama.

A defesa de Joey Bosa

Não vamos aqui fingir que entendemos tanto da defesa dos Chargers quanto seria possível. De qualquer forma, é interessante notar que a equipe foi número 3 da liga em 2017 em pontos cedidos e não perdeu nenhum jogador notável: pelo contrário, o draft soma ao grupo que tem como coluna vertebral os craques Bosa, Ingram e Hayward.

Joey Bosa é uma máquina e concorrente perene a DPOY, especialmente enquanto ajudar a equipe dominando a linha ofensiva tanto no passe quanto no jogo corrido e a abrir espaços para Melvin Ingram, outro terror de QBs, que finalmente chegou ao seu primeiro Pro Bowl após anos como único ponto bom da defesa em San Diego.

Brandon Mebane e Corey Liuget vêm de um 2017 ruim e, caso consigam produzir pressão interior aproveitando os espaços de Bosa e Ingram, poderão se aproximar da pressão do irmão rico de Los Angeles.

No back-seven, a estrela óbvia é Case Hayward, que dispensa mais comentários, qualificando-se como um dos Cornerbacks mais underrated da NFL (ainda que tenha ido ao Pro Bowl nos últimos dois anos), enfrentando WR1 adversários do alto de seus 1,80m é produzindo 11 interceptações nos últimos dois anos. Seu complemente ideal seria Jason Verrett, mas o que não era incomum em San Diego segue usual em Los Angeles: ele já está lesionado e fora da temporada de novo.

Nunca duvidamos.

Para a sorte dos Chargers, jovens devem continuar colaborando na defesa. Trevor Williams, undrafted em 2016 e sem parentesco com Tyrell, assumiu a posição com outra lesão de Verrett em 2017 e foi apontado como 10º melhor CB da liga no ano passado. Outro jovem que tem o objetivo de dificultar a vida dos ataques aéreos é o rookie Derwin James, Safety escolhido na metade da primeira rodada para já chegar jogando.

Palpite

Dá para acreditar? Se a medicina continuar evoluindo e segurar tantos jogadores duvidosos de pé, com certeza. Em 2017, a equipe perdeu apenas para dois times que não foram para os playoffs: para os Broncos na altitude e para os Dolphins graças ao FG desperdiçado pelo jovem Koo (citação obrigatória, especialmente agora que ele já não está na liga). Após um desastroso início 0-4, Anthony Lynn conduziu a equipe a nove vitórias e apenas três derrotas, com a mesma campanha de Titans e Bills, que foram aos playoffs.

Com Oakland e Denver em situação sempre duvidosa, além de Kansas City com um QB essencialmente rookie, os Chargers têm uma oportunidade de voltar a vencer a divisão, o que ajudaria a construir algo de torcida em Los Angeles. Um 10-6 e eliminação na segunda rodada dos playoffs para um time com mais camisa depois de tirar alguém da AFC South parece um bom 2017. Ou Geno Smith pode ser o starter lá pela semana 9, enquanto somos lembrados que San Diego dos tempos de Antonio Gates segue vivo, mesmo em uma cidade estranha.

Análise Tática #12 – Semana #3: Ainda não cansamos de falar de Kansas City

Kareem Hunt não se cansa de bater recordes. Em nossa primeira análise tática de 2017, mostramos como ele conseguiu bater o recorde de jardas totais em uma estreia. Na semana 3, Hunt se tornou o primeiro jogador na história da NFL a anotar TDs de pelo menos 50 jardas em suas três primeiras partidas. No jogo contra o Los Angeles Chargers, a longa corrida de 69 jardas até a endzone veio no último quarto do jogo e selou a vitória do Kansas City Chiefs.

Com o TE Travis Kelce posicionado no slot e com um WR na parte de cima da tela, o Chiefs tinha três bloqueadores do lado esquerdo do campo. A jogada, porém, seria iniciada para o lado direito. Como a jogada provavelmente seria uma corrida, o Chargers deixou apenas um safety em profundidade.

Quando Hunt recebeu a bola, toda a defesa do Chargers se moveu para o lado direito do ataque. Com o bom trabalho dos bloqueadores na parte de cima da tela, foi criado um buraco na defesa.

