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Ainda há muito a ser feito

Não é segredo para ninguém que o Buffalo Bills estava insatisfeito com Tyrod Taylor – Rex Ryan (que Deus o tenha) sempre deu indiretas sobre a situação do QB e, bem, diante do Chargers na temporada passada o Bills optou por Nathan Peterman em uma das experiências mais constrangedoras que o football já presenciou. Mesmo assim, Tyrod superou a punhalada e conseguiu levar Bufallo aos playoffs após alguns séculos; como recompensa, não teve seu contrato renovado.

Mas ao quebrar uma seca de 17 anos sem chegar a pós-temporada, o Bills deu aos seus torcedores uma razão para sonhar – durante o caminho, o novo GM Brandon Beane e o HC Sean McDermott ganharam as chaves da cidade. É fato, porém, que caso Buffallo tivesse um ataque mais consistente, eles poderiam ter aproveitado um pouco mais sua aventura em janeiro – e não uma eliminação amarga para o Jacksonville Jaguars (10-3) no Wild Card.

Além disso, é notório que a classificação só veio após o evento, já cunhado na posteridade, como o MILAGRE DE ANDY DALTON – que venceu Baltimore quando nada mais estava em jogo, além do AMOR PRÓPRIO.

Um (não tão) belo futuro

Para 2018, Buffalo buscou AJ McCarron nos Bengals mas, claro, seus planos estavam passavam pelo draft e após uma suruba (troca de escolhas), a franquia selecionou Josh Allen – ninguém quer seu futuro nas mãos de um morfético como McCarron. Se o jogador não consegue sequer disputar posição com Andy Dalton, tem-se muito a refletir sobre tal.

O jovem de Wyoming é móvel e tem força no braço (marque na sua cartela), embora ainda seja considerado por especialistas (reforçamos: categoria na qual não nos enquadramos) extremamente cru. O plano inicial era que AJ fizesse a transição inicial enquanto o jovem QB é preparado, mas aparentemente McCarron morreu (mas passa bem) já na pré-temporada (tem que acabar a pré-temporada) e Allen será jogada aos leões já nos próximos dias.

LEIA TAMBÉM: Tyrod Taylor era o futuro do Bills

E talvez não no sentido figurado, visto que linha ofensiva está aos pedaços (e perdeu três bons nomes na última offseason: Richie Incognito e Eric Wood estão na fila do INSS e Cordy Gleen rumou para o Bengals). Dion Dawkins entra em seu segundo ano com mais responsabilidade – e há espaço para evolução, já que sua temporada como rookie foi empolgante para o então sofrido torcedor de Buffalo Ao seu lado ele terá Russel Rodine, titular por um bom tempo em Cincinatti (o que pode dizer muito e, ao mesmo tempo, nada). Wyatt Teller, rookie de Virginia Tech selecionado no 5º round também reforça o setor.

Por tudo isso, não restará muita opção (ao menos no início) além de entregar a bola para LeSean McCoy e torcer para que a magia aconteça – LeSean correu para 3300 jardas (média de mais de 4.5 por tentativa) e 22 TDs desde que desembarcou em Bufallo há três anos em uma troca com o Eagles que, a cada dia que passa, parece ser boa demais para ser verdade. Há, ainda, a adição de Chris Ivory – que se não empolga, servirá ao menos para dividir a carga de trabalho e dar alguns minutos para McCoy tomar seu Gatorade (e foder o seu fantasy).

De qualquer forma, se a OL for capaz de manter Allen em uma posição minimamente vertical (seja lá o que isso signifique), o conjunto ofensivo entregará melhores números – bom, não é como se existisse muito espaço para regredir, embora dependa de um ataque aéreo problemático.

Kelvin Benjamin chegou na offseason e seu passado inspira pouca (para não dizer nenhuma) confiança; já Zay Jones entra em sua segunda temporada precisando provar a que veio (spoiler: vai dar merda, vide suas aventuras durante as férias, devidamente registradas em vídeo na rede mundial de computadores).

Restam o WR Jeremy Kerley e o TE Charles Clay, que vem da melhor temporada de sua carreira – novamente: pode dizer muito, mas ao mesmo tempo pode não dizer nada (e é mais provável que não diga nada).

O perigo mora ao lado

O Bills cedeu menos de 17 pontos em 10 partidas em 2017 – e isso inclui a eliminação para o Jaguars. Muito disso se deve a uma das melhores secundárias da liga; o então rookie CB Tre’Davious White foi excepcional, enquanto os Safeties Jordan Poyer e Micah Hyde, também brilharam. Esperar uma nova temporada sólida e com poucos pontos cedidos é uma aposta quase certeira; os três combinaram para 246 tackles e 14 INTs.

A perda de EJ Gaines, agora em Cleveland, será sentida; para seu lugar o Bills trouxe os restos mortais de Vontae Davis e, por mais que a nostalgia encante, você sabe que não dará certo.

Outra seleção de primeira rodada no último draft foi o linebacker Tremaine Edmunds, para reforçar um setor que foi apenas digno no ano que passou – Edmunds terá ao seu lado Matt Milano, agora em sua segunda temporada, e o eterno Lorenzo Alexander – uma inegável referência em Buffalo, mas de quem se espera, compreensivelmente, uma queda de produção.

Já para exercer pressão no ataque adversário, o Bills conta com Jerry Hughes e Shaq Lawson – Kyle Williams e Adolphus Washington completam o quarteto que combinou para 12 sacks na última temporada. Espera-se também que o novo milionário do pedaço, Star Lotulelei (que recém assinou um contrato de cinco anos e US$50 milhões sem o menor sentido lógico), faça algo (spoiler: não fará. Você leu aqui – e em vários lugares – primeiro).

Palpite

Ao chegar aos palyoffs pela primeira vez desde o longínquo 1999 o Bills enlouqueceu as ruas de Buffalo. Foi bonito, mas é o momento de voltar à realidade: Tyrod Taylor pode ter suas limitações, mas tinha experiência e números dignos (22-20). O plano de McCarron dar tempo para Josh Allen se preparar ruiu antes mesmo do bom senso mandar abortá-lo. Em geral, se a defesa seguir em alto nível e McCoy carregar o ataque nas costas, é possível sonhar com a segunda colocação da AFC East, mas dessa vez sem playoffs. Para Josh Allen, o futuro imediato é negro: cinco das sete primeiras partidas serão fora de casa e sua adaptação não será facilitada. Como timing é uma mera questão de perspectiva, tudo pode dar certo daqui cinco ou seis anos, quando os WRs atuais forem substituídos por atletas profissionais e um certo Tom Brady já estiver aposentado.