Um corte rápido para a esquerda fez com que Hunt só tivesse que usar sua velocidade para bater o safety e anotar o TD.

Surpreendentemente, o New England Patriots sofreu bastante para vencer o Houston Texans por 36×33, em Foxborough. A vitória só veio nos segundos finais, com um passe perfeito de Tom Brady para o WR Brandin Cooks. No alto da tela, Cooks tinha uma rota vertical e tinha dois jogadores na marcação: o CB, logo a sua frente, e o S em profundidade.

O problema para o Houston Texans é que a marcação era em zona e nenhum dos dois marcadores fez a leitura correta da rota de Cooks, o que abriu uma pequena janela para Tom Brady, que estava a centímetros de sofrer um sack de Jadeveon Clowney.

O passe, porém, foi perfeito para o espaço dado pela marcação. Quando os defensores perceberam a rota, já era tarde demais. Cooks estava a duas jardas de distância dos dois marcadores e anotou o TD que deu a vitória sofrida para New England – e mais uma vez calou o twitter do site. 

Podcast #3 – uma coleção de asneiras III

Trazemos as lesões mais recentes da NFL e discutimos jogadores injury prone. Realidade? Mentira? O que comem? Onde habitam? Em seguida, apresentamos a realidade de alguns times, se são bons ou ruins. Por fim, sugerimos alguns jogos para o amigo leitor ficar atento nas próxima semanas!

Agradecemos a atenção e desde já nos desculpamos por pequenas falhas no áudio – somos eternos amadores em processo de aprendizagem. Prometemos que, se existir um próximo, será melhor.

Uma grande enfermaria em Los Angeles II

Vamos tirar duas coisas do caminho para poder falar normalmente do Chargers: primeiro, Joey Bosa, talvez você não saiba que eu exista, mas perdoe pelas críticas. Você é muito melhor (10,5 sacks em apenas 12 jogos melhor) do que esperávamos e plenamente capaz de ser o que quiser nessa vida (se resolver largar o football para virar astronauta, vai na fé. Vai dar certo, não deixaremos ninguém duvidar de ti). Segundo, provavelmente Chargers é o melhor time da divisão. Mas não se iluda, daqui para frente é só ladeira abaixo.

(Sério. O time tem bom grupo de LBs. Enquanto o texto era escrito, Denzel Perryman, inside linebacker líder do grupo, se machucou e está fora por pelo menos um mês. Time desgraçado.)

Outro problema que incomoda bastante ao analisar ex-time de San Diego é o seu estádio. Por pior que a equipe tenha sido nos últimos anos e mesmo com a constante ameaça de abandonar a cidade, a média de público esteve sempre acima dos 60 mil por partida (exceto em 2016: 57 mil), ainda que se possa afirmar que boa parte desses eram torcedores das equipes adversárias.

Ao mudar-se para LA para ser inquilino de Stan Kroenke (e assim, como fica claro para qualquer um que queira ver, ser o time simpático secundário da cidade), o time resolve alugar um estádio de futebol de 27 mil pessoas para jogar pelos próximos três anos, porque a construção do novo estádio foi adiada. Faz algum sentido para os senhores? Pois nem para a torcida deles, já que esta sequer lotou o StubHub Center na estreia da equipe na cidade (a efeitos de comparação, os Rams bateram o recorde de público em um jogo de preseason da NFL em sua estreia em 2016).

Mais deserto que a Arena Amazonas.

A última grande novidade fica por conta do HC Anthony Lynn, que fez seu nome estabelecendo um potente jogo corrido com LeSean McCoy e tornando Tyrod Taylor em um QB especialmente capaz. Veremos o que ele pode fazer com um QB candidato ao Hall da Fama.

Nem Philip Rivers quis ir para LA

Philip Rivers é um cara tão injustiçado quanto os defensores do Jacksonville Jaguars. Titular em todos os jogos do time desde 2006 (jogando inclusive com joelho estourado e alma costurada), lançando para mais de 4000 jardas e 25 TDs desde 2008 (exceto em 2012).