Quando derrotas chegam mais cedo que o esperado

Como o leitor já deve ter visto no texto sobre Tampa Bay, cada membro do site escolheu os times sobre os quais queria escrever. Quando escolhi os Bills, acreditando que eles tinham feito a escolha certa com Tyrod Taylor, esperava um time que finalmente fosse dar um passo extra e se firmaria como um desses candidatos anuais de wild card por algum tempo e finalmente romperia a sequência de 17 temporadas sem playoffs (o único time que ainda não chegou lá no século XXI).

Entretanto, as ideias começaram a desandar quando o GM que se dispôs a dar um novo contrato para o novo potencial franchise quarterback e tinha acabado de escolher novos jogadores no draft de 2017, Doug Whaley, foi demitido no dia seguinte, junto com toda a sua equipe de olheiros (ou seja, os caras que deram as informações que motivaram as escolhas de seis novos jogadores – três deles nos dois primeiros rounds – que, teoricamente, serão a base do time nos próximos anos).

Além disso, é válido lembrar que Whaley com certeza esteve envolvido na escolha de um novo HC: Sean McDermott, antigo coordenador defensivo do Carolina Panthers – onde conseguiu ter uma defesa top 10 em quatro (2012-2015) dos seus seis anos ali -, que recebe sua primeira oportunidade como treinador principal de alguma equipe na sua carreira. Ao menos não deverá faltar entrosamento entre ele e o novo GM, Brandon Beane, que também era funcionário dos Panthers e foi ganhando importância e valor com o decorrer dos anos na Carolina do Norte.

A troca de Sammy Watkins

O novo comandante do pedaço chegou determinado a estabelecer uma mentalidade vencedora. No entanto, algumas das principais peças do regime anterior não pareciam cumprir as condições desejadas: inclusive o craque do ataque (sério, fale com alguém pouco viciado em NFL, que jogue aquele fantasy casual, e provavelmente os dois únicos nomes conhecidos de Buffalo serão McCoy e Watkins). E, no passado 11 de agosto, trocas aconteceram, dando aquela tradicional chacoalhada no twitter.

Para resumir tudo, Beane trocou o seu WR 1, o já citado Sammy, e o seu CB1 bastante razoável, Ronald Darby (que deveria ocupar o espaço deixado por Stephon Gilmore, agora em Boston), pelos medíocres EJ Gaines e Jordan Matthews (um slot receiver defeituoso, considerando que o time já tinha o seguro veterano Anquan Boldin), além do mais importante: escolhas de segundo e terceiro round no draft de 2018, para iniciar uma outra reconstrução com essa “cara vencedora” (leia: jogadores que serão chutados da cidade daqui 3 anos, quando a diretoria mudar de novo).

Que porra tá acontecendo?

Ainda que a questão do contrato de Sammy seja relevante (ele só tinha mais um ano jogando com os Bills), ele seria peça crucial para este ataque funcionar, especialmente levando em conta a mudança do antigo-WR2 Robert Woods para Los Angeles. Seu substituto, Matthews, se lesionou no primeiro treino com a nova equipe, assim como o importante LT titular, Cordy Glenn (que pode acabar na IR). Já Boldin, que chegou ao norte de Nova York sonhando com o Super Bowl, pediu a aposentadoria depois de poucos dias de contrato “para se dedicar a trabalhos sociais”.

De qualquer forma, a mensagem que foi passada é que a temporada está largada e, ainda na segunda semana da pré-temporada, o clima ali é de fim de feira. Assim, tentar prever como funcionará o grupo em Buffalo em 2017 é impossível. Mais do que isso: é irrelevante. Portanto, façamos um favor para a NFL e abramos o balcão de negócios do senhor Beane: venham e peguem!

Valores da defesa

O craque dessa defesa é o DT Marcell Dareus, mas, com um cap hit anual de 16M, ele não sairá de Buffalo tão cedo (coitado), assim como Micah Hyde, que ainda em março assinou com Doug Whaley um contrato de 5 anos e 30 milhões de dólares. Além deles, são poucos os valores que poderiam fazer uma diferença real por aí:

  • Shaq Lawson: escolha de primeira rodada de 2016 (12 sacks e meio por Clemson em 2015), jogou 10 jogos meio baleado na temporada passada depois de piorar uma lesão no ombro ainda da época da universidade. Como a sua saúde está em dúvida, tem o seu valor prejudicado para que apareça algum time atrás dele com uma oferta decente, de maneira que talvez McDermott tenha que tentar tirar algo dele;
  • Jerry Hughes: desde que foi trocado pelos Colts, se encontrou com os Bills e é o principal pass rusher da equipe (o número de sacks diminuiu, mas mais por falta de ajuda que por queda nas capacidades). Um bom pass rusher com um cap hit de 10M poderia resolver problemas em defesas especialmente pobres no tema, como a do Dallas Cowboys;
  • Lorenzo Alexander: aos 34 anos, teve em sua 12ª temporada o seu breakout year, sendo finalmente titular em todos os 16 jogos (o máximo que já tinha conseguido era 12, em 2010 em Washington, e com 6 temporadas sem ser starter mesmo jogando os 16 jogos) e produzindo 12.5 sacks. Se algum time que joga num 3-4 quiser apostar em um veterano, que certamente sairia por troco de bala, valeria a pena tentar busca.

Valores do ataque

Por outro lado, no ataque Brandon Beane poderia sim mudar temporadas da NFL. Os únicos jogadores que certamente não serão trocados desse lado são Cordy Glenn, porque está machucado, e o FB Patrick DiMarco, porque assinou recentemente por 4 anos (outro coitado). No mais, separamos aqui alguns grandes jogadores que os times deveriam vir buscar em Buffalo e livrá-los do sofrimento:

Corre, cara!

  • G Richie Incognito: mais famoso pelo episódio de bullying contra Jonathan Martin em Miami (lembra? Válido lembrar que Martin já está aposentado), que fez ele ser despachado para o norte, o bom guard tem sido bastante sólido protegendo o QB e especialmente chato abrindo espaço para os RBs. Precisando de uma ajudinha na OL, vem com uma escolha de 5º round e leve esse poço de simpatia para casa;
  • RB LeSean McCoy: chegando aos 30 anos, McCoy vem de uma temporada em que conseguiu 5.4 jardas por corrida e 14 TDs totais, sendo que teve apenas 284 toques na bola, longe daqueles 350 do tempo de Chip Kelly. Se o objetivo dos Bills é perder a temporada, McCoy provavelmente é a maior ameaça que encontrarão. Também para o bem do fantasy, esperamos que ele vá para um time que queira ver ele correndo contente por aí aproveitando seu potencial enquanto ainda tem idade para aguentar carregar um ataque. LeSean vale uma escolha de segundo round, mas provavelmente sairia por uma de quarto;
  • QB Tyrod Taylor: já demos argumentos suficientes pró-Tyrod, mas, quando acreditamos que Buffalo havia entendido, essa reviravolta acontece. Existem times que já estão cansados de perder e têm mais estrutura para chegar aos playoffs com esse bom QB – só falta tê-lo. Siemian parece ter sido confirmado como titular em Denver, mas Blake Bortles está balançando. Vamos lá, Shahid Khan! Joga pra frente, paga aquela escolha de terceira rodada que vocês desperdiçam em punter em Jacksonville e leva o menino Tyrod para o Super Bowl!

Preview: “Tão longe dos playoffs, mas tão perto do New England Patriots” – poderia ser a grande frase para contar a história dos Bills. Como leio sempre no Twitter, se eles não tentarão fazer algo nessa temporada, não sei porque deveríamos tentar prever algo também. Entretanto, fica uma previsão ousada: Bills conseguirá mais vitórias que o New York Jets (2, porque eles têm obrigatoriamente que se enfrentar e New York está muito determinado em ser rebaixado para empatarem).

Top Pick Six #7: os 15 melhores RBs da NFL

Após uma pausa nos rankings devido ao draft (que emoção hein, Bears?), o ranking de hoje lista os 15 melhores RBs (running backs) da NFL. Os RBs são os responsáveis por carregar a bola por via terrestre. Alguns dos principais nome da posição na história são Jim Brown, Emmitt Smith, Marshall Faulk, LaDainian Tomlinson e Barry Sanders. 

Nos mesmos moldes das listas que já fizemos, ao todo 8 pessoas selecionaram seus 15 melhores RBs entrando na temporada de 2017. Não é uma lista que contém os 15 melhores do ano passado. Não é uma lista contendo os 15 melhores para o futuro da franquia. É uma lista com os 15 melhores, jogadores essenciais e que podem fazer a diferença para seus times nesse ano – excluindo o draft, claro. 

Para confecção do ranking, cada um selecionou 15 jogadores. Se o jogador estava na posição 1, lhe atribuí 1 ponto. Na posição 2, 2 pontos, e assim sucessivamente. Se o jogador não apareceu na sua lista, atribuí – pontos. Os jogadores com menos pontos, em média, (soma dos valores dividido por 8) ficou em primeiro lugar, e assim por diante. É possível verificar as somas na tabela ao final desta coluna.

Participaram da formulação do ranking:

Integrantes do Pick Six: Cadu, Digo, Ivo, Murilo e Xermi.

Duas pessoas referência na internet quando o assunto é NFL e que, diferente de nós, realmente sabem o que falam sobre football: Felipe, do @oQuarterback e Vitor, do @tmwarning.

– E um leitor convidado!

Embaixo dos nomes dos jogadores, coloquei a ordem que cada um de nós classificou este jogador. Caso ele não esteja no top 15 de alguém, um traço está no lugar. A ordem é Xermi, Digo, Cadu, Murilo, Ivo, Felipe, Vitor e Anna. Vamos ao que interessa!

TOP PICK SIX 1: OS 15 MELHORES WRs DA NFL

15° Carlos Hyde

– | – | 12 | 14 | – | 15 | 7 | –

Time: San Francisco 49ers

Idade: 26 anos

Draft: 2014 / Round: 2 / Pick: 57

College: Ohio State

Career Stats:

Rushing attempts: 402

Rushing yards: 1,753

Rushing average: 4.4

Rushing touchdowns: 13

 Ninguém se importa com Carlos Hyde ou com o San Francisco 49ers. Não seremos nós que mudaremos isso.

14° Mark Ingram

– | 9 | 14 | 12 | – | – | 10 | –

Time: New Orleans Saints

Idade: 27 anos

Draft: 2011 / Round: 1 / Pick: 28

College: Alabama

Career Stats:

Rushing attempts: 953

Rushing yards: 4,238

Rushing touchdowns: 32

Receptions: 149

Receiving yards: 1,012

Receiving touchdowns: 4

Demorou, mas Mark Ingram Jr parece ter finalmente alcançando todo o seu potencial nos últimos anos, produzindo mais de 1000 jardas pela terceira temporada consecutiva (no esquema de New Orleans, produzir mil jardas sendo RB é um milagre), depois de parecer um forte candidato a bust saído de Alabama na primeira rodada do draft. Entretanto, Sean Payton e os Saints não estão tão impressionados quanto nossos rankeadores: além de ter dividido oportunidades com o medíocre Tim Hightower em 2016, o time foi atrás do lendário Adrian Peterson e gastou uma escolha de segunda rodada em Alvin Kamara, o que indica a formação de um monstro de três cabeças – que pode ser excepcional para o ataque de Drew Brees, mas deve diminuir bastante a importância fantasystica de Ingram.

13° Spencer Ware

11 | – | – | 9 | – | 13 | 9 | 13

Time: Kansas City Chiefs

Idade: 25 anos

Draft: 2013 / Round: 6 / Pick: 194

College: LSU

Career Stats:

Rushing attempts: 289

Rushing yards: 1,334

Rushing touchdowns: 9

Receptions: 39

Receiving yards: 452

Receiving touchdowns: 2

É possível que um time tenha tanta sorte a ponto de passar de um Jammal Charles a um Jammal Charles 2.0 sem nem sentir as dores da transição? Com o Chiefs, parece que acontecerá. Ware, que também jogou baseball em LSU, foi draftado pelos Seahawks em 2013, chegou a estar fora da NFL por todo 2014 (nem sequer figurou em um practice squad), mas aproveitou a oportunidade que teve e parece que não largará mais: após lesões consecutivas do antigo titular absoluto, Charles, e do reserva imediato, Charcandrick West, Ware tomou a posição, atuou bem tanto no jogo corrido como no aéreo, essencial atualmente, e deixou Kansas City sem qualquer dor de cabeça em ver Jammal Charles vazar.

TOP PICK SIX #2: OS 15 MELHORES CBs DA NFL

12° LeGarrette Blount

– | – | 11 | 10 | – | 9 | – | 5

Time: Free Agent

Idade: 30 anos

Draft: 2010, Undrafted

College: Oregon

Career Stats:

Rushing yards: 5,122

Rushing average: 4.4

Rushing touchdowns: 49

Receptions: 45

Receiving yards: 337

Receiving touchdowns: 1

Talvez soe absurdo que ele esteja nos rankings de melhor alguma coisa que não envolva falar do seu cabelo ou do seu sorriso. O fato de que ele será facilmente substituído por Mike Gillislee ou qualquer outro sem-nome (Mike Tolbert, que tal?) que Belichik quiser. Então vamos aguardar Blount encontrar um time e nos provar que estávamos errados.