Não obstante, é importante lembrar os absurdos 30 turnovers em 2016, que mostram que ele já não é mais o cara para carregar sozinho o time, já que a idade parece estar pesando sobre seu braço direito (aliás, sua porcentagem de acerto de passes diminuiu bastante entre a primeira e a segunda metade da temporada).

Além disso, o quarterback foi um dos principais críticos da mudança para Los Angeles, tanto que ele não abandonará sua residência no norte de San Diego em prol de seus oito filhos. O jogador optou por fazer diariamente o caminho de aproximadamente 120km entre sua casa e o novo CT dos Chargers – no famoso trânsito infernal da região.

A ajuda vem…

Quando Rivers está sob pressão, ele é perigoso. Obviamente, só nos resta imaginar o que ele seria capaz de fazer tendo tempo para jogar (spoiler: ele é um monstro). Sabendo disso, o time não poupou esforços para melhorar a linha ofensiva: para substituir o aposentado King Dunlap, o time trouxe o bom LT Russell Okung (com um contrato teoricamente monstruoso, mas que é essencialmente de 2 anos) que teve sua primeira temporada saudável pelo rival Denver Broncos. Além disso, o draft foi bom para a unidade e permitiu a adição dos guards Feeney e Lamp (começou com “my name is Forrest, Forrest Lamp” e, adivinha, também explodiu o joelho), que deveriam ter sido escolhidos antes do que realmente foram pelos Chargers.

Danny Woodhead (o Darren Sproles 2.0) deixa o time, mas deverá ser substituído por Branden Oliver (o Darren Sproles 3.0) sem muita perda de qualidade. O RB principal da equipe, Melvin Gordon, finalmente marcou seu primeiro TD da carreira em 2016 – e adicionou mais 11 em apenas 13 jogos. Obviamente, esses “apenas 13 jogos” nos levam ao próximo tópico: a maldição que afeta o Los Angeles Chargers.

Ou seria Mike Tolbert 2.0?

… se ficar inteira

Por exemplo, a única temporada em que Okung disputou os 16 jogos foi em 2016. Melvin Gordon também ainda não aguentou chegar ao final do ano saudável. O grupo de WRs é ainda mais afetado: Keenan Allen, teoricamente o principal alvo de Rivers, perdeu todo 2016, tendo ficado de fora também por metade da temporada de 2015; para substituí-lo, o time escolheu Mike Williams na 7ª posição do draft. Acho que o leitor já pode adivinhar que, durante a pré-temporada, Williams também se machucou (uma hérnia de disco, que pode até mesmo tirar o jogador da temporada).

Ainda que tenha dificuldades em estabelecer um WR1 (o que melhoraria bastante a sua vida e o peso da idade no seu braço), Rivers não acabará carente de alvos: Tyrell Williams surgiu do nada e substituiu Keenan Allen superando as 1000 jardas em 2016; Dontrelle Inman e Travis Benjamin também tiveram um 2016 razoável, aproveitando as oportunidades que apareceram (basicamente, se você passar por 2016 e 2017 sem ter ao menos um recebedor dos Chargers em seu time de fantasy football, você não se aventurou o suficiente nos waivers).

Além disso, é válido lembrar dos TEs Hunter Henry e Antonio Gates, que combinaram para 15 TDs em 2016. Resumindo: ajuda existirá para Philip Rivers produzir, resta saber se será suficiente.

Surpreenda-se: o outro lado é bom também

Ainda que Keenan Allen seja a lesão mais lembrada do ano amaldiçoado dos Chargers (sério, 23 jogadores acabaram na injured reserve; para comparar, os Patriots colocaram apenas cinco atletas lá), provavelmente a lesão mais dolorosa ocorreu do outro lado do passe: era esperado que o CB Jason Verrett se tornasse outro grande defensor da NFL, até que seu joelho resolveu explodir.

Em 2017, ele deverá voltar e formar dupla com o outro excelente cornerback Casey Hayward, uma das melhores contratações de San Diego (e, provavelmente, da liga) nos últimos anos. Ainda que ambos sejam anões para os padrões com que o novo coordenador defensivo Gus Bradley (fracassado em números nos Jaguars, mas arquiteto original da Legion of Boom e de uma boa defesa em Jacksonville) está acostumado, não se vê a defesa aérea de Los Angeles devendo algo – especialmente com a aparente ascensão do undrafted Michael Davis (esse sim, com quase 1,9m) e da escolha de 5º round Desmond King, aparentemente um faz-tudo na secundária.

A chegada de Bradley trouxe mais mudanças à equipe: o time abandonará o 3-4 e passará a defender com um 4-3, servindo às habilidades do seu melhor pass-rusher, Joey Bosa (eu já pedi perdão, caras).

“Não ia ser um bostão?”

Do outro lado, Melvin Ingram, que passou quatro anos sonhando com algum complemento nessa defesa, agora deverá servir como um bom complemento para a jovem estrela. O novo esquema também deverá ser benéfico para o meio da linha, composta por Corey Liuget e Brandon Mebane, o primeiro por ter mais liberdade para ir atrás do QB (conseguiu 17 sacks entre 2012-14) e o segundo tendo que tapar menos buracos como NT – fazendo um serviço mais parecido com o que tinha em Seattle.

Previsão: 9-11 vitorias, vencendo Jets e Oakland no final da temporada para chegar aos playoffs. Isso, obviamente, supondo que o time se cure da maldição que o afeta já há alguns anos e que a home field advantage de um estádio de 27 mil lugares seja conseguida com a pressão esperada pelo mão-de-vaca do Dean Spanos. Caso contrário, provavelmente o highlight da temporada será ver o kicker sul-coreano Younghoe Koo (!) em campo, com todos os trocadilhos que isso deverá trazer.

Balanço do draft: erros, alguns acertos e várias bobagens

Passados os três dias de Draft, podemos fingir que entendemos alguma coisa sobre o que aconteceu e avaliar a escolha de jogadores que agora são profissionais, mas nunca enfrentaram o nível de competitividade da NFL.

Como ninguém liga para as asneiras que dizemos (e se liga, precisa refletir sobre o que diabos está fazendo com sua vida), não será um grande problema. Dessa forma listamos alguns erros, acertos e bobagens do último processo seletivo.

Cagadas (ou porque alguns times não se contentaram em deixar seus torcedores putos durante a temporada e decidiram fazer o mesmo até na offseason)

1) Chicago Bears:

Poderíamos apenas listar alguns tweets dos torcedores de Chicago para mostrar o quão satisfeita a torcida ficou com as escolhas da equipe:

“Um puta desastre!!! Nossa diretoria é horrível!!!”

“Ótimo draft Bears… Vocês perderam a torcida. McCaskey, venda a franquia”

“O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO???”

“Que merda foi essa?”

Bem, estes são alguns dos nossos favoritos. Poderíamos também dizer que a equipe foi a única a tirar menos que “B-” nas notas que o site da NFL dá a cada franquia, mas escolhemos explicar porque os Bears fizeram o que fizeram (bosta).

Mitchell Trubisky, o “futuro” da franquia, é um quarterback que jogou apenas 13 jogos em sua carreira no college. Você pode argumentar que ele não teve oportunidades e, de fato, não teve. Por incompetência própria. O titular da época quando Mitch (ele não quer ser chamado de “Mitch”, mas quem se importa?) era reserva nós não nos demos nem ao trabalho de pesquisar quem seria o meliante e, se algo ainda pode piorar, a comparação de Trubisky com um jogador da NFL atual é com… Jay Cutler.

Já nas escolhas seguintes o Bears selecionou um TE que pode até ser promissor, mas jogava em divisões inferiores do futebol americano universitário, enquanto a escolha de round 3 seria excelente se ela conseguisse se manter em campo – não foi o caso em 2016.

As outras picks são um RB (que eles não precisam) e um jogador de linha ofensiva que duvidamos que você já tenha ouvido falar. Parabéns, Chicago Bears: vocês são oficialmente o novo Cleveland Browns.