Já ganhei essa porra.

11° Jordan Howard

5 | 10 | 9 | – | 10 | – | 11 | –

Time: Chicago Bears

Idade: 22 anos

Draft: 2016 / Round: 5 / Pick: 150

College: UAB / Indiana

Career Stats:

Rushing attempts: 252

Rushing yards: 1,313

Rushing touchdowns: 6

Receptions: 29

Receiving yards: 298

Receiving touchdowns: 1

Para todo o hype que costumamos dar para jogadores ofensivos chegando à NFL, Howard começou 2016 como um ilustre desconhecido, selecionado no terceiro dia do draft sem ter tido uma carreira excepcional na universidade. Entretanto, ele encontrou seu lugar na NFL: superou (também se aproveitando de suas lesões) veteranos como Jeremy Langford e Ka’Deem Carey que pareciam destinados a substituir Matt Forte e estabeleceu-se como a principal arma do ataque dos Bears, sem dever nada a seu antecessor. Curiosidade: Howard foi o quinto RB rookie da história de Chicago a correr para mais de mil jardas – pelo menos corredores eles sabem selecionar.

TOP PICK SIX #3: OS 15 MELHORES TEs DA NFL

10° Todd Gurley

9 | 7 | 6 | 13 | 15 | 8 | 15 | –

Time: Los Angeles Rams

Idade: 22 anos

Draft: 2015 / Round: 1 / Pick: 10

College: Georgia

Career Stats:

Rushing attempts: 507

Rushing yards: 1,991

Rushing average: 3.9

Receptions: 64

Receiving yards: 515

Total touchdowns: 16

Gurley teve um grande início de carreira, vencendo o prêmio de Offensive Rookie of The Year. A última temporada não foi das melhores, mas temos que considerar o ambiente que ele estava: o ataque pouco criativo de um time comandado por Jeff Fisher, e que ainda contava com uma linha ofensiva abaixo da crítica. Com a chegada de Sean McVay, a tendência é que ele retome sua produção de calouro, até mesmo para tirar o peso dos ombros de Jared “is he a bust yet?” Goff.

 09° Jay Ajayi

8 | 6 | 8 | 11 | 9 | 10 | 12 | –

Time: Miami Dolphins

Idade: 23 anos

Draft: 2015 / Round: 5 / Pick: 149

College: Boise State

Career Stats:

Rushing yards: 1,459

Rushing average: 4.7

Rushing touchdowns: 9

Receptions: 34

Receiving yards: 241

Receiving touchdowns: 0

Mais difícil que saber qual a pronúncia certa de seu nome, só derrubar Jay Ajayi. O RB anotou múltiplos jogos com mais de 200 jardas na última temporada, e mais um ano no ataque de Adam Gase só deve ajudar o jogador a se estabelecer de vez como um dos grandes nomes da posição na liga.

08° Melvin Gordon

10 | 13 | 10 | 8 | 8 | 7 | 13 | 9

Time: Los Angeles Chargers

Idade: 24 anos

Draft: 2015 / Round: 1 / Pick: 15

College: Wisconsin

Career Stats:

Rushing yards: 1,638

Average: 3.7

Rushing touchdowns: 10

Receptions: 74

Receiving yards: 611

Receiving touchdowns: 2

Depois de um ano sofrível como calouro, Gordon finalmente teve a temporada que se esperava dele quando saiu do College. As 1000 jardas só não vieram por conta de lesão nos últimos jogos e a produção do jogador foi tão boa que até seu mãe decidiu comprar sua jersey.

TOP PICK SIX #4: OS MELHORES LBs DA NFL

07° Lamar Miller

7 | 3 | 13 | 7 | 5 | 11 | 8 | 11

Time: Houston Texans

Idade: 26 anos

Draft: 2012 / Round: 4 / Pick: 97

College: Miami (FL)

Career Stats:

Rushing yards: 4,003

Rushing average: 4.4

Rushing touchdowns: 24

Receptions: 148

Receiving yards: 1,075

Receiving touchdowns: 4

Em um ataque comandado por Brock Osweiller, o encarregado de avançar a bola acabou sendo Miller. Suas 1073 jardas ajudaram muito os Texans a chegar aos playoffs e, mais ainda, seu touchdown da vitória contra os Colts foi uma das grandes jogadas da NFL na temporada.

 06° Devonta Freeman

12 | 8 | 7 | 4 | 6 | 6 | 6 | 4

Time: Atlanta Falcons

Idade: 25 anos

Draft: 2014 / Round: 4 / Pick: 103

College: Florida State

Career Stats:

Rushing attempts: 557

Rushing yards: 2,383

Rushing average: 4.3

Receptions: 157

Receiving yards: 1,265

Total touchdowns: 29

O jogador foi peça importantíssima do ataque estelar dos Falcons em 2016, e, após melhorar ainda mais sua produção depois de um bom ano de 2015, não há porque não acreditar que Freeman pode ser ainda melhor para essa próxima temporada.

Não acreditaram que ele era bom.

TOP PICK SIX #5: OS MELHORES Ks DA NFL

05° DeMarco Murray

6 | 12 | 5 | 5 | 7 | 5 | 4 | 6

Time: Tennessee Titans

Idade: 29 anos

Draft: 2011 / Round: 3 / Pick: 71

College: Oklahoma

Career Stats:

Rushing yards: 6,515

Rushing average: 4.6

Rushing touchdowns: 43

Receptions: 268

Receiving yards: 1,899

Receiving touchdowns: 5

Murray, que teve uma temporada excelente com os Cowboys e depois uma horrível com os Eagles, parece ter se encontrado novamente em Tennessee. Jogando em um ataque terrestre explosivo junto com Derrick Henry e Marcus Mariota, ele deve repetir a boa atuação de 2016 agora em 2017.

04° LeSean McCoy

4 | 5 | 4 | 6 | 4 | 4 | 5 | 7

Time: Buffalo Bills

Idade: 28 anos

Draft: 2009 / Round: 2 / Pick: 53

College: Pittsburgh

Career Stats:

Rushing attempts: 1,898

Rushing yards: 8,954

Rushing touchdowns: 60

Receptions: 382

Receiving yards: 2,930

Receiving touchdowns: 13

McCoy foi trocado dos Eagles para os Bills e vem correspondendo em seu novo time. Apesar de algumas lesões, ele continua um RB produtivo. Já adentrando o final de sua carreira (normalmente os backs se aposentam com 30 anos), McCoy tem totais condições de ser o principal nome do ataque dos Bills (não é muito difícil).