2) New York Giants:

Quando dissemos em nosso Mock que os Giants iriam atrás de um TE na primeira rodada nós, pelo menos, acreditávamos que o time escolheria alguém que soubesse bloquear. Evan Engram, porém, é classificado por alguns analistas como WR. Para proteger Eli Manning – o que deveria ser uma prioridade, a medida em que ele ruma para a fila da Previdência Social – a equipe gastou uma escolha daquelas rodadas em que, se alguém diz que entende algo, está mentindo. Nas outras seleções, um jogador de linha defensiva para substituir os que eles não conseguiram segurar na Free Agency; um RB que era reserva em seu time, mas com potencial; um jogador de linha defensiva, que também não era o principal do seu time; e um QB pra aprender com Eli Manning e se tornar seu substituto – seja lá o que diabos isso signifique, temos medo.

3) Los Angeles Rams:

Ninguém liga pros Rams e não somos a exceção que confirma a regra. Não vamos tomar muito do seu, nem do nosso tempo, falando sobre eles. O time, que luta cada vez mais para se tornar irrelevante, esqueceu que precisava montar uma linha ofensiva e, ao invés disso, escolheram dois jogadores de linha defensiva e um fullback, mas ninguém para proteger o futuro da franquia, Todd Gurley. Talvez, no fundo, a mediocridade seja um legado de Jeff Fisher.

Surpresas (ou não, não vamos falar daquele jogador que ninguém conhece e que acabou não sendo draftado)

1) Chicago Bears trocando com o San Francisco 49ers

O Chicago Bears fez o novo GM dos 49ers, John Lynch, parecer Sonny Weaver Jr (GM dos Browns no filme Draft Day, em que toda a história é desenvolvida para que Sonny saia como herói).

Os Bears deram escolhas de terceira e quarta rodada desse ano e mais uma escolha de terceira rodada do ano que vem para subir uma posição no board e escolher um jogador que San Francisco não queria. Experimente digitar no Google “Bears 49ers trade“: você verá manchetes como “49ers roubaram os Bears“, “Como os 49ers conseguiram três escolhas dos Bears?” e “49ers vencem primeira rodada do draft após troca com os Bears“.

Se você acha que os Bears fizeram isso para evitar que outra equipe o fizesse, saiba que até agora ninguém que cobre a NFL conseguiu encontrar alguma franquia disposta a trocar com os 49ers para selecionar Mitch-esquecemos-a-grafia-correta-do-sobrenome-e-não-vamos-pesquisar. A verdade é que nem os 49ers acreditavam que os Bears selecionariam Trubisky.

2) Três WRs sendo escolhidos nas 9 primeiras posições

Não há muito o que dizer sobre isso apenas que foi, de fato, uma surpresa. Poucos mocks apontavam esse cenário. Corey Davis era apontado como provável escolha no TOP 10, mas a seleção de Mike Williams por parte dos Chargers e de John Ross III por parte dos Bengals acabou pegando muita gente desprevenida.

Um amigo para Mariota.

3) O que o desespero pode fazer com algumas franquias

Por alguns segundo, imagine-se na posição de Texans e Chiefs. Uma não tem um quarterback que lançou um touchdown na liga e não se chama Brandon Weeden, enquanto a outra tem Alex “short of the 1st down marker” Smith. Para sair da situação incômoda que estavam, as duas franquias tiveram que dar suas escolhas de primeira rodada em 2018 para escolher quarterbacks que ninguém tem coragem de colocar a mão no fogo.

4) Bônus: como uma música pode ser irritante

Se eu ouvir o “grito de guerra” Fly Eagles Fly mais uma vez, não respondo por meus atos.

Acertos (ou infelizmente não há muita diversão no sucesso alheio) 

1) Cleveland Browns:

Os Browns tem feito tudo certo para se tornarem uma franquia decente e nesse último draft não foi diferente. A equipe saiu da Philadelphia com três seleções na primeira rodada, sendo uma delas o melhor jogador disponível. Além disso, na segunda rodada, o time escolheu DeShone Kizer, que era cotado para sair na primeira. Para completar, os Browns tem ainda cinco escolhas nas duas primeiras rodadas do draft de 2018.

2) Miami Dolphins:

Os Dolphins conseguiram uma classe bem sólida: a franquia adicionou peças para o front seven, que não era exatamente uma necessidade, mas que poderiam ser colocadas como prioridade; secundária e ataque. Além disso, conseguiram um potencial guard titular na quinta rodada e um WR considerado por muitos um sleeper em sua última escolha. Devolvam os Dolphins que nós aprendemos a amar.