03° Ezekiel Elliott

3 | 4 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 2

Time: Dallas Cowboys

Idade: 21 anos

Draft: 2016 / Round: 1 / Pick: 4

College: Ohio State

Career Stats:

Rushing yards: 1,631

Rushing average: 5.1

Rushing touchdowns: 15

Receptions: 32

Receiving yards: 363

Receiving touchdowns: 1

O calouro sensação de 2016 ao lado de Dak Prescott (QB), Ezekiel Elliott teve uma das melhores temporadas de um rookie na posição. Com ele e Prescott sendo o futuro da franquia, e com uma das melhores OLs da liga, não é difícil imaginar um título se aproximando de Dallas em um futuro muito próximo.

TOP PICK SIX #6: OS MELHORES DLs DA NFL

02° David Johnson

1 | 2 | 2 | 2 | 1 | 2 | 2 | 3

Time: Arizona Cardinals

Idade: 25 anos

Draft: 2015 / Round: 3 / Pick: 86

College: Northern Iowa

Career Stats:

Rushing yards: 1,820

Rushing touchdowns: 24

Receiving yards: 1,336

Receiving touchdowns: 8

Return yards: 598

Return touchdowns: 1

Uma máquina tanto de recepções quanto de corridas, Johnson foi uma verdadeira steal para os Cardinals no draft de 2015, quando foi escolhido no terceiro round. David corre com potência e explosão, seguindo muito os buracos que sua OL abre (isso que a OL de Arizona não é lá essas coisas). Se Arizona conseguir se recompor da temporada horrível do ano passado e repetir a boa campanha de 2015, será candidato ao título. Johnson, aliás, ano passado bateu o recorde de mais jogos seguidos com 100 jardas de scrimmage: 15 partidas.

A melhor dupla surgida desde Bruno & Marrone.

01° Le’Veon Bell

2 | 1 | 1 | 1 | 2 | 1 | 1 | 1

Time: Pittsburgh Steelers

Idade: 25 anos

Draft: 2013 / Round: 2 / Pick: 48

College: Michigan State

Career Stats:

Rushing yards: 4,045

Average: 4.5

Total touchdowns: 31

Receptions: 227

Receiving yards: 2,005

Este monstro do backfield foi justamente escolhido como o melhor RB da liga para 2017. Bell, não fossem lesões e problemas com a lei (foi suspenso duas vezes por fumar maconha), teria números até melhores em sua carreira. Sua importância para os Steelers é tanta que quando ele saiu do jogo na final da AFC contra os Patriots, Pittsburgh foi amassado. Bell é fundamental e seu estilo de jogo paciente é uma marca que vem influenciando também outros atletas da NFL.

Algumas curiosidades do ranking:

 – Bell e Johnson são as únicas unanimidades no Top 3.

– Junto com Bell e Johnson, Elliott é a outra unanimidade no Top 5.

– Jordan Howard é o jogador com a maior diferença de posição entre 2 rankings: é o 5º no ranking do Xermi e o não aparece nos rankings do Murilo, Felipe e Anna.

– Um total de 27 jogadores diferentes foram citados, veja na tabela final abaixo.

– O top 15 contempla 7 jogadores da NFC e 8 da AFC.

– 8 jogadores foram escolhas de primeiro round em seus drafts: Elliott, Gordon, Gurley e Ingram.

– Apenas Blount é campão do Super Bowl. Venceu com os Patriots

– Ficaram fora do top 15, em ordem: Latavius Murray (FA), Thomas Rawls (SEA), Tevin Coleman (ATL), Marshawn Lynch (OAK), Adrian Peterson (NO), C.J. Anderson (DEN), Frank Gore (IND), Eddie Lacy (SEA), DeAngelo Williams (PIT), Giovani Bernard (CIN), Jonathan Stewart (CAR), Jeremy Hill (CIN).

– Todos os atletas citados são milionários!

Esqueçam Tony e Jimmy: tudo o que o Bills precisa está em Tyrod Taylor

A temporada de 2016 chegou ao fim da maneira mais eletrizante possível, com um dos melhores Super Bowls dos últimos tempos. Infelizmente, junto com ele vem a depressão que chamamos de inter ou pré-temporada, afinal, como já disse Belichick, o trabalho para 2017 já começou na segunda feira passada: o show não para.

Mas como preencher o grande vazio em nossos corações. Explorar outros esportes? Priorizar outras partes importantes da vida? Obviamente não. Vamos especular fatos que podem acabar não acontecendo, criticar decisões que podem acabar sendo as corretas e tudo isso envolvendo a principal peça de cada time: o quarterback.

Logicamente, se já nessa época da temporada seu time não tem definido quem será o titular que o levará aos playoffs, saiba que tudo começará mal. Pare de ler um instante e confira os participantes dos últimos SBs: nos últimos 30 anos, somente Trent Dilfer, que venceu o SB XXXV pelo Baltimore Ravens, chegou no time e no mesmo ano disputou (e no caso dele, ganhou) o grande jogo. Para colaborar com a história, ele foi dispensado no ano seguinte, o que prova que ele mais “não atrapalhou” do que realmente ajudou aquela incrível defesa campeã.

Entretanto, existem times que acham que podem repetir o feito dos Ravens – e, inevitavelmente, irão quebrar a cara tentando. Com vocês, a participação especial do Buffalo Bills, que sequer chegou aos playoffs nas últimas 17 temporadas, pior marca da NFL, querendo se livrar de Tyrod Taylor – o QB que, provaremos, é melhor do que as demais opções.

Além de tudo, com o salário “mixaria” que deverá ter: US$ 27.5 milhões garantidos apenas por quatro anos. Lembra do salário do Osweiler? Não olharei porque não quero me deprimir. Enfim, tudo o que Bills deveria fazer era nada e deixar o contrato ativar-se no dia 12 de março de 2017. Mas parece que Buffalo resolverá “tomar uma atitude”.

Spoiler: será uma grande besteira.

“Confiem em mim, porra!”

Por que optar pela imobilidade

E quando falo em imobilidade, quero dizer que os Bills não deveriam fazer nada e não que eles deveriam trocar o veloz Tyrod Taylor pelos pocket passers que estão como opção no mercado. Primeiramente, vamos ter claras as opções: Jay Cutler deve ser dispensado, mas não seríamos loucos de propor um absurdo desses a qualquer time, o tempo de Cutler já passou e ele fracassou. Já Kirk Cousins também pode acabar sem contrato, mas os Redskins serão obrigados a dar os 20 e poucos milhões de dólares que ele peça simplesmente porque é assim que a vida funciona.

Também temos a classe de rookies, que pode ser resumida em um “talvez um ou outro se torne um bom jogador, mas certamente não será em 2017”.

Isso tudo acabará restringindo nossa discussão a dois QBs de mesma origem: Eastern Illinois, universidade que basicamente tudo o que produziu de útil para o mundo da NFL dentro das quatro linhas possivelmente estará restrito a estes nomes: Tony Romo, quarterback de melhor rating e pior ombro da história da NFL, e Jimmy Garoppolo, mais um rostinho bonito, desses que estão em falta na liga. Mas entre estes nomes, a decisão sábia seria manter Taylor.

Primeiro, porque os dois devem custar escolhas do draft para consegui-los. Jerry Jones pode até ser amigável e imitar o que Indianapolis fez com Peyton Manning, dispensando Romo por gratidão para que ele possa estender um pouco mais sua carreira (ainda que declare o contrário, já que “Romo ainda pode ser útil”, “me doeria muito vê-lo com outra camisa” e blablabla). Mas Garoppolo certamente não sairá de graça. Sequer barato. Porque quem manda em Garoppolo é Belichick e “it’s all business”.

Estabelecidos custos, ainda há mais motivos para não ir atrás de Romo. Com Romo, o seu time deve estar pronto para tentar o Super Bowl por dois ou três anos, para em seguida começar todo o processo de buscar uma solução na posição novamente (ou ficar preso com um QB que nunca se sabe quando te deixará na mão, não é mesmo, Arizona Cardinals?).

Mais do que isso: uma pancada bem dada e você acaba na mão de um reserva medíocre como estava em março. Tudo bem, você pode até acreditar que o próximo ano será saudável para Romo, mas 2016 também deveria ter sido. E melhor ainda: os números de Dak Prescott, que mantiveram Romo no banco em 2016, foram os seguintes: 1,8 TDs, 0,5 turnovers e 247 jardas por jogo. Os de Tyrod Taylor? 1,5 TDs, 0,5 turnovers e 240 jardas por jogo, sem o seu melhor alvo e sem a melhor OL da liga – aliás, muito longe disso.

Jimmy Garoppolo tem um asterisco ainda maior ao lado do seu nome. Em apenas duas partidas, ele certamente pareceu muito bom, dominante, seguro. Mas extrapolar de 2 a 16 é sempre temerário, como aprendemos todos os anos na NFL. Essencialmente, Garoppolo ainda é um rookie em termos de tempo de jogo, o que clama por erros estúpidos até ele se acostumar com a vida real.

A lógica também diz que quarterbacks de segunda rodada não chegam prontos à liga e precisam sofrer para crescer. Somados a isso, voltemos a Belichick: se talvez nem Tom Brady seria Tom Brady não fosse o trabalho de Bill, por que vamos nos deixar levar pela mesma situação que produziu pérolas como Matt Cassel e Brian Hoyer?

Por que Tyrod Taylor?

Seguindo o raciocínio aplicado a Garoppolo, Tyrod Taylor está entrando em seu terceiro ano prático de NFL. Obviamente, seus quatro anos em Baltimore após ser escolhido na sexta rodada do draft de 2011 (aquele maravilhoso, de Locker, Gabbert e Ponder) lhe ajudaram a se acostumar à velocidade do football profissional, mas observando sua produção nesses anos anteriores, percebe-se que ele também não teve snaps significativos na posição, algumas vezes até sendo utilizado como running back ou em trick plays. Desta forma, sua carreira começou com Rex Ryan em 2015, após assinar um contrato de apenas três milhões de dólares em 2 anos e ainda assim vencendo uma disputa contra E.J. Manuel e Matt Cassel pela titularidade.

Com boas atuações enquanto efetivamente “aprendia” a ser um QB titular, especialmente protegendo a bola e não se “auto-destruindo” em nenhum jogo, elevando o nível da estrela do ataque, Sammy Watkins, ao final da temporada de 2015 Taylor recebeu um novo contrato, de possíveis 6 anos/92 milhões de dólares (15,3 ao ano, 16º na NFL), com letras pequenas que diziam: “esse contrato só valerá após o final de 2016, caso os Bills não decidam dispensá-lo e ir atrás de outro QB”.

Bora lá, caras…

2016 veio e, não surpreendentemente, sua produção foi praticamente a mesma. Entretanto, tudo o que deu errado para o time (como acabar a temporada com apenas 7 vitórias) acabou caindo na conta do jogador – que cometeu mais de um turnover apenas uma vez, enquanto a defesa de Rex Ryan definhava (19ª em jardas, 16ª em número de pontos) ou Greg Roman, seu coordenador ofensivo, era demitido após a segunda semana de temporada. Também é válido lembrar que Tyrod manteve sua produção tendo como principais alvos disponíveis o TE Charles Clay e o RB LeSean McCoy, já que Robert Woods e Sammy Watkins somaram “18 starts” e 79 recepções apenas, números que deveriam ter individualmente.

Ainda assim, seus números foram acima da média (3 TDs para cada turnover é, insistimos, trabalho de alguém que merece ser titular na NFL), somados a flashes de que não é um mero QB medíocre, como contra a sempre assustadora defesa de Seattle. Inclusive o quarterback dos Seahawks, Russel Wilson, é facilmente uma das melhores comparações do potencial que Taylor pode alcançar, assim como RGIII ou Michael Vick que, coincidentemente, saiu da mesma universidade, Virginia Tech.

Observem: ainda que às vezes percam as jogadas mais fáceis, como aquele tight end livre entre os safeties e os linebackers (com uma leve insistência em lançar para os lados do campo), têm a capacidade de lançar bombas a 50 jardas (quando tem WR capaz de recebê-las) e são tão perigosos com os pés, tanto para escapar de sacks claros como para produzir corridas absurdas dignas de running back – o que, sabemos, é uma ameaça que sempre ajuda o verdadeiro corredor, vide as 5.4 jardas por corrida de LeSean McCoy.

Tudo isso de maneira frequente, não somente em situações esporádicas. Além disso, podemos notar dois problemas também comuns aos quatro: a altura abaixo do ideal (o que ainda, sabe-se lá os motivos, broxa muitos front-offices da NFL) e a necessidade de que o OC se adapte ao jogador que tem. Mas quando seu QB pode fazer isso qual a dificuldade em se adaptar?