3) Los Angeles Chargers:
Parece que os Chargers finalmente perceberam que o tempo de Phillip Rivers está se esgotando. Em suas três primeiras escolhas, a equipe selecionou um WR para se tornar o melhor amigo de Rivers quando Keenan Allen não está em campo (sempre), além de dois guards para fortalecer o interior da linha ofensiva. Na segunda metade do draft, o foco foi reforçar a defesa. Se tudo der certo, Phillip Rivers vencerá dois Super Bowls e entrará no Hall da Fama no lugar de Eli Manning.

4) Bônus: New England Patriots
Se os Patriots escolherem uma tartaruga manca as pessoas vão, pelo menos, tentar entender o lado de Bill Belichick. Não precisamos nem olhar as escolhas para elogiá-las.

**MOMENTO CORNETA**

Perdedores (ou nem todo mundo saiu fortalecido da Philadelphia)

Chuck Pagano:

O cerco está se fechando. Depois de demitir Ryan Grigson e contratar um GM de verdade, os Colts parecem no caminho certo para montar uma equipe competitiva. Chris Ballard tem arrancado elogios de toda liga sobre a forma como tem montado o time durante essa offseason e agora Pagano não tem mais desculpas: com uma defesa mais razoável em mãos, ele tem que mostrar que é capaz de ser um técnico de qualidade. Spoiler: não vai rolar.

Revendo o Mock Draft

Todos sabemos que Mock Drafts não querem dizer nada, mas revê-los depois que tudo realmente acontece é uma ótima oportunidade de xingar quem se dispôs a tentar prever o imprevisível.

Com a exceção sendo a escolha dos Bears, que já mencionamos, acertamos 4 das 5 primeiras escolhas. A partir da sexta, porém, tudo desandou. O outro acerto só veio na posição que os Bills escolheram, mas só aconteceu na escolha 27, devido a troca com os Chiefs.

Já os Saints acabaram escolhendo o jogador que previmos na 10, que também era um CB. A escolha 12 também foi certeira, mas com os Texans escolhendo no lugar dos Browns. Outro acerto só veio na escolha 18, com os Titans escolhendo um CB, mas não quem apontamos. A última escolha que cravamos foi a do Broncos, na 20. Os Lions na 21 também foram de LB, como era esperado. Já na 23, os Giants foram de TE, e o que escrevemos na oportunidade serve perfeitamente para analisar a escolha, que não foi exatamente a mesma: é um recado para Eli Manning, algo como “a linha ofensiva continua uma droga, mas você tem que dar um jeito de vencer. Tem muito cara para pegar a bola. Ou vai ou racha”.

A escolha 25 foi um safety, não um QB, mas ao menos acertamos que os Texans iriam atrás de um signal caller, por motivos óbvios. Por outro lado, Seattle não só não escolheu na primeira rodada, como sua primeira escolha não foi um jogador de linha ofensiva: se eles querem que Russell Wilson morra em campo, o problema não é nosso.

Os Falcons, que escolheram na posição, optaram por um pass rusher, o que podemos considerar um acerto. Os Cowboys, não foram de CB, como era de se esperar: a equipe deixou para reforçar a secundária mais a frente no draft. Já os Browns trocaram com os Packers na 29, mas pelo menos acertamos a posição da primeira escolha de Green Bay: CB.

Já a escolha dos Steelers, de acerto, só o lado da bola: Pittsburgh escolheu um LB, e não um S. Por fim, os Saints, por alguns motivos que vão além da compreensão humana, resolveram escolher um jogador de linha ofensiva ao invés de um defensor.

Saldo:

– Quatro escolhas cravadas (1, 4, 5 e 20);

– Escolhas que passaram perto: a posição em que Deshaun Watson foi escolhido (12) e que os 49ers iriam de Solomon Thomas; mesmo que isso tenha acontecido na 3 e não na 2. Não me culpem, a mente humana é incapaz de compreender o que diabos acontece em Chicago;

– Posições acertadas: sete, excluindo as picks acima;

– Uma dúzia de novos inimigos.

*Rafael é administrador do @ColtsNationBr e está cada vez mais apaixonado por Chris Ballard.