Para mim, especialmente com o salário devido, Taylor é uma melhor opção que Kirk Cousins. Ele não se apoia em bons recebedores nem em uma grande proteção. A consistência que ele tem com suas habilidades mostra que você pode criar um bom ataque ao seu redor. Ele não é um Jay Cutler, é um cara que pode criar jogadas, estendê-las e melhorar os jogadores que tem no seu time”, declara Cian Fahey, colaborador do site Pre-Snap Reads e autor de um livro com estatísticas após observar cada snap de cada QB da liga.

Os coaches

Existe um problema a mais em relação a Tyrod ficar em Buffalo: por mais que saibamos que Rex Ryan era um estorvo, Taylor era um de seus homens, desde quando ganhou a posição em 2015. “Nós acreditamos que temos um grande jogador em Tyrod, mas também um líder”, enfatizava o antigo treinador, antes da última temporada, sobre a crença no jogador e em sua evolução.

Entretanto, uma das principais razões para a demissão de Rex antes do fim da temporada também foi sua fidelidade a Taylor, já que os Bills, sem chances de chegar aos playoffs, queriam que o jogador não disputasse o último jogo da temporada sob o risco de sofrer uma lesão (na verdade, agravar uma lesão já existente no seu ombro) que garantiria o seu contrato. Demitido o head coach, Tyrod esquentou o banco.

Sean McDermott, o novo treinador em Buffalo, por outro lado, chegou com declarações políticas sobre Taylor: “Tomemos o nosso tempo para tomar decisões em relação à uma posição tão crítica”. Apesar disso, Rick Dennison, novo coordenador ofensivo da equipe de McDermott, é conhecido por utilizar um ataque West Coast, que poderia servir bem para Taylor, ainda que o treinador tenha mais experiência em trabalhar com jogadores mais “tradicionais”, mesmo que de diferentes níveis, como Peyton Manning, Jay Cutler e a aposta em Trevor Siemian.

De qualquer forma, fica estabelecido que Taylor será uma boa opção e que fará algum time feliz em 2017, seu terceiro ano como titular, normalmente um período de breakout para muitos jogadores. Palpite? 4 mil jardas totais e um ratio de 5 TDs para cada turnover, além de finalmente aterrorizar nos playoffs. Resta saber se os Bills serão sábios o suficiente para serem os vencedores dessa brincadeira ou Tyrod levará seus talentos para algum outro lugar – que não seja Cleveland, que não seja Cleveland, que não seja Cleveland…

O complicado conto de fadas do quarterback e seu treinador

Quando assumiu o comando do Buffalo Bills, no início de 2015, Rex Ryan foi logo garantindo que o time conseguiria a classificação aos playoffs. É o tipo de declaração ousada e irresponsável, especialmente para o novo técnico de um time que há anos não faz nada digno de ser lembrado e que sustenta a indesejável marca de mais tempo sem disputar uma partida de pós-temporada – aliás, a última aparição do Bills lá foi há 16 longos anos. Desde então, foram apenas duas temporadas com mais vitórias do que derrotas e uma série de vexames dentro da divisão: entre 2008 e 2013, por exemplo, foram seis temporadas consecutivas terminando em último lugar na AFC East.

Se o passado precisa ser esquecido, tudo que resta ao torcedor do Buffalo Bills é a esperança de um futuro melhor. E quando surge um técnico que vem logo garantindo glórias, alguns desavisados podem acabar acreditando. O problema é que todo mundo sabe que Rex Ryan é um grande fanfarrão. Nunca esqueceremos que, quando era o head coach do New York Jets, chegou a garantir que o time ganharia um Super Bowl. A confiança na transcendência daquele Jets que ele ajudou a construir era tanta que Rex tatuou uma imagem de sua esposa vestindo a inesquecível camisa 6 de Mark Sanchez. Você provavelmente não acredita que algo tão bizarro e doentio possa ser verdade, mas temos provas do crime.

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A imagem mais incrível que a NFL pode nos proporcionar.

Rex chegou muito perto de cumprir sua promessa, é verdade – o Jets perdeu dois AFC Championship Games consecutivos, logo em seus dois primeiros anos. Se tivesse vencido pelo menos um Super Bowl, provavelmente ainda estaria no Jets e a tatuagem de Sanchez talvez não nos parecesse um sinal de algum transtorno psiquiátrico ainda desconhecido. Mas não venceu, assim como o Buffalo Bills não foi aos playoffs em 2015. As promessas foram em vão.

Quando se trata do Buffalo Bills– ou de qualquer outro time que coleciona fracassos recentes– não podemos nos ater muito ao que passou. Se Rex não cumpriu sua promessa, ao menos conseguiu desenvolver uma base sólida para os próximos anos, especialmente no ataque. O Bills, depois de muito tempo, tem estrelas: LeSean McCoy e Sammy Watkins, quando saudáveis, estão entre o top 5 de suas posições em termos de talento. Tyrod Taylor ainda não alcançou o mesmo status, mas é um quarterback que dá sinais de que talvez possa evoluir ao nível de um titular acima da média.

Se juntarmos esse ataque talentoso a uma defesa sólida, que vem evitando vexames ainda maiores, podemos criar a ilusão de que o Bills chegará a algum lugar em 2016. Porém, ao contrário de Rex Ryan, não vamos prometer nada. Afinal, trata-se de um time que conseguiu perder quatro Super Bowls consecutivos na década de 90 e que, simplesmente, não consegue dar o próximo passo.

Tyrod Taylor, o semideus

Tyrod Taylor talvez tenha sido o QB mais improvável de 2015. Venceu a disputa pela titularidade em uma batalha com o veterano Matt Cassel e com E.J. Manuel, uma das escolhas de primeiro rodada mais absurdas de todos os tempos e que ainda permanece no elenco do Bills. Como titular, teve uma temporada de um sucesso que no máximo pode ser classificado como moderado. Porém, em um time que já dependeu de E.J. Manuel, foi logo colocado em um pedestal e recebeu o exagerado apelido de TyGOD Taylor. A admiração da torcida e a temporada razoável em 2015 renderam uma extensão contratual de cinco anos valendo US$ 92 milhões.

Você deve estar pensando que um QB mediano, abaixo da média de peso e altura e que teve apenas uma temporada razoável como titular não valha tudo isso. E não vale mesmo. Assim como Rex Ryan, o salário de Taylor promete algo que provavelmente não vai cumprir. O Bills se cercou de cuidados e acrescentou cláusulas que proporcionam total flexibilidade, permitindo que o time se livre de Tyrod a partir de 2017 sem grandes consequências no salary cap. Basicamente, trata-se de um contrato de um ano que vale apenas US$ 9,5 milhões.

É um excelente negócio para o Bills, que dá mais uma oportunidade de crescimento para um QB promissor sem colocar em risco o futuro do time. Para Taylor, é a oportunidade de jogar em um nível muito mais alto do que já jogou para fazer com que o contrato seja cumprido até o fim.

Entre os cenários disponíveis, o mais provável é que Tyrod mantenha o que mostrou em 2015, o que pode ser difícil para um QB que depende muito das pernas para ganhar jardas. Nos últimos anos vimos Colin Kaepernick, Robert Griffin III e Michael Vick conseguirem bastante sucesso correndo com a bola e logo em seguida desaparecerem completamente. As defesas da NFL se adaptam muito rapidamente às novidades e Tyrod já não é mais o desconhecido que até pouco tempo esquentava o banco de Joe Flacco no Baltimore Ravens. Taylor terá que melhorar, principalmente, em passes de curta e média distâncias, já que em 2015 foi um dos QBs mais eficientes da liga em passes longos. Quando não corria com a bola, lançava passes longos em play actions, o que é muito pouco para quem quer ser um franchise quarterback. Ele precisa aprimorar sua capacidade de leitura rápida em jogadas com rotas curtas/médias. Precisa, resumidamente, ser um pouco mais pocket passer.

Sammy Watkins, LeSean McCoy e quem mais?

O sucesso de Tyrod Taylor – e de qualquer QB mediano – passa, em grande parte, pelo desempenho de seus recebedores. WRs acima da média, como Calvin Johnson e Odell Beckham Jr., conseguem potencializar o jogo de seus QBs.

Sammy Watkins é, sem dúvida, um dos melhores recebedores da NFL atualmente. Mas para que seu potencial seja plenamente atendido, ele precisa se manter saudável, o que parece ser um grande desafio se levarmos em conta seus dois anos como profissional. Ainda se recuperando de uma cirurgia para corrigir um osso quebrado no pé, Watkins começa a temporada de 2016 como a grande chave para o sucesso ofensivo do Bills. Se conseguir participar de pelo menos 12 jogos na temporada, é praticamente certo que passará de 1000 jardas recebidas e se aproximará de 10 TDs.

Se olharmos para o grupo de recebedores do Buffalo entenderemos por que Sammy Watkins é tão importante. Tirando o WR Robert Woods e o TE Charles Clay, que já tiveram alguns momentos produtivos, o restante dos jogadores faz parte de um grupo de desconhecidos que poderiam estar fritando hamburger em um fast food qualquer.

Talvez o Buffalo Bills nem precise de muitas opções em seu ataque aéreo. Além de falar bastante, Rex Ryan gosta muito de ver seu ataque correndo com a bola: Buffalo liderou a NFL em jardas terrestres e foi o segundo em tentativas de corrida em 2015.

LeSean McCoy já foi o melhor RB da liga e só não permaneceu no posto devido a contusões e a um comportamento questionável fora de campo, que inclusive colaboraram com a troca que o mandou para Buffalo pelo LB Kiko Alonso, que foi para o Philadelphia Eagles. Assim como Watkins, a questão para McCoy é a saúde. Se conseguir permanecer saudável, com o volume de carregadas que receberá, é difícil imaginar um cenário em que não termine no top 10 da liga em jardas e TDs.

Karlos Williams, o reserva de McCoy que foi uma das revelações de 2015, quando marcou 7 TDs, está suspenso por quatro jogos pelo uso de substâncias proibidas. Além da suspensão, Williams já tinha aparecido para treinar muito acima do peso. Segundo ele, a culpa dos quilos a mais era da gravidez de sua namorada, já que ele não podia deixar que ela atendesse aos desejos de grávida sozinha. Bizarrices à parte, pelo menos durante a sua suspensão, não há nenhuma opção além de LeSean McCoy. Com o histórico de contusões do titular, o jogo corrido do Bills pode se tornar rapidamente uma grande bagunça.

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Destrói lá, Tyrod. Mas sem pressão, tá?

Uma defesa desfigurada

Com esquemas complexos, que envolvem muito movimento e blitz exóticas, Rex Ryan criou a fama de ser um especialista em defesa. Nos anos em que levou o NY Jets à final da AFC, sua defesa foi a número dois da liga. Porém, como já vimos antes, Rex também é especialista em falar demais. Logo que assumiu o comando do Bills, além de prever a classificação aos playoffs, afirmou também que sua defesa seria a melhor da NFL em 2015. Como todas as suas promessas, essa também não se realizou. Muito pelo contrário: o Bills foi a quarta melhor defesa da liga em 2014, enquanto em 2015, o primeiro ano da era Rex, a defesa foi apenas a número 19. Uma queda vertiginosa.

O péssimo desempenho pode ser explicado pela ausência de pass rush. O Bills foi o segundo pior time da liga em 2015 em sacks, com apenas 21. Para efeito de comparação, o Denver Broncos, vencedor do Super Bowl, conseguiu 52.

O Bills até tentou melhorar nesse aspecto e procurou suprir as necessidades defensivas no draft. As três primeiras escolhas do time foram defensores. No primeiro round, draftou o DE Shaq Lawson, que acabou tendo que fazer uma cirurgia no ombro e não deve fazer sua estréia até  sexta semana. A escolha de segundo round, LB Reggie Ragland, que deveria ser titular, deve perder toda a temporada com os ligamentos do joelho rompidos.

Além dos calouros, o Bills perdeu também o DT Marcell Dareus, suspenso por quatro jogos por uso de substâncias ilícitas. A perda de Dareus, que no início da temporada de 2015 assinou um contrato de seis anos com US$ 60 milhões garantidos, deve colaborar com a piora tanto da defesa contra o jogo corrido quanto da pressão no quarterback adversário.

Outra perda, que não deve ser tão sentida quanto a de Dareus, foi a do LB IK Enemkpali, famoso por ser o responsável pelo soco que tirou Geno Smith dos primeiros jogos do Jets em 2015, que rompeu os ligamentos do joelho no jogo contra o Indianapolis Colts pela pré-temporada.

Como não consegue se conter, Rex Ryan já foi avisando que, mesmo com as contusões e suspensões, a defesa do Bills em 2016 será melhor do que a da temporada passada. Já não acreditamos mais, Rex.

Palpite: LeSean McCoy e/ou Sammy Watkins perderão vários jogos com contusões, Tyrod Taylor mostrará que não passa de um bom reserva e o Bills não irá aos playoffs. Rex Ryan será demitido e terá que se reinventar na arte de confeccionar promessas inviáveis como coordenador defensivo de um time ainda mais irrelevante.